sábado, 17 de maio de 2014

Objetificação masculina? Pronto, era só o que faltava!


Eu prometi a mim mesmo que não voltaria mais a falar sobre esse assunto, mas depois da nova onda de carolice entre os conservadores e religiosos bitolados, tive que quebrar a promessa. O que acontece dessa vez é que surgiu na internet um novo tipo de objetificação: a objetificação sexual do homem.

Objetificação sexual masculina. Ou não.

Objetificação, ela outra vez...
Pobre homem...
Estou farto de ouvir falar por aí sobre essa história de que qualquer mulher com pouca roupa ou que se destaque apenas por sua beleza exterior está sendo "hipersexualizada" ou "inferiorizada". Isso, no dicionário feminista-religioso-moralista, significa nada menos que a "objetificação sexual da mulher", como comentei em outros posts. Objetificação sexual, no meu entender, ocorre quando as mulheres são vistas exclusivamente como "objetos sexuais", ignorando seus talentos e competências que vão além da beleza física. Agora virem reclamar que os homens estão sendo objetificados por também se destacarem por sua beleza física ou por aparecerem como objetos sexuais na publicidade, aí já é apelação. Como eu destaquei em negrito logo acima, eu concordo que a mídia (e a sociedade em geral) tende a exagerar quando mostra os atributos físicos femininos em detrimento da competência ou de outras qualidades intelectuais que uma mulher pode ter – mas eu não acho necessário apelar para um moralismo barato para se refutar isso.

Tadinho...
Confusão de conceitos
Nos esportes, por exemplo, é comum ver os uniformes femininos mais curtinhos e mais justos que os masculinos porque o público majoritário de esportes na tevê é masculino heterossexual – e homens são compelidos instintivamente a ver aquilo que os atrai visualmente. O capitalismo sacou isso e impôs roupas mais 'sensuais' para alguns ramos esportivos femininos. A própria mulher quando se maquia e quando põe uma roupa mais sexy sabe que isso atrai mais os homens (estaria ela se objetificando por isso?). E a mídia também faz o mesmo no jornalismo ou na publicidade porque a beleza feminina virou um produto. Veja bem: eu disse que a beleza feminina é um produto, e não as mulheres. É por isso que eu acho que essa ideia de objetificação é muito forçada na maioria dos casos.
Se fôssemos seguir essa lógica 'objetificante', namorar também seria um ato de objetificação, porque para muitas pessoas, um namorado ou uma namorada são meros troféus sociais para se exibir para amigos e familiares. E não são só namorados que são objetificados: cantores num palco, por exemplo, são "objetificados" frequentemente pelas fãs que gritam "lindo, tesão, bonito e gostosão". Tem também os casos onde os homens são "objetificados" como se fossem utensílios que só servem para abrir potes e trocar pneus. Mas eu discordo que essas coisas todas sejam objetificação, porque todos esses exemplos mostram apenas situações intrínsecas ao comportamento social do 'bicho gente'. Afinal, somos todos primatas; nem mais, nem menos que isso.

Mais um pobre homem sendo "objetficado" sexualmente

A verdadeira objetificação
A exploração sexual é que é a verdadeira objetificação, porque nela os seres humanos são vistos e tratados literalmente como mercadoria. O resultado disso são aliciamentos de meninas pobres, corrupção de menores, prostituição infantil, abuso sexual, tráfico humano, cárcere privado, trabalho escravo e até tráfico de drogas. Agora achar que uma pessoa é objetificada por ela ser um sex symbol, francamente: vão arrumar uma pia cheia de pratos para lavar.
PS: Não confundam prostituição com objetificação, porque a prostituta não vende o próprio corpo: ela vende um serviço, o sexo.

Homem-estátua: outro caso 'horrendo' de objetificação

O discurso religioso
Exorciza!
É comum ver religiosos dizendo que "os corpos das mulheres são usados como objetos descartáveis" e que "os homens não conseguem mais ver as mulheres com dignidade e respeito, mas só como objetos de prazer". Apesar desse discurso ser fortemente influenciado pela moral cristã, muitas feministas têm o comprado como se ele fosse uma verdade, virando massa de manobra de padres e pastores moralistas. Eu já alertei sobre isso tantas vezes neste blog, que tenho até preguiça de linkar os posts.
E como se todo esse moralismo fajuto não bastasse, agora os religiosos reaças estão vindo com essa história de que os homens estão hipersexualizados, pois eles estão usando os seus corpos sarados para tentar contra a pureza das mulheres. Eu sei que isso parece ridículo, mas já têm feministas por aí concordando em número e grau com essa joça, achando que os homens e mulheres objetificados estão ali para serem "consumidos". Consumidos? Ora, quer dizer que vão agora enrolar um homem (ou uma mulher) atraente numa folha de fumo e vão tragá-lo como se ele fosse um cigarrinho – ou que vão fatiá-los em mil pedacinhos para serem vendidos num açougue? Pelamordedeus: vamos amadurecer e parar de besteira. Eu acho até uma provocação muito boa para as feministas histéricas que 'uzomi' sejam hipersexualizados em poses e roupas sensuais, porque assim elas sacam que não há nada de errado com a objetificação saudável das mulheres. É por essas e outras que eu acho o moralismo uma grande anedota.

Ah, não gostou?
Então olha a minha cara de preocupação:

sexta-feira, 16 de maio de 2014

As ninfetas e a hipocrisia do patriarcado


Num dia qualquer, quando eu voltava a pé da padaria, me deparei com uma cena comum e ao mesmo tempo curiosa. Uma adolescente, com uma idade aparente entre 12 e 15 anos, caminhava na rua sozinha usando uma minissaia e uma blusa decotada. Apesar da aparente pouca idade, ela tinha todos os atributos de uma mulher adulta atraente: quadris largos, pernas bem torneadas, seios proeminentes, bumbum empinado e cintura fina. A rua nem estava tão movimentada assim, mas, como já era de se esperar, praticamente todos os homens pararam o que estavam fazendo para contemplar a beleza da jovem. Ela, literalmente, parou o comércio. Não vi ninguém mexer com ela, mas todos os homens da rua, inclusive esse que vos escreve, ficaram hipnotizados com tamanha formosura que a jovem ostentava. O que realmente me chamou atenção nessa história foi que todos os homens por onde ela passou ficaram embasbacados, babando como se ela fosse um pedaço de carne pronto para ser "consumido". Só que a garota possivelmente não tinha nem 16 anos: então será que todos os homens viraram pedófilos* ou pervertidos de uma hora para outra só porque a garota estava usando roupas provocantes? A resposta é não. O que aconteceu foi que presenciamos uma das maiores feridas abertas do patriarcado e do falso moralismo: o desejo pelas ninfetas.

Ninfetas? Quem são elas?
Ninfeta, para quem não sabe, é uma adolescente (ou adulta) do sexo feminino que aparenta a delicadeza de uma menina, mas que, paradoxalmente, possui a sensualidade de uma mulher adulta. Numa pesquisa rápida nos sites de busca é possível ver a palavra 'ninfeta' associada a diversos sites e materiais eróticos justamente porque elas costumam habitar o imaginário sexual masculino desde que o mundo é mundo. O problema todo com as ninfetas surgiu quando o patriarcado inventou que as mulheres precisavam casar virgens (e serem fiéis) para se ter certeza que o herdeiro seria um filho legítimo do pai. A festa de debutante, por exemplo, trata-se justamente de um ritual do patriarcado onde a menina-mulher completa seus 15 anos e é apresentada à sociedade para se casar. Antes disso, portanto, a mulher tinha que ser mantida pura e casta para não ser 'rejeitada' pelo marido (até pouco tempo atrás, o marido podia pedir a anulação do casamento se a mulher não fosse mais virgem). Logo, desejar, ou pior ainda: desvirginar uma donzela, seria um rompimento desse 'tratado' dentro do patriarcado. Daí veio toda aquela ideia do recato e da pureza das garotas antes do casamento. É claro que o resultado disso tudo tinha que ser um só: merda, e uma merda bem fedida. E o curioso é que apesar de formalmente a maioria dos homens negar seus desejos sexuais pelas ninfetas, eles as desejam intensamente e buscam materiais eróticos onde elas apareçam. Por que será?

Beleza Americana: elas habitam a imaginação masculina há milênios

Por que as ninfetas são atraentes?
Segundo diversas fontes confiáveis, a espécie humana tem, pelo menos, uns 100 mil anos de existência. O patriarcado só deu as caras depois que a propriedade privada se estabeleceu por volta de 5.000 a.C, pouco depois da Revolução Neolítica. Ora, foram mais de 90 mil anos de história humana onde as mulheres possuíam ampla liberdade sexual, diversidade de parceiros e sem essa história de esperar até os 18 anos para que pudessem perder a virgindade depois do casamento. Alie a isso o fato de que durante a maior parte da história humana, especialmente durante a pré-história, a taxa de mortalidade infantil era altíssima e a expectativa de vida era de menos de 30 anos. O que ocorria durante este período era muito, mas muito sexo livre mesmo – especialmente entre os mais jovens por eles serem mais atraentes e saudáveis. Para se ter uma ideia da surubice da época, uma mulher durante a pré-história menstruava raríssimas vezes ou mesmo nunca durante toda a sua vida. Era um filho nascendo atrás do outro até que ela atingisse o climatério ou a menopausa. Nesse cenário, pelo fato da expectativa de vida ser baixa e da mortalidade ser muito alta, essa história de transar depois dos 18 anos não existia, até porque não se tinha uma noção muito precisa da passagem do tempo. Como resultado, os adolescentes daquela época (entre 12 e 18 anos) transavam livremente por não existirem entraves morais, por serem sexualmente atraentes e também por causa dos hormônios. Isso ocorreu por milênios até que chegamos no século XXI e não podemos admitir 'oficialmente' que uma ninfeta é atraente por questões morais, patriarcais ou por medo de ser associado à pedofilia* – mas todos olham, babam e desejam uma ninfeta, mesmo sem saber o porquê.

O ar de inocência misturado com a atração sexual são mortais

A hipocrisia moralista
Quando o livro Lolita, do escritor russo Vladimir Nabokov, foi publicado em 1955, foi um rebuliço enorme porque ele mexia justamente com a moral e os bons costumes – além de desafiar a ética patriarcal de que toda menor de 18 anos é (ou deveria ser) assexuada. E mesmo décadas depois, com tantas músicas de duplo sentido abusando do termo 'novinhas', a sociedade ainda insiste em enxergar adolescentes do sexo feminino como crianças assexuadas. É natural que a cabeça de uma adolescente não acompanhe o desenvolvimento do corpo, mas a questão é que após a puberdade, nós não somos mais vistos pelos potenciais pretendentes como meras crianças. A culpa desse conflito todo é da velha tríade patriarcado-religião-moralismo, que insiste em criar regras que nos castrem psicologicamente desde a puberdade. Ao invés de todas as meninas iniciarem sexualmente quando quiserem (e com quem quiserem), elas precisam esperar até o futuro marido decidir isso por elas. Por mais que a nossa sociedade ache que somos livres sexualmente, nós não somos livres coisa nenhuma: basta ver que muitas garotas são humilhadas apenas porque seus vídeos íntimos 'vazaram' na web. Tudo no sexo tem que ser feito escondido, com muito sigilo, se não quiser que vire escândalo. E no fim das contas, ainda dizem que o patriarcado e o moralismo não têm culpa no cartório: fala sério!

As lolitas fazem sucesso até nos animes

A questão da maioridade
Célia tem menos de 18...
Não está escrito na testa de ninguém a idade que cada um tem. Há pessoas de 13 anos que parecem ter 20 e há pessoas de 25 que parecem ter 12. A idade considerada "de maior" também varia radicalmente de país para país: uns consideram crianças de 9 anos como adultas e outros consideram que a maioridade só vem depois dos 21 anos. Mas nada disso importa para biologia e para a sobrevivência da espécie. O que a natureza quer é que a espécie se reproduza a partir do momento que as pessoas desenvolvem caracteres sexuais secundários. Daí que a pedofilia e a geriofilia são aberrações tanto do ponto de vista biológico quanto do ponto de vista social, porque a atração sexual por pessoas fora da fase reprodutiva não gera descendentes. Mas isso difere, por exemplo, da homossexualidade, porque esta orientação sexual é entre adultos férteis que transam por prazer – sendo tão natural quanto um casal heterossexual de adultos inférteis transarem, mas isso não vem ao caso.

O que os nossos instintos foram programados para fazer ao longo de milhares de anos foi nos tornar propensos a sentir atração sexual por pessoas saudáveis, bonitas e jovens. O problema todo é que como as características sexualmente atraentes surgem a partir da puberdade – e a puberdade vem alguns anos antes da maioridade – então há um conflito direto entre o desejo sexual por ninfetas e a doutrina patriarcal-moralista de negar a sexualidade delas. Fora que o próprio patriarcado gera um desejo a mais pelas ninfetas justamente por ser algo proibido e por elas serem 'puras' e estarem prontas para casar no auge de suas belezas.
A hipocrisia toda, para quem não percebeu ainda, é que adolescentes do sexo masculino com 15 anos ou menos são levados ao prostíbulo para transar com uma garota de programa maior de idade – mas uma garota de mesma idade não pode (ou não deve) transar e nem mesmo ser desejada antes dos 18 anos (ou antes de casar) principalmente se quem a desejar for de maior. E é justamente aí que precisamos parar para refletir.

Acho que podemos concluir que as ninfetas são uma consequência do patriarcado. Ou não?

*Nota de esclarecimento: O desejo por ninfetas não é considerado pedofilia porque elas, por definição, não são mais pré-púberes, pois já apresentam caracteres sexuais secundários e não estão mais no início da puberdade. As ninfetas, apontadas neste texto, são adolescentes (ou jovens adultas) que já passaram da puberdade e não têm mais o corpo de uma criança. Já a idade mínima para consentimento de sexo, no Código Penal, é 14 anos, mas há casos e casos. Há quem discorde dessas definições, porque o tema é bastante controverso. Tem uma opinião diferente? Então comenta aí.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Por que os palavrões são ofensivos?


 
Atenção: esta postagem é para maiores de 18 anos!
Se você tiver menos de 18 anos, vai passear lá no site da Disney! Depois não diga que eu não avisei!

Antes de prosseguir com esta postagem, já vou avisando de antemão que ela estará repleta de palavras de baixo calão (vulgo palavrões). Infelizmente, é impossível fazer uma análise sociocultural dos palavrões sem citá-los. Portanto, se você não gosta de termos obscenos, por favor, feche essa janela/aba e vá ler uma coisa mais light, combinado? Se você vier me dizer que ficou ofendido com tantos palavrões, desculpa, mas eu avisei...

Por que os palavrões são palavrões?
Você já parou para se perguntar por que algumas palavras são consideradas ofensivas? Por que ao invés de xingar uma pessoa de calhorda, a gente manda ela ir se foder? Ou por que será que a gente – ao invés de dizer que uma mulher é mau-caráter – prefere a xingar de puta? Pois bem, se você não sabe a resposta, eu vou te revelar agora mesmo: você usa palavras obscenas porque que elas ofendem mais. Os palavrões ofendem mais porque nós aprendemos desde pequenos que eles são feios e não devem ser pronunciados, exceto em surtos de fúria ou para ofender alguém. Portanto, o poder ofensivo dos palavrões vem, basicamente, de duas fontes:
1º - Do uso restrito - Afinal, palavras comumente usadas ofendem menos que as 'proibidas'. A proibição dos palavrões em ambientes formais os torna uma espécie de 'arma secreta' muito eficaz na hora de insultar alguém.
2º - Da cultura preconceituosa - Palavrões só são ofensivos porque há uma raiz cultural que os torna feios, sujos e inadequados. E é exatamente sobre esse ponto que eu vou abordar a seguir.

Palavrões são uma forma de bater nos outros usando apenas as palavras

A essência dos palavrões
Os palavrões são um verdadeiro raio x da cultura onde eles são usados, porque eles isolam como sendo pejorativo aquilo que a sociedade mais condena. Para simplificar este post, vou focar apenas nos palavrões usados no Brasil, porque dependendo do país em questão, algumas palavras podem ser ofensivas por razões bem diferentes. O que ocorre no caso do Brasil é que a grande maioria dos palavrões ou são de cunho moralista, ou são machistas ou são homofóbicos. Para tornar o post mais didático, vamos classificar os palavrões em seis grandes categorias: os moralistas, os machistas, os sexistas, os homofóbicos, os excrementosos e os não-obscenos. Vamos conhecer mais sobre cada um deles:

1- Os moralistas: São um claro resquício da nossa moral cristã medieval que vê as práticas sexuais e os órgãos sexuais como sendo sujos e pecaminosos. Eis alguns deles:
-Bastardo
-Boceta
-Caralho
-Cacete
-Cu
-Escroto
-Foder
-Porra
-Putaria
-Se foder
-Suruba

2- Os machistas: São um sinal claro da sociedade patriarcal que sempre condenou e controlou a sexualidade feminina. Exemplos:
-Descabaçada
-Filho da Puta
-Piranha
-Puta/Rapariga
-Puta que pariu
-Vaca
-Vadia
-Vagabunda

3- Os sexistas: Enquanto a sociedade ataca a mulher sexualmente "promíscua", há, em contraponto, os palavrões que ofendem o desempenho sexual do homem ou a sua reputação como macho. Tais como:
-Broxa
-Chifrudo
-Corno
-Pau pequeno 
-Punheteiro (não existe 'siririqueira', porque mulher que não pega ninguém não é uma fracassada)

4- Os homofóbicos: Esses aqui sofreram influencia tanto do patriarcado quanto da moral cristã. A homossexualidade não é aceita pelo patriarcado porque não perpetua a submissão da mulher através da monogamia – enquanto que a moral cristã considera a homossexualidade uma abominação, um pecado sexual. Note que os xingamentos homofóbicos referem-se sempre à homossexualidade masculina, nunca à feminina. Na minha opinião, eles estão entre os palavrões mais pesados da língua portuguesa. Entre eles podemos citar:
-Bicha/Boiola
-Boqueteiro
-Dar a bunda
-Caga-leite
-Chupa rola
-Pederasta
-Tomar no cu
-Viado

PS: Expressões como 'coladora de velcro', 'sapatão', 'lambedora de xereca', 'siririqueira' ou 'botar as aranhas para brigar' não são ofensivas exatamente porque o lesbianismo não é tão ofensivo quanto o "gayzismo" masculino. Mulheres lésbicas sempre fizeram parte do imaginário sexual masculino, especialmente quando ocorre numa ménage à trois. Além disso, acrescente o fato de que a homossexualidade feminina sempre foi menosprezada.

5- Os excrementosos: São ligadas aos dejetos liberados pelo corpo humano e são menos ofensivos por não serem tão reprimidos e feios. Exemplos:
-Bosta
-Meleca
-Merda

6- Os não-obscenos: São palavras que ofendem a depender do contexto, exatamente porque elas não são consideradas obscenas por si só. Algumas se referem a doenças mentais, à pouca inteligência, à falta de higiene ou mesmo a preconceitos raciais. Eis algumas:
-Anta
-Banana
-Burro
-Filho da mãe (eufemismo para 'filho da puta')
-Idiota
-Imbecil
-Macaco
-Porco
-Palhaço
-Safado

Gestos obscenos podem surtir o mesmo efeito de um palavrão

A solução para que essas palavras listadas deixem de ser ofensivas é que as pessoas parem de se ofender com elas. O interessante sobre isso é que eu tenho notado que com a maior adesão popular dos grupos socialmente reprimidos, certas palavras estão começando a se tornar menos ofensivas, como é o caso da palavra 'vadia'. Enquanto isso, outras palavras como 'homofóbico', 'racista' e 'machista' têm se tornado tão ofensivas que estão começando a se tornar verdadeiros insultos: o que é muito bom justamente para ajudar a combater esses preconceitos idiotas que tanto atormentaram a humanidade. O canal Porta dos Fundos fez um vídeo satirizando essa mudança de paradigmas, saca só:


Para quem quiser saber a origem dos palavrões na língua portuguesa, o vídeo abaixo é bem didático:


Não gostou? Então xingue muito nos comentários! Rarará!

terça-feira, 13 de maio de 2014

E se a sua filha fosse prostituta?


Toda vez que eu me pronuncio a favor da regulamentação da prostituição, vem alguém e faz aquela pergunta clássica: "E se a sua filha fosse prostituta?"... Sabe qual é a minha resposta? Eu seria a favor da regulamentação da prostituição do mesmo jeito – e explico o porquê.

Ser prostituta é degradante?
Infelizmente, mesmo no século XXI, as pessoas ainda enxergam a sexualidade como sendo um tabu. Foi a nossa "linda e maravilhosa" moral cristã que nos fez ver o sexo como sendo algo de lixo para baixo. Por isso que as profissionais do sexo – que lidam com essa coisa "feia e pecaminosa" chamada sexo fora do casamento – sofrem tanto preconceito e são tratadas como escória ou dignas de pena. A palavra 'puta' é um palavrão justamente por isso: porque as mulheres sexualmente 'promíscuas' são "impuras" por fazem algo muito feio: sexo lúdico sem entraves morais. O moralismo, o machismo e o preconceito dão as mãos e fazem a gente ter a impressão que ser garota ou garoto de programa é o fundo do poço do ponto de vista moral. O que precisamos para pôr fim a isso, entre outras coisas, é de uma regulamentação para que as prostitutas sejam tratadas como seres humanos e tenham condições dignas de trabalho.
Como eu já disse em outras postagens, a prostituição é um trabalho como outro qualquer. Trabalhar oferecendo sexo não tem nada de degradante se a pessoa se protege e tem segurança para exercer o seu trabalho com liberdade e dignidade. Um trabalho legal que lida com algo natural (o sexo) não deveria ser tratado como moralmente errado. O que torna a prostituição algo tão perigoso é que a ausência de uma regulamentação coloca constantemente as mulheres como alvo de exploração por parte de cafetões e clientes mal intencionados. A frequente ligação da prostituição com o tráfico de drogas, por exemplo, vem justamente da ausência de controle estatal para essas duas atividades. Regular a profissão afasta as prostitutas do submundo e as protege de proxenetas. Reitero: a regulamentação é a solução – e não a proibição.

Feminazis contra a prostituição

E se a minha filha fosse prostituta?
A nossa sociedade é extremamente hipócrita. Isso, inclusive, não é novidade para ninguém que tenha se dado ao trabalho de olhar um pouco melhor o mundo que nos cerca. Todo homem quer "uma puta na cama e uma dama na sociedade", mas, estranhamente, não gostam quando alguma mulher que eles gostam são chamadas de putas.
Eu não sou um falso moralista e não teria problema algum se a minha filha (ou meu filho) trabalhasse com sexo. Jamais a repreenderia ou a abandonaria por isso. Não tenho filhos, mas tenho convicção de que filho é algo que não criamos para nós, mas sim para o mundo: temos que respeitar as decisões deles porque não somos senhores de suas vidas. Os pais devem apoiar os seus filhos em suas decisões para que eles possam ser felizes trabalhando no que gostam. Tirando atividades ilegais, como o tráfico de drogas ou o contrabando, eu estaria do lado de meus filhos incondicionalmente.
O problema da prostituição é que ela não é bem vista socialmente – assim como ser homossexual também não é algo bem visto. Ninguém sente orgulho de ter uma filha prostituta ou um filho gay, mas eu também não me sentiria desonrado por isso. Geralmente, esses dois casos são associados à degeneração familiar, à decadência moral ou à criminalidade – associações essas que estão longe de ser uma regra, afinal, há prostitutas de luxo e homossexuais moralistas. A minha única preocupação seria com o preconceito e com os riscos que meus filhos correriam num mundo onde gays e prostitutas são perseguidos e até mesmo mortos apenas por serem o que são.

Transar por dinheiro não é crime: é uma escolha

Sobre a regulamentação da prostituição
Li recentemente no site Blogueiras Feministas um artigo interessante sobre a prostituição em que destaquei dois parágrafos, citados abaixo:

"É preciso parar de confundir a venda do corpo com a venda do sexo, assim como é preciso desfazer a associação automática da prostituição à exploração sexual e ao tráfico humano. Essa confusão reforça a ideia de que a prostituição ocorre invariavelmente à revelia das mulheres, o que não é uma verdade." 

 "A situação das prostitutas no Brasil é de completa desproteção e descaso. A ausência de regulamentação da atividade mantém as mulheres expostas a situações de risco. Violência, abusos e violação de direitos são características inerentes à clandestinidade. Assim como a criminalização das drogas beneficia as grandes máfias, a ausência de controle do Estado sobre a prostituição favorece o tráfico de pessoas e a exploração sexual. A regulamentação enfraquece quem lucra com a ilegalidade." 

Esses trechos acima traduzem literalmente tudo o que eu penso sobre o tema. Ao invés de proibir a prostituição, como alguns fanáticos sugerem, devemos regulamentá-la. Ao contrário do que os moralistas pensam, a prostituta está prestando um serviço sexual, ela não está "vendendo" o próprio corpo. Todos nós usamos os nossos corpos para executar os nossos trabalhos. Parem de confundir uma coisa com a outra. Além disso, criminalizar a prostituição não resolveria a carência sexual de muitos homens, não acabaria com os cafetões e ainda geraria um terceiro problema: o tráfico humano e o descaso, que aumentariam ainda mais.

Transformar as prostitutas em criminosas não é a solução

Homens carentes? Mas sexo hoje em dia não é tão "fácil"?
Quem disse que sexo hoje em dia é fácil? Claro que se compararmos com um século atrás, hoje as pessoas têm mais liberdade para transar com quem querem – só que isso está muito longe de ser algo "fácil". Num mundo onde a maioria das mulheres ainda são reprimidas sexualmente desde a infância e onde o moralismo ainda é predominante, não podemos esperar maiores liberdades do ponto de vista sexual. Eu sei que você está pensando em me refutar ao se lembrar das "piriguetes", dos bailes funks e do sexo virtual – acontece que esses casos são exceções. A maioria das pessoas ainda leva uma vida muito 'certinha' com relação ao sexo. E mesmo o tal "sexo sem compromisso" exige muitos cuidados e limitações. As tais piriguetes têm um nível de exigência relativamente alto, porque se o rapaz não satisfazer as suas expectativas, certamente estará fora do mercado sexual – uma vez que não é preciso de um aplicativo como o Lulu para que você fique famoso por ser ruim de cama. Com as prostitutas, fica-se livre dessas exigências e o cara pode transar como quiser e pelo tempo que ele puder pagar. Fora que para os homens mais tímidos e sem atrativos físicos e emocionais, a prostituição acaba virando a única saída.

Eu sei que dói dizer isso, mas a gente não vive no País das Maravilhas, porque isso aqui não é uma utopia romântica onde todo mundo transa por amor ou pensando no prazer do outro. Tem muita gente que só quer gozar e ir embora sem burocracia, sem mais delongas, sem ter que dar prazer ao outro e sem ter que atender a expectativa de desempenho do outro. Sexo é uma necessidade fisiológica e muita gente não o tem ou tem de péssima qualidade. A vida sexual da maioria das pessoas é uma porcaria e não adianta esconder isso debaixo de toneladas de moralismo ou de fanatismo religioso, porque o sexo é uma energia que não tem como ser oprimida por nenhum controle social.

As prostitutas vendem o sexo a quem precisa dele

"Ah, mas o sexo no casamento é muito melhor". Sério mesmo, santa?
Só os idiotas e ingênuos acham que o sexo num prostíbulo é igual ao sexo no casamento. Pense bem: para que você acha que um homem vai PAGAR para fazer aquilo que ele pode ter "de graça" em casa? E essa história de intimidade e diálogo para melhorar a vida sexual de um casal romântico é uma bobagem pueril dita pela boca de terapeutas sexuais de segunda categoria e por livros de autoajuda escritos por demagogos do século passado. Não se pode comparar o sexo no casamento com aquele oferecido por alguém que investiu todo o seu conhecimento, aprendizado e dedicação no sexo. Sei que incomoda dizer isso, mas sexo com uma prostituta é invariavelmente superior em qualidade ao que se pode obter com o seu par romântico. É como comparar um time de futebol amador com um time profissional: as diferenças entre quem transa por hobby e quem transa profissionalmente são muito evidentes. Por isso que tantos homens, casados ou não, procuram o sexo pago. Inclusive, essa é justamente uma das razões pela qual a igreja sempre condenou o sexo antes do casamento juntamente com a prostituição: porque quem experimenta, acha o sexo no casamento muito ruim em comparação com o sexo nos bordeis. E nada melhor para controlar uma pessoa do que começar controlando a sua sexualidade: os machistas fazem isso com as mulheres e a religião faz isso com os seus fiéis. O mundo ideal seria onde o sexo não fosse tabu e onde todos pudessem investir seu conhecimento e dedicação nele para se tornarem amantes completos. Mas, infelizmente, não é esse o mundo em que vivemos.
E, por favor, parem com essa mania ridícula de dizer que homem que sai com prostitutas é fracassado. Fracassado é quem tem que aturar um casamento falido, com sexo ruim (ou sem sexo), só por causa dos filhos. Essas pessoas que dizem que o sexo pago é ruim geralmente estão cegas pelo amor romântico, pela paixão ou nunca pagaram uma prostitua decente (decente no sentido de ser indecente, entende?).

Elas entendem do negócio melhor do que você imagina

O que não te contaram sobre a nossa sexualidade
Essa história de casar afeto com safadeza foi uma das medidas mais desastradas da história. Durante mais de 100 mil anos de histórica humana, os nossos ancestrais faziam sexo livremente sem a obrigação de fidelidade a um único parceiro. Essa história de "família nuclear" (papai, mamãe e filhinhos) foi uma invenção do patriarcado. Durante boa parte da pré-história, as crianças eram criadas pela comunidade (e não só pelos pais) porque, entre outras razões, não se sabia que o sexo servia para gerar filhos. O sexo era feito apenas por prazer. Se prender a utopias românticas-monogâmicas é ir contra a nossa própria natureza, contra o nosso próprio instinto. É por isso que os consultórios de terapia sexual vivem lotados de casais: porque mentimos para nós mesmos o tempo todo ao negar a nossa verdadeira natureza. Agora, em comparação com os casados, vê quantos homens procuram uma terapia sexual para resolver seus problemas com prostitutas...
Não estou dizendo aqui que devemos ser todos promíscuos ou que o casamento é uma instituição falida, mas devemos entender que o sexo, muitas vezes, independe de laços afetivos para ocorrer de forma plena. Por terem maior liberdade sexual, os homens conseguem tirar melhor proveito disso e fazem da prostituição e da pornografia dois dos maiores mercados exatamente por eles serem a válvula de escape da nossa hipocrisia e do nosso recalque moral. O que não te contaram nessa história toda é que você sempre foi um(a) escravo(a) de um sistema que controla a sua sexualidade sem você perceber. Liberte-se e mande todo mundo se foder (literalmente, rarará)!

 Namastê!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Funk é cultura, sim!


Tem muita gente por aí que por ignorância ou por preconceito acha que música funk não presta, que é música de pobre, música de "preto", música de favelado e outros absurdos mais. Para o antropólogo britânico Edward Burnett Tylor, cultura é: “todo aquele complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Segundo este conceito, arte é cultura. E todos sabem que música é arte. Se funk é música, logo, é arte e, consequentemente, é uma forma de manifestação cultural. Portanto, qualquer funk – seja o funk americano dos anos 60 (o do soul, jazz e rhythm and blues) ou o funk carioca – é cultura! Você pode até não gostar, mas o funk é tão relevante culturalmente quanto uma sinfonia de Beethoven ou uma canção erudita cantada em latim.
A questão toda é que o funk é uma cultura de massa que está ligada sobretudo às classes menos favorecidas economicamente. Dizer que o funk não é cultura é uma forma de marginalizar ainda mais aqueles grupos que vivem à margem da sociedade e que encontraram neste estilo uma forma de expressão. E se engana também quem acha que o funk nacional é apenas uma manifestação cultural das classes mais baixas, porque ele também é muito dançado pela classe média. Até as novelas globais têm colocados suas personagens para dançar nos bailes. Gente de todos os tipos gosta de funk.

O que mancha a imagem do funk é a violência e a promiscuidade ligada aos seus bailes na periferia, muitas vezes financiados por traficantes. Tirando as canções obscenas e as que fazem apologia à violência ou ao uso de drogas, o funk é um estilo que faz parte da cultura e do cenário musical do país e negar isso é uma forma gritante de ignorância.

A seguir vou deixar algumas canções de funk que eu curtia bastante quando era mais jovem e que mostram que o estilo tem muita coisa boa:





E para os mal humorados e pseudo intelectuais que dizem que funk não tem conteúdo, toma essas duas aí: