quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Análise dos presidenciáveis para 2018


Como muita gente tem me perguntado o que eu acho sobre o candidato x ou y, vou fazer um breve resumo de como enxergo cada presidenciável para sanar de vez todas as dúvidas. Vamos lá:

Bolsonaro:
Não gosto das coisas que Bolsonaro diz, acho que não são adequadas para o século XXI. Na minha opinião, ele cria polêmicas propositalmente para ganhar evidência. Inclusive, acho que nem mesmo ele leva a sério as próprias barbaridades que diz. Suas falas e atitudes parecem demagogia barata para ganhar votos da fatia mais conservadora da população. Sua candidatura me parece uma piada de mal gosto devido a sua caracterização anedótica, caricaturada e extremista.

Marina Silva:
Parece-me uma inocente útil que receia demais em dizer o que pensa. Ela se apresenta como uma terceira via difusa, sem expressividade e sem profundidade. É uma candidata facilmente manipulável pelo mercado devido a sua inconsistência ideológica.

Ciro Gomes:
É um sujeito pragmático, que conhece os problemas do país como a palma da própria mão. O problema dele e do seu atual partido é a incapacidade de formar alianças estáveis e a falta de diálogo com as camadas mais carentes da população. Ciro é um pequeno burguês bem intencionado, mas é preciso mais que boas intenções e conhecimento técnico para vencer uma eleição e se manter no poder.

Luciana Genro:
Mais parece uma infiltrada da direita num partido progressista. Ela representa a esquerda que a direita gosta por agir de forma ingênua e moralista. Não vejo nada de revolucionário nas suas falas que mais parecem de um calouro recém ingressado no DCE. Além disso, seu partido, o PSOL, é imaturo e tem muita dificuldade em fazer alianças.

Os candidatos do sistema:
Aécio, Serra, Dória, Alckmim, Huck, Moro, Meirelles e Barbosa me parecem antipopulares e fragmentados em seus discursos pró mercado. Devido ao desgaste e aos conflitos internos do PSDB, é muito pouco provável que qualquer um deles dispute o segundo turno. Eles não têm carisma como políticos e nem apoio popular. A candidatura de Luciano Huck é a mais sem noção de todas, porque nela há a fantasia da direita de que o assistencialismo televisivo tem poder de mover multidões. Não tem. Huck seria somente um fantoche amador da elite financeira.

Lula:
Já Lula é um candidato forte, tem apoio popular, já foi presidente, conhece o Brasil, sabe fazer política, sabe fazer alianças e a perseguição política que ele sofre só está servindo para fortalecê-lo ainda mais. Se ele não for inviabilizado eleitoralmente, certamente vencerá no segundo turno contra qualquer um. Não o considero o candidato ideal para lidar com a atual conjuntura, mas comparando com o resto, ele é o único que tem um pouquinho mais de lucidez.

Parlamentarismo:
É a saída mais provável que as elites têm na manga para a crise política atual. A chance da vitória de um progressista em 2018 é grande, o que pode colocar em risco todas as reformas neoliberais postas em prática após o Golpe. Então o parlamentarismo (ou o semiparlamentarismo) seria uma saída tanto para manter as políticas neoliberais quanto para manter o foro privilegiado de Temer e outros corruptos.

Militares:
Só entrariam em cena em último caso. Se a burguesia se sentir realmente ameaçada ou se as reformas correrem o risco de serem desfeitas, é possível que a turma do general Mourão entre em cena novamente para dar mais um golpe militar e conter as vozes das massas. E aí seriam mais 20 longos anos de autoritarismo, torturas, assassinatos, mortes, desaparecidos, enfim, o terror. É, de longe, o pior cenário possível.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Defender o almirante Othon é uma questão de patriotismo


O patriotismo no Brasil é realmente um fenômeno muito estranho que precisa ser estudado em laboratório. Isso porque somos o país mais rico do mundo, com a maior diversidade étnica e cultural, e com alguns dos maiores gênios do mundo nascidos aqui. Mas sofremos de uma bizarra síndrome de vira-latas que só é deixada de lado durante os mundiais de futebol. Não somos capazes sequer de enxergar as nossas próprias virtudes como povo e como nação. E num país como este é de se esperar que as pessoas adotem o padrão de beleza europeu, achem que os irmãos Wright inventaram o avião e que as nossas riquezas naturais dão prejuízo. E o que dizer então da perseguição política a pessoas específicas que estão incomodando as nações imperialistas...
Uma dessas pessoas perseguidas é o vice-almirante do Corpo de Engenheiros e Técnicos Navais da Marinha do Brasil Othon Luiz Pinheiro da Silva. Para quem não sabe, o almirante Othon é nada menos que o pai do programa nuclear brasileiro.


O Brasil deve a Othon o maior feito de inovação da sua história moderna: o processo de enriquecimento de urânio através de ultra centrífugas. Foi um trabalho portentoso, que sobreviveu às crises do governo Sarney, ao desmonte da era Collor, aos problemas históricos de escassez de recursos, enfrentando boicotes externos, valendo-se de gambiarras eletrônicas para contornar a falta de acesso a componentes básicos, cuja exportação era vetada por países que já dominavam a tecnologia. São poucos os países do mundo que podem se orgulhar de ter um cérebro como o do almirante que, por razões políticas, foi condenado a 43 anos de prisão (isso mesmo: 43!) pela Lava Jato pelo suposto recebimento de uma propina denunciada por um delator numa situação semelhante ao que ocorria nos Processos de Moscou. Se o almirante Othon é culpado ou inocente, na verdade, isso pouco importa. Não se pode simplesmente afastar das atividades um gênio como ele. Vai ver se algum país do primeiro mundo manda encarcerar em regime fechado seus gênios caso eles cometam crimes. Você consegue imaginar os EUA mantendo um Einstein ou um Oppenheimer preso sem poder trabalhar ou pesquisar? Para se ter uma ideia, os cientistas prisioneiros de guerra da Alemanha nazista foram usados pelos EUA para ajudar no desenvolvimento tecnológico norte-americano. Nem mesmo os cientistas de outros países eram presos pelos EUA, mesmo sendo nazistas. E aqui se condena um compatriota do nível do almirante Othon sem provas e ainda mantendo-o afastado de suas funções...

É por isso que é uma questão de amor à pátria protestar contra a prisão de um dos nossos maiores cientistas. Apesar do habeas corpus dado pelo TRF2 em outubro, é preciso dar todo apoio ao almirante Othon e combater a perseguição política contra o mesmo. O Brasil não pode ter o seu programa nuclear sabotado e paralisado por operações internacionais que querem o desmonte do Estado brasileiro.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A oligarquia não quer Bolsonaro


Algumas pessoas estão surpresas com o fato da grande imprensa corporativa estar atacando o deputado Jair Bolsonaro. Mas eu não vejo motivo algum para surpresa. Bolsonaro nunca fez parte do clubinho de políticos queridinhos da nossa oligarquia. Os políticos queridinhos da nossa elite econômica sempre foram filiados aos PSDB e DEM. Bolsonaro, mesmo com esse discurso recente de aproximação com o mercado, não consolida confiança na direita rentista. Bolsonaro não é lucidamente subordinado ao mercado, por isso a desconfiança da elite. Pelo histórico controverso e pelo seu discurso tragicômico de apelo populista, o deputado do PSC mostra-se como um candidato caricato: um autêntico bobo da corte. Além disso, Bolsonaro não apresenta um plano de governo sólido para tirar o país da crise. O conhecimento dele sobre economia, por exemplo, é pífio. As pessoas que pretendem votar no Bolsonaro estão seduzidas por uma solução simplista e reducionista para os problemas do Brasil. Só que para tirar o Brasil deste mar de lama é necessário muito mais que uma simplificação grosseira de projetos do campo legislativo.
Mas o que realmente assusta a nossa burguesia é que Bolsonaro está colocando o sério risco de termos no segundo turno de 2018 uma disputa entre a centro-esquerda e a extrema-direita. Sem um candidato neoliberal de confiança para disputar as eleições, a alta burguesia poderá se sentir forçada a destruir todo o sistema presidencialista implantado após a redemocratização para que seus interesses sejam atendidos. 


Enfim, o que o "mito" precisa se preocupar mesmo é com a fatia fascistoide de seu eleitorado que enxerga nele um sinal verde para exteriorizar impunemente discursos de ódio contra minorias. É essa gente que acaba passando dos limites e termina naturalizando o discurso preconceituoso e extremista. Bolsonaro pode se arrepender amargamente por estar surfando na onda do fascismo, porque uma vez solta, a besta do fascismo torna-se incontrolável. 


O fato é que Bolsonaro não é solução para nada no atual momento de instabilidade geopolítica que estamos vivendo.

domingo, 19 de novembro de 2017

Dois milhões de acessos!


Neste dia 19 de novembro de 2017, o blog Ideias Embalsamadas atingiu a marca histórica de dois milhões de visualizações. O primeiro milhão de visualizações ocorreu em março de 2016, tendo também um post comemorativo. O fato interessante é que o primeiro milhão de acessos levou quase cinco anos para acontecer. Já este milhão seguinte levou menos de dois anos. Isso mostra que este humilde bloguinho está crescendo na blogosfera e consolidando o seu espaço na web. E é claro que esta marca histórica não teria sido atingida se não fosse pela presença assídua e fiel dos leitores, seguidores, comentaristas, apoiadores, curiosos e até haters. Pois é, até essa gente que vem aqui para xingar e dizer desaforos nos comentários também contribuiu para este recorde de visualizações.

Mato a cobra e mostro o pau (clique para ampliar)

Algumas pessoas podem achar este número de dois milhões de visualizações pequeno tendo em vista que grandes youtubers conseguem esta mesma quantidade de visualizações em um único vídeo. Mas acontece que o blogger não é o YouTube. Vivemos num país onde pouca gente lê – e a maior parte do conteúdo de um blog é escrita. Além disso, o YouTube é uma grande plataforma de multimídia cheia de anúncios e de pessoas trabalhando por trás dos grandes canais. Aqui no blog, não. O trabalho aqui é um trabalho de formiguinha. É um trabalho solitário, quase artesanal, que exige tempo e dedicação diária. E, para piorar, o conteúdo deste blog é subversivo, revolucionário, progressista. Ao contrário do que dizem os meus opositores, não tenho financiamento, não tenho patrocinadores e não tenho anúncios. Tudo é feito gratuitamente com paixão, com entrega, com dedicação. É um caminho sinuoso e exaustivo que tenho percorrido dia após dia nesta minha valente missão de desalienar as pessoas e de trazer um pensamento crítico, reflexivo e fora do senso comum.

Se visualização fosse dinheiro...

A partir de fevereiro do ano que vem (2018), vou deixar de postar diariamente para me dedicar a outros aspectos da minha vida até então negligenciados ou deixados em stand by. O blog vai continuar ativo após fevereiro, mas sem postagens diárias como tem sido desde janeiro de 2016. Isso me dará tempo para estudar mais, para ler mais e para desenvolver projetos que ajudarão a trazer mais conteúdo para este blog.

Posts mais lidos no blog

Quanto às estatísticas, só aquela postagem sobre a morte foi responsável por quase um terço de todas as visualizações do blog, tendo somente ela quase 600 comentários. E falando em comentários, foram mais de 4300 ao todo. Porém, devido ao alto índice de ofensas, de comentários criminosos e de spam, tive que estabelecer uma moderação – fato este que irrita muitos trolls que me acusam de ser um "ditador" (rarará). A imensa maioria das visualizações vem do Google seguido pelo Facebook. Já os países que mais trazem visitas ao blog além do Brasil são Portugal, Estados Unidos e Rússia. O blog conta até o momento com 102 seguidores e recebeu links permanentes em outros blogs parceiros.

Dancinha para comemorar os 2 milhões

Pois bem, agradeço enormemente a todos que participaram e participam da história deste blog, seja apoiando, comentando, indicando, trazendo guest posts ou simplesmente acessando, porque é graças a todos vocês que me mantenho motivado a continuar escrevendo. Muito obrigado aos amigos, aos aliados, aos leitores, aos visitantes e a todos que, de alguma maneira, participaram da construção do Ideias Embalsamadas.

Assim como a Sasha, eu também amo todos vocês!

Um abração a todos!

Namastê!

Valeeeeu!

sábado, 18 de novembro de 2017

Quem ganhará a Copa?


Eu costumo errar onze em cada dez previsões que faço sobre futebol, mas desta vez acredito não estar tão errado assim. Isso porque a atual conjuntura futebolística está muito evidente.

Primeiramente, eu não acredito que a Alemanha vença este mundial de 2018. Isso porque a seleção alemã, por ser a maior favorita, será consequentemente a mais caçada e também aquela contra a qual os adversários mais superar-se-ão ao enfrentar. Um técnico cuidadoso saberá montar pacientemente um sistema defensivo que jogue em cima das fraquezas dos alemães, anulando seus espaços. Todo mundo quer vencer a Alemanha. E todo mundo fará o melhor para isso. A Alemanha de 2018 deverá ser mais ou menos como a Espanha de 2014: cheia de favoritismo, mas duramente marcada e combatida.

O Brasil, na minha opinião, também não vencerá o mundial por razões semelhantes a da Alemanha, só que com o agravante de não ter um time tão bom quanto o dos germânicos. A seleção brasileira, apesar dos bons resultados e do bom treinador, me pareceu bastante medíocre e insegura. Se eu fosse apostar, diria que o Brasil cairá fora ou nas oitavas, ou nas quartas de final.

Quanto às seleções africanas, asiáticas e caribenhas, elas não têm a menor chance de vencer qualquer mundial. As seleções sem favoritismo dificilmente chegarão às quartas de final pela falta de tradição, de estrutura, de técnica e de organização tática. Já as sul americanas enfrentarão um clima adverso e o tabu de nunca terem vencido uma Copa na Europa (exceto o Brasil em 1958) – além de estarem bem mal das pernas.

Então o que restam são as seleções tradicionais europeias. Se eu fosse apostar, diria que a campeã mundial estará entre Portugal, Espanha, França ou Inglaterra. Se a Holanda e Itália estivessem presentes, também fariam parte desse grupo. É possível que já nas quartas de final tenhamos somente seleções europeias, transformando a segunda fase da Copa do Mundo numa mini Eurocopa.

Enfim, esta será a Copa das seleções europeias.