domingo, 16 de agosto de 2026

A vida é uma grande roleta da sorte viciada


Se tem três coisas que aprendi ao longo das minhas mais de 42 primaveras foi que: 1 - A vida não é justa. 2 - A vida não é bela. 3 - A vida não tem sentido. 

Isso me veio à mente quando recebi a recente notícia de que um conhecido meu está lutando contra um câncer mesmo sendo mais jovem que eu e tendo levado uma vida inteira totalmente regrada. Esse meu conhecido sempre praticou esportes, fez musculação, seguia dieta rigorosa, se mantinha dentro do peso saudável, não fumava, não bebia, dormia bem, tinha um trabalho que amava e, mesmo assim, num dos exames de rotina, pimba: câncer. Por sorte, foi encontrado em estágio inicial, mas eu acho isso muito irônico. Tem pessoas que levam uma vida absolutamente desregrada em todos os sentidos possíveis e vivem toda uma vida sem ter câncer. Sem falar de crianças bem novas que têm câncer e outras doenças supostamente "evitáveis", mas que não possuem qualquer ligação com estilo de vida. Tudo parece ser uma questão de sorte e probabilidade. E isso também não tem qualquer ligação com merecimento ou karma, porque senão pessoas desprezíveis seriam as primeiras ou únicas a ter essas doenças mais graves. É por essas e outras que não acredito em deuses ou predestinação. Acho que quase tudo no universo é uma questão de acaso. 

É claro que é sempre melhor jogar a favor das estatísticas, mas parece que o universo é indiferente ao nosso conceito de justiça e significado. Aí entra na conversa também a questão da beleza. A vida ser bela ou não é subjetivo, tipo um copo meio cheio ou meio vazio. Só que é difícil falar de beleza num mundo capitalista maldito onde as desigualdades sociais são criadas e naturalizadas por uma classe dominante egoísta, sádica e racista. Neste momento, temos cerca de 2 bilhões de seres humanos em situação de insegurança alimentar. Fora os doentes, desabrigados, feridos e sem esperança. É por isso que precisamos dar um sentido para vida, porque, na verdade, não há. Acho que a empatia, a solidariedade, o altruísmo, a generosidade, a inclusão social, as políticas de cuidado com as pessoas e o amor pelos nossos semelhantes ainda são a melhor forma de tornar esse mundo um lugar menos miserável e injusto. Não podemos só depender da sorte, porque, às vezes, me parece que a vida não passa realmente de um grande dado viciado.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

A decadência constrangedora da direita burra


A extrema-direita brasileira parece ter ativado o modo kamikaze nos últimos acontecimentos envolvendo o filho mais velho do presidiário ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de ter disseminado várias fake news contra o atual governo, em um encontro com diplomatas em Brasília, resolveu atacar a integridade das urnas eletrônicas brasileiras com várias mentiras. Basicamente, Flávio Rachadinha alegou que nossas urnas não são confiáveis assim como o pai dele também precisou fazer para se tornar inelegível. Achando pouco, o filho 01 convidou o presidente fanático da Argentina para atacar autoridades brasileiras na convenção do PL e, de quebra, resolveu entrar numa sinuca de bico ao exibir um vídeo gerado por IA do próprio pai. Lembrando que é proibido usar a imagem do pai preso em regime domiciliar para fins eleitorais, o que pode acarretar prisão em regime fechado para o Bolsonaro pai ou punição por deep fake com cassação e multa para o Bolsonaro filho e o PL.

Todo esse imbróglio malcheiroso envolvendo a candidatura do senador Flávio Bolsonaro juntamente com as sanções dos EUA dadas ao Brasil têm causado o efeito contrário do desejado pela direita que é o fortalecimento do governo Lula. Basta olhar as últimas pesquisas que nota-se um crescimento tanto na aprovação do atual governo quanto nas intenções de voto do Lula. A direita burra, representada pela família Bolsonaro, não está favorecendo a oposição – muito pelo contrário. Eleitores moderados que tinham alguma simpatia pelo PL estão se abstendo não só de apoiar o filho 01 do presidiário inelegível, mas também estão ajudando a aumentar as estatísticas de votos brancos e nulos. Isso, queira ou não, acaba sendo ruim para a democracia, porque parte do eleitorado não se sente representado por ninguém. 

Eu sei que muita gente trata política partidária como sendo uma espécie de Fla-Flu ideológico, mas é necessário termos uma visão mais ampla dos fatos sem briga. Precisamos, numa democracia saudável, ter direita e esquerda debatendo suas propostas e caminhos para desenvolver o Brasil de forma civilizada. Mas o que temos no país hoje, infelizmente, é quase uma falsa dicotomia política. De um lado, temos uma centro-esquerda genérica, quase apartidária, que tenta parecer mais "palatável" a todos e ganhar mais votos dos indecisos sendo mais "centro" propriamente dito que esquerda. Do outro lado, uma direita que é ou entreguista, ou golpista, ou tresloucada/olavista, sem propostas realistas para desenvolver o país. Nessa palhaçada, apesar do Brasil ter um potencial absurdo para ser uma potência global, ficamos sem empresas fortes sendo subsidiadas pelo Estado, sem investimento em tecnologia, sem industrialização e acomodados como meros exportadores de commodities. Comparando com o futebol, estamos como a seleção brasileira que é a única pentacampeã do mundo, mas que não consegue mais ganhar nenhuma Copa. Precisamos mudar para melhor e com visão a longo prazo sem pensar somente no lado eleitoral. 

E pelamordedeus, direita brasileira, crie vergonha na cara. Apoiar as insanidades da família Bolsonaro é, como já dizia Boris Casoy, uma VER-GO-NHA.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

O azarão da Copa


Até ontem eu achava que o pé frio do Mick Jagger era o único que trazia má sorte para as seleções da Copa do Mundo que ele torcia. Mas eis que este que vos escreve conseguiu a façanha de zicar TODOS os times que torci nas oitavas-de-final, sem exceções. Para não dizer que a culpa foi só minha, descobri que o influencer americano IShowSpeed também trouxe essa sorte reversa para os países e acabou virando meme. Bom, pelo menos não gastei dinheiro indo aos jogos e pagando mico ao vivo. Mas, enfim, creio que essa minha torcida não foi algo tão isolado, porque a maioria das pessoas que vi na internet relataram algo parecido, já que as seleções africanas, latino-americanas e anfitriãs eliminadas costumam ser mais carismáticas e recebem mais apoio das pessoas. Eu mesmo não torço para nenhuma europeia, exceto Portugal. E das oito seleções que estão nas quartas-de-final, apenas duas não são europeias: Marrocos, pela qual peguei antipatia por tentar roubar o título de Senegal da Copa Africana e, claro, a Argentina, por sua eterna rivalidade com o Brasil. É verdade que a Argentina teve sorte no chaveamento e apito amigo para ajudar, mas apesar de torcer contra os hermanos, temos que admitir que eles jogaram com muito mais garra que os jogadores do Brasil. A seleção brasileira me pareceu reativa demais, apática e preguiçosa contra a Noruega e não mereceu se classificar, sendo eliminada pela sexta Copa seguida para uma seleção europeia em mata-mata. 

O que resta agora é ver o que vai acontecer entre as que sobraram. Não tenho a menor simpatia por nenhuma delas e nem curiosidade sobre o que vai acontecer daqui pra frente, mas talvez fosse interessante uma campeã inédita desta vez, coisa que vai ser difícil de ocorrer, já que as campeãs são MUITO favoritas e têm artilheiros históricos em seus times. A Copa agora fica sem graça para mim, já que não consigo torcer pra ninguém mais e, sendo franco, pouco me importa quem vai levar a taça. Só espero que na próxima Copa, as seleções africanas parem de levar gols nos minutos finais e as sul-americanas repitam o desempenho das oitavas-de-final de 2010. Fora isso, vou me divertir muito mais assistindo alguma série na Netflix que perdendo duas horas da minha vida com Bélgica e Espanha, afff...

PS: Agora que percebi que, pela primeira vez na história, nenhuma das três seleções que compõem o "trio de ferro" das camisas mais pesadas das Copas – Brasil, Alemanha e Itália – está numa quarta-de-final. Isso mostra que tradição não ganha jogo e que o futebol passa por uma nova era.

terça-feira, 23 de junho de 2026

A Copa de 2026 é um turbilhão de emoções


O presidente da Uefa, Aleksander Čeferin, foi criticado recentemente por várias federações de futebol por ter dito que a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções não seria benéfico para o futebol por ter muitas partidas "desinteressantes". Eu entendo o argumento dele, mas discordo completamente. Isso porque embora o nível técnico de alguns jogos seja realmente baixo, não há nada mais divertido e emocionante que ver uma seleção estreante fazer seu primeiro gol ou ganhar seus primeiros pontos numa Copa. Olha, por exemplo, o caso de Curaçao onde o experiente treinador Dick Advocaat se emocionou com o primeiro gol de Curaçao em Copas e fez o mundo também se emocionar com primeiro ponto da seleção contra o Equador. Curaçao conseguir seu primeiro ponto em Copas é tipo o homem dar o primeiro passo na Lua para eles: é algo gigante, inédito, inesquecível, heroico. A festa das torcidas nas arquibancadas e em seus países foi muito mais linda que uma vitória avassaladora de uma seleção favorita numa semifinal. Sem falar do fenômeno Vozinha que passou dos 15 milhões de seguidores do Instagram por seu carisma, humildade e liderança dentro de uma seleção estreante. Um jogo decisivo entre Jordânia e Argélia – apesar do nível técnico baixo – é muito mais emocionante que uma final entre XV de Piracicaba e União Barbarense numa final da série A3 do Paulistão. São países pequenos com grandes torcidas que estão sendo representados diante do mundo inteiro, tendo sua bandeira e seu hino tocados para milhões de pessoas no planeta. Isso não tem preço e é absolutamente épico.

Isso foi simplesmente maravilhoso...


Quanto a Copa como um todo, eu estou achando divertidíssima. Somente uma Copa do Mundo me faz ficar acordado até de madrugada para assistir seus jogos, me emocionar com a entrega em campo das estreantes, fazer a remada dos vikings noruegueses na frente da TV e me deixar perplexo ao ver Cristiano Ronaldo entrar para história como o único jogador a fazer gols em seis Copas do Mundo. Sem falar da briga entre Mbappé e Messi como maior artilheiro da história das Copas. Isso porque ainda estamos na segunda rodada da primeira fase. Imagina quando começar o mata-mata...

E o Brasil, hein?


Quanto à seleção brasileira, nenhuma surpresa até o momento. A nossa seleção só não é uma decepção porque ela já ia mal há tempos (ou melhor: vinha mal, porque Yamal é um craque da Espanha ahahaha) e não tem motivos para surpreender positivamente nesta Copa. Essa seleção da CBF só tem chance de ser hexa se Harry Kane, Mbappé, Halaand, Messi, Cristiano Ronaldo e Vozinha se naturalizarem brasileiros. Fora isso, é mais fácil achar petróleo no quintal de casa que essa seleção ser campeã. A situação tá tão feia que estamos com medo de enfrentar o Japão e cair já nos 16 avos de final. Antigamente, os adversários nos temiam, mas hoje, o Brasil virou piada a ponto de ser quase um azarão. Pois é, quem poderá nos ajudar? O superestimado Neymar? O eterno reserva do Endrick? Ou o quadrado sem mágica de Vini Jr, Raphinha, Igor Thiago e Matheus Cunha? E o meio de campo então... Só Jesus na causa. Um time sem entrosamento, sem personalidade e sem brilho não vai muito longe. Espero que o Brasil vire a chave emplaque logo, porque senão teremos uma amarga eliminação precoce. Enfim, esperança é a última que morre. Vai Brasa!

Dias difíceis virão...


quinta-feira, 18 de junho de 2026

A melhor Copa da história


Por mais que eu esteja há décadas sem acompanhar futebol como antes, eu nunca abri mão de assistir aos jogos da Copa do Mundo. É uma tradição para mim desde 1994 assistir o máximo de jogos dos mundiais e me surpreender com as histórias de cada um deles. E em 2026 não está sendo diferente. Somente na primeira rodada da primeira fase, já revivi o trauma do 7x1 com a Alemanha, passei raiva com a seleção brasileira, me surpreendi com a música Sirius (The Alan Parsons Project) sendo tocada na entrada dos jogadores em campo, me diverti com resultados improváveis, vi Messi se tornar o maior artilheiro das Copas e ri bastante com os memes. Mas o que mais gostei até agora foi da estreia de Cabo Verde contra a poderosa Espanha. O goleiro Vozinha fez história ao segurar a artilharia da Furia Roja. Eu já conhecia o trabalho do treinador de Cabo Verde, o Bubista, desde a sua premiação de melhor treinador africano no CAF Awards 2025, mas não esperava que ele fosse segurar o ataque espanhol com tanta eficiência. E o melhor de tudo é que Cabo Verde é um país lusófono e possui ligações culturais com o Brasil. Eu mesmo tive vários colegas de Cabo Verde na época da faculdade e alguns deles tornaram-se amigos meus (e olha que sou péssimo para fazer amizades). A campanha da Cazé TV em turbinar os seguidores do Instagram de Vozinha foi muito bacana e mostrou que Cabo Verde foi adotada com carinho como uma segunda seleção para muitos brasileiros torcerem nesta Copa.

Avante, Tubarões Azuis!

Enfim, só lamento que essa diversão dure apenas cerca um mês e outra novamente só daqui a quatro anos. É por isso que estou adorando perder o sono para ver a melhor fase da Copa com jogos até de madrugada.