quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Se não fosse por Stalin...

Este camarada iluminado nos salvou do nazismo

Como eu estou cansado de tanta ignorância e macarthismo na internet brasileira, resolvi então deixar uma pequena reflexão sobre como os "monstros comunistas" foram importantes para as nossas vidas, sobretudo um tal de Stalin.

Um brasileiro comum de classe média com a cabeça formatada pela mídia burguesa mainstream sente ojeriza de todo e qualquer comunista sem nem saber direito o porquê. Quando nomes como Mao, Fidel e Stalin são colocados em um debate, aí então é que ficam babando de ódio. E não é apenas a direita hidrófoba que é assim. Até mesmo alguns setores da esquerda pós-moderna têm muito ressentimento por Stalin. Tudo bem que o líder supremo da União Soviética Joseph Stalin foi um sujeito realmente controverso, cruel e autoritário, mas será que por causa de suas atrocidades ele terá a sua importância histórica desconsiderada?


Eu concordo com todas essas críticas de que Stalin matou o verdadeiro comunismo ao deturpar Marx, ao matar comunistas de verdade como o Trotsky, ao agir de forma autoritária contra o proletariado e ao ampliar os campos de trabalho forçado (Gulags). Infelizmente, todas as mortes continuaram como se Stalin tivesse encarnado o czar Nicolau II. Porém, se não fosse por Stalin, Hitler teria tomado cidades importantes da URSS como Stalingrado, Kursk, Leningrado e Moscou. Se isso ocorresse, os nazistas teriam vencido a Segunda Guerra Mundial. Os próprios EUA reconheceram a importância da URSS na vitória dos aliados (vide Conferência de Yalta).
Agora imagine como seria o mundo e a sua vida se os nazistas tivessem vencido a guerra... O mundo inteiro estaria adorando a suástica, fazendo "Heil Hitler" e judeus, ciganos, homossexuais, deficientes e latinos (o que inclui eu e você) iriam todos para campos de extermínio virar sabão. Legal, né?


Quem realmente venceu Hitler foi Stalin, foi a URSS. Isso sem falar no investimento em ciência e tecnologia que foi promovido por Stalin. Lev Landau, por exemplo, foi um dos maiores físicos do século XX que ganhou o prêmio Nobel de Física graças aos incentivos do programa científico soviético. Além do mais, os soviéticos também tiveram o êxito de terem criado órgãos artificiais (próteses), o primeiro protótipo de celular, o primeiro helicóptero, a xerografia e também o mais famoso e célebre fuzil (tão conhecido entre os jogadores de CS), o AK-47.
O mais engraçado é que tem muita gente que acredita nas mentiras da mídia americana que diz que o celular foi invenção ianque, que a invenção do helicóptero foi financiada pelos EUA e que o primeiro avião foi feito pelos irmãos Wright e não por Santos Dumont. Isso é para você ver o nível de manipulação e lavagem cerebral a que chegamos graças à mídia mainstream.

Churchill, Roosevelt e Stalin na Conferência de Yalta, em 1945

Então vamos refletir um pouco antes de sair por aí atacando histericamente Stalin ou a URSS.

Para saber mais:
Cinco coisas que nunca agradecemos à URSS
Stalin não foi pior que Hitler, nem mesmo equivalente
12 invenções que mudaram o mundo 
Lev Landau

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Capitalistas sem capital venderam a alma a troco de nada


Sabe-se que quando alguém faz um pacto com o Diabo, é para ganhar algo em troca. Você vende a sua alma ao Tinhoso e ganha riqueza, fama, poder, beleza, etc. Mas o que não me convence de jeito nenhum é alguém ter dito que fez um pacto com o Capiroto para, no fim das contas, ser um sujeito pobre e lascado na vida. E assim é o pobre de direita. Uma pessoa que defende o capitalismo e o acúmulo infinito de capital deveria ser, no mínimo, rica e poderosa. Mas o que vemos é um bando de pobretões na internet defendendo com unhas e dentes o grande capital, o neoliberalismo, o individualismo, o elitismo, o consumismo e o sonho de um dia ser riquinho. Note que quando uso a palavra "pobres" estou a me referir à classe média também. Ou será que a classe média brasileira acha que é rica? Você que ama o capitalismo tem quantas Ferraris, helicópteros, mansões de luxo, coberturas no Leblon e milhões de reais investidos no tesouro direto? Você que ama o capitalismo é dono de quantos meios de produção? Foi chamado para quantos jantares com o Paulo Skaf? E quantos políticos estão sob a sua "tutela"? Se você não tem nada disso, então você é um pobre de direita, um capitalista sem capital: um cara que vendeu a alma para o Diabo e não ganhou nada em troca.

Eu não sei por que a classe média brasileira tem esse fetiche masoquista de defender um sistema que a explora e a trata com total desdém. Gastar mais da metade do orçamento para pagar escola particular cara, plano de saúde caro e internet ruim, cara e limitada não deveria ser motivo de orgulho para um capitalista – já que para ele, a concorrência do setor privado deveria baratear os serviços, e não encarecê-los. Mas a lógica do capitalismo não é manter de forma civilizada uma competição justa onde o mercado se autorregula. A lógica do sistema capitalista é muito mais perturbadora. A lógica do capitalismo é a lógica da selvageria, do lucro e do egoísmo, onde os grandes sempre destroem os menores para manter seus monopólios e oligopólios.
Enquanto isso, no "inferno" cubano, ninguém lá paga por saúde, educação ou internet: tudo é gratuito. Lá você não precisa vender a sua casa para pagar o seu tratamento de câncer e nem se endividar com o material escolar caríssimo dos seus filhos.


Enfim, os homens mais ricos do mundo agradecem pelo bando de miseráveis que defendem a riqueza deles em troca da própria miséria, tanto a miséria financeira quanto a miséria intelectual.
Reiterando o que foi exemplificado no início desta postagem, a classe média brasileira pró-capitalismo se parece com o Toninho do Diabo, que fez um pacto com o Coisa Ruim para ser um lascado na vida.
Ter uma vida medíocre, cara e que só serve para sustentar os homens mais ricos do mundo não deveria ser motivo de orgulho, mas para a nossa classe média iludida, é.

Se você é assim, parabéns, seu otário! Tome a sua pílula azul e seja feliz com a vida "maravilhosa" que o sistema faz você acreditar que tem.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Tio Sam: o deus do caos e da guerra


A história dos Estados Unidos foi marcada desde os tempos de colônia por imperialismo, invasões, genocídios, chacinas indígenas, guerras e destruição do meio ambiente. Até o século XIX, mesmo sendo uma ex-colônia britânica, o país enriqueceu bastante devido a políticas expansionistas. Mas foi no século XX onde os EUA cresceram absurdamente através das guerras que participou e financiou. Após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, a Europa, que foi o palco dos conflitos, precisou ser reconstruída com a "ajuda" dos EUA. O Plano Marshall de financiamento pós-guerra serviu para colocar os EUA definitivamente no topo da economia mundial.
Além das grandes guerras mundiais, muitas outras guerras serviram para alimentar as indústrias bélicas e de construção civil dos EUA, fato este que causou um boom econômico norte-americano. Isso sem falar das políticas protecionistas dos EUA que existem até hoje e o crescimento das multinacionais que traziam consigo o lema globalista: "American way of life". Mas o principal elemento que fez os Estados Unidos crescerem foi um só: a guerra, ou melhor, as dezenas (ou seriam centenas) de guerras que os EUA travou. Quase todas as guerras que ocorreram durante o século XX e XXI tiveram participação direta ou indireta dos EUA. Ou seja: para quem achava que o Tio Sam era gente boa, na melhor das hipóteses, ele é um lobo em pele de cordeiro.

Algumas pessoas podem pensar, com essa introdução crítica acima, que eu sou um antiamericano, fato que já provei mais de uma vez que não é verdade. Eu sou contra a política externa predatória dos EUA, que não respeita territórios, democracias e soberanias de outras nações. A busca estratégica por recursos, especialmente por petróleo, tem tornado o Tio Sam um verdadeiro senhor da guerra. E essa política externa predatória dos EUA não acabou após a Guerra Fria. Ela continuou com a Guerra do Golfo, com a Guerra do Iraque, com a Guerra da Síria e com muitas outras intervenções motivadas apenas por ganância e imperialismo.
Somente durante o governo "democrata" de Obama tivemos sete países invadidos e desmantelados: Paquistão, Somália, Iêmen, Líbia, Afeganistão, Iraque e Síria. Fora as Primaveras Árabes, intervenções militares ilegais e todo o caos provocado no Oriente Médio que acabou gerando grupos radicais como o Estado Islâmico. Aliás, falando em Estado Islâmico, não é de se estranhar que eles combatam com armas americanas. Nem mesmo os países do clube da bomba estão sendo respeitados. Coreia do Norte (eterna rival) e até Israel (eterno aliado dos EUA), já sofreram pressões diplomáticas contrárias às suas políticas.

Mas o que realmente tem tirado Washington – ou melhor: as oligarquias estadunidenses – do sério tem sido a criação do Brics. Quando Rússia, China, África do Sul, Índia e Brasil se uniram para formar um bloco econômico independente juntamente com o Banco de Desenvolvimento do Brics para competir com o FMI e o Banco Mundial, o desespero tomou conta do sistema financeiro ocidental. Concorrência é tudo que uma nação imperialista não tolera. A resposta norte-americana veio rápido: o Brasil sofreu um Golpe, a China está sendo acuada, a África do Sul e a Índia estão sofrendo pressões externas e a Rússia – que está resistindo sabiamente às provocações diplomáticas dos EUA – sofreu sanções por não se curvar diante da vassalagem imposta pelo Tio Sam. O próprio presidente russo comentou de forma contundente sobre essa política agressiva dos EUA.
Isso tudo prova que os EUA estão em clara decadência por causa de suas políticas ultra liberais e imperialistas fracassadas. Só que como ainda é a maior potência mundial, os EUA vêm fazendo um jogo muito perigoso para manter sua supremacia no mundo.



A causa de toda essa loucura é essencialmente uma só: o petróleo. Claro que os EUA querem também mercado, matérias primas e hegemonia política, sempre escondendo-se atrás da máscara da "luta pela democracia" para justificar suas invasões. Mas o foco sempre foi o petróleo. Como bem disse o General Wesley Clark, se não fosse por petróleo, os EUA dariam ao Oriente Médio a mesma importância que dão à África, ou seja: nenhuma. Por que não invadem a África? Simples: porque lá não tem petróleo. A moral da história é que Washington e os magnatas que controlam o poder nos EUA querem hegemonia global, lucro total e poder sem limites a qualquer custo. A vida humana – incluindo as dos próprios militares norte-americanos – é mera estatística. Os Estados Unidos se intrometem na economia de muitos países, endividam nações, interferem nas suas políticas, desestabilizam suas fontes de riqueza, dão golpes "democráticos", causam desemprego, pobrezas, desigualdades e destroem suas soberanias. Tudo isso para atender sempre à mesma elite oligárquica que obedece a lógica insustentável do capital, da guerra, da exploração de outros países e da degradação do meio ambiente. É essa gananciosa elite oligárquica-plutocrata com sede em Wall Street que controla e sempre controlou o poder nos EUA.

Os EUA precisam acordar para abandonar de vez essa ditadura oligárquica bipartidária que obriga o povo norte-americano a escolher entre um racista xenófobo e uma genocida imperialista que atolaria a o país a inúmeras guerras mundo afora para satisfazer os interesses da alta burguesia americana. Trump, Obama, Hillary, Bush e Clinton não passam de empregados das grandes oligarquias americanas, sem nenhum compromisso com seu povo e que não hesitam em dizimar povos inteiros, explorá-los até a miséria absoluta, aplicar golpes de Estado e etc. O que deve ser colocado em discussão é que o sistema eleitoral americano não passa de uma disputa entre os candidatos das grandes corporações, em que os interesses do povo não está representado em absolutamente nada. Enquanto isso não for discutido, nunca haverá democracia nos EUA e nem no resto no mundo.

E no fim das contas, vem esse povinho neoliberal que sempre teve alergia a livros de história dizer que o problema do mundo são Cuba e Coreia do Norte. Então me responda: sabe quantos países a Coreia do Norte já atacou? Nenhum. Sabe quantos países Cuba atacou? Zero. E sabe quantos países os Estados Unidos atacaram nas últimas décadas? Coreia, Vietnã, Laos, Camboja, Somália, Granada, Iugoslávia, Iêmen, Paquistão, Iraque, Afeganistão, Líbia, Síria, para citar apenas alguns. Só na Coreia, os EUA causaram quatro milhões de mortes, no norte e no sul; no Sudeste Asiático, cinco milhões de mortes; no Iraque, um milhão, para citar poucas cifras... E sejamos honestos: a maioria das ações imperialistas aconteceu sob governos do Partido "Democrata", que muitos incautos acham ser uma força "pacífica" e de "esquerda".


Os EUA irão entrar em colapso em algum momento deste século, porque é impossível manter esse ritmo de crescimento autodestrutivo para sempre. A Pax Americana está com seus dias contados. O meu medo é que os EUA não aceitem se tornar um mero figurante no cenário global e destrua o mundo inteiro em retaliação pelo seu próprio fracasso como império.

domingo, 15 de janeiro de 2017

É preciso ser muito macho para ser gay

Machos de verdade em desfile de coragem e bravura

Eu morro de rir com essa turminha heteronormativa que acha que "ser macho" é se orgulhar de não usar cor de rosa, de não fazer exame de próstata ou de ter que sentar de pernas abertas no metrô. É muito fácil "ser macho" seguindo o senso comum. Difícil mesmo é ser macho de assumir que você é homossexual e enfrentar com cara e coragem um mundo brutal que condena a tua sexualidade, que te trata como aberração e que te ameaça de morte. Macho de verdade é aquele que respeita as mulheres, que não sente vergonha de chorar em público e que luta por uma sociedade onde o amor seja maior que o ódio.

A moral da história é simples: é preciso ser muito macho para ser gay.

Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás!

sábado, 14 de janeiro de 2017

Uma capa honesta para a revista Exame

A capa original: um escárnio total.

A última capa da revista (V)Exame (de janeiro de 2017) mostra explicitamente de que lado está a grande mídia brasileira e qual é a sua função como meio de comunicação. O nível de deboche, desrespeito e escrotice atingiu um nível inimaginável para reiterar a mentira de que todos nós precisamos nos ferrar para sustentar o luxo das classes parasitárias e privilegiadas deste país. O que estamos tendo é um retorno progressivo à escravidão, onde a escravidão do salário só nos permite trabalhar para a subsistência. O conformismo do povo diante disso só mostra que a mídia burguesa e seus lacaios conseguiram alienar a população ao ponto de ninguém mais sentir que está sendo prejudicado para alimentar os privilégios dos super ricos. Comparar um trabalhador braçal que vive em condições inadequadas de trabalho (e que ganha um salário mínimo) com um Mega Star do rock não é apenas ridículo: é desumano. A capa patética da Exame tem motivo de sobra para entrar para a história como sendo a capa mais canalha e elitista de todos os tempos.
Enfim, a capa sincera para a revista Exame foi feita pelo cartunista Jota Camelo (Inca Venusiano) e transmite com uma veracidade brutal o que realmente deveria ser dito à população sobre a atual conjuntura:


E para provar que essa revista é extremamente hipócrita e tendenciosa, fica aí o comparativo de duas de suas capas tratando o mesmo assunto em 2012 e em 2017: