Todo ser humano tem um diálogo interior. O que quer dizer isso? Que nós conversamos com nós mesmos o tempo inteiro no pensamento. Afinal, quando você pensa em algo e constrói uma crítica a respeito desse algo, nada mais natural que você avaliar se aquela crítica criada por você é coerente. Por exemplo: o que eu acho a respeito do ato de jogar o lixo na rua? Aí eu penso algo do tipo: "Acho que jogar lixo no chão é errado, porém, em alguns casos isso pode ser justificável". No momento em que eu estabeleço esse 'porém', há uma contracrítica ao meu próprio pensamento. É como se existisse na minha cabeça um 'eu' que pensa e um 'eu' que escuta, só que eu sou tanto o interlocutor quanto o receptor ao mesmo tempo. Essa ideia de haver um moderador na nossa mente é que faz a gente se perguntar se estamos mesmo sendo coerentes ao fazer determinada afirmação. Nesse exemplo, fica claro que a autocrítica é uma forma de falar sozinho e que existe sempre um diálogo interior dentro de nós.
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Criamos vários 'eus' imaginários ao falar sozinho |
A contrargumentação mental citada acima ocorre por duas razões: porque o pensamento humano é um pensamento verbal e dualista. O pensamento verbal se deve ao fato de nós nos comunicarmos através da fala ou da escrita, então o nosso cérebro simplifica tudo e cria uma linguagem única (a verbal, no caso) para elaborar os pensamentos. Claro que nós criamos imagens, sons, cores, sabores e sensações, mas as ideias são, em 99% das vezes, verbais - isso porque tudo tem um nome e nós pensamos nesses nomes ao elaborar um raciocínio. Já o dualismo reflete essa capacidade de pensar em mais de uma possibilidade diferente ao mesmo tempo, o que gera a autocrítica.
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Falar sozinho é coisa de doido? |
Se fomos pensar na prática, falar sozinho é, nada mais, nada menos, que pensar alto. Falar é exprimir o pensamento. Então quando você fala sozinho, na verdade você está falando para você mesmo fora do pensamento. E tem pessoas, como eu, por exemplo, que tem mais facilidade de entender os próprios pensamentos quando fala em voz alta. É mais ou menos como a diferença entre ler em silêncio e ler em voz alta. Tem gente que absorve melhor o texto quando ouve a própria voz. E falar sozinho é basicamente a mesma coisa. É por isso que falar sozinho não é coisa de doido, pelo menos não nesse caso.
Para simplificar as coisas, vou exibir a seguir as principais modalidades de 'falar sozinho'.
Tipos de solilóquio
Tipo 1: O Instintivo

Tipo 2: O Exclamativo

Tipo 3: O Crítico
Tipo 4: O Personificado

Tipo 5: O Encenador

Acredito que falar sozinho tem cinco grandes vantagens:
1) Desabafar sem incomodar os ouvidos dos outros
2) Poder falar sem censura e sem medo de ser criticado
3) Poder falar sem ser intemrrompido
4) Ajuda a gente a se conhecer melhor
5) Exercita a criatividade
Eu creio que falar sozinho é uma verdadeira terapia, pois além de ser potencialmente divertido, não existe ninguém no mundo melhor que nós mesmos para falar a respeito de nós mesmos. Não penso que falar sozinho seja coisa de louco, pois em muitos casos é apenas a expressão da necessidade de se comunicar sem precisar perturbar os tímpanos dos outros.
que ótimo texto, é exatamente o que eu procurava, já estava pensando em esquizofrenia pois minha voz interior é muito atuante . obrigada!!!!
ResponderExcluirahaha! De nada!
ExcluirSe falar sozinho fosse coisa de maluco, o planeta Terra deveria ser chamar 'planeta Hospício'. Falar sozinho nada mais é que "pensar alto". O resto é apenas intriga da oposição.
Obrigado pela participação.