A rejeição histórica do senado ao advogado geral da União Jorge Messias para a vaga no STF não foi um fato político isolado. O incidente teve várias camadas. Além da indicação do advogado ter frustrado parte da ala progressista por ele ser um homem branco e conservador, tivemos também uma série de articulações nos bastidores envolvendo o presidente do Senado, ministros do STF e a "rasteira" de aliados importantes por falta de blindagem no caso do Banco Master. Logo em seguida, veio a derrubada do veto presidencial ao PL da dosimetria, mostrando que o Governo Federal está com dificuldade de articulação, queda de popularidade e em clara desvantagem numérica no legislativo. Essa turbulência, em parte, é por culpa do próprio governo que tem feito concessão demais ao agronegócio, ao centrão, aos bancos, ao imperialismo e aos corruptos. Isso colocou o governo Lula nas mãos de oligarquias perigosas que nunca se contentam com o muito que ganham. Contudo, é inegável que a desgraça seria menor se a direita bolsonarista e o centrão não fossem maioria no congresso. E é aí que entra a importância da conscientização dos eleitores.
Vivemos em um presidencialismo de coalizão. E este é um sistema de governo que exige alianças e coligações para se obter apoio para governar. Portanto, as pessoas precisam evitar votar em candidatos que não estejam alinhados politicamente entre si. Não faz sentido votar no Lula para presidente e em deputados do centrão na mesma eleição. Isso abre espaço para barganhas, chantagens, lobby e conchavos em nome da estabilidade. O resultado dessa bagunça é essa dificuldade de governabilidade que é comemorada pelos bolsonaristas como se fosse algo bom. No fim das contas, são os corruptos que sempre levam a melhor nesse cenário de instabilidade política, já que eles são oportunistas e se aproveitam das crises para aumentar suas áreas de influência e seus ganhos pessoais ilícitos.
Já ao governo Lula resta o enfrentamento e parar de ceder tanto ao centrão e aos neoliberais que fingem querer conciliação. Precisa indicar uma mulher negra progressista ao STF, não blindar aliados corruptos e ficar do lado certo que é o da sua base eleitoral, porque se for para cair, que seja atirando e defendendo os trabalhadores, minorias e quem o ajudou a se eleger ao invés de ficar nas mãos dos corruptos da velha direita.


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