domingo, 31 de maio de 2026

Fim da escala 6x1 é pauta da esquerda


Tem coisas nesta vida que são óbvias, mas por vivermos numa sociedade alienada politicamente e imbecilizada pelo fascismo, nunca é demais lembrar da verdade. Dito isso, é preciso ressaltar que o fim da escala 6x1 aprovada pela câmara não é e nunca foi uma proposta da direita. Quem sempre defendeu e continua a defender os direitos da classe trabalhadora é a esquerda. A maior prova disso é que a proposta teve votos contrários apenas dos partidos de direita. Só quem não é a favor do trabalhador ter mais qualidade de vida e dignidade é a burguesia que, diga-se de passagem, foi representada de forma bastante caricata pelo dono da Havan com suas ironias tragicômicas.  

Os trabalhadores que odeiam a esquerda e vomitam macarthismo gratuito internet afora devem agradecer à esquerda por terem direito a férias remuneradas, décimo terceiro salário, jornada de trabalho de menos de 50 horas semanais e salário mínimo com aumento acima da inflação. Achar que é melhor um mundo onde as classes dominantes são livres para nos explorar até a morte é, simplesmente, uma forma patética de fazer vassalagem para as oligarquias globais. Nosso dever como classe que produz a riqueza do planeta é nos unir para que tenhamos o mínimo para viver com dignidade. Enquanto a classe trabalhadora não entender isso de forma majoritária, sempre iremos ter pacotes de austeridade impostos pela direita para enricar quem vive de nos explorar.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Uma religião chamada futebol


Toda essa repercussão e euforia com a convocação do Neymar Jr. para a Copa do Mundo de 2026 mostra duas coisas muito interessantes a respeito do ser humano. A primeira é que os seres humanos sentem uma profunda necessidade de acreditar em algum tipo de messias. E a segunda é que o futebol não é apenas um esporte: é praticamente uma religião. 

Em quase todos os lugares, dentro e fora da internet, as pessoas ainda estão discutindo se o Menino Ney tinha que estar entre os convocados ou não. Quem defende que ele não devia ter sido chamado usa argumentos lógicos sobre sua condição física, sua performance recente no Santos e a ausência de outros grandes jogadores em seu lugar como o João Pedro do Chelsea. Já quem defende a presença do Ney faz isso, na maioria das vezes, por tietagem, por fé ou por saudosismo. Eu concordo que apesar de não ser o mesmo de 2014, o Neymar ainda é um jogador acima da média que, queira ou não, ajuda a manter o time coeso e serve para assumir a responsabilidade pelo grupo. O problema é que uma andorinha só não faz verão. O Neymar, assim como Cristiano Ronaldo e Messi, é um ídolo internacional, garoto propaganda de várias grifes e o último jogador remanescente da velha guarda de craques brasileiros. Mas o cara não faz milagre em uma seleção cheia de problemas, com dificuldades técnicas e táticas e um treinador que não conseguiu ainda arrumar o time. Todo mundo sabe que a nossa seleção não está bem, mas a nossa profunda necessidade de crer em salvadores da pátria (seja na política ou nos esportes) cria a ilusão na maioria de que podemos colocar tudo nas mãos do Neymar e então estará tudo magicamente resolvido, que seremos hexa quase que por ação divina dos deuses do futebol. 

Esse oba-oba com a Copa do Mundo me parece um delírio coletivo que funciona como escapismo para os problemas reais das nossas vidas. Pois mesmo que sejamos hexacampeões, o que isso muda nas nossas vidas cotidianas? Parece que tudo no ser humano gira em torno da profunda necessidade de acreditar em algo que traga algum significado para nossas vidas.

sábado, 2 de maio de 2026

Precisamos abrir os olhos


A rejeição histórica do senado ao advogado geral da União Jorge Messias para a vaga no STF não foi um fato político isolado. O incidente teve várias camadas. Além da indicação do advogado ter frustrado parte da ala progressista por ele ser um homem branco e conservador, tivemos também uma série de articulações nos bastidores envolvendo o presidente do Senado, ministros do STF e a "rasteira" de aliados importantes por falta de blindagem no caso do Banco Master. Logo em seguida, veio a derrubada do veto presidencial ao PL da dosimetria, mostrando que o Governo Federal está com dificuldade de articulação, queda de popularidade e em clara desvantagem numérica no legislativo. Essa turbulência, em parte, é por culpa do próprio governo que tem feito concessão demais ao agronegócio, ao centrão, aos bancos, ao imperialismo e aos corruptos. Isso colocou o governo Lula nas mãos de oligarquias perigosas que nunca se contentam com o muito que ganham. Contudo, é inegável que a desgraça seria menor se a direita bolsonarista e o centrão não fossem maioria no congresso. E é aí que entra a importância da conscientização dos eleitores.

Vivemos em um presidencialismo de coalizão. E este é um sistema de governo que exige alianças e coligações para se obter apoio para governar. Portanto, as pessoas precisam evitar votar em candidatos que não estejam alinhados politicamente entre si. Não faz sentido votar no Lula para presidente e em deputados do centrão na mesma eleição. Isso abre espaço para barganhas, chantagens, lobby e conchavos em nome da estabilidade. O resultado dessa bagunça é essa dificuldade de governabilidade que é comemorada pelos bolsonaristas como se fosse algo bom. No fim das contas, são os corruptos que sempre levam a melhor nesse cenário de instabilidade política, já que eles são oportunistas e se aproveitam das crises para aumentar suas áreas de influência e seus ganhos pessoais ilícitos.

Já ao governo Lula resta o enfrentamento e parar de ceder tanto ao centrão e aos neoliberais que fingem querer conciliação. Precisa indicar uma mulher negra progressista ao STF, não blindar aliados corruptos e ficar do lado certo que é o da sua base eleitoral, porque se for para cair, que seja atirando e defendendo os trabalhadores, minorias e quem o ajudou a se eleger ao invés de ficar nas mãos dos corruptos da velha direita.

domingo, 5 de abril de 2026

Basta de tiranos megalomaníacos no mundo


Donald Trump é um bufão de um império em decadência. É simplesmente uma piada de mau gosto que um presidente que almejava receber o prêmio Nobel da Paz esteja a brincar de reizinho do mundo de forma tão irresponsável. Primeiro, Trump taxou impunimente o mundo inteiro, causando uma bagunça desnecessária na economia global e encarecendo os produtos nos EUA. Segundo, ele ordenou o sequestro do presidente da Venezuela e deixou lá um governo refém de seus interesses para prejudicar negócios com China e Cuba. Cuba, por sua vez, além do bloqueio econômico histórico que sofre dos EUA desde os anos 1960, agora não recebe mais petróleo venezuelano e isso causou uma crise energética e humanitária sem precedentes no país caribenho a troco de nada. Logo depois, veio aquela maluquice de querer tomar a pulso a Groenlândia, causando uma crise sem precedentes dentro da Otan. Daí, sem mais e nem menos, para agradar a extrema-direita israelense, o Laranjão se junta com Netanyahu para atacar o Irã e se coloca numa sinuca de bico por não conseguir desbloquear o Estreito de Ormuz. Isso sem falar de todo aquele incidente deplorável envolvendo a polícia de imigração dentro do próprio país. 

Ou o escândalo do Epstein deve ser realmente algo muito grave a ponto de precisar de toda essa bagunça para ser abafado, ou então o desespero pelo crescimento da China diante da crise norte-americana está fazendo o narcisista da Casa Branca surtar de vez. Tudo bem que Trump é um fascista, mas até o fascismo tem seus limites de atuação. O que fica claro com toda essa porralouquice americana é que a humanidade precisa se reorganizar urgentemente para lidar com tiranos magalomaníacos e evitar que eles cheguem ao poder. Em um momento de decadência do capitalismo e com tantas armas de destruição em massa espalhadas pelo planeta Terra, não é inteligente permitir que irresponsáveis coloquem a existência da humanidade sob ameaça. 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Azzurra fora da Copa do Mundo outra vez


Não sou ovo, mas confesso que fiquei chocado com a eliminação da seleção italiana de futebol na final da repescagem contra a Bósnia. Terceira Copa do Mundo seguida que a Squadra Azzurra vai ficar de fora caindo nas repescagens. Inacreditável como uma seleção tradicional e tetracampeã do mundo consegue tal façanha. É verdade que as eliminatórias europeias são mais duras que as sul-americanas para se classificar diretamente, mas isso não é desculpa para esse fiasco. É praticamente toda uma geração que fica de fora da maior disputa de futebol do mundo, sendo que essa é a maior Copa da história com 48 seleções. 

O resultado dessa lambança é que o presidente da federação italiana renunciou, Buffon, o chefe da delegação, pediu demissão e o técnico Gattuso também pulou fora. Se a federação não fechar de vez, precisará passar por uma renovação profunda. Serão agora 16 anos, no mínimo, sem ver a poderosa Itália numa Copa do Mundo. Apesar de ter achado bom por um lado ter uma tetracampeã mundial a menos para ameaçar igualar as cinco estrelas do Brasil, é muito bizarro e lamentável ver uma seleção tão importante fora de novo enquanto que outras bem mais fracas estarão na disputa. Espero, honestamente, que essa crise no futebol italiano seja resolvida e que possamos voltar a ver uma Itália competitiva novamente. 

Enfim, parabéns para a seleção da Bósnia pela classificação, porque deram a volta por cima após serem desdenhados pelos jogadores italianos depois de vencer o País de Gales e estão indo ao mundial por mérito próprio.