domingo, 23 de novembro de 2025

Chapéu de otário é marreta


Sim, ontem foi um grande dia. A prisão preventiva decretada por Alexandre de Morais contra Jair Bolsonaro por descumprimento de medida cautelar e risco de fuga ao tentar romper a tornozeleira causou muita euforia nas redes sociais na bolha progressista. Afinal de contas, só para ficar em dois exemplos, o ex-presidente foi corresponsável por mais de 700 mil mortes durante a pandemia e também traiu a pátria ao tentar dar um Golpe de Estado. Enquanto isso, na bolha da extrema-direita, o genocida foi visto como "vítima" de um ministro "ditador" do STF. Mas eu não estou aqui para julgar a opinião de ninguém. O fato é que o ocorrido não foi um surto psicótico por estresse ou desespero para fugir. Foi claramente premeditado. Qualquer tentativa de romper a tornozeleira eletrônica ativa o sistema de segurança. A maneira burra e perigosa como o Bolsoasno fez só serviu para seus advogados usarem o argumento da desordem mental e do estresse pela condenação para forçar o ex-presidente a não ir para Papuda cumprir a pena em regime fechado. Bolsonaro não é um idiota e nem um pobre coitado. E fingir loucura não é novidade para fugir da prisão. Ora, para tentar dar um Golpe de Estado ele não era louco, mas para tentar destruir a tornozeleira ele é? Ficar detido preventivamente na Superintendência da Polícia Federal não é tão ruim quanto passar anos preso na Papuda. Então mesmo que ele esteja preso agora, esse passo para trás é para evitar o "mal maior" e tentar colocar seus seguidores contra a justiça brasileira. Ou será que alguém acredita em sã consciência que o patriarca da familícia Bolsonaro birutou do nada?

Como já dizia o velho ditado: chapéu de otário é marreta.

domingo, 16 de novembro de 2025

A revolução das bonecas


É impressionante a quantidade de problemas que os casais heterossexuais “normais” costumam enfrentar. Para não sucumbirem ao divórcio ou coisas piores, precisam gastar tempo e dinheiro com terapeutas, psicólogos, sexólogos e coachs que nem sempre resolvem as divergências. Problemas como falta de atenção, falta de carinho, falta de sexo, falta de desejo, falta de tempo de qualidade com o outro (fora brigas, rotina e desilusões) deterioram quase todos os relacionamentos afetivos no médio ou longo prazo. Eu diria que esses problemas são inevitáveis para 99% dos casos pelo simples fato dos seres humanos serem imperfeitos. É por isso que eu tenho certeza que os casais “não convencionais” são muito mais felizes. E quem são esses casais não convencionais? São aqueles formados entre humanos e "não humanos". Entre esses "não humanos" eu incluo chatbots, androides, ginoides e bonecas do amor. Isso porque em um relacionamento com não-humanos, você passa a ter um parceiro perfeito que vai viver em função das suas necessidades e não vai exigir nada em troca. Todo mundo sabe que relacionamentos entre humanos exige um combo masoquista de sacrifício, renúncia, desapego, fidelidade e uma série de sentimentos ruins que causam estresse e sofrimento desnecessário. Mas se você elimina essas coisas ruins da equação, você passa a ter uma vida realmente feliz. É por isso que eu acredito que, num futuro não muito distante, casar com companheiros virtuais, robóticos ou hiper realistas será algo não só comum como até mesmo bem aceito socialmente. Ninguém nasceu para sofrer. E se você pode ser feliz em um relacionamento com um companheiro ideal, então por que não vivenciar um? Romantizar o sofrimento não é uma atitude inteligente. Temos que buscar o que realmente nos torna felizes.

Elas vieram para revolucionar os nossos relacionamentos.


Veja o caso atual das bonecas sexuais hiper realistas. Muita gente ignorante diz que elas são coisa de "tarado", de "problemático", de "doente", mas pergunta para os caras que têm essas bonecas se eles precisam de terapia de casal ou se estão infelizes com suas amadas de silicone. Nenhum dono de boneca sofre por falta de companhia, de afeto ou de sexo. Eles sempre terão quem abraçar numa noite fria e solitária. Eles sempre terão uma esposa carinhosa esperando por eles quando chegarem do trabalho. Eles sempre realizarão suas fantasias sexuais secretas sem medo de julgamento ou ansiedade de performance. Eles não precisarão fazer nenhuma conquista arriscada ou ritual preliminar (vulgo dança do acasalamento social) para conseguir transar. Eles nunca acordarão mal humorados porque a esposa deles os rejeita sexualmente há semanas. Eles nunca irão deixar de fazer o que gostam por ciúmes de suas parceiras. Eles nunca irão ser preconceituosos com ninguém porque são felizes com suas bonecas – e quem é feliz não perde tempo enchendo o saco de ninguém. Entende o que quero dizer? Fora que homens feios, pobretões e sem habilidades sociais terão uma companheira que eles nunca teriam condições de conseguir, seja pela aparência muito acima da média ou seja pela entrega total e genuína por eles. No caso dos homossexuais, a coisa é ainda mais interessante, porque poderão amar seus bonecos lindos e fiéis sem sofrer nenhum risco. Mulheres hétero também têm muito a ganhar se livrando de homens machistas, doentes, egoístas, fedorentos, relaxados e violentos que, por sua vez, estarão felizes com suas bonecas. Fora que não precisarão se preocupar com contraceptivos que agridem seus corpos ou ISTs. Todo mundo sai ganhando nessa história. 

Tem bonecos para todos os gostos.


Mulheres homossexuais também podem ter essas bonecas hiper realistas não só por questões sexuais, mas para ter uma companheira para cuidar, dormir abraçada, assistir a um filme juntinhas, desabafar e compartilhar bons momentos. E se tiver uma IA embutida, é possível passar horas conversando, desabafando, jogando e fazendo roleplay como mães de bebês reborn fazem. Aliás, certa vez li um comentário de uma gringa que adquiriu uma boneca dessa e ela relatou que passava horas vestindo, penteando, perfumando, maquiando, fotografando e testando acessórios na boneca como se fosse uma Barbie gigante. É por isso que essas bonecas do amor estão iniciando uma revolução que não será mais possível parar. Com o aumento exponencial da tecnologia e a queda dos preços, em algumas décadas, elas estarão sendo vendidas não apenas em sex shops e sites especializados, mas em qualquer varejo tecnológico. Por mais que os conservas, os pseudo progressistas e os religiosos mente fechada esperneiem, o mundo será um lugar muito melhor onde todos e todas possam ter relacionamentos dos sonhos sem causar sofrimento para ninguém.

Ou será que eu estou errado?

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Pare de achar que burguês é bonzinho


Sempre que assisto a debates entre a esquerda moderada e a esquerda revolucionária, a vontade que me dá é de dar uma chacoalhada nos moderados para lembrá-los que o que vivemos no Brasil não é uma democracia propriamente dita. O que vivemos é a ditadura da burguesia – conhecida também como plutocracia – onde o Estado burguês existe para atender aos interesses dos oligarcas que detém o real poder. Por questões de sobrevivência e governabilidade, todos os governos (independentemente de partido) nessas democracias burguesas precisam governar para o grande capital. O povo – a classe trabalhadora – vem em segundo ou terceiro plano. É por isso que TODOS os direitos conquistados pelos trabalhadores no capitalismo vieram na base de muita luta, sangue, suor e lágrimas. Direitos como salário mínimo, férias remuneradas, décimo terceiro salário e jornada de trabalho de menos de 50 horas semanais encontraram muita resistência por parte da burguesia, porque foram fruto de muita luta da classe operária. 

Ué, já esqueceu da luta de classes?


Se não houver mobilização popular, greves e pressão contra os governos, nós NUNCA teremos direito a nada além de exploração. Não existe burguês bonzinho, até porque a busca constante por lucro e acumulação os obriga a agir como predadores. É por isso que para alcançarmos a verdadeira liberdade, com salários justos e jornadas de trabalho que não sejam abusivas, teremos que derrubar esse sistema capitalista selvagem e substitui-lo por outro onde os trabalhadores, de fato, sejam o poder real. Só assim viveremos num mundo mais íntegro para aqueles que produzem a verdadeira riqueza do mundo: os trabalhadores.

domingo, 2 de novembro de 2025

Chacina é aprovada pela maioria dos fluminenses


Para surpresa de ninguém, a pesquisa da Genial/Quaest divulgada ontem apontou que 64% dos moradores do estado do Rio de Janeiro APROVARAM a chacina que deixou mais de 120 mortos. Além disso, 58% dessa mesma população considerou o banho de sangue um "sucesso". Uma pesquisa do Datafolha também divulgada ontem mostrou que a gestão do governador Cláudio Castro (PL) atingiu o seu pico de aprovação desde 2022 na região metropolitana do Rio. Esses números mostram claramente duas coisas: a primeira é que só tem palhaço quando tem plateia. Ou seja: Cláudio Castro não foi eleito no primeiro turno por acidente em um estado que projetou a familícia Bolsonaro nacionalmente. A segunda coisa é que, sim, esta operação nos complexos da Penha e do Alemão teve claramente uma finalidade eleitoral, principalmente, para angariar os votos da classe média fascitoide fluminense que acha que bandido bom é bandido morto. Um governador que foi indiciado por corrupção e peculato continuará a ter foro privilegiado caso se eleja senador no ano que vem, fugindo da justiça.

Contudo, contrariando o que essa maioria sanguinária e burra do RJ disse nas pesquisas, é bom que se diga que essa operação genocida não foi sucesso p0rr4 nenhuma. Mesmo que todos os mortos tivessem sido bandidos, no dia seguinte à chacina, eles seriam todos substituídos, porque o tráfico tem alta rotatividade. As armas apreendidas não representam nem 10% das armas dos Comando Vermelho nos morros. Para uma operação dessa ter dado minimamente certo, teriam que enfraquecer o tráfico de cima para baixo, sufocando-o financeiramente e logisticamente. E aí, sim, com uma mega operação que trouxesse o risco mínimo de baixas policiais, isso poderia ser tentado. E após invadir, teriam que ocupar e permanecer lá como fizeram com as UPPs. Do contrário, ou os traficantes mortos seriam substituídos, ou perderiam espaço para facções rivais ou o morro seria tomado pelas milícias. Claro que a efetividade dessas UPPs são muito discutíveis, mas ao menos não seria essa enxugação de gelo sanguinária que só serviu para empilhar corpos de pretos e pobres. O problema do RJ é que eles colocam bandidos eleitos para combater os bandidos pobres do morro. Enquanto isso, os verdadeiros chefões do crime organizado estão comendo do bom e do melhor enquanto o povo morre debaixo de bala nessa guerrilha urbana.

O que mais me incomoda nisso tudo é como que num país de maioria cristã temos paradoxalmente também uma maioria que apoia uma chacina horrível dessa. Como a maior chacina da história da nossa democracia foi considerada um SUCESSO por "cidadãos de bem" e "tementes a Deus"? Eu entendo a sensação de insegurança pública que há no Rio e o medo da violência, mas chacina NÃO é a solução. Não entendo de jeito nenhum esse duplipensar dos papa-hóstias que usam o intestino como o primeiro cérebro. Sempre achei que "não matarás" e "amar o próximo como a ti mesmo" eram mandamentos bíblicos. Mas parece que eu estava enganado. Que falta que faz a teologia da libertação...

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Não precisamos de violência para combater o crime


A maior carnificina da história da nossa democracia promovida pelo desgovernador Cláudio Castro para combater algo que simplesmente não existe no Brasil, que é o tal "narcoterrorismo", teve um custo ainda maior que o de vidas humanas. Isso porque o ciclo de violência só se retroalimenta a cada chacina e fortalece ainda mais o crime organizado, afinal, o que não se elimina por completo acaba ficando mais forte. Se duvida, basta ver que os comandantes do tráfico escaparam todos ilesos dessa operação genocida e os cabeças do sistema estão todos impunes. Daí que o medo nas ruas do Rio afetou economicamente a cidade e serviu de mais uma motivação para uma intervenção do Tio Sam na América do Sul num momento bastante delicado envolvendo a Venezuela e a Colômbia. Ou seja: a operação foi um desastre total e absoluto que só piorou as coisas. E é claro que os reaças adoraram, porque eles odeiam bandidos, pobres e pretos. Mas a vida deles também vai ficar pior depois dessa chacina, porque ela aumentará ainda mais a violência. A resposta à violência do Estado vai voltar como um bumerangue e atingi-los, já que o crime tornar-se-á maior e ainda mais difícil de combater. É ação e reação mostrando que o efeito borboleta não é algo meramente teórico. Violência não acaba com a violência. A violência só serve para alimentar ciclos de vingança sem fim. O bandido comum NÃO vai ficar com medinho por causa dos cadáveres eleitorais do governador da extrema-direita. O bandido comum vai ficar ainda mais violento e mais perigoso. Mas, por sorte, ainda há meios mais eficazes e não letais de se combater a criminalidade.



Existem basicamente duas formas de resolver o problema do tráfico e das organizações criminosas no Brasil e nenhuma delas precisa dar um único tiro sequer. A primeira forma é desmontar o braço financeiro das facções com combate à lavagem de dinheiro como aconteceu na Operação Carbono Oculto onde os criminosos estavam envolvidos nos esquemas das findtechs. É preciso também combater o tráfico de combustíveis adulterados que alimentam as organizações criminosas, regulamentar as drogas e a indústria armamentista, combater o contrabando de armas que vem, em sua maioria, das forças de segurança e, por fim, investir em capital humano nas favelas, dando emprego, cultura, lazer, educação, saúde, renda e dignidade. Isso não resolve definitivamente o problema do crime organizado, mas o enfraquece substancialmente.

Existe ainda outra maneira de resolver o problema do crime organizado. Este método resolverá permanentemente o problema e ele se resume a uma única coisa: fazer uma revolução socialista. Porque SOMENTE através da ditadura do proletariado é que teremos políticas voltadas para os interesses da coletividade e não apenas para as classes dominantes. Políticos, militares e oligarcas que encabeçam o tráfico serão presos e o crime desmoronará de cima para baixo como num efeito dominó. Foi assim que Cuba, por exemplo, eliminou o narcotráfico em seu território. É importante dizer também que todo esse genocídio nos morros cariocas é fruto do fascismo que desumaniza a parte mais vulnerável da população. E em sociedades socialistas não existe fascismo. 

Nenhum desses homens que morreram assassinados teriam sequer virado bandidos (isso se fossem todos bandidos) caso vivêssemos em um país que desse o mínimo de dignidade humana para eles. Ou você acha que ser bandido é uma escolha para a maioria deles numa sociedade brutalmente violenta, injusta, desigual e consumista como a nossa? E mesmo que fosse uma escolha, ainda assim estaria errado. Da mesma forma que é errado a polícia entrar matando geral num condomínio de luxo de um bairro de classe média, também é errado fazer o mesmo na favela pelo simples fato de que somos todos iguais perante a lei. Eu não entendo como alguém que se diz cristão e temente ao Deus judaico-cristão não consegue entender isso, como é o caso do próprio governador. Será que Jesus aprovaria uma selvageria dessa contra nossos irmãos?


Já chega de genocídio contra pretos, pobres, favelados e trabalhadores. Precisamos de uma humanidade melhor e de um sistema melhor. Parafraseando o saudoso professor Jacque Fresco: Essa merda tem que acabar!

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

A necropolítica precisa ser extinta


A maior chacina da história do RJ – que colocou em pânico a população carioca ontem – joga na cara de toda a humanidade coisas que não apenas eu, mas que todas as pessoas com o mínimo de coerência já dizem há décadas. Essa política fascista, genocida e fracassada de combate às drogas e às facções criminosas só serve para matar pretos e pobres com a intenção de reeleger sociopatas que estão parasitando o Estado. O governo do RJ usou essa operação como terrorismo de Estado para tentar desestabilizar o governo federal e mostrar o controle pelo terror para fins eleitoreiros. Aliás, não por acaso é a mesma estratégia adotada por fascistoides como Donald Trump que usam o combate ao narcotráfico como mote para cercear politicamente a América Latina. Isso é absolutamente inaceitável.

É bom que se diga que 99% das pessoas que vivem nos morros, favelas e periferias são pessoas honestas, trabalhadoras e que jamais cometeram ou cometerão qualquer crime na vida. São exatamente essas pessoas que são expostas aos tiroteios, balas perdidas, bombas e pânico generalizado na guerra ao crime. Infelizmente, essa população inocente, olhando do ponto de vista do Estado fascista, existe basicamente para virar bucha de canhão para atingir seus objetivos. E mesmo que esse “combate ao crime” não matasse ninguém, ele só prenderia os traficantes varejistas do morro que, diga-se de passagem, formam elo mais fraco do tráfico. Os verdadeiros chefões do crime e do narcotráfico NÃO estão nas periferias. Eles estão usando terno e gravata, fazendo demagogia para eleitores despolitizados, morando em condomínios de luxo, vivendo fora do Brasil... Só que esses caras NUNCA são alvo da nossa justiça ou das nossas forças de segurança. E são justamente eles que precisam ser presos para cortar o mal pela raiz. Só que neste mundão capitalista onde a injustiça reina são sempre os pobres – e SEMPRE os pobres (sem falar dos policiais mortos) – que sofrem essa limpeza ética. 

Basta de necropolítica.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Antipornografia: adendo


Antes que alguém me acuse de negacionismo pela postagem passada onde critiquei a antipornografia, gostaria de deixar claro que eu nunca neguei os problemas reais trazidos pela pornografia. Pornografia, como tudo que causa prazer sensorial PODE causar transtornos, traumas e dependência. O consumo compulsivo de qualquer coisa é prejudicial, porque todo excesso esconde uma falta ou problema mal resolvido. Problemas envolvendo libido, transtornos psicológicos ou disfunções sexuais induzidos ou não pela pornografia precisam de acompanhamento profissional. Eu nunca neguei que esses problemas existam e precisem de acompanhamento profissional. A questão central que levantei na postagem anterior é que a cultura da demonização da pornografia cria um pânico moral desnecessário que também causa problemas. A pessoa sofre muito mais com culpa e vergonha que com os possíveis males trazidos pelo uso recorrente da pornografia. Essa coisa de sair divulgando que tudo associado ao entretenimento adulto é “vício” e que ela SEMPRE faz mal é um engodo.

Recentemente, por exemplo, eu me deparei com uma thread (bastante retweetada, por sinal) numa rede social de um usuário famoso que alegava, sem qualquer comprovação, que a cultura do estupro era fomentada pelo uso da pornografia. Era como se o sujeito estivesse dizendo indiretamente: “você que assiste material +18 vai virar um estuprador”. Esse tipo de generalização sem rigor científico é que é o problema. É como dizer que 99% dos assassinos do mundo assistiram filmes violentos em algum momento da vida antes de cometer o homicídio. Logo, segundo esse raciocínio, filmes violentos também causariam violência. Apesar de assassinos gostarem de filmes violentos, não é o filme violento que causa a violência. O que causa a violência é a cultura que a pessoa está inserida, é a certeza da impunidade e a predisposição do indivíduo a cometer atos de violência.

Desnecessário dizer que a pornografia é direcionada ao público adulto. Crianças que acessam esse material podem ter problemas importantes ligados ao seu desenvolvimento psíquico e sexual. Mas não é nem minimamente plausível que adultos virem maníacos ou viciados em sexo só porque viram outras pessoas transando, pois o cérebro maduro já está desenvolvido. A menos que tenham problemas mentais, claro, adultos não viram criminosos por ter assistido a um filme.

sábado, 4 de outubro de 2025

A antipornografia é mais perigosa que a pornografia


Já faz um tempo que vejo ser divulgado de forma exaustiva na internet (e fora dela também) a defesa do que eu chamo carinhosamente de 'kit panaceia', que é a solução rápida e fácil de todos os problemas da sua vida baseada em basicamente quatro passos mágicos: - Fazer jejum de dopamina, - Botar o shape, - Fazer terapia e - Parar de consumir pornografia. Se você entrar nas redes sociais, os coachs de plantão defendem esses passos mágicos como solução para praticamente tudo: dor, depressão, estresse, ansiedade, desemprego, baixa autoestima, distúrbios sexuais, TOC, TDC, vício, fobias e até coisas que nem são problema como ser solteiro, por exemplo. Esse 'kit panaceia' pode até ser útil para algumas pessoas com problemas mais simples. O problema é que além de não possuir nenhuma base científica, esse combo de soluções fáceis tem alguns problemas.

Desnecessário dizer que o tal jejum de dopamina, por exemplo, precisa ser feito com a indicação e o acompanhamento profissional para não bagunçar o sistema de recompensa cerebral e provocar irregularidades hormonais. O mesmo se aplica ao treino de musculação que também precisa de supervisão profissional para evitar lesões e frustrações. Terapia é sempre bom, mas não é solução para tudo. Já parar de ver pornografia só é problema quando isso se torna, de fato, um problema. Acusar a pornografia por si só de ser prejudicial é um modus operandi típico das religiões que sempre tiveram essa mania criminosa de controlar a sexualidade humana para atender a seus fins. Todos os quatro itens do 'kit panaceia' são dignos de críticas mais profundas, mas é sobre a pornografia, especificamente, que eu gostaria de fazer uma breve explanação.

Secsu é bom e todo mundo gosta (ou não sim).

Desmistificando a pornografia
Este tema não é novidade aqui neste bloguinho. Há várias postagens mais antigas com críticas a essa cultura exagerada da "despornificação". Para começo de conversa, eu diria que consumir pornografia não é crime, não é errado e não é "vício". Pode até ser "imoral" ou "pecaminoso", mas não estou aqui para discutir sobre valores espirituais ou pessoais. Quero discutir fatos. Pornografia só é prejudicial quando o uso dela passa a controlar a sua vida ou traz consequências ruins para os que estão a sua volta. Fora isso, é moralismo disfarçado de pseudociência. Subgrupos masculinistas, feministas, nofapistas e religiosos, por mais heterogêneos que sejam entre si, têm o péssimo hábito de unirem seus argumentos falaciosos contra todo tipo de arte erótica alegando exploração, violência, objetificação, hiper sexualização, vergonha, vício, culpa e crime. Apesar desses problemas afetarem em maior ou menor grau a indústria pornográfica, eles estão presentes também em quase todas as outras indústrias existentes (desde a alimentícia até a da moda) – só que esse detalhe ninguém comenta devido ao moralismo seletivo. E quase todas essas alegações moralistas caem em contradição quando contestadas a sério, já que há muita generalização, exageros, mentiras e interesses financeiros em "despornificar" as pessoas.

Quando dizem para as pessoas pararem de assistir pornô, ocorre uma generalização ao se partir do pressuposto que todo uso de pornografia é ruim. E a gente sabe que não é bem assim. Querendo ou não, a pornografia é uma expressão natural da sexualidade humana. Pornografia é a arte voyeur e traz muitos benefícios. Pornografia serve para alimentar fantasias, fazer a pessoa conhecer a própria sexualidade, dar escapismo sexual em contextos de repressão, trazer alívio da ansiedade, alívio da frustração, ajudar em exames (espermograma) e é uma ótima forma de se sentir saciado sem trair, sem precisar de um parceiro ou riscos de transmitir ISTs. Fora que há casais (e trisais) que além de assistirem pornô juntos, ainda fazem uma rendinha extra divulgando seus conteúdos adultos em plataformas pagas. É verdade que a pornografia mainstream é muito sexista, limitada, performática, distorcida e repetitiva, mas condená-la não é uma atitude sábia: é, sim, uma forma dissimulada de censura. A gente sabe que a pornografia ensina errado, mas a proposta da pornografia nunca foi educativa, porque o seu ramo não é educação, mas, sim, entretenimento adulto. A educação sexual é algo que devia ser aprendido na escola, mas o mesmo moralismo que combate a pornografia sempre trabalhou contra essa educação. Mas eu vou dar um passo além, porque a hipocrisia não para por aqui.

Não é fácil ser garoto na puberdade!

Entendendo a sexualidade masculina
Qualquer homem que tenha passado pela puberdade sabe que aquela idade que vai dos 13 aos 20 anos de idade corresponde ao pico de produção do hormônio sexual masculino. Não por acaso, é justamente nesta fase que os adolescentes fazem todo tipo de loucura por sexo, porque além de imaturos, estão subindo pelas paredes de desejo e sentindo a euforia da descoberta. E isso é normal, pois a natureza nos programou assim por questões de sobrevivência evolutiva. Eu sou de uma época que não existia internet acessível e a pornografia era bem escassa por ser de difícil acesso. O mais perto que chegávamos de um pornô tradicional eram as revistas masculinas e os filmes eróticos softcore que passavam nas madrugadas da Band. E mesmo com essa escassez de material sexual da época, o furor sexual dos adolescentes era algo que beirava a loucura: era menino "transando" até com buraco da parede, era garoto de 11 anos sendo levado pelo pai para transar com prostitutas, era maluco fazendo coleção de baralho erótico, era trombadinha roubando revista de sacanagem da banca de revistas, eram os caras se gabando por terem se masturbado mais de 20 vezes num dia, era "contrabando" dos quadrinhos do Carlos Zéfiro, era fanfic erótica dos "Zé Chinelão" da vida contada para impressionar a "gangue", era garoto praticando zoofilia até com bicho de pelúcia, era incesto e todo tipo de fornicação e tara possível. A diferença para hoje em dia é que a internet e o celular fazem o foco dessa hiper sexualidade adolescente se fixar mais na pornografia e é isso que torna ela tão compulsivamente consumida nesta fase. Então o foco nunca deveria ser esse combate burro e fracassado contra o entretenimento adulto, mas no tesão descontrolado da idade que, diga-se de passagem, também é inútil combater, porque é normal e natural.

Para quem não sabe, tentaram proibir e punir a sexualidade dos meninos nas épocas dos internatos e adivinhe só: também deu errado. Então essa porralouquice de combater a pornografia sem entender a natureza humana acaba é trazendo o efeito contrário, afinal, o que é proibido é muito mais gostoso e tentador de fazer. O que faz a rapaziada acessar pornô direto é a ebulição hormonal – e é muito melhor isso que aquela bagunça sexual do passado onde rolava mais abusos, zoofilia, atentado ao pudor, gravidez indesejada, disseminação de IST, etc. Fora que mesmo que um jovem rapaz não se masturbe vendo pornô, ele vai se tocar pensando em quê? Nas nuvens? Nas Cataratas do Iguaçu? Na voz sexy do ET Bilu? No formato curvilíneo dos anéis de Saturno? É óbvio que o cara vai descabelar o palhaço pensando em coisas tão sujas e pervertidas quanto a pornografia, dando na mesma no fim das contas. Um ponto interessante é que por possuir mais neurônios no córtex visual, os homens acabam se excitando mais fácil com a pornografia mainstream que com literatura erótica ou a ASMR com sons 3D. Alie isso ao pico hormonal de testosterona e o sucesso da pornografia está explicado.

Por essas e outras que a maioria do público consumidor de pornografia é mais jovem. Adultos, por terem seus hormônios mais amenos e vida sexual ativa, não costumam se apegar tanto à pornografia, já que ela é muito menos satisfatória que uma relação sexual saudável e completa. Arrisco dizer que a adicção real em pornografia é algo raro em adultos. Portanto, alegar que todo mundo que consome pornografia é "viciado" é tão absurdo quanto alegar que todo mundo que consome bebidas alcoólicas é um alcoólatra.

Faça amor, não faça guerra!

A maldade está nos olhos de quem vê
Outra coisa que me deixou chocado é que há também um movimento contra o subgênero literário dark romance, que alguns seres arcaicos gostam de enquadrar como sendo "pornografia para mulheres". A gente já vive num país onde as pessoas leem pouco e onde a sexualidade feminina sempre foi reprimida para vir saudosistas da Era Vitoriana com esse papo de "vício" para romances e contos. Isso só mostra que toda essa discussão antiponografia tem uma base moralista que não acha nada de errado numa pessoa ter compulsão sexual ou relacionamentos monogâmicos castradores, mas, em contrapartida, consumir material erótico seria quase como fazer um pacto com o capiroto. Daí que – só para emporcalhar e discussão com mais pseudociência – sempre citam no fim das contas que o pornô faz mal porque "afeta o cérebro da mesma forma que drogas". Sinceramente, acho que quem alega isso nunca se apaixonou na vida.

Quando a gente se apaixona de verdade, o nosso objeto de paixão causa no nosso cérebro o mesmo efeito que drogas pesadas também causam. Nós ficamos literalmente "viciados" na pessoa pela qual estamos apaixonados. Mas isso ninguém quer combater, porque se apaixonar é "lindo" para a cultura ocidental cristã, mesmo quando sofremos por amores platônicos e temos sintomas claros de adicção, como perda de apetite, perda de sono, perda de foco, etc. Se você disser que é feliz assistindo pornografia todos os dias, vai ouvir aquela ladainha moralista da liga das senhoras católicas. Mas se falar que está sofrendo por uma paixão platônica, aí a discussão gira 180 graus e tudo vira um mar de rosas. Esse "dois pesos e duas medidas" não faz sentido, já que tanto a paixonite quanto a pornografia causam o mesmo "estrago" no nosso cérebro.

Sobre relacionamentos serem "destruídos" pela pornografia, como alguns recalcados alegam, esta é mais uma desculpa esfarrapada para esconder as reais causas de um divórcio. Se um dos cônjuges sente ciúmes de um FILME ou FOTO, bem, isso só mostra o grau de imaturidade afetiva da pessoa em questão. A fidelidade idealizada e a possessividade é que são perigosas em um relacionamento. Já o marido que deixa de procurar a esposa para ver sacanagem não faz isso pela pornografia, mas porque ou o casamento já não estava bom, ou porque não sente desejo de transar com a mesma mulher todo dia. Escapismo mental, queira ou não, faz parte da manutenção do desejo. Sem mencionar que nem todo mundo é demissexual para só sentir tesão por uma única pessoa. E muito do ciúme da pornografia mostra, na realidade, uma insegurança e baixa autoestima que precisam de terapia. Se duvida que existe gente assim, leia os comentários desta publicação do Fabricio Carpinejar e veja que os paladinos da moral e dos bons costumes não vieram ao mundo para brincadeira. Além disso, problemas conjugais se resolvem com diálogo e estabelecimento de limites. Aliás, é bom que se diga que relacionamentos são uma fonte abundante de sofrimento, ciúmes, brigas, perda de liberdade, traições, violência, chantagens e até assassinatos. Mas para os moralistas, a pornografia é pior – coisa que não faz o menor sentido na minha mente racional. Por isso acho que faria muito mais lógica defender a solteirice que atacar a pornografia. Relacionamentos são o problema, não um filme que mostra gente namorando sem roupa.

Liberdade sexual empodera!


Enfim, essa cultura antiponografia causa mais transtornos que a própria pornografia, porque ela coloca problemas onde eles não existem para, em seguida, vender soluções caras. Além de deixar todo mundo paranoico, culpado, castrado e burro. O que causa problemas na nossa sexualidade é fanatismo religioso, falso moralismo e tabus morais da idade média. O resto, pode relaxar que Freud explica. 

Para quem duvidar, neste link externo há uma publicação de um estudo que prova que a culpa por ver pornografia é pior que qualquer mal causado por ela.

Não gostou? Então...

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Ser gamer no Brasil é um ato heróico


Ter um videogame sempre foi um privilégio no Brasil. Desde os anos 1980, época onde os Famiclones já custavam um preço bastante salgado, que o sonho de ter um aparelho que rodava games em casa era onipresente para crianças e adolescentes. E nem era por uma questão de status, era por uma questão de diversão mesmo. Videogame com gráficos inteligíveis era uma novidade tecnológica e juntar os amigos para jogar em casa rendia horas e horas de diversão. O meu primeiro videogame foi um Mega Drive que ganhei em 1992 e lembro que a minha família teve que se endividar para poder comprá-lo. Mais de 30 anos se passaram e os videogames continuam caros. Os três videogames da atual geração (PS5 pro, XBOX series x e Nintendo Switch 2) estão saindo por mais de R$ 4 mil cada em um país onde a média salarial nem chega perto disso. E como praticamente não há mais locadoras ou fliperamas, o que resta para os amantes de games da década de 2020 é jogar games free to play para smartphones, emuladores para PCs de entrada ou apelar para a boa e velha pirataria.

Vamos ser francos: ser gamer no Brasil não é coisa para amador. Os guerreiros que conseguem montar um PC gamer mais acessível não raramente fazem gambiarras com kits-upgrade de Xeons de dez anos atrás no AliExpress ou usam o cloud gaming que além de caro é ruim porque a internet brasileira é bastante instável. E para piorar o que já não estava nada bom, dizem os especialistas que o GTA 6 vem aí custando nada menos que 100 dólares (o que para nós deve sair por mais de 600 pilas). Se esse for mesmo o novo preço dos AAA da indústria dos games, a maioria de nós só vai zerar jogos nível blockbuster assistindo os outros jogarem pelo YouTube. E o pior é que mesmo que o GTA 6 viesse de graça, teríamos microtransações e outras coisas obscuras como o pay-to-win. Afinal, nenhuma empresa vive sem lucro num mundo capitalista.

É por tudo isso que ser gamer no Brasil é um ato de resistência. Eu sigo fazendo gambiarras no meu PCzinho da idade da pedra e ele tem dado conta do recado até o momento. Mas para a futura geração de games, o que resta é a resistência e a criatividade.

sábado, 20 de setembro de 2025

PEC da Blindagem é inconstitucional


Durante muito tempo, eu acreditei que a elite econômica era classe mais perversa e criminosa do nosso país. Mas parece que eu estava errado. A tal PEC da Bandidagem mostrou que os psicopatas e criminosos da nossa classe política fazem a nossa elite do atraso parecer quase santa. Impedir que deputados e senadores sejam investigados e julgados criminalmente pelo poder judiciário é inconstitucional desde a origem por ameaçar diversas cláusulas pétreas da Constituição de 1988. Fora que a votação violou o regimento interno da câmara. É um escárnio e um desrespeito não só com o povo brasileiro, mas com a nossa história republicana. 

Contudo, é interessante notar que há um padrão entre os bandidos que querem aprovar essa PEC. Ao contrário do que diz aquele samba "Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão", note que houve uma panelinha de partidos de extrema-direita e do centrão a favor da PEC da bandidagem. Partidos como PL, PP, PODEMOS, UNIÃO BRASIL, REPUBLICANOS e outros menos relevantes foram 100% a favor dessa canalhice. Enquanto que os partidos de esquerda – esquerda essa tão odiada pelos moralistas anticorrupção – votaram massivamente contra. O argumento debiloide da "ditadura do STF" usado para justificar essa PEC/aberração é simplesmente um argumento estapafúrdio e sem qualquer fundamento na realidade. A real razão dessa PEC existir é que os corruptos perceberam que após a condenação do núcleo duro do Golpismo, qualquer bandido golpista pode ser condenado por cometer crimes. Será que é disso que esse bando de calhordas tem medo? Lembre-se bem dos nomes de cada um desses salafrários quando for votar para deputado nas eleições do ano que vem. Eles não merecem o voto de ninguém.

Por hora, não custa nada lembrar para os bandidos que apoiam esta PEC que o povo não tem medo deles. Político frouxo e safado tem medo de povo unido, de manifestação, de gente na rua mostrando que a bandidagem de terno e gravata não manda nesse país. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

A luta está apenas começando


O dia 11 de setembro – apesar de ser uma data sombria devido aos atentados terroristas de 2001 – foi um dia histórico para a nossa democracia no ano de 2025. Pela primeira vez na história do Brasil, militares de alta patente foram condenador por tentar um golpe de Estado juntamente com um ex-presidente. A nossa história é repleta de golpes e de tentativa de golpes, sendo que o último deles nos afundou numa ditadura fascistoide que durou mais de 20 longos anos. Jair Bolsonaro e seus comparsas foram condenados de forma a mostrar para o mundo que tanto a nossa democracia quanto o poder judiciário não se curvaram diante de ameaças imperialistas e de pressões políticas internas contrárias a ordem democrática. Foi de lavar a alma ver aquele bando de golpistas sendo colocados em seus devidos lugares, especialmente o Bolsomonstro. Apesar de ter recebido uma condenação de quase 28 anos de prisão, o futuro presidiário merecia ter recebido uma pena bem maior pelo genocídio que protagonizou durante a pandemia. Fora outros crimes "menores", tais como compra ilegal de imóveis, roubo de joias, rachadinhas, apologia ao estupro, lavagem de dinheiro, etc. Mas há um porém nisso tudo.

O voto vexatório do ministro Fux abriu espaço para que a condenação dos réus seja contestada no futuro. Eduardo Bananinha Bolsonaro segue nos EUA articulando ao lado de Trump formas de retaliar o Brasil. O congresso mais reacionário da nossa história segue planejando formas de alterar a Constituição para beneficiar os golpistas e enfraquecer o judiciário. Sem falar da burguesia que pode sempre viabilizar Bolsonaro novamente caso ache que precisamos de medidas mais neoliberais que o PT seja capaz de implementar. Apesar da vitória, a democracia sempre seguirá sendo ameaçada e é por isso que jamais podemos baixar a guarda. Precisamos percorrer anos-luz de distância para garantir que não tenhamos mais golpes no futuro.

A nossa luta está apenas começando.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Nem todo pedófilo é um abusador sexual


Recentemente, eu li um post num subreddit onde as pessoas estavam atacando um usuário do Youtube que tinha publicado o seguinte comentário:


A primeira vista, eu achei o comentário bizarro e revoltante, tipo: como assim o cara acha que todo mundo é pedófilo? Só que após parar para pensar um pouco, eu cheguei a uma conclusão que considero mais humanista e menos irracional.

Existe uma diferença importante entre alguém que sente atração por crianças e um outro que é realmente pedófilo. O cara que sente atração por crianças não é criminoso só por sentir isso dentro de si. Afinal, o desejo ou transtorno é algo que não é intencional. Assim como ninguém escolhe sua orientação sexual ou ter parafilia por animais, por exemplo, acho que ninguém escolheria sentir desejo por crianças pré-púberes num mundo onde a pedofilia é crime. Isso pode ser uma doença, uma parafilia ou algum desajuste na mente do sujeito que sente isso, mas não é crime em si. Esse sujeito pode nunca ter encostado numa criança na vida ou visto ou compartilhado material criminoso envolvendo menores e isso não faz dele um bandido. Uma pessoa nessas condições merece tratamento, ajuda psiquiátrica e acompanhamento, porque ele pode se sentir culpado pelo que sente e até pensar em suicídio por isso. Fora que muitos pedófilos sofreram abusos na infância e isso pode ter ajudado a desencadear esse tipo de transtorno. O ponto que quero deixar claro é que nem todo "pedófilo" é um abusador. Ter potencial para fazer isso não torna alguém automaticamente um abusador.

Já o bandido de verdade é o cara que abusa de crianças e que produz ou compartilha pornografia infantil. Esse, sim, é o criminoso. É esse que tem que ser preso. Por isso a gente precisa agir racionalmente antes de dar paulada num sujeito que talvez seja o do primeiro caso citado. Apesar da visão do comentário do Youtube ser absurda e doentia, na cabeça de alguém que tem esse problema, isso parece ser o natural por ele viver fechado numa bolha de pessoas que pensam como ele nas redes sociais. Eu sei que toda essa história envolvendo a adultização revolta muito a gente, mas é preciso ter cabeça fria para não atirar pedras mortais como fizeram contra o PC Siqueira e que custou a vida dele. Precisamos ter um pouco de juízo antes de linchar pessoas assim como os reaças fazem, já que "bandido" bom, para eles, é bandido morto.

Outro aspecto a se relevar é que para muita gente, a palavra "novinha" pode se referir a adolescentes de 15 a 21 anos, o que se enquadra em efebofilia e não mais em pedofilia. Não é crime relacionamentos entre adultos e adolescentes, apesar de, na minha humilde opinião, isso ser algo muito perigoso para o adolescente na maioria dos casos. Mas no caso do comentário citado, não me parece ter sido isso, já que "novinha" é uma expressão ambígua e foi usada com associação a pedofilia.

domingo, 17 de agosto de 2025

Relativizar a exploração infantil é repugnante


 

Desde que o vídeo do Youtuber Felca denunciando a adultização de crianças e adolescentes viralizou que surgiu um bando de gente sem noção (para dizer o mínimo) na internet para relativizar o ocorrido. Eu li vários argumentos de usuários nas redes sociais dizendo que não havia "nada demais" em CRIANÇAS serem exploradas por adultos em situações de exposição com apelo sexual. Frases do tipo: "Ah, mas meu bisavô tinha 35 anos quando casou com minha bisavó de 13 anos e não tinha nada demais." ou "Mas as crianças não estavam fazendo nada demais, só dançando." ou ainda "Mas eu trabalho desde os 6 anos de idade e isso não me fez mal" foram alguns dos que mais apareceram. Eu não sei se é por burrice ou má fé, mas argumentos estúpidos como esses só servem para legitimar situações e abuso contra menores. Minha gente, crianças e adolescentes ainda não atingiram seu total desenvolvimento físico, mental e cognitivo para entender o que está acontecendo com elas nessas situações ou lidar com as consequências de uma exposição que só serve para alimentar redes de pedofilia. Mesmo adolescentes com o corpo já desenvolvido (caracteres sexuais secundários completos) ainda são imaturos para perceber situações de abuso e exploração. Se entre adultos já há relacionamentos tóxicos e abusivos, imagina com menores...

É dever de todos os adultos proteger as crianças. Se omitir ou relativizar não ajuda em nada.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Qual o melhor: Witcher 3 ou Cyberpunk 2077?


Indo direto ao ponto, eu diria que The Witcher 3 The Wild Hunt é, no geral, um game melhor que o Cyberpunk 2077. Mas antes que algum cyberpsicopata fã da distopia de Mike Pondsmith comece a preparar um ataque com suas mantis blades contra mim, quero deixar bem claro que eu simplesmente AMO o universo cyberpunk tanto quanto o universo do Witcher. Eu estou trazendo esse questionamento nesta postagem porque ele está presente em vários debates sobre qual é o melhor game de mundo aberto da CD Projekt Red. Cyberpunk 2077 e Witcher 3 são as duas maiores obras-primas da empresa e sempre há discussões sobre qual é a melhor. Como eu tenho mais de 1000 horas jogadas de cada um desses RPGs, então tenho alguma autoridade para dizer o que acho de ambos. Portanto, vamos aos pontos fortes de cada um desses games:


Vantagens do The Witcher 3:

História mais longa: Witcher 3 tem um enredo mais cheio de peripécias e com mais histórias para contar que o Cyberpunk. Para terminar o básico da jornada do Geraldão de Rivia, você vai levar umas 60 horas, enquanto a história de V termina em menos de 50 horas. Fora que a série Witcher está no seu terceiro game, o que ajudou a consolidar sua jogabilidade e construção de mundo aberto e também traz a possibilidade de importar os seus saves do Witcher 2.

Mapa maior: Wild Hunt tem três grandes mapas (Velen, Skellige e Toussaint) e cada um deles é maior que toda a Night City, fora mapas menores como Kaer Morhen e Pomar Branco. Apesar do mapa do Cyberpunk ser mais complexo, ele é único e não tem uma verticalidade tão acessível.

Terceira pessoa: Eu gosto tanto de games em primeira quanto em terceira pessoa, mas a terceira pessoa tem algo que é insubstituível: a sensação de propriocepção. Em games em primeira pessoa, como Cyberpunk, você não sabe exatamente a posição de seus braços e pernas ou qual sua postura, dando a sensação que você é uma câmera voadora. E isso atrapalha especialmente na hora de fazer parkours (Mirror Edge que o diga) ou dar ataques a curta distância.

Cutscenes: Além de ajudar na jogabilidade, games em terceira pessoa ainda trazem cutscenes cinematográficas, onde parece que a gente está assistindo a um filme, podendo ver até cenas onde nosso personagem não está presente. Em Cyberpunk 2077 não há cutscenes, ao invés disso, a câmera em primeira pessoa trava sozinha em ângulos específicos nos momentos que deviam ser de uma cutscene.

Músicas: A trilha sonora do Witcher 3 é tão boa quanto a do Cyberpunk, o que desempata é que no primeiro game existem músicas ambientes que tocam em cada mapa ou em momentos específicos do game, aumentando a sensação de imersão devido a sinestesia que isso causa. Em Cyberpunk 2077, a maioria das músicas só toca na rádio ou em missões específicas. Não há, por exemplo, um tema musical das Badlands como há o tema musical de Kaer Morhen ou Ard Skellige.

DLCs: A expansão Phantom Liberty do CP 2077 é maravilhosa em todos os sentidos, mas só tem ela. O Witcher 3 tem duas: Hearts of Stone e Blood and Wine, sendo que a última traz um mapa totalmente novo e gigante.

Gwent: A cereja do bolo do Witcher 3 é o mini game do Gwent. Eu nunca vi um jogo de cartas tão viciante quanto aquele. No CP2077 não há nenhum mini game neste nível, mesmo os joguinhos dos fliperamas disponível dentro do jogo não conseguem divertir tanto quanto o Gwent.



Vantagens do Cyberpunk 2077:

Fator replay: Diferentemente do Witcher onde você só joga com o Geralt, em Cyberpunk 2077, o seu personagem é construído do zero. Você escolhe o background histórico (nômade, marginal ou corporativo) e customiza toda sua aparência, gênero e pontos de habilidade. Cada vez que você joga é como se fosse um protagonista totalmente novo, aumentando bastante o fator replay.

Variedade de builds: Enquanto no Witcher 3 você tem poucas builds envolvendo basicamente armaduras e habilidades de espada, sinais e alquimia, no CP 2077, você tem a árvore de habilidades e as cibernéticas que se combinam de formas muito variadas. Jogando como V, você pode ser espadachim, arremessador de facas, netrunner, tank, berserker, furtivo, sniper, pistoleiro ou se mover em super velocidade com o sandevistan. Fora que é possível terminar o game sem matar ninguém, coisa que não é possível no Witcher.

Modo foto: O modo fotografia do Cyberpunk é praticamente um game à parte. As possibilidades de iluminação, poses e interação de personagens é algo incrível e que tem sido aperfeiçoado a cada atualização. Embora o Witcher também tenha um modo foto, o do CP2077 é bem melhor.

Final secreto: Cyberpunk 2077 tem um final secreto que é absolutamente incrível e desafiador. Eu fiz esse final duas vezes na dificuldade very hard e confesso que foi uma das coisas mais satisfatórias e emocionantes que já fiz num jogo de videogame.

Então, por todos esses motivos eu considero que Witcher 3 é um game 10/10 enquanto que Cyberpunk 2077 é um 9,7/10. Nunca é demais dizer que os problemas no lançamento e os bugs que o CP2077 enfrentou atrapalharam o desenvolvimento do game e cortaram parte do seu conteúdo, mas mesmo assim, o jogo é incrível hoje e consegue ficar praticamente no mesmo nível do Witcher 3.

terça-feira, 15 de julho de 2025

Brasil não é Brazil


O plano da familícia Bolsonaro de usar a própria pátria como refém para negociar uma anistia para o inelegível foi uma das coisas mais burras que vi na vida. A taxação tresloucada do bufão laranja que preside os EUA pode até prejudicar o Brasil num primeiro momento, porém, o que os gringos não sabem é que o brasileiro é especialista numa coisa chamada "jeitinho". O governo Lula, tão odiado pelos bolsominions, já deu um jeitinho de buscar novos mercados que irão beneficiar a economia brasileira e trazer novas oportunidades para o agronegócio. Ou seja, na prática, o tiro dessa taxação vai sair pela culatra, afetando os EUA que pagará mais caro por nossas commodities e ainda por cima vai servir para mostrar o quão covarde o clã Bolsonaro é ao tentar se safar da justiça ameaçando o próprio país. Quem se fortalece com essa maluquice toda é o governo Lula que, diga-se de passagem, já aumentou sua aprovação desde o início do tarifaço de Trump. Isso sem falar do BRICS que fica ainda mais fortalecido. Se o presidente americano achou que poderia mandar e desmandar no Brasil, quebrou a cara, porque isso aqui não é brazil, mas, sim, BRASIL

quarta-feira, 25 de junho de 2025

O mundo não precisa de mais armas nucleares


Tenho visto algumas pessoas defendendo o direito do Irã possuir armas de destruição em massa como forma de "pacificar" o Oriente Médio, já que países com armamento nuclear teoricamente não se agrediriam devido ao risco da MAD (mutual assured destruction), a tal "destruição mútua assegurada". Armas nucleares em poder do Irã, segundo a ótica armamentista, faria com que Israel parasse de atacar países vizinhos por medo de uma retaliação atômica. Eu entendo esse ponto de vista, acontece que na prática, isso não daria certo. Antes que me rotulem de sionista, não estou defendendo o governo assassino da extrema-direita israelense que é responsável pelo genocídio civil em Gaza, até porque esses bombardeios israelenses contra instalações nucleares iranianas violam acordos internacionais devido ao risco de tragédias envolvendo radioatividade tal como ocorreu em Chernobyl. Além disso, não há provas de que o enriquecimento de urânio iraniano teria fins bélicos, o que faz parecer que esse ataque repentino de Israel não passa de mais uma manobra para o corrupto (e condenado pelo Tribunal Penal Internacional) Benjamin Netanyahu ganhar popularidade para se manter no poder. 

O ponto que quero destacar é que quanto mais países possuírem bombas atômicas, maior a chance de uma tragédia. É verdade que ninguém quer se destruir e arrasar o seu próprio país no caso de uma MAD, mas o grande problema de ter armas nucleares são os riscos de "ataques fantasmas". Aconteceu por diversas vezes ao longo da Guerra Fria um falso positivo de ataques nucleares que, por muito pouco, não causou uma guerra nuclear total. Um simples erro na detecção de mísseis balísticos intercontinentais pode desencadear um ataque nuclear de retaliação sem que nenhum míssil real tenha sido disparado ou que nenhuma guerra tenha sido declarada. Existem sistemas de disparos automáticos de ogivas nucleares espalhados por todo mundo que causariam ataques nucleares generalizados pelo planeta em resposta a um ataque falso. Se corremos esse risco constantemente com apenas 9 países tendo arsenal nuclear, imagine então com países instáveis de governos teocráticos fazendo parte do clube da bomba. Não acho racional que mais países tenham armamento nuclear. Acho, na verdade, que as armas nucleares são uma vergonha para a raça humana e que todas elas precisam desaparecer para sempre. Uma guerra nuclear mataria bilhões de seres humanos, destruiria a civilização e nos jogaria num longo inverno nuclear cheio de doenças e mortos de fome – isso sem falar da selvageria que ocorreria em nome da sobrevivência num cenário pós apocalíptico. Voltaríamos à idade da pedra em questão de horas, só que com muita radiação contaminando tudo e sem a luz do Sol.

No caso iraniano, a saída tinha que ser diplomática. Ou o Irã permite vistorias internacionais em suas instalações nucleares, ou então sofreria sanções econômicas e diplomáticas. Lançar bombas no país não resolve a questão do enriquecimento do urânio e ainda dá um motivo a mais para o Irã querer ter realmente a sua arma nuclear.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

A extrema-direita sempre irá fracassar


Observe os fatos. Roberto Jefferson, Carla Zambelli, Braga Netto, Gilson Machado, Daniel Silveira e mais um bando de "malucos" foram presos por apoiar ideias radicais da extrema-direita, incluindo desde a volta do AI-5 até a tal Intervenção Militar. Os que ainda não foram presos estão se borrando de medo de ir visitar a Papuda, incluindo aí o inelegível. Note que, não por acaso, a própria história mostra a forma trágica como os líderes da extrema-direita terminaram suas trajetórias políticas. A lição que fica mais uma vez é que discursos de ódio, perseguição política, ruptura institucional, moralismo de goela e ultranacionalismo sempre se voltam contra quem os propaga. Democracia não funciona com intolerância e violência. O autoritarismo tão almejado pelos bolsonaristas é típico de quem não sabe fazer política, porque política é uma ciência feita de diálogo, ética e respeito ao bem comum. O que essa cambada de golpistas queria, lá no fundo, era negar o pacto civilizatório em nome dos próprios interesses. E o resultado dessa forma irresponsável de fazer política está aí para todos verem. 

A extrema-direita não compensa, porque ela sempre irá fracassar.

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Marina Silva é uma mulher GIGANTE

Ontem eu fiquei bastante indignado (mas nem um pouco surpreso) com aquela baixaria lamentável dos senadores da direita “feijão com arroz” contra a ministra do meio ambiente Marina Silva na Comissão de Infraestrutura do Senado. Com seus ataques machistas típicos do velho cornelismo brasileiro, os senadores Omar Aziz (PSD-AM), Plínio Valério (PSDB-AM) e o bolsominion presidente do colegiado Marcos Rogério (PL-RO) protagonizaram uma das cenas mais vergonhosas desde a redemocratização. Notavelmente, todo aquele circo nauseabundo teve como objetivo atacar ministros do governo e criar cortes para virar memes para a direita teratológica que infestou o país desde a candidatura do Bolsomonstro a presidência. Apesar da covardia de vários homens tentando calar e agredir a ministra, ela não se calou e não se colocou em seu “devido lugar”. Quem realmente saiu maior daquela baixaria toda foi a ministra Marina Silva, porque ela desafiou aquele bando de machos pré-históricos e seus discursos escatológicos contra o meio ambiente. Não sou lá muito fã da ministra, mas tenho que admitir que ela é uma mulher GIGANTE. 

Ah, e com relação ao tema que estavam discutindo, lembre-se que ao rasgar a legislação ambiental não é o capitalismo que vence, somos nós que perdemos. O tal “progresso” que uns querem para certas regiões do país significa efeitos colaterais no clima e em nossas vidas no médio e longo prazo. Mas quem disse que um bando de muquiranas que só pensam em dinheiro e em se perpetuar no poder pensam nisso? Eles só pensam no agora e neles mesmos. E a humanidade que se phoda.

sábado, 17 de maio de 2025

As reborns vieram para ficar


Um fato interessante observado nas últimas décadas é que a taxa de natalidade tem caído vertiginosamente em vários países, especialmente nos mais desenvolvidos. Isso, possivelmente, vai se tornar um problema econômico no futuro que pesará nas receitas dos governos e causar impactos na previdência social. Mas talvez o maior problema da menor taxa de natalidade seja social, isso porque os seres humanos possuem uma necessidade quase instintiva de cuidar, de dar carinho e de proteger. Essa necessidade materna/paterna de cuidar vem desde os primórdios, porque os bebês humanos levam vários anos até conseguirem se tornar minimamente independentes dos pais. Então a seleção natural se encarregou de recompensar com bem-estar hormonal e psicológico aqueles que cuidavam de suas crias a ponto do cuidado com pessoas próximas se tornar uma das necessidades da Pirâmide de Maslow. Mas a pergunta que fica é: como as pessoas poderão ter esse bem-estar do cuidado com os filhos se elas estão optando por não terem mais filhos? É exatamente isso que explica o sucesso quase repentino dos bebês hiper realistas mais conhecidos como reborns entre adultos, principalmente entre as mulheres.

As bonecas reborn, por serem muito parecidas com bebês de verdade, acabam causando apego em muitas pessoas pelo simples apelo visual e afetivo. Semelhante às bonecas sexuais hiper realistas vendidas para homens em sex shops, esses bebês possuem articulações e pele que simulam o corpo humano de maneira bastante convincente. Como muitas mulheres não querem ou não podem ser mães, então esses bonecos servem para preencher a lacuna da necessidade de proteção e cuidado materno que elas precisam. Apesar de todas as críticas que são feitas às mulheres que adquirem esses rebons, não há nada de errado em ter e cuidar de um bebê de mentira, especialmente as mulheres que tiveram gravidez psicológica ou perderam seus bebês prematuramente. O problema é quando a pessoa perde a noção da realidade e começa a achar que o reborn é um bebê de verdade, exigindo que os outros o tratem como se fosse um ser humano real. Hospital e creche de reborn é algo que já me parece passar dos limites de uma brincadeira saudável de simulação de mãe filho para virar um comportamento quase patológico. Mas fora isso, ter um reborn é tão normal quanto ter uma sex doll ou fazer uma coleção de brinquedos. O bom desses bonecos é que as mães deles podem brincar de ser mãe quando quiserem, já que não é filho de verdade para exigir atenção 24 horas por dia e cuidados reais. O reborn vira uma espécie de tamagotchi que você pode interagir na hora que quiser para seu passatempo. 


Acredito que num futuro próximo, quando androides e ginoides controlados por IAs se tornem mais comuns, será natural formar família com robôs e bonecos hiper realistas. É preciso levar em consideração que nem todo mundo tem condições físicas ou emocionais para ter um parceiro amoroso ou filho de verdade. É melhor que pessoas inaptas para o convívio social tenham seus próprios bonecos do que causar traumas a humanos de verdade em relacionamentos tóxicos.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Cyberwoman 2077


Estou completando hoje um ano que comecei a jogar pra valer o redimido Cyberpunk 2077 e passei da marca das 1100 horas de jogo, sendo ele meu segundo game com mais horas de gameplay da Steam, ficando atrás apenas do bom e velho Counter-Strike que tenho mais de 3000 horas jogadas. E nas minhas dezenas de campanhas no CP 2077, percebi uma coisa interessante: que a maioria das minhas playthrough runs foram com a protagonista V feminina. O mais interessante é que dando uma olhada nas comunidades do game no Reddit, eu percebi a mesma coisa, porque a maioria dos jogadores também prefere jogar com a V mulher ao invés do V homem. Depois de pensar nos motivos, cheguei a sete razões pelas quais jogar sendo a V fêmea é mais interessante que jogar com o V macho.

Esse sorriso psicopata ganhou meu coração.


Relacionamentos
Um dos maiores motivos para jogar com a V mulher é a possibilidade única de romancear a Judy (que é lésbica). Das quatro opções de relacionamento que o jogo oferece, essa técnica em neurodança das Mox é a melhor (na minha opinião, claro). 

Dublagem
Tanto a dublagem do V homem quanto da V mulher são excelentes. Mas a voz da V feminina me parece mais agradável e mais natural. A voz do V homem (tanto na dublagem inglês quanto na brasileira) me soa muito clássica, tipo a de um galã – enquanto que a da V mulher parece que é uma pessoa comum falando, tornando a experiência mais natural e imersiva. Enquanto o V masculino faz a gente se sentir num filme, a V feminina faz a gente se sentir na vida real.

Estética
Talvez seja preconceito meu, mas as possibilidades de criar uma V feminina são mais variadas que as do V masculino. Enquanto que na V feminina você escolhe unhas, cor do esmalte, cor do batom, tamanho dos seios e fica bem com todos os penteados, no V masculino essas opções ficam bem esquisitas, especialmente se seu V for heterossexual. Sem falar que ver homem pelado sempre que a gente entra no guarda-roupas e customizar a genitália masculina não é algo que eu descreveria com agradável (já que sou homem hétero).

Vestimenta
Da mesma forma que customizar a V feminina é mais divertido e variado, vesti-la e comprar roupas para ela também é. Todas as roupas caem bem na V mulher e combiná-las com cortes de cabelo e maquiagem faz a gente gastar algumas horas a mais para caprichar naquela foto bacana no photo mode, transformando o game numa espécie de Cyberbarbie 2077. 

Lag
Não sei se isso acontece com todo mundo ou se é um defeito da minha placa de vídeo, mas as roupas do V masculino demoram um pouco mais para serem renderizadas, dando um lag de um ou dois segundos. Isso ocorre tanto no inventário quanto durante o game, o que torna a jogabilidade com a V  feminina mais fluida, já que não há esse problema com ela. 

Interpretação
Jogar como a V feminina desperta em mim um estranho instinto de proteção com ela, como se ela fosse uma espécie de filha virtual. Além de que é interessante estar na pele de uma pessoa de outro gênero diferente da gente, ainda mais com o jogo sendo em primeira pessoa, o que aumenta a sensação de imersão.

Silverhand
A última razão pela qual é interessante jogar com a V é que Johnny Silverhand é um sujeito machista, anticorporativo e odeia a Arasaka. Se a nossa V tiver um passado corporativo, então ele acordará justamente na cabeça de uma mulher corpe e ainda por cima da Arasaka. É uma antítese interessante que cria uma dinâmica de interação curiosa, porque ele odeia a V, mas ao mesmo tempo vira praticamente um amigo dela. Fora que a interação dele com a V feminina me parece mais engraçada e fluida.


V: A exterminadora do futuro.

É por tudo isso que o meu cânone pessoal no game é com a V feminina, corporativa, de preferência. 

sábado, 26 de abril de 2025

A Igreja Católica nunca mais será a mesma


Com o falecimento do Papa Francisco nesta semana, todos os principais holofotes do mundo passaram a ser direcionados para o Vaticano e para o Conclave que irá eleger seu sucessor. Isso não só por uma questão religiosa, mas, principalmente, por uma questão política. O Papa tem uma grande influência nas questões diplomáticas do mundo por ser um dos mais importantes líderes religiosos do planeta. Para citar alguns breves exemplos, a sua influência foi decisiva quando ele condenou o lawfare, o genocídio em Gaza, a discriminação contra imigrantes, os muros que geram exclusão e até a postura retrograda da Igreja diante dos homossexuais. Daí que muita gente se questiona como um Papa tão liberal quanto Francisco conseguiu ser escolhido pelo Vaticano como representante máximo de Cristo na Terra. A resposta é simples: sobrevivência.

A Igreja Católica sempre foi uma instituição ultra reacionária que para poder sobreviver apoiou coisas nefastas na nossa história como Cruzadas, Inquisição, escravidão e até o nazifascismo. Mas como o mundo neste século XXI tem se tornado cada vez mais liberal e tolerante no sentido dos costumes, para poder sobreviver e se adaptar às mudanças, fez-se necessário que um papado mais "progressista" fosse adotado pelo Vaticano. Isso também ocorreu porque a Igreja Católica tem perdido muitos fiéis para as igrejas protestantes, especialmente os mais jovens. Então nada melhor que um Papa mais humanista e revolucionário para cumprir esta missão. 

Claro que grandes mudanças nunca virão tão rápido no caso da Igreja, porque há muita resistência entre os próprios fiéis mais conservadores. Mas o que é notável é que há uma tendência a mudanças importantes no longo prazo que poderão incluir a aceitação de métodos contraceptivos, casamento homoafetivo e até mulheres exercendo o sacerdócio. Mas isso ainda vai levar tempo. O fato é que após Jorge Mario Bergoglio, a Igreja Católica nunca mais será a mesma.