quarta-feira, 25 de março de 2026

Por um mundo com menos ódio


Foi aprovado no Senado, nesta terça-feira (24), o Projeto de Lei que inclui a misoginia (crime de ódio contra as mulheres) na Lei do Racismo. Assim como já havia sido feito em 2019, quando o STF também incluiu a homofobia na mesma lei, a misoginia passará a ser punida como um crime de preconceito. A proposta segue para sanção do presidente Lula. Pois bem, sendo bem honesto, sabe o que eu achei? Uma vergonha. Isso mesmo: uma vergonha! Uma vergonha que tenham DEMORADO TANTO para incluir o ódio contra o gênero feminino como uma forma letal de preconceito. Se este PL tivesse sido criado antes, movimentos masculinistas (como o redpill) não teriam crescido tanto e a vida de centenas de mulheres podia ter sido poupada nesta verdadeira epidemia de feminicídios. Mas o que realmente me assusta nisso tudo é a reação (especialmente a masculina) na internet diante da aprovação deste PL.

Políticos bolsonaristas e da extrema-direita em geral, como bons reaças que são, reagiram com o intuito de tentar invalidar e derrubar o PL. Inclusive, tem um deputadozinho bem famoso aí (que me recuso a digitar o nome) que ganhou muita visibilidade quando chamou a aprovação deste PL de "aberração" e que vai trabalhar para derrubá-lo. Isso sem falar do esgoto a céu aberto na própria surface web que trouxe à tona milhares de homens compartilhando verborragia sexista, falácias reacionárias e muita misoginia que só reforçam a necessidade de combater a violência de gênero. Apesar de achar essa cambada de reaças um atraso civilizacional, numa coisa eu concordo com eles: é preciso ser bem específico na tipificação deste crime. Este projeto precisa ser bem claro e específico sobre o que é, do ponto de vista constitucional, a misoginia. Porque se for depender da boa vontade interpretativa de um poder judiciário formado majoritariamente por homens e que chegou ao cúmulo de aprovar como "união estável" o estupro de uma menina de 12 anos por um homem adulto, o nosso machismo estrutural vai fazer este PL parecer só mais uma "Lei para inglês ver". Sem mencionar que mesmo fora do esgoto a céu aberto das bolhas masculinistas estão aparecendo pessoas comuns (homens e mulheres) que estão sendo radicalmente contra esta mudança na lei com todo tipo de argumento, seja ele lógico ou não.


É preciso que fique claro que todo e qualquer avanço civilizacional a favor de minorias ou grupos de vulnerabilidade social precisa ser defendido para nos manter vivos como espécie neste planeta. Existem milhares de ogivas nucleares espalhadas pelo mundo prontas para serem disparadas a qualquer momento. E se os ódios e preconceitos não forem combatidos na raiz, a nossa probabilidade de sobrevivência ao longo das décadas despenca vertiginosamente, especialmente com essas crises sazonais do sistema capitalista global. É na inclusão social e na teia de proteção do Estado que essas minorias têm garantias mínimas para serem tratadas com dignidade. Fora que essa medida também ajuda a diminuir o tanto de ódio que há neste mundo. E, infelizmente, ainda existe MUITO ódio contra tudo que é feminino em pleno século 21 pelo fato deste ser um século de mudanças onde grupos oprimidos estão começando a desafiar o sistema e a conquistar seus espaços e seus direitos. Uma lei contra a misoginia tem que ser comemorada ao invés de ser combatida, porque ódio contra as mulheres é ódio contra toda a humanidade. Não há futuro em um mundo que tenta manter a violência e os privilégios de uma classe opressora através da impunidade e da falsa defesa da liberdade de expressão. 

Esta lei precisa ser sancionada e ainda assim ela não é garantia de nada. A lei contra o racismo e a homofobia está aí, mas mesmo assim, ainda há MUITO racismo e homofobia no Brasil ocorrendo impunemente. Temos que combater a violência e o preconceito não apenas na lei, mas nas nossas atitudes como cidadãos no nosso cotidiano. Temos que ensinar o respeito, o altruísmo, a empatia, a gentileza, a solidariedade, a generosidade e a inclusão aos nossos filhos. Porque é através dessas pequenas mudanças para o bem que teremos a chance de ter um mundo melhor. 

E antes que alguém diga asneiras, eu não estou apenas defendendo as mulheres. Eu estou NOS defendendo. Eu estou defendendo a mim, a você e a todos os seres humanos, porque se não fosse por uma mulher, nem eu e nem você teríamos sido gerados. E um mundo com menos ódio é um mundo com menos dor onde todos nós teremos mais chances de continuar existindo como espécie. Portanto, encerro este post parafraseando um autor desconhecido que li por aí: "Em tempos de ódio, amar é um ato revolucionário". Isso porque quem ama não perde tempo odiando ninguém. 

quinta-feira, 12 de março de 2026

O Senhor da Guerra não gosta de crianças


Quando eu digo que o capitalismo é a maior ameaça para humanidade, essa afirmação não é por alarmismo ou por paixão socialista barata. O sistema capitalista precisa de guerras para se manter existindo. Essa guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã é um exemplo clássico disso. A alegação de que o Irã está desenvolvendo armas nucleares é só uma desculpa esfarrapada da extrema-direita para manter a hegemonia do petrodólar e prejudicar a rota da seda da China com o Oriente Médio. Claro que a indústria bélica norte-americana também usa seu lobby para promover a carnificina e há a intenção em reforçar o controle da região através do protetorado americano no Oriente Médio que é o Estado de Israel. Mas o que realmente motiva tudo isso é a soberba e a ganância sem fim do maior império capitalista do mundo. Nada disso estaria acontecendo se os EUA fosse um país socialista. É por isso que sempre reafirmo que jamais haverá paz enquanto o capitalismo existir.


Deixando de lado essas justificativas estúpidas para a guerra, temos que atentar para o fato mais doloroso e ignorado nessa história que são as baixas civis. Um míssil norte-americano do tipo Tomahawk detonou uma escola no sul do Irã matando mais de 160 pessoas, sendo 110 crianças. Cento e dez crianças que morreram de forma brutal por motivações idiotas de um império em decadência. E não vai parar por aí, porque o capitalismo não gosta de paz e o Senhor da Guerra não gosta de crianças.



E depois ainda tenho que me explicar por que sou de esquerda...


domingo, 8 de março de 2026

Basta de machismo na política


Se tem uma coisa que não faz o menor sentido para mim é o apreço de uma parcela oprimida da população por seus algozes. Ontem foi divulgada mais uma pesquisa do Datafolha onde Flávio Bolsonaro aparece logo atrás do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva quase empatados tecnicamente. Eu não fiquei surpreso com esses números, mas confesso que fiquei um pouco estarrecido de saber que boa parte das intenções de voto do Flávio Bolsonaro vieram de mulheres. Ora, o senador do PL é filho de um homem que está preso por tentativa de Golpe de Estado e que sempre desdenhou as mulheres, chegando ao cúmulo de dizer que uma deputada "não merecia" ser estuprada. Sem falar de outras incalculáveis asneiras machistas ditas pelo Bolsomonstro que deixaram claríssima sua aversão grotesca por mulheres. Em contraste com as falas misóginas do mentecapto da extrema-direita, ontem, em um pronunciamento, o presidente Lula mostrou, entre outras coisas, a importância de combater a violência de gênero e de valorizar a força de trabalho das mulheres. Para mim, pelo menos, a diferença entre Lula e os Bolsonaros quando se trata de respeito às mulheres é abissal.

Enfim, a gente sabe que existe um sentimento antipetista muito forte especialmente dentro da classe média, mas considerar seriamente o voto num sujeito envolvido em vários escândalos e que é filho de um corrupto, golpista, sexista e genocida da pandemia é irracional – especialmente partindo de alguém do sexo feminino. A direita brasileira precisa se reinventar, do contrário, o Brasil será um eterno refém de políticos arruaceiros e oportunistas que surfam na onda do fascismo. O Brasil precisa de um projeto de construção, mas o fascismo tupiniquim, infelizmente, só tem projeto de destruição. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O futuro do capitalismo é totalmente cyberpunk


Quem conhece o universo distópico criado por Mike Pondsmith já entendeu que a franquia Cyberpunk trata de uma sociedade à beira do colapso devido a um capitalismo sem controle. Violência, criminalidade, drogas, vício, desigualdade, poluição, destruição da natureza, colonialismo corporativo e desesperança fazem parte de um futuro onde a tecnologia de implantes cibernéticos roubou o que restou de humanidade das pessoas. Um ultra capitalismo tecnológico com Estado mínimo onde as megacorporações fazem guerra armada entre si só mostra a monstruosidade de um mundo onde o lucro está acima de tudo. O anime Cyberpunk Edgerunners e o game Cyberpunk 2077 mostram a corrupção, a brutalidade e o fetiche pelo cromo como protagonistas da cidade de Night City. Ninguém naquela cidade é verdadeiramente livre ou feliz, porque as corporações roubaram os sonhos e as esperanças das pessoas, jogando-as num pesadelo que pode terminar a qualquer momento seja em um apocalipse tecnológico causado por IAs maléficas que estão além da Barreira Negra, ou em uma guerra nuclear entre as megacorporações armamentistas. Não há bom presságio em Night City.

Não há esperança em um mundo sem futuro.


O mais interessante é que essas semelhanças com o mundo real não são mera coincidência. Pondsmith, como gênio literário, nos apresenta uma visão do futuro de um mundo capitalista. E não há qualquer possibilidade do futuro do capitalismo ser bom, mesmo numa perspectiva otimista. Se não abrirmos os nossos olhos e lutarmos contra esse sistema, mais em breve do que imaginamos iremos entrar numa realidade igual ou pior. O que a distopia grita o tempo todo é um óbvio "não há futuro no capitalismo". Isso porque o capitalismo torna as pessoas racistas, egoístas e corruptas. O senso de coletividade neste sistema é destruído e as pessoas passam a buscar poder, status, materialismo e sucesso individual a qualquer custo. Os nossos semelhantes tornam-se degraus para serem pisados e peões para serem explorados. Somos desumanizados e vistos como meros objetos utilitários para os que almejam o poder. Só no capitalismo a ideia de que "quem não rouba é otário" pode fazer algum sentido. 

Quem não for capaz de compreender isso será como um gado feliz indo direto para o abatedouro. E quando for tarde demais lembre-se: Cyberpunk avisou...


O futuro do capitalismo é o fim de todos nós.


domingo, 8 de fevereiro de 2026

Você sabe quem realmente inventou o avião?


Em todos os lugares do mundo, exceto no Brasil, quem recebe o título pela invenção do avião são os irmãos Wilbur e Orville Wright que realizaram o primeiro voo controlado, motorizado e sustentado de um avião mais pesado que o ar em 17 de dezembro de 1903. Até aí estaria tudo bem se não fosse por um cara chamado Alberto Santos Dumont que realizou o primeiro voo sem auxílio de rampas, ventos ou catapultas em 23 de outubro de 1906. No Brasil, Santos Dumont é o pai da aviação por, entre outros argumentos, ele ter nascido no Brasil. Mas então, quem realmente inventou o avião? Irmãos Wright ou Santos Dumont? E a resposta surpreendente é: nenhum deles! Quem inventou o avião foi um gênio italiano chamado Leonardo di Ser Piero da Vinci, ou, simplesmente, Leonardo da Vinci. Calma que eu explico o porquê.

O verdadeiro pai da aviação.


Quando falamos de invenção em termos acadêmicos modernos, falamos de projeto e não necessariamente de construção. Design é projeto e o designer é o profissional que realiza o projeto. E os primeiros projetos de protótipos funcionais de aeronaves foram criados por Leonardo da Vinci entre 1480 e 1505. Esses objetos voadores conhecidos como "aeroplanos" foram fruto de bastante estudo por parte de Leonardo da Vinci (especialmente na biônica e aerodinâmica das aves) e culminaram, entre diversos protótipos, no ornitóptero, que funcionava batendo as asas como os pássaros. O mais interessante é que testes práticos sérios realizados por cientistas e engenheiros no século XXI usando os projetos originais de da Vinci fizeram os protótipos voarem de verdade. Isso quer dizer então que o primeiro projeto de avião (ou aeródino) que voava de verdade foi feito no início do século XVI pelo polímata e gênio Leonardo da Vinci, e não pelos construtores dos aviões modernos quatro séculos depois. Os irmãos Wright e Santos Dumont foram geniais e modernizaram algo que já tinha sido inventado antes, realizando um voo tripulado, mas quem realmente inventou o avião primeiro foi Leonardo da Vinci.