terça-feira, 6 de novembro de 2018

O governo do Bozo será um desastre total


Algumas pessoas acham que eu estou "torcendo contra o Brasil" quando declaro que o governo Bolsonaro será uma tragédia. Não, não estou torcendo contra o meu país – muito pelo contrário, aliás. Estou apenas constatando algo óbvio e alertando para os riscos. As medidas que o fascistoide pretende adotar para o Brasil são desastrosas, demagogas e antipovo desde a campanha presidencial. Um cara que quer armar a população, que quer governar com "técnicos" (algo impossível em um presidencialismo de coalizão), que quer cortar direitos trabalhistas e que quer privatizar geral não tem como dar certo. E agora, depois de eleito, prometeu piorar tudo com a possibilidade de tirar o Brasil do Mercosul, de entregar a Floresta Amazônica para os gringos, de declarar guerra contra a Venezuela, de romper relações diplomáticas com Cuba, de colocar a embaixada brasileira em Jerusalém (em apoio ideológico a Israel) e de entrar em uma guerra comercial contra a China. Como se tudo isso não bastasse, Bolsonaro quer fazer a reforma da previdência, revogar de vez o que restou da CLT e fazer fusão de vários ministérios. O que Bolsonaro está pretendendo fazer diante de tudo isso é suicidar o Brasil economicamente e diplomaticamente. Não é à toa que já na primeira semana da vitória do Coiso, a nossa taxa de emigração aumentou consideravelmente. As pessoas estão com medo da ameaça autoritária e da tragédia econômica que um Bolsonaro representa no poder e estão fugindo do país.

Nessa loucura toda, o risco de causar uma forte queda na balança comercial é gigantesca, afinal, que nação civilizada no mundo vai querer fazer negócios com um país autoritário, fascistoide, antinacionalista e que reduz o poder de compra dos seus trabalhadores para aumentar a margem de lucro dos patrões e dos rentistas? O prejuízo que o Brasil terá devido ao boicote dos países árabes caso coloque a embaixada em Jerusalém é de bilhões de dólares por ano. O prejuízo que teremos por enfraquecer relações com o nosso maior parceiro comercial, a China, é incalculável. A política externa do Coiso não tem como dar certo. Ou ele modera, ou será uma tragédia. A loucura é tanta que até o astrólogo embusteiro Olavo de Carvalho está sendo sondado para ser um embaixador!


Outros pontos devastadores deste futuro desgoverno serão o entreguismo e a submissão econômica aos EUA. Os Estados Unidos querem o Brasil desindustrializado e eternamente subdesenvolvido. O que eles querem é que o Brasil volte a ser um país extrativista com mão de obra semiescrava, ou seja: querem a nossa recolonização. Será que é esse o país "melhor" que os antipetistas queriam para o Brasil?

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Ele ganhou. E agora?


Há cerca de três anos, eu escrevi um post onde apoiei a candidatura à presidência de Jair Bolsonaro por saber que o teto de eleitores dele chegaria, no máximo, aos 25% dos votos válidos e também por ele dividir a direita entre os que votariam nele e no PSDB. Isso, claro, em uma eleição normal com o Lula disputando. Só que muita coisa aconteceu de lá para cá. Primeiro, veio o Golpe de 2016 que depôs sem crime a presidenta Dilma; depois veio o crescimento em progressão geométrica do antipetismo fascistoide; depois veio a prisão política de Lula por um triplex que nunca foi dele para que ele fosse impedido de disputar as eleições; depois veio o atentado à faca contra o Bolsonaro e, por fim, como golpe de misericórdia, a campanha suja, criminosa e covarde do PSL com mentiras em massa propulsionadas por caixa dois através das redes sociais, especialmente pelo Whatsapp. Isso tudo levou, entre outras razões menores, à eleição do inominável.
Não acho que o PT ou o Ciro Gomes tenham culpa pela vitória do fascismo – muito pelo contrário – porque ambos foram vítimas das mentiras em escala industrial que prejudicaram as campanhas progressistas. E mesmo se Ciro tivesse ido ao segundo turno contra o coiso, ele também perderia, porque seria vítima do mesmo jeito que Haddad foi das fake news. O único capaz de vencer o fascista seria o Lula que foi preso injustamente graças a um processo viciado e fraudulento baseado numa delação e num powerpoint sem provas.


O que tem que ser feito daqui em diante é organizar uma resistência ampla contra o que virá pela frente. Iremos enfrentar um governo com tendências autoritárias que vai bater forte contra minorias, sejam elas LGBTs, mulheres, negros, nordestinos, índios e religiões afro-brasileiras. Mas quem vai perder mais nisso tudo são os trabalhadores, os sindicatos, os movimentos sociais (CUT, MST, MTST) e os partidos progressistas. Já existem projetos para criminalizar o uso da foice e do martelo, para colocar toda a esquerda na ilegalidade, para tornar qualquer movimento contra o governo como sendo "terrorista" e para reprimir violentamente qualquer manifestação popular. Se não houver união e resistência nas ruas, em pouco tempo não teremos mais sequer o direito de protestar.
Temos que aproveitar enquanto ainda dá tempo para politizar os mais pobres (a periferia), para fazer um trabalho de base, para fazer militância online, para usar o Whatsapp ao nosso favor e mostrar que perdemos a batalha, mas não perdemos a guerra. Acho importante se pensar numa frente única e ampla de esquerda, nacionalista e democrática contra o entreguismo, contra o fascismo e contra o ataque às instituições. O nosso lema de agora em diante será "resistir para existir". Afinal, uma vida sem luta não vale a pena ser vivida.


A oposição ao coiso precisa ser feita desde já aproveitando que a rejeição a ele ainda é alta e que ainda temos o direito de ir para as ruas protestar. A imprensa internacional está do nosso lado denunciando em peso o quão abominável, repugnante e autoritário o Bozonaro é. As medidas desastradas que estão por vir, como a entrega das nossas riquezas, o risco do Brasil declarar guerra contra a Venezuela e de romper relações comerciais com a China são fatos que levarão o país para o buraco em pouco tempo se não forem repudiados desde já.
No mais, digo que Bolsonaro não governará, será governado. O coiso será um fantoche na mão das classes dominantes que querem vender o Brasil a preço de banana e explorar a classe trabalhadora até tornar sua mão de obra análoga à escravidão. É por isso que lutaremos contra tudo isso sem descanso.


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Perfeição


Não estou com tempo hoje para comentar sobre o resultado das eleições, por isso, vou deixar uma música da Legião Urbana que parece ter sido escrita há cinco minutos atrás como reflexão. Pense com carinho sobre cada palavra da letra dessa música:


Perfeição
Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos covardes
Estupradores e ladrões

Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação

Celebrar a juventude sem escola, as crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade

Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais

Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos

Comemorar a água podre e todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo, nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã

Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir, não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão

Vamos festejar a inveja
A intolerância, a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada

Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror de tudo isto
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou essa canção

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão

Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha que o que vem é perfeição.


E, para terminar, o trecho final de Metal Contra As Nuvens, como foi cantado no álbum ao vivo, é uma verdadeira lição para o momento que estamos vivendo:

"E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora
Apenas começamos"

sábado, 27 de outubro de 2018

Heil Bolsonaro


Muita gente que vai votar no candidato da extrema-direita Jair Bolsonaro considera que suas frases extremistas não passam de "blefe". Antes da Alemanha tornar-se nazista também se achava que o discurso pernicioso de Adolf Hitler não era uma ameaça real e aí deu no que deu. Com toda a repulsa que hoje o mundo pós-guerra tem do Führer, sabemos que ao menos ele tentava manter uma aparência de civilidade. Hitler não fazia apologia à tortura e nem homenageava torturadores. Hitler tinha consideração pelos alemães, chegando ao ponto de considerá-los superiores racialmente. Mas esse tipo de coisa não se vê no Bolsonaro. Jair Bolsonaro não tem a civilidade e nem o carisma do líder nazista. Ele enxerga o próprio povo brasileiro como um aglomerado de vira-latas e despreza sem pudores quilombolas, indígenas e até mulheres. O economista maluco dele defende a venda de todo o patrimônio público, porque somos, segundo o viralatismo da nossa cultura, incompetentes e corruptos demais para gerir o que é nosso. Ou seja: Bolsonaro não tem respeito nem pela própria pátria. Apesar de usar o mesmo slogan de Hitler em sua campanha, ele consegue ser ainda pior que o próprio Führer.


Mesmo que as promessas extremistas do Bolsonaro não sejam concretizadas (de eliminar os vermelhos, minorias e vagabundos), o discurso de ódio cultivado por ele há anos já contaminou a sociedade. Se ele não fizer as monstruosidades que defende impunemente, os seguidores fanáticos dele farão – como, aliás, já começaram a fazer. Uma espécie de turbilhão nazista tomou conta da população graças às mentiras proliferadas criminosamente nas redes sociais e, por conta disso, estamos deixando de lado um projeto de governo baseado no desenvolvimento socioeconômico para abraçar um neofascismo sem projeto de nação. E com esse judiciário acovardado, certamente muitas ações violentas que ocorrerão serão relativizadas ou ficarão impunes.


Num post passado, eu mostrei as características fascistas de Jair Bolsonaro e seus riscos. A imprensa internacional em peso também está alertando há bastante tempo do risco desse sujeito causar uma tragédia política para o país. Estamos correndo o risco de invadir a Venezuela, de cair numa grande instabilidade econômica e de aumentar o genocídio de negros, índios e pobres. Nem a extrema-direita europeia gosta do Bolsonaro (vide Le Pen), porque ele é troglodita demais e radical demais até para um Adolf Hitler. O mais triste de imaginar é que tínhamos a possibilidade de escolher algo diferente dele, mas muitos optaram em não fazer isso. Sabe-se lá o custo que isso terá para os brasileiros e para a humanidade. Depois não digam que eu não avisei...


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O que leva um cristão a votar no Bolsonaro?


Ao olhar para as pesquisas de intenção de voto deste segundo turno, eu sou coagido a concluir que muitos cristãos nunca leram a Bíblia que eles mesmos dizem seguir. Jesus Cristo sempre defendeu o perdão, o amor, a doação, o respeito, a tolerância, a compaixão... E aí vem esses cristãos de hoje votar num sujeito que defende armas, tortura, pena de morte, guerra civil, preconceito, violência... Onde fica o quinto mandamento nessa história? Onde fica o "oferecer a outra face"? Onde fica o "amar o próximo como a ti mesmo"? Onde fica o exemplo de Jesus que andou com os oprimidos e excluídos? Se Jesus fosse brasileiro, será mesmo que ele apoiaria alguém que ao invés de oferecer solidariedade oferece ódio e brutalidade? Não sei o que leva um cristão a votar no Bolsonaro. O que sei é que parece que estamos bem próximos do apocalipse bíblico...