domingo, 12 de agosto de 2012

Como me tornei um descrente


'Imagine você passar a maior parte da sua vida tendo a convicção reconfortante de que há um Pai bondoso que te guia, que te ama, que te protege e que trará justiça ao mundo. Imagine também que você voltará a encontrar todas as pessoas que ama um dia após a morte num lugar belo e aconchegante. E imagine que de uma hora para outra tudo isso desabe e, como num golpe mortal, você se depare com a realidade de que tudo isso não passou de uma ilusão... O dia que concluí que Deus não existe, foi um dos dias mais difíceis da minha vida. Suportar o peso da realidade não é para qualquer um...'

A citação acima foi retirada do meu diário pessoal quando eu tinha 18 anos de idade. Ela mostra o quanto foi duro para mim ter que lidar com uma visão de mundo baseada no ceticismo.

Durante muito tempo, eu hesitei em lidar com o fato de que poderia não existir um deus, mas quando todas as evidências conspiraram contra as minhas crenças, a ficha caiu - e da forma mais dolorosa possível. Mas no final das contas, acabei sobrevivendo e entendendo que a realidade pode ser muito mais bela que uma mentira reconfortante.



"Um dia me disseram
Que as nuvens não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração"
(Somos Quem Podemos Ser - Engenheiros do Hawaii)


Nesta postagem, eu pretendo revelar, em resumo, o caminho que percorri desde a minha fé inabalável no cristianismo até a minha total descrença em divindades. Como eu relatei lá no início, não foi nada fácil lidar com a descoberta da não existência de um Criador.


A fase religiosa
Eu, como todo ser humano, não nasci religioso e nem ateu - nasci indiferente a esses conceitos, até porque uma criança novinha não tem discernimento para abstrair a ideia de um Criador. Desde que foi embutida na minha mente a ideia de que existia um Deus, que eu passei a acreditar automaticamente na existência Dele. Criado numa família católica, fui um cristão convicto até por volta dos meus 15 anos de idade, quando comecei a fazer pequenos questionamentos, do tipo: Quem fez Deus? Por que o sexo só é pecado para os humanos? De onde veio a mulher de Caim? Entre outras.

A partir dos meus 16 anos, comecei a escrever um diário pessoal onde eu fazia reflexões sobre política, sociedade, literatura e religião. Só que quando a gente começa a fazer reflexões e a ter dúvidas com relação à religião, já fica claro que a nossa fé está indo para o saco. Apesar de ver contradições na Bíblia e de notar coisas sem pé nem cabeça no cristianismo, continuei me considerando um cristão, porque eu não aceitava a ideia de que tudo aquilo pudesse ser mentira - mas a semente da descrença já tinha sido plantada dentro de mim. Nessa fase, eu já não participava mais das missas e das cerimônias, embora eu ainda acreditasse no Deus cristão e no Paraíso. Para mim, ter fé e fazer o bem eram suficientes para que eu estivesse tranquilo com a minha consciência.


O início da fase irreligiosa
A grande ruptura que tive com o cristianismo foi quando eu tinha 18 anos. Foi aí que, em uma investigação mais profunda, a ficha caiu. Descobri que tudo que eu acreditei durante a minha vida inteira não passou de uma fábula, uma lenda, uma mitologia, uma tentativa humana de explicar as questões fundamentais. E junto com essa descoberta, vieram lágrimas, tristeza e depressão. A introdução desse post mostra como eu me senti com essa descoberta. Levei meses para me recuperar dessa queda.

Por volta dos meus 20 anos, descobri o deísmo - que é a crença num deus impessoal desligado das religiões. Para mim, os deuses humanos eram tentativas erradas de representar o único deus verdadeiro para mim naquele momento, que era o deus deísta. Mas eu ainda acreditava numa possível vida após a morte e que nós não éramos totalmente frutos do acaso, pois essas ideias ainda me traziam conforto.
Pouco tempo depois que simpatizei com o deísmo, comecei a ler mais sobre outras religiões, como o espiritismo, o budismo e o hinduísmo - mas eu enxerguei problemas em todas essas crenças a partir do momento em que eu acionava o meu ceticismo. Apesar de tudo, eu continuei acreditando num deus impessoal e em vida após a morte, mas sem seguir nenhuma religião.


A fase agnóstica
Quando eu tinha por volta dos 25 de idade, entrei para diversos fóruns, comunidades e espaços para debates na internet. E foram nesses debates online que o meu deísmo começou a ficar cada vez mais brando. Percebi que a ideia de um deus impessoal, na verdade, era fruto das minhas próprias dúvidas e abstrações. Foi então que me tornei um agnóstico, ou seja: eu adotei uma postura humilde de não ter como responder se existia um deus ou não.
Mais ou menos nessa época, conheci a história dos Deuses Astronautas de Erich von Däniken. Apesar das ideias dessa teoria dos antigos astronautas terem feito sentido no início, elas não me convenceram. Um ano depois, eu já havia a descartado como possibilidade de ser real, uma vez que ela fazia o apelo ao desconhecido como forma de impor o seu ponto de vista.


A fase cética
Dois anos depois, aos 27 anos, eu acabei entrando em contato com vários vlogueiros no Youtube que pensavam de forma muito similar à minha. As ideias desses vlogueiros unidas com as minhas me levaram à conclusão definitiva de que os deuses, deístas ou teístas, não podem ser reais, pois a existência deles é incompatível com as evidências do mundo real. E a possibilidade de existir vida após a morte também perdeu terreno - muito embora eu a considere teoricamente possível (comentarei sobre isso em outro post). A maior parte desses vlogueiros céticos que conheci no Youtube pertence à Tropa Lanterna Verde.

Hoje, já maduro e balzaquiano, eu poderia dizer que sou ateu e agnóstico, mas esse rótulo não se enquadra a mim. O máximo que eu poderia dizer é que eu estou ateu, porque, na verdade, eu sou uma metamorfose ambulante. Hoje posso estar ateu; amanhã, quem sabe, posso estar panteísta, pastafarianista, pandeísta...



"Prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião
Formada sobre tudo...

...Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou

Se hoje eu sou estrela
Amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio
Amanhã lhe tenho amor

Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator"
(Metamorfose Ambulante - Raul Seixas)


É por isso que quando eu posto coisas sobre ateísmo no blog, eu procuro ser cauteloso para que os teístas não sofram o que eu sofri quando descobri que esse deus piedoso e reconfortante não existe. Pois existem pessoas cujo o significado da vida está atrelado à religião. Mas não posso deixar de postar fatos e ideias que mostram que o teísmo não passa de uma mitologia, uma vez que a realidade, por mais dura que ela seja, é sempre preferível a uma mentira. Além disso, existem coisas extraordinariamente belas escondidas nas entrelinhas da realidade.

Namastê!

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Os masculinistas (mascus)


Fazendo minhas pesquisas na internet para responder a pergunta da série Quem Gosta Mais de Sexo?, eu acabei, sem querer, encontrando um grupo que difunde amplamente a ideia de que as mulheres não gostam de sexo. Esse grupo recebe vários nomes, mas como eles têm ideias basicamente masculinistas, eles acabaram ganhando o apelido de "mascus". Esse grupo tem várias comunidades onde discutem seus assuntos masculinistas e, entre outras coisas, acabam reafirmando ideias erradas sobre as mulheres e sobre a sociedade em geral.
Fiquei sabendo da existência desse grupo graças a uma postagem de uma das blogueiras mais antigas e mais influentes da internet, a Lola Aronovich, do blog Escreva Lola Escreva, que costuma destruir com bastante elegância os argumentos confusos dos mascus.
Lendo um pouco sobre esses rapazes que compõem esse clubinho, eu cheguei à conclusão que existem basicamente dois tipos deles: os mascus tipo A e os mascus tipo B.


Os Mascus tipo A
Será que toda mulher é assim?
Os mascus tipo A, de um modo geral, são homens frustrados, machistas, conservadores e, não raramente, misóginos. Para entendê-los melhor, imagine aqueles moleques do jardim da infância que negavam os sentimentos e faziam bullying contra os meninos que tinham namoradas. Pois bem, os tais 'mascus A' são justamente esses moleques crescidos, barbados e com a mesma ideologia daqueles piazinhos de sete anos de idade.
Na mente de um mascus tipo A, as mulheres são todas um bando de estelionatárias frígidas que querem arrancar o dinheiro e a dignidade dos homens. De fato, existem muitas mulheres que levam um cara para a cama só para receber pensões alimentícias e para se aproveitar deles - assim como também existem gigolôs que fingem amar as suas mulheres apenas para aplicar o golpe do baú. O problema aqui é que nunca devemos generalizar. Não existe uma "conspiração feminina" contra os homens. Os casos de feministas radicais existem como resposta natural à repressão machista que durou milênios contra as mulheres. E aí que chega uma hora que a coisa explode. Mulheres radicais - cuja conduta eu reprovo em absoluto (como no caso da Valerie Salonas) - devem ter sofrido todo tipo de abuso sexual, covardia e misoginia para chegarem a pontos tão extremos.
No Youtube tem um vlogueiro fenomenal chamado Pirulla, que, em um de seus vídeos, citou o exemplo de uma mola que é comprimida. Quando essa mola é solta, ela ultrapassa o seu limite normal de quando está em repouso. Essa reação desproporcional de algumas feministas é justamente essa 'mola' extrapolando o seu limite normal. Se ficar difícil de entender essa questão da mola, o link do vídeo do Pirulla está bem aqui.

"Humilhação" para um homem, segundo os Mascus 'A'
Os mascus tipo A defendem amplamente a ideia de que as mulheres não gostam de sexo. Mas, estranhamente, muitos deles acham que ser cavalheiro é se "humilhar" diante de uma mulher; acham que as preliminares são "frescuras" e que um homem declarar publicamente o seu amor por uma mulher é coisa de maricas. Como imaginar que caras assim não não frustrados afetivamente e sexualmente? As críticas desse grupo aos homens que exprimem seus sentimentos e que fazem as mulheres felizes é semelhante às declarações homofóbicas de homossexuais enrustidos direcionadas aos gays que saem do armário. Temos aqui uma mistura de inveja, raiva e desdém por aquilo que eles não têm a coragem de ser.
A única forma que homens assim encontram para explicar o fato deles só pegarem mulher pagando é simples: "As mulheres não gostam de sexo! São todas umas interesseiras!". Por isso, esse clubinho fanático (que não sabe ouvir críticas) faz uma divisão imaginária entre dois tipos de homens: os "alfas" e os "betas". Os "alfas", no dicionário dos mascus, são os homens que fazem sucesso com as mulheres, que são conquistadores e que têm dinheiro e poder, em resumo: os que pegam todas. Os "betas", coitados, são os pobres homens desprezados pelas mulheres, que têm pouca grana e que foram deixados de lado no jogo da conquista.

Gol contra do machismo
Mas a culpa dos mascus existirem não é deles: é do próprio sistema machista. Enquanto as mulheres foram reprimidas sexualmente, os homens foram reprimidos emocionalmente. Desde pequeninos, os garotos são educados para mostrarem-se sempre fortes, valentes e a nunca demonstrarem suas emoções publicamente (daí um dos motivos de existir tanto ódio na nossa sociedade pelas Boy Bands e bandas Emos, pois eles são o oposto da visão masculinista de que os homens precisam ser machões e negarem seus sentimentos). Some a isso o fato de muitas mulheres serem educadas de modo conservador e repressor que nós chegamos a esse quadro. Ou seja: os mascus criam uma realidade paralela para justificar o sofrimento deles e os oferecer conforto, tal como uma religião.
Se quisermos buscar a realidade, nós não podemos omitir as coisas que não gostamos para nos reconfortarmos, precisamos encarar a realidade tal como ela é. Afinal, a realidade não é do jeito que a gente quer que ela seja: a realidade é do jeito que ela é.
Inclusive, o astrônomo Carl Sagan disse o seguinte sobre isso:

"Suprimir ideias incômodas pode ser comum na religião ou na política, mas esse não é o caminho para o conhecimento e não há lugar para isso na ciência". (Carl Sagan).

Todos os homens que tentaram um dia já passaram por isso

Os Mascus tipo B
Outro tipo comum de masculinistas são o oposto dos mascus tipo A, mas igualmente frustrados. Os mascus tipo B são os homens que levaram muitos foras das mulheres tentando ser aquilo que eles consideravam ser importante para elas. Aquela visão errada imposta pelo machismo de que todas as mulheres esperam por um príncipe encantado e querem casar é um problema sério, pois nos obriga a seguir padrões quando, na verdade, somos todos diferentes. Em seu post "Mascu jura que mulher só gosta de cafa", a Lola responde com uma grande riqueza de informações sobre esse assunto levantado por um dos mascus. A falta de maturidade afetiva e o egocentrismo levam muitos homens a acharem que são "vítimas" das mulheres, se esquecendo que muitas mulheres sofrem a mesma coisa quando são rejeitadas por homens "cafajestes" ou que as acham "feias". Sofrer decepções amorosas não é privilégio masculino e muito menos heterossexual. Inclusive, diga-se de passagem, é bastante provável que várias mulheres "comuns" tenham sofrido um dia por não terem sido correspondidas por alguns dos próprios mascus! Olha só como as coisas são...

Infelizmente, muitos desses masculinistas morrerão com essas ideias embutidas no juízo. Mas eu tenho esperança de que um dia esses caras possam se envolver com mulheres que os ensinem a quebrar os seus próprios tabus.
Falando francamente, acredito que esses homens precisam de um acompanhamento psicológico para que possam aprender a lidar com a frustração. A gente não pode ficar se vitimizando e colocando a culpa no mundo por sofrermos. Se querem mudar de vida, então essa mudança deve começar de dentro para fora. E não existem pessoas fracassadas, existem pessoas que desconhecem o potencial que possuem.

Algumas postagens da Lola sobre os Mascus:
Declaração de amor faz mascus terem convulsões
Mascu jura que mulher só gosta de cafa
Masculinistas são frustrados. Palavra de mascus.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Olimpíadas da IURD!









É ouro!

coisas estúpidas que os homens precisam fazer para provar que são machos


Nós, homens heterossexuais, temos uma mania imensamente ridícula de ficar o tempo inteiro tentando provar que somos homens. Às vezes chego a pensar que o machismo é uma religião cheia de regras que os homens precisam seguir para serem "homens de verdade".
Adiante há uma lista de algumas coisas ridículas que os homens costumam fazer para provar que são machos de verdade:

  • Arrotar alto
  • Peidar alto
  • Coçar o saco
  • Sentar de pernas abertas
  • Negar os próprios sentimentos
  • Nunca chorar
  • Dizer que uma declaração pública de afeto é coisa de maricas
  • Chegar com o olho roxo em casa e dizer que o do outro ficou pior
  • Cruzar os braços para parecer mais forte
  • Reagir a um assalto
  • Fazer roleta-russa
  • Acelerar na contra-mão
  • Usar o toalete de porta aberta e não dar descarga
  • Mentir sobre o tamanho do próprio pinto
  • Mentir sobre o próprio desempenho sexual
  • Dizer que nunca falhou na hora H
  • Perder a virgindade antes dos 18 anos
  • Se orgulhar de ter sífilis
  • Não fazer exame de próstata
  • Comer com as mãos
  • Comer carne crua
  • Arrancar um dente sem anestesia
  • Dizer que não existem homens bonitos
  • Não olhar abaixo da linha do pescoço nos vestiários masculinos
  • Tomar banho frio quando os termômetros marcarem abaixo dos 8°C

Acho que isso deveria se chamar Manual da Ignorância Masculina. Às vezes penso que os caras que fazem isso têm alguma insegurança muito mal resolvida com relação à própria sexualidade, daí terem que ficar provando o tempo todo que são "machos de verdade".
Quer saber, acho que ser gay é melhor...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Quem gosta mais de sexo (3) - Os porquês


Esse é a terceira postagem da série Quem Gosta Mais de Sexo? e que tem como objetivo esclarecer os porquês dos resultados das pesquisas apresentadas na segunda parte.

Apesar da minha desconfiança com relação a dados estatísticos, eu acredito que não seja mentira o fato das mulheres colocarem coisas como chocolate, compras, atividades culturais e novelas como sendo mais prazerosas e importantes que o sexo. Apesar de algumas pessoas mais radicais considerarem que aqueles dados são a prova de que as mulheres não gostam de sexo, eu me atrevo a contrariá-las com um conjunto de fatores que colocam essa ideia em xeque. Vou comentar cada um desses fatores e vou dar a minha conclusão.

1. Fatores Evolutivos
O biólogo Richard Dawkins lançou em 1976 um dos seus livros mais notáveis chamado O Gene Egoísta. Uma das coisas apontadas neste livro era que os homens lá nos primórdios (durante o Paleolítico e parte do Neolítico) tinham que espalhar os seus genes pelo mundo, cobrindo o maior número possível de fêmeas - enquanto que para as mulheres cabia uma postura mais passiva e seletiva. As mulheres não faziam sexo naquela época necessariamente por prazer, faziam sexo porque recebiam em troca a proteção do homem - e ter proteção nos primórdios era uma garantia de sobrevivência. Adicione a isso o fato de que os homens caçavam, defendiam a prole e providenciavam um abrigo. Por isso, a estabilidade é um sonho feminino desde a Idade da Pedra. E o que traz conforto, proteção e estabilidade hoje em dia? O dinheiro! E as coisas hoje em dia não são muito diferentes nesse aspecto, pois enquanto as mulheres buscam a estabilidade, os homens buscam safadeza. Por esse motivo existem tantas marias-chuteiras, marias-gasolinas, marias-pandeiros, etc.

Imagine ficar assim pra sempre
O que agrava o problema da safadeza no caso dos seres humanos é que as mulheres não têm cio, ou seja: elas ficam permanentemente atraentes para os homens - sendo essa uma das razões que torna os homens tão obcecados por sexo. Se as mulheres estão sempre atraentes, então o homem não consegue distinguir o período fértil e acaba querendo sexo toda hora.
E para piorar, as mulheres não precisam sentir prazer e muito menos orgasmo para engravidarem. Numa época onde não existia a civilização, nem direitos civis e muito menos a Lei Maria da Penha, o estupro era algo comum. Isso por uma razão muito simples: os homens tinham mais força física e forçavam as mulheres a fazer sexo com eles. Se ainda hoje vemos isso, imagine então naquela época.
Por isso tudo, a seleção natural não teve como descartar totalmente através da transmissão de genes as mulheres que gostavam menos de sexo. Apesar disso, as mulheres que gostavam de sexo copulavam muito mais que as que não gostavam - a prova disso é a existência da lubrificação vaginal como resposta do corpo feminino aos estímulos que preparavam a mulher para a penetração. Por essa razão genética é que a maioria das pessoas hoje em dia gosta de sexo: pois quem não gostava muito da coisa, tinha menos chances de deixar descendentes.
Foi na Revolução Neolítica que surgiu o patriarcalismo

Item desnecessário nos primórdios
As mulheres - até precisamente a sedentarização da nossa espécie na Revolução Neolítica - tinham uma gravidez atrás da outra de forma que a menstruação era um fenômeno raro. E as mulheres que menstruavam mais frequentemente (que faziam pouco sexo) normalmente eram alvo fácil dos predadores que sentiam o cheiro do sangue a quilômetros de distância. Então a atividade sexual nos primórdios era muito alta, até porque a mortalidade infantil também era extraordinariamente elevada devido a inexistência de cuidados médicos e de higiene.

A conclusão aqui é que todos os seres humanos - tanto homens quanto mulheres - que nasceram depois da Revolução Neolítica, são descendentes de pessoas que gostavam muito de sexo: o que explica os mais de 7 bilhões de habitantes no planeta. O problema é que no caso das mulheres, houve muito sexo forçado, estupro e sexo apenas para manter o homem por perto. Os resquícios disso é que cerca de 3% da população mundial é assexuada, na sua maioria, mulheres.

"As mulheres não gostam de homens: as mulheres gostam do que os homens têm para oferecê-las - já os homens não estão preocupados com o que as mulheres tem para oferecer, mas com as mulheres em si. Que é o mesmo que acontece com os gays masculinos, já que nenhum gay se interessa pelas coisas que um homem possui, mas sim pelo homem em si. As mulheres usam frequentemente o sexo como arma para conseguir algo dos homens, seja uma promoção, dinheiro, status, prestígio ou mesmo para conquistá-lo." (anônimo)


2. Fatores Hormonais
Essa deve ser ninfomaníaca
As mulheres têm 20 vezes menos testosterona que os homens, fato. E a testosterona é o hormônio que desperta a libido, faz crescer pelos, aumenta a massa muscular, etc. O estrogênio e a progesterona não são hormônios que despertam a libido. Os hormônios femininos estão mais ligados a uma segunda fase da resposta sexual, a da excitação. Por isso que os homens precisam de sexo com mais frequência que as mulheres.

Abaixo, seguem alguns links que provam que ter mais testosterona influencia numa maior libido.
A testosterona e o desejo da mulher
Desejo feminino, origem masculina
Hormônio masculino melhora desempenho sexual de mulheres
Mulheres peludas têm mais prazer com sexo

Quem disse que é simples levar uma mulher ao orgasmo?

3. Fatores Fisiológicos
O sexo visando a reprodução não é tão prazeroso para as mulheres quanto é para os homens. Porém, o sexo que visa a reprodução tornou-se indispensável para os homens. Isso porque, simplesmente, os homens que não gostavam da penetração não deixaram descendentes para contar a história.
A penetração foi e ainda é considerada sagrada e, pior ainda: ela ainda é vista como sendo o único e verdadeiro jeito de se fazer sexo.
Para piorar a situação das mulheres, ainda temos uma batelada de problemas como: vaginismo, frigidez, anorgasmia, dispareunia, vulvodinia, falta de lubrificação, falta de desejo, corrimentos suspeitos, risco de gravidez, risco de pegar doenças, preocupações com os próprios odores e fluidos... Enquanto que os homens só tem basicamente três preocupações: medo de broxar, o tamanho do próprio pinto e a ejaculação precoce.
Agora alie isso ao os seguintes fatos:
  • 35% das mulheres não sentem nenhuma vontade de ter relações sexuais (ProSex)
  • 30% delas não sentem orgasmo na penetração (ProSex e Hite)
  • Muitos medicamentos reduzem a libido feminina (anticoncepcionais e antidepressivos)
  • As mulheres precisam de mais estímulos que os homens para se excitarem
Todos esses problemas citados aqui compõem o primeiro golpe duro na libido das mulheres. Os demais golpes na libido feminina serão apresentados na sequência dos outros fatores.

Contrapondo-se a isso, os homens tem uma tara natural por sexo que chega a assustar. Basta ler na primeira parte dessa série (link aqui) que mostra como o sexo é vital fisiologicamente para os homens.
Isso causa um desarranjo entre homens e mulheres, dando a impressão que só eles pensam naquilo e elas, não.
Dados em:
A vida sexual do brasileiro (dados do ProSex)
Orgasmo feminino (Entrevista com a Drª Carmita Abdo)
Relatório Hite


4. Fatores sociais
A sexualidade da mulher foi reprimida durante milênios. Essa repressão tem origem lá na Revolução Neolítica, pois com a criação da propriedade privada, o homem precisou ter certeza que o seu herdeiro era filho genuíno dele. E como ter essa certeza? Casando com uma mulher virgem! E junte isso à visão medieval de que o sexo é feio, sujo, pecaminoso, depravado e lixo que teremos como consequência mulheres que desconhecem o próprio corpo, mulheres que nunca tiveram um orgasmo, mulheres com os músculos circunvaginais e pubococcígeos atrofiados e um monte de paranoias no inconsciente feminino.
Acredito que essa questão é mais cultural, afinal, os homens desde pequenos são criados de maneira diferente das mulheres. Os garotos são ensinados desde pequenos a serem mulherengos, a se orgulharem do próprio falo, a falarem de sexo e são levados pelos pais para transarem com prostitutas. Enquanto isso as garotas são educadas para serem santas, para terem vergonha da sua genitália e para enxergarem a virgindade como sendo uma medalha de honra.
A sexualidade da mulher foi tão ferozmente reprimida, que chegou-se ao absurdo de extirparem o clitóris em tribos africanas e a queimarem as mulheres ainda vivas por exercerem livremente a sua sexualidade (vide o Martelo das Bruxas).
A organização social, as normas culturais e morais, a conjuntura histórica e a expectativa dos papéis sexuais construíram um modelo padrão que aprisionou as mulheres, mutilando-as até psicologicamente com ideias erradas sobre a sexualidade humana. Todos esses fatos deram o segundo golpe duro na libido feminina.

Evolução feminina
Nos dias atuais, com as conquistas sociais femininas, muitas mulheres estão dando prioridade a coisas que durante muito tempo foram negadas a elas, tais como o trabalho, a liberdade, o poder de compra e o poder político. Neste contexto, a liberdade sexual é apenas uma das coisas novas adquiridas pelas mulheres - o que explica o fato do sexo não ser necessariamente mais importante que fazer compras, por exemplo.
Mais informações em:
A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado (pdf)
Malleus Maleficarum - O Martelo das Feiticeiras (pdf)


A insegurança é inimiga da libido
5. Fatores psicológicos
As mulheres são cheias de neuras e receios com relação ao sexo: têm medo de engravidar, medo de contrair doenças, medo de experimentar coisas novas, medo de se entregar, medo do que o parceiro vai pensar dela, medo de sentir dor, medo de ser chamada de vagabunda, medo de acharem que ela é "fácil", medo de ser violentada, vergonha do próprio corpo, stress, rotina, depressão, baixa autoestima. E além de todas essas inseguranças, têm ainda:
  • Desconhecimento do próprio corpo.
  • Depilação em dia (tem homem fresco que reclama se ela não se depila).
  • Dependendo da família, tem que mentir pro pai e pra mãe que vai dormir fora de casa.
  • Mulher precisa de tempo, afinidade, respeito, romance, etc.
  • Problemas do dia-a-dia, de saúde e profissionais que massacram a libido.
  • Questões religiosas que colocam a culpa na mulher que sente prazer e valoriza o sexo apenas como meio procriativo.
  • Após a gravidez, cuidar dos filhos vira uma prioridade
  • Culpa e tristeza após o sexo.
  • Traumas por conta de abusos sexuais

Esses fatores psicológicos nos mostram o terceiro golpe duro na libido feminina.
Mais informações em:
Grande quantidade de mulheres acha que está “gorda demais para fazer sexo”
Muitas mulheres sofrem de “tristeza” pós-sexo


"Analisamos suas atitudes durante todo o dia e os agrados que vocês nos fazem contam como se fosse pontos que nos deixam, digamos, felizes. Felicidade essa que se reflete na cama. Mulheres com enxaqueca sempre reclamam que seus parceiros não lhes estimulam durante o dia e a noite querem sexo, 'Não foi gentil o dia todo e agora quer me comer? Vai sonhando.' A mente de vocês pára durante o sexo, para nossa parar é um trabalho mais árduo. Mente tranquila = orgasmo mais fácil." (anônima)


6. Fatores machistas
Por fim, e não menos importante, ainda temos mais um fator para agravar: os homens; ou melhor, os homens ruins de cama.
No post-resposta ao artigo do site Casal Sem Vergonha, eu critiquei esse aspecto porque nem sempre a culpa é do homem. Mas os homens, sem dúvida, têm uma parcela de culpa gigantesca nessa história. O mundo está cheio de  homens estúpidos, grosseiros, insensíveis, violentos, ignorantes que arrancam a roupa da mulher do nada e já tentam colocar o pinto pra dentro de qualquer jeito. Esse tipo de homem é invariavelmente egoísta e não está buscando a satisfação da parceira. O sexo entre iguais é um jogo de troca de palavras, carícias e de toques que dão prazer a ambos. Mas no caso do cara ruim de cama, ele usa o corpo da mulher unicamente como objeto para chegar ao próprio orgasmo. É bom que se saiba que homens e mulheres percorrem caminhos diferentes para chegar ao clímax. O das mulheres é mais complicado e talvez isso iluda muitas pessoas, levando à conclusão de que as mulheres não curtem muito a coisa.
Não é à toa que muitas mulheres que antes se consideravam frígidas descobrem um novo mundo quando aquele amante mais cuidadoso mostra a ela o caminho para a felicidade debaixo dos lençóis.
Este, portanto, foi o quarto e último dos golpes duros contra a libido feminina.

Conclusão
Os dados estatísticos apresentados na segunda parte dessa série são um reflexo de todos esses golpes duros que a sexualidade feminina recebeu e ainda recebe até hoje.
Antes dos homens baterem no peito dizendo que eles gostam muito mais de sexo que as mulheres, primeiro olhem o contexto geral e procurem entender o que as mulheres sentem.

A seguir, deixarei os links dos demais capítulos que continuam essa série:
Quem gosta mais de sexo (1) - Introdução
Quem gosta mais de sexo (2) - Dados Estatísticos
Quem gosta mais de sexo (3) - Os porquês
Quem gosta mais de sexo (4) - Resolvendo conflitos