quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Sonic foi o herói da minha vida


Confesso sem pudor: sempre fui um escapista. Durante toda a minha existência, eu sempre criei realidades paralelas na minha mente para onde eu podia fugir e me regenerar das intempéries da vida. Durante a minha infância, o meu refúgio mágico era nas ilhas onde o Sonic morava e vivia suas aventuras. Sonic era o meu herói de infância e, por isso, ele acabou virando também uma espécie de amigo imaginário meu com quem eu podia brincar e me divertir numa época onde quase não tinha amigos e me sentia muito sozinho. Até aí tudo bem, porque é normal que crianças tenham companheiros dos folguedos criados em suas férteis imaginações.

Nem Bolsonaro, nem Lula: Sonic é o meu herói!

O problema é que hoje não sou mais uma criança, mas voltei a sentir necessidade de escapismo diante dessa nossa realidade adversa. É inflação, desemprego, violência, solidão, medo, incerteza, apatia, desesperança... Num dia desses, ao invés de adotar escapismos de adultos e cair em vícios como cigarro, bebida ou drogas, preferi recordar dos bons momentos que vivenciei na minha imaginação quando era criança. Deu até um pouco de alívio e nostalgia. Às vezes, penso que sonhar é melhor que viver, afinal de contas, no sonho tudo é perfeito e nada sai do controle. Acontece que meus sonhos hoje não são mais tão infantis e egocêntricos quanto eram nos tempos de criança. Hoje, eu sonho com sistemas melhores, com estruturas sociais melhores, com pessoas sendo mais felizes, com contatos com civilizações alienígenas que nos ajudem a ser melhores... E é nisso que me apego: na capacidade de tentar transformar meus sonhos em realidade, mesmo que a passos de formiguinha. Mas eu jamais teria essa capacidade se não tivesse aprendido a sonhar antes ao lado do bom e velho porco-espinho azul que entretinha meus finais de semana no Mega Drive. E pensando melhor, essa coisa de devanear foi que me manteve longe da necessidade de recorrer a vícios como forma de fugir dessa realidade opressora que sempre me importunou ao longo da vida. E eu não seria justo se não reconhecesse que isso ocorreu, de certa forma, graças ao Sonic.

Então, meu muito obrigado, Sonic! Valeu, camarada!

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

A candidatura de Moro é uma obscenidade


A filiação do ex-juiz Sérgio Moro ao Podemos com a intenção de concorrer à presidência da República em 2022 é uma das coisas mais tragicômicas que ocorreram desde que ele virou ministro do inominável após ajudar a elegê-lo com a prisão política do ex-presidente Lula. É trágico porque é imoral que um ex-juiz parcial, traidor da pátria, lacaio dos EUA, responsável pela quebra de nossas empresas de engenharia e marionete da imprensa golpista concorra a um cargo público. E é cômico porque ele não vai nem chegar perto do segundo turno. Enquanto a direita está dividida entre o inominável e o candidato da terceira via, a esquerda se foca toda no PT. Fora que pelas pesquisas, o marreco ex-juiz tem chances mínimas de chegar nos dois dígitos nas intenções de voto. A candidatura dele será, quem diria, de grande ajuda para dividir ainda mais a direita e os reaças.

Vai confiando para ver onde vai dar...

A nossa imprensa corporativa nunca escondeu o seu lado.

Se o Brasil fosse um país sério, o lugar desse ex-juiz não seria outro senão o xilindró. Mas vendo pelo lado bom, será de lavar a alma ver ele ser atropelado e desmoralizado pelo Lula nas eleições do ano que vem.

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Todo mundo é o super-herói da vida de alguém

 

Uma das coisas que mais me ajuda quando estou meio deprê é me lembrar que todos nós somos super-heróis da vida de alguém. Eu, você e todos os seres humanos foram, são ou serão vistos por alguém como um super-herói. Cada um de nós é importante ou indispensável para vida de alguém, mesmo que seja para um bichinho de estimação. Se você acha que não é herói ou heroína da vida de ninguém, então tente se tornar um(a). Doe algo, ajude alguém, ofereça palavras de conforto, faça pessoas sorrirem, adote um animal de rua, torne-se importante e inesquecível para, pelo menos, um alguém. 

Lembro que, há alguns anos atrás, eu vi uma reportagem sobre a morte de um traficante que faleceu durante uma troca de tiros com a polícia. Apesar das pessoas considerarem o traficante morto como um homem mau e perigoso, o cãozinho de estimação dele não saia do lado do corpo de jeito nenhum. E mais que isso, o cachorro do traficante deu aqueles latidos de choro quando o corpo foi retirado para ser colocado no carro do IML. Foi uma cena tão triste que eu fiquei até emocionado. Vocês sabem que animais de estimação não fingem sentimentos, então, de certa forma, o tal homem mau deve ter sido importante para ele; um verdadeiro super-herói.

Então se até pessoas supostamente "sem qualidades" são amadas e admiradas por outras, por que você também não pode ser? Você que está com o ânimo para baixo, lembre-se que você é muito maior e mais importante do que pode imaginar.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Sempre fui da turma do fundão


Nos meus tempos de escola, eu sempre fui um aluno quieto, calado e introvertido. Devido a minha timidez, também sempre tive dificuldade de me enturmar com os colegas. Porém, o que me tornou uma pessoa um pouco mais sociável foi quando tomei a decisão de parar de sentar nas primeiras bancas para ir me acomodar lá no fundo da sala de aula. Essa decisão mudou minha vida. Isso porque o pessoal que se sentava lá na frente, perto dos professores, geralmente era um pessoal mais CDF, mais chato, mais arrogante, mais mente fechada, mais sem sal e menos carismático. Perto deles, eu me sentia muito isolado e até intimidado, uma vez que nunca conseguia tirar notas tão boas quanto as deles. Mas quando me sentei lá no fundão foi quando realmente descobri a minha turma. 

A turma do fundão era bastante heterogênea, animada, bagunceira, brincalhona, mente aberta, não levava as coisas muito a sério e conseguia fazer com que eu me enturmasse mais facilmente. Apesar de lá trás também ter uma galera meia barra pesada, eu sempre lidei bem até com eles. Acho, inclusive, que só consegui sobreviver ao ensino fundamental e médio graças a essa galerinha do barulho lá do fundo da sala de aula. Alguns professores até me aconselharam a deixar de sentar lá trás, mas eu, simplesmente, não conseguia deixar a minha "tribo" para trás. Claro que isso me trouxe algumas consequências nefastas, como ter sido expulso da sala de aula algumas vezes pelo simples fato de estar perto da turma da bagunça e ter matado algumas aulas importantes. É bom que se diga que eu nunca deixei de ser calado, tímido e introspectivo mesmo sentado ao lado dos bagunceiros. Mas a minha vida escolar foi muito mais divertida graças a essa galera. Foi graças àquele povo do fundão que comecei a ouvir e a amar rock de verdade, que aprendi muitas coisas para a vida, que construí minha base política-ideológica e que fiz amizades que duram até hoje. 

Enfim, valeu aí, galera do fundão!

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Ou salvamos o capitalismo, ou salvamos o mundo


Não adianta tentar criar paliativos na vã tentativa de conciliar capitalismo com preservação ambiental. Isso é impossível, porque o sistema capitalista exige um crescimento infinito do uso de recursos naturais. Um sistema que polui, desmata, explora, extingue, destrói e cria desigualdades criminosas não tem nenhuma chance de funcionar no longo prazo. Precisamos acabar com o capitalismo antes que ele acabe conosco. Se não adotarmos uma economia baseada em recursos ou um modo de produção sustentável, jamais alcançaremos a tão sonhada cidadania cósmica reservada às raras civilizações tecnocientíficas que, porventura, consigam atravessar o Grande Filtro do Paradoxo de Fermi. E esse alerta não é alarmismo. Se a coisa continuar como está, há o risco de, em menos de meio século, ocorrer um colapso ambiental irreversível, resultando na extinção de várias espécies, entre elas, a humana.

E então, quem iremos salvar: o capitalismo ou o planeta?