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domingo, 31 de maio de 2026

Fim da escala 6x1 é pauta da esquerda


Tem coisas nesta vida que são óbvias, mas por vivermos numa sociedade alienada politicamente e imbecilizada pelo fascismo, nunca é demais lembrar da verdade. Dito isso, é preciso ressaltar que o fim da escala 6x1 aprovada pela câmara não é e nunca foi uma proposta da direita. Quem sempre defendeu e continua a defender os direitos da classe trabalhadora é a esquerda. A maior prova disso é que a proposta teve votos contrários apenas dos partidos de direita. Só quem não é a favor do trabalhador ter mais qualidade de vida e dignidade é a burguesia que, diga-se de passagem, foi representada de forma bastante caricata pelo dono da Havan com suas ironias tragicômicas.  

Os trabalhadores que odeiam a esquerda e vomitam macarthismo gratuito internet afora devem agradecer à esquerda por terem direito a férias remuneradas, décimo terceiro salário, jornada de trabalho de menos de 50 horas semanais e salário mínimo com aumento acima da inflação. Achar que é melhor um mundo onde as classes dominantes são livres para nos explorar até a morte é, simplesmente, uma forma patética de fazer vassalagem para as oligarquias globais. Nosso dever como classe que produz a riqueza do planeta é nos unir para que tenhamos o mínimo para viver com dignidade. Enquanto a classe trabalhadora não entender isso de forma majoritária, sempre iremos ter pacotes de austeridade impostos pela direita para enricar quem vive de nos explorar.

sábado, 2 de maio de 2026

Precisamos abrir os olhos


A rejeição histórica do senado ao advogado geral da União Jorge Messias para a vaga no STF não foi um fato político isolado. O incidente teve várias camadas. Além da indicação do advogado ter frustrado parte da ala progressista por ele ser um homem branco e conservador, tivemos também uma série de articulações nos bastidores envolvendo o presidente do Senado, ministros do STF e a "rasteira" de aliados importantes por falta de blindagem no caso do Banco Master. Logo em seguida, veio a derrubada do veto presidencial ao PL da dosimetria, mostrando que o Governo Federal está com dificuldade de articulação, queda de popularidade e em clara desvantagem numérica no legislativo. Essa turbulência, em parte, é por culpa do próprio governo que tem feito concessão demais ao agronegócio, ao centrão, aos bancos, ao imperialismo e aos corruptos. Isso colocou o governo Lula nas mãos de oligarquias perigosas que nunca se contentam com o muito que ganham. Contudo, é inegável que a desgraça seria menor se a direita bolsonarista e o centrão não fossem maioria no congresso. E é aí que entra a importância da conscientização dos eleitores.

Vivemos em um presidencialismo de coalizão. E este é um sistema de governo que exige alianças e coligações para se obter apoio para governar. Portanto, as pessoas precisam evitar votar em candidatos que não estejam alinhados politicamente entre si. Não faz sentido votar no Lula para presidente e em deputados do centrão na mesma eleição. Isso abre espaço para barganhas, chantagens, lobby e conchavos em nome da estabilidade. O resultado dessa bagunça é essa dificuldade de governabilidade que é comemorada pelos bolsonaristas como se fosse algo bom. No fim das contas, são os corruptos que sempre levam a melhor nesse cenário de instabilidade política, já que eles são oportunistas e se aproveitam das crises para aumentar suas áreas de influência e seus ganhos pessoais ilícitos.

Já ao governo Lula resta o enfrentamento e parar de ceder tanto ao centrão e aos neoliberais que fingem querer conciliação. Precisa indicar uma mulher negra progressista ao STF, não blindar aliados corruptos e ficar do lado certo que é o da sua base eleitoral, porque se for para cair, que seja atirando e defendendo os trabalhadores, minorias e quem o ajudou a se eleger ao invés de ficar nas mãos dos corruptos da velha direita.

domingo, 5 de abril de 2026

Basta de tiranos megalomaníacos no mundo


Donald Trump é um bufão de um império em decadência. É simplesmente uma piada de mau gosto que um presidente que almejava receber o prêmio Nobel da Paz esteja a brincar de reizinho do mundo de forma tão irresponsável. Primeiro, Trump taxou impunimente o mundo inteiro, causando uma bagunça desnecessária na economia global e encarecendo os produtos nos EUA. Segundo, ele ordenou o sequestro do presidente da Venezuela e deixou lá um governo refém de seus interesses para prejudicar negócios com China e Cuba. Cuba, por sua vez, além do bloqueio econômico histórico que sofre dos EUA desde os anos 1960, agora não recebe mais petróleo venezuelano e isso causou uma crise energética e humanitária sem precedentes no país caribenho a troco de nada. Logo depois, veio aquela maluquice de querer tomar a pulso a Groenlândia, causando uma crise sem precedentes dentro da Otan. Daí, sem mais e nem menos, para agradar a extrema-direita israelense, o Laranjão se junta com Netanyahu para atacar o Irã e se coloca numa sinuca de bico por não conseguir desbloquear o Estreito de Ormuz. Isso sem falar de todo aquele incidente deplorável envolvendo a polícia de imigração dentro do próprio país. 

Ou o escândalo do Epstein deve ser realmente algo muito grave a ponto de precisar de toda essa bagunça para ser abafado, ou então o desespero pelo crescimento da China diante da crise norte-americana está fazendo o narcisista da Casa Branca surtar de vez. Tudo bem que Trump é um fascista, mas até o fascismo tem seus limites de atuação. O que fica claro com toda essa porralouquice americana é que a humanidade precisa se reorganizar urgentemente para lidar com tiranos magalomaníacos e evitar que eles cheguem ao poder. Em um momento de decadência do capitalismo e com tantas armas de destruição em massa espalhadas pelo planeta Terra, não é inteligente permitir que irresponsáveis coloquem a existência da humanidade sob ameaça. 

quarta-feira, 25 de março de 2026

Por um mundo com menos ódio


Foi aprovado no Senado, nesta terça-feira (24), o Projeto de Lei que inclui a misoginia (crime de ódio contra as mulheres) na Lei do Racismo. Assim como já havia sido feito em 2019, quando o STF também incluiu a homofobia na mesma lei, a misoginia passará a ser punida como um crime de preconceito. A proposta segue para sanção do presidente Lula. Pois bem, sendo bem honesto, sabe o que eu achei? Uma vergonha. Isso mesmo: uma vergonha! Uma vergonha que tenham DEMORADO TANTO para incluir o ódio contra o gênero feminino como uma forma letal de preconceito. Se este PL tivesse sido criado antes, movimentos masculinistas (como o redpill) não teriam crescido tanto e a vida de centenas de mulheres podia ter sido poupada nesta verdadeira epidemia de feminicídios. Mas o que realmente me assusta nisso tudo é a reação (especialmente a masculina) na internet diante da aprovação deste PL.

Políticos bolsonaristas e da extrema-direita em geral, como bons reaças que são, reagiram com o intuito de tentar invalidar e derrubar o PL. Inclusive, tem um deputadozinho bem famoso aí (que me recuso a digitar o nome) que ganhou muita visibilidade quando chamou a aprovação deste PL de "aberração" e que vai trabalhar para derrubá-lo. Isso sem falar do esgoto a céu aberto na própria surface web que trouxe à tona milhares de homens compartilhando verborragia sexista, falácias reacionárias e muita misoginia que só reforçam a necessidade de combater a violência de gênero. Apesar de achar essa cambada de reaças um atraso civilizacional, numa coisa eu concordo com eles: é preciso ser bem específico na tipificação deste crime. Este projeto precisa ser bem claro e específico sobre o que é, do ponto de vista constitucional, a misoginia. Porque se for depender da boa vontade interpretativa de um poder judiciário formado majoritariamente por homens e que chegou ao cúmulo de aprovar como "união estável" o estupro de uma menina de 12 anos por um homem adulto, o nosso machismo estrutural vai fazer este PL parecer só mais uma "Lei para inglês ver". Sem mencionar que mesmo fora do esgoto a céu aberto das bolhas masculinistas estão aparecendo pessoas comuns (homens e mulheres) que estão sendo radicalmente contra esta mudança na lei com todo tipo de argumento, seja ele lógico ou não.


É preciso que fique claro que todo e qualquer avanço civilizacional a favor de minorias ou grupos de vulnerabilidade social precisa ser defendido para nos manter vivos como espécie neste planeta. Existem milhares de ogivas nucleares espalhadas pelo mundo prontas para serem disparadas a qualquer momento. E se os ódios e preconceitos não forem combatidos na raiz, a nossa probabilidade de sobrevivência ao longo das décadas despenca vertiginosamente, especialmente com essas crises sazonais do sistema capitalista global. É na inclusão social e na teia de proteção do Estado que essas minorias têm garantias mínimas para serem tratadas com dignidade. Fora que essa medida também ajuda a diminuir o tanto de ódio que há neste mundo. E, infelizmente, ainda existe MUITO ódio contra tudo que é feminino em pleno século 21 pelo fato deste ser um século de mudanças onde grupos oprimidos estão começando a desafiar o sistema e a conquistar seus espaços e seus direitos. Uma lei contra a misoginia tem que ser comemorada ao invés de ser combatida, porque ódio contra as mulheres é ódio contra toda a humanidade. Não há futuro em um mundo que tenta manter a violência e os privilégios de uma classe opressora através da impunidade e da falsa defesa da liberdade de expressão. 

Esta lei precisa ser sancionada e ainda assim ela não é garantia de nada. A lei contra o racismo e a homofobia está aí, mas mesmo assim, ainda há MUITO racismo e homofobia no Brasil ocorrendo impunemente. Temos que combater a violência e o preconceito não apenas na lei, mas nas nossas atitudes como cidadãos no nosso cotidiano. Temos que ensinar o respeito, o altruísmo, a empatia, a gentileza, a solidariedade, a generosidade e a inclusão aos nossos filhos. Porque é através dessas pequenas mudanças para o bem que teremos a chance de ter um mundo melhor. 

E antes que alguém diga asneiras, eu não estou apenas defendendo as mulheres. Eu estou NOS defendendo. Eu estou defendendo a mim, a você e a todos os seres humanos, porque se não fosse por uma mulher, nem eu e nem você teríamos sido gerados. E um mundo com menos ódio é um mundo com menos dor onde todos nós teremos mais chances de continuar existindo como espécie. Portanto, encerro este post parafraseando um autor desconhecido que li por aí: "Em tempos de ódio, amar é um ato revolucionário". Isso porque quem ama não perde tempo odiando ninguém. 

quinta-feira, 12 de março de 2026

O Senhor da Guerra não gosta de crianças


Quando eu digo que o capitalismo é a maior ameaça para humanidade, essa afirmação não é por alarmismo ou por paixão socialista barata. O sistema capitalista precisa de guerras para se manter existindo. Essa guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã é um exemplo clássico disso. A alegação de que o Irã está desenvolvendo armas nucleares é só uma desculpa esfarrapada da extrema-direita para manter a hegemonia do petrodólar e prejudicar a rota da seda da China com o Oriente Médio. Claro que a indústria bélica norte-americana também usa seu lobby para promover a carnificina e há a intenção em reforçar o controle da região através do protetorado americano no Oriente Médio que é o Estado de Israel. Mas o que realmente motiva tudo isso é a soberba e a ganância sem fim do maior império capitalista do mundo. Nada disso estaria acontecendo se os EUA fosse um país socialista. É por isso que sempre reafirmo que jamais haverá paz enquanto o capitalismo existir.


Deixando de lado essas justificativas estúpidas para a guerra, temos que atentar para o fato mais doloroso e ignorado nessa história que são as baixas civis. Um míssil norte-americano do tipo Tomahawk detonou uma escola no sul do Irã matando mais de 160 pessoas, sendo 110 crianças. Cento e dez crianças que morreram de forma brutal por motivações idiotas de um império em decadência. E não vai parar por aí, porque o capitalismo não gosta de paz e o Senhor da Guerra não gosta de crianças.



E depois ainda tenho que me explicar por que sou de esquerda...


domingo, 8 de março de 2026

Basta de machismo na política


Se tem uma coisa que não faz o menor sentido para mim é o apreço de uma parcela oprimida da população por seus algozes. Ontem foi divulgada mais uma pesquisa do Datafolha onde Flávio Bolsonaro aparece logo atrás do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva quase empatados tecnicamente. Eu não fiquei surpreso com esses números, mas confesso que fiquei um pouco estarrecido de saber que boa parte das intenções de voto do Flávio Bolsonaro vieram de mulheres. Ora, o senador do PL é filho de um homem que está preso por tentativa de Golpe de Estado e que sempre desdenhou as mulheres, chegando ao cúmulo de dizer que uma deputada "não merecia" ser estuprada. Sem falar de outras incalculáveis asneiras machistas ditas pelo Bolsomonstro que deixaram claríssima sua aversão grotesca por mulheres. Em contraste com as falas misóginas do mentecapto da extrema-direita, ontem, em um pronunciamento, o presidente Lula mostrou, entre outras coisas, a importância de combater a violência de gênero e de valorizar a força de trabalho das mulheres. Para mim, pelo menos, a diferença entre Lula e os Bolsonaros quando se trata de respeito às mulheres é abissal.

Enfim, a gente sabe que existe um sentimento antipetista muito forte especialmente dentro da classe média, mas considerar seriamente o voto num sujeito envolvido em vários escândalos e que é filho de um corrupto, golpista, sexista e genocida da pandemia é irracional – especialmente partindo de alguém do sexo feminino. A direita brasileira precisa se reinventar, do contrário, o Brasil será um eterno refém de políticos arruaceiros e oportunistas que surfam na onda do fascismo. O Brasil precisa de um projeto de construção, mas o fascismo tupiniquim, infelizmente, só tem projeto de destruição. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O futuro do capitalismo é totalmente cyberpunk


Quem conhece o universo distópico criado por Mike Pondsmith já entendeu que a franquia Cyberpunk trata de uma sociedade à beira do colapso devido a um capitalismo sem controle. Violência, criminalidade, drogas, vício, desigualdade, poluição, destruição da natureza, colonialismo corporativo e desesperança fazem parte de um futuro onde a tecnologia de implantes cibernéticos roubou o que restou de humanidade das pessoas. Um ultra capitalismo tecnológico com Estado mínimo onde as megacorporações fazem guerra armada entre si só mostra a monstruosidade de um mundo onde o lucro está acima de tudo. O anime Cyberpunk Edgerunners e o game Cyberpunk 2077 mostram a corrupção, a brutalidade e o fetiche pelo cromo como protagonistas da cidade de Night City. Ninguém naquela cidade é verdadeiramente livre ou feliz, porque as corporações roubaram os sonhos e as esperanças das pessoas, jogando-as num pesadelo que pode terminar a qualquer momento seja em um apocalipse tecnológico causado por IAs maléficas que estão além da Barreira Negra, ou em uma guerra nuclear entre as megacorporações armamentistas. Não há bom presságio em Night City.

Não há esperança em um mundo sem futuro.


O mais interessante é que essas semelhanças com o mundo real não são mera coincidência. Pondsmith, como gênio literário, nos apresenta uma visão do futuro de um mundo capitalista. E não há qualquer possibilidade do futuro do capitalismo ser bom, mesmo numa perspectiva otimista. Se não abrirmos os nossos olhos e lutarmos contra esse sistema, mais em breve do que imaginamos iremos entrar numa realidade igual ou pior. O que a distopia grita o tempo todo é um óbvio "não há futuro no capitalismo". Isso porque o capitalismo torna as pessoas racistas, egoístas e corruptas. O senso de coletividade neste sistema é destruído e as pessoas passam a buscar poder, status, materialismo e sucesso individual a qualquer custo. Os nossos semelhantes tornam-se degraus para serem pisados e peões para serem explorados. Somos desumanizados e vistos como meros objetos utilitários para os que almejam o poder. Só no capitalismo a ideia de que "quem não rouba é otário" pode fazer algum sentido. 

Quem não for capaz de compreender isso será como um gado feliz indo direto para o abatedouro. E quando for tarde demais lembre-se: Cyberpunk avisou...


O futuro do capitalismo é o fim de todos nós.


domingo, 25 de janeiro de 2026

Trump não é louco. É um fascista.


Achar que o presidente norte-americano Donald Trump é um louco, sociopata, infantil ou senil é bastante tentador dado seu comportamento tresloucado durante o primeiro ano de presidência. Afinal, o cara tarifou o mundo impunemente, sequestrou o presidente da Venezuela, quer tomar a Groenlândia, quer se apossar do Canal do Panamá e ameaça a soberania de aliados como o Canadá. O problema é que as ações de Donald Trump refletem o comportamento típico de um narcisista que lidera um império em declínio. A China têm crescido ano a ano e, em breve, tornar-se-á a maior potência econômica do planeta. O que resta aos EUA para atrasar a perda do posto de maior economia global é recorrer ao botão de pânico do capitalismo que é justamente o fascismo. Se os Estados Unidos não conseguirem manter a hegemonia do petrodólar, a queda do império será quase imediata. Então o que resta é apelar para invasão de países, guerras, tarifaços, golpes de Estado, chantagem econômica e encrudescer o regime no próprio país. Trump e seu governo de extrema-direita vivem sinalizando apoio indireto a grupos neonazis, contam com sua própria Gestapo (a polícia de imigração) que pratica assassinato de civis e demonstra um desapreço imensurável pela ciência e pela democracia. Todo esse método político de Trump é claramente fascista. A política imperialista do Big Stick e a reedição da Doutrina Monroe mostram que os EUA não são somente uma nação imperialista, mas que também usam o fascismo como metodologia de poder para controlar o mundo.

sábado, 17 de janeiro de 2026

O triste fim do mito fracassado

Ontem me deparei com uma postagem no Reddit que explicitava o quão patético e minúsculo está sendo o fim de Jair Messias Bolsonaro na política brasileira. E não é para menos. Ora, o "mito" atacou as urnas eletrônicas, perdeu uma reeleição mesmo roubando e com todas as vantagens, se recusou a aceitar a derrota, falhou miseravelmente em dar um golpe, foi rejeitado ao pedir ajuda do Trump, foi condenado de forma justa e mesmo tendo a chance de cumprir a pena em regime domiciliar, teve a cara de pau de violar a tornozeleira eletrônica com ferro de solda. E agora, preso em regime fechado no complexo da Papuda, alegou tortura pelo barulho do ar-condicionado e por não ter smart TV. Tudo isso com crise de soluço. Eu diria que foi um fim justo para um palhaço fascista que foi corresponsável pela morte de centenas de milhares de brasileiros na pandemia e que afundou o país no mapa da fome. Mas o melhor de tudo foi o racha que ele causou entre seus aliados e as penalidades que o Eduardo Bananinha recebeu por desertar para os EUA para defender sanções contra o Brasil. E fechando com chave de ouro, os filmes brasileiros (Ainda Estou Aqui e Agente Secreto) que criticaram a ditadura que ele defendeu foram premiados internacionalmente.

O único ponto a lamentar é que apesar do bolsonarismo estar capengando, a extrema-direita segue firme no Brasil e no mundo. Qualquer político que flerte com autoritarismo e macarthismo vai ganhar notoriedade e votos suficientes para colocar novamente a democracia sob ameaça. Só nos resta lutar.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Que 2026 seja um ano horrível para os patriotários


Quando eu digo que os reaças são os maiores inimigos do Brasil, não é exagero e nem figura de linguagem. Olhe, por exemplo, como eles reagiram à premiação do filme Agente Secreto no Globo de Ouro. Foi um festival de acusações falsas, torcida contra e análises totalmente desmioladas do filme. Não foi diferente do que aconteceu no Oscar do nosso outro filme Ainda Estou Aqui onde os mesmos reaças safados fizeram questão de torcer contra. A arte e o cinema brasileiro dando orgulho ao país e os conservas torcendo contra. Aliás, torcer contra o Brasil sempre foi o forte dessa ralé subintelectualizada que teve a cara de pau de, em pleno 7 de setembro, exibir aquela bandeira norte-americana enorme nos protestos na avenida Paulista. E quando o presidente venezuelano foi sequestrado durante aquela invasão militar ilegal do Tio Sam, fizeram questão de pedir que o mesmo ocorresse no Brasil. Tá bom ou quer mais?

Por essas e outras que ser reaça é, sobretudo, a arte de ser antipatriota. Eu sei que estou sendo repetitivo ao afirmar isso em mais uma postagem, mas é que me dá mal-estar ver esses bostões fantasiados com as cores do país bradando aos quatro ventos que são "patriotas". Não são patriotas patavinas nenhuma. São, na real, a antítese de tudo que pode ser considerado ufanista. São um bando de alienados que merecem ser chamados de patriotários.

Espero que se a seleção brasileira for campeã da Copa do Mundo, que seja com aquela camisa vermelha que eles tanto abominaram. E também com a reeleição do Lula em outubro para eles enfartarem de vez. Vai ser o maior Death Note da vida real, ahahah.

Mas papo sério agora, os verdadeiros patriotas são aqueles que apoiam uma Revolução Brasileira. Somente uma revolução brasileira nos livraria desses traidores da pátria, evitaria esses trocentos golpes de Estado que tivemos ao longo da história e nos colocaria dentro do "Clube da Bomba". Se o Brasil tivesse uma bomba atômica, eu queria ver que país se meteria a besta conosco. É por isso que a esquerda namastê precisa deixar de ser ingênua ao falar mal de um plano de revolução. A menos que queiram passar o resto da vida dialogando com fascistas e temendo golpes de Estado patrocinados pelos EUA, eu recomendo que pensem com carinho em como seria muito melhor sermos realmente uma potência. O Brasil não merece ser uma república das bananas. O Brasil merece ser o gigante que é.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Maduro não é um criminoso, mas os EUA, sim


Após dar um rolê pela internet para saber o que as pessoas estão comentando sobre o sequestro de Nicolás Maduro, confesso que fiquei decepcionado com alguns supostos progressistas. É normal e esperado que os reaças e a direita em geral estejam comemorando, mas ver gente que se diz de esquerda ou a favor da liberdade para a América Latina fazer coro com Bolsominion é algo, no mínimo, bizarro. 

Apesar do presidente Nicolás Maduro ter enfraquecido elementos do chavismo para se manter no poder, ele se opôs até o fim ao roubo do seu país pelas garras estrangeiras. Diferentemente de Rússia e China que compravam o petróleo venezuelano, o imperialismo norte-americano sempre foi obcecado por literalmente roubar os recursos naturais da Venezuela e por isso sempre financiou golpes na tentativa de controlar politicamente o país. E ninguém pode se opor ao imperialismo sem ter um pulso firme. As pessoas que acusam o Maduro de "ditador" devem se lembrar que tanto China, Rússia e Estados Unidos também são "ditaduras" se for usado o mesmo critério da "opressão". No caso norte-americano, os EUA também têm seus presos políticos, suas execuções, torturas e perseguições até hoje para manter a hegemonia do império ocidental. Não há uma democracia real nos EUA, uma vez que os governos tanto de democratas quanto de republicanos trabalham para atender aos interesses das mesmas classes dominantes do país. 

Mas o pior de tudo é a acusação totalmente desmiolada do governo Trump de que Maduro seria um "narcoterrorista". Nunca apresentaram uma prova sequer disso e mesmo que fosse verdade, isso não dá direito a país nenhum do mundo de invadir outro e depor seu chefe de Estado. Após esse incidente na Venezuela, a América Latina passou a ter o risco real de ter qualquer país dominado e invadido para ser pilhado e desestabilizado. É uma VERGONHA que a esquerda cirandeira esteja apoiando um país imperialista que deixou claro, na maior cara de pau do mundo, que agiu para roubar o petróleo venezuelano e que nos trata como colônias, como quintal, como inferiores.

Temos a obrigação moral de, no mínimo, repudiar a ação criminosa na Venezuela. Não precisamos necessariamente virar uma "colônia rebelde dos EUA", como é o caso de Cuba, nem de ter armas nucleares, como a Coreia, para se defender da tirania neocolonialista. Mas repetir como papagaios adestrados o discurso entreguista, lambe-botas e covarde da imprensa burguesa é um atestado de covardia e traição à pátria.

Esquerda cirandeira, por favor, né?


domingo, 4 de janeiro de 2026

O imperialismo ataca novamente a América do Sul


Ontem eu passei o dia inteiro longe da internet e dos canais de notícias em geral por questões de saúde. E quando retornei o contato com o mundo na manhã de hoje, a notícia do sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos militares americanos me veio como uma bomba. 

Desde o século passado que não se via uma ação militar golpista norte-americana agindo diretamente na América do Sul. A operação foi um ato ilegal, criminoso e absolutamente condenável sob todas as perspectivas. E esse repúdio não tem nada a ver com espectro político ou opinião pessoal sobre Maduro. Chefes de Estado de diversos países e cientistas políticos tanto de esquerda quanto de direita condenaram esse verdadeiro assalto à Venezuela, porque além dele violar o direito internacional, também abriu o precedente perigoso para outras ações militares na América do Sul. Basta lembrar que todos os países invadidos pelos EUA foram desestabilizados politica e economicamente. E não apenas os próprios paises invadidos sofreram com a invasão, mas toda região vizinha também. 

Ao contrário do que os ingênuos pensam, os EUA não estão defendendo democracia ou liberdade. Os oligarcas do império do norte se sentem donos do mundo e dão carta branca a si mesmos para pilhar e dominar países ricos em petróleo, minerais e terras raras. Uma invasão militar na Venezuela é, sim, um ataque contra toda a América do Sul. Qualquer um que relativize ou apoie este espetáculo golpista do governo Trump ao nosso continente está sendo cúmplice de toda a loucura imperialista que os Estados Unidos impõem ao mundo desde o século passado. Nós não podemos continuar sendo o quintal das forças imperialistas. É nessas horas que vemos quem são os verdadeiros patriotas.

sábado, 27 de dezembro de 2025

A importância de combater o analfabetismo político


Se o nosso saudoso Raulzito era uma metamorfose ambulante, eu, enjoado que sou, me tornei uma contradição ambulante. Prometi a mim mesmo evitar escrever majoritariamente sobre política neste blog por questões de saúde mental, mas é tanta diarreia mental que os analfabetos políticos publicam nas redes que eu simplesmente não consigo deixar passar batido. Há uns dias, por exemplo, assisti a um vídeo de um pobre senhor reclamando que o STF "legisla" em causa própria para controlar o país. Desnecessário dizer que isso não faz qualquer sentido dado que o STF faz parte do poder judiciário e que não há nenhuma "ditadura da toga" só porque os golpistas estão todos presos. Assim como não faz sentido gente reclamando que a coleta de lixo de sua cidade atrasa toda semana desde que o PT assumiu o Palácio do Planalto. As pessoas – embora possam estar corretas em suas indignações – não sabem nem de quem reclamar seus direitos. É por isso que eu sou a favor de educação política nas escolas. A função da educação política não é ensinar Gramsci ou Paulo Freire. A função do aprendizado político é evitar que pessoas confundam democracia com ditadura da maioria ou que exijam que o presidente da república mande garis para varrer as ruas da sua cidade. 

Daí que ao invés de ficarem indignados com propaganda de chinelo, os analfabetos políticos poderiam ficar indignados com pessoas em situação de insegurança alimentar, com pessoas dormindo ao relento por falta de moradia, com mulheres sendo brutalmente assassinadas por seus ex-companheiros, com hospitais caindo aos pedaços por falta de verbas... O problema não é você, caro(a) trabalhador(a), ser de direita ou de esquerda. O problema é você estar defendendo algo que nem sabe o que é. A única saída para um mundo melhor é através da política. E não é possível agir de forma politicamente consciente se a maioria da população não sabe bulhufas sobre o básico. Ao contrário do que muitos pensam, o maior problema do Brasil não é a corrupção. O maior problema do Brasil é a falta de noção de um povo despolitizado que cai constantemente no conto das soluções fáceis para problemas complexos, como se houvesse um salvador que levar-nos-á a um paraíso social. Não. É preciso luta, mobilização, politização, educação e ação. Do contrário, seremos eternos "cidadãos de bem" exigindo "garis federais" para limpar as vias públicas.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Feliz natal para todos que têm consciência de classe


Pois é, camaradas, acho desnecessário comentar sobre a "polêmica" tosca criada pela direita tresloucada envolvendo as sandálias "comunistas" Havaianas. Ao invés de dar chilique com problemas imaginários, esses bando de mocorongos tomadores de cloroquina tinham mais é que agradecer por um governo esquerdopata progressista ter aumentado o salário mínimo acima da inflação, ter tirado o país do mapa da fome, ter trazido uma condição de pleno emprego, ter zerado o imposto de renda para quem recebe até 5 mil pilas e mais um monte de outros benefícios para a classe trabalhadora. A única coisa que falta é criarmos vergonha na cara e aprendermos a votar direito para o legislativo. Não é possível continuar com esse congresso fisiológico e reacionário dominado pelo centrão e pelos bozistas. Quem vota no Lula para presidente precisa votar nos deputados e senadores do mesmo partido ou que, pelo menos, façam parte da base aliada de coalizão. Não adianta votar só em quem é bom, honesto e trabalhador. Tem que ter compromisso com a causa progressista e defender o direito dos trabalhadores que dão, diariamente, sangue, suor e lágrimas para construir e sustentar este país. Ou será que você quer continuar vendo coisas absurdas como PEC da bandidagem e PL da dosimetria colocando em risco nossa democracia e nossos direitos?

Vamos comemorar o Natal – mas sem esquecer a nossa consciência de classe, claro.

¡Viva la revolución havaiana!

domingo, 23 de novembro de 2025

Chapéu de otário é marreta


Sim, ontem foi um grande dia. A prisão preventiva decretada por Alexandre de Morais contra Jair Bolsonaro por descumprimento de medida cautelar e risco de fuga ao tentar romper a tornozeleira causou muita euforia nas redes sociais na bolha progressista. Afinal de contas, só para ficar em dois exemplos, o ex-presidente foi corresponsável por mais de 700 mil mortes durante a pandemia e também traiu a pátria ao tentar dar um Golpe de Estado. Enquanto isso, na bolha da extrema-direita, o genocida foi visto como "vítima" de um ministro "ditador" do STF. Mas eu não estou aqui para julgar a opinião de ninguém. O fato é que o ocorrido não foi um surto psicótico por estresse ou desespero para fugir. Foi claramente premeditado. Qualquer tentativa de romper a tornozeleira eletrônica ativa o sistema de segurança. A maneira burra e perigosa como o Bolsoasno fez só serviu para seus advogados usarem o argumento da desordem mental e do estresse pela condenação para forçar o ex-presidente a não ir para Papuda cumprir a pena em regime fechado. Bolsonaro não é um idiota e nem um pobre coitado. E fingir loucura não é novidade para fugir da prisão. Ora, para tentar dar um Golpe de Estado ele não era louco, mas para tentar destruir a tornozeleira ele é? Ficar detido preventivamente na Superintendência da Polícia Federal não é tão ruim quanto passar anos preso na Papuda. Então mesmo que ele esteja preso agora, esse passo para trás é para evitar o "mal maior" e tentar colocar seus seguidores contra a justiça brasileira. Ou será que alguém acredita em sã consciência que o patriarca da familícia Bolsonaro birutou do nada?

Como já dizia o velho ditado: chapéu de otário é marreta.

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Pare de achar que burguês é bonzinho


Sempre que assisto a debates entre a esquerda moderada e a esquerda revolucionária, a vontade que me dá é de dar uma chacoalhada nos moderados para lembrá-los que o que vivemos no Brasil não é uma democracia propriamente dita. O que vivemos é a ditadura da burguesia – conhecida também como plutocracia – onde o Estado burguês existe para atender aos interesses dos oligarcas que detém o real poder. Por questões de sobrevivência e governabilidade, todos os governos (independentemente de partido) nessas democracias burguesas precisam governar para o grande capital. O povo – a classe trabalhadora – vem em segundo ou terceiro plano. É por isso que TODOS os direitos conquistados pelos trabalhadores no capitalismo vieram na base de muita luta, sangue, suor e lágrimas. Direitos como salário mínimo, férias remuneradas, décimo terceiro salário e jornada de trabalho de menos de 50 horas semanais encontraram muita resistência por parte da burguesia, porque foram fruto de muita luta da classe operária. 

Ué, já esqueceu da luta de classes?


Se não houver mobilização popular, greves e pressão contra os governos, nós NUNCA teremos direito a nada além de exploração. Não existe burguês bonzinho, até porque a busca constante por lucro e acumulação os obriga a agir como predadores. É por isso que para alcançarmos a verdadeira liberdade, com salários justos e jornadas de trabalho que não sejam abusivas, teremos que derrubar esse sistema capitalista selvagem e substitui-lo por outro onde os trabalhadores, de fato, sejam o poder real. Só assim viveremos num mundo mais íntegro para aqueles que produzem a verdadeira riqueza do mundo: os trabalhadores.

domingo, 2 de novembro de 2025

Chacina é aprovada pela maioria dos fluminenses


Para surpresa de ninguém, a pesquisa da Genial/Quaest divulgada ontem apontou que 64% dos moradores do estado do Rio de Janeiro APROVARAM a chacina que deixou mais de 120 mortos. Além disso, 58% dessa mesma população considerou o banho de sangue um "sucesso". Uma pesquisa do Datafolha também divulgada ontem mostrou que a gestão do governador Cláudio Castro (PL) atingiu o seu pico de aprovação desde 2022 na região metropolitana do Rio. Esses números mostram claramente duas coisas: a primeira é que só tem palhaço quando tem plateia. Ou seja: Cláudio Castro não foi eleito no primeiro turno por acidente em um estado que projetou a familícia Bolsonaro nacionalmente. A segunda coisa é que, sim, esta operação nos complexos da Penha e do Alemão teve claramente uma finalidade eleitoral, principalmente, para angariar os votos da classe média fascitoide fluminense que acha que bandido bom é bandido morto. Um governador que foi indiciado por corrupção e peculato continuará a ter foro privilegiado caso se eleja senador no ano que vem, fugindo da justiça.

Contudo, contrariando o que essa maioria sanguinária e burra do RJ disse nas pesquisas, é bom que se diga que essa operação genocida não foi sucesso p0rr4 nenhuma. Mesmo que todos os mortos tivessem sido bandidos, no dia seguinte à chacina, eles seriam todos substituídos, porque o tráfico tem alta rotatividade. As armas apreendidas não representam nem 10% das armas dos Comando Vermelho nos morros. Para uma operação dessa ter dado minimamente certo, teriam que enfraquecer o tráfico de cima para baixo, sufocando-o financeiramente e logisticamente. E aí, sim, com uma mega operação que trouxesse o risco mínimo de baixas policiais, isso poderia ser tentado. E após invadir, teriam que ocupar e permanecer lá como fizeram com as UPPs. Do contrário, ou os traficantes mortos seriam substituídos, ou perderiam espaço para facções rivais ou o morro seria tomado pelas milícias. Claro que a efetividade dessas UPPs são muito discutíveis, mas ao menos não seria essa enxugação de gelo sanguinária que só serviu para empilhar corpos de pretos e pobres. O problema do RJ é que eles colocam bandidos eleitos para combater os bandidos pobres do morro. Enquanto isso, os verdadeiros chefões do crime organizado estão comendo do bom e do melhor enquanto o povo morre debaixo de bala nessa guerrilha urbana.

O que mais me incomoda nisso tudo é como que num país de maioria cristã temos paradoxalmente também uma maioria que apoia uma chacina horrível dessa. Como a maior chacina da história da nossa democracia foi considerada um SUCESSO por "cidadãos de bem" e "tementes a Deus"? Eu entendo a sensação de insegurança pública que há no Rio e o medo da violência, mas chacina NÃO é a solução. Não entendo de jeito nenhum esse duplipensar dos papa-hóstias que usam o intestino como o primeiro cérebro. Sempre achei que "não matarás" e "amar o próximo como a ti mesmo" eram mandamentos bíblicos. Mas parece que eu estava enganado. Que falta que faz a teologia da libertação...

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Não precisamos de violência para combater o crime


A maior carnificina da história da nossa democracia promovida pelo desgovernador Cláudio Castro para combater algo que simplesmente não existe no Brasil, que é o tal "narcoterrorismo", teve um custo ainda maior que o de vidas humanas. Isso porque o ciclo de violência só se retroalimenta a cada chacina e fortalece ainda mais o crime organizado, afinal, o que não se elimina por completo acaba ficando mais forte. Se duvida, basta ver que os comandantes do tráfico escaparam todos ilesos dessa operação genocida e os cabeças do sistema estão todos impunes. Daí que o medo nas ruas do Rio afetou economicamente a cidade e serviu de mais uma motivação para uma intervenção do Tio Sam na América do Sul num momento bastante delicado envolvendo a Venezuela e a Colômbia. Ou seja: a operação foi um desastre total e absoluto que só piorou as coisas. E é claro que os reaças adoraram, porque eles odeiam bandidos, pobres e pretos. Mas a vida deles também vai ficar pior depois dessa chacina, porque ela aumentará ainda mais a violência. A resposta à violência do Estado vai voltar como um bumerangue e atingi-los, já que o crime tornar-se-á maior e ainda mais difícil de combater. É ação e reação mostrando que o efeito borboleta não é algo meramente teórico. Violência não acaba com a violência. A violência só serve para alimentar ciclos de vingança sem fim. O bandido comum NÃO vai ficar com medinho por causa dos cadáveres eleitorais do governador da extrema-direita. O bandido comum vai ficar ainda mais violento e mais perigoso. Mas, por sorte, ainda há meios mais eficazes e não letais de se combater a criminalidade.



Existem basicamente duas formas de resolver o problema do tráfico e das organizações criminosas no Brasil e nenhuma delas precisa dar um único tiro sequer. A primeira forma é desmontar o braço financeiro das facções com combate à lavagem de dinheiro como aconteceu na Operação Carbono Oculto onde os criminosos estavam envolvidos nos esquemas das findtechs. É preciso também combater o tráfico de combustíveis adulterados que alimentam as organizações criminosas, regulamentar as drogas e a indústria armamentista, combater o contrabando de armas que vem, em sua maioria, das forças de segurança e, por fim, investir em capital humano nas favelas, dando emprego, cultura, lazer, educação, saúde, renda e dignidade. Isso não resolve definitivamente o problema do crime organizado, mas o enfraquece substancialmente.

Existe ainda outra maneira de resolver o problema do crime organizado. Este método resolverá permanentemente o problema e ele se resume a uma única coisa: fazer uma revolução socialista. Porque SOMENTE através da ditadura do proletariado é que teremos políticas voltadas para os interesses da coletividade e não apenas para as classes dominantes. Políticos, militares e oligarcas que encabeçam o tráfico serão presos e o crime desmoronará de cima para baixo como num efeito dominó. Foi assim que Cuba, por exemplo, eliminou o narcotráfico em seu território. É importante dizer também que todo esse genocídio nos morros cariocas é fruto do fascismo que desumaniza a parte mais vulnerável da população. E em sociedades socialistas não existe fascismo. 

Nenhum desses homens que morreram assassinados teriam sequer virado bandidos (isso se fossem todos bandidos) caso vivêssemos em um país que desse o mínimo de dignidade humana para eles. Ou você acha que ser bandido é uma escolha para a maioria deles numa sociedade brutalmente violenta, injusta, desigual e consumista como a nossa? E mesmo que fosse uma escolha, ainda assim estaria errado. Da mesma forma que é errado a polícia entrar matando geral num condomínio de luxo de um bairro de classe média, também é errado fazer o mesmo na favela pelo simples fato de que somos todos iguais perante a lei. Eu não entendo como alguém que se diz cristão e temente ao Deus judaico-cristão não consegue entender isso, como é o caso do próprio governador. Será que Jesus aprovaria uma selvageria dessa contra nossos irmãos?


Já chega de genocídio contra pretos, pobres, favelados e trabalhadores. Precisamos de uma humanidade melhor e de um sistema melhor. Parafraseando o saudoso professor Jacque Fresco: Essa merda tem que acabar!

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

A necropolítica precisa ser extinta


A maior chacina da história do RJ – que colocou em pânico a população carioca ontem – joga na cara de toda a humanidade coisas que não apenas eu, mas que todas as pessoas com o mínimo de coerência já dizem há décadas. Essa política fascista, genocida e fracassada de combate às drogas e às facções criminosas só serve para matar pretos e pobres com a intenção de reeleger sociopatas que estão parasitando o Estado. O governo do RJ usou essa operação como terrorismo de Estado para tentar desestabilizar o governo federal e mostrar o controle pelo terror para fins eleitoreiros. Aliás, não por acaso é a mesma estratégia adotada por fascistoides como Donald Trump que usam o combate ao narcotráfico como mote para cercear politicamente a América Latina. Isso é absolutamente inaceitável.

É bom que se diga que 99% das pessoas que vivem nos morros, favelas e periferias são pessoas honestas, trabalhadoras e que jamais cometeram ou cometerão qualquer crime na vida. São exatamente essas pessoas que são expostas aos tiroteios, balas perdidas, bombas e pânico generalizado na guerra ao crime. Infelizmente, essa população inocente, olhando do ponto de vista do Estado fascista, existe basicamente para virar bucha de canhão para atingir seus objetivos. E mesmo que esse “combate ao crime” não matasse ninguém, ele só prenderia os traficantes varejistas do morro que, diga-se de passagem, formam elo mais fraco do tráfico. Os verdadeiros chefões do crime e do narcotráfico NÃO estão nas periferias. Eles estão usando terno e gravata, fazendo demagogia para eleitores despolitizados, morando em condomínios de luxo, vivendo fora do Brasil... Só que esses caras NUNCA são alvo da nossa justiça ou das nossas forças de segurança. E são justamente eles que precisam ser presos para cortar o mal pela raiz. Só que neste mundão capitalista onde a injustiça reina são sempre os pobres – e SEMPRE os pobres (sem falar dos policiais mortos) – que sofrem essa limpeza ética. 

Basta de necropolítica.

sábado, 20 de setembro de 2025

PEC da Blindagem é inconstitucional


Durante muito tempo, eu acreditei que a elite econômica era classe mais perversa e criminosa do nosso país. Mas parece que eu estava errado. A tal PEC da Bandidagem mostrou que os psicopatas e criminosos da nossa classe política fazem a nossa elite do atraso parecer quase santa. Impedir que deputados e senadores sejam investigados e julgados criminalmente pelo poder judiciário é inconstitucional desde a origem por ameaçar diversas cláusulas pétreas da Constituição de 1988. Fora que a votação violou o regimento interno da câmara. É um escárnio e um desrespeito não só com o povo brasileiro, mas com a nossa história republicana. 

Contudo, é interessante notar que há um padrão entre os bandidos que querem aprovar essa PEC. Ao contrário do que diz aquele samba "Se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão", note que houve uma panelinha de partidos de extrema-direita e do centrão a favor da PEC da bandidagem. Partidos como PL, PP, PODEMOS, UNIÃO BRASIL, REPUBLICANOS e outros menos relevantes foram 100% a favor dessa canalhice. Enquanto que os partidos de esquerda – esquerda essa tão odiada pelos moralistas anticorrupção – votaram massivamente contra. O argumento debiloide da "ditadura do STF" usado para justificar essa PEC/aberração é simplesmente um argumento estapafúrdio e sem qualquer fundamento na realidade. A real razão dessa PEC existir é que os corruptos perceberam que após a condenação do núcleo duro do Golpismo, qualquer bandido golpista pode ser condenado por cometer crimes. Será que é disso que esse bando de calhordas tem medo? Lembre-se bem dos nomes de cada um desses salafrários quando for votar para deputado nas eleições do ano que vem. Eles não merecem o voto de ninguém.

Por hora, não custa nada lembrar para os bandidos que apoiam esta PEC que o povo não tem medo deles. Político frouxo e safado tem medo de povo unido, de manifestação, de gente na rua mostrando que a bandidagem de terno e gravata não manda nesse país.