terça-feira, 18 de agosto de 2026

O mundo assombrado pelos extraterrestres


Eu confesso que sempre fui um sujeito muito medroso. Se até hoje, com mais de 40 primaveras, eu durmo com as luzes da casa todas acesas quando escuto algum barulho inexplicável durante a noite, imagine então quando era criança... Quando era pirralho, eu tinha medo de fantasma, de assombração, do papa-figo, de lobisomem, do curupira, da comadre fulozinha, do chupa-cabra, de vampiro, do monstro do Lago Ness e mais um monte de outras lendas que me causavam crise de fobia toda vez que eu ficava sozinho no escuro. Mas de todas as coisas que me metiam medo, o que mais me aterrorizava eram as histórias envolvendo seres extraterrestres. Era noite oficial dos ovnis, Operação Prato, caso Betty e Barney Hill, inúmeros relatos de abduções, crop circles, documentários sobre ETs, vídeos da autópsia de supostos ETs, revistas ufológicas em todas as bancas, filmes de terror, histórias envolvendo a Área 51 e o mais terrível de todos que foi o tal do ET de Varginha. Eu tive, literalmente, pesadelos com aquele bicho e ficava com medo de sair de casa à noite e me deparar com aquela coisa medonha do outro mundo. Mesmo sabendo que 99% era tudo papo furado, até hoje essas histórias me causam desconforto. O problema é que tem sempre aquele 1% inexplicável que me deixa com a pulga atrás da orelha. Só que eu não escrevi esta postagem para relatar os meus medos, mas sim para mostrar que todo esse folclore envolvendo seres extraterrestres também assusta muita gente até hoje. 

Essa coisa meteu medo em muita gente.


Mesmo com tantas provas de que praticamente todas as histórias de ETs são fraudes, muita gente teve e ainda tem medo de alienígenas. Muita gente sofre de paralisia do sono e acha que recebeu visitas de entidades alienígenas enquanto dormia. Muita gente vê drones, raios globulares, balões meteorológicos e até estações espaciais e acham que são UFO ou UAP. E também há pessoas que sofreram abusos na infância e relatam seus abusadores como se fossem monstros ou seres de outro planeta. Mesmo sabendo que as distâncias entre as estrelas é insanamente gigantesca, as pessoas ainda acham que ETs podem vir até aqui e fazer coisas ruins conosco ou até mesmo nos exterminar como uma civilização berserker predadora. Só que seres de outro planeta vindo até nós não passa de mera hipótese. Nunca houve até hoje qualquer evidência mínima de vida fora da Terra. Praticamente tudo que temos hoje são relatos, lendas e farsas. Provas que é bom não há nenhuma. É por isso que assim como fantasmas e seres folclóricos, precisamos ativar nosso ceticismo para não viver com medo de coisas que não existem. Afinal de contas, sempre há alguém que ganha nos mantendo com medo, mesmo que esses medos sejam totalmente baseados em mentiras repetidas milhares de vezes.

domingo, 16 de agosto de 2026

A vida é uma grande roleta da sorte viciada


Se tem três coisas que aprendi ao longo das minhas mais de 42 primaveras foi que: 1 - A vida não é justa. 2 - A vida não é bela. 3 - A vida não tem sentido. 

Isso me veio à mente quando recebi a recente notícia de que um conhecido meu está lutando contra um câncer mesmo sendo mais jovem que eu e tendo levado uma vida inteira totalmente regrada. Esse meu conhecido sempre praticou esportes, fez musculação, seguia dieta rigorosa, se mantinha dentro do peso saudável, não fumava, não bebia, dormia bem, tinha um trabalho que amava e, mesmo assim, num dos exames de rotina, pimba: câncer. Por sorte, foi encontrado em estágio inicial, mas eu acho isso muito irônico. Tem pessoas que levam uma vida absolutamente desregrada em todos os sentidos possíveis e vivem toda uma vida sem ter câncer. Sem falar de crianças bem novas que têm câncer e outras doenças supostamente "evitáveis", mas que não possuem qualquer ligação com estilo de vida. Tudo parece ser uma questão de sorte e probabilidade. E isso também não tem qualquer ligação com merecimento ou karma, porque senão pessoas desprezíveis seriam as primeiras ou únicas a ter essas doenças mais graves. É por essas e outras que não acredito em deuses ou predestinação. Acho que quase tudo no universo é uma questão de acaso. 

É claro que é sempre melhor jogar a favor das estatísticas, mas parece que o universo é indiferente ao nosso conceito de justiça e significado. Aí entra na conversa também a questão da beleza. A vida ser bela ou não é subjetivo, tipo um copo meio cheio ou meio vazio. Só que é difícil falar de beleza num mundo capitalista maldito onde as desigualdades sociais são criadas e naturalizadas por uma classe dominante egoísta, sádica e racista. Neste momento, temos cerca de 2 bilhões de seres humanos em situação de insegurança alimentar. Fora os doentes, desabrigados, feridos e sem esperança. É por isso que precisamos dar um sentido para vida, porque, na verdade, não há. Acho que a empatia, a solidariedade, o altruísmo, a generosidade, a inclusão social, as políticas de cuidado com as pessoas e o amor pelos nossos semelhantes ainda são a melhor forma de tornar esse mundo um lugar menos miserável e injusto. Não podemos só depender da sorte, porque, às vezes, me parece que a vida não passa realmente de um grande dado viciado.