terça-feira, 23 de junho de 2026

A Copa de 2026 é um turbilhão de emoções


O presidente da Uefa, Aleksander Čeferin, foi criticado recentemente por várias federações de futebol por ter dito que a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções não seria benéfico para o futebol por ter muitas partidas "desinteressantes". Eu entendo o argumento dele, mas discordo completamente. Isso porque embora o nível técnico de alguns jogos seja realmente baixo, não há nada mais divertido e emocionante que ver uma seleção estreante fazer seu primeiro gol ou ganhar seus primeiros pontos numa Copa. Olha, por exemplo, o caso de Curaçao onde o experiente treinador Dick Advocaat se emocionou com o primeiro gol de Curaçao em Copas e fez o mundo também se emocionar com primeiro ponto da seleção contra o Equador. Curaçao conseguir seu primeiro ponto em Copas é tipo o homem dar o primeiro passo na Lua para eles: é algo gigante, inédito, inesquecível, heroico. A festa das torcidas nas arquibancadas e em seus países foi muito mais linda que uma vitória avassaladora de uma seleção favorita numa semifinal. Sem falar do fenômeno Vozinha que passou dos 15 milhões de seguidores do Instagram por seu carisma, humildade e liderança dentro de uma seleção estreante. Um jogo decisivo entre Jordânia e Argélia – apesar do nível técnico baixo – é muito mais emocionante que uma final entre XV de Piracicaba e União Barbarense numa final da série A3 do Paulistão. São países pequenos com grandes torcidas que estão sendo representados diante do mundo inteiro, tendo sua bandeira e seu hino tocados para milhões de pessoas no planeta. Isso não tem preço e é absolutamente épico.

Isso foi simplesmente maravilhoso...


Quanto a Copa como um todo, eu estou achando divertidíssima. Somente uma Copa do Mundo me faz ficar acordado até de madrugada para assistir seus jogos, me emocionar com a entrega em campo das estreantes, fazer a remada dos vikings noruegueses na frente da TV e me deixar perplexo ao ver Cristiano Ronaldo entrar para história como o único jogador a fazer gols em seis Copas do Mundo. Sem falar da briga entre Mbappé e Messi como maior artilheiro da história das Copas. Isso porque ainda estamos na segunda rodada da primeira fase. Imagina quando começar o mata-mata...

E o Brasil, hein?


Quanto à seleção brasileira, nenhuma surpresa até o momento. A nossa seleção só não é uma decepção porque ela já ia mal há tempos (ou melhor: vinha mal, porque Yamal é um craque da Espanha ahahaha) e não tem motivos para surpreender positivamente nesta Copa. Essa seleção da CBF só tem chance de ser hexa se Harry Kane, Mbappé, Halaand, Messi, Cristiano Ronaldo e Vozinha se naturalizarem brasileiros. Fora isso, é mais fácil achar petróleo no quintal de casa que essa seleção ser campeã. A situação tá tão feia que estamos com medo de enfrentar o Japão e cair já nos 16 avos de final. Antigamente, os adversários nos temiam, mas hoje, o Brasil virou piada a ponto de ser quase um azarão. Pois é, quem poderá nos ajudar? O superestimado Neymar? O eterno reserva do Endrick? Ou o quadrado sem mágica de Vini Jr, Raphinha, Igor Thiago e Matheus Cunha? E o meio de campo então... Só Jesus na causa. Um time sem entrosamento, sem personalidade e sem brilho não vai muito longe. Espero que o Brasil vire a chave emplaque logo, porque senão teremos uma amarga eliminação precoce. Enfim, esperança é a última que morre. Vai Brasa!

Dias difíceis virão...


quinta-feira, 18 de junho de 2026

A melhor Copa da história


Por mais que eu esteja há décadas sem acompanhar futebol como antes, eu nunca abri mão de assistir aos jogos da Copa do Mundo. É uma tradição para mim desde 1994 assistir o máximo de jogos dos mundiais e me surpreender com as histórias de cada um deles. E em 2026 não está sendo diferente. Somente na primeira rodada da primeira fase, já revivi o trauma do 7x1 com a Alemanha, passei raiva com a seleção brasileira, me surpreendi com a música Sirius (The Alan Parsons Project) sendo tocada na entrada dos jogadores em campo, me diverti com resultados improváveis, vi Messi se tornar o maior artilheiro das Copas e ri bastante com os memes. Mas o que mais gostei até agora foi da estreia de Cabo Verde contra a poderosa Espanha. O goleiro Vozinha fez história ao segurar a artilharia da Furia Roja. Eu já conhecia o trabalho do treinador de Cabo Verde, o Bubista, desde a sua premiação de melhor treinador africano no CAF Awards 2025, mas não esperava que ele fosse segurar o ataque espanhol com tanta eficiência. E o melhor de tudo é que Cabo Verde é um país lusófono e possui ligações culturais com o Brasil. Eu mesmo tive vários colegas de Cabo Verde na época da faculdade e alguns deles tornaram-se amigos meus (e olha que sou péssimo para fazer amizades). A campanha da Cazé TV em turbinar os seguidores do Instagram de Vozinha foi muito bacana e mostrou que Cabo Verde foi adotada com carinho como uma segunda seleção para muitos brasileiros torcerem nesta Copa.

Avante, Tubarões Azuis!

Enfim, só lamento que essa diversão dure apenas cerca um mês e outra novamente só daqui a quatro anos. É por isso que estou adorando perder o sono para ver a melhor fase da Copa com jogos até de madrugada.

domingo, 31 de maio de 2026

Fim da escala 6x1 é pauta da esquerda


Tem coisas nesta vida que são óbvias, mas por vivermos numa sociedade alienada politicamente e imbecilizada pelo fascismo, nunca é demais lembrar da verdade. Dito isso, é preciso ressaltar que o fim da escala 6x1 aprovada pela câmara não é e nunca foi uma proposta da direita. Quem sempre defendeu e continua a defender os direitos da classe trabalhadora é a esquerda. A maior prova disso é que a proposta teve votos contrários apenas dos partidos de direita. Só quem não é a favor do trabalhador ter mais qualidade de vida e dignidade é a burguesia que, diga-se de passagem, foi representada de forma bastante caricata pelo dono da Havan com suas ironias tragicômicas.  

Os trabalhadores que odeiam a esquerda e vomitam macarthismo gratuito internet afora devem agradecer à esquerda por terem direito a férias remuneradas, décimo terceiro salário, jornada de trabalho de menos de 50 horas semanais e salário mínimo com aumento acima da inflação. Achar que é melhor um mundo onde as classes dominantes são livres para nos explorar até a morte é, simplesmente, uma forma patética de fazer vassalagem para as oligarquias globais. Nosso dever como classe que produz a riqueza do planeta é nos unir para que tenhamos o mínimo para viver com dignidade. Enquanto a classe trabalhadora não entender isso de forma majoritária, sempre iremos ter pacotes de austeridade impostos pela direita para enricar quem vive de nos explorar.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Uma religião chamada futebol


Toda essa repercussão e euforia com a convocação do Neymar Jr. para a Copa do Mundo de 2026 mostra duas coisas muito interessantes a respeito do ser humano. A primeira é que os seres humanos sentem uma profunda necessidade de acreditar em algum tipo de messias. E a segunda é que o futebol não é apenas um esporte: é praticamente uma religião. 

Em quase todos os lugares, dentro e fora da internet, as pessoas ainda estão discutindo se o Menino Ney tinha que estar entre os convocados ou não. Quem defende que ele não devia ter sido chamado usa argumentos lógicos sobre sua condição física, sua performance recente no Santos e a ausência de outros grandes jogadores em seu lugar como o João Pedro do Chelsea. Já quem defende a presença do Ney faz isso, na maioria das vezes, por tietagem, por fé ou por saudosismo. Eu concordo que apesar de não ser o mesmo de 2014, o Neymar ainda é um jogador acima da média que, queira ou não, ajuda a manter o time coeso e serve para assumir a responsabilidade pelo grupo. O problema é que uma andorinha só não faz verão. O Neymar, assim como Cristiano Ronaldo e Messi, é um ídolo internacional, garoto propaganda de várias grifes e o último jogador remanescente da velha guarda de craques brasileiros. Mas o cara não faz milagre em uma seleção cheia de problemas, com dificuldades técnicas e táticas e um treinador que não conseguiu ainda arrumar o time. Todo mundo sabe que a nossa seleção não está bem, mas a nossa profunda necessidade de crer em salvadores da pátria (seja na política ou nos esportes) cria a ilusão na maioria de que podemos colocar tudo nas mãos do Neymar e então estará tudo magicamente resolvido, que seremos hexa quase que por ação divina dos deuses do futebol. 

Esse oba-oba com a Copa do Mundo me parece um delírio coletivo que funciona como escapismo para os problemas reais das nossas vidas. Pois mesmo que sejamos hexacampeões, o que isso muda nas nossas vidas cotidianas? Parece que tudo no ser humano gira em torno da profunda necessidade de acreditar em algo que traga algum significado para nossas vidas.

sábado, 2 de maio de 2026

Precisamos abrir os olhos


A rejeição histórica do senado ao advogado geral da União Jorge Messias para a vaga no STF não foi um fato político isolado. O incidente teve várias camadas. Além da indicação do advogado ter frustrado parte da ala progressista por ele ser um homem branco e conservador, tivemos também uma série de articulações nos bastidores envolvendo o presidente do Senado, ministros do STF e a "rasteira" de aliados importantes por falta de blindagem no caso do Banco Master. Logo em seguida, veio a derrubada do veto presidencial ao PL da dosimetria, mostrando que o Governo Federal está com dificuldade de articulação, queda de popularidade e em clara desvantagem numérica no legislativo. Essa turbulência, em parte, é por culpa do próprio governo que tem feito concessão demais ao agronegócio, ao centrão, aos bancos, ao imperialismo e aos corruptos. Isso colocou o governo Lula nas mãos de oligarquias perigosas que nunca se contentam com o muito que ganham. Contudo, é inegável que a desgraça seria menor se a direita bolsonarista e o centrão não fossem maioria no congresso. E é aí que entra a importância da conscientização dos eleitores.

Vivemos em um presidencialismo de coalizão. E este é um sistema de governo que exige alianças e coligações para se obter apoio para governar. Portanto, as pessoas precisam evitar votar em candidatos que não estejam alinhados politicamente entre si. Não faz sentido votar no Lula para presidente e em deputados do centrão na mesma eleição. Isso abre espaço para barganhas, chantagens, lobby e conchavos em nome da estabilidade. O resultado dessa bagunça é essa dificuldade de governabilidade que é comemorada pelos bolsonaristas como se fosse algo bom. No fim das contas, são os corruptos que sempre levam a melhor nesse cenário de instabilidade política, já que eles são oportunistas e se aproveitam das crises para aumentar suas áreas de influência e seus ganhos pessoais ilícitos.

Já ao governo Lula resta o enfrentamento e parar de ceder tanto ao centrão e aos neoliberais que fingem querer conciliação. Precisa indicar uma mulher negra progressista ao STF, não blindar aliados corruptos e ficar do lado certo que é o da sua base eleitoral, porque se for para cair, que seja atirando e defendendo os trabalhadores, minorias e quem o ajudou a se eleger ao invés de ficar nas mãos dos corruptos da velha direita.