É desnecessário afirmar que a vitória de Trump é uma tragédia. Uma tragédia não só para os EUA, mas para o resto do mundo também. Não que com a Hillary as coisas fossem muito melhores, mas, como pessoa, a moral de Donald Trump é algo mesmo digno de admiração do ex-líder do Ku Klux Klan. Aí os reacinhas brasileiros vêm com esse slogan biruta de "BolsoTrump 2018", em referência ao deputado Jair Bolsonaro para presidente em 2018, como se ele e o republicano fossem iguais – apesar das semelhanças.
Ninguém duvida que Trump é um sujeito intolerante, sociopata, racista, machista, homofóbico, islamofóbico, xenófobo e corrupto, mas as semelhanças com o seu "primo pobre" brasileiro param por aí. Bolsonaro, além de ser um clone podre do Trump, é pobre, antipatriota, apaixonado por torturadores, olavete, conspiranóico e impopular. Bolsonaro é uma versão piorada e mendiga do Donald Trump. Fora que os coxinhas dos EUA são um pouquinho mais civilizados que os coxinhas brazucas por ao menos respeitarem a própria pátria e não apoiarem a entrega das riquezas ao capital internacional. Trump é um fascistoide, e fascistas são nacionalistas e intervencionistas – muito diferente dos fascistas brasileiros que odeiam o próprio país e querem entregar todas as nossas riquezas e estatais para o sistema financeiro internacional. O único ponto que Trump tem em comum com os nossos reaças tupiniquins é o conservadorismo e o discurso preconceituoso. Daí que a vitória de Trump para eles é uma vitória sobre os "esquerdopatas e petralhas do Foro de São Paulo". Na cabeça oca deles, ser a favor de liberdades individuais é coisa de "esquerdista", sendo que liberais clássicos como Adam Smith eram defensores incansáveis dessa mesma liberdade.
O fato é que Jair Bolsonaro dificilmente irá se eleger para um cargo no executivo, até porque a realidade do Brasil é diferente da realidade norte-americana. Aqui as eleições são diretas e o voto é obrigatório e majoritário. Um extremista como Bolsonaro que é réu no STF e não conseguiu nem mandar seu filho para o segundo turno das eleições municipais dificilmente conseguirá algo relevante em 2018.
Os espinhos às vezes têm rosas...

A vitória do republicano, apesar de ser essencialmente ruim, também traz um novo ar para renovar a política abafada, imperialista e mofada que imperava no mundo a favor da ganância das velhas oligarquias.
Se resta alguma dúvida do porquê de Trump ter vencido essas eleições, recomendo este brilhante artigo do diretor Michael Moore escrito em julho deste ano.
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