terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Todo mundo odeia o Olavo

Lobobão, Olavo de Vergalho, Paulo Brificado Martins, Raquel Sherazeda e Desgraça Salgueiro

Este post é dedicado a todos os fãs rancorosos da besta quadrada do Olavo de Carvalho. Porém, não vou gastar uma única linha falando mal desse sujeito. Desta vez, prefiro deixar que um grupo de pessoas desmascare esse tal de Olavo por mim nos vídeos a seguir:
















quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A misoginia é um crime contra a humanidade


A misoginia, para quem nunca ouviu falar, é um tipo de comportamento antissocial que difunde o ódio e a violência contra as mulheres. É desnecessário dizer que esse ódio irracional e antihumanista é totalmente contrário a todas as condutas éticas adotadas pelos direitos humanos. Grande parte da violência que é direcionada contra às mulheres existe justamente por causa da misoginia. Daí que vemos feminicídios, estupros em massa, violência doméstica, repressão sexual, entre outras aberrações construídas ao longo de séculos por sociedades machistas, patriarcais e misóginas.

A misoginia no mundo atual
É simplesmente revoltante e inaceitável que em pleno século XXI homens e mulheres ainda sejam tratados de forma tão desigual dentro da sociedade. Apesar dos avanços das políticas igualitárias, dos direitos humanos e das lutas dos movimentos feministas, hoje em dia ainda temos muito machismo e misoginia que colocam as mulheres como sendo "inferiores" em relação aos homens. Infelizmente, ainda há muitas pessoas (quase sempre homens) de mente perturbada que ousam culpar as mulheres por toda a desgraça do mundo. Por conta dessa visão equivocada e doentia da realidade, muitos misóginos criam grupos de ódio na internet incitando violência contra o sexo feminino. Um caso que me causou muita revolta foi o site Homem de Bem, onde o seu autor excreta ódio gratuito contra mulheres, homossexuais e ateus. Se você não tiver estômago, nem entre nesse site repugnante, porque apenas algum criminoso ou psicopata seria capaz de escrever tantas barbaridades.

Mulher paquistanesa atacada com ácida no rosto por dizer 'não' a um homem

'Brincadeirinha' ou misoginia?
Ao contrário do que já me acusaram, eu nunca afirmei que mulheres são superiores aos homens ou que homens são superiores às mulheres. Ideias de superioridade são sempre burras e desastrosas. O que eu defendo é a igualdade de direitos. Quem diz que já atingimos a igualdade entre os sexos é porque nunca sentiu na pele as restrições machistas que ainda existem, tais como as constantes ameaças de violência sexual, os abusos e a violência doméstica, a relativização das dores femininas, a educação repressora (muitas vezes com respaldo religioso). Enfim, não me surpreende nem um pouco, por conta de tudo isso, que algumas feministas mais radicais vociferem com ideologias que beirem a misandria. Mas como esperar sutileza daquelas que nunca tiveram voz e nem vez?
O que me dói nisso tudo é que nem nos tempos das cavernas (Paleolítico) as mulheres eram tratadas desse jeito. Estamos atrás até dos trogloditas da pré-história nesse sentido. 

Já passou do tempo desse machismo acabar

Vítimas ou culpadas?
Este post foi escrito com a intenção de destruir de vez qualquer argumento misógino e estúpido que sirva para culpar as mulheres pelas mazelas sociais do planeta. Portanto, vamos refletir sobre o seguinte:

1-Quantas mulheres foram ditadoras?
Compare a quantidade de mulheres ditadoras, genocidas e tiranas que governaram o mundo com a quantidade de homens ditadores. Praticamente 100% dos ditadores foram homens (se não todos). Os maiores assassinos da história foram homens. As mulheres é que foram as maiores vítimas.

2-Quantas mulheres defendem o 'masculinicídio'?
O masculinicídio seria o assassinato e extermínio exclusivo dos homens (sexo masculino). Tirando uma ou outra louca, como a Solanas, não se vê mulheres fomentando discurso de extermínio contra os homens. Mas o contrário, o feminicídio (assassinato de mulheres), é difundido impunemente por diversos sites e páginas de redes sociais.

3-Quantas mulheres escreveram livros "sagrados"?
Não é novidade para ninguém que acompanha este blog que a Bíblia é um livro abarrotado de atrocidades, genocídio, violência, preconceito, sexismo, homofobia, contradições e monstruosidades sem fim. E tanto a Bíblia quanto outros livros religiosos como o Alcorão foram escritos por homens. Mulheres nunca escreveram livro religioso algum que estabelecesse de forma sagrada o sexismo e a submissão de algum gênero.

4-Quantas mulheres matam por homofobia?
A homofobia e o machismo são quase sinônimos, pois um ajuda a alimentar o outro. E aí eu pergunto: quantas mulheres saem por aí em bandos espancando e matando gays e lésbicas? Praticamente 100% dos crimes com motivação homofóbica vêm de homens.

5-Quantas mulheres interferem na liberdade de ir e vir dos homens?
Você já viu algum homem ser ameaçado de estupro por uma mulher por andar sem camisa? Não? Pois é, mas tem mulher que é ameaçada de violência sexual todos os dias independente da roupa que use para andar nas ruas. E ainda há quem culpe as mulheres por isso, vai entender...

6-Quantas mulheres foram responsáveis por estupros em massa?
A limpeza étnica, tão praticada em guerras ao longo da história, foi comandada exclusivamente por homens. Mulheres não promoveram estupros em massa, não criaram campos de concentração e não castraram em massa os homens de outras etnias. A ordem para essas barbaridades sempre saíram de um alto comando liderado por algum homem.

7-Quantas mulheres criam páginas misândricas por ouvirem um 'não' de um homem?
Pois é, a maioria das páginas misóginas da web são de homens mal amados e que não sabem lidar com um simples 'não'. Se não deu certo com uma, há outras milhões de mulheres no planeta que podem dizer 'sim'. Sem falar que os homens precisam aprender que muitas vezes o problema está neles e não nas mulheres. Nunca confundam amor com pena. Nenhuma mulher é obrigada a ficar com um homem por pena. Se quer ser amado, procure desenvolver suas qualidades e minimizar os seus defeitos. O amor é um sentimento de entrega, e nunca de imposição.


Malala: pelo direito das mulheres terem direitos

Isso tudo citado acima é só para ficar em alguns pontos básicos, pois há muitas outras discrepâncias por aí. Quem transformou o mundo nessa porcaria não foram as mulheres, foram os homens: porque são os homens que comandam as regras das sociedades patriarcais. Culpar as mulheres pelos problemas do mundo e pela nossa história sangrenta é completamente absurdo: é um insulto à justiça. O discurso que alimenta a misoginia é sórdido, mentiroso e omite toda a violência machista praticada ao longo da história. É por isso que o respeito às mulheres é um imperativo: uma obrigação de todos os homens. Nós, homens, temos que deixar de ser machistas, falocêntricos, arrogantes e aprender a escutar o que as mulheres têm a dizer. E o mais importante: atender às reivindicações delas como forma de justiça e também para honrar o nosso senso de empatia por todos os seres humanos.  

"O que me preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons."
(Martin Luther King)


“A dominação do homem pelo homem começou com a dominação da mulher pelo homem" 
(Karl Marx)

PS 1: Se algum analfabeto funcional vier dizer que estou afirmando que as mulheres são santas, fique sabendo que as mulheres podem ser tão canalhas quanto os homens. O que este post tenta mostrar é que a misoginia não possui nenhuma coerência lógica além de ser criminosa. O potencial para ser 'mau' é igual para ambos os gêneros. Apesar disso, entre admirar as mulheres e os homens, eu prefiro admirar as mulheres, porque não foram elas que causaram as maiores desgraças da nossa história – além de terem sido injustiçadas e repreendidas por milênios. Ou será que algum ingênuo acha que são as mulheres que mandam no mundo?

PS 2: Para os que acham que o feminismo é um tipo de machismo invertido ou um tipo de revanchismo, por favor, olhem este tumblr e tirem as suas próprias conclusões.


Não gostou? Então...

domingo, 19 de janeiro de 2014

Dissecando o astrólogo aloprado


Eu sei que o melhor jeito de não fazer o cheiro da merda se espalhar é deixando ela quietinha no canto dela. Mas quando o cheiro da merda já se espalhou e começou a contaminar o cérebro de muitas pessoas, então é melhor coletá-la e jogá-la no lixo de uma vez. É por isso que, infelizmente, eu preciso voltar falar de um astrólogo de araque que vive de teorias conspiratórias. Esse astrólogo se chama Olavo de Carvalho.
Se você nunca ouviu falar desse sujeito, meus parabéns, você é uma pessoa privilegiada e bem mais feliz do que eu. Se você que não o conhece não quiser sacrificar o seu bem-estar, então recomendo que pare de ler este post por aqui, porque eu vou dissecar a seguir algumas das ideias mais tragicômicas criadas por este astrólogo requenguela. Mas se você quiser ampliar a sua visão de mundo ou se já conhece esse sujeito, então pegue um saco de vômito e deixe-o bem pertinho de você, porque eu vou desmascarar esse patife nos próximos parágrafos.

Cartomante, astrólogo, numerólogo e caduco

Quem é Olavo de Carvalho?
Astrólogo falido, pseudo filósofo, professor sem diploma, guru aloprado, fascista enrustido e saudosista da ditadura militar, Olavo de Carvalho é um desinformador coletivo que resolveu defender a direita conservadora baseado em mentiras e distorções. Ele conseguiu formar um exército de idiotas úteis (as olavettes) que o tratam como um caudilho e que repetem como papagaios adestrados as suas bizarrices pseudo intelectuais. Não sei se é por carência, caduquice ou loucura que este desilustre senhor cria teorias conspiratórias malucas como forma de cativar a atenção de sorumbáticos militantes da direita autoritária. E a ralé de sub intelectuais que o seguem aumenta a cada dia, incluindo aí nomes ilustres como Lobão, Danilo Gentili e Raquel Sheherazade. É por essas e outras que é necessário esclarecer que o babaquismo gratuito defendido por Olavo e suas olavettes não passa de uma loucura coletiva armada para implantar o fanatismo, a eugenia e o fascismo no Brasil. E na onda dessa ideologia vão neonazistas, racistas, homofóbicos, ultraconservadores e mascus. Desse caldeirão de excrementos, coisa boa é que não pode sair. Só uma boa descarga mesmo para limpar toda essa merdalhada.

Olavo e suas ideias

Olavo e suas olavices
Como se não bastasse ser um filósofo mequetrefe e um intelectual de quinta categoria, o astrólogo medieval provou ser um completo troglodita ao afirmar coisas do tipo:
- "Obama é um agente comunista da KGB com função de demolir a economia americana"
- "O nazismo era de esquerda e Hitler era comunista"
- "O sistema copernicano está errado e a Terra é o centro do universo"
- "A lei da inércia está errada e Isaac Newton era burro"
- "A Pepsi está usando células de fetos abortados como adoçante"
- "O consumo do cigarro nunca matou ninguém"

É simplesmente inaceitável que alguém que tenha passado pelo ensino fundamental leve a sério tantas ideias absurdas. É de uma demência colossal e de uma burrice perturbadora acreditar em qualquer coisa que seja proferida por esse astrólogo metido a filósofo. A burrice dele beira a esquizofrenia. Olavo de Carvalho é uma verdadeira vergonha para os que o seguem e também para toda a raça humana.

Democracia para Olavo é isso

O tal "marxismo cultural"
O velho caduco do Olavo vive dizendo que o conceito pedagógico de Gramsci prevê uma revolução cultural que abriria terreno para uma revolução política. O velhote simplesmente ataca a Pedagogia Crítica influenciada por Paulo Freire por considerá-la "marxista". Em resumo: o Brasil, segundo Olavo, está adotando uma ideologia marxista ao absorver um vocabulário esquerdista e toda uma mentalidade cultural socialista nas escolas para, futuramente, adotar o socialismo de forma sorrateira, pois todos já terão "virados socialistas sem querer". Acontece que essa visão perturbada dele possui alguns problemas.

É doido mesmo
Os problemas do raciocínio do Olavo aqui são dois. Primeiro: ele não entende nada teorizado por Gramsci e distorce as suas teorias ao seu bel prazer. Para entender os conceitos de Gramsci são necessários alguns cuidados na decodificação do seu universo semântico. A historiadora e filósofa Marilena Chaui já refutou algumas dessas barbaridades ligadas às falsas definições de alguns conceitos de Gramsci. Já o Olavo leva os conceitos ao pé da letra ou então os distorce. Segundo: Olavo de Carvalho tem uma cabeça muito antiga e acha que ainda estamos na Guerra Fria. O socialismo caiu junto com a queda do Muro de Berlim e o com o fim da URSS. Os atuais países socialistas (Cuba e Coreia) estão à beira de um colapso econômico e, por isso, precisam se abrir gradativamente ao liberalismo. O modelo socialista do século XX está vencido. O que ocorre na maior parte dos países atualmente é a adoção de um modelo econômico misto, onde prevalece o capitalismo com uma relativa intervenção estatal para regulá-lo. Portanto, nenhum intelectual de esquerda vai defender modelos econômicos falidos e ultrapassados. Isso não passa de paranoia psicótica desse velho gagá que se comporta como uma verdadeira mula sem cabeça.

Jênio!
Enfim, seja por burrice ou por rebeldia, Olavo de Carvalho rejeita os conceitos acadêmicos por considerá-los uma "conspiração marxista". Talvez, por ser católico, direitista e conservador, os seus conceitos não batam com o que é passado dentro das universidades, que são espaços laicos e democráticos. Por conta disso, ele resolveu dar uma de autodidata e se autoproclamou filósofo, defendendo então teorias conspiratórias diversas que contrariam toda a comunidade acadêmica e catedrática. Essa sua postura ignóbil atraiu uma ralé de pseudo intelectuais de direita que defendem com unhas e dentes o laissez-faire e instituições autoritárias como a Igreja Católica.


Como Olavo é visto pelas olavettes

Fechando a tampa da privada
Algumas pessoas podem achar que é desnecessário combater o olavismo, mas num mundo onde grupos fascistas perseguem e atacam minorias, eu vejo como imprescindível denunciar e desconstruir todas as condutas antiéticas e irresponsáveis vindas de sujeitos como Olavo de Carvalho. Espero que esse arquétipo de desonestidade intelectual seja varrido senão do mundo, pelo menos da internet. E chega de falar desse sujeito por hoje porque o meu saco de vômito já está cheio. Blergh!

Leituras recomendadas sobre o Olavo:
O mínimo que você precisa saber para proteger sua inteligência
Olavo de Carvalho, um filósofo para racistas e idiotas
Astrônomos confirmam que Olavo de Carvalho é um filósofo recalcado

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Religião, quem precisa dela?


Não sei se você já percebeu, mas para cada religião que você não acredita, um inferno novo é reservado para você após a morte. Por exemplo, se você é católico, a sua vaga no inferno judeu, islâmico e protestante está garantida. Já se você for judeu, os infernos católico, protestante e muçulmano esperam por você de braços abertos. E se você não tiver nenhuma religião, então vai ter que ir para todos os infernos ao mesmo tempo, sabe-se lá como. É por isso que eu prefiro acreditar no Coelhinho da Páscoa, porque ele não ameaça me jogar no inferno se eu não acreditar nele e ainda me dá deliciosos ovos de chocolate. Diferentemente do Coelhinho da Páscoa – que nos dá recompensas em vida – as recompensas dos deuses das religiões só vêm mesmo após a morte. Eu acho incrivelmente irracional renunciar a beleza e o prazer desta vida para se martirizar em busca do incerto: em busca de uma vida cuja existência depende exclusivamente da fé. A ilusão de estar se preparando para uma outra vida nada mais é que trocar o certo pelo duvidoso. Por que será que entre todos os seres do universo que existem e já existiram apenas os humanos têm a possibilidade de ter uma vida após a morte? O que nos torna tão superiores se somos meros primatas?



O grande problema da religião é que ela se utiliza da exploração da ignorância para impor suas regras e suas verdades dogmáticas. Se há alguma dúvida quanto a isso, basta ver que Deus sobrevive do desconhecido. O astrônomo Carl Sagan, em um de seus livros, traduz esse pensamento com a ideia do "Deus das Lacunas". Esse Deus das Lacunas é aquele deus que antes estava nos céus, depois passou a se esconder fora do planeta, depois se escondeu em lugares obscuros do cosmo e, por fim, atualmente reside fora do universo: sempre fugindo para lugares onde não pode ser verificado pela ciência. Sinceramente, eu acho a ideia de um deus pequena demais para descrever toda a complexidade que é a vida e o universo. Acho que o conceito de multiverso, por exemplo, é muito mais complexo e profundo do que o conceito de uma divindade que se preocupa com nossas vidas íntimas. Acho que precisamos criar um conceito mais elegante e mais convincente do que o de um deus antropomórfico, contraditório e desumano. Vamos evoluir.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

O nazismo era de esquerda ou de direita?

Será que todo socialismo é igual?

Muitos liberais conservadores, especialmente aqueles que seguem e admiram um certo astrólogo, têm a mania de afirmar insistentemente por aí que o nazismo era uma ideologia de esquerda. Em contraponto, há alguns grupos de esquerda que consideram o nazismo como sendo extrema-direita. Mas será que essas visões estão realmente corretas?
Antes de responder a pergunta do título, primeiro temos que entender que o conceito de esquerda e direita mudaram com o decorrer do tempo. O significado de esquerda e direita hoje são diferentes do era há 80 anos atrás.

Atual divisão entre esquerda, direita, autoritarismo e libertarianismo

Mudança de paradigma
O princípio da esquerda sempre foi a igualdade, o foco no coletivo e a ideia de dividir para prosperar. Já a direita foca mais na visão de que as desigualdades são naturais e inevitáveis, que deve-se pensar primeiro no indivíduo e que a economia não deve ter controle estatal. Acontece que essa visão de esquerda e direita política, como já citei, não foi a mesma ao longo da história. O posicionamento ideológico atual tanto da esquerda quanto da direita – diferentemente da primeira metade do século XX – está mais ligado a questões econômicas do que aos demais aspectos políticos. A gente também não está mais na Guerra Fria para limitar esquerda e direita a 'socialismo versus capitalismo'. Hoje, as diferenças ideológicas entre esquerda e direita se encaixam mais na variação do grau de liberdade econômica que o Estado concede a uma nação. Quanto mais liberdade, mais à direita. Quanto mais igualdade, mais à esquerda.

A atual direita
A direita hoje se confunde com o liberalismo econômico por ambos serem praticamente sinônimos. O atual discurso liberal seduz muita gente porque ele defende a meritocracia e porque o nosso Estado mostra-se corrupto e incompetente. Logo, a solução para isso, segundo muitos liberais, seria reduzir os poderes do Estado como forma de promover uma maior liberdade econômica ao país. Com relação a isso, eu sou a favor de uma relativa liberdade econômica, mas o Estado deve ter poderes para evitar a exploração indevida da mão de obra assalariada e a formação de monopólios e oligopólios. A livre concorrência (ou livre mercado) dos liberais rui diante de práticas como holding, trustes, dumpings e cartéis, que transformam o mercado numa piscina de tubarões onde os pequenos não podem se desenvolver. Defender o Estado mínimo é, na verdade, ir contra a própria liberdade econômica e ser a favor do canibalismo empresarial. Dizer então que o mercado se regula sozinho é bastante inocente.

A atual esquerda
A esquerda contemporânea tende a se focar mais no bem estar social, em ações afirmativas e na distribuição de renda. A luta de classes e a ditadura do proletariado praticamente foram deixadas de lado em nome de um socialismo democrático. Na prática, há um apoio maior ao Estado para que este se encarregue de minimizar as injustiças econômicas e sociais. Eu não tenho críticas a esta esquerda, porque me identifico com ela. O grande problema é que os nossos representantes dentro do Estado tendem a governar em causa própria, a serem corruptos devido à impunidade e, não raro, mostram-se incompetentes e autoritários em excesso. Não acho que o Estado mínimo seja a solução para isso, mas sim uma reforma política: reforma esta que solucione estes problemas causados pelo próprio Estado.

O nazismo
A extrema-direita, segundo a antiga cartilha política, caracterizava-se por uma forte ou completa hierarquização social da sociedade e o apoio à supremacia de certos indivíduos ou grupos considerados naturalmente superiores que seriam mais valorizados do que aqueles considerados inatamente inferiores. Perceba que o significado da extrema-direita estava atrelado às desigualdades sociais. Hoje, o conceito de extrema-direita resume-se a um palavrão (palavra grande) chamado anarcocapitalismo. O anarcocapitalismo defende a liberdade econômica irrestrita e o fim do Estado burocrático. Isso é que é ser direita extrema hoje. Por conta dessa confusão com relação à mudança de paradigmas é que alguns reacionários criam eixos políticos distorcidos semelhantes ao da imagem abaixo:

Visão que a direita cria da realidade

Visão mais próxima da realidade

Jogo dos 7 mil erros
Outro aspecto que faz muita gente colocar o nazismo como sendo de esquerda é que o nome do partido nazista era Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. O termo "Nacional Socialista" não se referia ao socialismo marxista, mas sim ao nacionalismo alemão como forma de fortalecer a suposta raça ariana. Por isso o nazismo era anticomunista, anticapitalista e defendia o corporativismo com uma economia mista. Segundo diversas fontes citadas na Wikipedia, em 1933, a política econômica nazista (ditada pelo Ministro da Economia dr. Hjalmar Schacht) queria diminuir o desemprego por meio da expansão de obras públicas e do estímulo à empresas privadas. Concedeu-se também a isenção de impostos às empresas que aumentassem o emprego e seus gastos de capital. Além disso, a mão de obra na indústria alemã era majoritariamente escrava. A operação de escravização recrutou 5 milhões de pessoas de outros países, das quais somente 200.000 foram de vontade própria. Também foram extintos os sindicatos, contratos coletivos e o direito de greve e os salários dos operários foram fixados a valores baixos pelo Estado para aumentar o crescimento econômico. O resumo dessa história é que o nazismo tinha um Estado poderoso que atendia a ideais da direita oligárquica. Quem se favorecia com o Nazismo eram as empresas e a elite alemã. Portanto, o termo "Nacional Socialista" do seu partido não tinha nada de socialista. O nazismo era, para a atual classificação política e econômica, algo situado entre o eixo centro-direita e a direita autoritária.

E aí? Vai dizer que é montagem?
O fato que reforçou o traço de direita autoritária dos nazistas foi que o Nacional Socialismo alemão nasceu do movimento Völkisch, grupo nacionalista e conservador, e do Freikorps, grupo paramilitar anticomunista. A "igualdade" nazista não era uma igualdade das pessoas como indivíduos – como defende o socialismo – mas sim a igualdade entre os membros da raça ariana. Hitler afirmou que a igualdade de oportunidades para todos os homens alemães "racialmente superiores" era o significado do "socialismo" do Nacional Socialismo. Adicione a isso tudo o fato da maioria dos alemães na época serem cristãos e do apoio que a Igreja Católica tentou dar aos nazistas após eles subirem ao poder. Esses fatos por si só são suficientes para mostrar que o nazismo não tinha nada de esquerda. Aliás, por que foi mesmo que Hitler entrou em conflito contra o socialismo soviético de Stalin? Faria algum sentido declarar guerra a um suposto aliado político-ideológico?

O astrólogo e suas ideias idiotizantes

As besteiras da direita conservadora
Segundo os fanáticos da direita reacionária, o nazismo era (e ainda é) considerado de extrema-direta por causa de uma suposta "influência marxista na academia". Para esses conspiradores, o nazismo era "socialista, coletivista e revolucionário". E segundo o tal astrólogo caduco, os nazistas foram criação da União Soviética e o fascismo era a "irmã rebelde" do socialismo stalinista. Desnecessário dizer que essas afirmações sórdidas não são aceitas pela comunidade acadêmica pelo simples fato de serem inconsistentes com os fatos. Portanto, se você ouvir alguém dizer que o fascismo ou o nazismo são de esquerda, afaste-se desse tipo de gente, porque boa pessoa não deve ser.

Cristianismo rima, mas não combina com socialismo

Atualização: Os nazistas foram apoiados pelos grandes proprietários, pela alta burguesia e pela classe média alemã que estavam com medo do comunismo que crescia após a Revolução Bolchevique na URSS. O capitalismo tinha total poder do Estado justamente para evitar que o comunismo chegasse à Alemanha. As camadas médias e proprietárias apoiaram o nazismo. Uma revolução proletária era tudo que as classes dominantes não queriam.
Além disso, a esquerda defende a igualdade e a inclusão social. Já o nazismo fazia exatamente o oposto através da eugenia, eliminando judeus, ciganos, homossexuais e deficientes mentais. Todos esses fatos reforçam as evidências que o nazismo não era de esquerda coisa nenhuma. Um Estado forte não significa que a ditadura criada por ele seja de esquerda, assim como não foram de esquerda as ditaduras militares na América do Sul. Portanto, antes que algum bitolado de direita venha tentar refutar, o nazifascismo era de direita, sim, senhor.