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quinta-feira, 11 de maio de 2017

A necessidade de se mentir sobre Cuba e o socialismo


Existem basicamente dois tipos de pessoas que abominam Cuba, Coreia do Norte e Venezuela. O primeiro tipo é o sujeito que tem a propriedade privada dos grandes meios de produção e que sabe como realmente são esses países "socialistas". Já o segundo tipo é massa de manobra do primeiro, também conhecido como "pobre de direita". Eu separei esses dois grandes grupos para facilitar o raciocínio que irei desenvolver a seguir.


Na cultura popular e no senso comum da maioria dos países capitalistas, Cuba é visto como um país miserável, injusto, sem liberdade e controlado por uma "ditadura comunista". Segundo esse senso comum, em Cuba falta comida, faltam remédios, tudo é atrasado e o povo vive desesperado para fugir de lá a qualquer custo. O problema desse senso comum é que ele foi construído intencionalmente e mantido vivo por décadas pela imprensa burguesa que é financiada justamente pelo primeiro grupo que citei na introdução lá em cima: os grandes capitalistas.
As elites econômicas sabem que Cuba é um país com um dos menores índices de mortalidade infantil do mundo, que Cuba tem uma educação pública excelente, que Cuba erradicou o analfabetismo, que Cuba tem uma saúde pública tão boa quanto a de países de primeiro mundo, que Cuba tem um sistema de eleição surpreendentemente mais democrático que o nosso, que em Cuba não há crianças morando na rua, que em Cuba os números de violência urbana são baixíssimos, etc, etc, etc... Mas essas elites, por puro reacionarismo, tentam esconder esses indicadores sociais dos nossos pobres cidadãos, mostrando só o lado ruim de Cuba. Então para conservar os seus privilégios, o seu sistema e a sua hegemonia, as classes dominantes precisaram manter os povos de seus países totalmente alienados sobre Cuba e conformados com as desgraças do capitalismo. E é justamente daí que nasce o pobre de direita, fruto de toda essa lavagem cerebral e alienação sobre como é qualquer outro país não-capitalista. A visão repulsiva de Cuba dentro do capitalismo é uma construção social – uma fábula astuciosa da plutocracia – baseada em mentiras e distorções para afastar o risco do socialismo.


A maioria das pessoas que odeiam Cuba, por incrível que pareça, nunca foram para Cuba para saber como as coisas realmente são por lá. Tudo que essas pessoas sabem sobre Cuba foi através de uma mídia tendenciosa que odeia Cuba e que tenta convencer o seu público a ter o mesmo sentimento. A visão errônea que os pobres de direita têm sobre Cuba – ou mesmo sobre a Venezuela – foi construída em cima de factoides frutos de uma mitologia burguesa enredada para afastar as pessoas de ideais revolucionários contra o sistema capitalista. Isso porque, além das mentiras midiáticas, oculta-se fatos que foram criminosamente criados para piorar a situação desses países "socialistas". Os exemplos disso são o embargo econômico contra Cuba e o confisco e retenção de produtos de primeiro uso na Venezuela por parte dos produtores privados como boicote ao governo de Nicolás Maduro. E o argumento mais usado contra Cuba, Coreia e Venezuela é sempre o da "falta de liberdade", como se existisse alguma liberdade no capitalismo quando você não tem dinheiro no bolso.
Enfim, os culpados para os nossos reaças não são o belicismo e o imperialismo ianque ou a desigualdade criminosa do capitalismo. Os culpados são sempre aqueles que libertaram seus povos da exploração, da desigualdade, da injustiça e do antipatriotismo. O ódio que vemos hoje contra o Lula é um exemplo claro disso.


Enfim, sempre que escrevo sobre esses países, aparecem trolls raivosos babando de ódio nos comentários. E eles são, inclusive, a prova de que a lavagem cerebral midiática e burguesa foi feita com muita eficiência. Ainda mais considerando o passado autoritário, escravista e elitista que tivemos neste país para reforçar todo esse ódio contra ideologias igualitárias e progressistas que combatem a fome, a injustiça e a pobreza dos povos.
A internet brasileira, como já citei em outras postagem, infelizmente está repleta de gente que enlouquece de ódio diante de tudo que se posicione contra  ideologias neoliberais, fascistoides e perpetuadoras de desigualdades. Essas pessoas nunca serão capazes de compreender a importância da Revolução Cubana e como os guerrilheiros da Sierra Maestra, apoiados posteriormente pela URSS, transformaram um país miserável do Caribe em uma ilha de bem-estar social cercada por ameaças constantes por todos os lados. E, infelizmente, serão necessárias muitas décadas de luta pela democracia para mostrar que a ditadura burguesa, eufemisticamente chamada de "capitalismo", está muito longe de ser mais justa que o socialismo marxista ou que o socialismo de Estado cubano. Mas um dia a coisa há de melhorar.

E aí, vamos para Cuba?

sábado, 30 de setembro de 2017

Cuba é capitalista ou socialista?


Muita gente tem me perguntado o que Cuba é afinal de cotas. Cuba seria socialista ou capitalista? Qual seria o modo de produção cubano? Esse questionamento existe porque ainda há uma confusão muito grande sobre como Cuba funciona devido à forma distorcida como a nossa imprensa costuma tratar o país. Então vamos lá...

Cuba não é nem socialista e nem capitalista. Aí você se pergunta: "como assim?". E eu respondo: Cuba não se enquadra nem em um sistema propriamente dito e nem em outro. O que acontece em Cuba é algo único. Esse negócio de socialismo e capitalismo é uma falsa dicotomia herdada lá do século passado devido à Guerra Fria. No século XX, depois de 1959, Cuba, por estar ideologicamente próxima à URSS, era considerado um país socialista. Porém, hoje, num mundo despolarizado e monopolizado pelo capitalismo financeiro, Cuba é uma nação híbrida politicamente falando. Cuba está naquele estágio de transição do capitalismo para o socialismo (mais perto do socialismo do que do capitalismo). Daí que alguns autores se referem a Cuba como tendo um "capitalismo de Estado", outros como "socialismo cubano" e outros ainda como "socialismo de Estado". Eu, usualmente, prefiro o termo socialismo de Estado para se referir ao país, porque o socialismo cubano não tem a classe proletária como protagonista. Os meios de produção são propriedade do Estado que, apesar de simbolicamente pertencerem aos cubanos, na prática, quem os controla é a família Castro. E justamente devido a essa apropriação dos meios de produção pelo Estado, podemos dizer que Cuba está mais perto do socialismo de Estado do que do socialismo propriamente dito teorizado por Marx.
Já as características do capitalismo são muito minimizadas em Cuba. Apesar das recentes liberdades econômicas dadas aos cidadãos cubanos, lá você não tem aquelas mazelas típicas do capitalismo, como desigualdades abissais, a classe burguesa roubando a classe trabalhadora através da mais-valia, a escravidão do salário, o rentismo parasitário e nem a violência decorrente das injustiças sociais. Se Cuba não sofresse o embargo econômico criminoso imposto pelos Estados Unidos, hoje seria uma espécie de Suíça no meio do Caribe. E leia bem: talvez Cuba fosse um país capitalista hoje se não fosse pelo embargo, porque o bloqueio econômico fez Fidel Castro teimar ainda mais em manter o país sob o mesmo regime desde a Revolução.


Mas enfim, seja lá como você goste de se referir a Cuba, a única certeza que temos é que os pobres de lá vivem bem melhor que os pobres de cá. Pelo menos nisso os irmãos Castro acertaram.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Cuba não é o inferno que pintam por aí


Está na moda entre a classe média brasileira falar mal de Cuba devido ao seu sistema de governo diferente dos demais países dominados pela exploração capitalista. Após o pacto com a antiga URSS, Cuba fez a mudança mais importante de toda a sua história, o que causou um ódio sem precedentes da direita hidrófoba não só do Brasil, mas do mundo inteiro. E daí vieram as muitas mentiras contra Cuba e Fidel que duram até hoje. Essas mentiras viraram verdades dentro do senso comum devido à repetição exaustiva das mesmas por jornalistas jornazistas da mídia mainstream que usaram a tática nazista de repetir mentiras até torná-las verdades absolutas.
Dizem, por exemplo, que em Cuba não há liberdade; mas que liberdade nós temos no capitalismo se não tivermos dinheiro no bolso? Dizem que Cuba é uma ditadura; mas ninguém admite que o Brasil é uma pseudo democracia onde a plutocracia controla a mídia, a política e a justiça. Dizem que em Cuba as pessoas são miseráveis; mas ignoram completamente os milhões de esfomeados, desabrigados, sem terra, sem teto e miseráveis do nosso país. Dizem que o sistema de saúde cubano é ruim; enquanto que no sistema privado de saúde no Brasil temos que enfrentar a burocracia, o mal atendimento, os preços absurdos e a ganância dos donos dos de planos de saúde – fora o lobby que é feito por esses mesmos planos para sucatear ainda mais a saúde pública. Dizem que o sistema de ensino cubano é ineficaz, mas Cuba coloca mais pessoas na faculdade que o Brasil. E dizem e continuarão a dizer muitas outras mentiras sobre Cuba, porque, lá no fundo, sabem que não têm argumentos racionais para desmentir os indicadores sociais da ilha caribenha.

Fidel Castro antes de se tornar o ícone da Revolução cubana

Enfim, dizem que Cuba é um inferno na Terra, mas se esquecem que para os pobres do Brasil, a realidade cubana é muito mais justa e humana que a nossa. Esses reacionários que difamam Cuba preferem viver em um país de desigualdades e incertezas, do que admitir que o modelo cubano supera o brasileiro em muitos aspectos. Isso sem mencionar que lá em Cuba não há Globo, Fiesp, rentistas, latifundiários, banqueiros corruptos e multinacionais para dar golpes de Estado e ir contra os interesses do próprio país e do próprio povo. Vai ver se em Cuba há ataques às leis trabalhistas, ataques contra a previdência social, limite criminoso de investimentos em saúde e educação ou reformas retrógradas no ensino gratuito.

Alguém já viu algum presidente doando sangue para um país estrangeiro?

Quanto ao Fidel Castro, ele foi um humanista que acolheu o movimento negro dos EUA, ajudou na luta contra o apartheid, ajudou a libertar outros países da opressão de suas elites individualistas, ajudou outras nações que passaram por tragédias (o desastre nuclear de Chernobyl e os terremotos no Peru) e enviou médicos para ajudar outros países. Quanto aos EUA, as únicas coisas que fizeram sobre Cuba foi impor o covarde embargo econômico e tentar matar o líder cubanos mais de 600 vezes. Só aí você vê o nível de diferença entre o país ideal dos coxinhas e a ilha caribenha. Isso porque eu nem vou mencionar a exploração, desigualdade e pobreza que há nos EUA. Um país que trata a saúde como mercadoria não deveria servir de modelo para ninguém. Ter que vender sua própria casa para pagar o tratamento de câncer do seu filho é um insulto ao bom senso. E depois vem essa gente desinformada dizer asneiras sobre Cuba.


Para terminar, a seguir vou deixar alguns vídeos da página Nossa Época que provam que Fidel Castro foi um comandante que lutou bravamente não apenas pelos cubanos, mas por todos os povos que contaram com sua solidariedade e seu humanismo.

Sobre o sistema de saúde cubano
Sobre a qualidade de vida cubana

Fidel foi um Davi contra um Golias

Fidel e o movimento negro

Cuba recebeu e tratou gratuitamente as crianças vítimas do acidente nuclear de Chernobyl

PIG argentino sendo desmentido ao vivo por um cubano

Hasta la victoria siempre!

Fontes:
Como vivem os cubanos
Sobre a previdência e a justiça cubana

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Guest post: A importância da vitória castrista em Cuba


Em uma pergunta postada há sete anos no Yahoo Respostas sobre viagens dos EUA para Cuba e vice-versa, uma das respostas me chamou atenção por sua profundidade, lucidez e clareza. Um dos usuários fez uma longa explanação, refletindo sobre a situação de Cuba e derrubando muitos mitos sobre o país. Claro que as coisas hoje são diferentes, uma vez que o governo Cubano passou a permitir legalmente viagens dos cubanos para o exterior. Porém, a resposta do cidadão foi tão cheia de informações, que me senti na obrigação de copiá-la para este blog.

A resposta dele segue abaixo, na íntegra, em azul:
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"O Jornal Nacional exibiu há pouco tempo uma reportagem sobre um eventual crescimento dos cubanos que fogem de barco para os Estados Unidos. Passei da fase de defender Cuba. Esse tema sempre atiça como nenhum outro os hidrófobos da direita e ninguém merece perder tempo discutindo com esse tipo de gente. Mas outro dia li uma matéria que me emocionou: Cuba já curou mais de 1 milhão de cegos, através do programa Milagro, pelo qual o sistema de saúde cubano trata pessoas com problemas de vista de todo mundo.

Como dependo visceralmente dos meus olhos, tenho um apreço místico pelo poder da visão, que considero prova de uma inteligência superior regendo o universo. Um país tão pobre, tão pequeno, que ajuda tanta gente, a baixo custo ou mesmo custo zero, é mais uma prova da imensa dignidade do povo cubano. Por isso, gostaria de fazer algumas observações sobre essa tendenciosa reportagem do Globo, muito provavelmente cópia de alguma matéria patrocinada pelo lobby americano, o qual inclusive deve ter fornecido as imagens usadas na reportagem.

Acho que nenhum país deve proibir seus cidadãos de saírem do país. Essa proibição é controversa e relativa, pois que os cubanos podem visitar outros países, desde que convidados. Por outro lado, a reportagem do Globo é mentirosa por diversas razões. Primeiramente, não diz que uma das razões que tornam a vida em Cuba tão difícil (talvez a principal razão) é justamente o embargo econômico imposto pelo governo americano, que proíbe empresas americanas ou com negócios nos EUA de investirem na ilha. Os próprios americanos são proibidos de fazerem turismo na ilha - quando o fazem são obrigados a viajarem por México ou Canadá e com risco de serem multados ou processados. Sendo a potência que é, não é difícil imaginar que poucas empresas têm condições de enfrentar esse embargo desumano, rechaçado sistematicamente por 99% das nações do mundo, sempre que o tema é levado para as Nações Unidas.

Além disso, é preciso observar que os cidadãos de todos os países caribenhos querem ingressar nos EUA, por razões óbvias: é um país com uma economia gigantesca, com quase infinita disponibilidade de empregos, em contraponto às economias pobres da América Central. E Cuba é uma economia pobre, apesar dos avanços em medicina, educação e esportes. Cuba tem pouquíssimos recursos naturais e baixo desenvolvimento industrial. De maneira que, mesmo que o regime cubano liberasse o ir e vir de seus habitantes, essa diáspora continuaria a acontecer. A ironia da história é que, possivelmente, assim que Cuba liberar o ir e vir, os EUA irão iniciar uma repressão mais severa contra a entrada de imigrantes cubanos no país.

Há um fator histórico que as pessoas costumam esquecer quando analisam o fenômeno Cuba. Quem derrubou o regime democrático cubano não foram os guerrilheiros castristas. Ao contrário, Fidel Castro e os cubanos eram defensores da democracia. Antes de se tornar guerrilheiro, Fidel, assim como tantos outros, era um estudante com aspirações políticas totalmente democráticas. Quem derrubou a democracia em Cuba foi Fulgêncio Batista, em 1952, com ajuda militar e financeira direta do governo dos Estados Unidos. Os guerrilheiros castristas, portanto, lutavam contra uma DITADURA, que já durava quase uma década.

Outros governos democráticos, eleitos pelo sufrágio popular, foram derrubados com ajuda americana nos vinte anos seguintes. Salvador Allende, presidente ELEITO do Chile, foi assassinado em 1973, enquanto ocupava a presidência da república, por caças americanos que bombardearam o palácio de governo. Aqui no Brasil, o regime democrático foi derrubado por militares mancomunados com a política externa americana. Ou seja, quem tem sido, nas últimas décadas, o maior inimigo da democracia na América Latina: Cuba ou os Estados Unidos? Cuba nunca derrubou regimes democráticos latinos. No máximo, ajudou, desastradamente, com os recursos ínfimos que possuía, a restaurar a democracia em países como Brasil e Chile.

Cuba tem seus problemas. São sérios. Tem suas contradições. Que são graves. Mas que país não as têm? A Arábia Saudita também não tem democracia e as autoridades americanas são só elogios para seus príncipes. Por quase três décadas, os EUA foram cúmplices de ditaduras militares na América Latina. Por três décadas, colaboraram com a derrubada de regimes democráticos. Essa é a verdade. Devido a sua fragilidade militar e instabilidade política, a democracia nos países caribenhos nunca inspirou confiança ou trouxe bem estar para seus habitantes. Não esqueçam que os EUA não apenas colaborou com a derrubada de governos democráticos, como intervinha nos processos eleitorais. E assim esses países foram devastados por décadas de tortura, totalitarismo e miséria. Portanto, temos uma explicação muito consistente para a desconfiança de Fidel Castro em relação às maravilhas da democracia.

Cuba tem seus problemas, sim. Eu não gostaria de nascer em Cuba. Mas queria muito menos nascer no Haiti. Também não queria nascer no Complexo do Alemão, nem na favela da Maré. Cuba tem seus problemas, mas também tem soluções, cineastas, músicos, atletas, intelectuais e muita dignidade. Se os atletas cubanos querem fugir do país, é um problema decorrente da superpopulação de talentos, resultado por sua vez de uma educação exemplar. Como explicar que Cuba ganhe campeonatos contra os EUA, que obtenha mais medalhas de ouro que países como Brasil e Argentina, que possuem populações e PIBs cinquenta vezes maiores?

Os hidrófobos da direita brasileira podem continuar babando seu ódio contra a pequena ilha caribenha, mas quem estuda a história política da América Latina sempre saberá avaliar a importância da vitória da revolução castrista sobre a ditadura de Fulgêncio Batista."



Fonte.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Vai pra Cuba, esquerdomacho!


Algumas exaltadas da ala feminista têm a mania de me xingarem de "esquerdomacho" sem qualquer conhecimento de causa. E é possível que façam isso novamente nas redes sociais por causa deste post. Mas não é para elas que eu escrevo este post. Este post vai para os homens machistas de esquerda propriamente ditos, os tais "esquerdomachos de verdade", que são aqueles que querem o fim das desigualdades econômicas e sociais, mas continuam fechando os olhos para as pautas feministas – isso quando não fazem coisa pior, como abraçar a misoginia ou bater na própria companheira. O que eu tenho para dizer para esses pirocos sexistas, quem diria, é um "insulto" muito usado pelos liberais e direitistas em geral contra esquerda: VAI PRA CUBA! Isso mesmo: vai pra Cuba, machista de esquerda! Se você acha que o socialismo defende coisas como a heteronormatividade, o machismo e a exclusão das mulheres da vida pública, o melhor lugar para você virar um socialista de verdade é em Cuba. Vai pra lá e só volte quando se curar dos seus preconceitos.



Se você duvida que Cuba é um dos países menos machistas do mundo, saca só o que rola por lá:

1. Desde o triunfo da Revolução em 1959, o Estado cubano tem feito da emancipação da mulher uma de suas prioridades, com a criação, em agosto de 1960, da Federação de Mulheres Cubanas (FMC), fundada por Vilma Espín, que conta hoje com mais de 4 milhões de membros.

2. Antes de 1959, as mulheres representavam apenas 12% da população ativa e recebiam uma remuneração inferior à dos homens por um emprego equivalente.

3. Hoje, a legislação cubana impõe que o salário da mulher, pela mesma função, seja exatamente igual ao do homem.

4. Cuba é o primeiro país do mundo a assinar a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, e o segundo em ratificá-la.

5. Dos 31 membros do Conselho de Estado cubano, 13 são mulheres, ou seja, 41,9%.

6. Há 8 mulheres ministras em um total de 34, ou seja, 23,5%.

7. No Parlamento cubano, dos 612 deputados, 299 são mulheres, ou seja, 48,66%.

8. Cuba ocupa o terceiro lugar mundial na porcentagem de mulheres deputadas. Os Estados Unidos ocupam o 80º.

9. María Mari Machado, mulher, ocupa a vice-presidência do Parlamento cubano.

10. Dos 1268 eleitos nas assembleias provinciais, 48,36% são mulheres.

11. As mulheres cubanas presidem 10 das 15 assembleias provinciais do país, ou seja, 66,6%, e ocupam a vice-presidência de 7 delas, 46,6%.

12.  Não existe nenhuma lei em Cuba que obrigue a paridade nos cargos políticos.

13. Dos 115 membros do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, 49 são mulheres, ou seja, 42,6%.

14. A secretária do Partido Comunista de Cuba para a província de Havana, a mais importante do país, é uma mulher negra que tem menos de 50 anos chamada  Lázara Mercedes López Acea. Ela também é vice-presidenta do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros.

15. Dos 16 dirigentes sindicais provinciais da Confederação dos Trabalhadores Cubanos (CTC), 9 são mulheres, ou seja, 56,25%.

16. Cerca de 60% dos estudantes cubanos são mulheres.

17. Desde 1980, as mulheres ativas dispõem, em média, de um nível de formação superior ao dos homens ativos.

18. Em Cuba, as mulheres representam 66,4% dos técnicos e profissionais do país de nível médio e superior (professores, médicos, engenheiros, pesquisadores etc.).

19. A taxa de fertilidade (número de filhos por mulher) é de 1.60, ou seja, a mais baixa da América Latina.

20. As mães cubanas têm a possibilidade de se ocupar em tempo integral de seus filhos recém-nascidos e, ao mesmo tempo, receber seu salário integral um mês e meio antes do parto e três meses depois do nascimento do filho. A licença pode se estender até um ano com uma remuneração equivalente a 60% do salário. Ao final de um ano, são automaticamente reintegradas a seu trabalho.

21. Cuba é um dos únicos países da América Latina, além da Guiana (desde 1995) e do Uruguai (desde 2012), a legalizar o aborto. A prática foi aprovada na ilha caribenha em 1965.

22. A taxa de mortalidade infantil de é 4,6 por mil, ou seja, a mais baixa do continente americano — incluindo o Canadá e os Estados Unidos — e do Terceiro Mundo.

23. A expectativa de vida as mulheres é de 80 anos, dois anos superior à dos homens.

24. A mulher pode se aposentar aos 60 anos, ou depois de trabalhar durante 30 anos, enquanto o homem só pode se aposentar aos 65 anos.

25. A mulher cubana desempenha, assim, um papel preponderante na sociedade e participa plenamente do desenvolvimento do país.

Fontes:

sábado, 12 de agosto de 2017

Como Cuba se livrou do fascismo


Hoje eu fiquei abismado com toda a loucura que tem acontecido recentemente nos EUA. Primeiro foi o protesto da extrema-direita norte-americana onde fascistas, nazistas, supremacistas e racistas saíram às ruas com tochas, fazendo saudações nazistas e gritando palavras de ordem contra minorias. Depois foi a vez de um carro atropelar dezenas de pessoas no protesto contra a marcha dessa extrema-direita. Foram três mortos e mais de trinta feridos. Mas, de certa forma, nada disso é novidade para quem conhece a história dos EUA. Os EUA, assim como a maioria dos países capitalistas, possui uma parcela significativa de sua população formada por esses grupos de supremacia racial e fascistas. Isso é uma consequência da própria selvageria do capitalismo que nos impõe a competição, o individualismo, o egoísmo e o falso senso de superioridade. Por isso mesmo, um dos poucos países do mundo que não possui fascistas, nazistas e afins, para desespero da nossa direita, é justamente o país que os reaças mais odeiam: Cuba. Mas você sabe como foi que Cuba eliminou o fascismo do seu território?

Fidel e Malcolm X unidos contra o racismo.

Primeiramente, os fascistas foram vencidos durante a revolução cubana. Muitos deles fugiram da ilha junto com o ditador Fulgencio Batista após a tomada do poder pelos guerrilheiros de Sierra Maestra. Outros fascistas receberam pena capital no tribunal revolucionário. Também houve aqueles que fugiram de Cuba em balsas precárias para depois tentarem retomar o poder na fracassada invasão da Baía dos Porcos. Mas não foi assim que Cuba eliminou definitivamente os fascistas. Os fascistas foram varridos de Cuba pela raiz: pela excelente educação dada aos cidadãos da ilha caribenha.
Em Cuba, Fidel politizou a população e combateu veementemente toda e qualquer forma de fascismo. Juntamente a isso, Fidel combateu a miséria e a desigualdade ao investir pesado em saúde, educação e moradia para todos. Como se tudo isso não bastasse, Cuba recebeu imigrantes negros norte-americanos que eram perseguidos em seu país e Fidel teve um encontro histórico com o líder do movimento negro Malcolm X. Em Cuba houve um investimento pesado no social, no combate ao racismo e numa educação realmente libertadora. Essa foi a tática para vencer o fascismo.

Sim, eles são felizes!

Enfim, por tudo isso, Cuba não tem racistas, nazistas, fascistas ou qualquer vertente dessa extrema-direita imunda que tem voltado a crescer no mundo. O medo que os nossos reaças têm do "Brasil virar Cuba" é, lá no fundo, o medo de não poderem mais expressar impunemente o ódio contra negros, pobres e nordestinos. O medo de uma educação crítica expresso pelo projeto escola sem partido é o medo de não haver mais espaço para se tolerar discursos de ódio e de naturalização da desigualdade. Por fim, o medo do "comunismo" é o medo de uma sociedade mais fraterna, igualitária e justa.


terça-feira, 13 de julho de 2021

Cuba não precisa de falsa solidariedade. Cuba precisa do fim do embargo.


Só existe uma coisa mais previsível que sujar a cara após cuspir para cima que é a tal "solidariedade" dos reaças do mundo inteiro com Cuba sempre que este país passa por dificuldades. O grande problema dessa "solidariedade" dos reacionários com o povo cubano é que ela é absolutamente FALSA. Se esses reaças estivessem realmente preocupados com Cuba, estariam exigindo o fim do embargo econômico. O que causou todo atraso e pobreza em Cuba foi o maldito bloqueio econômico decretado desde os anos 1960 pelos EUA. Ao contrário do que a burguesia cínica diz por aí, não foi o socialismo que atrasou Cuba, mas sim as restrições econômicas que o país sofre. O socialismo foi tão bom para Cuba que mesmo com um bloqueio econômico de décadas, o país conseguiu oferecer saúde e educação pública de qualidade para todo povo cubano.

O que está motivando os atuais protestos é que uma das principais atividades econômicas cubana, que é o turismo, foi muito prejudicada pela pandemia e isso deixou a ilha caribenha numa situação ainda mais difícil. Se não houvesse embargo, nada disso estaria ocorrendo. O que os reaças querem, na realidade, é o fim do socialismo. Eles não dão a mínima para a pobreza. Se ligassem minimamente para a miséria e pobreza, estariam fazendo protestos nas embaixadas norte-americanas pelos milhões de pessoas que vivem em situação de insegurança alimentar nos EUA. Mas reaça só se indigna quando a pobreza é cubana ou venezuelana.

Sobre os apagões e prisões políticas em Cuba, quem conhece o modus operandi do Tio Sam sabe muito bem que qualquer grande manifestação contra os governos que não estão alinhados aos EUA estão repletas de infiltrados a serviço dos interesses do capital. Se duvida disso, basta ver o que fizeram nas primaveras árabes do Oriente Médio, nos protestos contra Dilma Rousseff, nas manifestações contra Nicolás Maduro e todo o jogo imperialista por trás da Operação Condor, da Operação Brother Sam e do Consenso de Washington. O sonho dos capitalistas ianques é fazer Cuba voltar a ser o prostíbulo miserável que foi durante os tempos de Fulgencio Batista. Se duvida do que digo, basta procurar informações com o professor de história José Rodrigues Mao Júnior e o doutor em ciência política Igor Fuser: dois especialistas sobre Cuba.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Enquanto isso, em Cuba...


Qualquer observador minimamente imparcial percebe que o Brasil transformou-se numa nação onde uma nova religião tem ganhado força: a religião neoliberal. Essa 'religião' emburreceu as pessoas de tal modo, que idolatrar o deus Mercado e demonizar certos países "subversivos" virou praticamente uma obrigação cívica entre seus seguidores. Num país onde os reacionários da internet se consideram "revolucionários", difamar os países independentes do imperialismo virou senso comum até para quem não é dessa seita política.
Como eu não sou dessa turma aloprada que defende livre mercado, "meritocracia", Estado mínimo, privatizações e que repete babelicamente que "imposto é roubo", vou desafiar o status quo mais uma vez e ousar mostrar que Cuba não é o "inferno na Terra" que pintam por aqui.

A seguir, algumas notícias que mostram que Cuba é um pouco diferente do que os neoliberais brazucas contam:

-WWF aponta Cuba como o único país com desenvolvimento sustentável.

-Cuba supera Japão em porcentagem de centenários.

-Cuba é o único latino-americano a atingir metas de educação, diz Unesco.

-Cuba é o terceiro país com mais mulheres parlamentares.

-Cuba não registra vítimas fatais após passagem do furacão Matthew.

-Chefe da ONU elogia médicos de Cuba e afirma que país pode ensinar ao mundo como cuidar da saúde.

E se achou pouco, neste outro post ainda tem mais.

Pois é, parece que Cuba não é esse inferno todo que tentaram te convencer que era...

sábado, 11 de novembro de 2017

O legado da Revolução Cubana


A palavra 'revolução' traz consigo um significado profundo, mítico, que vai além do que os dicionários normalmente costumam definir. A mudança radical representada pelas revoluções significa quase sempre um giro de 180 graus no modus operandi de uma sociedade ou civilização. E a história da humanidade foi marcada por incontáveis dessas revoluções. As mais cruciais para a geopolítica mundial foram a Revolução Agrícola, a Revolução Industrial, a Revolução Francesa e a Revolução Russa. Mas também houve uma revolução decisiva que mesmo daqui a 500 anos seguirá impressa nos livros de história, que foi a revolução dos barbudos da Sierra Maestra, ou, se preferir: a Revolução Cubana.

Os lendários líderes da Revolução Che, Fidel e Cienfuegos

Um breve resumo da revolução
A Revolução Cubana representou uma reviravolta histórica sem precedentes devido ao seu caráter emblemático, pragmático, arrojado e providencial. Os revolucionários – apesar do amplo apoio popular que conquistaram – estavam numa situação de adversidade tão inequívoca contra o imperialismo que nem mesmo os grandes países capitalistas contaram com a possibilidade da reviravolta histórica. Mas o fato foi que apesar do aspecto contingencial e das baixas, a guerrilha conseguiu expulsar o ditador Fulgencio Batista e aderir a uma política que claramente desafiava os EUA. Em resposta à ousadia de Fidel Castro, os ianques logo maquinaram seus métodos belicistas para retomar Cuba com o uso da força. Apesar da vitória castrista na invasão da Baía dos Porcos, Cuba seria completamente destroçada pela marinha norte-americana na invasão seguinte se não fosse por um acordo diplomático decisivo que Fidel fizera com uma grande potência. Cuba só não foi invadida militarmente pelos EUA porque a URSS colocou seus mísseis nucleares na ilha caribenha numa operação secreta com o governo cubano. Se não fosse pela negociação de paz entre Kennedy e Khrushchev em 1962, hoje a ilha cubana seria mais um playground da máfia estadunidense no Caribe. Foi este fato que consolidou a independência do país e a adoção definitiva do socialismo.

O fato foi que contra tudo e contra todos, o Movimento 26 de Julho conseguiu a façanha de fazer uma virada de mesa no jogo político, destituindo de forma única no continente uma ditadura imperialista. O que a história mostra é que a Revolução Cubana foi um evento quase utópico que só deu certo devido à audácia e ao pragmatismo estratégico de seus idealizadores. Cuba, em seu diminuto tamanho geográfico e militar, era (e continua a ser) um nada contra os EUA. É pior que uma formiga contra um tamanduá. E apesar disso, Cuba conseguiu e consegue sobreviver até hoje suportando todos os ataques estadunidenses. A grandiosidade da Revolução Cubana consistiu justamente na obstinação, na resistência e na organização tática para se vencer um inimigo quase invencível.

A revolução e sua lição
A vitória castrista foi um exemplo histórico para a humanidade de que é possível alguém muito pequeno se rebelar de forma eficiente contra um gigantesco sistema de opressão e dominação de proporções continentais. Se não fosse pela revolução, Cuba seria mais um Haiti na América Central que seguiria à risca todas as determinações imperialistas do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Cuba, graças à revolução, se desvencilhou de políticas neoliberais, fascistas e voltadas para os interesses da elite burguesa. E isso não é pouca coisa: é um feito histórico impressionante.

Fidel em sua visita ao Brasil ao lado de Jango e Juscelino

Se o Brasil tivesse adotado políticas reformistas, inclusivas e nacionalistas como houve em Cuba, hoje os EUA seriam a segunda ou terceira potência de todo o continente americano. O Brasil é o país mais rico do mundo: é por isso os EUA sempre mantiveram os olhos grandes aqui e suas garras permanentemente cravadas na nossa política. Aqui temos petróleo, minérios, água doce, biodiversidade, maior território cultivável do planeta, a privilegiada base de lançamento de Alcântara, gênios vilipendiados como o injustamente preso Almirante Othon Pinheiro e um clima que favorece a todo tipo de plantio. Ao contrário do que a direita brasileira afirma, as políticas predatórias que fomentam a desigualdade NUNCA levarão o Brasil ao patamar de super potência. Sem colocar o povo, a classe trabalhadora, na equação, jamais deixaremos de ser um país de terceiro mundo. Se Cuba tivesse a nossa riqueza, nem mesmo o embargo econômico seria capaz de atrasar o país.

Frank Pais Garcia: Mártir da Revolução.

O legado
A Revolução Cubana serve de exemplo de luta, de resistência, de combate à opressão, de coragem, de patriotismo e de vitória para todo ser humano do planeta Terra, mesmo os que ainda não nasceram. Ter a iniciativa, o planejamento e a audácia de se libertar das garras de um império genocida não é algo que irá sair tão cedo dos livros de história. O que resta para a direita e para as oligarquias capitalistas é a mesma coisa de sempre: mentir, difamar, caluniar e distorcer os fatos sobre a Revolução Cubana na tentativa de criar idiotas úteis que sentem nojo de livros de história. Se Cuba é um inferno na Terra como a nossa direita insiste em repetir, então por que o povo cubano não se une e faz uma nova revolução? Por que o povo cubano, apesar das dificuldades, se considera um povo feliz?


Para encerrar, vou deixar um vídeo do Rui Costa Pimenta onde ele desmistifica todas as mentiras que contam contra o comandante Guevara, explicando o que motivou a Revolução Cubana e o seu desenrolar.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Brasil leva outro 7 a 1, desta vez para Cuba


É engraçado como algumas pessoas são totalmente alienadas não apenas com relação à realidade de outros países, mas também com a do próprio país. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Cuba está a sete posições de diferença acima do Brasil no IDH. Cuba ocupa atualmente a 67º posição, enquanto o Brasil está na 75º. Se fôssemos comparar a riqueza do Brasil e de Cuba proporcionalmente – e tomando como referência o PIB per capita – o Brasil deveria estar muito acima de Cuba, mas não é isso que acontece. Como se não bastasse, o Brasil está atrás até da Venezuela que é tratada como um inferno na Terra pela nossa direita inculta e atrasada.

Para tirar a prova, olhe os dois gráficos abaixo e compare Cuba com o Brasil. O primeiro é uma ilustração do desempenho cubano em áreas que formam o IDH. O círculo é o desempenho esperado em função do PIB per capita. Fora do círculo desempenhos superiores aos esperados. Dentro, menores. O segundo gráfico é o desempenho do Brasil. Repare bem nos assassinatos e a desigualdade de renda onde estão (clique para ampliá-los):

IDH cubano

IDH brasileiro


O Brasil só supera Cuba em erosão da Terra. Ou seja: Cuba dá uma cacetada no Brasil muito maior que aquele humilhante 7 a 1 da Copa do Mundo. Enquanto os nossos reaças estão aí preocupados com Cuba e Venezuela, eu estou preocupado com a destruição neoliberal promovida por Michel Temer e por essa oligarquia predatória que o apoia.
O meu amado Brasil não merecia isso.

Podem comemorar, crianças, vocês venceram de goleada!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Vai pra Cuba!

 
Muitos reacionários, fanboys do livre mercado e amantes da ditadura militar têm o hábito irracional de invocar três palavrinhas mágicas para "xingar" qualquer esquerdista, que é o tal de "VAI PRA CUBA!". Nada mais preguiçoso e ineficiente que mandar alguém para Cuba, primeiro que ninguém vai; segundo que isso só mostra a total falta de argumentos de quem usa esse "insulto" para encerrar uma discussão política. Eu até concordo que Cuba é um país que sofre e sofreu bastante devido ao fim da URSS e também pelo embargo econômico imposto pelos EUA desde a época da Guerra Fria. Cuba é um país que praticamente parou no tempo, onde a liberdade econômica é quase nula, onde não há acesso aos gadgets modernos e nem à internet. Mas apesar dos problemas, limitações e falta de uma democracia de verdade na ilha caribenha, temos que nos lembrar que os espinhos às vezes têm rosas. Esses reacionários se esquecem de lembrar, por exemplo, que em Cuba o analfabetismo e a mortalidade infantil são bem menores que os do Brasil. Lá praticamente não há crianças sem teto ou sem escola - e a saúde pública cubana coloca qualquer SUS da vida para comer poeira. Isso sem falar que as mortes pelo tráfico de drogas e as mortes por abortos clandestinos são nulas. Será que Cuba é tão ruim assim? Pensem direito sobre isso.


Óbvio que não estou aqui dizendo que Cuba é o melhor modelo de país do mundo. Países que abraçaram políticas derivadas da social democracia prosperaram muito mais, como foi o caso da Alemanha, países escandinavos, Canadá e Austrália. O que os reacionários precisam entender é que o Brasil se parece muito mais com o inferno na Terra para os pobres do que Cuba para os cubanos.

E para fechar esse assunto, vou deixar algumas provocações em forma de meme:







sexta-feira, 31 de maio de 2019

Por que as pessoas fugiam de paises socialistas?


Uma pergunta muito recorrente nos comentários deste blog é por que raios tanta gente fugia desesperada dos países socialistas para os países capitalistas. Muita gente usa esse argumento para concluir que "o socialismo nunca deu certo" e que "o capitalismo é o melhor sistema". Mas não é bem assim. Há dilemas na vida que são muito mais complexos quando observados de perto. Como já cansei de explicar neste blog, o capitalismo só "deu certo" de fato para minorias privilegiadas que detém o poder econômico. Todo o resto da população paga a conta dos plutocratas trabalhando mais que o que devia para ganhar bem menos que o que merece. Isso sem falar das bilhões de mortes causadas pelas políticas de desigualdade e pelas guerras do capitalismo. Mas enfim, por que as pessoas fugiam de Cuba para os EUA e não o contrário? Ou por que as pessoas fugiam da Alemanha Oriental e não o contrário? Ou por que as pessoas fogem da Venezuela?

Balsa de refugiados cubanos

Primeiramente, é preciso dizer que estas fugas de países socialistas são recortes pontuais de fatos da narrativa capitalista. Sim, muita gente fugia dos países socialistas, isso é um fato. Mas o que a direita não conta é que muita gente também fugia dos países capitalistas para os socialistas. Gente que se encantava com a ausência de miseráveis nas ruas cubanas, gente que conseguia emprego estável na Alemanha Oriental e gente que deixou diversos países capitalistas para estudar na URSS são a prova disso. Claro que isso era menos comum, porque sempre houve uma propaganda capitalista violenta contra os países socialistas e em alguns casos, como nos EUA, viagens diretas para Cuba eram dificultadas. Fora que os fugitivos cubanos recebiam uma série de benefícios do Estado americano caso chegassem na costa estadunidense em botes.

Pois bem, agora vamos de uma vez às quatro razões mais recorrentes alegadas pelos refugiados de países socialistas.

1-Revolta de pessoas ricas que perderam suas propriedades, fábricas, terras e privilégios.
2-Racionamento de alimentos e produtos perecíveis pelo fato da produção ser sob demanda e baseada em recursos para evitar desperdícios.
3-Falta de liberdade individual, política e principalmente religiosa.
4-Salários mais baixos devido à planificação econômica e uma maior redistribuição de renda para reduzir as desigualdades.

Outras razões eram a frustração com relação ao padrão anticonsumista do socialismo e também a baixa variabilidade de ofertas e de inovações que faziam com que muitas pessoas não gostassem do sistema socialista. Além disso, no caso de Cuba havia um agravante que era a pobreza – pobreza causada pelo boicote econômico que ilha sofreu por décadas. Os EUA impuseram o embargo econômico contra Cuba em retaliação porque não puderam invadir Cuba militarmente após a Crise dos Mísseis de 1962, e isso foi decisivo para causar instabilidade econômica na ilha caribenha. E, para piorar, com o fim da URSS, Cuba perdeu grande parte dos investimentos necessários para desenvolver o país economicamente. A situação de Cuba foi (e continua a ser) muito difícil porque não é fácil ser uma ilha pobre socialista em um mundo capitalista que te boicota de todas as formas possíveis.


Nada disso quer dizer necessariamente que o socialismo era pior que o capitalismo. Isso porque enquanto o socialismo era ruim para uns, era bom para outros. Pessoas mais pobres, que não tinham nada, que não tinham emprego, que morriam de fome e de frio ao relento e que não tinham sequer esperança tiveram uma melhora de vida considerável no socialismo de Estado. Isso os capitalistas não contam porque não querem que você saiba.

E os refugiados venezuelanos?

Sobre a situação da Venezuela, o que ocorre por lá é um capitalismo de Estado que está sob intenso ataque das forças capitalistas. Depois da crise das commodities e com as petrolíferas internacionais loucas para roubar o petróleo do país, Maduro sofreu (e sofre) uma poderosa pressão de quase de todas as oligarquias nacionais e internacionais para entregar o poder a um neoliberal qualquer da direita carniceira venezuelana. E como Maduro não cedeu, passou a sofrer boicote de produtoras privadas de alimentos e de remédios para forçar uma crise humanitária no país. Aí vem os coxinhas dizendo por aqui que a Venezuela é, por isso, uma "ditadura socialista". Ora, tenha paciência. Nada na Venezuela foi coletivizado, não foi feita uma reforma agrária no país, os meios de produção continuam sendo privados, os trabalhadores não subiram ao poder, existem partidos de direita formando maioria no parlamento e vem aloprado por aqui dizer que a Venezuela é "socialista". Pior que isso é dizer que a Venezuela é uma "ditadura", porque essa seria a primeira ditadura da história com eleições diretas e com a participação da oposição. Apesar da oposição ter se recusado a participar por covardia, isso não exclui o fato de que o presidente foi eleito pelo povo de seu país. Muito pior foi no caso do Brasil, onde Lula foi preso para não ganhar as eleições contra o clã Bolsonaro. E no final, nós é que somos "democráticos". Durma com um barulho desse.