quarta-feira, 9 de julho de 2014

Boletim da Copa - Segunda Fase


O significado do logo da Copa
E o Brasil lascou-se de novo. A acachapante goleada sofrida diante dos germânicos só mostrou que ou Deus não é brasileiro, ou que santo de casa não faz mesmo milagre. Foi o Maracanaço em 1950 e agora o Mineiraço em 2014, só que o Mineiraço foi bem pior devido à saraivada de gols sofrida pela seleção canarinha. Honestamente, eu não vi a seleção entrar em campo. Eu vi um jogo de um time só onde a seleção alemã deitou e rolou. Parecia mais um time de amadores jogando uma pelada ruim contra um time profissional do outro lado. Tive a impressão que os jogadores de camisa amarela estavam cometendo suicídio futebolístico coletivo em campo. Eu não fiquei triste, fiquei com raiva de ver um time sem alma e sem coragem totalmente entregue em campo. Nem naquela final de 1998 – onde a seleção levou de 3 a 0 para a França – eu fiquei tão impressionado com tanta apatia e incompetência. Deixamos de ser uma seleção e viramos uma selecinha brasileira. Mas enfim, eu não vim me aprofundar aqui sobre essa catastrófica derrota da seleção brasileira, vim aqui para confirmar que as Copas disputas nas Américas são mesmo mais equilibradas que as disputadas na Europa. As seleções europeias são tecnicamente mais numerosas que as dos outros continentes, tanto é que dizem que a Eurocopa é uma "Copa do Mundo sem Brasil e Argentina". Quando a Copa ocorre nas Américas, as seleções americanas tendem a melhorar e as europeias a piorar devido ao clima e à distância de casa. Uma prova disso foi que sete jogadores da seleção alemã pegaram gripe e outras seleções europeias sofreram muito em jogos disputados às 13h. Minha teoria se confirmou pelas partidas extremamente equilibradas também na segunda fase (mata-mata).
Eu acho que as seleções sul-americanas só não foram mais longe porque quatro delas caíram na mesma chave na segunda fase: Chile, Brasil, Colômbia e Uruguai fizeram uma mini Copa América entre as oitavas e quartas de final, obrigando apenas uma delas a passar para a semifinal. E se não fosse pelo desastre da nossa seleção na semifinal, enfrentaríamos a Argentina na Final. Pelo menos os hermanos chegaram lá para honrar o futebol sul-americano.

PS: Já que não ganhamos a Copa em casa, vamos pelo menos tentar ganhar o ouro no futebol nas olimpíadas do Rio em 2016. É mais uma chance de sermos campeões em casa.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Olavo vira herói de videogame


Que o filósofo astrólogo Olavo de Carvalho é um super herói caçador de comunistas, ninguém duvida. E como todo grande super herói que se preze, ele acabou ganhando um jogo de videogame onde o próprio salva a América Latina das garras de uma terrível ditadura comunista. Duvida? Assista ao vídeo abaixo e se surpreenda:


O game Wolfolavo foi uma modificação do game Wolfenstein feita por um fã onde o nosso renomado herói entra num bunker em Brasília para detonar todos os comunistas malvados, gângsters do PCC, feminazis, Black Blocs e soldados russos. Apesar do game parecer sério, ele é uma verdadeira comédia onde os produtores tiram uma onda com a cara do nosso astrólogo favorito.
Eu não vou deixar os links para baixar o game porque não o testei, então quem quiser baixar, clique para o vídeo abrir no Youtube e procure as informações na descrição do mesmo.

Ah, não gostou?
Então olha a minha cara de preocupação:

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Objetificação e a síndrome da mulher mal comida

Mostrar a bunda é objetificar? Então a bunda só pode ter superpoderes!

Essa ideia de "objetificação sexual" sempre me pareceu deveras moralista: um discurso de quem se ofende com a nudez ou a sensualidade usada como isca para capturar atenção de uma sociedade sexualmente infeliz. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, os homens imbecis não assediam as mulheres porque as veem como objetos, mas sim porque são machistas, mal educados e sentem que têm liberdade para tal. O problema, neste caso, não é a objetificação: é a sensação de propriedade que muitos homens têm sobre as mulheres por achar que elas são inferiores a eles. É também um erro achar que uma mulher que se objetifica (ou que é objetificada) esteja cooperando para a tal "cultura do estupro". Se não gosta de sensualidade, não a use, não olhe, não compre, não consuma, não clique, não se venda: apenas boicote. Agora ficar com essa conversa mole de objetificação sexual para atacar a sensualidade feminina e ficar justificando supostas falsas simetrias é uma bobagem terrivelmente moralista. A maior prova de que isso tudo não passa de um moralismo barato é que muitas mulheres moralistas dizem que expor a sensualidade feminina na mídia é "romantizar a punhetice" – colocando a masturbação como a grande vilã. Enquanto isso, nas marchas das vadias, as mulheres lutam pela liberdade de andar com pouca roupa sem serem assediadas. Se isso não for um paradoxo hipócrita, não sei mais o que pode ser.

Quem disse que objetificação não é arte?

A contradição moralista
Indecente é a cara
Sabe, eu acho uma contradição monstruosa o feminismo lutar pela liberdade (inclusive sexual) da mulher e, ao mesmo tempo, virem algumas feministas querendo banir essa liberdade alegando que o direito de usar o próprio corpo de forma sensual (para ganhar dinheiro ou não) é machismo/objetificação. Acho que as neofeministas (e moralistas em geral) estão latindo para a árvore errada. Achar que as mulheres estão servindo apenas de objeto sexual para serem servidas em "açougues" (porque mostram apenas partes do corpo como o peito e a bunda) na mídia é que é uma visão preconceituosa das mulheres que assim desejam ser vistas. Se uma mulher se sente ofendida com o uso inadequado da sua imagem, ela pode perfeitamente processar a mídia que a fez. Mas ditar o que todas as mulheres devem fazer baseada em seu próprio preconceito moralista é ridículo e estúpido. Além disso, todo mundo deveria saber que a beleza abre portas e que é impossível desejar sem objetificar, porque quando desejamos alguém, este alguém se torna objeto de nosso desejo. Na minha opinião, o tema objetificação é vitimista e moralista, tanto é que ganhou forte simpatia e adesão de alguns religiosos bitolados. E para piorar, agora fala-se até de objetificação masculina... Francamente, essa ideia de objetificação já foi longe demais ou então perdeu totalmente a seriedade.

Qualquer semelhança com os grupos anti-objetificação não é mera coincidência

A patrulha das mal comidas
Além de todo esse discurso hipócrita e moralista acerca da objetificação, muita mulher usa esse argumento por se sentir menos atraente que as tais "mulheres objetificadas" ou, simplesmente, por ciúmes dos seus maridos 'babarem' por elas. Isso é parecido com a implicância que muitas têm com a pornografia mainstream. No fim das contas é tudo recalque, porque todos gostam de desejar e de se sentirem desejados.
Haja ciúme e inveja!
Por fim, é preciso entender que se uma mulher quer sensualizar e ganhar dinheiro com isso, isso é problema dela, e não das reclamonas ou das feministas abolicionistas. Ora, não são as reclamonas que estão sendo objetificadas, então que não se metam na vida das outras. Isso tudo me parece mesmo é papo de mulher encalhada que não suporta ver a rapaziada se derretendo por mulheres atraentes na mídia, nas revistas, nas ruas ou nos meretrícios. A cada dia que passa eu estou ficando mais convicto de que a objetificação não existe. Até porque se ela existisse, teria que valer igualmente para homens e para mulheres sem essa bobagem de deturpar o argumento da "falsa simetria" para dizer que só mulheres são objetificadas. Se não aprova a hipersexualização liberdade de usar pouca roupa conquistada pelas feministas de verdade, então que se tranque num mosteiro ou vá usar burca lá no Afeganistão.


Não gostou?

Então toma um beijinho no ombro pro recalque passar longe! Rarará!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Boletim da Copa - Primeira Fase


Como eu já havia previsto no post Quem vai ganhar a Copa?, as seleções das Américas, em especial da América do Sul, se deram bem na primeira fase do mundial. Além de todos os fatores que citei no post que beneficiavam as seleções sul-americanas nesta Copa, faltei dizer que estar perto de casa ajuda bastante psicologicamente. Basta ver as migrações em massa de torcedores do Chile, Argentina, Colômbia, Uruguai e México para o Brasil que já dá para entender porque a proximidade com o país sede ajuda tanto no desempenho das seleções nas Copas. Isso tudo sem falar da euforia das torcidas sul-americanas. Do jeito que a coisa vai, acho que a final vai acabar sendo entre duas seleções sul-americanas. Seriam Brasil e Argentina as finalistas?

Abaixo segue uma imagem com as estatísticas das seleções na Copa por continente tirada do site Brasil Post. Olhe o banho que as seleções americanas estão dando nas europeias (clique para ampliar):


domingo, 22 de junho de 2014

Feminismo versus igualitarismo


Apesar da minha simpatia pelo feminismo, descobri recentemente que eu não sou feminista: sou igualitarista. E não, isso não é uma contradição ou uma redundância. Apesar desses termos serem sinônimos, eles não são a mesma coisa. Explico melhor a seguir.

Não podemos falar de igualdade sem compreender as nossas diferenças

Feminismo ou igualitarimo?
Igualitarismo é isso
Sim, eu sou pró-feminismo, ou seja: sou a favor da luta das mulheres por igualdade e respeito. Porém, as feministas tendem sempre a serem parciais e a defendem apenas as mulheres e os direitos das mulheres. O feminismo, como acabei percebendo, é um movimento de mulheres e para mulheres. É uma luta importante? Sim! O feminismo luta contra a misoginia, contra o machismo e contra as diferenças de gênero – mas apenas para atender aos interesses femininos. Isso tanto é verdade que as próprias feministas criaram termos como "male tears" e "iuzomismo" para mostrar que elas não estão nem aí para defender os direitos dos homens e nem nada que beneficie apenas os homens – como a igualdade de tempo de contribuição para a aposentadoria e o fim da conscrição, por exemplo. Apesar de eu ser um simpatizante do feminismo, o que me impede de ser um "feministo", como eu disse, é que o feminismo é protagonizado e construído apenas por mulheres para atender aos interesses delas. Como eu defendo algo mais amplo, ou seja, uma igualdade geral para todos os seres humanos (e não só para as mulheres), então eu sou um igualitarista. O igualitarismo é um hiperônimo do feminismo, pois o engloba, e também acolhe todos os outros movimentos de igualdade, incluindo até mesmo aqueles que querem uma igualdade realmente imparcial entre homens e mulheres.

Está bem estereotipado, mas tem um quê de verdade

O monopólio das virtudes
O feminismo, infelizmente, tende a criar uma visão maniqueísta e cissexista onde os homens – e tão somente os homens – são opressores e as mulheres são sempre as vítimas. Daí que o movimento feminista é "o bem" e todo resto que se opõe a ele é "o mal", detendo, assim, o monopólio das virtudes e da igualdade de gêneros. Se você não concorda com o feminismo, então você só pode ser machista por se opor à igualdade idealizada e monopolizada pelo feminismo. Ser a favor da igualdade de gênero não torna alguém obrigatoriamente feminista – exatamente porque o conceito de igualdade não é necessariamente o mesmo entre feministas, igualitaristas e masculinistas. Eu sempre me questiono que igualdade é essa que as feministas defendem que sempre joga os trabalhos mais perigosos para os homens, que desdenha o fato de que somente os homens são obrigados a lutar nas guerras, que acha que se aposentar mais cedo não é privilégio e que ridiculariza o sofrimento masculino alegando ser male tears. E para piorar, se alguma feminista quiser lutar por privilégios e alguém tentar contestá-la por isso, então esse alguém será automaticamente rotulado de machista/opressor. Não há um juiz, senão as próprias feministas, para determinar onde termina a igualdade e onde começa o privilégio. A igualdade é algo que precisa ser debatido por toda a sociedade, e não apenas pelas feministas. Do contrário, ou teremos uma ditadura feminista, ou as reivindicações delas não serão atendidas por desprezarem as opiniões do resto do mundo.

E eu que achava que só os homens machistas eram controladores...

A falácia da falsa simetria
É comum ver por aí mulheres refutando qualquer objeção ao movimento feminista alegando que é machismo, iuzomismo e toda aquela extensa lista de "argumentos anti-antifeminismo". Ultimamente, uma expressão nova apareceu nesta lista e ela se chama falsa simetria. A falsa simetria realmente existe e ela nada mais é que você partir do falso pressuposto de que há condições iguais onde elas não existem para condenar alguém que luta por igualdade. Um exemplo de falsa simetria é quando alguém critica os idosos por eles terem uma fila preferencial nos bancos. O idoso precisa de uma fila preferencial porque ele não tem mais o vigor e a saúde de alguém mais jovem – e querer chamá-lo de "relaxado" por isso é injusto, porque não há condições iguais entre os mais jovens e os idosos. Portanto, é uma falsa simetria criticar um idoso por ele ter uma fila especial. E o que o feminismo tem a ver com isso? Basta criticar a objetificação masculina, por exemplo, que elas já vem dizer que os homens são muito menos objetificados que as mulheres, logo a crítica não é válida por ela se tratar de uma "falsa simetria". Ou seja: só as mulheres podem criticar a objetificação, detendo o monopólio da discussão e criando um monólogo sobre o tema. Isso ocorre também quando um homem critica a Lei Maria da Penha, porque ela não protege os homens (oh, iuzomismo!) que apanham e são mutilados por suas mulheres. Uma feminista acha que tem direito de fazer apologia à violência de gênero cantando "Vou cortar sua pica", mas fica horrorizada quando escuta "Um tapinha não dói", alegando ser violência contra a mulher. E se ela é criticada, aí vem a conversa da falsa simetria, dizendo que mulheres apanham muito mais, que homens são opressores, que mulheres nunca atacam, só se defendem e etc. Se todos são iguais perante a lei, então deleta essa conversa de falsa simetria, porque ela é sexista e injusta.

O quê? Vai me dizer que você não sabia disso?

A moral da história é que o feminismo acabou virando uma espécie de 'escudo ideológico' para que verdadeiras falsas simetrias (travestidas de politicamente correto) sejam criadas para beneficiar apenas um gênero.
Como conclusão, eu afirmo que o feminismo não está errado, o problema é que ele é tendencioso e não é abrangente o suficiente para representar uma igualdade mais ampla e imparcial. Não acho que os homens devem protagonizar o feminismo para não interferir na identidade do próprio movimento. Por essa razão, acho que se os homens quiserem ter seus anseios atendidos e dialogar por uma igualdade mais justa, que evitem ficar importunando as feministas para tal e procurem se engajar em outra ideologia, como o igualitarismo. O igualitarismo, ao contrário do feminismo, também está preocupado com o sexismo que prejudica os homens. Porém, se optar pelo igualitaristmo, se prepare para ser favorável à igualdade entre todos os seres humanos – e não apenas entre homens e mulheres.