quinta-feira, 27 de março de 2025

E essa selecinha da CBF, hein?


Pode parecer coisa de velho ranzinza, mas, honestamente, não consigo achar normal que a seleção brasileira de futebol esteja passando por um momento tão deprimente quanto o atual. Isso porque sou de uma geração que cresceu vendo o Brasil chegar a três finais de Copa do Mundo seguidas e vencer duas delas. Sou de uma época em que eu via os adversários sentirem medo de enfrentar o Brasil e que tinham a nossa seleção como exemplo a ser seguido. Claro que nenhum reinado dura para sempre e que momentos bons e ruins fazem parte da vida. Só que a seleção brasileira não vive simplesmente um momento ruim. Não é coincidência que os resultados não venham quando temos uma má gestão da CBF, um elenco sem personalidade, um treinador medíocre e uma falta de amor pela camisa canarinha. É triste ver uma seleção que foi defendida por craques como Pelé, Leônidas, Zico, Rivelino, Romário, Ronaldinho e tantos outros ser humilhada pela Argentina e bater recordes seguidos de derrotas nas eliminatórias. 

Da mesma forma que a Associação de Futebol Argentino passou por uma reformulação depois de uma crise, a CBF também terá que passar por algo parecido. Do contrário, seremos uma seleção medíocre que nunca passará das quartas-de-final de uma Copa. Será que temos que esperar por coisa pior para que o futebol brasileiro se reinvente?

Bolsoréu


Ontem foi um dia histórico para a democracia brasileira. Os principais responsáveis pela tentativa de Golpe de Estado em 2022/2023 viraram réus após o STF aceitar a denúncia da PGR. As desculpas esfarrapadas das defesas para justificar o ataque às nossas instituições não procederam e agora a organização criminosa liderada por Bolsonaro e companhia será julgada pela nossa justiça por sua traição à pátria. Porque trair a Constituição é trair a pátria. Tanto a prisão preventiva do general Braga Neto quanto o julgamento dos réus é um marco para a democracia por sinalizarem que os próximos que tentarem um Golpe também terão que lidar com as consequências de tal ato. Espero que esse seja o primeiro passo para que nunca mais ditaduras assassinas, terrorismo de Estado, censura e desaparecidos façam parte da nossa história. Parafraseando Ulysses Guimarães, a única coisa que sinto pela ditadura é ódio e nojo. Viva a democracia.



domingo, 9 de março de 2025

Os reaças quebraram a cara (de novo)


É impressionante como tudo que os conservas da direita brasileira desejam, acaba acontecendo justamente o contrário. Foi assim com a previsão desastrada para o governo Lula que, para decepção deles, coitados, aumentou a renda da população, criou milhões de novos empregos e recolocou o Brasil como nação relevante no mapa geopolítico internacional. Não achando suficiente torcer contra o governo, os reaças torceram também contra o filme Ainda Estou Aqui que acabou ganhando o nosso primeiro Oscar em um enredo que mostrou como a ditadura tão adorada por eles foi nociva ao país. E, por fim, os reaças cristãos (muitos deles católicos, inclusive) torceram pela morte do Papa Francisco por ele ser "comunista". Mas daí que o Papa vem melhorando cada dia mais para a tristeza dessa cambada de apedeutas. Enquanto isso, vários dos ídolos da extrema-direita reverenciados pela ralé bolsonarista têm sido cassados ou ficaram inelegíveis, tais como Marçal, Zambelli e o próprio Bolsomonstro.

Espero que isso não seja só uma maré de azar para essa gente. Espero que seja o início de um tsunami que leve para longe essa loucura coletiva que essa direita delirante deu ao Brasil.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Sou viciado em correr, sim. Mas e daí?

 

É incompreensível para uma pessoa sedentária que alguém possa ser literalmente viciado em correr. Isso porque correr para quem está fora de forma é uma verdadeira tortura: dói a perna, dói o joelho, dói de lado na barriga, falta ar e no dia seguinte parece até que você tomou uma surra. Mas para quem corre regulamente há anos, a corrida é tão natural quanto escovar os dentes após as refeições. O problema é que a corrida, assim como qualquer outra atividade física prazerosa, causa dependência. Nas últimas semanas, tive que reduzir para menos da metade meu volume semanal de corrida para melhorar de uma dorzinha chata na canela que me incomoda há algum tempo. E o simples fato de não treinar por alguns dias já me deixa mais estressado, com piora da minha dermatite, com o sono quebrado, com medo de engordar e até com um pouco de desânimo com a vida. Esses são sintomas de abstinência de endorfinas liberadas pelo exercício físico. Este fato que mostra que eu tenho uma espécie de "vício" em correr. E, sim, ao contrário do que muitos pensam, corrida vicia.

A corrida é algo que está tão enraizado na minha vida que mesmo que correr fizesse mal para saúde, eu ainda assim continuaria correndo. A corrida é para mim o que o cigarro é para o viciado em nicotina. Isso porque a corrida me desestressa, me dá mais ânimo, me traz bem-estar, melhora minhas dores de cabeça, me faz me sentir vivo e dá a sensação de que o dia não foi desperdiçado. Dizem que isso se trata de um tipo de vigorexia, mas para quem já sofreu na pele os malefícios do sedentarismo, ainda acho muito melhor a vida de um corredor ativo com algumas dores do que um sedentário sem fôlego, sem força e sem saúde. Entre morrer parado e morrer correndo, prefiro a segunda opção.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Não confunda justiça com perseguição


Qualquer pessoa que entenda minimamente de ordenamento jurídico sabe muito bem que todo o processo que culminou na prisão de Lula em 2018 tratou-se de uma perseguição política liderada pelo ex-juiz Sérgio Moro. Já a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro feita ontem pela PGR ao STF é algo muito diferente. Todo o trâmite que pode levar o ex-presidente a se tornar réu obedece a todos os ritos legais. Então essa coisa de comparar um golpista protoditador a mártires históricos é totalmente desonesto. Todo esse povinho saudosista da ditadura precisa entender que o Brasil deixou de ser uma república bananeira e que a nossa democracia custou muito caro. Não é nem minimamente aceitável que uma organização criminosa passe impune diante de sua rocambolesca tentativa de destruir o direito de todos os brasileiros a viverem num estado democrático de direito. Caso os envolvidos tornem-se réus, que sejam devidamente julgados por seus atos, sejam eles quem forem. O nome disso é justiça. Não confundam.