domingo, 30 de junho de 2019

Infeliz a nação que precisa de heróis


Neste domingo, dia 30 de junho, milhares de manifestantes foram às ruas em mais de 80 cidades do país em apoio a Moro, Bolsonaro, Lava Jato e reforma da previdência. Ao contrário de muitos amigos progressistas, que classificaram os manifestantes como acéfalos, fascistas e adjetivos piores, acho que a maioria das pessoas que participaram dessa micareta ou são despolitizadas, ou são inocentes úteis (manifestoches). Essas pessoas tiveram a presença no evento legitimada pelo discurso midiático (sobretudo da Globo) de que Moro é um herói vítima de um hacker comunista a serviço do PT. Vale lembrar que o Brasil passou por um processo de 'midiotização' que durou vários anos e motivou os incautos políticos a defenderem os interesses das elites que controlam a imprensa. E mesmo as pessoas de extrema-direita presentes nessas manifestações tiveram seus discursos de ódio tolerados pelos veículos de comunicação de massa que os usaram como marionetes para atingirem seus interesses políticos. Alie a isso a ideia persistente da mídia tradicional de que o Brasil precisa de algum "herói" para nos salvar da corrupção e da impunidade, que o resultado não poderia ser diferente. Como já dizia Bertolt Brecht: "Infeliz a nação que precisa de heróis".

Não precisamos deste tipo de herói.

Quando precisamos de heróis e a mídia corporativa cria este herói para nós, é normal que haja um sentimento de se estar fazendo militância do "lado certo". Foi assim que ocorreu com Aécio, Cunha, Japonês da Federal, Bolsonaro e, agora, Sérgio Moro. Desnecessário dizer que todos eles não passam de humanos comuns e limitados, sujeitos a erros, deslizes e má conduta. E ao lidarem com essa perspectiva de heroísmo, esses "heróis" acabaram indo além do que normalmente seriam capazes de ir, se queimando por acharem que podiam tudo e que nunca teriam suas falcatruas descobertas graças à blindagem da imprensa. O resultado disso é essa tragédia que vemos aí, porque os heróis da direita são realmente muito piores do que eu poderia imaginar. É impressionante como não tem um sequer que se salva.
Abaixo, deixo alguns exemplos desses heróis idolatrados em camisetas e cartazes nas manifestações da nossa classe média iludida:





Precisamos deixar de acreditar em heróis. Super heróis só existem na ficção. Os únicos heróis que deveríamos ter são o bom caráter, a Constituição e a ética da reciprocidade. Humanos não são heróis. E quando são, costumam decepcionar vergonhosamente. Acredite em valores e ideias, e nunca em pessoas que se julgam acima do bem e do mal.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Aberta a temporada de caça aos jornalistas


A "democracia burguesa" (eufemismo para plutocracia) é mesmo muito curiosa. Os reaças (e os direitistas de um modo geral) bradam aos quatro ventos que o PT "aparelhou o Estado", que o PT tentou implantar uma "ditadura socialista" e que o PT era "contra a liberdade de imprensa". Nem vou perder meu tempo provando que todas essas afirmações são completamente absurdas, tanto que o PT sofreu um impeachment Golpe após ser bombardeado pela imprensa e pela oposição. E hoje, sob o governo da extrema-direita do Bolsolixo Bolsonaro, vemos, por ironia do destino, exatamente tudo aquilo que os reaças acusavam o PT de ter feito.

A liberdade de imprensa está sob risco e jornalistas estão sofrendo ameaças, perseguições e demissões por pressão do atual governo e de seu exército de milicianos e bolsominions. Glenn Greenwald, responsável pelo escândalo da Vaza Jato, tem sofrido incontáveis ameaças, incluindo prisão e deportação. Reinaldo Azevedo, um crítico ferrenho do PT, recebeu ameaças de morte por defender a Constituição no caso do julgamento do ex-presidente Lula. Marco Antonio Villa, conhecido por suas opiniões conservadoras na Jovem Pan, foi demitido após fazer críticas ao atual governo. Rachel Sheherazade, que emitia opiniões reacionárias no jornal do SBT, recebeu sugestão de demissão do dono da Havan por ter discordado de certas ações do governo. Paulo Henrique Amorim, da Record, foi afastado da apresentação do Domingo Espetacular por pressão Estatal devido as suas críticas contra o governo.

Daí eu pergunto: foi para isso que tiraram o PT? Para voltarmos à época da censura e da perseguição aos opositores? Afinal, que democracia é esta?


quarta-feira, 26 de junho de 2019

O ódio contra Lula e o entreguismo fardado


Após conversar com algumas pessoas, cheguei à conclusão que a aversão que muitos altos oficias das Forças Armadas têm contra o PT (sobretudo contra Lula) ocorre, entre outras razões menores, por causa da criação da Comissão Nacional da Verdade durante o governo petista. Essa comissão que serviu para investigar os crimes cometidos durante a ditadura foi uma verdadeira declaração de guerra para muitos generais, especialmente os mais reacionários que estavam na reserva. Foi isso que possivelmente despertou a ira de muitos ex-generais fascistoides que se viram ameaçados e também porque a imagem das Forças Armadas foi, de certa forma, manchada por uma série de revelações. Essa Comissão da Verdade mexeu em vespeiro. Por mais que muitos generais aleguem que detestam o PT por ele ser "corrupto", sabemos que a corrupção é mera desculpa para esconder as reais razões do ódio. Até porque se fosse assim, teriam que ter ódio também do PSDB, do DEM, do PMDB e do PSL, que são partidos ainda mais corruptos que o próprio PT.
O resultado desse rancor contra o PT ficou publicamente escancarado quando o tweet ameaçador do general Villas Boas contra o STF foi lido por William Bonner no final do JN em abril 2018. Aquele tweet que praticamente ordenava que Lula fosse preso foi, segundo o próprio Villas Boas, resultado de uma "situação limite" insustentável para, como bem disse Ciro Gomes certa vez: "acalmar as cadelas no cio".

Mensagem que fez Rosa Weber mudar seu voto no STF

Ora, todos sabem que a função das Forças Armadas é de defesa da soberania nacional. Não cabe às Forças Armadas se meter em política ou, pior ainda, ameaçar o poder judiciário como tem se tornado recorrente desde a prisão do Lula. É inimaginável que em um país minimamente civilizado e democrático algum general ameace a Suprema Corte. E no caso do Lula foi ainda mais grave, porque além do ex-presidente ter sido condenado sem provas (atos indeterminados) e por um juiz totalmente parcial e bandido (como o Intercept vem provando), isso acabou interferindo diretamente no resultado das eleições. Foi um escândalo mundial ver um ex-presidente da república ser condenado sem provas por pressão do Exército. E a resposta dos generais agora, depois das evidências de que Moro prevaricou, continua a mesma: Lula tem que continuar preso e Moro é um herói. Se esse tipo de coisa tivesse ocorrido em um país de primeiro mundo, os generais que ameaçaram a Suprema Corte iriam em cana. Em qualquer país onde a Constituição é respeitada, se algum militar quiser bater o martelo pelo poder judiciário, terá que deixar as Forças Armadas, fazer um curso de direito, passar na prova da ordem, virar juiz e aí, sim, tentar uma vaga para as instâncias superiores. No caso do Brasil, os militares se sentiram empoderados desde a consumação do Golpe de 2016 onde a Constituição foi rasgada e, por conta disso, o vale-tudo moral se estabeleceu.
Mas o pior de toda essa loucura envolvendo os militares nem é essa caçada ao PT e à democracia, mas sim o entreguismo que foi abraçado por boa parte dos nossos generais após chegarem ao poder junto com o político mais abominável do mundo, execrado até por seu falecido ídolo Ernesto Geisel.

Foi para isso que prendaram o Lula?

A liquidação do Brasil
Ao que tudo indica, a falta de uma visão nacional-desenvolvimentista por parte dos generais que hoje estão trabalhando no governo é algo imposto pela alta burguesia internacional. Como o Brasil sempre foi um país da periferia do capitalismo, o que cabe a nós, como boa colônia de exploração, é acatar às ordens das nossas metrópoles. Devido à crise internacional do sistema capitalista que perdura desde 2008, os países emergentes são os que pagam a conta para manter o padrão de vida de alta qualidade nos países ricos. A nossa riqueza é transferida para eles via neoliberalismo. E dentro do pacote do neoliberalismo temos a austeridade, o arrocho salarial, o entreguismo e o assalto ao povo através da transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos. É por isso que o Brasil está atravessando esse momento absolutamente cruel contra os trabalhadores e contra a sua soberania.

Isso é patriotismo???

Como nossas Forças Armadas sempre tiveram uma aliança histórica com essa centralidade do capitalismo encabeçada pelos EUA, então ao invés de partirem para um conflito revolucionário para manter os interesses nacionais, o que resolveram fazer foi aderir a mais pura submissão aos interesses econômicos estrangeiros. Essa decisão ocorreu em comum acordo tanto por parte da nossa burguesia oligárquica quanto pelo alto comando das Forças Armadas, assim como também aconteceu no Golpe civil-militar de 1964.
Já os militares que não concordam com essa visão capacha de Brasil dependente, ou são afastados do governo, ou são afastados das Forças Armadas, ou são presos, ou sequer são ouvidos. Daí que temos essa coisa vergonhosa que é um bando de generais agindo de forma totalmente omissa diante da venda do país, da destruição das nossas empresas e da entrega despudorada de setores estratégicos e de recursos naturais. Isso porque eu nem mencionei a total apatia diante do aumento do desemprego, da criminalidade e da desigualdade social.

Resumo do Brasil pós Golpe

Enfim, o que temos é uma total devastação do país devido à subalternação da nossa burguesia (seja ela militar ou civil) diante dos ataques estrangeiros. Tudo isso devido a um ressentimento macarthista burro contra o PT... E depois os "traidores" são os militares venezuelanos que estão lutando junto com Maduro contra a destruição e pilhagem de seu país. Por tudo isso o nosso novo slogan deveria ser: Brasil, odeio-o ou deixe-o.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Não podemos permitir que Moro fique impune


É impressionante a ingenuidade de algumas pessoas em achar que o ministro Sérgio Moro sairá facilmente do cargo devido às denúncias do The Intercept. Mesmo com a OAB recomendando o afastamento do ministro, mesmo com a imprensa internacional inteira reprovando duramente as atitudes do ex-juiz e até com parte da burguesia nacional concordando que juiz e acusação não podem trabalhar juntos contra um réu, isso não é suficiente para fazer com que Moro deixe o cargo.

Nós, progressistas, por estarmos imersos em nossas bolhas na internet, não conseguimos enxergar que a narrativa que prevalece é a da imprensa corporativa hegemônica, no caso, a da Globo. O conglomerado de mídia dos Marinhos têm insistido pesadamente (mesmo sem provas e sendo desmentidos pelo Telegram) na hipótese do "terrorismo digital" (hacker russo) e de uma suposta ação política por trás do jornalista norte-americano Glen Greenwald. A Globo sequer menciona como possível um suposto vazamento interno de informações dentro do próprio grupo da Lava Jato, porque isso tiraria o teor criminoso da hipótese da "invasão hacker", quebrando a principal defesa contra o ex-juiz Sérgio Moro. Fora que isso praticamente obrigaria a Globo a abordar mais a fundo o conteúdo do vazamento, nem que fosse para reforçar a "inocência" do inquisidor Sérgio Moro.

A coisa é tão grave que algumas vozes na web já estão falando em deportação e até em prisão dos jornalistas do Intercept. E para o brasileiro médio, a versão oficial é sempre a versão da Globo. Se unirmos a população alienada, os bolsominions, os olavettes e a maior parte da direita, temos uma quantidade bastante relevante de pessoas que estão dispostas a defender o indefensável. Basta ver o recente show de mentiras criadas pela página do "Pavão Mentiroso Misterioso" que tentou enganar as pessoas desavisadas com informações falsas sobre a suposta compra de um hacker russo com bitcoins.


Precisamos sair das nossas bolhas para conscientizar as pessoas de que independentemente de qual tenha sido a fonte do Intercept, Moro e companhia não negaram as conversas via Telegram que foram divulgadas e ainda por cima não entregaram seus aparelhos funcionais para serem periciados pela PF (quem não deve, não teme). Pelo material que já foi divulgado, ficou claro que houve uma série de ilegalidades gravíssimas com a clara intenção de perseguir o PT e poupar o PSDB (FHC que o diga). A Lava Jato tornou-se uma operação política que agiu como uma quadrilha dentro do Estado. E não se combate o crime praticando outro(s). As pessoas comuns, de fora da nossa bolha, precisam saber disso de alguma maneira, seja através da nossa militância, da conversa corpo a corpo e até de passeatas e protestos nas ruas. Não podemos deixar a narrativa da Globo destruir a verdade. A nossa salvação é justamente a indignação popular, porque sem ela, Moro e Lava Jato continuarão tendo apoio para cometer crimes em nome de seus interesses políticos. Não podemos confiar no sistema judiciário, porque ele está corrompido e sitiado pelas oligarquias e pelos generais fascistoides. Está na hora de mostrarmos o nosso poder e a nossa importância histórica como cidadãos.

Temos que mostrar ao povo que a casa caiu para a Lava Jato

sexta-feira, 14 de junho de 2019

A hipótese do hacker é cortina de fumaça


É engraçado ver como a Globo e boa parte da imprensa conservadora está tratando como fato verídico a hipótese de ter ocorrido uma invasão hacker nos aparelhos da quadrilha turma da Lava Jato. Não há uma prova sequer de que houve uma invasão hacker, mas a Globo insiste nisso como forma de defender a Lava Jato, Moro, Dallagnol e companhia limitada. Isso, na minha visão, está ocorrendo como mecanismo de defesa, porque o conteúdo das mensagens não foi sequer negado ou desmentido. Só agora é que estão alegando que algumas mensagens podem ter sido forjadas pelo tal hacker para prejudicar os interesses políticos ilibados da Lava Jato. A ordem da imprensa mainstream parece ser a de destruir e desacreditar a qualquer custo todas as evidências trazidas pelo Intercept, tratando-as como crime. A julgar pelas declarações de Glenn Greenwald, onde ele desmente a Globo e a cita como parte do sistema, tudo isso fica parecendo puro desespero da Vênus Platinada que, a essa altura, já deve suspeitar a respeito do que vem pela frente.

Isso explica muita coisa...

Sobre essa conversa de invasão hacker que está tomando conta de todos os veículos de comunicação em massa, eu apenas me questiono como uma pessoa normal pode levar a sério uma presepada dessa. Sim, é uma verdadeira presepada, porque essa hipótese está cercada de absurdos. Ora, justamente agora que todo mundo está alerta e sabendo dos fatos, o suposto hacker resolve atacar novamente e ainda por cima avisando que está hackeando o sistema com mensagens toscas e expressões hilárias como "hacker aqui" e "outrossim". Meu povo, não é brincadeira conseguir quebrar a criptografia desses aplicativos de mensagens. O próprio Telegram negou que seu sistema tenha sido invadido e desafiou o suposto hacker a provar que conseguiu, oferecendo mais de 1 milhão de reais para quem conseguir esse feito. Se houve realmente um hacker, pode ter certeza que ele deve está bem quietinho agora. Ele não vai querer correr o risco de se expor e tomar uma cana ao fazer gracinhas e chantagens que beiram o ridículo. Esse hacker, se fosse mais esperto, estaria mesmo era dando um jeito ganhar a grana oferecida pelo Telegram. E tem mula que acredita nessa tolice de hacker chantagista.

Telegram desafia hackers

Tudo indica que não houve invasão. O que houve, dadas as evidências, foi muita imaturidade de se usar uma ferramenta gratuita para articular falcatruas e um bando de ignorantes que, no mínimo, deixaram o Telegram Web aberto e alguém simplesmente baixou as mensagens do grupo. Simples assim. Não tem nada de hacker envolvido e sim burrice de uma equipe que quer ser mafiosa, mas é BURRA. É praticamente certeira a possibilidade de que rolou um vazamento interno e alguém de dentro do grupo ou fez o backup da nuvem, ou simplesmente 'printou' as informações. É quase certo que foi alguém próximo do pessoal da Lava Jato e eles não querem jogar na mídia sequer essa possibilidade, porque isso autenticaria as fontes e colocaria o juiz Moro em situação muito mais grave.

Enfim, vamos ver até onde vai a toca do coelho.