segunda-feira, 20 de junho de 2016

Os discos de rock mais importantes da minha vida


Um dos fatos mais irônicos da minha vida foi que eu nunca gostei de rock até os meus 12 anos de idade. Eu gostava de brega, de pagode, de funk, de pop, de sertanejo e até de lambada – mas o rock mesmo nunca havia me encantado até então. Eu até gostava de ouvir La Bamba em um vinil antigo que eu tinha em casa, mas detestava o barulho e a gritaria do rock n roll. Lá pelos meus 5 ou 6 anos de idade, eu lembro que tinha um primo meu adolescente que tinha o Appetite for Destruction do Guns N´ Roses em vinil e quando ele colocava pra tocar aquilo, eu ficava até de mau humor, porque achava o negócio horroroso, barulhento e eu não entendia absolutamente nada do que o vocalista cantava.
A grande reviravolta só aconteceu quando eu já devia ter uns 12 anos e escutei os Mamonas Assassinas. Virei um grande fã dos Mamonas logo na primeira canção que escutei, que foi Pelados em Santos. E a parte que eu mais gostava da música era justamente a mais barulhenta e a mais forte, onde a guitarra mais pesada entrava. Isso, creio eu, foi o que despertou o meu gene adormecido para o rock n roll. As outras músicas com guitarras mais pesadas dos Mamonas também mexeram bastante comigo naquela época.
Três anos depois, eu já estava trocando CDs do Nirvana, Pearl Jam, Bad Religion e até Metallica com meus colegas de colégio. Nesta época, eu também comecei a escutar bastante rock nacional e virei um fã da Legião Urbana, dos Titãs e de outras bandas oitentistas que popularizaram o rock no Brasil.
O meu primeiro disco de rock internacional foi o Americana, do Offspring, que comprei depois de poupar minha mesada por uns três meses. Eu era fã da banda na época e achei que ter deixado de comprar jogos pro meu Super Nintendo pra comprar esse disco tinha valido a pena. Enfim, depois desse disco, vieram muitos outros que vou comentar na sequência. Mas para evitar a prolixidade e um post longo demais, vou deixar a seguir a descrição dos dez discos de rock que mais foram importantes na minha vida.

Tarefa difícil escolher apenas dez...

Antes de listar os álbuns em ordem crescente, quero deixar registrada algumas menções honrosas que também me marcaram e que eu não poderia deixar de citar, tais como:

- Highway to Hell - AC/DC (1979)
- The Joshua Tree - U2 (1987)
- Standing on a Beach - The Cure (1986)
- A Night at the Opera - Queen (1975)
- Led Zeppelin IV (1971)
- Recipe For Hate - Bad Religion (1993)
- Ten - Pearl Jam (1991)
- Atom Heart Mother - Pink Floyd (1970)

Agora, sim, vamos lá.

10º - Magical Mystery Tour - Beatles (1967)

De todos os discos dos Beatles, esse é o meu xodó. Além dele ter sido usado nas minhas primeiras aulas de inglês lá na Cultura Inglesa, as canções dele despertam sentimentos de alegria e nostalgia em mim até hoje. Isso sem contar com o livrinho ilustrado dele que, para mim, é uma relíquia. Até hoje procuro encontrar o vinil deste álbum que só é encontrado mesmo com colecionadores. 

9º - War - U2 (1983)

Esse foi o álbum pelo qual eu conheci o U2 e, consequentemente, me tornou um fã da banda. Canções como New Year's Day e Sunday Bloody Sunday me servem de inspiração até hoje seja para compor minhas próprias músicas ou simplesmente para ajudar nas minhas reflexões sobre a vida. Alguns dos meus poemas sobre a guerra tiveram como inspiração as canções deste disco.

8º - Black Album - Metallica (1991)

Eu não sou e nunca fui lá um grande fã do Metallica, mas este álbum é um absurdo total. Poucos discos na história do rock conseguem reunir tantas canções boas num único álbum. Ainda que ele não tenha as minhas canções prediletas do grupo, o conjunto da obra, a qualidade e a sua consistência instrumental são dignas de o colocar entre os maiores da história. Um disco desse não pode faltar na coleção de ninguém. Além disso, dizem que ninguém pode ser considerado um roqueiro de verdade se não tiver escutado este disco. Então por este teste eu já passei rsrss...

7º - Californication - Red Hot Chili Peppers (1999)

Lembro que quando fui comprar o meu primeiro disco do Red Hot Chili Peppers, eu estava determinado a comprar o fabuloso Blood Sugar Sex Magik (1991). Mas só que eu não o encontrei de jeito nenhum. Daí que tive que levar o disco mais novo deles na época que era o Californication para não sair com as mãos abanando. Nunca imaginei que eu fosse gostar mais desse do que do Blood Sugar. Canções ótimas, bem trabalhadas, com letras legais, arranjo bacana... Não pude deixar esse aqui de fora da lista.

6º - The Number of the Beast - Iron Maiden (1982)

Quase todo mundo que começou a curtir o Iron Maiden tinha entre 11 e 14 anos de idade. Já eu, só fui começar a gostar da banda quando tinha uns 25. Esse The Number of the Beast foi a cereja do bolo da discografia dos caras. Uma coisa bacana deste disco foi que ele marcou uma época muito boa da minha vida, me servindo de pano de fundo para muitos momentos memoráveis. Sempre que escuto The Number of the Beast, me vem boas memórias junto.

5º - Americana - Offspring (1998)

Motivado pelos clipes da MTV, pelas músicas tocadas nas rádios e por amigos, acabei virando um fã do Offspring. O Americana, meu primeiro disco de rock internacional, foi uma espécie de divisor de águas que me fez gostar para valer de rock. Sofro influência até hoje do estilo dessa banda na hora de compor algo.

4º - Never Mind the Bollocks, Here's the Sex Pistols (1977)

Acho que existiram dois 'eus' na história da minha vida. O primeiro deles existia até eu escutar o Sex Pistols pela primeira vez. O segundo deles sou eu hoje. O punk rock me libertou, soltou minhas amarras psicológicas, meus receios, meus medos e me fez mergulhar fundo no rock e na vida. O punk do Sex Pistols me mostrou que eu não precisava preocupar em passar uma imagem perfeita para os outros e até me ajudou a superar meus problemas com a timidez. Foi com os Pistols que aprendi a ter atitude e a usar a arte como forma de expressar o que realmente sinto na alma, seja através da música, da poesia ou de qualquer outro meio. Apesar de tecnicamente as canções tenham sido muito nuas e cruas, foi justamente esse senso rebelde, improvisado e ensandecido que me fez ver o rock como eu o vejo hoje: uma ferramenta para mudar o mundo.

3º - Nevermind - Nirvana (1991)

Acho que eu sou uma das poucas pessoas do mundo que conseguiu chorar escutando uma música de rock pesado. Quando peguei emprestado esse disco e escutei Smells Like Teen Spirit a primeira vez, rapaz... Mas o grande absurdo mesmo é que este disco é um dos poucos da história do rock que não tem nenhuma música ruim. Pelo menos não para mim. Pois bem, não tenho como contar a história da minha vida sem falar deste disco fenomenal. Eu me lembro do quanto eu procurei pelas lojas para achar este disco original e do sentimento de dever cumprido quando finalmente pude estampá-lo na minha coleção. Acho que o Nevermind foi o disco de rock que mais ouvi na vida.

2º - Appetite for Destruction - Guns N´Roses (1987)

Quando eu era criança e escutei este disco pela primeira vez, já disse o que achei lá em cima. Mas depois da deslavagem cerebral musical que sofri décadas depois, acabei virando um fã do Guns N' Roses. Por ironia do destino, este álbum foi, de longe, o mais representativo e marcante dos caras para mim - sendo também igualmente irônico o fato deste ser o único vinil que eu tenho desta lista. Este também foi mais outro disco que foi poupado de ter músicas ruins e marcou a era de ouro de Axl Rose, Slash e cia. Seria impossível fazer uma lista de melhores discos sem ter essa obra de arte incluída.

1º - Back in Black - AC/DC (1980)

O disco de rock mais importante da minha vida foi também o único que até hoje eu nunca consegui enjoar de ouvir. Após a morte do beberrão Bon Scott, Brian Johnson conseguiu a façanha de tornar a banda melhor do que ela já era e marcou a sua entrada com esse disco simplesmente épico. Canções ícones do rock como Back in Black, Hells Bells e You Shook Me All Night Long foram imortalizadas por este álbum que, na minha opinião, foi um dos melhores de todos os tempos. Foram horas e mais horas que gastei escutando faixa por faixa dessa maravilha.
A influência deste disco na minha vida foi tão grande que ele me inspirou a criar um vasto material autoral entre livros, quadrinhos e músicas. Boa parte do que eu sou hoje musicalmente, eu devo a esta obra prima da música. Talvez, por tudo isso, o AC/DC seja a minha banda de rock favorita, superando até mesmo Beatles e Led Zeppelin.

Sasha Grey, musa do blog, e AC/DC: uma mistura explosiva!

PS: Para quem achou a lista injusta, quero só lembrar que esses não são exatamente os meus discos prediletos, mas, sim, os mais importantes. Depois posso listar também os 10 discos do rock nacional mais importantes da minha vida. Aliás, o rock brasileiro também causou uma revolução em minha vida, assim como citei no caso dos Mamonas Assassinas.

domingo, 19 de junho de 2016

Os motivos reais do impeachment

Os golpistas estão querendo destruir o país

Nada na política acontece por acaso. E Dilma Rousseff também não foi afastada por acaso. Além da insatisfação de parte do povo com a corrupção e com a incompetência do Governo Dilma em vários aspectos, o impeachment teve os seguintes motivos (estes ocultos):

1) Parar a Lava Jato
Os áudios vazados ilegalmente pela mídia mostrando as conversas do empresário Sérgio Machado com vários chefões do PMDB provaram que a razão política para o impeachment foi a de estancar a "sangria" da Lava Jato. Enquanto Dilma não caísse, todos os corruptos estariam sob risco de ver o sol nascer quadrado.

2) Tornar a economia mais favorável aos bancos e rentistas
Como já disse o ex-ministro Delfim Netto: "O Brasil é o último peru com farofa na mesa dos investidores". Ou seja: o Brasil é o último país onde os rentistas podem deitar e rolar com uma taxa de juros surreal que os permite viver uma vida de reis sem trabalhar, apenas investindo em bolsa de valores e títulos públicos. Além disso, toda a estrutura econômica do Brasil favorece à especulação e à rentabilidade com baixíssima tributação, especialmente para os mais ricos. O problema disso é que quase ninguém está disposto a investir no setor produtivo, o que não favorece ao nosso crescimento econômico e nem a competitividade de mercado. Com o orçamento do PT apertado, sem gerar superavits, a elite econômica não queria correr o risco de ter menos retorno financeiro, já que crises econômicas deveriam penalizar a todos igualmente. Só que ao invés de dividir a conta da crise, a elite rentista quer jogar a conta toda para o povo e para os trabalhadores pagarem sozinhos.

3) Fazer o Brasil voltar a ser uma neocolônia dos Estados Unidos
A entrega do Pré-sal e a privatização da Petrobras são alguns dos exemplos mais óbvios pelos quais as multinacionais norte-americanas investiram na derrubada do PT. O desmonte das grandes empreiteiras brasileiras, como a OAS e a Odebrecht, serviu para abrir mercado para as empreiteiras estrangeiras dominarem o país. Isso sem mencionar a influência do governo dos EUA para enfraquecer o Mercosul e acabar com o Brics.

4) Enfraquecer a CLT
A Fiesp e o patronato não gostam de prejuízo e nem de dividir a conta da crise com o trabalhador. A campanha do "não vou pagar o pato" era bem clara: a Fiesp não estava disposta a pagar coisa alguma, a conta seria toda paga pelos trabalhadores, com direito ao fim da CLT e a imposição da absurda Lei da Terceirização.

Se não fui muito claro, deixo um vídeo abaixo onde o ex-ministro Ciro Gomes explica tim-tim por tim-tim o porquê de tudo isso estar acontecendo.


sábado, 18 de junho de 2016

Gilmar Mendes: o político travestido de juiz


Qualquer pessoa minimamente politizada sabe que o ministro do STF e presidente do TSE Gilmar Mendes assumiu, de uns tempos para cá, uma posição totalmente partidária. Além dele ter sido parte importante do Golpe, devido ao seu poder de influência, ele acabou mantendo Michel Temer em suas mãos, porque basta Temer fazer algo que desagrade aos aliados do PIG que a candidatura dele será cassada imediatamente por Gilmar. Suas opiniões parciais e sua inclinação explícita a favor do tucanato não deixam qualquer dúvida sobre a quem este ministro serve. O fato é que, como já disse Joaquim Barbosa, o tucano de toga está destruindo a justiça do país e a credibilidade do judiciário: seja por sua parcialidade ou por seu antagonismo à democracia brasileira.
Pois é, como disse certa vez Rui Barbosa: "O judiciário é o poder que mais tem faltado à República." Ele nunca esteve tão certo...
Gilmar Mendes, desculpe dizer, é a cara da justiça desse país.

Pobre justiça...

A seguir, um vídeo que desmascara o ministro Gilmar Mendes de uma forma bem didática:


sexta-feira, 17 de junho de 2016

A mídia dos patetas


O título deste post tem o mesmo nome de uma canção de punk rock que eu mesmo escrevi há 15 anos atrás para uma banda de amigos. A letra da música tratava exatamente sobre o monopólio de informação da grande mídia e de como as pessoas sofriam lavagem cerebral ouvindo sempre as mesmas mentiras todos os dias. Na letra há, inclusive, a menção da Alegoria da Caverna de Platão como comparativo à ilusão de realidade que a mídia nos induz a ter. Pena que esta canção não serviu para a banda porque o som não era o que eles queriam, apesar de concordarem com a crítica. Mas enfim...
O problema da grande mídia é que ela conta uma porção de mentiras dizendo só a verdade. Ela usa figuras de linguagem, manipulação seletiva e semiótica para induzir o seu público a ter a mesma opinião dos bancos e grandes empresas que a financiam. A mídia corporativista tenta nos transformar em patetas com suas meias-verdades, nos fazendo aceitar como ilegítimo um governo legítimo e legítimo um governo ilegítimo. A manada de zumbis despolitizados que seguem a opinião da imprensa oligárquica sem questionar nada se transformou no exército pessoal dela. E agora que os escândalos do governo golpista de Michel Temer estão vindo à tona, a concordância de opiniões entre a massa de manobra e a mídia golpista está mais escancarada do que nunca. Diferentemente da Dilma, Temer é um ficha suja inelegível que não ganha eleições nem para deputado. E mesmo assim, os tais coxinhas estão mudos, não sei se é de vergonha ou é de conformismo.


Esse silêncio sepulcral dos zumbis da mídia que se vestiram de verde e amarelo para apoiar o Golpe com o intuito de "combater a corrupção" é uma das maiores provas de que a maior parte da classe média virou antipetista e não anticorrupção. Cadê o MBL e os Revoltados Online? Virou todo mundo chapa-branca só porque não é mais o PT que está no poder? Quer dizer que se o ladrão não for do PT pode roubar à vontade o país? Essa indignação seletiva não tem mais graça nenhuma. Talvez o mais duro para essa gente seja admitir que errou ao defender todos esses ratos que estavam querendo escapar da justiça tomando o poder. Dilma Rousseff só foi acusada de "pedaladas" porque os golpistas não tinham como acusá-la de corrupção. Na verdade, ela estava sendo uma pedra no caminho dos corruptos. Isso é uma das maiores evidências de que este impeachment foi uma farsa mal montada para disfarçar um Golpe "branco".


Para terminar, deixo um vídeo, ou melhor, um áudio, do professor Humberto Matos onde ele desabafa sobre o que está acontecendo hoje no Brasil. Nem preciso dizer que vale a pena ouvir, tendo em vista o excelente conteúdo do seu canal.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Ser machista é a arte de inverter a realidade


Ser machista não é apenas estar do lado de um senso comum que supervaloriza as características do sexo masculino e traz inúmeros benefícios aos homens enquanto torna a vida das mulheres um verdadeiro inferno na Terra. Ser machista é também a capacidade de inverter a realidade e perpetuar mentiras históricas como se elas fossem verdades axiomáticas. Eis alguns exemplos:

-O machista diz que a mulher é o sexo frágil, mas as mulheres vivem mais e são geneticamente mais resistentes a doenças que os homens.

-O machista diz que toda mulher é interesseira, mas são os homens mais que matam e roubam por dinheiro.

-O machista diz que as mulheres são frígidas, mas ele finge que não reprime sexualmente as mesmas desde a infância.

-O machista diz que as mulheres dirigem mal, mas são os homens que mais causam acidentes de trânsito.

-O machista diz que a mulher veio da costela do homem, mas foram os homens que vieram dos úteros das mulheres.

-O machista diz que o homem veio primeiro que a mulher, quando, na verdade, Lilith foi criada ao mesmo tempo que Adão.

-O machista diz que os homens sofrem mais assassinatos que as mulheres, mas os próprios homens são que mais matam outros homens.

-O machista diz que homens e mulheres recebem o mesmo salário fazendo as mesmas funções, mas não diz que são as profissões mais "femininas" as mais mal remuneradas.

-O machista diz que assédio sexual não existe, mas ele é sempre o primeiro a assediar uma mulher na rua.

-O machista diz que todo estuprador tem que ser castrado, mas é o primeiro a relativizar o estupro para a mulher não abortar.

-O machista diz que o machismo não existe, mas...

Enfim, há dezenas de outras frases que mostram que o machismo é a arte de mentir e distorcer a realidade. Enquanto nós, homens, não passarmos a reconhecer os nossos privilégios e a enxergar a realidade como de fato ela é, seremos eternos opressores a jogar a culpa da nossa opressão sobre quem é oprimida. Privilégios de gênero – assim como todos os outros privilégios – precisam ser desconstruídos e transformados em direitos para todos. Tente ser menos macho e mais humano. As mulheres agradecem.


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