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terça-feira, 23 de setembro de 2025

Ser gamer no Brasil é um ato heróico


Ter um videogame sempre foi um privilégio no Brasil. Desde os anos 1980, época onde os Famiclones já custavam um preço bastante salgado, que o sonho de ter um aparelho que rodava games em casa era onipresente para crianças e adolescentes. E nem era por uma questão de status, era por uma questão de diversão mesmo. Videogame com gráficos inteligíveis era uma novidade tecnológica e juntar os amigos para jogar em casa rendia horas e horas de diversão. O meu primeiro videogame foi um Mega Drive que ganhei em 1992 e lembro que a minha família teve que se endividar para poder comprá-lo. Mais de 30 anos se passaram e os videogames continuam caros. Os três videogames da atual geração (PS5 pro, XBOX series x e Nintendo Switch 2) estão saindo por mais de R$ 4 mil cada em um país onde a média salarial nem chega perto disso. E como praticamente não há mais locadoras ou fliperamas, o que resta para os amantes de games da década de 2020 é jogar games free to play para smartphones, emuladores para PCs de entrada ou apelar para a boa e velha pirataria.

Vamos ser francos: ser gamer no Brasil não é coisa para amador. Os guerreiros que conseguem montar um PC gamer mais acessível não raramente fazem gambiarras com kits-upgrade de Xeons de dez anos atrás no AliExpress ou usam o cloud gaming que além de caro é ruim porque a internet brasileira é bastante instável. E para piorar o que já não estava nada bom, dizem os especialistas que o GTA 6 vem aí custando nada menos que 100 dólares (o que para nós deve sair por mais de 600 pilas). Se esse for mesmo o novo preço dos AAA da indústria dos games, a maioria de nós só vai zerar jogos nível blockbuster assistindo os outros jogarem pelo YouTube. E o pior é que mesmo que o GTA 6 viesse de graça, teríamos microtransações e outras coisas obscuras como o pay-to-win. Afinal, nenhuma empresa vive sem lucro num mundo capitalista.

É por tudo isso que ser gamer no Brasil é um ato de resistência. Eu sigo fazendo gambiarras no meu PCzinho da idade da pedra e ele tem dado conta do recado até o momento. Mas para a futura geração de games, o que resta é a resistência e a criatividade.

sábado, 9 de março de 2024

Descanse em paz, Akira Toriyama


Ontem foi um dia muito triste para a cultura pop mundial. Como todos já devem saber, foi anunciada a morte do grande mestre Akira Toriyama, criador da lendária série Dragon Ball. Não foi só o Japão e a cultura pop que perderam um grande gênio, mas o mundo inteiro perdeu uma das mais fantásticas mentes criativas. Só o anime Dragon Ball foi um sucesso absoluto em mais de 80 países, isso sem falar de outros mangás e jogos produzidos pelo Toriyama. O choque com a morte dele foi tão grande que chegou a ser anunciada até no Jornal Nacional. O mais louco é que eu voltei a assistir a série Dragon Ball Z no início deste mês após quase quinze anos sem assistir nenhum anime e, olhando com um olhar mais crítico, concluí que Dragon Ball foi o melhor anime que já assisti tecnicamente falando. As histórias criadas pelo Akira Toriyama eram muito criativas, imprevisíveis e cheias de expectativa. Sem falar dos personagens extremamente carismáticos que influenciaram gerações. Para se ter uma ideia, os criadores de Naruto, One Piece e até Sonic se basearam no Dragon Ball. Até eu me inspirei nos poderes do Goku para escrever uma das letras de uma das minhas músicas favoritas. Meu primeiro mangá foi um mangá do Dragon Ball, eu gastei incontáveis horas assistindo Dragon Ball no SBT e depois Dragon Ball Z na Band, no Cartoon Network e na Globo. Até o banner deste bloguinho tem uma referência ao meme da Igreja Universal do Reino de Goku. Isso sem falar dos inúmeros desenhos que fiz dos personagens do Dragon Ball durante a minha adolescência e dos jogos do anime que joguei no Playstation e no Super Nintendo. Enfim, não há como deixar passar algo que foi tão importante para minha vida e para a vida de milhões de outras pessoas.

Todo respeito e gratidão ao mestre. Descanse em paz, Akira Toriyama.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Matrix 4: Nem vi e nem verei


Você não é você mesmo. Você não é quem você pensa ser. Todos os dias nós acordamos de manhã e seguimos um roteiro preestabelecido do que achamos que é a nossa vida. Passamos toda a vida usando máscaras e interpretando papéis sociais que nos são impostos dentro de uma realidade que pode ser uma mera simulação de computador. Curioso e espantoso ao mesmo tempo, não? Agora imagine você ter toda essa informação jogada na sua cara numa tela de cinema aos 15 anos de idade. Foi assim que eu me senti quando assisti ao primeiro filme da série Matrix, lá em 1999. Os dois filmes seguintes, Matrix Reloaded e Matrix Revolutions não causaram o mesmo impacto, mas também foram bons devido aos efeitos especiais e à conclusão da história. E foi só. A série podia muito bem ter parado por ali. Mas não. Os executivos da WarnerBros inventaram de ressuscitar a série com o recém-lançado Matrix Ressurrections por qualquer motivo financeiro e o resultado ficou muito aquém do esperado.

John Wick parando as balas com o poder da mente.

Não assisti a esse Matrix 4 por total falta de interesse. Já faz anos que não assisto filme algum porque perdi totalmente o interesse pela sétima arte. No caso de Matrix, mesmo sendo uma franquia que amo de coração, também não tive a menor empolgação. Mas ao menos tive curiosidade sobre o que as pessoas sentiram ao assisti-lo. E até agora não vi absolutamente ninguém dizer que o filme é excelente. O que a crítica no geral vem dizendo é que ele é só uma encheção de linguiça para dar dinheiro para a WarnerBros. Novelesco, superficial, macarrônico, piegas e autorreferente foram alguns adjetivos para o filme. A média geral dele tem ficado entre 5 e 7 (de 0 a 10). E pela sinopse, deu para ver que ele foi realmente horrível. Uma pena.

Pode continuar sonhando, Mr. Anderson.

Era até possível que esse filme fosse um pouco melhor se tentasse ir mais a fundo nos questionamentos do primeiro filme, como colocar em dúvida se Zion, por exemplo, é real ou se é apenas mais uma camada de simulação de uma Matrix ainda maior. Críticas contundentes às redes sociais e ao sistema capitalista como um todo poderiam ter um foco maior. Novas tecnologias poderiam ser incrementadas para se acessar a Matrix e um enredo menos brega e confuso poderia prender melhor o espectador. Para piorar, o filme não conta com os atores Laurence Fishburne e Hugo Weaving que são absolutamente icônicos na série. E trazer de volta à vida personagens mortos que fecharam o seu ciclo no Matrix 3 (Neo e Trinity) deixou tudo ainda mais forçado.

Enfim, eis aí mais um filme que nunca assistirei.

domingo, 31 de outubro de 2021

Feliz dia do Saci!


Eu já escrevi um post revelando como sou apaixonado pelo Halloween e a minha história com a data. Mas como no Brasil o Dia das Bruxas não tem o mesmo apelo popular que tem nos EUA, então o que me resta neste dia 31 de outubro é homenagear um dos ícones mais injustiçados da nossa cultura: o Saci. Ora, o Saci é carismático, brincalhão e um dos poucos personagens afro memoráveis nos contos e lendas nacionais. Por mais que eu adore o clima sombrio e macabro do Halloween, acho que temos que dar uma chance ao nosso querido Saci que representa de forma heroica o nosso rico e subestimado folclore.


domingo, 29 de agosto de 2021

O Halloween é a minha festa favorita


Eu nunca gostei muito de festas, mas existem algumas datas comemorativas que eu abro exceções, tais como natal e réveillon, por exemplo. Isso porque apesar da bebedeira e da falsidade das pessoas nessas festas, eu tenho uma sensação de expurgo e de renovação de um ciclo. Porém, a única festa que eu gosto de verdade e que – por ironia do destino – tradicionalmente não se comemora no Brasil é o Halloween.

O meu primeiro contato com o Halloween foi quando tinha 12 anos de vida e estava estudando na Cultura Inglesa. Avisaram antecipadamente por lá que teríamos uma tal de festa do dia das bruxas, coisa que eu nunca tinha visto até então. No dia do evento, eu achei exótico e ao mesmo tempo divertido todo aquele clima soturno e macabro com aquela decoração meia gótica que foi feita na Cultura Inglesa no dia das bruxas. E o melhor foi que a gente podia ir fantasiado e ainda tinha comida de graça. Como eu não tinha fantasia, usei somente uma máscara, mas deu pra me divertir bastante junto com meus colegas de classe. Daí em diante, passei a amar o Halloween.

Ainda aos 12 anos, fui conhecer a tal Noite do Terror do Playcenter. Ela tinha inspiração no Halloween e era um evento bastante popular na época. O Playcenter era um parque de diversões que tinha em algumas cidades brasileiras e ele por si só já era uma atração com todos aqueles brinquedos, atrações e fliperamas. E com um monte de atores vestidos de monstros e personagens de filmes de terror dando susto no povo é que as coisas ficavam divertidas mesmo. Pena que só fui a este evento naquela vez e nunca mais.

Nos anos seguintes, eu passei a frequentar todas as festas de Halloween da Cultura Inglesa e adorei todas elas. Já adulto, na faculdade, eu fiz alguns projetos com temática no Halloween e até nos jogos de videogame as minhas fases favoritas geralmente eram as inspiradas no dia das bruxas. E o engraçado é que minha novela favorita foi a sombria Vamp, minhas sessões de filmes favoritas foram os Cine Trash e o Contos da Cripta, o meu game favorito é o repleto de monstros The Witcher 3 e até canções escatológicas como One (Metallica) e Heart-Shaped Box (Nirvana) estão entre as minhas favoritas de toda a vida. É impressionante como eu tenho uma propensão natural a gostar dessas coisas mais "dark".

É por essas e outras que às vezes eu penso que nasci no país errado. Nunca curti festas juninas, páscoa e menos ainda o carnaval. Mas nada impede que eu comemore sozinho o meu dia das bruxas.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Não gosto de carnaval, mas...


Nunca gostei de carnaval. Sempre detestei multidões, barulho e aquele monte de gente bêbada cambaleando pelas ruas fedendo a mijo. Eu tenho respeito pelo carnaval como manifestação cultural, mas, pessoalmente, não curto nem um pouco. Sempre passei o carnaval ou em casas de veraneio afastadas da civilização ou, simplesmente, sossegado na minha própria casa, seja lendo, ouvindo música, fazendo maratona de NetFlix, de Steam ou aproveitando para descansar e fugir um pouco da dieta. Apesar disso, há uma coisa que admiro no carnaval, que é o fato dele escancarar o falso moralismo da nossa sociedade. Vivemos num país em que julgam as mulheres pelas suas roupas e que se condena até a amamentação em público por considerá-la "indecente". Enquanto isso, temos um desfile generalizado de corpos seminus nas ruas, nos desfiles e na televisão sem que ninguém dê um pio. Isso sem falar na hipocrisia dos que votaram num governo que adotou a abstinência sexual como política pública, mas que vai sair afogando o ganso adoidado durante o carnaval inteiro.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Sobre o incêndio do Museu Nacional


O descaso do Estado com a ciência e a cultura levaram a mais uma tragédia. O incêndio no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista ocorrido na noite deste domingo (2/09) foi uma verdadeira catástrofe devido à perda irreparável do seu vasto e precioso acervo material – além, notavelmente, da destruição do seu valor simbólico, histórico, cultural e científico. Apesar de ter 'apenas' 200 anos de existência, o museu trazia milhões de anos de história em materiais arqueológicos, geológicos, paleontológicos e científicos em geral.


Como esse incêndio foi uma das maiores tragédias ocorridas a um patrimônio histórico que pude presenciar na vida, não pude de deixar de postar aqui a minha indignação com o descaso tanto do governo do RJ quanto do governo federal usurpador. Este último, aliás, está sendo responsável por um ataque nunca visto antes na história tanto contra a nossa cultura quanto contra a nossa ciência. Essa porralouquice de cortar investimentos, de defender um Estado mínimo e de usar o dinheiro público para enriquecer ainda mais a casta plutocrata é um verdadeiro crime contra o país. O resultado é (e continuará sendo) a morte da nossa cultura, da nossa ciência e da nossa história. Apesar de muita gente estar usando essa tragédia para fazer campanha política, é importante salientar que essa tragédia tem mesmo um fundo político. Não é à toa que deixaram de investir no patrimônio público para beneficiar juízes, banqueiros, megaempresários e corruptos. É preciso votar em quem tenha compromisso formal em investir no nosso patrimônio cultural.


terça-feira, 17 de maio de 2016

Vivemos numa era de individualismo e indifirença


Vou começar dizendo algo que vai irritar muitos direitistas: o brasileiro precisa deixar de ser individualista. Enquanto não tivermos um pensamento mais coletivo, mais voltado para o bem estar da coletividade, continuaremos a ser uma república bananeira. Digo isso porque a corrupção no país é, entre outras razões, fruto do individualismo, do egoísmo e do esnobismo. Querer obter vantagem sobre tudo e sobre todos, prejudicando os semelhantes, é um mal ligado ao egocentrismo mesquinho que impera em um país onde o consumismo e a ostentação estão enraizados. Quando o brasileiro deixar de ser invejoso, soberbo e avarento, aí, sim, teremos a chance de melhorar. Essa mania lamentável de ter tudo caro, de marca e de última geração só para se mostrar para os outros é que leva as pessoas a pensarem apenas em si mesmas e no seu próprio status social. Infelizmente, estamos vivendo na era do individualismo exacerbado, da busca obsessiva do sucesso individual. O apelo pelo sucesso individual está se sobrepondo cada vez mais à solidariedade e ao altruísmo.

Bullying, preconceito e segregação têm feito parte do nosso triste repertório

Outro problema notável que nós, brasileiros, andamos tendo é a falta de empatia com as outras pessoas. Um exemplo gritante disso foram os comentários de néscios no site G1 que, diante do escândalo da merenda em SP, ao invés de culparem os ladrões de merenda, resolveram culpar as crianças que estariam, segundo eles, "comendo de graça às custas dos cidadãos de bem". Ou seja: ao invés de culparem os bandidos que desviaram o dinheiro das merendas das escolas, eles preferem culpar as vítimas, as crianças, no caso.
Outro exemplo grotesco foi da doadora de leite materno que foi alvo de piadas maldosas do pseudo humorista Rodrigo Gentili. Apesar de ter ganhado o processo contra o humorista reacionário, a doadora continuou sendo ridicularizada, ofendida e achincalhada na internet simplesmente por salvar a vida de bebês recém nascidos que correm o risco de desnutrição e morte precoce. Essa mulher que deveria ser reconhecida como uma heroína nacional por arriscar a sua saúde e dedicar grande parte do seu tempo salvando crianças, acaba sendo tratada como uma aberração. Ao invés de incentivar gestos de solidariedade como estes, as pessoas acham mais divertido humilhar quem faz o bem sem olhar a quem. São tempos sombrios estes onde ter empatia, altruísmo e respeito pelos outros são motivos de humilhação e deboche.

Enquanto isso, a direita reacionária aplaude a queda de uma presidenta honesta e une nomes como Silas Malafaia, Marisa Lobo e Marco Feliciano em apoio ao ilegítimo governo Temer que é criticado mundo afora. A bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia) que já deitava e rolava antes, agora vai levar ao extremo a luta contra o "gayzismo", contra o meio ambiente, contra os pobres, contra os trabalhadores, contra os índios e contra a laicidade do Estado. Os apedeutas de extrema-direita estão eufóricos porque com a queda da Dilma Rousseff, agora eles terão território livre para atacar a CLT, extinguir ministérios, privatizar geral, roubar impunemente, romper relações com os Brics, acabar com a CGU, enfraquecer a Lava-Jato, matar por inanição os programas sociais, reduzir a maioridade penal e enterrar de vez o estatuto do desarmamento. Muitas dessas coisas já aconteceram e outras hão de se iniciar em breve. Enquanto os apedeutas da internet estão preocupados em acabar com o Foro de São Paulo e destruir os movimentos sociais, vemos um crescimento em progressão geométrica do fascismo e de um individualismo esnobe. Ou seja, estamos caminhando a passos largos para o desastre.

Seja bem vindo à Idade Média, camarada.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Por que os palavrões são ofensivos?


 
Atenção: esta postagem é para maiores de 18 anos!
Se você tiver menos de 18 anos, vai passear lá no site da Disney! Depois não diga que eu não avisei!

Antes de prosseguir com esta postagem, já vou avisando de antemão que ela estará repleta de palavras de baixo calão (vulgo palavrões). Infelizmente, é impossível fazer uma análise sociocultural dos palavrões sem citá-los. Portanto, se você não gosta de termos obscenos, por favor, feche essa janela/aba e vá ler uma coisa mais light, combinado? Se você vier me dizer que ficou ofendido com tantos palavrões, desculpa, mas eu avisei...

Por que os palavrões são palavrões?
Você já parou para se perguntar por que algumas palavras são consideradas ofensivas? Por que ao invés de xingar uma pessoa de calhorda, a gente manda ela ir se foder? Ou por que será que a gente – ao invés de dizer que uma mulher é mau-caráter – prefere a xingar de puta? Pois bem, se você não sabe a resposta, eu vou te revelar agora mesmo: você usa palavras obscenas porque que elas ofendem mais. Os palavrões ofendem mais porque nós aprendemos desde pequenos que eles são feios e não devem ser pronunciados, exceto em surtos de fúria ou para ofender alguém. Portanto, o poder ofensivo dos palavrões vem, basicamente, de duas fontes:
1º - Do uso restrito - Afinal, palavras comumente usadas ofendem menos que as 'proibidas'. A proibição dos palavrões em ambientes formais os torna uma espécie de 'arma secreta' muito eficaz na hora de insultar alguém.
2º - Da cultura preconceituosa - Palavrões só são ofensivos porque há uma raiz cultural que os torna feios, sujos e inadequados. E é exatamente sobre esse ponto que eu vou abordar a seguir.

Palavrões são uma forma de bater nos outros usando apenas as palavras

A essência dos palavrões
Os palavrões são um verdadeiro raio x da cultura onde eles são usados, porque eles isolam como sendo pejorativo aquilo que a sociedade mais condena. Para simplificar este post, vou focar apenas nos palavrões usados no Brasil, porque dependendo do país em questão, algumas palavras podem ser ofensivas por razões bem diferentes. O que ocorre no caso do Brasil é que a grande maioria dos palavrões ou são de cunho moralista, ou são machistas ou são homofóbicos. Para tornar o post mais didático, vamos classificar os palavrões em seis grandes categorias: os moralistas, os machistas, os sexistas, os homofóbicos, os excrementosos e os não-obscenos. Vamos conhecer mais sobre cada um deles:

1- Os moralistas: São um claro resquício da nossa moral cristã medieval que vê as práticas sexuais e os órgãos sexuais como sendo sujos e pecaminosos. Eis alguns deles:
-Bastardo
-Boceta
-Caralho
-Cacete
-Cu
-Escroto
-Foder
-Porra
-Putaria
-Se foder
-Suruba

2- Os machistas: São um sinal claro da sociedade patriarcal que sempre condenou e controlou a sexualidade feminina. Exemplos:
-Descabaçada
-Filho da Puta
-Piranha
-Puta/Rapariga
-Puta que pariu
-Vaca
-Vadia
-Vagabunda

3- Os sexistas: Enquanto a sociedade ataca a mulher sexualmente "promíscua", há, em contraponto, os palavrões que ofendem o desempenho sexual do homem ou a sua reputação como macho. Tais como:
-Broxa
-Chifrudo
-Corno
-Pau pequeno 
-Punheteiro (não existe 'siririqueira', porque mulher que não pega ninguém não é uma fracassada)

4- Os homofóbicos: Esses aqui sofreram influencia tanto do patriarcado quanto da moral cristã. A homossexualidade não é aceita pelo patriarcado porque não perpetua a submissão da mulher através da monogamia – enquanto que a moral cristã considera a homossexualidade uma abominação, um pecado sexual. Note que os xingamentos homofóbicos referem-se sempre à homossexualidade masculina, nunca à feminina. Na minha opinião, eles estão entre os palavrões mais pesados da língua portuguesa. Entre eles podemos citar:
-Bicha/Boiola
-Boqueteiro
-Dar a bunda
-Caga-leite
-Chupa rola
-Pederasta
-Tomar no cu
-Viado

PS: Expressões como 'coladora de velcro', 'sapatão', 'lambedora de xereca', 'siririqueira' ou 'botar as aranhas para brigar' não são ofensivas exatamente porque o lesbianismo não é tão ofensivo quanto o "gayzismo" masculino. Mulheres lésbicas sempre fizeram parte do imaginário sexual masculino, especialmente quando ocorre numa ménage à trois. Além disso, acrescente o fato de que a homossexualidade feminina sempre foi menosprezada.

5- Os excrementosos: São ligadas aos dejetos liberados pelo corpo humano e são menos ofensivos por não serem tão reprimidos e feios. Exemplos:
-Bosta
-Meleca
-Merda

6- Os não-obscenos: São palavras que ofendem a depender do contexto, exatamente porque elas não são consideradas obscenas por si só. Algumas se referem a doenças mentais, à pouca inteligência, à falta de higiene ou mesmo a preconceitos raciais. Eis algumas:
-Anta
-Banana
-Burro
-Filho da mãe (eufemismo para 'filho da puta')
-Idiota
-Imbecil
-Macaco
-Porco
-Palhaço
-Safado

Gestos obscenos podem surtir o mesmo efeito de um palavrão

A solução para que essas palavras listadas deixem de ser ofensivas é que as pessoas parem de se ofender com elas. O interessante sobre isso é que eu tenho notado que com a maior adesão popular dos grupos socialmente reprimidos, certas palavras estão começando a se tornar menos ofensivas, como é o caso da palavra 'vadia'. Enquanto isso, outras palavras como 'homofóbico', 'racista' e 'machista' têm se tornado tão ofensivas que estão começando a se tornar verdadeiros insultos: o que é muito bom justamente para ajudar a combater esses preconceitos idiotas que tanto atormentaram a humanidade. O canal Porta dos Fundos fez um vídeo satirizando essa mudança de paradigmas, saca só:


Para quem quiser saber a origem dos palavrões na língua portuguesa, o vídeo abaixo é bem didático:


Não gostou? Então xingue muito nos comentários! Rarará!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Funk é cultura, sim!


Tem muita gente por aí que por ignorância ou por preconceito acha que música funk não presta, que é música de pobre, música de "preto", música de favelado e outros absurdos mais. Para o antropólogo britânico Edward Burnett Tylor, cultura é: “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Segundo este conceito, arte é cultura. E todos sabem que música é arte. Se funk é música, logo, é arte e, consequentemente, é uma forma de manifestação cultural. Portanto, qualquer funk – seja o funk americano dos anos 60 (o do soul, jazz e rhythm and blues) ou o funk carioca – é cultura! Você pode até não gostar, mas o funk é tão relevante culturalmente quanto uma sinfonia de Beethoven ou uma canção erudita cantada em latim.
A questão toda é que o funk é uma cultura de massa que está ligada sobretudo às classes menos favorecidas economicamente. Dizer que o funk não é cultura é uma forma de marginalizar ainda mais aqueles grupos que vivem à margem da sociedade e que encontraram neste estilo uma forma de expressão. E se engana também quem acha que o funk nacional é apenas uma manifestação cultural das classes mais baixas, porque ele também é muito dançado pela classe média. Até as novelas globais têm colocados suas personagens para dançar nos bailes. Gente de todos os tipos gosta de funk.

O que mancha a imagem do funk é a violência e a promiscuidade ligada aos seus bailes na periferia, muitas vezes financiados por traficantes. Tirando as canções obscenas e as que fazem apologia à violência ou ao uso de drogas, o funk é um estilo que faz parte da cultura e do cenário musical do país e negar isso é uma forma gritante de ignorância.

A seguir vou deixar algumas canções de funk que eu curtia bastante quando era mais jovem e que mostram que o estilo tem muita coisa boa:





E para os mal humorados e pseudo intelectuais que dizem que funk não tem conteúdo, toma essas duas aí:



quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Os hinos nacionais mais belos do mundo


Vou listar a seguir os dez hinos nacionais mais belos (tanto na letra quanto na melodia) na minha opinião.

Hino de Taiwan


Hino da China


Hino da Nigéria


Hino de Senegal


Hino da Rússia


Hino do Brasil


Hino de Portugal


Hino da Itália


Hino do Uruguai


Hino da França

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Devemos imitar outros países?


Acho engraçado e preocupante o depoimento de alguns brasileiros que vão morar no exterior e ficam comparando a cultura de outros países com a nossa. Eu vejo poucas pessoas falarem dos aspectos positivos do Brasil nessas comparações. Muitos brasileiros que viajam para o exterior tratam o Brasil com desdém, como se a sua pátria-mãe fosse um país pobre, aculturado e detestável. Eu até concordo que o Brasil não é um país das maravilhas, mas tem certas comparações que eu acho que não possuem o menor cabimento. Acho ridículo comparar um país multirracial, tropical e diversificado culturalmente como é o Brasil com países como o Canadá, a Austrália ou com países escandinavos. Acho que cada país é estruturalmente diferente e, por isso, cada um deles precisa de ações políticas e sociais diferentes para resolver os seus problemas. Copiar o modelo de transporte russo para o Brasil, por exemplo, não é viável, pois o Brasil não tem a estrutura ferroviária e nem a morfologia de relevo da Rússia. O uso massivo de termoelétricas é outra coisa que eu acho desnecessária no Brasil, porque temos uma hidrografia privilegiada em relação a outros países e as hidrelétricas são capazes de gerar uma energia muito mais "limpa" do que as termoelétricas. Enfim, existem muitas outras comparações entre o Brasil e os demais países que me parecem puramente apaixonadas.

Nossa diversidade é única

Não existe "cultura superior"
Viva a nossa culinária!
De todas as comparações que fazem do Brasil com o exterior, a que mais me deixou preocupado foi a questão cultural. Tem pessoas que viajam para o exterior e que passam a enxergar a cultura brasileira como um verdadeiro lixo. Eu entendo que nem todo mundo gosta de feriados religiosos, nem todo mundo gosta de funk carioca, nem todo mundo compactua com o jeitinho brasileiro, porém, acho ridículo execrar o país por ele não ser igual a um Canadá ou a uma Suíça. Tem coisas boas que são típicas do Brasil, como a nossa culinária, o nosso calor humano, as nossas festividades, as nossas vestimentas, as nossas formas de se divertir, os nossos esportes populares, etc. Acho indecente querer impor valores estrangeiros sob a desculpa de que eles são "moralmente superiores" ou "melhores" que os nossos. Essa xenofobia invertida não é boa para ninguém.
Acho que existe um relativismo cultural que precisa ser observado para que essas desculpas de "melhor e pior" não sirvam para alimentar mais preconceitos contra nós mesmos, o que recai naquele velho "complexo de vira-lata".

Calor humano é 'com nóis mermo'!

Respeito ou cultura da frieza?
Muita gente que viaja para o exterior costuma notar que em muitos países, especialmente os mais setentrionais, as pessoas tendem a ser mais 'frias' umas com as outras. Quando eu digo 'mais frias', me refiro ao comportamento meio distanciado, indiferente e contido. A desculpa para tal comportamento é que agindo assim, as pessoas se "respeitam" mais. Não estou dizendo com isso que os estrangeiros não são camaradas ou carismáticos – o que eu estou tentando apontar é que na cultura de muitos países esse "distanciamento" (especialmente físico) é algo natural. Encostar numa pessoa ao cumprimentá-la, por exemplo, pode causar estranheza e repulsa – diferentemente de muitas regiões do Brasil, onde tocar o outro pode ser um gesto de afetividade ou simpatia. Eu acho um absurdo que algumas pessoas queiram, seja lá por qual for a razão, que essa coisa fria de outros países seja incorporada ao Brasil. Um dos diferenciais do Brasil é justamente esse toque, esse calor humano, essa maior proximidade física. Eu mesmo já vi turistas vindos do Japão sentirem essa diferença aqui. A nossa forma de nos cumprimentarmos e de nos abordarmos é muito invasiva para algumas etnias que são culturalmente mais reprimidas, por isso essa comparação e estranheza. O bacana é que, por outro lado, muitos turistas gostam do Brasil justamente porque somos menos reprimidos socialmente e mais abertos nesse aspecto. Acho que respeito e distanciamento são coisas bem diferentes.

Brasileiros unidos jamais serão vencidos

Momento ufanista
É óbvio que o Brasil tem problemas, não nego isso. Mas a solução para os nossos problemas é algo para ser resolvido de acordo com as nossas necessidades e dentro do nosso próprio contexto social. Como citei antes, não acho que imitar as medidas de outros países vá resolver o nosso problema. Devemos trilhar o nosso próprio caminho para chegar aos resultados que necessitamos.
Nós, brasileiros, temos uma mesma identidade e um sentimento de brasileirice que não há em nenhum outro lugar. Eu não acho possível desfrutar da nossa boa música, da nossa culinária, da nossa sabedoria popular, do nosso folclore, da nossa riqueza dialética, da nossa televisão, do nosso clima e da nossa camaradagem em nenhum outro lugar do mundo. Por isso, acho que estamos longe de sermos "vira-latas" ou de qualquer outro rótulo pejorativo que nos inferiorize. Somos um povo independente que tem uma cara própria – e não precisamos importar aquilo que temos de melhor: a nossa identidade.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Censura à nudez. Pode isso?

Eita que vai faltar tarja pra cobrir todo mundo!

Se tem uma coisa que eu nunca consegui entender é essa censura sem sentido que é imposta ao corpo humano ou, mais especificamente falando, à nudez. São revistas, programas de tevê, jornais e até redes sociais que tratam o corpo humano como algo obsceno e que precisa ser escondido. Mas será que isso tem algum sentido?

A inutilidade de esconder a nudez
Só pra maiores? Fala sério!
Se você pegar qualquer revista em que apareçam pessoas nuas, há algo do tipo escrito com letras minúsculas na capa: "Venda proibida para menores de 18 anos". Será que somente eu acho isso estranho? Veja bem: faz sentido que alguém espere até os seus 18 anos de idade para poder ver alguém nu? Claro que na prática essa "proibição" de venda para menores nunca funcionou, mas ainda assim é estranho que tal recomendação exista. Ora, qual foi o garoto de 12 anos que nunca viu a vizinha tomando banho pela janela? Qual foi o guri que nunca viu uma prima trocar de roupa pela fechadura? E quantos nunca viram escondidos aqueles filmes de "strip-tease" que passavam depois das dez da noite na tevê? Não há censura no mundo que iniba o  espírito voyeur das pessoas. E olhe que eu estou desconsiderando o fato de que todo mundo se vê pelado quando toma banho e que muitas roupas de praia deixam as pessoas praticamente nuas. Fora que qualquer criança hoje que saiba digitar a palavra "sexo" no Google vai conseguir ver o que quiser sem qualquer tipo de censura. Então essa censura é meramente fachada: um traço da nossa hipocrisia e dos nossos tabus moralistas.

Censurar o quê?
Toda nudez será castigada?
Mas o que realmente me intriga nessa história toda é a desculpa usada para proibir a nudez, que é aquele velho argumento da "moral e dos bons costumes". Eu concordo que não devemos sair nus pelas ruas, pois culturalmente nós herdamos dos europeus o hábito de usar roupas, mas eu acho totalmente sem sentido censurar revistas ou programas de tevê por isso. Agora, se tem uma coisa que eu acho completamente ridícula, por exemplo, são aquelas reportagens na tevê sobre a cultura indígena onde colocam tarjas sobre os corpos dos nativos, como se a nudez deles fosse uma coisa impura ou ofensiva. Acho que quando a nudez ocorre sem conotação erótica, não há motivos para usar tarjas. Pensando melhor: acho que nem nesses casos deveria haver censura. Ora, por que cenas de apelo sexual com pessoas vestidas podem ser exibidas em qualquer horário e com pessoas nuas não? Qualquer coió vai perceber que a roupa não esconde a excitação de ninguém. Fora que até na música "namorar pelado" virou moda, ou você se esqueceu daquele hit Namorar Pelado que nunca foi censurado?
Mas o cúmulo dessa palhaça toda foi o que ocorreu no Facebook, onde fotos de mulheres amamentando os seus bebês foram censuradas pela rede por serem consideradas "obscenas". Enquanto isso, no mesmo Facebook, mulheres fazendo poses sensuais em trajes ínfimos não recebem censura alguma... E falando em redes sociais, o próprio Youtube remove do ar vídeos que mostrem nudez, mesmo sem qualquer tipo de insinuação sexual.

Imoral? Onde?
Censura no oriente
Uma das notícias que me deixou perplexo foi que no Qatar (e também em outros países muçulmanos) as estátuas dos jogos olímpicos foram censuradas devido à nudez. Muitas pessoas podem argumentar que os países islâmicos são tradicionalmente conservadores e tal, mas censurar ESTÁTUAS?
Falando em países muçulmanos, lembro-me também do caso da estudante universitária egípcia Aliaa Magda Elmahdy, que postou em 2011 fotos de si mesma nua em seu blog para protestar contra restrições à liberdade de expressão. Talvez seja desnecessário dizer que ela foi duramente criticada por seu "crime" de nudez não apenas no Egito, mas pelo mundo quase todo também.

Censura espacial
Nem a placa da Pioneer escapou
Mas o cúmulo do ridículo mesmo foi a censura imposta pela NASA às figuras humanas nuas que seriam colocadas na sonda Voyager rumo ao espaço sideral. Pois após ter recebido críticas sobre a nudez das figuras humanas na Placa da Sonda Pioneer, a NASA impediu que o astrônomo Carl Sagan e sua equipe incluíssem entre as fotografias do Disco de Ouro da Voyager uma imagem com um homem e uma mulher nus. Em vez disso, apenas a silhueta de um casal foi gravada. Para mim, fica a dúvida: Será que os alienígenas que possam encontrar as sondas Voyager no espaço sideral se sentirão mesmo ofendidos em nos ver despidos?

Aí pode, né?
O falso moralismo
O que me deixa realmente perplexo é que vivemos numa cultura completamente hipócrita. As emissoras de televisão enchem de tarjas os corpos dos índios em situações triviais do dia-a-dia apenas por eles estarem "pelados". Enquanto isso, pessoas desfilam seminuas, ou nuas mesmo, em plena Marquês de Sapucaí. Que moral a nossa cultura tem para censurar o nu? E adicione a isso o fato de que muitas aberturas de telenovelas traziam mulheres completamente nuas, como foi o caso das telenovelas globais "Tieta" e "Pedra Sobre Pedra". Aliás, falando em novelas, estranhamente essas aberturas com corpos nus nunca mais voltaram a aparecer.
A moral dessa história toda é que a nossa moral é falsa. Censurar os nossos corpos é apenas uma forma de mostrarmos a nós mesmos o quanto todos nós somos idiotas.

Quem nunca namorou pelado que atire a primeira pedra!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Dicionário Pernambuquês


Imagine a seguinte cena: um cliente chega numa padaria e pede o seguinte ao padeiro:

"Por favor, me veja um pão-crioulo, um taco de queijo e um café grande".

O quê?  Você não entendeu o que ele pediu? Então você precisa de umas boas aulas de pernambuquês!

A seguir, deixo o meu léxico pessoal com as principais palavras do dialeto pernambucano:

A
Abigobal:
Pessoa tola, boba, abestalhada, mamão, mongol, retardado.
Ex: Fulano é tão abigobal que não decora nem a tabuada de zero!

Afolozado:
Frouxo, largo.
Ex: Essa meia velha tá toda afolozada.

Amaro Bocão:
Apelido do maior cemitério do Recife: o Cemitério de Santo Amaro. Usado também para descrever que alguém morreu.
Ex: Fulano foi pro Amaro Bocão!

Amostrado:
Exibido.
Ex: Esse aí tá todo amostrado só porque colocou um dente de ouro!

Aperrear:
Se chatear, ficar irritado. Quem tem aperreio está aperreado.
Ex: Ô rapaz, pára de aperrear o menino!

Aperreio:
Problema, agonia, estresse.
Ex: Esse trânsito do Recife é um aperreio!

Apôis:
Significa então, pois, confirmação ou qualquer coisa do gênero.
Ex1:  Se eu gosto dele? Oxe, mas e apois! Adoro ele!
Ex2: Apois ninguém veio ontem por aqui.

Arengar:
Brigar.
Ex: Os meninos estão arengando por causa da bola!

Arretado:
1.Alguma coisa muito boa, bacana.
Ex. Esse presente que eu ganhei é arretado!
2.Alguém com raiva, nervoso, fulo da vida.
Ex. Eu tô arretado com Sicrano!

Avexar:
Apressar.
Ex: Se avexe logo que eu tô atrasado.


B
Bala:
Munição. Raramente é usada para designar doce ou confete.
Ex: A polícia meteu bala nos bandidos.

Baque:
Queda, tombo.
Ex: O homem levou um baque do banco.

Birô:
Escrivaninha ou mesa de escritório.
Ex: Esqueci as chaves em cima do birô.

Biscoito:
Biscoito empacotado de sabor doce.
Ex: O biscoito de brigadeiro é o melhor!

Bolacha:
Biscoito empacotado de sabor salgado.
Ex: A bolacha Cream Cracker é a melhor.

Bombom:
Doce ou confete mais conhecido por 'bala' em outras regiões do país. Bombom em Pernambuco não quer dizer chocolate, mas sim, bala.
Ex: Vou ali na barraquinha comprar um quilo de bombom.


C
Cabra de Pêia:
Homem sem moral, ordinário, engraçadinho ou espertinho.
Ex: Quem é que esse cabra de peia tá pensando que é?

Cabra Safado:
Homem safado, esperto, sem vergonha
Ex: Aquele cabra safado vai me pagar pelo que fez!

Cabuloso:
Pedante, implicante, irritante ou que dá agonia.
Ex: Esse cachorro do vizinho é cabuloso demais!

Carão:
Repreensão, bronca, esporro.
Ex: Meu pai deu um carão danado em mim.

Catinga:
Cheiro ruim, fedor, mau cheiro. É diferente de caatinga.
Ex: Eca! Que catinga de cocô!

Catôta:
Meleca de nariz, ranho, geralmente endurecida.
Ex: Eca! O técnico da Alemanha comeu catota! 

Chamego:
Excitação sexual, carícias do namoro, volúpia, tesão, bolinar.
Ex: Oxe, meu nego, venha chamegar comigo, venha!


D
Dar o Lavra:
Zarpar, sumir, ir embora, sair.
Ex: Tá na hora de dar o lavra desse emprego!

Dedada:
Aquele gesto obsceno em que levanta-se o dedo do meio.
Ex: O jogador mandou uma dedada para a torcida!

Dengo:
Carinho, mimo, cuidado.
Ex: Adoro receber um denguinho da minha amada.

Dente do Siso:
O terceiro molar, também conhecido como dentiqueiro ou dente do juízo.
Ex: Tenho trinta anos e nunca nasceu o meu dente do siso.

Doido:
Ao pé da letra significa maluco, mas na periferia costuma ser usado no lugar de 'cara', 'mermão', 'mano', 'brother' ou 'maluco'.
Ex: Oxe, doido, tá ligado que esse cigarrinho aí foi liberado lá na Holanda?


F
Fidirrapariga:
Contração do xingamento 'filho de rapariga'.
Ex: Eu vou ensinar pra esse fidirrapariga com quantos paus se faz uma canoa!

Filar:
Colar numa prova.
Ex: Eu só passei de ano porque filei as provas!

Frango:
Apesar do sentido formal de 'frango' ser um galináceo jovem, geralmente cozido, a palavra também virou sinônimo de homossexual, viado e bicha.
Ex: Pintou as unhas e raspou as pernas? Isso aí só pode ser frango!

Fuá:
Cabeleira.
Ex: Eita, não vai pentear esse fuá, não?

Fuderoso:
Significa 'muito bom', 'muito foda', 'da porra'. Dizem ser uma fusão das palavras 'foda' com 'poderoso'.
Ex: Essa Lamborghini preta é fuderosa!

Fuleiro:
Pessoa que não cumpre com o que prometeu ou coisa de baixa qualidade.
Ex: Esse cara é muito fuleiro! Nem devolveu o meu disco de vinil!


G
Gaia:
Chifre ou corno.
Ex: Fulano levou foi gaia da mulher, visse?

Galego/Galega:
Pessoa loira.
Ex: A galega é mais simpática que a morena.

Gasear:
Matar aula.
Ex: Vou gasear aula com a galera lá na lan house.

Gréia:
Bagunça, agitação.
Ex: Que gréia foi essa lá no escritório, hein?


L
Lapada:
Pancada, porrada.
Ex: Ele deu umas lapadas boas na cara do safado!


M
Macaxeira:
O mesmo que aipim, mandioca, maniva, castelinha.
Ex: Comprei dez quilos de macaxeira. Se eu cozinho, é meu?

Mangar:
Tirar onda, tirar sarro, zoar.
Ex: Oxe, mainha, ficou todo mundo mangando de mim na festa!

Mói de Coentro:
Frouxo, covarde.
Ex: Tu é um homem ou um mói de coentro?

Moleque:
Maloqueiro, delinquente juvenil ou criança malcriada.
Ex: Vou botar esse moleque de castigo.

Montanha:
Qualquer elevação de terra, seja um morro ou um vulcão.
Ex: Oxe, rapaz, aquilo não é montanha não! Aquilo ali é o morro do Pão de Açúcar!

Mulesta:
Tem vários significados diferentes dependendo do contexto, geralmente é usado para intensificar algo.
Ex: Afe Maria, mainha me deu um carão da mulesta!

Mundiça:
Ralé, multidão.
Ex: A mundiça lotou o estádio!

Muriçoca:
O mesmo que mosquito, pernilongo e outros insetos chatos.
Ex: Fecha logo as janelas, menino, que tá na hora das muriçoca entrar!


O
Ôxe:
Contração do 'oxente', é uma interjeição que designa admiração, surpresa ou simplesmente nada.
Ex: Ôxe, deixe de ser besta, meu filho!


P
Papagaio:
Pode ser aquela ave falante, mas também pode se referir à pipa.
Ex: Passa o cerol na linha do papagaio pra ele ficar rochedo, doido!

Peba:
De baixa qualidade, ruim.
Ex: Que caneta peba é essa, nem escreve direito!

Pegar um Bigú:
Pegar uma carona.
Ex: Peguei um bigu com um colega na volta da escola.

Peido de Véia:
Tipo de bombinha usada como fogos em festas juninas.
Ex: Soltei um peido de véia dentro da sala de aula!

Peitica:
Chateação, implicância, aporrinhação. Pessoa chata.
Ex: Vixe Maria, pára com essa peitica, menino!

Pipôco:
Estouro ou barulho forte.
Ex: Vixe Maria, que pipoco foi esse?

Pirangueiro:
Que faz pirangagem, ou seja: pão-duro, avarento.
Ex: Deixe de ser pirangueiro, homem!

Pirralho ou 'Pirraia':
Criança pequena, piazinho, gurizinho.
Ex: Eita que pirralho chato!

Pitôco:
Botão apertável.
Ex: Por favor, aperta esse pitoco aí pro elevador descer.

Pão Francês ou Francesinho:
Também conhecido como pão de sal, cacetinho ou média.
Ex: Comprei dez francesinhos na padaria do Seu Lunga.

Pão Crioulo:
Conhecido também como pão sovado ou pão provence.
Ex: Por favor, me veja um pão crioulo, um taco de queijo e um café grande!


Q
Quenga:
Prostituta ou mulher sem valor.
Ex: Você escolhe: ou aquela quenga ou eu!

Quengo:
Cabeça.
Ex: Ai! Meti o quengo na quina do armário!


R
Rapariga:
Prostituta, mulher da vida, garota de programa, mulher ordinária, vagabunda.
Ex: Essa rapariga roubou o meu marido!

Rochedo:
Uma coisa que seja muito boa.
Ex: Mermão, esse teu relógio é muito rochedo!


S
Sopapo:
Soco, murro.
Ex: Eu levei um sopapo na cara, mas dei um bem pior na cara dele!


T
Tabacudo:
Abestalhado, imbecil, otário
Ex: Ôxe, mermão, deixe de ser tabacudo!

Tabica:
Vara fina ou cipó, muito usado para disciplinar crianças ou animais malcriados.
Ex: Pára de dar escândalo senão eu vou meter a tabica nas suas pernas!

Taco:
Pedaço de alguma coisa ou bastão.
Ex: Vou cortar esse taco de queijo.

Tebêi:
Golpe, pancada ou tabefe.
Ex: Eu vou dá-lhe um tebei na cara desse sem vergonha!

Torar:
Partir, arrebentar, quebrar.
Ex: O cordão torou.

Treloso:
Travesso, danado.
Ex: Eita menino treloso, desce daí!


V
Visse:
É o "Tá ligado?" na versão pernambucana. Usada como contração da palavra 'ouvisse?'
Ex: Ele não chegou ainda não, visse?


Z
Zambeta:
Pessoa de pernas tortas.
Ex: Beltrano não serviu ao exército porque é zambeta.

Zarolho:
Vesgo, estrábico.
Ex: Se o galo cantar quando tu tiver zarolho, tu vai ficar assim pra sempre!

Zuada:
Barulho, alarido ou muitas vozes e sons irritantes simultâneos.
Ex: Vamos parar com essa zuada na hora da aula!

PS:
Muitas dessas palavras não são exclusivas de Pernambuco, pois é possível vê-las em várias regiões do nordeste e do país.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Dialeto pernambucano

Para quem quiser conhecer um pouco melhor o linguajar pernambucano e a sua sabedoria popular, vou deixar uma série de exemplos retirados da página Calango Mancoso, do Facebook, que mostra sem artificialidades a versão não-lapidada do dialeto local dessa terra:






































E o vídeo abaixo tem um exemplo clássico da fala pernambucana, com uma redublagem muito engraçada do filme O Senhor das Armas: