 |
| Mulheres lutando por seus direitos |
Nesse dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, eu resolvi publicar um post sobre a importância das mulheres lutarem pelos seus direitos. Porém, após uma pesquisa na internet, eu fiquei extremamente indignado com o que as mulheres sofrem apenas por serem mulheres. É revoltante toda a violência, preconceito e machismo ao qual as nossas meninas são submetidas nesse mundo. Neste post eu vou desmistificar a ideia do sexo frágil e também enfantizar a luta por uma vida digna para as mulheres.
O sexo frágil
As mulheres receberam ao longo da história o rótulo pejorativo de "sexo frágil" por não possuírem a mesma força física dos homens, por não caçarem animais selvagens e por possuírem maior empatia e sensibilidade. Na verdade, esse rótulo só cabe às mulheres numa sociedade machista. Pense bem:
sofrer cólicas, sofrer TPM, aguentar nove meses de gestação, dar a luz, cuidar dos filhos em jornadas duplas de trabalho e ainda sobreviver a tudo isso não é para os fracos. Esse rótulo de fragilidade não apenas é machista como também é injusto, uma vez ele minimiza e desconsidera o sofrimento feminino. É preciso ser muito ingênuo para considerar alguém como sendo forte apenas pela sua massa muscular, ignorando assim os atributos emocionais, psicológicos, intelectuais e sociais. E o grande problema dos rótulos é que além deles serem quase sempre injustos, eles servem mais para segregar do que para unir as pessoas.
Quem é o sexo forte
 |
| Cada mulher tem a sua própria beleza |
Se alguém tivesse que receber o rótulo de sexo forte, esse rótulo caberia às mulheres. Isso porque as mulheres sofrem de tudo: violência, machismo, traição, recebem menos que os homens, são criminalizadas quando abortam, são tratadas como objeto e muitas vezes suportam tudo isso caladas: um sofrimento silencioso que destrói a autoestima e que não é compartilhado com mais ninguém. Além disso, as mulheres também estão sujeitas a rituais de beleza cruéis, como argolas para estender o pescoço, sapatos que esmagam os pés, sessões dolorosas de depilação, espartilhos apertadíssimos, dietas perigosas para emagrecer e até o extirpamento de costelas para parecerem mais magras.
A frustração e o sofrimento oriundos desses rituais de beleza juntamente com todo o sofrimento e humilhação social a que as mulheres são submetidas traz diversos males psicossomáticos, tais como depressão, insônia, fibromialgia, enxaquecas e constipações que tornam a vida das mulheres ainda mais difícil e dolorosa.
Sobreviver a tudo isso e ainda ter que trabalhar, cuidar dos filhos e aguentar assédios é, para mim,
uma prova mais do que suficiente de que as mulheres são extremamente fortes por natureza, talvez bem mais que os homens.
 |
| Sexo forte ou sexo covarde? |
Conquistas femininas
O que realmente me impressiona é que apesar de terem sido massacradas, perseguidas e cerceadas durante praticamente toda a história, as mulheres conquistaram pouco a pouco direitos e cargos que tradicionalmente foram negados a elas, tais como o direito de votar, o direito de estudar, o direito de trabalhar fora, o direito de dirigir, o direito de se vestirem livremente, o direito de ocupar cargos públicos, etc. O que eu me pergunto é como é que podem rotular de "sexo frágil" esses seres que, apesar de todo o sofrimento a que são submetidos, lutam com bravura e persistência para terem melhores condições de vida.
O que mais parece é que há um medo crescente de muitos homens, especialmente os mais conservadores, de terem de competir com pessoas bem mais fortes que eles.
A luta pela igualdade
Apesar de todas as conquistas femininas neste último século, a luta pela igualdade de direitos apenas começou. Ainda há muito por ser conquistado para que possamos ter um mundo mais justo para todos os seres humanos. E parafraseando o humanista Martin Luther King, eu diria que eu tenho um sonho: Eu tenho um sonho de que as minhas filhas e netas um dia viverão numa nação onde não serão julgadas pelo seu sexo, mas sim pelo conteúdo de seu caráter e pela sua competência.
Motivos pelos quais as mulheres devem continuar lutando por seus direitos:
Para não serem mais torturadas e assassinadas por bruxaria
Durante a Idade Média, o
Martelo das Bruxas (
Malleus Maleficarum) pregava a violência, a tortura e a morte contra as mulheres que fossem suspeitas de bruxaria.
O Martelo das Bruxas: documentário do National Geografic
Para que não sofram mais mutilações genitais
Em muitos países africanos, as meninas têm o clitóris extirpado para que tenham sua sexualidade manipulada.
Excisão: A mutilação da Mulher
Para que não tenham mais o rosto desfigurado por ácido
Mulheres paquistanesas são atacadas por homens com ácido sulfúrico no rosto apenas por dizerem
não a eles.
Mulheres paquistanesas desfiguradas
Vítimas da honra
Para que o estupro não seja admito pelas leis
Existem países cujo Estado consente com a prática do estupro, tratando essa forma de violência extrema contra a mulher como algo aceitável.
A lei do estupro
Mitos e fatos sobre a violência sexual
Para que não tenham vergonha do seu corpo
Ter vergonha do próprio corpo prejudica a autoestima e a vida sexual.
Como não ter vergonha do próprio corpo
Para que não casem mais contra a própria vontade
Em vários países as mulheres são literalmente vendidas para casarem com um homem.
Adolescente é morta por recusar casamento forçado em Guiné-Bissau
Para que não sejam perseguidas e agredidas pelos seus companheiros
A cada 15 segundos uma mulher é espancada por homem apenas no Brasil.
Sobre a violência contra as mulheres
Violência à mulher no mundo
Para que tenham o direito à saúde pública
O aborto clandestino é responsável por mortes e sequelas graves em mulheres que não têm o direito de realizar esse procedimento de forma segura.
Abortos resultam em 10% dos casos de mortes maternas
Para que possam receber um salário igual ao dos homens
As mulheres recebem em média 26% menos que os homens ocupando exatamente o mesmo cargo.
Mulheres ganham bem menos que os homens
A luta continua...
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons"
(Martin Luther King)