Apesar da minha simpatia pelo feminismo, descobri recentemente que eu não sou feminista:
sou igualitarista. E não, isso não é uma contradição ou uma redundância. Apesar desses termos serem sinônimos, eles não são a mesma coisa. Explico melhor a seguir.
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| Não podemos falar de igualdade sem compreender as nossas diferenças |
Feminismo ou igualitarimo?
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| Igualitarismo é isso |
Sim, eu sou pró-feminismo, ou seja: sou a favor da luta das mulheres por igualdade e respeito. Porém, as feministas tendem sempre a serem parciais e a defendem apenas as mulheres e os direitos das mulheres. O feminismo, como acabei percebendo,
é um movimento de mulheres e para mulheres. É uma luta importante? Sim! O feminismo luta contra a misoginia, contra o machismo e contra as diferenças de gênero – mas apenas para atender aos interesses femininos. Isso tanto é verdade que as próprias feministas criaram termos como "male tears" e "iuzomismo" para mostrar que elas não estão nem aí para defender os direitos dos homens e nem nada que beneficie apenas os homens – como a igualdade de tempo de contribuição para a aposentadoria e o fim da conscrição, por exemplo. Apesar de eu ser um simpatizante do feminismo, o que me impede de ser um "feministo", como eu disse, é que o feminismo é protagonizado e construído apenas por mulheres para atender aos interesses delas. Como eu defendo algo mais amplo, ou seja, uma igualdade geral para todos os seres humanos (e não só para as mulheres), então eu sou um igualitarista. O igualitarismo é um hiperônimo do feminismo, pois o engloba, e também acolhe todos os outros movimentos de igualdade, incluindo até mesmo aqueles que querem uma igualdade realmente imparcial entre homens e mulheres.
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| Está bem estereotipado, mas tem um quê de verdade |
O monopólio das virtudes

O feminismo, infelizmente, tende a criar uma visão maniqueísta e cissexista onde os homens – e tão somente os homens – são opressores e as mulheres são sempre as vítimas. Daí que o movimento feminista é "o bem" e todo resto que se opõe a ele é "o mal", detendo, assim, o monopólio das virtudes e da igualdade de gêneros. Se você não concorda com o feminismo, então você só pode ser machista por se opor à igualdade idealizada e monopolizada pelo feminismo. Ser a favor da igualdade de gênero não torna alguém obrigatoriamente feminista – exatamente porque o conceito de igualdade não é necessariamente o mesmo entre feministas, igualitaristas e masculinistas. Eu sempre me questiono que igualdade é essa que as feministas defendem que sempre joga os trabalhos mais perigosos para os homens, que desdenha o fato de que somente os homens são obrigados a lutar nas guerras, que acha que se aposentar mais cedo não é privilégio e que ridiculariza o sofrimento masculino alegando ser
male tears. E para piorar, se alguma feminista quiser lutar por privilégios e alguém tentar contestá-la por isso, então esse alguém será automaticamente rotulado de machista/opressor. Não há um juiz, senão as próprias feministas, para determinar onde termina a igualdade e onde começa o privilégio. A igualdade é algo que precisa ser debatido por toda a sociedade, e não apenas pelas feministas. Do contrário, ou teremos uma ditadura feminista, ou as reivindicações delas não serão atendidas por desprezarem as opiniões do resto do mundo.
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E eu que achava que só os homens machistas eram controladores... |
A falácia da falsa simetria

É comum ver por aí mulheres refutando qualquer objeção ao movimento feminista alegando que é machismo, iuzomismo e toda aquela extensa lista de "argumentos anti-antifeminismo". Ultimamente, uma expressão nova apareceu nesta lista e ela se chama
falsa simetria. A falsa simetria realmente existe e ela nada mais é que você partir do falso pressuposto de que há condições iguais onde elas não existem para condenar alguém que luta por igualdade. Um exemplo de falsa simetria é quando alguém critica os idosos por eles terem uma fila preferencial nos bancos. O idoso precisa de uma fila preferencial porque ele não tem mais o vigor e a saúde de alguém mais jovem – e querer chamá-lo de "relaxado" por isso é injusto, porque não há condições iguais entre os mais jovens e os idosos. Portanto, é uma falsa simetria criticar um idoso por ele ter uma fila especial. E o que o feminismo tem a ver com isso? Basta criticar a objetificação masculina, por exemplo, que elas já vem dizer que os homens são muito menos objetificados que as mulheres, logo a crítica não é válida por ela se tratar de uma "falsa simetria". Ou seja: só as mulheres podem criticar a objetificação, detendo o monopólio da discussão e criando um monólogo sobre o tema. Isso ocorre também quando um homem critica a Lei Maria da Penha, porque ela
não protege os homens (oh, iuzomismo!) que apanham e
são mutilados por suas mulheres. Uma feminista acha que tem direito de fazer apologia à violência de gênero cantando
"Vou cortar sua pica", mas fica horrorizada quando escuta "Um tapinha não dói", alegando ser violência contra a mulher. E se ela é criticada, aí vem a conversa da falsa simetria, dizendo que mulheres apanham muito mais, que homens são opressores, que mulheres nunca atacam, só se defendem e etc. Se todos são iguais perante a lei, então deleta essa conversa de falsa simetria, porque ela é sexista e injusta.
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| O quê? Vai me dizer que você não sabia disso? |
A moral da história é que o feminismo acabou virando uma espécie de 'escudo ideológico' para que verdadeiras falsas simetrias (travestidas de politicamente correto) sejam criadas para beneficiar apenas um gênero.
Como conclusão, eu afirmo que o feminismo não está errado, o problema é que ele é tendencioso e não é abrangente o suficiente para representar uma igualdade mais ampla e imparcial. Não acho que os homens devem protagonizar o feminismo para não interferir na identidade do próprio movimento. Por essa razão, acho que se os homens quiserem ter seus anseios atendidos e dialogar por uma igualdade mais justa, que evitem ficar importunando as feministas para tal e procurem se engajar em outra ideologia, como o igualitarismo. O igualitarismo, ao contrário do feminismo, também está preocupado com o sexismo que prejudica os homens. Porém, se optar pelo igualitaristmo, se prepare para ser favorável à igualdade entre todos os seres humanos – e não apenas entre homens e mulheres.