Eu já escrevi um post revelando como sou apaixonado pelo Halloween e a minha história com a data. Mas como no Brasil o Dia das Bruxas não tem o mesmo apelo popular que tem nos EUA, então o que me resta neste dia 31 de outubro é homenagear um dos ícones mais injustiçados da nossa cultura: o Saci. Ora, o Saci é carismático, brincalhão e um dos poucos personagens afro memoráveis nos contos e lendas nacionais. Por mais que eu adore o clima sombrio e macabro do Halloween, acho que temos que dar uma chance ao nosso querido Saci que representa de forma heroica o nosso rico e subestimado folclore.
domingo, 31 de outubro de 2021
sábado, 30 de outubro de 2021
Só existe justiça nas redes sociais
Tivemos, nesta rocambolesca semana, um pandemônio de notícias cabulosas para ninguém botar defeito. Primeiro, foi aquele áudio imoral vazado do banqueiro André Esteves onde ele mostrou – de maneira bastante didática – que quem manda no Brasil, de fato, é o poder econômico. No áudio ficou claro que o Brasil e suas instituições são verdadeiras prostitutas dos plutocratas. A única "punição" que o banqueiro recebeu por corromper o Estado com seu lobby foram as críticas que recebeu até mesmo de alguns liberais nas redes sociais. A justiça formal, como já era de se esperar, nada fez e nada faz porque ela é totalmente vassala ao poder financeiro. Se vivêssemos em um mundo minimamente justo, um homem jamais teria o poder de, praticamente sozinho, controlar todos os poderes instituídos como se fossem seus brinquedos. É simplesmente revoltante, mas é assim que funciona a plutocracia capitalista.
Depois disso, tivemos aquela live absurda onde o inominável fez uma associação mentirosa e terrorista entre a vacina contra a Covid e a AIDS. As redes sociais imediatamente baniram a live do Coiso, enquanto que a justiça brasileira nada fez e nada fará a respeito. Aliás, falando em não fazer nada, a chapa Bolsonaro/Mourão teve as ações que pediam sua cassação arquivadas pelo TSE apesar das toneladas de evidências contra si. Bolsonaro está totalmente blindado porque ele está servindo de maneira bastante obediente aos interesses do real poder, que é esse poder econômico representado por homens como o já citado André Esteves.
E para terminar, o jogador de vôlei Maurício Souza teve o contrato rescindido pelo Minas após uma postagem homofóbica sobre o Superman bissexual. Essa rescisão de contrato só ocorreu, é bom que se diga, por pressão popular vinda das redes sociais, porque se fosse depender da justiça... Aí seria querer demais. Ainda que seja um pouco exagerado punir alguém por uma opinião pública sobre um desenho, a cada post homofóbico que publicamos na web estamos contribuindo para um mundo ainda mais preconceituoso.
Enfim, a moral da história é que a justiça brasileira é cega, surda, muda e inerte. Por conta disso, as redes sociais estão tomando o lugar da nossa justiça, já que ela não funciona corretamente. Eu não me espantaria se, um dia, a nossa justiça formal fosse abolida para que os julgamentos ocorressem apenas por tribunais populares na web. Afinal, de que adianta uma justiça inútil, cara, antiquada e injusta? Enquanto isso, aquela mulher que roubou Coca-Cola e Miojo (caso explícito de furto famélico) teve o habeas corpus negado... Aí pergunto: justiça para quê e para quem?
domingo, 24 de outubro de 2021
Como resolver o problema da fome sem furar o teto de gastos
No post passado, eu deixei claro que o mercado financeiro está pouco se lixando para os pobres ou para a fome que as pessoas estão passando no nosso país. Inclusive, o economista Eduardo Moreira publicou recentemente um vídeo importante tocando nessa questão. A preocupação do mercado neste momento não é de matar a fome do povo, é apenas em não furar o teto de gastos para nos proteger de uma inflação eles mesmos produziram. Aliás, a existência do teto de gastos é algo totalmente IMORAL, especialmente quando congelamos os investimentos públicos em saúde e educação por duas décadas. Isso, para quem não se lembra, foi parte do pacote de reformas neoliberais do pós-golpe de 2016 para enriquecer mais ainda a nossa casta rentista. No meu ponto de vista, aquela maldita PEC da Morte nunca devia sequer ter sido proposta, mas como estamos no Brasil, aberrações como aquela passaram facilmente por um congresso majoritariamente alinhado aos interesses da burguesia assassina.
Muito bem, mas independentemente da questão ética envolvendo o teto de gastos, infelizmente temos que lidar com ele e encontrar uma solução urgente para acabar com a fome dos nossos irmãos. E eu só vejo três formas de fazer isso:
1 - Revolução
Uma revolução radical no nosso sistema que nos tire do capitalismo selvagem e nos conduza para algo mais humano como o ecossocialismo ou o Projeto Vênus é a saída ideal, mas ela não ocorre da noite para o dia. E o problema é que quem tem fome, tem pressa. Debater sobre um novo de modo de produção é importante, mas não há como alterar estruturalmente esse sistema antes que milhões tenham morrido de fome. E mesmo que conseguíssemos fazer uma revolução a curto prazo, seríamos alvo de boicotes, atentados, bloqueios econômico e embargos por parte dos países da centralidade do capitalismo. Então temos que pensar numa solução mais imediata dentro das regras do sistema.
2 - Calote na dívida pública
Eu vejo algumas pessoas por aí dizendo que o governo deve deixar de pagar os juros da dívida interna para usá-los para pagar uma renda universal. Apesar de parecer interessante aos olhos incautos à primeira vista, isso não daria certo na prática. É verdade que cerca de 40% das despesas do governo são com juros e amortizações da dívida pública, mas dar calote seria um suicídio econômico. Isso porque boa parte das receitas do Tesouro Nacional vêm dos títulos emitidos pelo governo que são pagos majoritariamente por instituições financeiras. Com um calote, nós paramos automaticamente de receber boa parte dos investimentos e vamos ter que aumentar os impostos para compensar. E o pior nem é isso, é que qualquer governo que desonre suas dívidas perderá a credibilidade, terá fuga de investimentos e causará uma crise bancária semelhante ao que vimos na era Collor, sem falar de todos os ataques que o governo sofreria diariamente por uma atitude tão estúpida. Está certo que a dívida pública é impagável, mas ela é estrutural para o sistema capitalista funcionar. Nem fazendo uma auditoria cidadã da dívida pública seríamos capaz de resolver o círculo vicioso que o capitalismo financeiro impõe com seus juros infinitos. O único jeito de se livrar da dívida é fazendo uma revolução, mas isso, como citei anteriormente, levaria muito tempo.
3 - Taxação justa
Ora, se está faltando dinheiro para os mais pobres, então vamos tributar de onde está sobrando mais: dos mais ricos. Sabemos muito bem que os mais pobres e a classe média são as classes que mais pagam impostos proporcionalmente no país – enquanto que os bilionários pagam muito pouco e ainda por cima muitos deles sonegam. Então a solução é tributar grandes fortunas, criar impostos progressivos e taxar lucros e dividendos. Só disso aí já dá bilhão. Poderíamos também oferecer juros civilizados, tributar certos cargos públicos que recebem salários acima de cinco dígitos e acabar com certos privilégios da classe política que já teríamos dinheiro suficiente para pagar auxílio emergencial ou uma renda universal por, pelo menos, enquanto as chagas da pandemia ainda estiverem abertas. Essa é a única solução a curto prazo para resolver o problema da fome sem furar o tão sagrado teto de gastos. Que tal?
sexta-feira, 22 de outubro de 2021
O "mercado" não gosta de pobre
Sim, esse Auxílio Brasil que veio para substituir por um ano o Bolsa Família é um programa eleitoreiro bolsonarista, ponto. A ideia do Bozo é ganhar votos dos mais pobres alegando que o seu programa é melhor que o criado pelo PT. Isso está mais na cara que nariz de palhaço. Mas o ponto que eu vejo pouca gente criticar nessa história é a chantagem ridícula do mercado financeiro diante da criação desse novo auxílio. O mercado (vulgo burguesia rentista) usa manipulações na Bolsa de Valores para subir o dólar e pressionar o governo contra o aumento da distribuição de renda. E a desculpa do mercado é que há risco de "descontrole das contas públicas" por furar o teto de gastos. Tá de sacanagem, né? Essa oligarquia plutocrata que compõe o mercado só se preocupa com o próprio lucro. Eles estão preocupados mesmo é que o dinheiro que está indo para os mais pobres poderia estar indo para os cofres deles via dívida pública. É só isso. O mercado é completamente FDP, egoísta, sociopata e mentiroso. Se depender da nossa casta rentista, pobre morre de fome para que juros, lucros e dividendos cresçam eternamente para beneficiá-los. É por isso que eu tenho tanta ojeriza ao sistema capitalista. Ao invés de discutirmos sobre a criação um programa de redistribuição de renda universal permanente, temos que sacrificar os mais necessitados para deixar esses merdas mais ricos ainda.
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
Mesmo que vença, Ciro Gomes não triunfará
Permanecer vivo na disputa política para se tornar presidente da república é algo que exige estômago e sangue frio. E é exatamente isso que estamos vendo diante das recentes trocas de agressões entre Ciro Gomes e Partido dos Trabalhadores. O atual presidente da república já conta com mais de 50% de rejeição, o que praticamente o impossibilita de se reeleger. Isso significa que se o inominável não fizer a burrada de concorrer ao planalto outra vez, a missão então de ser o "anti-Lula" na próxima eleição será passada para o candidato com maior número potencial de votos numa eleição sem Bolsonaro. E esse candidato é o Ciro Gomes. Com os ataques ao PT, Ciro espera ganhar votos dos antipetistas e de parte dos Bolsonaristas para se garantir no segundo turno. Essa estratégia possivelmente irá alavancar sua candidatura, porém, mesmo que ele vença um eventual segundo turno, ele terá um problema: a governabilidade.
Sem apoio do PT, da esquerda, dos movimentos sociais e de boa parte dos progressistas, um Ciro Gomes antipetista presidente terá que governar junto com reaças, neoliberais e a parte mais fisiológica do centrão. E isso, na minha opinião, será muito ruim para o Brasil. Ainda que um eventual governo Ciro Gomes seja muito melhor que um governo Bolsonaro, ainda assim será complicado governar um país devastado pelo bolsonarismo sem apoio da ala progressista.
Mas o meu palpite é que o candidato petista vencerá a próxima eleição de qualquer jeito, porque nenhum outro candidato tem potencial para vencer numericamente o PT. Acho que a saída da burguesia brasileira será ou engolir novamente o PT, ou tentar caçar a chapa petista após a eleição para manter seu projeto neoliberal de pé através de um novo golpe brando.







