Eu admito que fui ingênuo e até otimista demais em apoiar esses manifestos que estão ocorrendo em todo país. Não que eu ache que os manifestos sejam ruins, muito pelo contrário: eles quebraram a inércia do nosso povo num momento crucial. O problema é que esses manifestos perderam o rumo e os protestos ganharam um caráter individualista, onde cada um protesta pelos seus próprios interesses pessoais.
O Movimento Passe Livre, que começou as manifestações pedindo a redução das passagens, já teve a sua reivindicação atendida. O que restou agora foi um monte de jovens, apartidários em sua maioria, querendo mudanças a todo custo na base do grito. O problema é que não se resolvem mazelas sociais dessa maneira. É preciso primeiro ter foco, depois é preciso ter um porta-voz e, por fim, é preciso saber propor soluções. Todo mundo está indignado com a situação do país, mas quantos estão indicando as formas de resolver os problemas? É preciso saber propor soluções para os problemas do país. Se quisermos melhoria nos transportes públicos, então quais são as nossas propostas objetivas neste aspecto? Onde estão os nossos representantes? É preciso organização para poder dialogar com o Governo e exigir mudanças.
Apatia política

Jeitinho brasileiro

Ideias insanas
Durante os manifestos surgiram pessoas reivindicando todo tipo de coisa. Mas o que me preocupou foi que havia uma pequena fatia de pessoas querendo a dissolução do Congresso Nacional. Porem, o que poucos se dão ao trabalho de saber é que a culpa por existirem corruptos dentro do congresso se deve basicamente a três coisas: a cultura do jeitinho brasileiro, a impunidade e a alienação política da imensa maioria da população. Junte tudo isso e temos todos esses parasitas no congresso. Mas a solução definitivamente NÃO é fechar o Congresso. É preciso saber votar direito, combater a impunidade e abandonar essa cultura ridícula cheia de "jeitinhos".

Possíveis desfechos
Eu vejo quatro possíveis desfechos para esses protestos, que são os seguintes:
1º - Fogo de palha
Se os manifestantes se calarem e voltarem à velha apatia política de sempre, então essa luta não terá servido para muita coisa. Esses protestos precisam de organização, de liderança e também de saber a hora de parar. Se houver protestos desorganizados todos os dias, as pessoas vão se cansar e o vandalismo vai comer solto. É preciso saber perseverar, mas de forma organizada e com foco em questões específicas em cada manifesto.
2º - Mudanças progressivas
Este é o melhor cenário possível. Aqui passarão a ocorrer protestos organizados e com foco, mantendo um diálogo entre o Estado e os manifestantes. Sempre que o povo quiser se manifestar contra ou a favor de algo, terá este direito.
3º - Golpe de Estado
Apesar de me parecer pouco provável, é possível que essas manifestações criem um grande caos nas ruas e a ordem então precise ser restabelecida. Num cenário de desordem total, vandalismos generalizados, saques e depredações que fujam do controle da polícia, poderemos entrar em um Estado de Sítio que culmine numa Lei Marcial: ambiente este muito favorável para um Golpe de Estado. Possivelmente teremos, neste cenário, algum conservador de direita surgindo com o intuito de colocar o país nos eixos através de uma ditadura asquerosa.
4º - Guerra civil
Este é o desfecho mais improvável, porque precisaríamos de pelo menos dois grandes grupos se enfrentando, e eu não vejo nada disso. O que eu vejo são marginais infiltrados nesses movimentos querendo arrumar encrenca à toa. Um passarinho me contou nesses dias que esses vândalos são radicais de direita que querem causar um caos nas ruas para forçar o fim do movimento. Eu, particularmente, não consigo ver a coisa por esse lado. Na minha opinião, esses vândalos são pessoas exaltadas ou apenas bandidos infiltrados querendo jogar mais lenha na fogueira.
5º - Regime totalitário
Se surgir um líder carismático que esteja disposto a atender aos desejos dos manifestantes e que seja "apartidário", é bem possível que este líder queira iniciar uma revolução com o aval popular. Neste caso poderemos cair num regime totalitário apoiado pelo próprio povo. Esses protestos genéricos e sem metas definidas se degeneram facilmente em "vamos derrubar o governo e acabar com os políticos": o que só é bom para golpistas e ditadores.
Terminando...
Pela primeira vez na história as pessoas estão recusando o "pão e circo" para protestar a favor da educação e da saúde. Isso, por si só, já é um feito incrível. Mas essa insatisfação generalizada precisa de foco, organização e liderança. Se não houver isso, correremos o risco de lidar com consequências que tornem as coisas piores do que já estão.
Outro fator é que o povo precisa aprender a votar, especialmente para o legislativo. Um país que escolhe um palhaço (com todo respeito ao Tiririca) para a câmara não possui qualquer cultura política.
Chega de alienação política.
Eu sinceramente acho que essas manifestações não darão em nada - as pessoas não sabem nem mesmo pelo quê estão lutando... foco inexistente, sem propostas. Fogo de palha.
ResponderExcluirE sinceramente acho que nada muda enquanto o 'jeitinho brasileiro' não mudar... e isso engloba todos.
E não espero nada além do "mais do mesmo" nas próximas eleições.
Pessimista?...rs...
É isso mesmo, Rê, se não houver foco e propostas concretas, não ocorrerão mudanças. O povo precisa mudar de postura. Apesar disso, tenho a impressão que muitos políticos tiveram um instante de preocupação com essas manifestações. Isso porque o povo mostrou que não é inerte, além do risco de um golpe de Estado.
ExcluirMas para não dizer que eu sou pessimista, pelo menos acredito que essas manifestações serviram para que as pessoas passem a ter maior interesse pela política. Quem não se alfabetizar politicamente não vai conseguir ter as suas reivindicações atendidas.
Dias melhores virão.