segunda-feira, 31 de maio de 2021

Ser criança em 1991


 

1991... O ano da Guerra do Golfo, da criação do Mercosul, do fim da União Soviética, do tricampeonato de F1 de Ayrton Senna, do início das denúncias contra o governo Collor e da inflação que seguia alta mesmo com um plano econômico atrás do outro. Olhando assim, nem parece que 1991 foi há exatos 30 anos atrás. Impressionante como tempo passa rápido. Mas enfim, este é mais um post para reviver um ano da minha infância da série Ser Criança em.

Lembro que, naquele longínquo ano de 1991, eu fui atacado por um enxame de abelhas, descobri uma locadora de vídeogames perto de casa, iniciei o ensino fundamental na primeira série (segundo ano hoje) e aprendi a andar de bicicleta. Como toda criança de sete/oito anos, meu negócio na época era comer doces, arrancar dente de leite, ir para casas de veraneio nos finais de semana, assistir desenhos animados, pedalar na minha bike e jogar muito videogame. Era uma época boa, porque eu não tinha grandes preocupações e nem grandes responsabilidades. Eu estava na era de ouro da minha vida onde (quase) tudo era novo e ainda não tinha me tornado a pessoa tímida que acabei virando durante a adolescência. 

Para não fugir da tradição desta série, vou resumir minha visão da época em três categorias principais: música, televisão e jogos. Eu até pensei em incluir esportes e tecnologia, mas seria uma redundância em relação ao que escrevi sobre 1990 e 1994.

1991 foi o ano do Nirvana.

Música
Apesar de ouvir majoritariamente música infantil naquela época (Xuxa, Balão Mágico e Trem da Alegria), aqui eu já começava a despertar o meu verdadeiro gosto musical. Lembro que foi escutando La Bamba que me inclinei para o mundo do rock. E foi ouvindo as canções de Alceu Valença e Geraldo Azevedo que comecei também a curtir MPB. Lembro também que foi naquele ano de 1991 que tivemos o lançamento de vários álbuns que, posteriormente, marcaram a minha vida de alguma forma, que foram:

  • Nirvana - Nevermind
  • Metallica - Black Album
  • Pearl Jam - Ten
  • Guns n Roses - Use Your Illusion 1 e 2
  • REM - Out of Time
  • Michael Jackson - Dangerous
  • Legião Urbana V
  • Paralamas do Sucesso - Os Grãos
  • Titãs - Tudo ao Mesmo Tempo Agora
  • Simply Red - Stars


Já nas rádios, canções como Swing da Cor (Daniela Mercury), É o Amor (Zezé Di Camargo & Luciano) e Beija Eu (Marisa Monte) tocavam quase todo santo dia. A febre da lambada tinha perdido força e ainda não tinha começado o sucesso do axé music e do pagode. Os CDs (Compact Disc) começavam a aparecer, tomando paulatinamente o lugar dos vinis e das fitas K7. Walkmans ainda eram muito usados e os primeiros celulares – uns tijolões horrorosos – só tocavam música quando estávamos esperando para ser atendidos pelo telemarketing.

Vamp foi a minha novela favorita até hoje.

TV
1991 foi um ano marcante para a televisão, porque como naquela época não tinha internet, a TV aberta era a única fonte de distração e lazer para muita gente. Novelas da Globo como Barriga de Aluguel e Felicidade às 18h,
Lua Cheia de Amor e Vamp às 19h, e Meu Bem, Meu Mal e O Dono do Mundo às 21h eram novelas que, na minha opinião, superavam em qualidade as novelas atuais justamente porque o comprometimento com a audiência era maior. Sem falar de novelas da Rede Manchete como Pantanal e a História de Ana Raio e Zé Trovão que eram espetaculares. Sem YouTube ou Netflix, eram os canais da TV aberta que tinham que lutar entre si pela audiência com programação de mais qualidade (ou mais apelativa em alguns casos). Em todo caso, a TV aberta, de um modo geral, era mais atrativa do que é hoje.

No caso das crianças, não faltava conteúdo na Globo com o Xou da Xuxa das 8h às 13h que trazia desenhos como Super Mario Bros, Capitão Planeta, Caça Fantasmas e Tartarugas Ninja. Na TV Manchete tínhamos ainda mais diversão com o Clube da Criança (com Angélica) e a Sessão Super-Heróis com Tokusatsus e Super Sentais. No final da Tarde, depois do Aqui Agora no SBT, tínhamos a versão original da novelinha infantil Carrossel (eu adorava demais essa novela). E na TV Cultura meus programas favoritos na época eram o Rá-Tim-Bum e Os Bichos. Em resumo: a criançada fazia a festa na frente da TV na época. Eu, que sempre fui um sibarita incorrigível, sempre assistia tevê comendo aqueles lanches hipercalóricos (doces, chicletes, balinhas, pirulitos, pastilhas, bombons, refrigerantes). Não era à toa que eu fui uma criança mais gordinha, porque encher a pança era comigo mesmo.

Com relação aos filmes, fui dar uma pesquisada e quase não achei filmes bons da época. Eu mesmo só curti o Exterminador do Futuro 2 que até hoje é um dos meus filmes favoritos e As Tartarugas Ninja 2, o Segredo do Ooze. O que eu assistia de filmes da época eram repetecos de clássicos oitentistas como Lagoa Azul, Goonies, O Rapto do Menino Dourado, Rambo, Aventureiros do Bairro Proibido, Os Fantasmas se Divertem, Curtindo a Vida Adoidado e outros que repetiam à exaustão na Sessão da Tarde.

Este joguinho mudou a minha vida.

Games
Como em 1991 os Famiclones (clones do Nintendinho 8 bits) já estavam ficando fora de moda e o Mega Drive tinha acabado de chegar no Brasil, os jogos de videogame que mais fizeram sucesso na época ou eram de fliperama, ou então da Sega. No caso dos Arcades, o jogo do ano foi o fabuloso Street Fighter 2. Este game simplesmente revolucionou a indústria dos games e serviu de referência para todos os jogos de luta que vieram depois. Eu joguei Street Fighter 2 pela primeira vez num fliperama de um shopping e fiquei muito impressionado com a jogabilidade, a fluidez e o carisma dos personagens.

No caso da Sega, jogos como Golden Axe 2, Streets of Rage e Teenage Mutant Ninja Turtles foram clássicos absolutos do Mega Drive. Mas quem realmente roubou a cena em 1991 foi o inesquecível Sonic The Hedgehog. Quando joguei o primeiro game do Sonic numa locadora perto de casa, caramba, eu fiquei piradaço. Nunca tinha visto um boneco tão veloz, um jogo tão colorido e músicas tão bacanas em um game. Inclusive, em breve devo escrever especificamente sobre este game na série Jogos da Minha Vida, porque o estrago que o porco-espinho azul fez na minha vida de gamer foi grande.

Outros jogos que fizeram sucesso na época para Super Nintendo foram The Legend of Zelda: A Link to the Past; Super Castlevania IV; Super Ghouls'n Ghosts e o Turtles in Time. O problema foi que o SNES só chegou oficialmente no Brasil em 1993. Então 1991 foi o ano da Sega no país, até porque o Master System ainda fazia bastante sucesso por aqui. O único videogame caseiro da Nintendo que estreou com sucesso em 1991 foi o Game Boy que chegou ao Brasil em meados deste ano.

Para quem quiser saber mais minha opinião sobre como foi ser criança (ou adolescente) em outras épocas, seguem adiante os links para cada ano desta série:

Ser criança em 1986
Ser criança em 1988
Ser criança em 1990
Ser criança em 1994
Ser criança em 1996
Ser criança em 1997
Ser criança em 1998
Ser adolescente em 1999

Afinal, qual é a de Ciro Gomes?


Se eu ganhasse 1 centavo para cada vez que me xingam de "cirista", eu bem que poderia viver de renda (ou de insultos). Brincadeiras à parte, vamos ser justos e francos. Já deixei claro em várias postagens que Ciro Gomes não é esse monstro todo que desenham por aí. Ciro é um político profissional que está buscando um meio de chegar à presidência sem se comprometer definitivamente com nenhum lado do espectro político. Isso dá a ele a habilidade de oscilar entre a direita e a esquerda política livremente. Basta ver o passado político dele que isso fica bem claro. Ao contrário do que muita gente nova ou inocente na política pensa, Ciro não é de esquerda, ele já ESTEVE na centro-esquerda em momentos que a conjuntura pedia isso. Atualmente, com o enfraquecimento de Bolsonaro, com a ausência de nomes fortes para a centro-direita e com Lula angariando votos da centro-esquerda, o que resta para o Ciro Gomes é tentar pescar os votos da direita. É por isso que Ciro tem batido tanto no Lula, que ele tem mostrado simpatia ao voto impresso e evitado fazer ataques a Bolsonaro. Ele sabe que existe muita gente que se identifica com as ideias bolsonaristas, mas que está insatisfeita com Bolsonaro por alguma razão.

A meta que Ciro almeja é estar no segundo turno em 2022. Mas para isso, ele precisa fazer as pazes com o centrão, precisa se mostrar obediente à elite financeira e fazer acenos frequentes para o eleitorado mais conservador. Se ele quiser ser o anti-Lula, precisa vestir de vez essa máscara e partir para a guerra. Outra coisa que precisa ocorrer para que ele tenha chances eleitorais é que Bolsonaro seja preso ou cassado. Do contrário, o segundo turno de 2022 não será entre Lula e Ciro, mas entre Lula e Bolsonaro. Em todo caso, eu prefiro fazer oposição a um hipotético governo Ciro Gomes do que a um fascista autoritário como o Bolsomorte.

domingo, 30 de maio de 2021

É preciso muito mais para tirar Bolsonaro daí

 

Povo na rua é importante para mostrar aos donos do poder que parte da população está insatisfeita com seus governantes. Povo na rua mostra que (ainda) fazemos parte de um regime democrático. Povo na rua é a melhor maneira de uma população exprimir suas necessidades. O problema é que, no Brasil, povo na rua é fogo de palha.

As manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro neste 29 de maio foram, ao meu ver, inócuas. Isso porque presidente da república só sai do poder no Brasil de duas formas: ou com eleições diretas, ou com golpes de Estado. No caso dos golpes, eles SEMPRE são conduzidos pelas elites, especialmente pelas elites financeira e militar. Fernando Collor e Dilma Rousseff não foram golpeados com povo na rua, com caras-pintadas, com pixuleco ou com dancinhas da CBF. Quem derrubou esses dois ex-presidentes foi o poder legislativo que – ou comprado, ou insatisfeito – resolveu inventar impeachments sem crimes de responsabilidade para tirá-los do poder.

Por mais que eu apoie as manifestações, sei que elas não irão dar em nada. Assim como as manifestações do Ele Não foram inofensivas em 2018, o Fora Bolsonaro de 2021 também não vai dar em coisa alguma. Isso não é para desanimar ninguém, muito pelo contrário. Como já deixei claro, sou totalmente a favor das manifestações e contra esse governo genocida. O problema é que Bolsonaro e sua familícia só irão sair por pressão popular se ocorrerem muitos protestos sistêmicos de grandes proporções. Seriam necessárias greves gerais, caminhoneiros parando o país e muita persistência para que as elites se sintam prejudicadas – de fato – por esse governo negacionista. Se não for assim, seremos apenas pombos enxadristas fazendo "micaretas" antifascistas nas ruas em época de pandemia.

sábado, 29 de maio de 2021

A fórmula para ter saúde e emagrecer existe


Quem não quer emagrecer e ter saúde, né? Pois é, depois que o sedentarismo e a má alimentação tomaram conta das nossas vidas, parece que tudo no universo conspira contra nós. Isso porque os nossos antepassados - aqueles de quem herdamos nossos genes - eram recompensados com generosas doses de endorfinas quando enchiam a pança com muita comida calórica, especialmente a doce, e depois tiravam um longo descanso. Então, não por acaso, gostamos mesmo é de comer alimentos hipercalóricos e ficar no ócio. O problema é que não vivemos mais numa época de escassez como era há dezenas de milhares de anos atrás. Hoje, ninguém precisa mais caçar, coletar, fugir de predadores ou lutar. Na era contemporânea, compramos alimentos hipercalóricos e passamos o dia inteiro sem fazer atividade física. Daí que estamos levando um estilo de vida totalmente diferente do que tinham nossos ancestrais. E isso é o que ferra com a nossa saúde, causando obesidade, síndrome metabólica e diversas doenças associadas. A solução para isso é seguir a velha fórmula que os médicos tanto falam por aí: se alimentar corretamente e fazer exercícios físicos. Mas isso todo mundo já está careca de saber. O que nem todo mundo sabe são os detalhes cruciais por trás dessa "fórmula" para ter saúde e emagrecer.


O segredo para uma vida saudável está, essencialmente, na alimentação. Precisamos comer pouco, comer alimentos naturais e com baixo índice glicêmico. Este é o segredo. Como eu sei disso? Porque eu me fiz de cobaia nessa experiência e deu certo. Desde que comecei a fazer jejum intermitente e reduzi consideravelmente a ingestão de alimentos que causam pico glicêmico no sangue, eu perdi até agora 36 kg e melhorei absurdamente meu colesterol, glicose, pressão, triglicérides e insulina. Alimentos que contém açúcar, trigo, glúten, leite e as frituras são verdadeiros venenos para a nossa saúde, porque além de viciarem e causarem desequilíbrio na flora intestinal, ainda favorecem o surgimento de uma série de inflamações no corpo. Eu mesmo vivia tendo sinusite, dermatite, rinite, faringite e isso ou acabou ou reduziu de forma muito expressiva. O que eu sempre mantenho em vista é manter a minha insulina controlada, porque isso evita resistência a mesma e, consequentemente, diabetes tipo 2. É lógico que, ocasionalmente, eu saio da dieta e como, sim, alguma besteira, mas é sempre em quantidades pequenas e sempre associado a fibras e proteína para evitar o tal pico glicêmico que faz o corpo aumentar a insulina. Sair da dieta (entenda como dieta aqui comer de tudo desde que não seja industrializado ou contenha açúcar, trigo e leite) não é algo totalmente ruim, porque são as pequenas escapulidas que tornam a vida divertida.


Outro ponto que me ajudou a emagrecer e melhorar a minha saúde foi a atividade física. Eu faço atividades físicas entre 5 e 6 vezes por semana. Caminhada, ciclismo, corrida e treinos funcionais fazem parte do meu cotidiano. Além de melhorar o fôlego, a força e definir o corpo, quando realizamos atividade física, o corpo ainda nos recompensa com endorfinas. E à medida que você vê os resultados, aí que os exercícios realmente se tornam parte inseparável da sua vida. 

Então a fórmula para emagrecer é esta: insulina baixa, movimento e sono de qualidade (sim, dormir bem ajuda pra caramba). Pelo menos, foi o que funcionou para mim.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Mulheres não deviam se relacionar

 

Muita gente me detesta aqui na internet por me considerar um caga-regra, especialmente quando abordo questões femininas. Mas quando o assunto é relacionamentos afetivos, eu me sinto na obrigação de alertar as pessoas sobre seus malefícios graças às péssimas experiências que tive com eles ao longo da minha vida. No caso das mulheres, a coisa é ainda pior, porque além de vivermos numa sociedade machista, parece que há uma espécie da lavagem cerebral cultural que faz com as mulheres não percebam que elas é que são as maiores vítimas dos relacionamentos monogâmicos heterossexuais.

Ora, pare e pense um pouco. A maioria das vítimas de relacionamentos abusivos são mulheres. Não é à toa que o feminicídio é uma das causas mais comuns de mortes de mulheres. Uma mulher que escolhe a solitude está se prevenindo desses relacionamentos e tendo a oportunidade de curtir uma vida livre de solteira. Mas o problema não para por aí. Quando o relacionamento termina, quem leva  a culpa sempre é a mulher. A mulher é tratada quase como uma criminosa por trair. E quando é traída, é culpada por "não ter segurado seu homem". Aliás, homem quando trai, ao contrário da mulher, só falta ser tratado como herói mesmo com risco de contaminar a parceira com DSTs. E nem o lado sexual dos relacionamentos se salva, tendo em vista que a maioria das mulheres heterossexuais se declara insatisfeita no sexo. Para piorar, inclua aí o uso de pílulas anticoncepcionais exclusivamente femininas que causam efeitos colaterais cruéis nos corpos das mulheres. Tudo isso só porque o parceiro delas não gosta de usar preservativo ou boicota pesquisas para a pílula masculina.

Enfim, relacionamentos são uma merda, especialmente para as mulheres. Ninguém merece virar escrava doméstica e boneca inflável de macho ciumento e relaxado que regula seus horários, suas roupas, seu peso e sua liberdade. Nada mais gostoso que chegar em casa e tomar um bom vinho sem ter que dar satisfação para ninguém e nem dividir seu espaço e sua intimidade com um ogro peludo. Relacionamento desgasta, estressa, adoece e nos faz perder muita coisa boa na vida. Se quer companhia, recomendo que tenha amizades verdadeiras, um pet e um bom livro de cabeceira. Amor próprio também é uma forma de amor.

Acordar ao lado do amor da sua vida é uma utopia romântica que só faz sentindo enquanto durar a paixão. Muito mais lindo que isso é acordar sozinha, numa cama grande, abrir os olhos e se sentir livre.

Namastê!