O estelionato eleitoral do presidente norte-americano Donald Trump causou uma reação democrata acachapante nas urnas nessas eleições de 2026. Trump não acabou com as guerras como havia prometido, muito pelo contrário: começou uma guerra contra o Irã. Prometeu melhorar a qualidade de vida do povo americano, mas elevou a inflação com as guerras e o tarifaço. E a segurança que prometeu com os imigrantes acabou virando motivo de horror e revolta com o ICE. Tudo isso fez a popularidade de Trump descer ladeira abaixo e o resultado foi que os democratas passaram a ser grande maioria no legislativo e venceram eleições importantes para governadores. Parece que o "efeito Lula" mexeu com o resto do mundo a ponto de fazer um Estado conservador como o Texas escolher Gina Hinojosa, uma democrata de origem latina, como governadora e o James Talarico como primeiro nome democrata ao senado no Estado desde os anos 1980. Sem falar da eleição do Abdul El-Sayed que tornou-se o primeiro muçulmano eleito para o senado dos Estados Unidos e também a primeira governadora negra da história dos EUA, a Keisha Lance Bottoms, do Estado da Geórgia. Parece que um verdadeiro tsunami Democrata varreu os EUA de uma costa a outra nessas eleições trazendo uma vitória do multiculturalismo e de políticas públicas mais inclusivas. Apesar do partido Democrata ser uma direita disfarçada de esquerda progressista, ele se mostra historicamente mais competente em lidar com as diferenças e conflitos ideológicos.
Esse resultado serve para mostrar que por mais dinheiro e recursos que a extrema-direita tenha, ela não pode coagir os eleitores quando eles se politizam e se organizam. As pessoas precisam parar de achar que político é tudo igual e que os problemas não têm solução. A solução para a maioria dos problemas comuns a todos nós passa obrigatoriamente pela política. Tentar ser neutro ou apolítico em momentos de crise é que permite que figuras abjetas cheguem ao poder. Tanto a eleição presidencial brasileira quanto essas eleições norte-americanas são resultado de um aumento da politização das pessoas. O fascismo só cresce quando o inconformismo se une com a ignorância. É por isso que politizar as pessoas e fazê-las ter consciência de classe é um ato de amor ao próximo. Não foi à toa que o teólogo Frei Betto disse certa vez que o socialismo é nome político do amor.

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