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Estado mínimo resumido numa charge |



A ideia do liberalismo econômico é parecida com a desse jogo de futebol onde o juiz teve o seu poder de arbitragem reduzido para ele "parar de roubar" e deixar a partida correr livre. Esse tipo de mudança favorece aos grandes, aos mais fortes, aos mais violentos e aos que precisam de mais liberdade para impor as suas próprias regras. Assim sendo, a famosa "piscina de tubarões" estaria formada. Capitalismo sem Estado não é capitalismo: é selvageria, massacre e uma versão piorada do feudalismo.
Mas vamos trocar em miúdos para entender o problema do liberalismo econômico na prática.
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O neoliberalismo conduz a economia por caminhos perigosos |
Explicando sem metáforas
O liberalismo econômico parte do princípio de que o Estado não deveria legislar ou controlar o mercado. O mercado deveria funcionar livremente com suas próprias regras, porque segundo a teoria de Adam Smith, a autorregulação do mercado ocorre naturalmente através da tal "mão invisível". Isso justificaria, portanto, a ideia do Estado mínimo, ou do Estado zero, como profetizam os anarcocapitalistas. Essa ideia do Estado mínimo não está errada do ponto de vista filosófico. O problema é que ela só funciona, de fato, se inserida em um contexto de microeconomias ou em realidades fantasiosas onde as pessoas e empresas tivessem um comportamento exemplar do ponto de vista ético. Isso porque do ponto de vista da macroeconomia, o livre mercado gera práticas como cartéis, monopólios, oligopólios, dumpings e trustes – práticas essas que destroem qualquer liberdade econômica. Não há liberdade econômica, do ponto de vista prático, sem uma participação forte do Estado. O Estado existe para proteger o próprio capitalismo, a propriedade privada e a concorrência. A crise de 1929 mostrou o que acontece quando o mercado é entregue ao laissez-faire. O que salvou os EUA da maior crise da história do capitalismo foi justamente o keynesianismo: a tal intervenção estatal que os liberais tanto abominam.
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"Coerência" liberal |
O que torna alguém liberal?
O número de liberais econômicos têm crescido de forma rápida e preocupante na internet. Isso ocorre basicamente por duas razões. A primeira é que a maioria dos usuários frequentes da internet são da classe média – e a classe média é a que paga mais impostos e ao mesmo tempo é a que tem mais condições socioeconômicas para empreender. O liberalismo, para o deleite dessa classe média, profetiza justamente a redução da carga tributária e também uma facilidade maior para abrir e gerir empresas. A segunda razão é a descrença nos políticos. Com todos esses escândalos de corrupção e incompetência dos governos, é tentador crer que menos políticos (ou menos Estado) seria a solução.
Outra conclusão que leva a esse pensamento liberal é a ideia equivocada de que o Estado é naturalmente corrupto, parasita e explorador. Por conta disso, as grandes empresas corromperiam o Estado para obter vantagens. Assim sendo, o Estado controlaria a economia de modo que esse controle favorecesse essas grandes empresas, prejudicando as demais concorrentes, evitando, assim, uma concorrência leal e justa. Isso é o que alguns liberais gostam de chamar de "corporativismo". Portanto, a solução para isso, segundo os liberais, seria reduzir os poderes do Estado e fazer várias privatizações. Isso seria necessário para que as corporações corruptoras não tenham como manipular nem o Estado e nem as estatais ao seu favor para gerar monopólios e oligopólios "legais". Apesar dessa ideia estar fundamentalmente correta, essa solução de "menos Estado" não funcionaria pelo simples fato de que os cartéis e oligopólios formar-se-iam do mesmo jeito, já que o Estado não teria força para regular as grandes empresas. Menos Estado é uma ideia que favorece à burguesia, à alta burguesia. Os trabalhadores e os pequenos e médios empresários não têm nada a ganhar com isso.

O grande problema do liberalismo é que ele tem sido encarado como uma religião, como a única salvação para um sistema político e econômico cheio de falhas. Porém, o liberalismo é tão utópico quanto o comunismo. Ele é perfeito na teoria, mas teorias perfeitas não funcionam para seres imperfeitos, como nós, humanos.
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Mais uma razão para regular o capitalismo |
Solução
A melhor solução – que não por acaso vem da centro-esquerda – não é de aumentar ou diminuir o Estado, mas sim a de acabar com a corrupção do Estado para que ele não favoreça às grandes corporações, permitindo assim, uma liberdade econômica de fato. Claro que o Estado também não pode ser gigantesco e onipotente para não correr o risco de virar um capitalismo de Estado semelhante ao que acontece com Cuba. A diferença entre capitalismo de Estado e o capitalismo financeiro é que, no primeiro, o Estado oprime sozinho; já no capitalismo financeiro, o Estado se une à plutocracia para explorar eu, você, a direita e a esquerda. A diferença entre o fascismo/corporativismo e o socialismo/capitalismo de Estado é que o primeiro representa os ideais da burguesia, e o segundo representa os ideais dos parasitas Estatais. O que interessa mesmo para o povo é o bem-estar social, a justiça no trabalho e uma economia que possa dar a todos chances iguais. Por isso é necessário um equilíbrio de forças entre Estado e mercado. Qualquer extremismo neste sentido é autodestrutivo.

Com menos estado, as empresas nem precisariam gastar para corromper politicos para manter oligopolios,só te digo uma coisa, hoje em dia temos pouquissimos bancos e o dinheiro mais caro do mundo( juros de emprestimos nos bancos) e coincidentemente é um setor hiper regulado com interferencia estatal, mesma coisa a internet aqui no brasil, temos pouca concorrencia e a uma internet pessima e hiper cara e temos extrema regulação estatal, coincidencia não? o problema nao é o estado, mas o corporativismo que corrompe o estado, vamos pegar um exemplo, quer dizer que seu te convenço a assaltar comigo voce é inocente e eu culpado por que fui eu quem te convenci a fazer isto mesmo com voce sabendo que isso também é errado?quer dizer que só eu devo ser punido e você não? E por ultimo deixo uma reflexão, todos os países liberais na economia e estado reduzido são muito ricos e com corrupção baixissima, ja paises de economia fechada e estado forte e grande são pobres(pra não dizer miseraveis) e com corrupção galopante.E sim, sou anarcocapitalista e minarquista também.
ResponderExcluirMas é justamente aí que está o problema: o corporativismo com o aval do Estado corrupto. Se o Estado não fosse corrupto, a discussão se ele deve ser grande ou pequeno seria irrelevante. O problema não é o tamanho do Estado, mas, sim, a sua eficiência e a sua idoneidade. A regulação estatal serve, a princípio, justamente para proteger a liberdade de mercado: garantindo na constituição que ela deve ser respeitada. Mas vê se isso acontece no Brasil. Aqui o lobby faz com que nossas leis de mercado sejam somente "leis para inglês" ver.
Excluirnão confunda o liberalismo clássico que e uma gestão social com o neoliberalismo que e uma gestão de mercardo
ExcluirGestão social é libertarianismo, e não liberalismo.
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