segunda-feira, 19 de setembro de 2016
Toma que o Adolfinho é teu!
Com o crescimento das redes sociais e da inclusão digital, temos visto discussões cada vez mais acaloradas pela internet sobre todos os temas imagináveis. Como a nossa espécie ainda tem um comportamento essencialmente gregário e tribal, mesmo em tempos de internet, é normal que criemos coalizões entre indivíduos que pensam de forma parecida com a nossa e repudiemos veementemente quem pensa diferente. E nesses debates acalorados entre as diversas tribos que habitam a internet, uma falácia tem aparecido com muita frequência, que é a tal redução ao nazismo (reductio ad hitlerum). Esta falácia consiste em demonizar o adversário ao alegar que ele ou seus argumentos possuem similaridades com o nazismo. Como todos sabem, o nazismo é amplamente repudiado por todos que não sejam neonazistas, logo, ele vira motivo de ataque nessas discussões. Como eu já presenciei muitos debates na internet, vi o nome de Hitler ser usado por todos os lados para se atacarem mutuamente. E vi de tudo. Vi 'carnistas' alegando que Hitler era vegetariano, logo os vegetarianos cultuavam um hábito nazista. Já vi veganos dizendo que, para os animais, todos os seres humanos são nazistas devido aos campos de extermínio de animais que criamos em abatedouros. Já vi direitista acusando esquerdista de ser nazista porque Hitler era "socialista". Já vi esquerdistas atacando direitistas alegando que Hitler era de direita. Vi também gente dizendo que as feministas são nazistas, assim como vi feministas alegando que os masculinistas é que são nazistas. Até no debate entre cristãos e ateus o nome de Hitler foi passado de um lado para o outro como se fosse uma bomba relógio prestes a explodir. Enfim, o que acontece, no fim das contas, é que todo mundo que as pessoas não gostam são associadas ao nazismo ou ao próprio Adolf Hitler. E essa falácia infantil tem tomado conta das redes sociais e da internet como uma verdadeira praga. Fica um lado empurrando o Adolfinho para cima do outro quando, na verdade, ele não pertence a lado algum, a não ser o lado dos próprios nazistas.
Tenho poucas esperanças que as pessoas amadureçam seus argumentos a curto prazo, o que certamente tornará essa falácia ainda muito usada nos próximos anos. Mas o alerta está feito: mesmo depois de morto, Hitler continua mais vivo que nunca nos debates da internet. Ou pelo menos nos debates onde faltam argumentos e sobram falácias.
Vam'bora acabar com essa infantilidade, bora?
domingo, 18 de setembro de 2016
O "orgulho hétero" é um orgulho homofóbico
Se existe uma coisa excepcionalmente estúpida é a ideia reacionária e homofóbica do tal "orgulho hétero". Sentir orgulho de pertencer a um grupo privilegiado é, no mínimo, uma provocação. Desde quando heterossexuais precisam lutar por direitos civis, para ser aceito por sua família, por sua religião e para não ser agredido na rua? Apenas um reacionário (e corrupto) de primeira grandeza como Eduardo Cunha seria capaz de pedir para votar um projeto tão bizarro e sem noção quanto esse. O objetivo dessa aberração de "dia do orgulho hétero" é simplesmente a exteriorização do conservadorismo imoral e retrógrado de quem defende "a moral e os bons costumes". Essa inversão da realidade é extremamente estúpida, mentirosa e vergonhosa. Heterossexuais são maioria, não sofrem preconceito, violência, discriminação ou constrangimentos. É uma palhaçada sem sentido propor um dia para lutar pelos direitos dos "pobres coitados" dos heterossexuais. No fundo, o que esse "orgulho" significa é homossexualidade enrustida, porque a pessoa que precisa se orgulhar da difícil luta que é se manter hétero realmente merece um dia para lembrar do quanto ele precisa lutar para não sair do armário. Dia do orgulho hétero não serve nem pra fazer piada. É um orgulho que só faz sentido na cabeça de psicopatas e homofóbicos.
Viva a diversidade!
sábado, 17 de setembro de 2016
Eles querem que você odeie o Lula
Nada do que vou exprimir nos próximos parágrafos é novidade para as pessoas mais esclarecidas, portanto peço desculpas antecipadas por fazer chover no molhado. Deixando de lado a inevitável prolixidade de ideias, o fato é que as maiores forças políticas e econômicas do país concluíram que é preciso destruir o mito em que Lula se transformou.
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| O nascimento de um mito |
Um dos momentos mais importantes da nossa história foi quando um operário sem formação superior – que veio do interior do nordeste, passou fome e virou um líder sindical – chegou à presidência da república. Esse operário reduziu drasticamente a miséria no país, permitiu que os mais pobres tivessem poder de compra, criou programas sociais premiados no mundo inteiro, foi reeleito, ganhou presentes, condecorações, homenagens, reconhecimento, título de doutor honoris causa e até um filme. Para completar, esse homem saiu com 87% de aprovação da presidência, sendo considerado um dos maiores presidentes de todos os tempos ao lado de nomes de peso como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Não há dúvidas que Lula virou um mito.
Depois de Lula, veio Dilma Rousseff, sua sucessora, que venceu outras duas eleições presidenciais consecutivas. O PT ficaria, assim, 16 anos no poder: mais tempo até que Getúlio Vargas. É claro que a burguesia, a oposição e os interesses mercantilistas não gostaram nada disso. Porque havia o risco da volta do mito Lula em mais uma eleição, deixando o PT vinte anos seguidos no poder. Isso não poderia acontecer! Uma parcela da classe média estava apavorada com tantos pobres em aeroportos e shoppings, com "favelados" cursando universidades, com gente "sem cultura" viajando para o exterior e com seus empregados "cheios de direitos". Os partidos de oposição sabiam bem que se não combatessem o tal "lulopetismo", não teriam chance tão cedo de voltar ao poder. Tivemos também uma crise econômica e multinacionais estrangeiras impacientes pela tomada dos nossos recursos naturais. Para completar o cenário, verbas publicitárias de grandes meios de comunicação em massa foram reduzidas. Isso foi o fim da picada. Os remanescentes da antiga casa grande e as viúvas da ditadura militar não poderiam mais tolerar tanta provocação. Era preciso destruir Lula e o PT para acabar com essa "ditadura populista do PT". E a guerra foi declarada.
A grande mídia corporativa – detentora de oligopólios da televisão aberta, de revistas e de jornais impressos – resolveu se unir em torno de uma frente: destruir Lula e levar junto o PT. Oposição, mídia, juízes, multinacionais, grande capital e até governos estrangeiros resolveram se unir no ataque massivo a um único homem, com o objetivo de destruir a sua imagem e inviabilizá-lo politicamente. Destruir um homem como o Lula não seria fácil, mas seguindo a estratégia do líder da propaganda nazista Joseph Goebbels, bastava repetir a mesma mentira muitas vezes e espetacularizá-la. E assim foi feito.
O ex-presidente Lula foi achincalhado, exposto, caluniado, cerceado, perseguido, grampeado, conduzido na vara e tratado como um marginal de alta periculosidade por quase todos os grandes meios de comunicação. Ignoraram a presunção de inocência, o in dubio pro reo e o acusaram: o criminalizaram sem qualquer prova. Fuçaram tudo que puderam, invadiram sua casa, vandalizaram seu instituto, perseguiram sua família, pressionaram delatores para entregá-lo e só acharam um suposto sítio emprestado, um suposto apê brega no litoral paulista, um barco de lata e dois pedalinhos. Nenhuma prova foi encontrada: apenas acusações cheias de convicções controversas. PF, MPF, OAB e um certo juiz da republiqueta de Curitiba tentaram de tudo com a ajuda da grande mídia e da velha espionagem americana e, mesmo assim, nada foi achado ou provado. Apesar disso, eles continuaram distorcendo as palavras do ex-presidente, cortaram trechos de sua fala e a colocaram num contexto totalmente diferente para mostrar que ele achava que os concursados eram "analfabetos" e outras coisas absurdas com a clara intenção de destruir a sua imagem. Enfim, a perseguição foi ficando cada vez mais agressiva, mais descarada, mais invasiva e mais perigosa.
Mas a loucura não parou por aí. Além de terem derrubado de forma injusta e polêmica a presidente Dilma Rousseff através de um Golpe Parlamentar, colocaram um vice decorativo no lugar dela que se comportava ora como capacho da alta burguesia, ora como vendedor do patrimônio nacional. Na internet, páginas de ódio se multiplicavam fazendo comparações absurdas entre Lula e Hitler, alegando que o PT era um partido nazista. Pessoas chegaram ao cúmulo de tirar fotos com armas ameaçando "matar o molusco" (Lula), atiraram bombas no Instituto Lula, atacaram petistas nas ruas e todo o clima de ódio iniciado pela grande mídia estava prestes a ter um desfecho trágico com essa loucura toda. O jornalista Luis Nassif alertou, prudentemente, que Lula deveria andar com seguranças, porque ele estava correndo risco de morte.O mantra de que "Lula é ladrão" continuou a ser repetido, mesmo sem as tais provas e o sentimento de indignação e injustiça entre os protofascistas não parou de crescer... Ora, se o Lula é tão culpado, então por que não o prenderam ainda? Será que algum fascista rancoroso hesitaria em fazer justiça com as próprias mãos?
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Não faz parte dos planos da plutocracia o assassinato de Lula, porque isso o martirizaria, podendo causar revoltas e até mesmo uma revolução. O efeito poderia ser o oposto do esperado. Mas ao partir para a mentira e para perseguição contra o ex-presidente Lula e tão somente contra ele, a grande imprensa e seus lacaios sabiam dos riscos que essa loucura toda poderia causar. Uma reação em cadeia pode ocorrer diante de uma tragédia ou de uma injustiça, o que tornaria a situação dos que declararam guerra ao Lula totalmente imprevisível.
Enquanto isso, o caso do Helicoca, do aeroporto do tio do Aécio, do Listão da Odebrecht, da Privataria tucana, do apê na França do FHC, da Brasif e de outros políticos atolados até o pescoço em escândalos, nada de manchetes, de pirotecnia, de espetáculo, de sensacionalismo, de perseguição, de powerpoint do MPF ou do japa da PF. Tudo esquecido. Somente cego não vê que há uma perseguição implacável exclusivamente contra o Lula e o PT. A impunidade é tanta que já virou até piada em site humorístico.
O que eles querem é que você odeie o Lula de qualquer jeito. Se você estava entre os 87% das pessoas que aprovaram o segundo mandato do ex-presidente do Lula, recomendo que repense sobre tudo o que vem acontecendo. Ninguém deve pensar por você e nem dizer no que você deve acreditar. Quem não pensa com a própria cabeça sempre será alvo fácil de todo tipo de manipulação e lavagem cerebral. Use o seu senso crítico.
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Só o amor salvará o Brasil
Sim, eu sei que é clichê afirmar isso, mas o ódio não nos leva a lugar algum. Ódio e preconceito só levam ao sofrimento e à autodestruição. A única coisa nesta vida que nunca devemos deixar de fazer é amar e permitir que as outras pessoas se amem. Toda forma de amor deve ser respeitada, porque só o amor é capaz de nos tornar imortais nos corações que deixamos para trás. Portanto, se você sente preconceito, ódio, nojo ou, pior ainda, combate duas pessoas que se amam, você está destruindo a chance de vivermos em um mundo melhor. Não prive as outras pessoas de serem felizes, mesmo que o amor delas lhe pareça estranho. Não dê rótulos para formas diferentes de se amar. Respeite o direito das outras pessoas se amarem, assim como você gostaria que os outros respeitassem o seu direito de ser amado. Tente isso, você consegue. E o mundo será grato por você ter compreendido que o amor não tem cor, idade ou sexo. Ao invés de perder tempo odiando quem não te odeia, gaste seu tempo amando quem te ama. Ame mais, viva mais. Ame cada vez mais. Só amor salva este país e esta humanidade. Basta de homofobia e transfobia. Vamos evoluir, caros humanos.
Não gostou? Então talvez este post aqui melhore o seu humor! Rarará!
Namastê e viva a diversidade!
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Amadorismo do MP é risível
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| Isso é o melhor que o Dallagnol pode fazer? Tá mal, hein, fera? |
As tropas de assalto do MPF mostraram claro desespero com a ridícula e amadora apresentação do powerpoint que tentava colocar o Lula como chefe supremo da "propinocracia". Não que eu tenha me surpreendido com essa acusação muquirana, porque o próprio MPF já mostrou que não tem mesmo o menor profissionalismo ao ter tentado incriminar o Lula de outras vezes. O que realmente me deixa perplexo é essa persistência obsessiva em ver o Lula preso sem nenhuma prova cabal contra o mesmo, tratando hipóteses como se fossem fatos. Mais uma vez, nada foi provado: o que reforça a ideia de amadorismo do MPF. Ora, Lula é investigado há anos por policiais, promotores e delegados abertamente hostis a ele e a seu partido. E até agora, tudo o que conseguiram foram denúncias frágeis, pífias, ligadas a supostas vantagens pessoais de valor muito baixo para um suposto "chefe do esquema de corrupção". Como bem disse o professor de Ciência Política da UnB, Luis Felipe Miguel: "É um apartamento não comprado, um sítio emprestado, um barco de lata, dois pedalinhos. Tudo o que Lula teria ganhado não pagaria as fundações de uma mansão em Parati. Não chega aos pés de uma única comissão da corrupção de Furnas. Não permitiria abrir uma conta na Suíça. Não daria para comprar um helicóptero, quanto mais enchê-lo de pó." Para um suposto "general do esquema", o que acusam o Lula de ter é uma piada. Não que eu esteja o inocentando por antecipação – como
Enquanto isso, FHC segue intocável. Aliás, não só FHC, mas todos os outros ex-presidentes. Nunca se viu, desde o marechal Deodoro da Fonseca até hoje, uma perseguição tão teimosa, tão longa, tão parcial e tão partidária contra um ex-presidente da República.
Para terminar, vou deixar alguns exemplos melhores do que foi apresentado no Powerpoint dos estagiários do MP. Quem gostar, pode acessar o Lula PPT Generator e criar o seu próprio powerpont:
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