sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Extrema-direita é samba de uma nota só


Não importa o país ou a época, aonde quer que você observe, a ultradireita é o mesmo estrupício em qualquer lugar do mundo. A vitória da AfD na Alemanha – coisa que não acontecia desde a era Hitler – escancara uma tendência mundial de busca da população por um alívio para as crises trazidas pelo capitalismo financeiro. Guerras, desigualdade, violência, desemprego, baixos salários... tudo isso faz parte das crises cíclicas estruturais do capitalismo. Essas crises, diga-se de passagem, não são resolvidas com remendos constitucionais (PECs e PLs) e muito menos mantendo as estruturas capitalistas intactas. O monstro do fascismo sabe disso e se omite, porque o que o fascismo quer, na realidade, é um recrudescimento do regime vigente. Por isso, ele espreita atentamente, esperando a oportunidade para ameaçar as democracias com discursos populistas rasos e sofismas repletos de soluções fáceis para problemas complexos. E para sustentar os discursos de ódio bradados impunemente para tirar o foco dos problemas reais, a extrema-direita sempre busca minorias inocentes (imigrantes, judeus, comunistas, pobres) para serem culpados injustamente pelas crises. Toda essa onda reacionária, racista, xenófoba, misógina, macarthista e focada no combate dos sintomas da violência (e nunca nas causas, na prevenção) é a receita usada pela extrema-direita há décadas para seduzir eleitores incautos, despolitizados e cansados de soluções democráticas. Foi assim com Trump, Netanyahu, Milei e com os Bolsonaros.

O filhinho 01 do ex-presidente preso, por exemplo, continua a verborragizar aquele velho e encardido discurso do "bandido bom é bandido morto" só que, desta vez, com palavras mais sofisticadas. Perceba que o fascismo sempre usa o MEDO como principal capital político para angariar votos. É sempre o medo dos imigrantes, medo do desemprego, medo da violência, medo do comunismo, medo da ideologia de gênero, medo do que não se conhece direito... Isso é pregado, claro, junto com aquele discurso neoliberal suicida de "cortar gastos públicos" e vender tudo que for estatal para o capital internacional lucrar com o que é nosso. Fascistas brasileiros também são, além de entreguistas, falsos moralistas, já que todos eles estão envolvidos direta ou indiretamente em escândalos de corrupção, seja com rachadinhas ou com esquemas milionários com ex-banqueiros presos. Isso quando não apelam para ideias totalmente trogloditas como o fim do sufrágio universal, fim dos direitos trabalhistas e de diversas conquistas civilizatórias que tivemos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Enfim, não há nada que se aproveite na extrema-direita a não ser motivos de sobra para nunca votar nela. E olha que nem estou pedindo para que as pessoas virem socialistas. Só estou querendo que o país e o mundo não pereçam diante dessa loucura que o capitalismo produz de tempos em tempos. Afinal, como já dizia Bertolt Brecht: "A cadela do fascismo está sempre no cio".

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