sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Extrema-direita é samba de uma nota só


Não importa o país ou a época, aonde quer que você observe, a ultradireita é o mesmo estrupício em qualquer lugar do mundo. A vitória da AfD na Alemanha – coisa que não acontecia desde a era Hitler – escancara uma tendência mundial de busca da população por um alívio para as crises trazidas pelo capitalismo financeiro. Guerras, desigualdade, violência, desemprego, baixos salários... tudo isso faz parte das crises cíclicas estruturais do capitalismo. Essas crises, diga-se de passagem, não são resolvidas com remendos constitucionais (PECs e PLs) e muito menos mantendo as estruturas capitalistas intactas. O monstro do fascismo sabe disso e se omite, porque o que o fascismo quer, na realidade, é um recrudescimento do regime vigente. Por isso, ele espreita atentamente, esperando a oportunidade para ameaçar as democracias com discursos populistas rasos e sofismas repletos de soluções fáceis para problemas complexos. E para sustentar os discursos de ódio bradados impunemente para tirar o foco dos problemas reais, a extrema-direita sempre busca minorias inocentes (imigrantes, judeus, comunistas, pobres) para serem culpados injustamente pelas crises. Toda essa onda reacionária, racista, xenófoba, misógina, macarthista e focada no combate dos sintomas da violência (e nunca nas causas, na prevenção) é a receita usada pela extrema-direita há décadas para seduzir eleitores incautos, despolitizados e cansados de soluções democráticas. Foi assim com Trump, Netanyahu, Milei e com os Bolsonaros.

O filhinho 01 do ex-presidente preso, por exemplo, continua a verborragizar aquele velho e encardido discurso do "bandido bom é bandido morto" só que, desta vez, com palavras mais sofisticadas. Perceba que o fascismo sempre usa o MEDO como principal capital político para angariar votos. É sempre o medo dos imigrantes, medo do desemprego, medo da violência, medo do comunismo, medo da ideologia de gênero, medo do que não se conhece direito... Isso é pregado, claro, junto com aquele discurso neoliberal suicida de "cortar gastos públicos" e vender tudo que for estatal para o capital internacional lucrar com o que é nosso. Fascistas brasileiros também são, além de entreguistas, falsos moralistas, já que todos eles estão envolvidos direta ou indiretamente em escândalos de corrupção, seja com rachadinhas ou com esquemas milionários com ex-banqueiros presos. Isso quando não apelam para ideias totalmente trogloditas como o fim do sufrágio universal, fim dos direitos trabalhistas e de diversas conquistas civilizatórias que tivemos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Enfim, não há nada que se aproveite na extrema-direita a não ser motivos de sobra para nunca votar nela. E olha que nem estou pedindo para que as pessoas virem socialistas. Só estou querendo que o país e o mundo não pereçam diante dessa loucura que o capitalismo produz de tempos em tempos. Afinal, como já dizia Bertolt Brecht: "A cadela do fascismo está sempre no cio".

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Dicas para começar arrebentando em Cyberpunk 2077


A indústria dos games às vezes nos surpreende de forma muito positiva. Quem diria que o jogo com o lançamento mais catastrófico da história dos games – o redimido Cyberpunk 2077 – ultrapassaria as 40 milhões de cópias vendidas, ficando entre os 20 títulos mais vendidos de todos os tempos? Pois é, isso porque Cyberpunk 2077 só teve uma única expansão e sofreu boicotes de muitos jogadores devido às mentiras ditas pela CD Projekt Red sobre o estado do jogo antes seu lançamento lá em 2020. Apesar disso, a tendência do game é de continuar em alta devido às atualizações que sofre periodicamente e a uma ativa comunidade de modders que criam conteúdo novo diariamente para o jogo. E para melhorar, depois que a CDPR anunciou a terceira DLC de Witcher 3, onze anos após o lançamento do game, também é bem provável que CP 2077 tenha pelo menos mais uma expansão no futuro, o que certamente irá trazer novos jogadores para a franquia. Sem contar que as vendas do jogo devem aumentar ainda mais graças à segunda temporada do anime da NetFlix Cyberpunk Edrunners. Então, para ajudar os novos jogadores que irão começar a jogar esta obra-prima, resolvi fazer este pequeno guia com diversas instruções que o jogo não dá e dicas para quem está começando. Quem já joga há mais tempo e não percebeu certas coisas básicas também pode aprender algumas novidades já que a lista de dicas a seguir é longa. Eu tenho moral para dar dicas de Cyberpunk 2077 porque ele é um dos jogos pelos quais mais me apeguei devido a sua imersão e fator replay, contabilizando até o momento na minha Steam mais 2.200 horas jogadas e todas as conquistas alcançadas. Muito bem, vamos deixar de conversa mole e vamos ao que interessa. Vamos às principais dicas de gameplay para este game:

Olha a cara do senhor Welles com o que vem por aí.


Comida e bebida não regeneram vida - diferentemente da maioria dos jogos, em CP2077 as comidas e bebidas só aumentam a regeneração de vida e vigor quando usadas fora de combate. Ou seja, você deve usá-los antes de entrar numa luta e não durante o tiroteio. O que regenera vida durante o combate são habilidades específicas, revitalizadores e cibernéticas como a bomba de sangue.

Granadas e ampliador de vida infinitos - isso mesmo, tanto as granadas quanto os revitalizadores podem ser usados infinitamente, contudo, eles possuem um tempo de recarga para serem reutilizados. 

Durma, tome café e banho - dormir, tomar banho e tomar café no seu apê aumentam o ganho de xp, a regeneração de vida e a regeneração de vigor por uma 1 hora. Isso pode ser bem útil assim como também era na expansão Blood and Wine do Witcher 3. Porém, por algum motivo que desconheço, se você dormir por último, acaba por perder o buff do banho. Então, durma primeiro e depois tome banho e café.

Desmonte as tralhas num clique - quando comecei a jogar, eu desmontava os itens na categoria tralha um por um. Mas há um botão na tela de tralhas que desmonta tudo de uma só vez, economizando tempo. Mas atenção, só faça isso quando não houver tralhas valiosas de $500. Essas tralhas valiosas devem ser vendidas primeiro e depois é que o botão de desmonte deve ser usado para desmanchar o resto.

Contratos com fixers melhoram a reputação dos mercenários.


Missões de canais - diferentemente do Witcher 3 onde as missões secundárias são encontradas nos quadros de avisos, em Cyberpunk 2077, as missões dos canais (e missões secundárias) aparecem apenas no mapa do menu do jogo marcadas numa exclamação verde. Você deve marcá-las no mapa e ir até lá para o canal (fixer) telefonar para você e passar as instruções. Isso me incomodou muito no começo do jogo, porque fiz pouquíssimas missões secundárias e não tinha ideia de como fazê-las, já que o jogo não explica como achá-las.

Desmonte as roupas - Todas as roupas que você adquirir no game que não dão status ou bônus específico devem ser desmontadas para dar mais componentes de criação. Não vale a pena vendê-las porque são muito baratas e guardá-las no inventário do apartamento também é inútil, já que mesmo desmontadas, elas permanecem salvas no seu guarda-roupa. Roupas que dão vantagens como mais armadura, menor tempo de recarga e outros bônus devem ser equipadas no inventário do menu e elas NÃO irão aparecer vestidas no seu personagem graças ao efeito transmog. Esse efeito faz com que o seu visual seja montado no guarda-roupa e o status das roupas seja colocado no inventário ativo à parte sem interferir no visual do personagem. 

Uma boa mercenária torna suas armas sempre mais mortais.


Armas icônicas podem receber upgrades - enquanto armas comuns (com fundo preto no menu) não aceitam upgrades, as versões icônicas (com fundo dourado) podem subir de nível no menu melhorias com os componentes de criação. Armas comuns recebem apenas acessórios como miras e silenciadores que não podem ser desacoplados.

Aprenda a voar - sim, é possível dar uma voadinha rápida em CP2077. Para isso, você precisa ter o implante de pernas tendões reforçados e a habilidade de avanço (dash) aéreo. Você só precisa dar o primeiro avanço ainda no solo e pular durante o embalo dele duas vezes com o salto duplo e dar outro avanço no ar. Você pode fazer como citei dando o dash, pulo, pulo, dash ou então dar o dash, pulo, dash, pulo. É preciso ser rápido e treinar um pouco para ficar perfeito. Quando bem executado, esse truque é tão rápido quanto um carro. É simplesmente viciante de usar.

Cuidado com inimigos com lâminas de louva-a-deus - inimigos que nos atacam corpo a corpo, especialmente com as mantis blades e katanas, nos derrotam com no máximo três golpes do início do game. A gangue da Maelstrom, por exemplo, pode nos perseguir no início caso tenhamos os atacado na missão para pegar o robô cabeça chata e sempre tem pelo menos um deles nos atacando com lâminas em super velocidade. Isso é uma covardia com os iniciantes, então o jeito que tem é tentar parar esses inimigos com hacks rápidos de controle, granadas de luz ou então os atropelando com carros e parando o carro em cima deles. Simplesmente não dá para lutar de igual para igual com esses adversários no início. Eu recomendo fugir e se abrigar num lugar mais alto para que os inimigos não te alcancem.

Evite os ciberpsicopatas no início - as missões contra os psicocibernéticos dados pela Regina Jones devem ser evitadas antes da missão O Roubo, porque eles são fortes demais no início e podem derrotar nosso personagem com um único hit.

Um bom mercenário só entra em combate com estratégia.


Estratégia de combate - a dificuldade do game é maior no começo, porque somos fracos e temos poucas cibernéticas. A minha dica é começar matando os inimigos furtivamente com takedowns, facas e armas silenciosas enquanto usa hacks rápidos. Isso vai diminuir o número total de inimigos que você terá que enfrentar de uma vez quando for achado por eles. Só saia no tiroteio e na porrada quando for detectado e entrar no modo combate. Ir para o confronto aberto no "modo Rambo" no início do jogo é quase sentença de morte nas dificuldades mais altas. Uma coisa que demorei para descobrir é que é possível arrastar um inimigo imobilizado por um mata-leão para abatê-lo longe da vista dos outros. Hacks de distração também são muito úteis para pegar os inimigos no stealth.

Matando na queda - cair em cima dos inimigos de um lugar mais alto e fora de combate os abate instantaneamente e silenciosamente sem precisar apertar nenhum botão. Isso pode ser útil em abordagens furtivas.

Não inicie uma abordagem furtiva durante uma ligação - se você tentar dar um mata-leão num inimigo durante uma ligação telefônica, essa opção de abate simplesmente não estará disponível mesmo que o inimigo não te escute conversando. Isso já arruinou alguns dos meus ataques furtivos.

Use a coronhada quando não der tempo de recarregar - é muito comum, especialmente no início, ficarmos sem munição enquanto os inimigos que atacam corpo a corpo vem para cima da gente. Se não der tempo de recarregar a arma, não hesite em dar coronhadas para atordoá-los. Isso ajuda bastante a evitar mortes bestas.

Compre um carro barato - antes da missão O Roubo, procure comprar um carro barato para não ficar a pé depois, já que no início do ato 2 nós ficamos sem carro. A menos que você não se importe em usar o sistema Ncart de transporte público ou saia roubando carros como se fosse um GTA. 

Habilidade Técnica e Força abrem atalhos - no menu de habilidades do personagem é interessante investir em Força e Habilidade Técnica, porque elas abrem portas e caminhos que não podem ser acessados de outra forma.

Você acha mesmo que esse maluco compra armas em lojas?


Não compre armas em lojas - armas vendidas em lojas são caras demais e a gente consegue centenas de armas gratuitamente fazendo as missões da polícia e secundárias. 

Perseguições de carro são injustas com o jogador - se você jogar nas dificuldades mais altas, a missão da fuga do Kompeki Plaza pode ser bem complicada quando estamos no carro sendo perseguidos por drones. Então o melhor jeito de não passar perrengue nesta parte é deixar para trocar o ciberdeque por outro sistema operacional apenas após a missão O Roubo, porque é muito difícil abater os drones antes de tomar um autokill se você não tiver hacks rápidos nessa parte. Semelhante a isso é o início do modo de vida Nômade em que é bem difícil não morrer durante a perseguição de carro após cruzar a fronteira. Neste caso, eu recomendo diminuir a dificuldade do jogo (somente até esta parte) para a mais fácil e evitar o estresse de morrer várias e várias vezes seguidas.

Use a câmera para espiar os inimigos - sempre que quiser ver onde um inimigo está escondido ou ir para um lugar que não puder ver na primeira pessoa, basta entrar no modo fotografia e usar a câmera como drone. É meio que uma trapaça, mas ajuda em casos específicos.

Motos são imunes a dano de queda - sempre que quiser pular de alturas extremas sem morrer, basta subir na sua moto e dar um salto. Não importa a altura que você caia, você e a moto não tomam qualquer dano. Isso ajuda a poupar tempo com decidas e a surpreender inimigos desavisados.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

The Witcher 3 está de volta!


Em tempos em que quase tudo é monetizado pela indústria dos games com remasters, ramakes, microtransações e venda de dlcs, aparece do nada a CD Projekt Red e anuncia que o clássico The Witcher 3 terá um remaster gratuito para todas as plataformas da nova geração. Esse remaster terá melhorias na gameplay, atualização gráfica, renovação da árvore de habilidades e várias outras novidades, aumentando ainda mais a longevidade do jogo. E para melhorar o que já estava bom, a empresa também anunciou a terceira expansão para o game 12 anos depois do seu lançamento. Songs of the Past deverá chegar em 2027 trazendo uma nova história e novas habilidades para o bruxeiro Geralt of Rivia. Apesar de ter decepcionado a comunidade gamer com aquele lançamento catastrófico do Cyberpunk 2077, a CD Projekt deu a volta por cima e agora vai fazer o melhor jogo da história voltar a ser jogado por milhões de fãs. 

O Lobo Branco está de volta!


Witcher 3 foi (e ainda é) uma obra-prima, sendo um dos títulos mais premiados de todos os tempos. Quem não teve tempo ou oportunidade para conhecer a saga do bruxeiro, recomendo que aproveite este remaster para vivenciar momentos épicos e inesquecíveis na frente da TV. Apesar de no momento eu estar com pouco tempo para jogar e estar jogando mais o divertido Cyberpunk 2077, vou voltar a mergulhar de cabeça nas aventuras de Geralt e companhia assim que a dlc for lançada. Até porque assim como filmes, livros e músicas marcam as nossas vidas, bons jogos de videogame também ocupam um espaço carinhoso nos nossos corações. Enfim, chegou a hora de desaposentar o velho Lobo Branco e sua espada de prata!

terça-feira, 18 de agosto de 2026

O mundo assombrado pelos extraterrestres


Eu confesso que sempre fui um sujeito muito medroso. Se até hoje, com mais de 40 primaveras, eu durmo com as luzes da casa todas acesas quando escuto algum barulho inexplicável durante a noite, imagine então quando era criança... Quando era pirralho, eu tinha medo de fantasma, de assombração, do papa-figo, de lobisomem, do curupira, da comadre fulozinha, do chupa-cabra, de vampiro, do monstro do Lago Ness e mais um monte de outras lendas que me causavam crise de fobia toda vez que eu ficava sozinho no escuro. Mas de todas as coisas que me metiam medo, o que mais me aterrorizava eram as histórias envolvendo seres extraterrestres. Era noite oficial dos ovnis, Operação Prato, caso Betty e Barney Hill, inúmeros relatos de abduções, crop circles, documentários sobre ETs, vídeos da autópsia de supostos ETs, revistas ufológicas em todas as bancas, filmes de terror, histórias envolvendo a Área 51 e o mais terrível de todos que foi o tal do ET de Varginha. Eu tive, literalmente, pesadelos com aquele bicho e ficava com medo de sair de casa à noite e me deparar com aquela coisa medonha do outro mundo. Mesmo sabendo que 99% era tudo papo furado, até hoje essas histórias me causam desconforto. O problema é que tem sempre aquele 1% inexplicável que me deixa com a pulga atrás da orelha. Só que eu não escrevi esta postagem para relatar os meus medos, mas sim para mostrar que todo esse folclore envolvendo seres extraterrestres também assusta muita gente até hoje. 

Essa coisa meteu medo em muita gente.


Mesmo com tantas provas de que praticamente todas as histórias de ETs são fraudes, muita gente teve e ainda tem medo de alienígenas. Muita gente sofre de paralisia do sono e acha que recebeu visitas de entidades alienígenas enquanto dormia. Muita gente vê drones, raios globulares, balões meteorológicos e até estações espaciais e acham que são UFO ou UAP. E também há pessoas que sofreram abusos na infância e relatam seus abusadores como se fossem monstros ou seres de outro planeta. Mesmo sabendo que as distâncias entre as estrelas é insanamente gigantesca, as pessoas ainda acham que ETs podem vir até aqui e fazer coisas ruins conosco ou até mesmo nos exterminar como uma civilização berserker predadora. Só que seres de outro planeta vindo até nós não passa de mera hipótese. Nunca houve até hoje qualquer evidência mínima de vida fora da Terra. Praticamente tudo que temos hoje são relatos, lendas e farsas. Provas que é bom não há nenhuma. É por isso que assim como fantasmas e seres folclóricos, precisamos ativar nosso ceticismo para não viver com medo de coisas que não existem. Afinal de contas, sempre há alguém que ganha nos mantendo com medo, mesmo que esses medos sejam totalmente baseados em mentiras repetidas milhares de vezes.

domingo, 16 de agosto de 2026

A vida é uma grande roleta da sorte viciada


Se tem três coisas que aprendi ao longo das minhas mais de 42 primaveras foi que: 1 - A vida não é justa. 2 - A vida não é bela. 3 - A vida não tem sentido. 

Isso me veio à mente quando recebi a recente notícia de que um conhecido meu está lutando contra um câncer mesmo sendo mais jovem que eu e tendo levado uma vida inteira totalmente regrada. Esse meu conhecido sempre praticou esportes, fez musculação, seguia dieta rigorosa, se mantinha dentro do peso saudável, não fumava, não bebia, dormia bem, tinha um trabalho que amava e, mesmo assim, num dos exames de rotina, pimba: câncer. Por sorte, foi encontrado em estágio inicial, mas eu acho isso muito irônico. Tem pessoas que levam uma vida absolutamente desregrada em todos os sentidos possíveis e vivem toda uma vida sem ter câncer. Sem falar de crianças bem novas que têm câncer e outras doenças supostamente "evitáveis", mas que não possuem qualquer ligação com estilo de vida. Tudo parece ser uma questão de sorte e probabilidade. E isso também não tem qualquer ligação com merecimento ou karma, porque senão pessoas desprezíveis seriam as primeiras ou únicas a ter essas doenças mais graves. É por essas e outras que não acredito em deuses ou predestinação. Acho que quase tudo no universo é uma questão de acaso. 

É claro que é sempre melhor jogar a favor das estatísticas, mas parece que o universo é indiferente ao nosso conceito de justiça e significado. Aí entra na conversa também a questão da beleza. A vida ser bela ou não é subjetivo, tipo um copo meio cheio ou meio vazio. Só que é difícil falar de beleza num mundo capitalista maldito onde as desigualdades sociais são criadas e naturalizadas por uma classe dominante egoísta, sádica e racista. Neste momento, temos cerca de 2 bilhões de seres humanos em situação de insegurança alimentar. Fora os doentes, desabrigados, feridos e sem esperança. É por isso que precisamos dar um sentido para vida, porque, na verdade, não há. Acho que a empatia, a solidariedade, o altruísmo, a generosidade, a inclusão social, as políticas de cuidado com as pessoas e o amor pelos nossos semelhantes ainda são a melhor forma de tornar esse mundo um lugar menos miserável e injusto. Não podemos só depender da sorte, porque, às vezes, me parece que a vida não passa realmente de um grande dado viciado.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

A decadência constrangedora da direita burra


A extrema-direita brasileira parece ter ativado o modo kamikaze nos últimos acontecimentos envolvendo o filho mais velho do presidiário ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de ter disseminado várias fake news contra o atual governo, em um encontro com diplomatas em Brasília, resolveu atacar a integridade das urnas eletrônicas brasileiras com várias mentiras. Basicamente, Flávio Rachadinha alegou que nossas urnas não são confiáveis assim como o pai dele também precisou fazer para se tornar inelegível. Achando pouco, o filho 01 convidou o presidente fanático da Argentina para atacar autoridades brasileiras na convenção do PL e, de quebra, resolveu entrar numa sinuca de bico ao exibir um vídeo gerado por IA do próprio pai. Lembrando que é proibido usar a imagem do pai preso em regime domiciliar para fins eleitorais, o que pode acarretar prisão em regime fechado para o Bolsonaro pai ou punição por deep fake com cassação e multa para o Bolsonaro filho e o PL.

Todo esse imbróglio malcheiroso envolvendo a candidatura do senador Flávio Bolsonaro juntamente com as sanções dos EUA dadas ao Brasil têm causado o efeito contrário do desejado pela direita que é o fortalecimento do governo Lula. Basta olhar as últimas pesquisas que nota-se um crescimento tanto na aprovação do atual governo quanto nas intenções de voto do Lula. A direita burra, representada pela família Bolsonaro, não está favorecendo a oposição – muito pelo contrário. Eleitores moderados que tinham alguma simpatia pelo PL estão se abstendo não só de apoiar o filho 01 do presidiário inelegível, mas também estão ajudando a aumentar as estatísticas de votos brancos e nulos. Isso, queira ou não, acaba sendo ruim para a democracia, porque parte do eleitorado não se sente representado por ninguém. 

Eu sei que muita gente trata política partidária como sendo uma espécie de Fla-Flu ideológico, mas é necessário termos uma visão mais ampla dos fatos sem briga. Precisamos, numa democracia saudável, ter direita e esquerda debatendo suas propostas e caminhos para desenvolver o Brasil de forma civilizada. Mas o que temos no país hoje, infelizmente, é quase uma falsa dicotomia política. De um lado, temos uma centro-esquerda genérica, quase apartidária, que tenta parecer mais "palatável" a todos e ganhar mais votos dos indecisos sendo mais "centro" propriamente dito que esquerda. Do outro lado, uma direita que é ou entreguista, ou golpista, ou tresloucada/olavista, sem propostas realistas para desenvolver o país. Nessa palhaçada, apesar do Brasil ter um potencial absurdo para ser uma potência global, ficamos sem empresas fortes sendo subsidiadas pelo Estado, sem investimento em tecnologia, sem industrialização e acomodados como meros exportadores de commodities. Comparando com o futebol, estamos como a seleção brasileira que é a única pentacampeã do mundo, mas que não consegue mais ganhar nenhuma Copa. Precisamos mudar para melhor e com visão a longo prazo sem pensar somente no lado eleitoral. 

E pelamordedeus, direita brasileira, crie vergonha na cara. Apoiar as insanidades da família Bolsonaro é, como já dizia Boris Casoy, uma VER-GO-NHA.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

O azarão da Copa


Até ontem eu achava que o pé frio do Mick Jagger era o único que trazia má sorte para as seleções da Copa do Mundo que ele torcia. Mas eis que este que vos escreve conseguiu a façanha de zicar TODOS os times que torci nas oitavas-de-final, sem exceções. Para não dizer que a culpa foi só minha, descobri que o influencer americano IShowSpeed também trouxe essa sorte reversa para os países e acabou virando meme. Bom, pelo menos não gastei dinheiro indo aos jogos e pagando mico ao vivo. Mas, enfim, creio que essa minha torcida não foi algo tão isolado, porque a maioria das pessoas que vi na internet relataram algo parecido, já que as seleções africanas, latino-americanas e anfitriãs eliminadas costumam ser mais carismáticas e recebem mais apoio das pessoas. Eu mesmo não torço para nenhuma europeia, exceto Portugal. E das oito seleções que estão nas quartas-de-final, apenas duas não são europeias: Marrocos, pela qual peguei antipatia por tentar roubar o título de Senegal da Copa Africana e, claro, a Argentina, por sua eterna rivalidade com o Brasil. É verdade que a Argentina teve sorte no chaveamento e apito amigo para ajudar, mas apesar de torcer contra os hermanos, temos que admitir que eles jogaram com muito mais garra que os jogadores do Brasil. A seleção brasileira me pareceu reativa demais, apática e preguiçosa contra a Noruega e não mereceu se classificar, sendo eliminada pela sexta Copa seguida para uma seleção europeia em mata-mata. 

O que resta agora é ver o que vai acontecer entre as que sobraram. Não tenho a menor simpatia por nenhuma delas e nem curiosidade sobre o que vai acontecer daqui pra frente, mas talvez fosse interessante uma campeã inédita desta vez, coisa que vai ser difícil de ocorrer, já que as campeãs são MUITO favoritas e têm artilheiros históricos em seus times. A Copa agora fica sem graça para mim, já que não consigo torcer pra ninguém mais e, sendo franco, pouco me importa quem vai levar a taça. Só espero que na próxima Copa, as seleções africanas parem de levar gols nos minutos finais e as sul-americanas repitam o desempenho das oitavas-de-final de 2010. Fora isso, vou me divertir muito mais assistindo alguma série na Netflix que perdendo duas horas da minha vida com Bélgica e Espanha, afff...

PS: Agora que percebi que, pela primeira vez na história, nenhuma das três seleções que compõem o "trio de ferro" das camisas mais pesadas das Copas – Brasil, Alemanha e Itália – está numa quarta-de-final. Isso mostra que tradição não ganha jogo e que o futebol passa por uma nova era.

terça-feira, 23 de junho de 2026

A Copa de 2026 é um turbilhão de emoções


O presidente da Uefa, Aleksander Čeferin, foi criticado recentemente por várias federações de futebol por ter dito que a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções não seria benéfico para o futebol por ter muitas partidas "desinteressantes". Eu entendo o argumento dele, mas discordo completamente. Isso porque embora o nível técnico de alguns jogos seja realmente baixo, não há nada mais divertido e emocionante que ver uma seleção estreante fazer seu primeiro gol ou ganhar seus primeiros pontos numa Copa. Olha, por exemplo, o caso de Curaçao onde o experiente treinador Dick Advocaat se emocionou com o primeiro gol de Curaçao em Copas e fez o mundo também se emocionar com primeiro ponto da seleção contra o Equador. Curaçao conseguir seu primeiro ponto em Copas é tipo o homem dar o primeiro passo na Lua para eles: é algo gigante, inédito, inesquecível, heroico. A festa das torcidas nas arquibancadas e em seus países foi muito mais linda que uma vitória avassaladora de uma seleção favorita numa semifinal. Sem falar do fenômeno Vozinha que passou dos 15 milhões de seguidores do Instagram por seu carisma, humildade e liderança dentro de uma seleção estreante. Um jogo decisivo entre Jordânia e Argélia – apesar do nível técnico baixo – é muito mais emocionante que uma final entre XV de Piracicaba e União Barbarense numa final da série A3 do Paulistão. São países pequenos com grandes torcidas que estão sendo representados diante do mundo inteiro, tendo sua bandeira e seu hino tocados para milhões de pessoas no planeta. Isso não tem preço e é absolutamente épico.

Isso foi simplesmente maravilhoso...


Quanto a Copa como um todo, eu estou achando divertidíssima. Somente uma Copa do Mundo me faz ficar acordado até de madrugada para assistir seus jogos, me emocionar com a entrega em campo das estreantes, fazer a remada dos vikings noruegueses na frente da TV e me deixar perplexo ao ver Cristiano Ronaldo entrar para história como o único jogador a fazer gols em seis Copas do Mundo. Sem falar da briga entre Mbappé e Messi como maior artilheiro da história das Copas. Isso porque ainda estamos na segunda rodada da primeira fase. Imagina quando começar o mata-mata...

E o Brasil, hein?


Quanto à seleção brasileira, nenhuma surpresa até o momento. A nossa seleção só não é uma decepção porque ela já ia mal há tempos (ou melhor: vinha mal, porque Yamal é um craque da Espanha ahahaha) e não tem motivos para surpreender positivamente nesta Copa. Essa seleção da CBF só tem chance de ser hexa se Harry Kane, Mbappé, Halaand, Messi, Cristiano Ronaldo e Vozinha se naturalizarem brasileiros. Fora isso, é mais fácil achar petróleo no quintal de casa que essa seleção ser campeã. A situação tá tão feia que estamos com medo de enfrentar o Japão e cair já nos 16 avos de final. Antigamente, os adversários nos temiam, mas hoje, o Brasil virou piada a ponto de ser quase um azarão. Pois é, quem poderá nos ajudar? O superestimado Neymar? O eterno reserva do Endrick? Ou o quadrado sem mágica de Vini Jr, Raphinha, Igor Thiago e Matheus Cunha? E o meio de campo então... Só Jesus na causa. Um time sem entrosamento, sem personalidade e sem brilho não vai muito longe. Espero que o Brasil vire a chave emplaque logo, porque senão teremos uma amarga eliminação precoce. Enfim, esperança é a última que morre. Vai Brasa!

Dias difíceis virão...


quinta-feira, 18 de junho de 2026

A melhor Copa da história


Por mais que eu esteja há décadas sem acompanhar futebol como antes, eu nunca abri mão de assistir aos jogos da Copa do Mundo. É uma tradição para mim desde 1994 assistir o máximo de jogos dos mundiais e me surpreender com as histórias de cada um deles. E em 2026 não está sendo diferente. Somente na primeira rodada da primeira fase, já revivi o trauma do 7x1 com a Alemanha, passei raiva com a seleção brasileira, me surpreendi com a música Sirius (The Alan Parsons Project) sendo tocada na entrada dos jogadores em campo, me diverti com resultados improváveis, vi Messi se tornar o maior artilheiro das Copas e ri bastante com os memes. Mas o que mais gostei até agora foi da estreia de Cabo Verde contra a poderosa Espanha. O goleiro Vozinha fez história ao segurar a artilharia da Furia Roja. Eu já conhecia o trabalho do treinador de Cabo Verde, o Bubista, desde a sua premiação de melhor treinador africano no CAF Awards 2025, mas não esperava que ele fosse segurar o ataque espanhol com tanta eficiência. E o melhor de tudo é que Cabo Verde é um país lusófono e possui ligações culturais com o Brasil. Eu mesmo tive vários colegas de Cabo Verde na época da faculdade e alguns deles tornaram-se amigos meus (e olha que sou péssimo para fazer amizades). A campanha da Cazé TV em turbinar os seguidores do Instagram de Vozinha foi muito bacana e mostrou que Cabo Verde foi adotada com carinho como uma segunda seleção para muitos brasileiros torcerem nesta Copa.

Avante, Tubarões Azuis!

Enfim, só lamento que essa diversão dure apenas cerca um mês e outra novamente só daqui a quatro anos. É por isso que estou adorando perder o sono para ver a melhor fase da Copa com jogos até de madrugada.

domingo, 31 de maio de 2026

Fim da escala 6x1 é pauta da esquerda


Tem coisas nesta vida que são óbvias, mas por vivermos numa sociedade alienada politicamente e imbecilizada pelo fascismo, nunca é demais lembrar da verdade. Dito isso, é preciso ressaltar que o fim da escala 6x1 aprovada pela câmara não é e nunca foi uma proposta da direita. Quem sempre defendeu e continua a defender os direitos da classe trabalhadora é a esquerda. A maior prova disso é que a proposta teve votos contrários apenas dos partidos de direita. Só quem não é a favor do trabalhador ter mais qualidade de vida e dignidade é a burguesia que, diga-se de passagem, foi representada de forma bastante caricata pelo dono da Havan com suas ironias tragicômicas.  

Os trabalhadores que odeiam a esquerda e vomitam macarthismo gratuito internet afora devem agradecer à esquerda por terem direito a férias remuneradas, décimo terceiro salário, jornada de trabalho de menos de 50 horas semanais e salário mínimo com aumento acima da inflação. Achar que é melhor um mundo onde as classes dominantes são livres para nos explorar até a morte é, simplesmente, uma forma patética de fazer vassalagem para as oligarquias globais. Nosso dever como classe que produz a riqueza do planeta é nos unir para que tenhamos o mínimo para viver com dignidade. Enquanto a classe trabalhadora não entender isso de forma majoritária, sempre iremos ter pacotes de austeridade impostos pela direita para enricar quem vive de nos explorar.

terça-feira, 19 de maio de 2026

Uma religião chamada futebol


Toda essa repercussão e euforia com a convocação do Neymar Jr. para a Copa do Mundo de 2026 mostra duas coisas muito interessantes a respeito do ser humano. A primeira é que os seres humanos sentem uma profunda necessidade de acreditar em algum tipo de messias. E a segunda é que o futebol não é apenas um esporte: é praticamente uma religião. 

Em quase todos os lugares, dentro e fora da internet, as pessoas ainda estão discutindo se o Menino Ney tinha que estar entre os convocados ou não. Quem defende que ele não devia ter sido chamado usa argumentos lógicos sobre sua condição física, sua performance recente no Santos e a ausência de outros grandes jogadores em seu lugar como o João Pedro do Chelsea. Já quem defende a presença do Ney faz isso, na maioria das vezes, por tietagem, por fé ou por saudosismo. Eu concordo que apesar de não ser o mesmo de 2014, o Neymar ainda é um jogador acima da média que, queira ou não, ajuda a manter o time coeso e serve para assumir a responsabilidade pelo grupo. O problema é que uma andorinha só não faz verão. O Neymar, assim como Cristiano Ronaldo e Messi, é um ídolo internacional, garoto propaganda de várias grifes e o último jogador remanescente da velha guarda de craques brasileiros. Mas o cara não faz milagre em uma seleção cheia de problemas, com dificuldades técnicas e táticas e um treinador que não conseguiu ainda arrumar o time. Todo mundo sabe que a nossa seleção não está bem, mas a nossa profunda necessidade de crer em salvadores da pátria (seja na política ou nos esportes) cria a ilusão na maioria de que podemos colocar tudo nas mãos do Neymar e então estará tudo magicamente resolvido, que seremos hexa quase que por ação divina dos deuses do futebol. 

Esse oba-oba com a Copa do Mundo me parece um delírio coletivo que funciona como escapismo para os problemas reais das nossas vidas. Pois mesmo que sejamos hexacampeões, o que isso muda nas nossas vidas cotidianas? Parece que tudo no ser humano gira em torno da profunda necessidade de acreditar em algo que traga algum significado para nossas vidas.

sábado, 2 de maio de 2026

Precisamos abrir os olhos


A rejeição histórica do senado ao advogado geral da União Jorge Messias para a vaga no STF não foi um fato político isolado. O incidente teve várias camadas. Além da indicação do advogado ter frustrado parte da ala progressista por ele ser um homem branco e conservador, tivemos também uma série de articulações nos bastidores envolvendo o presidente do Senado, ministros do STF e a "rasteira" de aliados importantes por falta de blindagem no caso do Banco Master. Logo em seguida, veio a derrubada do veto presidencial ao PL da dosimetria, mostrando que o Governo Federal está com dificuldade de articulação, queda de popularidade e em clara desvantagem numérica no legislativo. Essa turbulência, em parte, é por culpa do próprio governo que tem feito concessão demais ao agronegócio, ao centrão, aos bancos, ao imperialismo e aos corruptos. Isso colocou o governo Lula nas mãos de oligarquias perigosas que nunca se contentam com o muito que ganham. Contudo, é inegável que a desgraça seria menor se a direita bolsonarista e o centrão não fossem maioria no congresso. E é aí que entra a importância da conscientização dos eleitores.

Vivemos em um presidencialismo de coalizão. E este é um sistema de governo que exige alianças e coligações para se obter apoio para governar. Portanto, as pessoas precisam evitar votar em candidatos que não estejam alinhados politicamente entre si. Não faz sentido votar no Lula para presidente e em deputados do centrão na mesma eleição. Isso abre espaço para barganhas, chantagens, lobby e conchavos em nome da estabilidade. O resultado dessa bagunça é essa dificuldade de governabilidade que é comemorada pelos bolsonaristas como se fosse algo bom. No fim das contas, são os corruptos que sempre levam a melhor nesse cenário de instabilidade política, já que eles são oportunistas e se aproveitam das crises para aumentar suas áreas de influência e seus ganhos pessoais ilícitos.

Já ao governo Lula resta o enfrentamento e parar de ceder tanto ao centrão e aos neoliberais que fingem querer conciliação. Precisa indicar uma mulher negra progressista ao STF, não blindar aliados corruptos e ficar do lado certo que é o da sua base eleitoral, porque se for para cair, que seja atirando e defendendo os trabalhadores, minorias e quem o ajudou a se eleger ao invés de ficar nas mãos dos corruptos da velha direita.

domingo, 5 de abril de 2026

Basta de tiranos megalomaníacos no mundo


Donald Trump é um bufão de um império em decadência. É simplesmente uma piada de mau gosto que um presidente que almejava receber o prêmio Nobel da Paz esteja a brincar de reizinho do mundo de forma tão irresponsável. Primeiro, Trump taxou impunimente o mundo inteiro, causando uma bagunça desnecessária na economia global e encarecendo os produtos nos EUA. Segundo, ele ordenou o sequestro do presidente da Venezuela e deixou lá um governo refém de seus interesses para prejudicar negócios com China e Cuba. Cuba, por sua vez, além do bloqueio econômico histórico que sofre dos EUA desde os anos 1960, agora não recebe mais petróleo venezuelano e isso causou uma crise energética e humanitária sem precedentes no país caribenho a troco de nada. Logo depois, veio aquela maluquice de querer tomar a pulso a Groenlândia, causando uma crise sem precedentes dentro da Otan. Daí, sem mais e nem menos, para agradar a extrema-direita israelense, o Laranjão se junta com Netanyahu para atacar o Irã e se coloca numa sinuca de bico por não conseguir desbloquear o Estreito de Ormuz. Isso sem falar de todo aquele incidente deplorável envolvendo a polícia de imigração dentro do próprio país. 

Ou o escândalo do Epstein deve ser realmente algo muito grave a ponto de precisar de toda essa bagunça para ser abafado, ou então o desespero pelo crescimento da China diante da crise norte-americana está fazendo o narcisista da Casa Branca surtar de vez. Tudo bem que Trump é um fascista, mas até o fascismo tem seus limites de atuação. O que fica claro com toda essa porralouquice americana é que a humanidade precisa se reorganizar urgentemente para lidar com tiranos magalomaníacos e evitar que eles cheguem ao poder. Em um momento de decadência do capitalismo e com tantas armas de destruição em massa espalhadas pelo planeta Terra, não é inteligente permitir que irresponsáveis coloquem a existência da humanidade sob ameaça. 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Azzurra fora da Copa do Mundo outra vez


Não sou ovo, mas confesso que fiquei chocado com a eliminação da seleção italiana de futebol na final da repescagem contra a Bósnia. Terceira Copa do Mundo seguida que a Squadra Azzurra vai ficar de fora caindo nas repescagens. Inacreditável como uma seleção tradicional e tetracampeã do mundo consegue tal façanha. É verdade que as eliminatórias europeias são mais duras que as sul-americanas para se classificar diretamente, mas isso não é desculpa para esse fiasco. É praticamente toda uma geração que fica de fora da maior disputa de futebol do mundo, sendo que essa é a maior Copa da história com 48 seleções. 

O resultado dessa lambança é que o presidente da federação italiana renunciou, Buffon, o chefe da delegação, pediu demissão e o técnico Gattuso também pulou fora. Se a federação não fechar de vez, precisará passar por uma renovação profunda. Serão agora 16 anos, no mínimo, sem ver a poderosa Itália numa Copa do Mundo. Apesar de ter achado bom por um lado ter uma tetracampeã mundial a menos para ameaçar igualar as cinco estrelas do Brasil, é muito bizarro e lamentável ver uma seleção tão importante fora de novo enquanto que outras bem mais fracas estarão na disputa. Espero, honestamente, que essa crise no futebol italiano seja resolvida e que possamos voltar a ver uma Itália competitiva novamente. 

Enfim, parabéns para a seleção da Bósnia pela classificação, porque deram a volta por cima após serem desdenhados pelos jogadores italianos depois de vencer o País de Gales e estão indo ao mundial por mérito próprio.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Por um mundo com menos ódio


Foi aprovado no Senado, nesta terça-feira (24), o Projeto de Lei que inclui a misoginia (crime de ódio contra as mulheres) na Lei do Racismo. Assim como já havia sido feito em 2019, quando o STF também incluiu a homofobia na mesma lei, a misoginia passará a ser punida como um crime de preconceito. A proposta segue para sanção do presidente Lula. Pois bem, sendo bem honesto, sabe o que eu achei? Uma vergonha. Isso mesmo: uma vergonha! Uma vergonha que tenham DEMORADO TANTO para incluir o ódio contra o gênero feminino como uma forma letal de preconceito. Se este PL tivesse sido criado antes, movimentos masculinistas (como o redpill) não teriam crescido tanto e a vida de centenas de mulheres podia ter sido poupada nesta verdadeira epidemia de feminicídios. Mas o que realmente me assusta nisso tudo é a reação (especialmente a masculina) na internet diante da aprovação deste PL.

Políticos bolsonaristas e da extrema-direita em geral, como bons reaças que são, reagiram com o intuito de tentar invalidar e derrubar o PL. Inclusive, tem um deputadozinho bem famoso aí (que me recuso a digitar o nome) que ganhou muita visibilidade quando chamou a aprovação deste PL de "aberração" e que vai trabalhar para derrubá-lo. Isso sem falar do esgoto a céu aberto na própria surface web que trouxe à tona milhares de homens compartilhando verborragia sexista, falácias reacionárias e muita misoginia que só reforçam a necessidade de combater a violência de gênero. Apesar de achar essa cambada de reaças um atraso civilizacional, numa coisa eu concordo com eles: é preciso ser bem específico na tipificação deste crime. Este projeto precisa ser bem claro e específico sobre o que é, do ponto de vista constitucional, a misoginia. Porque se for depender da boa vontade interpretativa de um poder judiciário formado majoritariamente por homens e que chegou ao cúmulo de aprovar como "união estável" o estupro de uma menina de 12 anos por um homem adulto, o nosso machismo estrutural vai fazer este PL parecer só mais uma "Lei para inglês ver". Sem mencionar que mesmo fora do esgoto a céu aberto das bolhas masculinistas estão aparecendo pessoas comuns (homens e mulheres) que estão sendo radicalmente contra esta mudança na lei com todo tipo de argumento, seja ele lógico ou não.


É preciso que fique claro que todo e qualquer avanço civilizacional a favor de minorias ou grupos de vulnerabilidade social precisa ser defendido para nos manter vivos como espécie neste planeta. Existem milhares de ogivas nucleares espalhadas pelo mundo prontas para serem disparadas a qualquer momento. E se os ódios e preconceitos não forem combatidos na raiz, a nossa probabilidade de sobrevivência ao longo das décadas despenca vertiginosamente, especialmente com essas crises sazonais do sistema capitalista global. É na inclusão social e na teia de proteção do Estado que essas minorias têm garantias mínimas para serem tratadas com dignidade. Fora que essa medida também ajuda a diminuir o tanto de ódio que há neste mundo. E, infelizmente, ainda existe MUITO ódio contra tudo que é feminino em pleno século 21 pelo fato deste ser um século de mudanças onde grupos oprimidos estão começando a desafiar o sistema e a conquistar seus espaços e seus direitos. Uma lei contra a misoginia tem que ser comemorada ao invés de ser combatida, porque ódio contra as mulheres é ódio contra toda a humanidade. Não há futuro em um mundo que tenta manter a violência e os privilégios de uma classe opressora através da impunidade e da falsa defesa da liberdade de expressão. 

Esta lei precisa ser sancionada e ainda assim ela não é garantia de nada. A lei contra o racismo e a homofobia está aí, mas mesmo assim, ainda há MUITO racismo e homofobia no Brasil ocorrendo impunemente. Temos que combater a violência e o preconceito não apenas na lei, mas nas nossas atitudes como cidadãos no nosso cotidiano. Temos que ensinar o respeito, o altruísmo, a empatia, a gentileza, a solidariedade, a generosidade e a inclusão aos nossos filhos. Porque é através dessas pequenas mudanças para o bem que teremos a chance de ter um mundo melhor. 

E antes que alguém diga asneiras, eu não estou apenas defendendo as mulheres. Eu estou NOS defendendo. Eu estou defendendo a mim, a você e a todos os seres humanos, porque se não fosse por uma mulher, nem eu e nem você teríamos sido gerados. E um mundo com menos ódio é um mundo com menos dor onde todos nós teremos mais chances de continuar existindo como espécie. Portanto, encerro este post parafraseando um autor desconhecido que li por aí: "Em tempos de ódio, amar é um ato revolucionário". Isso porque quem ama não perde tempo odiando ninguém. 

quinta-feira, 12 de março de 2026

O Senhor da Guerra não gosta de crianças


Quando eu digo que o capitalismo é a maior ameaça para humanidade, essa afirmação não é por alarmismo ou por paixão socialista barata. O sistema capitalista precisa de guerras para se manter existindo. Essa guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã é um exemplo clássico disso. A alegação de que o Irã está desenvolvendo armas nucleares é só uma desculpa esfarrapada da extrema-direita para manter a hegemonia do petrodólar e prejudicar a rota da seda da China com o Oriente Médio. Claro que a indústria bélica norte-americana também usa seu lobby para promover a carnificina e há a intenção em reforçar o controle da região através do protetorado americano no Oriente Médio que é o Estado de Israel. Mas o que realmente motiva tudo isso é a soberba e a ganância sem fim do maior império capitalista do mundo. Nada disso estaria acontecendo se os EUA fosse um país socialista. É por isso que sempre reafirmo que jamais haverá paz enquanto o capitalismo existir.


Deixando de lado essas justificativas estúpidas para a guerra, temos que atentar para o fato mais doloroso e ignorado nessa história que são as baixas civis. Um míssil norte-americano do tipo Tomahawk detonou uma escola no sul do Irã matando mais de 160 pessoas, sendo 110 crianças. Cento e dez crianças que morreram de forma brutal por motivações idiotas de um império em decadência. E não vai parar por aí, porque o capitalismo não gosta de paz e o Senhor da Guerra não gosta de crianças.



E depois ainda tenho que me explicar por que sou de esquerda...


domingo, 8 de março de 2026

Basta de machismo na política


Se tem uma coisa que não faz o menor sentido para mim é o apreço de uma parcela oprimida da população por seus algozes. Ontem foi divulgada mais uma pesquisa do Datafolha onde Flávio Bolsonaro aparece logo atrás do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva quase empatados tecnicamente. Eu não fiquei surpreso com esses números, mas confesso que fiquei um pouco estarrecido de saber que boa parte das intenções de voto do Flávio Bolsonaro vieram de mulheres. Ora, o senador do PL é filho de um homem que está preso por tentativa de Golpe de Estado e que sempre desdenhou as mulheres, chegando ao cúmulo de dizer que uma deputada "não merecia" ser estuprada. Sem falar de outras incalculáveis asneiras machistas ditas pelo Bolsomonstro que deixaram claríssima sua aversão grotesca por mulheres. Em contraste com as falas misóginas do mentecapto da extrema-direita, ontem, em um pronunciamento, o presidente Lula mostrou, entre outras coisas, a importância de combater a violência de gênero e de valorizar a força de trabalho das mulheres. Para mim, pelo menos, a diferença entre Lula e os Bolsonaros quando se trata de respeito às mulheres é abissal.

Enfim, a gente sabe que existe um sentimento antipetista muito forte especialmente dentro da classe média, mas considerar seriamente o voto num sujeito envolvido em vários escândalos e que é filho de um corrupto, golpista, sexista e genocida da pandemia é irracional – especialmente partindo de alguém do sexo feminino. A direita brasileira precisa se reinventar, do contrário, o Brasil será um eterno refém de políticos arruaceiros e oportunistas que surfam na onda do fascismo. O Brasil precisa de um projeto de construção, mas o fascismo tupiniquim, infelizmente, só tem projeto de destruição. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O futuro do capitalismo é totalmente cyberpunk


Quem conhece o universo distópico criado por Mike Pondsmith já entendeu que a franquia Cyberpunk trata de uma sociedade à beira do colapso devido a um capitalismo sem controle. Violência, criminalidade, drogas, vício, desigualdade, poluição, destruição da natureza, colonialismo corporativo e desesperança fazem parte de um futuro onde a tecnologia de implantes cibernéticos roubou o que restou de humanidade das pessoas. Um ultra capitalismo tecnológico com Estado mínimo onde as megacorporações fazem guerra armada entre si só mostra a monstruosidade de um mundo onde o lucro está acima de tudo. O anime Cyberpunk Edgerunners e o game Cyberpunk 2077 mostram a corrupção, a brutalidade e o fetiche pelo cromo como protagonistas da cidade de Night City. Ninguém naquela cidade é verdadeiramente livre ou feliz, porque as corporações roubaram os sonhos e as esperanças das pessoas, jogando-as num pesadelo que pode terminar a qualquer momento seja em um apocalipse tecnológico causado por IAs maléficas que estão além da Barreira Negra, ou em uma guerra nuclear entre as megacorporações armamentistas. Não há bom presságio em Night City.

Não há esperança em um mundo sem futuro.


O mais interessante é que essas semelhanças com o mundo real não são mera coincidência. Pondsmith, como gênio literário, nos apresenta uma visão do futuro de um mundo capitalista. E não há qualquer possibilidade do futuro do capitalismo ser bom, mesmo numa perspectiva otimista. Se não abrirmos os nossos olhos e lutarmos contra esse sistema, mais em breve do que imaginamos iremos entrar numa realidade igual ou pior. O que a distopia grita o tempo todo é um óbvio "não há futuro no capitalismo". Isso porque o capitalismo torna as pessoas racistas, egoístas e corruptas. O senso de coletividade neste sistema é destruído e as pessoas passam a buscar poder, status, materialismo e sucesso individual a qualquer custo. Os nossos semelhantes tornam-se degraus para serem pisados e peões para serem explorados. Somos desumanizados e vistos como meros objetos utilitários para os que almejam o poder. Só no capitalismo a ideia de que "quem não rouba é otário" pode fazer algum sentido. 

Quem não for capaz de compreender isso será como um gado feliz indo direto para o abatedouro. E quando for tarde demais lembre-se: Cyberpunk avisou...


O futuro do capitalismo é o fim de todos nós.


domingo, 8 de fevereiro de 2026

Você sabe quem realmente inventou o avião?


Em todos os lugares do mundo, exceto no Brasil, quem recebe o título pela invenção do avião são os irmãos Wilbur e Orville Wright que realizaram o primeiro voo controlado, motorizado e sustentado de um avião mais pesado que o ar em 17 de dezembro de 1903. Até aí estaria tudo bem se não fosse por um cara chamado Alberto Santos Dumont que realizou o primeiro voo sem auxílio de rampas, ventos ou catapultas em 23 de outubro de 1906. No Brasil, Santos Dumont é o pai da aviação por, entre outros argumentos, ele ter nascido no Brasil. Mas então, quem realmente inventou o avião? Irmãos Wright ou Santos Dumont? E a resposta surpreendente é: nenhum deles! Quem inventou o avião foi um gênio italiano chamado Leonardo di Ser Piero da Vinci, ou, simplesmente, Leonardo da Vinci. Calma que eu explico o porquê.

O verdadeiro pai da aviação.


Quando falamos de invenção em termos acadêmicos modernos, falamos de projeto e não necessariamente de construção. Design é projeto e o designer é o profissional que realiza o projeto. E os primeiros projetos de protótipos funcionais de aeronaves foram criados por Leonardo da Vinci entre 1480 e 1505. Esses objetos voadores conhecidos como "aeroplanos" foram fruto de bastante estudo por parte de Leonardo da Vinci (especialmente na biônica e aerodinâmica das aves) e culminaram, entre diversos protótipos, no ornitóptero, que funcionava batendo as asas como os pássaros. O mais interessante é que testes práticos sérios realizados por cientistas e engenheiros no século XXI usando os projetos originais de da Vinci fizeram os protótipos voarem de verdade. Isso quer dizer então que o primeiro projeto de avião (ou aeródino) que voava de verdade foi feito no início do século XVI pelo polímata e gênio Leonardo da Vinci, e não pelos construtores dos aviões modernos quatro séculos depois. Os irmãos Wright e Santos Dumont foram geniais e modernizaram algo que já tinha sido inventado antes, realizando um voo tripulado, mas quem realmente inventou o avião primeiro foi Leonardo da Vinci.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A violência contra os animais precisa ser combatida


Nenhum animal merece sofrer. Muito menos aqueles que são incapazes de fazer qualquer mal contra alguém e que são leais e companheiros até a morte. Animais de estimação são anjos da guarda. Eles nos protegem, nos guiam, nos trazem companhia, nos ensinam a amar incondicionalmente, nos tratam como melhores amigos, nos dão carinho... Pessoas que não gostam de cães e gatos – excetuando-se por razões de traumas ou fobias – não têm ideia do quanto é linda e engrandecedora uma relação de carinho entre humanos e animais. Infelizmente, como todos já sabem, o cãozinho Orelha se despediu deste mundo de forma trágica, cruel e covarde. Mesmo que não sejam punidos, os jovens que o torturaram e tiraram a sua vida carregarão para sempre ou o remorso, ou o rótulo de covardes: de pessoas sem empatia que representam perigo para a sociedade. Não acredito na justiça humana e muito menos na "divina". Mas acho que toda ação gera uma reação e tudo que fazemos de bom ou de mau para os outros voltará para nós mesmos de alguma forma. Não estou desejando mal algum aos rapazes que cometeram tal crueldade, mas, gostando ou não, a vida costuma dar troco. Afinal, quem vai querer conviver com pessoas que espancaram brutalmente um ser indefeso? Eu poderia até apelar para o uso político do caso (como alguns colegas já fizeram na web), dizendo que Santa Catarina – estado com mais fascistas por metro quadrado do Brasil – fomenta a falta de empatia graças a extrema-direita que cresce por lá. Mas a coisa vai além. Violência contra animais é algo que ocorre diariamente em todo Brasil e não apenas em estados tomados pelo fascismo.

Na época que eu tinha redes sociais, eu me lembro que seguia uma página no Instagram que mostrava o trabalho de um grupo de voluntários que resgatava cães e gatos em situações de abandono e maus-tratos na minha cidade. E a quantidade animais que eles resgatavam vítimas de toda forma de violência era revoltante. É surreal a quantidade de animais domésticos que são torturados, espancados e assassinados de tudo quanto é jeito diariamente. Eu espero que o caso do cão Orelha sirva de símbolo na luta contra essa violência cotidiana contra os animais. É preciso ser mais duro com quem pratica essas atrocidades contra os bichos. Ainda que a maioria dessas violências seja feita por crianças e adolescentes, algo precisa ser feito. Isso porque eu nem mencionei a violência legalizada e sistematizada contra outros animais em abatedouros e frigoríficos. Aves, bovinos, suínos e peixes são mortos todos dias em condições que nem podemos imaginar. Fora outras bizarrices como brigas de galo, rinhas com cães, vaquejadas e até formas cruéis envolvendo veículos de tração animal que são casos descarados de violência que ocorrem em plena luz do dia.

Há muito o que ser feito. Espero que outros Orelhas não precisem passar por isso novamente até que algo seja feito em defesa de suas vidas.