terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Caso Karina Veiga: uma ode à covardia


No post passado, intitulado Fotos íntimas na internet e o falso moralismo, eu abordei sobre o caso da garota que teve as suas fotos íntimas divulgadas na internet. Apesar de eu ter expressado bem o meu ponto de vista, acho que acabei sendo um tanto prolixo e acabei pegando leve demais com o rapaz que fez essa covardia com a ex-namorada. Pois desta vez serei curto e grosso: o cara que jogou as fotos íntimas da menina no Facebook dela é um imbecil, covarde, idiota, imoral, psicopata, mau caráter, corno e criminoso. E eu não estou dizendo isso por dizer, porque a atitude desse sujeito é facilmente enquadrada nos seguintes artigos do código penal:
Ameaça, calúnia, injúria, difamação, tortura psicológica, perdas e danos morais, atentado ao pudor, constrangimento ilegal, corrupção de menores, perigo de contágio venéreo e até homicídio culposo, caso a garota venha a falecer como consequência disso. Juntando tudo isso deveríamos ter pelo menos uns 6 anos de cadeia para o agressor, mesmo ele sendo réu primário. Sem falar que ele divulgou as fotos de uma adolescente menor de 16 anos, o que pode ser agravado como crime de pedofilia. O camarada vai ter, no mínimo, que pagar uma indenização pesada à família da vítima – o que não repara o trauma que talvez a menina carregue por toda a vida.

Como disse um vlogueiro na internet sobre esse caso: "Queria ver pegarem esse pilantra, plantar uma mandioca de um metro e meio no rabo dele e postar as fotos no Facebook pra ver se ele ia gostar." E se é para adotarmos a Lei de Talião, isso é o mínimo que deveria ser feito.

É assim que toda mulher deve ser na cama, né?

A garota não cometeu nenhum crime e segundo a versão dela, sequer houve traição. A traição teria sido inventada pelo ex que estava inconformado com o fim do relacionamento. Mas, infelizmente, como já dizia o falecido mestre José Ângelo Gaiarsa: nós vivemos num mundo onde as pessoas estão doentes; doentes de hipocrisia, falso moralismo e cheias de sadismo. Se ninguém parou para pensar antes, a garota estava num momento de intimidade, entrega, doação, paixão e tesão com o rapaz que ela amava. Não há absolutamente nada de errado nisso. Errado é querer reprimir a sexualidade feminina e defender hipocritamente que as mulheres devem ser todas frígidas durante o sexo. E o engraçado é que esta sociedade que desce a lenha na pobre menina é a exatamente a mesma que consome pornografia desenfreada na internet e que diz que a mulher ideal tem que ser uma dama na sociedade e uma puta na cama. É estupidez demais para um único paradoxo.

A culpa é da galinha que se expôs!

Ao invés das pessoas se sensibilizarem com a agressão e o abuso que a garota sofreu - estão fazendo justamente o oposto: linchando socialmente a menina e tratando o verdadeiro vilão da história como herói. Pois é, este é o mundo que vivemos...

Deixo, portanto, o meu total apoio à Karina e o meu absoluto repúdio à atitude misógina, covarde e criminosa do seu ex-namorado.

E para quem acha que a menina merece sofrer tudo que ela está passando, vou deixar as seguintes perguntas:


  1. Você gostaria de ter a sua intimidade exposta desta maneira para o mundo inteiro ver?
  2. Como a garota ia imaginar que o cara ia pegar as fotos íntimas deles e jogar na rede social dela?
  3. Por que julgar a intimidade da garota ao invés de julgar o pilantra que a difamou?
  4. Você acha que uma suposta traição justifica um linchamento moral, ou que um erro justifique outro?
  5. E você: por acaso nunca fez ou quis fazer nada mais ousado no sexo?
  6. Qual a diferença entre o que o cara fez e a prática de um crime passional?
  7. Se fosse a sua filha, você acharia justo tudo o que ela está passando?


Reflitam...
Ninguém merece ser julgado por um crime que não cometeu

Link externo:
Karina Veiga pede justiça
Artigos do Código Penal Brasileiro

domingo, 16 de dezembro de 2012

Fotos íntimas na internet e o falso moralismo


Creio que seria muito melhor nem comentar nada sobre esse assunto e deixar a coisa passar batida, mas a grande repercussão do caso de uma garota que teve as suas fotos íntimas divulgadas nas redes sociais me obrigou a vir até aqui criar este post. Nesta postagem, eu vou comentar o caso e fazer uma reflexão sobre esse falso moralismo ligado à sexualidade humana.

Pois bem, para quem não ficou sabendo, a protagonista dessa história foi a adolescente Karina Veiga, uma garota de 16 anos que teve a sua intimidade exposta no Facebook por um ex-namorado. Segundo fontes não muito confiáveis, ela teria traído o namorado e feito chantagens contra ele - como vingança, o rapaz divulgou fotos e vídeos dos dois tendo relações sexuais no Face dela. E aí que a coisa tomou uma proporção colossal graças ao efeito bola de neve da internet.

Independentemente do que a garota tenha feito, não existe justificativa plausível para o rapaz ter exposto as fotos da menina na internet. Certamente, o rapaz vai ter que responder judicialmente por essa atitude, mas isso não desfaz o fato de que a vida da garota foi virada pelo avesso e, de certa forma, até mesmo destruída moralmente. Numa sociedade machista, moralista e preconceituosa como a nossa, a pobre da garota vai ser crucificada por muito tempo apenas porque um sujeito inconsequente expôs suas fotos íntimas na internet.

A "igualdade" entre homens e mulheres na nossa sociedade

A questão do machismo
Na total e absoluta falta de ter o que fazer na vida, muita gente criticou pesadamente a garota pela sua desenvoltura nas fotos, chegando a compará-la com atrizes pornôs e alegando que ela se submeteu a coisas degradantes e imorais para uma mulher. Mas o estranho é que ela não estava fazendo sexo sozinha, estava junto com o namorado sacana que a expôs. E por que somente a menina foi crucificada se os dois estavam sendo cúmplices deste "crime" chamado sexo? Segundo a minha concepção, não existe isso de "feio", "imoral" ou "degradante" sexualmente para um lado só (o da mulher no caso). Se houve degradação da imagem de alguém, foi a do casal. Afinal, o tamanho do pingolim do cara ninguém ridicularizou, mas o fato da moça ter exposto as suas partes íntimas foi um escândalo. E ainda digo mais: não existe nada imoral ou humilhante para um casal que faz sexo com consentimento mútuo e entre quatro paredes: esse conceito está exclusivamente na cabeça das pessoas moralistas e, por que não, machistas. Não entendo por que as mulheres comumente são rotuladas de "putas" apenas por terem as mesmas fantasias dos homens - aliás, homens estes que podem fantasiar e realizar o que quiserem sem receberem rótulos estúpidos. A sensação que eu tenho é que qualquer mulher que faça algo além do papai-e-mamãe no escuro é taxada de vagabunda, piranha, imoral, etc. Isso nada mais é que um machismo disfarçado de politicamente correto. Não precisamos mais disso no século XXI.

O retrato da nossa hipocrisia

A questão do falso moralismo
O que me espantou neste caso é que as pessoas estão condenando a menina por ela ter feito sexo! Putzgrila! Sexo é uma coisa que todo mundo faz - e quem não faz, quer fazer (pelo menos, eu acho). A esmagadora maioria das 7 bilhões de pessoas vieram ao mundo através do sexo, a maioria das pessoas pensa em sexo, nós buscamos melhorar a nossa vida sexual e vem esse bafafá todo só porque uma guria transou com o namorado. Não entendo como alguém pode julgar uma pessoa por ela ter feito sexo - como se isso fosse um crime. Não era nem para estar se discutindo isso, mas esse falso moralismo infelizmente leva as pessoas a terem essas atitudes repulsivas a um ato absolutamente natural chamada sexo.

Você não tem nada a ver com isso

Outra coisa que me chamou atenção foi que a garota foi julgada por ter feito sexo oral e anal. Pois então eu pergunto: E DAÍ? Isso mostra apenas o quão cheia de tabus é a nossa sociedade e o quanto as pessoas são bitoladas com relação a isso. Aposto que muitas pessoas que criticaram a menina morreram de inveja dela. Como já dizia aquele ditado: quem desdenha, quer comprar. Enquanto as meninas que criticaram a moça ficam dando uma de puritanas, os homens fazem ainda pior, pois criticam algo que eles desejam muito. Qual homem não gostaria de ter uma guria bonita, jovem e sem tabus no sexo? Há uma contradição lógica aí, porque muitos homens condenam a mulher justamente por ela fazer aquilo que eles tanto sonham que elas façam com eles.
O que eu acho engraçado é que nessa hora ninguém acha imoral ou degradante um professor trabalhar mais de oito horas por dia, de domingo a domingo e em péssimas condições de trabalho para ganhar um salário miserável. Que nada, isso não é imoral: imoral, para essas pessoas hipócritas, é fazer sexo oral com o namorado. Nessa hora, todo mundo é santinho, menos a vítima do abuso.
O que teria que ser julgado aqui seria a atitude covarde do cara que divulgou as fotos da menina, e não o que ela fez ou deixou de fazer. Afinal, cada um que cuide da sua vida.

Ensina pra eles, Sasha!

Deixa eu te filmar, amor
Sobre a canalhice masculina
Muitas garotas (misândricas ou revoltadas) - tocadas pela repercussão do caso - certamente ficarão com mais raiva ainda dos homens, pois o cara teve uma atitude covarde ao expor a menina ao constrangimento público. Um dos alicerces de um relacionamento é a confiança - os outros são a cumplicidade, a compreensão, a tolerância, o respeito; se um cara não teve esses valores para com a menina, a culpa não pode ser dela.
O problema aqui é que muitos vão alegar que o cara que divulgou as fotos da menina é de menor, imaturo, agiu por impulso, etc. Mas isso não exclui o fato de que ele foi o responsável por tudo isso. A gente precisa parar de pensar de forma machista e a não vitimizar os homens quando eles são os culpados. Deve haver algum tipo de punição para coibir esse tipo de coisa. Hoje está sendo a Karina, amanhã pode ser outra menina com menos estrutura emocional e que acabe cometendo suicídio, como estamos cansados de ver por aí.

É muito fácil culpar a vítima

"Ela fez, ela tem que aguentar!"
É por frases como estas que eu concordo com o bom e velho Albert Einstein de que a estupidez humana não tem limite. Como se a suposta traição e o fato de ter se deixado fotografar fossem motivos para culpar a pobre menina. O mesmo raciocínio bizarro é usado para culpar a mulher que é estuprada, pois dizem que ela usou roupas inadequadas, esteve em lugares inapropriados e por isso merecia mesmo ser estuprada. Desnecessário dizer que isso é um total absurdo. Culpar a vítima é sempre mais fácil que punir o agressor...
E aqui ainda temos um agravante: o fato da garota ter apenas 16 anos. Não podemos exigir a maturidade de um adulto por parte de uma adolescente de 16 anos. Nessa idade é normal fazermos burradas, aprontar, exagerar - e é justamente nesta fase da vida que começamos a lidar melhor com as consequências dos nosso atos. É por isso que julgar a garota por tudo isso que ela está passando é cruel e desumano.

Moral da história: a vida da menina se transformou num pesadelo onde ela é ridicularizada por um bando de pessoas hipócritas. E como aconteceram outras vezes, ao exemplo do caso da Amanda Todd, ela corre o risco de se deprimir e de ter um final trágico. É inaceitável que a vida social de uma pessoa seja destruída por causa de uma atitude estúpida, vingativa e covarde de um corno mal amado. E pior ainda é essa hipocrisia escrota de uma sociedade doente e sádica.

Não gostou?
Então toma!

Rarará!

Links externos:
A Puta que Você Procura Dorme ao Seu Lado na Cama
Blog Doze em um: Sobre Karina Veiga (por Rê_Ayla)

sábado, 15 de dezembro de 2012

Bandido bom é bandido morto... Será mesmo?

Cena do filme: Tropa de Elite 2 onde o traficante 'Beirada' é morto pelo BOPE

Existe um tipo de pensamento muito comum na nossa sociedade que leva as pessoas a repetirem - quase inconscientemente - aquela velha ideia de que bandido bom é bandido morto. Porém, eu alerto que este tipo de pensamento é extremamente perigoso. Não apenas no caso da polícia matar indiscriminadamente bandidos, mas também com relação à justiça feita pelas próprias mãos.

Linchamento: uma herança da paleolítica Lei de Talião

Injustiça pelas próprias mãos
Nós vivemos em um país onde há muita criminalidade, violência, impunidade e insegurança. E em um cenário como este é de se esperar que quando um bandido seja morto ou linchado pela população, as pessoas aplaudam, apoiem e o pior: incentivem este tipo atitude. Esta catarse social - apimentada por um boa dose de sadismo - acaba por causar uma euforia incontrolável por parte da população reprimida pela violência.
O problema é que a justiça feita pelas próprias mãos não é um ato promulgado pelo Estado, logo, trata-se de um delito como outro qualquer. Quem mata um ladrão - a salvo em casos de legítima defesa - está cometendo um crime de assassinato. Ou seja: é um crime usado para combater outro crime. Só que isso gera um outro problema: os familiares, amigos ou comparsas do bandido morto podem querer vingança e aí começa um ciclo sem fim de violência e retaliações. E adicione aí o risco de matar ou de punir injustamente algum inocente que, porventura, venha a ser confundido com um criminoso.
Além de tudo isso, todos têm direito à defesa. A população não pode fazer um julgamento baseada em sua fúria ou em suas convicções pessoais. A função de punir um infrator é do Estado e dos seus membros devidamente instituídos para tal fim.
Enfim, justiça com as próprias mãos não é justiça, é crime. E tentar punir a violência com mais violência é como tentar apagar fogo com gasolina.

Bandido fardado espancando criança

Quando a polícia vira a vilã
A dever da polícia é fazer com que a lei seja cumprida, fato. E a lei brasileira não afirma que os policiais têm o poder de julgar e executar os bandidos, pois esta função cabe ao poder judiciário do Estado. Quando um grupo de policiais mata um bandido rendido, indefeso e subjugado, esta atitude - apesar ser aplaudida pela população - está dando motivação para que organizações como o PCC, por exemplo, criem movimentos contra as injustiças do Estado. O estatuto do PCC, para quem não sabe, inclui a honra, a lealdade e a luta pela justiça, pois do ponto de vista dos criminosos, o Estado é o opressor. A visão do Estado e da polícia passada para muitas camadas desfavorecidas da população é de truculência e covardia. Se o Estado cumprisse corretamente o seu papel, organizações criminosas não precisariam criar ideologias que, segundo eles, defendem a justiça.
Os policiais corruptos, assassinos e covardes são, muitas vezes, piores que os próprios bandidos. E, para piorar, cria-se uma atmosfera de limpeza étnica, pois quase sempre são pessoas das classes mais baixas que são torturadas e mortas pela polícia.
É claro que não estou aqui dizendo que os policiais não podem matar bandidos: eles podem e devem, mas nos casos que são permitidos pela lei. A polícia não deve ter o mesmo comportamento dos bandidos, pois a mesma têm (ou deveria ter) ética. E quando a polícia usa a violência contra a população, a quem devemos pedir socorro? Para a polícia?

Portanto, deve-se combater esse pensamento de que bandido bom é bandido morto. Quando estamos lidando com seres humanos, valores devem ser cuidadosamente levados em consideração para que a justiça não vire injustiça. Bandidos devem ser punidos, sim - isso não se discute - mas devem ser punidos de acordo com a lei.

A seguir, indico dois vídeos dos vloggers Cauê Moura e Guilherme Tomishiyo que falam mais sobre esse tema:





Links externos:
Estatuto do PCC

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Copa do Mundo e das Confederações

Esqueceram de consultar o Dicionário antes de escolher o nome do mascote

ntre os dias 15 e 30 de junho de 2013 o Brasil será a sede da famigerada Copa das Confederações – e entre 12 de junho e 13 julho de 2014 será a vez de sediar a Copa do Mundo. Naturalmente, esses dois eventos trarão muitos turistas, movimentarão a economia e poderão inspirar ainda mais paixão nos gringos pela nossa pátria amada. O que me preocupa é que em muitas cidades as obras estão caminhando a passos de tartaruga, há mau planejamento do entorno urbano e nós temos vários problemas pendentes que estão sendo empurrados com a barriga. Problemas como apagões, caos aéreo, enchentes, trânsito engarrafado, transporte ineficiente e criminalidade são ameaças que estarão presentes durante esses torneios. Isso sem falar nos superfaturamentos, no dinheiro desviado e nos transtornos causados à população com tantas obras lentas atrapalhando o trânsito e o abastecimento de água.
A minha sorte é que na cidade onde eu resido - o Recife - não haverá jogos. Ou melhor: haverá jogos sim, mas no município vizinho: o de São Lourenço da Mata. É neste município onde as pessoas estão sofrendo mais com os transtornos trazidos pelas obras da construção da Cidade da Copa. Acredito que os preparativos serão concluídos dentro do prazo, mas acho que muito mais poderia ser feito, afinal, esta Copa do Mundo é uma forma de atrair turistas e fazê-los voltar aqui mais vezes.

Começamos mal: trapalhada no sorteio colocou o Brasil no grupo da morte 

Sobre os jogos
Como já comentei em outros posts, naturalmente algumas cidades foram prejudicadas, como a cidade de Curitiba, por exemplo, que além de não participar da Copa das Confederações, terá apenas quatro jogos pela Copa do Mundo, sendo que um deles ocorrerá ao mesmo tempo do terceiro jogo do Brasil.
Aqui no Recife teremos três jogos pela Copa das Confederações e cinco pela Copa do Mundo (incluindo um das oitavas-de-final). Acho ótimo que a minha cidade seja uma das subsedes, porém, eu não pretendo assistir aos jogos da Copa do Mundo e explico o porquê.

Este jogo, sim, vale a pena assistir!

Os três jogos da Copa das Confederações no Recife serão entre: Espanha e Uruguai, Itália e Japão e Uruguai e Taiti. O preço dos ingressos será de cerca de 30 reais para meia entrada. Ótimo! Pagando trinta paus eu assisto a Fúria enfrentar a Celeste Olímpica aqui pertinho de casa! Um privilégio sem igual, uma vez que a Espanha é campeã do mundo e da Europa - e o Uruguai é campeão das Américas. E pelo mesmo preço ainda posso assistir Itália e Japão: a tetracampeã mundial contra o campeão da Ásia.
Porém, na Copa do Mundo os preços dos ingressos serão bem maiores (estima-se o triplo do da Copa das Confederações) e, para piorar, ainda teremos jogos de nível bem inferior. Dos oito grupos que disputarão a Copa, apenas um deles terá uma grande seleção cabeça de chave jogando nesta subsede - o que elimina a hipótese de grandes seleções como Itália e Espanha se enfrentarem por aqui. Talvez o melhor jogo seja o das oitavas de final, mas mesmo assim podemos ter surpresas como duas seleções sem tradição se enfrentando. O que é certo é que na Copa do Mundo teremos jogos ruins custando mais caro. Eu não vou pagar o triplo do que gastaria para assistir Espanha e Uruguai para ver algo como Tailândia e Burquina Faso ou Jamaica e Namíbia, por exemplo - pois esses jogos são entre seleções fracas tecnicamente e sem tradição no futebol.

Cafu e Cafusa

Concluindo...
Muito provavelmente, eu não vou viajar para outros estados para assistir a jogos mais importantes, portanto, assistirei a Copa do Mundo pela tevê. Ao invés de gastar 100 paus para assistir uma pelada internacional, prefiro juntar um pouco mais de grana e comprar uma televisão nova para ver tudo por todos os ângulos.
Não estou interessado em saber se o Brasil vai ser ou não campeão, o que eu quero é curtir o espetáculo de sediar um evento deste porte no meu país. Só espero que todos façam a sua parte para que a gente não passe vergonha dessa vez.

Tabelas:
Da Copa das Confederações
Da Copa do Mundo

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Sobre os milagres


Sempre que debato sobre a existência ou não de um deus, um dos argumentos mais utilizados pelos religiosos é de que os milagres são a prova da existência do deus judaico-cristão. Eu resolvi investigar esse argumento descobri algo interessante...

Analisando os milagres
Todos os dias, fiéis das mais variadas denominações cristãs dão testemunhos em suas igrejas sobre alguma cura milagrosa que ocorreu - segundo eles - pela ação do poder de Deus. Se formos analisar de perto e investigar os detalhes, descobriremos que há muitas histórias mal contadas, erros de diagnósticos médicos, trocas de exames e até mesmo má fé. Mas entre centenas de pseudo milagres há aqueles que são realmente curiosos. Certa vez, acompanhei o caso de um homem que era portador do vírus HIV e que após se converter a uma determinada igreja, ele foi literalmente curado. Este homem fez diversos exames em vários hospitais e todos eles constataram que ele era mesmo soropositivo. O que realmente impressionou foi que poucos meses após a conversão deste homem ao cristianismo, todos os exames posteriores que ele realizou indicavam a inexistência do HIV em seu sangue. Mas como explicar esse evento?


Alguns dirão que a quantidade de vírus HIV caiu muito em seu organismo por causa do uso dos coquetéis que ele utilizou para combater o vírus - daí que isso tornou o vírus indetectável nos exames. Outros dirão que o organismo dele tinha alguma mutação desconhecida nos linfócitos ou mesmo que os exames deram um falso negativo. Mas o cerne da discussão é que curas inexplicáveis como essa ocorrem todos os dias em todos os lugares. A minha posição como cético diante desses eventos é de humildade: eu simplesmente não sei como tais coisas são possíveis.
É claro que temos curas falsas, curas psicossomáticas, efeitos placebo, entre outras coisas, mas há casos em que a própria medicina ainda não encontrou explicações. Então será que isso prova a existência de Deus? A resposta é não.


Qual deus faz milagres?
Não encontrar explicação para algo não significa que esse algo seja obra de um deus. Isso é o que se chama de falácia de apelo à ignorância. A postura de um cético diante de fatos sem explicação deve ser de agnosticismo. Além disso, há um problema muito maior aí, porque tais curas milagrosas não ocorrem apenas entre os cristãos, mas também entre islâmicos, budistas, xintoístas, taoístas, umbandistas, hindus e até mesmo, quem diria, ateus. E, para piorar, muitas das pessoas que seguem essas religiões diferentes do cristianismo sequer ouviram falar do deus judaico-cristão. Para os não-cristãos, a cura milagrosa das suas doenças está ligada ao deus particular que elas acreditam. Isso por si só já prova que as curas não são obra de nenhum deus em especial.


Qual a explicação?
A resposta para essa questão não está nos elementos conflitantes das religiões, mas sim nos elementos em comum a todas elas. E o elemento em comum a todas essas religiões é a fé. O que traz essas curas, sejam elas milagrosas ou não, talvez seja a fé, pois ela é o único elemento compartilhado por todas essas crenças. Se isso for verdade, então a cura está na mente das pessoas - e não em um ser sobrenatural metafísico. Provavelmente, a fé é um fenômeno neurológico que causa alterações orgânicas e psicológicas nas pessoas, favorecendo a cura de certos males de modo psicossomático ou por autossugestão.
Portanto, para mim, os milagres não são a prova da existência de nenhuma entidade. Eles são, no máximo, a prova de que temos muito o que aprender sobre nós mesmos e sobre o universo.