terça-feira, 20 de outubro de 2026

Virar voto é a única forma de salvar a democracia


Virar voto nunca foi fácil. Mas virar voto de bolsonarista é uma tarefa absolutamente tenebrosa. Exige um esforço homérico e uma persistência hercúlea convencer uma pessoa catequizada no bolsonarismo a não votar no candidato da extrema-direita, nem que seja só para ele anular o voto. Não importa o que você diga de escabroso do Bozo Júnior que o bolsomínion padrão não deixará de digitar o número dos dois patinhos na lagoa nas urnas. Mesmo com o Lula desafiando o candidato do PL a abrir seus sigilos bancários e telefônico e ele NEGANDO, a gadaiada continua a dizer que o Lula é que é corrupto. Se o sr. Rachadinha cometesse um crime hediondo na frente de todos, ainda assim, 99% de seus eleitores aplaudiriam e confirmariam o voto nele. Parece que o duplipensar moral do eleitor médio da extrema-direita supera qualquer argumento racional, ético ou filosófico. Essa gente quer mesmo que o pobre se exploda, quer escala 7x0, quer ver gay sendo espancado na rua, quer ver mulher sendo assassinada por ex-companheiro, quer o fim do Pix como conhecemos, quer as milícias no topo do poder, quer armas nas mãos de crianças, quer que o Trump literalmente EXPLODA o Brasil...

O jeito que tem é se fingir de bolsonarista arrependido e dizer que não vai votar no Bozo Jr porque ele não é malvado o suficiente. Tipo: não vai votar nele porque ele não vai liberar metralhadoras para os CAC, porque ele não vai implantar a pena de morte, porque ele não vai proibir a venda de vacinas contra Covid, porque ele não vai colocar o PT na ilegalidade, porque ele não é homofóbico e racista o bastante e também não vai desmatar a Amazônia o suficiente para fazer centenas de data centers de IA. Gente ruim não liga para coisas boas, eles só querem desgraça, quanto mais, melhor. Então eu aposto mais nisso para virar voto do que dizer que o Rachadinha vai trazer de volta as bets e cortar programas sociais.

Outra opção menos complicada é convencer pessoas não-bozistas que não votaram no primeiro turno a ir votar no Lula no segundo. Essas podem ser convencidas com argumentos racionais, mas também não é fácil fazer o trabalhador apolítico perder um dia sagrado de descanso só pra ir votar. Enfim, é preciso trabalhar incessantemente para que o Brasil não vire um hospício de fascistas que odeiam o próprio país e o próprio povo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A dinastia Bolsotrump vem aí


Algumas pessoas defensoras da democracia brasileira estão com medo de haver uma nova tentativa de Golpe de Estado caso o Flávio Rachadinha Bolsonaro vença as eleições. Esse medo é legítimo pelo fato do pai dele estar preso justamente por conspirar e planejar uma tentativa de Golpe lá em 2022. Só que sendo bem honesto, eu não acho que isso irá acontecer novamente. Isso porque, em caso de vitória, Flávio Bolsonaro terá os três poderes em suas mãos de tal forma que isso nem será necessário. O Congresso, dominado pelo PL e pelos partidos do Centrão, forma, naturalmente, maioria para aprovar qualquer coisa que o Flávio quiser. Quanto ao poder judiciário, Flávio, se eleito, poderá indicar até quatro ministros para o STF só no primeiro mandato e terá maioria para inocentá-lo de qualquer falcatrua, para censurar o que incomodar e cruzar os braços quando for conveniente. Para piorar, ainda há a imprensa hegemônica que fará uma pseudo oposição e o governo dos Estados Unidos dando todo apoio externo que o Bozo Júnior quiser. Se achou tudo isso pouco, lembre-se que esta é a última eleição do presidente Lula e não há NINGUÉM na esquerda ou mesmo no centro político que possa concorrer contra o clã Bolsonaro nas próximas eleições com chances de vitória em um país fascistizado. Ora, só com essa situação toda a favor não seria mais necessária ditadura nenhuma. Só que a desgraceira não para por aí...

Com as Big Techs ampliando o alcance do discurso bolsonarista nas redes sociais em nome da "liberdade de expressão" e com a oposição em minoria, poderemos ter um cenário que todo ditador sempre sonhou: em governar do jeito que quiser, pelo tempo que quiser, sem oposição relevante e sem nem parecer que é uma ditadura. O voto no Flávio Bolsonaro é uma forma de legitimar um despotismo miliciano que não tem nenhum compromisso que não seja em aumentar a miséria dos trabalhadores e o lucro exponencial da classe dominante. Essa é a tragédia que esperará por nós pelos próximos 8, 16 ou 24 anos com um nepotismo presidencial indefinido. O clã Bolsonaro não terá concorrência e as nossas estatais serão todas vendidas, os preços dos alimentos irão disparar (o preço do gás e da gasolina nem se fala), a precarização do trabalho será ainda maior com a maluquice de se receber por hora, movimentos sociais serão empurrados para ilegalidade com o título de "narcoterroristas", minorias serão marginalizadas e o pix será substituído por qualquer modelo de pagamento americano pior. E nem vou falar da tragédia que será para o meio ambiente, porque, né... Quem no Brasil liga pra isso?

O mais bizarro e engraçado desse futuro cenário é que os despolitizados irão dizer que toda desgraça do Brasil causada pelos Bolsonaros será por culpa do PT, tipo aquele meme "E o PT, hein? E o Lula?" É para você ver como a alienação da classe trabalhadora é estarrecedora. O trabalhador de classe média acha que é um burguês só porque investe uns trocados na caderneta de poupança e em criptomoeda – aí depois não entende porque vive endividado... Que Deus, se existir, tenha piedade deste país...

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Uma virada eleitoral é totalmente possível


Bertolt Brecht já dizia que a cadela do fascismo está sempre no cio. Isso porque em um mundo capitalista, sempre teremos uma parte da população (algo entre 15% a 30%) que abraça organicamente a extrema-direita durante os momentos de crise. No Brasil, esses fascistas sempre votaram no PSDB por falta de opção, mas com a popularização do radicalismo político encabeçado pelo clã Bolsonaro na mídia e na web, a coisa escalou de forma quase incontrolável. Daí então que desde meados da década de 2010 que o fascismo tupiniquim tornou-se a força preponderante na política. Só que esse fascismo de agora é diferente de tudo que a direita macarthista produziu até hoje no Brasil. Desde os tempos da República Velha – passando inclusive pelas ditaduras do Estado Novo e a civil-militar de 1964 – e indo até o Dr. Enéas Carneiro, nunca se viu uma direita tão vulgar, vira-lata e antipatriota. A extrema-direita de hoje não é só violenta, reacionária e golpista: ela é principalmente entreguista e corrupta. Os figurões do PL querem dar o controle total do Brasil para os Estados Unidos, incluindo aí segredos de Estado e todas as nossas riquezas naturais. Se o Flávio Bolsonaro ganhar, é a Casa Branca que vai mandar aqui. E o Donald Trump já mostrou que quer as nossas terras raras, petróleo, aquíferos, fim do Pix, venda das estatais, endividamento com o FMI e subserviência absoluta aos interesses da burguesia norte-americana. O Laranjão do partido republicano quer que o Brasil vire uma Argentina ou uma Venezuela com mais um fantoche na presidência. Os EUA simplesmente querem nos roubar e usam toda essa banalidade do mal trazida pela extrema-direita bolsonarista para tomar conta de toda a América Latina. É por isso que algo precisa ser feito enquanto há tempo para que essa direita miliciana não acabe de vez com o país.

É irracional querer o fim dos programas sociais.


Porém, algo importante precisa ser dito: a maioria dos eleitores do Bolsonaro NÃO são fascistas. Os eleitores do Flávio Rachadinha são heterogêneos. Entre os que digitaram 22 nas urnas tem pessoas comuns cansadas da violência urbana, pessoas que não conseguiram melhorar de vida mesmo nos governos petistas, pessoas que seguiram por osmose a onda reacionária, pessoas que nunca tiveram consciência de classe, pessoas apolíticas, gente que acha que político é tudo igual, gente cansada da cultura woke (e do "politicamente correto"), antipetistas, conservadores com pânico moral, religiosos incautos, voto de cabresto por pressão do patrão e, claro, os fascistas propriamente ditos. A maioria dessa gente foi cooptada através das redes sociais. Essas pessoas não são monstros: são pessoas comuns, trabalhadoras, iludidas pelo canto da sereia midiática entoado há décadas pela burguesia que ganhou força na internet graças à inclusão digital massiva nos últimos anos. Tirando os fascistas, que são caso perdido, toda essa gente pode mudar o voto. Ainda que votem contrariados no PT, é menos pior que façam oposição a um democrata do que ver a democracia como conhecemos ser desmontada por um bando de bandidos de terno e gravata. Não é possível que um povo que seja majoritariamente contra as privatizações e contra a escala 6x1 caia no duplipensar paradoxal de votar em massa naqueles que são a favor de tudo que elas são contra. Lembrando que esta será a última eleição do Lula, depois disso, sabe-se lá o que nos espera. É por isso que eu acredito na possibilidade real de uma virada nas urnas. Se houver a campanha certa direcionada para as pessoas certas, teremos a chance de respirar um pouco pelos próximos 4 anos. Não podemos deixar que o filhote do Bronco Apocalíptico (vulgo Bolsomerda) acabe com o Brasil. Mesmo que as pesquisas continuem mostrando o candidato da burguesia na frente, o jogo só acaba quando todas as urnas forem apuradas.

Essa turma? NUNCA MAIS!

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Luto para mim é verbo


Pois é, camaradas, essas eleições de 2026 foram terríveis para a classe trabalhadora. A extrema-direita, representada majoritariamente pelo PL, ampliou ainda mais seu espaço no poder legislativo. Bufões homofóbicos como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato foram os deputados mais votados da história e o senado tem a maior bancada de extrema-direita desde a proclamação da república. E no primeiro turno para a presidência, o Bozo Júnior teve mais de 2 milhões de votos a mais que Lula. O resultado é desanimador para o campo democrático, tendo em vista que o pai do candidato do PL está preso justamente por tentativa de Golpe de Estado e sua vitória representa uma vassalagem descarada ao imperialismo de Donald Trump. 

Golpistas precisam permanecer presos.


Apesar dessa tragédia eleitoral, esse resultado acachapante da extrema-direita nas urnas não me surpreendeu. Isso porque vivemos uma era de idiocracia e alienação total da classe trabalhadora onde as Big Techs controladas pelos EUA, think tanks ultraliberais e igrejas neopentecostais trabalham incessantemente para que seus interesses econômicos se reflitam nas urnas. E tem dado certo, porque mesmo que o trabalho da esquerda seja incansável, o poder do capital sempre é maior. No fundo, ninguém que apertou 22 na urna se importa se vai ter gente catando osso no caminhão de lixo, se o quilo de feijão vai custar mais de R$ 30, se a gasolina vai disparar, se o meio ambiente será devastado, se as universidades públicas irão fechar, se os direitos trabalhistas irão de arrasta pra cima e se as minorias serão caçadas como bruxas na inquisição. Muito menos que o Flávio Rachadinha é corrupto e tem ligações com o crime organizado. Os eleitores do filho do Bolsomonstro só seguem o que o pastor manda, o que o influencer reaça vocifera nas redes sociais e o que os donos das bets praguejam por ressentimento. Às vezes, dá até vontade de ver o Rachadinha vencer mesmo só para ver esse povo sem noção trabalhar em escala 7x0, pagar mais imposto e ter tanto o SUS quanto a CLT destruídos. Isso se o PIX não for embora junto, já que o presidente fascista dos EUA não gosta nem um pouco desse meio de pagamento. Isso seria muito bom como pedagogia pelo sofrimento, mas com o nível intelectual de uma esponja do mar e com a lavagem cerebral das redes sociais, o povo vai passar décadas colocando a culpa no PT. É por isso que eu me recuso a desistir da luta.

Só a luta salva a classe trabalhadora.


Antes que essa cambada de fascistas categorize os socialistas como "organização narcoterrorista" e os Red Pills como ONG humanitária, eu vou seguir lutando para conquistar votos não para o Lula ou o PT, mas para a DEMOCRACIA. Mais uma vez, a luta será entre civilização contra barbárie, entre democracia contra despotismo miliciano-teocrático, entre trabalhismo contra rentismo parasitário, entre bem-estar social contra neoliberalismo entreguista, entre amor contra ódio... O Brasil NÃO merece esse retrocesso. Como já diziam os heróis combatentes, se eu tiver que morrer, vou morrer lutando.