segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Malafaia age contra a própria causa


Sei que perdi o timing desse assunto, mas como só tive condições de escrever agora, vou repetir o que digo há muito tempo: o pastor Silas Malafaia é um inimigo da sua própria causa. Todas as vezes que ele ataca algum produto ou empresa por uma publicidade representativa, o tiro sai pela culatra. Na propaganda da Natura do Dia dos Pais, o pastor surtou porque Thammy Miranda apareceu durante alguns segundos no comercial em um gesto de carinho com seu filho. O resultado dessa reação transfóbica exagerada do pastor foi que as ações da Natura subiram, a empresa ganhou mais seguidores nas redes sociais e o vlogger Felipe Neto anunciou que vai fazer propaganda de graça para empresa. Ou seja, o boicote planejado por Malafaia deu completamente errado. Inclusive, provavelmente, isso foi parte da estratégia publicitária da Natura, porque em todo lugar agora se fala da empresa e um grande publico da comunidade LGBTQI+ vai passar a consumir seus produtos por se sentirem representados por ela.

Vergonha alheia é pouco

Nunca consegui entender essa fixação exagerada do pastor em perseguir a causa LGBTQI+. Quando eu era cristão, eu achava que Deus amava a todos independentemente de orientação sexual ou de identidade de gênero. Eu sempre respeitei as pessoas, inclusive, já perdi amizades nos tempos de escola por ter defendidos colegas homossexuais. Já fui hostilizado e até chamado de gay enrustido no colégio por me manifestar a favor da liberdade das pessoas serem como são desde que eu era uma criança cristã. Porque é tão difícil para um pastor, que seria um homem iluminado por Deus, ter essa empatia e deixar os homossexuais e transexuais viverem suas vidas em paz? Que mal um pai trans pode fazer para a sociedade? Tantas crianças por aí que nunca tiveram um pai e quando se mostra uma manifestação de carinho entre um pai e um filho num comercial, vem essa turba enfurecida de transfóbicos atacar e falar grosserias. Não sei a que tipo de deus essa gente supostamente cristã serve, mas com certeza, não foi ao deus de amor que eu acreditava.


Enfim, achei bem feito para o pastor e para os homofóbicos que a maioria das pessoas tenha ficado, no final das contas, ao lado da família e do amor.

Considerações sobre o movimento MGTOW


Devido ao meu posicionamento inflexível de apego à solitude, algumas pessoas têm me perguntado o que eu acho do movimento MGTOW. Para quem não sabe, MGTOW é a sigla para Men Going Their Own Way (Homens seguindo seu próprio caminho) que é um movimento que propõe que, para serem mais felizes, os homens devem seguir a vida sozinhos sem casar, sem se relacionar e sem formar famílias. Isso seria uma forma de valorizar a liberdade e o bem-estar masculinos, protegendo os homens de uma série de problemas e armadilhas que os relacionamentos podem trazer.
Pois bem, vou tentar fazer uma breve análise da minha percepção pessoal a respeito desse movimento.


Analisando com cuidado o que dizem os adeptos do MGTOW, eu cheguei à conclusão que concordo com as conclusões deles, mas discordo totalmente das premissas. Pelo que tenho observado nas redes sociais, a maior parte dos integrantes desse movimento são homens com uma visão muito reacionária. Isso tanto é verdade que há muita gente que se considera MGTOW e que tem argumentos muito parecidos com os misóginos que atuavam nos antigos movimentos masculinistas. Enfim, os membros dessa filosofia de vida são essencialmente antifeministas e não lidam muito bem com a emancipação feminina, achando que as mulheres se aproveitam das leis para prejudicar os homens. Eu não concordo com essa visão. O que acontece hoje em dia é que as mulheres estão conquistando seu espaço e seus direitos, o que causa mal-estar em muitos homens mais tradicionalistas. Daí que eles "boicotam" as mulheres como forma de protesto a essa mudança no zeitgeist. Obviamente, esse boicote é inútil. Não iremos retornar aos anos 1950 porque parte dos homens se sente prejudicada pelas mudanças inevitáveis inerentes à evolução natural da nossa sociedade.


O ponto que eu concordo com os MGTOW é que relacionamentos são uma fonte interminável de problemas, estresse, brigas e chantagens. Não apenas os relacionamentos heterossexuais, mas todos os tipos de relacionamentos afetivos são, no meu ponto de vista, uma tragédia. Claro que os relacionamentos heterossexuais são, sem dúvida alguma, muito piores que os homoafetivos, especialmente para as mulheres que correm sempre o risco de serem espancadas, assassinadas, perseguidas e maltratadas por seus companheiros.
No caso dos homens, concordo com tudo que os MGTOW falam com relação às desgraças de um relacionamento. Traição, ciúmes, brigas, perda de liberdade, problemas desnecessários, desgaste emocional, muita despesa, sexo ruim, golpes, perda de bens, pensões, etc. Eu, particularmente, não consigo ver absolutamente nenhum tipo de vantagem em um relacionamento (seja ele namoro, casamento, união estável, etc). Já escrevi um post explicando algumas das razões mais superficiais pelas quais eu não gosto de relacionamentos afetivos. Eu sou um sujeito que ama a liberdade e a solidão, portanto, não há nenhum motivo para eu deixar a minha zona de conforto e sofrer em um relacionamento. Paixão é uma coisa que já passou há muito tempo na minha vida, sexo se obtém com prostitutas, carinho eu recebo dos meus pets, apoio eu recebo da minha família, camaradagem tenho com meus amigos, romance não sinto falta alguma e filhos não pretendo ter.

Então, como podem ver, eu não sou um MGTOW, mas sou antirrelacionamento. Se um dia eu quiser uma companhia, é mais fácil eu comprar uma sex doll, mas isso é tema para outro post.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Plutocratas não agem sozinhos


Recentemente, o CEO da SpaceX e da Tesla Motors Elon Musk assumiu, sem qualquer remorso, parte da responsabilidade pelo Golpe de Estado na Bolívia para roubar o lítio do país. Algumas pessoas ficaram surpresas com essa notícia não sei o porquê. Ora, os super ricos, os tais plutocratas, trabalham fazendo exatamente isso: decidindo os rumos políticos e econômicos do mundo todo. Um sujeito como o Elon Musk que tem mais de US$ 70 bilhões em fortuna não é apenas rico, mas é também um dos donos do mundo. Homens bilionários pelo mundo todo fazem exatamente a mesma coisa, porque quando a riqueza entra na casa dos bilhões de dólares, passa a se tornar medida de poder e não apenas de riqueza.

Ao contrário dos extremistas que querem exterminar todos os plutocratas e dividir as riquezas deles entre os mais pobres, eu sou a favor de algo mais eficiente: da politização da população, especialmente da classe média. Bilionários só existem no nosso mundo porque parte da classe média age como lacaia desses homens. Políticos, juízes, militares, empresários e jornalistas agem como mediadores para que esses caras fiquem cada vez mais ricos enquanto os trabalhadores fiquem cada vez mais pobres. Tudo isso em troca de migalhas: prestígio, cargos, estabilidade, um milhãozinho aqui ou outro ali... O Golpe de Estado só aconteceu na Bolívia porque a classe média de lá apoia um mundo desigual onde plutocratas como o Musk podem ter tudo, e bilhões de outros seres humanos não podem ter nada. Falta politização e empatia. O mesmo ocorre em 99% dos países capitalistas, incluindo o Brasil. A exceção fica por conta dos renegados Cuba e Coreia do Norte. Nesses dois países, como as pessoas de lá são mais politizadas, não há abertura possível para Golpes de Estado.

O problema da desigualdade do mundo, quem diria, não é por culpa dos homens mais ricos, mas por culpa da própria classe média que se omite, que acoberta, que defende, que passa pano para que bilionários façam o que fazem. Só iremos ter um mundo mais justo quando a maioria de nós compreender que é preciso pensar nos semelhantes, nos excluídos, na coletividade, no bem-estar social e entender que o atual capitalismo financeiro só deu certo para um punhado de homens brancos que não dão a mínima para as injustiças do mundo.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

80 mil minutos de silêncio


Hoje, 20 de julho de 2020, o Brasil se aproxima da trágica marca dos 80 mil mortos pela Covid-19. 80 mil é a capacidade máxima do Maracanã. 80 mil foi o total de mortes com a bomba atômica que explodiu em Nagasaki, no Japão. São 80 mil famílias chorando seus entes queridos enquanto um néscio psicopata no cargo público mais importante do país falava de "gripizinha" e faz propaganda de um remédio sem qualquer comprovação de eficácia. Esse é o tamanho da nossa tragédia amparada por parte das Forças Armadas que está ocupando cargos importantes no executivo. A presença de um general no comando do ministério da saúde coloca o Exército – como bem criticou o ministro Gilmar Mendes – como coparceiro de um verdadeiro genocídio. Os generais ficaram ofendidíssimos com o ministro Gilmar porque ele usou a palavra "genocídio", mas oras, quem estudou sobre a Guerra da Tríplice Aliança sabe bem que o genocídio não é exatamente uma novidade para as nossas FFAA. 80 mil mortos numa pandemia também é um tipo de genocídio: um genocídio por omissão, por negligência, de ter se associado a um homem cuja família está envolvida até o pescoço com as milícias cariocas e sempre fez pouco caso dos mortos e desaparecidos em outro genocídio que ocorreu entre 1968 e 1978 no Brasil. Não foi à toa que o PDT denunciou o inominável no Tribunal Penal de Haia.

Deixo minha solidariedade a todas as famílias que choram por essa tragédia. Precisamos de oitenta mil minutos de silêncio.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Devemos torcer pela morte de Bolsonaro?


Tenho visto muitas pessoas por aí desejando descaradamente a morte do presidente Jair Messias Bolsonaro depois dele ter divulgado que está com a Covid-19. Pessoas desejarem a morte uma das outras é comum, mas vê este tipo opinião partir de pessoas de esquerda ou de cristãos é algo que me deixa intrigado. Cristãos, se não me falha a memória dos tempos de catecismo, têm a obrigação de amar a todos, inclusive seus inimigos. Já as pessoas de esquerda, que costumam ter mais empatia e propensão ao diálogo, estão a repetir o que os intolerantes da extrema-direita desejaram aos ex-presidentes Lula e Dilma. Mas o ponto aqui não é criticar as pessoas por suas opiniões, crenças e ideologias. O ponto aqui é mostrar como seria ruim para todos nós a morte de Jair Messias Bolsonaro.

Em primeiro lugar, a morte de Bolsonaro pela Covid-19 seria uma vitória não da oposição ou da esquerda, mas do próprio coronavírus. Eu acho abominável que as pessoas torçam para que o vírus tire a vida de mais um ser humano, por pior que ele seja. A minha torcida é a favor da vida humana e contra o coronavírus. Se eu fosse um médico e o Bolsonaro fosse meu paciente, eu faria de tudo para salvar a sua vida e cuidar da sua saúde, assim como faria com qualquer outro ser humano. Para mim, a vida humana tem um valor incomensurável, independentemente do caráter.
Em segundo lugar, a morte de Bolsonaro faria com que o seu vice, Hamílton Mourão, assumisse a presidência. E como todos sabem, Mourão é muito mais preparado, inteligente e competente em conduzir adiante a agenda econômica neoliberal. Ao contrário do ex-capitão, o general consegue se comportar de maneira aceitável diante da maior parte da opinião pública. Lutar contra o Mourão seria mais difícil, no meu ponto de vista.
Por último, eu sou contra a morte do presidente porque ele precisa estar vivo para responder pelos seus crimes. Como costumava-se dizer durante as Cruzadas: "morte não é punição, morte é libertação".

Nunca imaginei que eu fosse proferir isso, mas desejo que o presidente Bolsonaro se recupere e que um dia a justiça – e não a vingança – seja feita.