sábado, 18 de novembro de 2017

Quem ganhará a Copa?


Eu costumo errar onze em cada dez previsões que faço sobre futebol, mas desta vez acredito não estar tão errado assim. Isso porque a atual conjuntura futebolística está muito evidente.

Primeiramente, eu não acredito que a Alemanha vença este mundial de 2018. Isso porque a seleção alemã, por ser a maior favorita, será consequentemente a mais caçada e também aquela contra a qual os adversários mais superar-se-ão ao enfrentar. Um técnico cuidadoso saberá montar pacientemente um sistema defensivo que jogue em cima das fraquezas dos alemães, anulando seus espaços. Todo mundo quer vencer a Alemanha. E todo mundo fará o melhor para isso. A Alemanha de 2018 deverá ser mais ou menos como a Espanha de 2014: cheia de favoritismo, mas duramente marcada e combatida.

O Brasil, na minha opinião, também não vencerá o mundial por razões semelhantes a da Alemanha, só que com o agravante de não ter um time tão bom quanto o dos germânicos. A seleção brasileira, apesar dos bons resultados e do bom treinador, me pareceu bastante medíocre e insegura. Se eu fosse apostar, diria que o Brasil cairá fora ou nas oitavas, ou nas quartas de final.

Quanto às seleções africanas, asiáticas e caribenhas, elas não têm a menor chance de vencer qualquer mundial. As seleções sem favoritismo dificilmente chegarão às quartas de final pela falta de tradição, de estrutura, de técnica e de organização tática. Já as sul americanas enfrentarão um clima adverso e o tabu de nunca terem vencido uma Copa na Europa (exceto o Brasil em 1958) – além de estarem bem mal das pernas.

Então o que restam são as seleções tradicionais europeias. Se eu fosse apostar, diria que a campeã mundial estará entre Portugal, Espanha, França ou Inglaterra. Se a Holanda e Itália estivessem presentes, também fariam parte desse grupo. É possível que já nas quartas de final tenhamos somente seleções europeias, transformando a segunda fase da Copa do Mundo numa mini Eurocopa.

Enfim, esta será a Copa das seleções europeias.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A direita não sabe nem o que é a esquerda


Hoje eu pretendia publicar um post falando sobre o almirante Othon Pinheiro. Porém, como o meu tempo está muito curto para um post mais elaborado, vou deixar uma pequena reflexão sobre a nossa direita.

Muitas das pessoas que se dizem de direita insistem em dizer que a Globo é comunista porque difunde a "ideologia de gênero"; que o nazismo era de esquerda porque o Estado nazista era grande e intervencionista; que a Hillary Clinton era de esquerda porque estava contra o doido do Trump; que o PSDB é "socialista fabiano" por defender a liberação da maconha; que a Veja é de esquerda por atacar o Bolsonaro; entre outros absurdos. E esse é o grande problema da direita: o seu total analfabetismo político. Os ataques lançados contra a esquerda são inócuos porque não é a esquerda que está sendo atacada. O que está sendo atacado é um espantalho, uma espécie de "esquerda imaginária" criada pela direita. O irônico é que as críticas mais contundentes contra a esquerda vêm da própria esquerda. A direita bocó nem sonha com o que de fato é a esquerda. Como alguém pode criticar o que não conhece?



Então, para o bem do debate, se você é de direita, por favor, estude um pouquinho antes de passar vergonha.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Os caminhos para a revolução


Muitas pessoas dizem que o Brasil só tem jeito através de uma revolução. E essas pessoas realmente estão certas. Só uma atitude profundamente revolucionária salvará o Brasil dessa loucura toda que estamos vivendo. Mas o problema todo aqui é um só: quando e como fazer uma revolução?

E se fizéssemos uma revolução agora?
Se um bando de guerrilheiros tomar o poder hoje com a proposta de reverter as reformas golpistas e governar em prol da igualdade, da justiça social e do nacionalismo, pode ter absoluta certeza de que eles serão arrancados do poder em poucas horas. E a população trabalhadora será a primeira a hostilizar uma revolução de esquerda. Isso por duas razões. Primeiro que o povo está completamente alienado devido à lavagem cerebral cultural e midiática. E segundo que as nossas oligarquias juntamente com os EUA acionariam todos os recursos disponíveis para conter a revolução. A mídia burguesa atacaria 24 horas por dia os revolucionários e instigaria um levante da população contra o novo governo. Os EUA entrariam em seguida com apoio militar e logístico para lutar ao lado das forças armadas brasileiras contra o governo revolucionário. A revolução não passaria de um levante frustrado que só serviria para justificar uma nova ditadura fascista que viria em seguida como resposta. E, dessa maneira, toda a esquerda seria criminalizada e jogada para a clandestinidade por décadas mais uma vez.
Este não é um bom momento para revoluções. Uma revolução só seria viável se, primeiro, tomássemos algumas medidas que preparassem o terreno para tal. E essas medidas passariam obrigatoriamente por reformas em dois setores fundamentais controlados pela burguesia.


Duas frentes de combate: a mídia e a educação
Todas as grandes revoluções tiveram um trabalho ideológico muito forte por trás delas para trazer a população para o seu lado. No caso do Brasil, precisaríamos primeiro desalienar as pessoas, especialmente a classe proletária. E esse trabalho só pode ser feito destravando dois setores controlados a rédeas curtas pela burguesia que são a mídia e a educação.

A mídia brasileira é controlada por meia dúzia de oligarcas que fazem conluio com a alta burguesia plutocrata nacional e internacional. A solução para destruir esse monopólio da informação controlado pela burguesia é justamente a tão falada democratização dos meios de comunicação de massa. Sem uma mídia plural com espaço para o contraditório, será impossível qualquer deslavagem cerebral. Precisamos de mais canais, jornais e emissoras de cunho progressista para mostrar o outro ponto de vista da história e da realidade.


Já a educação brasileira é voltada para criar técnicos e profissionais especializados. O que aprendemos na escola é basicamente a decorar fórmulas, datas e conceitos para concorrer a uma vaga no mercado de trabalho no futuro. Nós não temos no Brasil uma educação que estimule o pensamento crítico, que ensine noções fundamentais de política ou legislação, que ensine cidadania, direitos e deveres. A nossa educação é totalmente controlada pela burguesia e pelo pensamento capitalista. Não se desenvolve uma consciência social, uma consciência de classe ou uma consciência humanitária no nosso atual sistema de ensino. E como parte da burguesia sente que a internet está despertando justamente esse senso crítico e pluralista em muitas pessoas, então começaram a surgir ideias e propostas absurdas para controlar e censurar a educação e a arte. Além da direita reacionária associar a arte progressista à degeneração dos costumes, também está implantando medidas autoritárias como a "escola sem partido" para atacar todo e qualquer pensamento subversivo. Esse avanço truculento da direita é, em parte, desespero, porque o sistema capitalista está em crise e o zeitgeist (espírito da época) está mudando. E a educação precisa acompanhar essa mudança.

O fator patriótico
Mesmo se a educação fosse libertadora e se a mídia fosse regulamentada, ainda teríamos empecilhos graves a qualquer pensamento revolucionário. O mais grave de todos é a nossa submissão econômica e cultural aos EUA. Para os EUA, já basta ter que aturar o crescimento da China. Imagine então aturar o crescimento de outra superpotência bem no seu quintal... Então seria necessário também criar uma visão profundamente nacionalista e patriota do Brasil para desconstruir esse nosso complexo de vira-latas. Ser patriota, ao contrário do que dizem alguns "bundas sujas" por aí, não é "combater o comunismo". Ser patriota é defender a nossa soberania, o nosso povo, as nossas riquezas, a nossa cultura, a nossa tecnologia e criar símbolos nacionais dos quais possamos nos orgulhar. O Brasil precisa pensar alto e ser independente. Não temos as dimensões geográficas e a riqueza que temos para ser um país subdesenvolvido e explorado.

O fator internacional
O Estado burguês, da forma como está consolidado no país, não permite que as vozes das massas sejam ouvidas diante do lobby e do poder do dinheiro. Isso torna reformas na educação e na mídia praticamente impossíveis de serem feitas. E a saída para esse travamento interno é internacional. O mundo está passando por um período de turbulência geopolítica muito forte. São golpes na América Latina (Brasil e Paraguai), golpes no Oriente Médio (Arábia Saudita), golpes na África (Zimbábue), tensão nuclear na Coreia, extrema-direita crescendo no mundo, disputas brutais na Síria, Estado Islâmico em evidência... E desde as eleições de Donald Trump que os EUA também estão atravessando certa instabilidade. Essa instabilidade – além de indicar um abalo no sistema capitalista – aponta para o risco iminente de uma mudança na conjuntura geopolítica global. Se essa mudança ocorrer, é possível que ocorram novas revoluções pelo mundo, inclusive nos próprios EUA. E como tudo que ocorre nos EUA costuma ser "imitado" pelo resto do mundo, esta poderia ser a oportunidade ideal para fazer uma mudança profunda na nossa política. Somente assim teríamos condições de sair dessa sinuca de bico rumo a um país melhor. Além disso, temos que fazer alianças com potências que não compactuam com o imperialismo, tais como Rússia e China.


O fator decisivo
Com a maior parte da população desalienada e com o Brasil realmente independente, aí, sim, seria possível um trabalho político e ideológico nas ruas, na web, nas universidades, na imprensa, nos sindicatos e até nas forças armadas para que as pessoas entendam a necessidade da mudança. Somente aí é que haveria a possibilidade de se fazer uma revolução.


Tudo isso que foi proposto não foi para fazer uma revolução sangrenta, mas sim para fazer uma revolução que torne o Brasil um país digno para todos os brasileiros – e não apenas para oligarquias rentistas que odeiam o próprio país. Só nos tornaremos uma democracia quando a nossa população tiver consciência política e souber defender os seus interesses e os seus direitos. É preciso romper com o pensamento colonial, escravista, elitista e individualista para que possamos construir uma nação verdadeiramente justa e inclusiva.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Pare de achar que os EUA são uma democracia!


Eu discuti, recentemente, lá nos comentários de um vídeo no YouTube, com um cidadão que defendia veementemente a intervenção dos Estados Unidos da América nos países tomados por "ditaduras". Ingenuamente, esse cidadão disse que os EUA "salvaram" o Brasil de uma ditadura comunista em 1964 e que devem fazer o mesmo para destruir as ditaduras "comunistas" da Coreia do Norte e da Venezuela. Diante dessas alegações tragicômica, eu não resisti e comprei a briga com o sujeito.

O mundo que a direita vive.

Não vou entrar na discussão que tive lá sobre o caos que os EUA provocaram no oriente médio, sobre o embargo que faz contra Cuba e sobre as sanções aplicadas contra países "rebeldes". Vou direto ao ponto que fechou a nossa discussão. Os EUA são a maior ditadura do planeta e ponto final. Os EUA são, em primeiro lugar, uma ditadura contra o resto do mundo, porque os países que não seguem suas exigências ou são invadido militarmente, ou sofrem golpes de Estado, ou sofrem retaliações econômicas. E, em segundo lugar, os EUA NÃO são uma democracia. O que temos nos EUA é uma ditadura oligárquica controlada pela alta burguesia. As eleições de lá são uma farsa repleta de fraudes eleitorais e completamente manipuladas pelas oligarquias. O povo norte-americano está sob um dos regimes ditatoriais mais cruéis do planeta, porque ele não oferece saúde, educação e ainda cria a ilusão de liberdade. Sem dinheiro, você não tem liberdade para fazer praticamente nada nos Estados Unidos.

A situação dos EUA é tão crítica, que ações drásticas tiveram que ser tomadas para afastar a possibilidade de um político socialista disputar as eleições presidenciais contra o politicamente incorreto Donald Trump. O discurso socialista de Bernie Sanders simplesmente abalou a América. Mas como aquilo lá é uma ditadura controlada pelos bancos e demais setores da alta burguesia, então preferiram um Donald Trump na presidência do que um socialista. O medo de uma revolução por lá foi tão grande que um plutocrata em pessoa resolveu dar as caras para negociar com a classe média.

Que o socialismo salve a América!

E aqui no Brasil não é muito diferente. As oligarquias daqui são subordinadas às oligarquias de lá. Somos uma ditadura pior ainda que a dos EUA, porque as oligarquias daqui sequer são patriotas. A semi-democracia representativa em que vivemos fere princípios básicos da Constituição de 1988, como bem disse o professor e jurista Fábio Konder Comparato. A democracia, como conhecemos, não passa de um sepulcro caiado. Quer democracia de verdade, santa? Então lute para o povo estar de fato no poder.

E você aí feito um trouxa achando que somos "livres". Rarará!

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Itália fora da Copa


Eu confesso que até agora não caiu a ficha de que a tetracampeã mundial Itália não vai disputar a Copa de 2018. Para mim, essa foi uma notícia inacreditável, porque eu não consigo imaginar uma Copa do mundo sem a Itália. A seleção italiana foi a terceira seleção que mais participou de mundiais na história ficando atrás apenas de Brasil e Alemanha. Sua última ausência em copas foi há quase 60 anos atrás, em 1958. Ninguém das gerações x, y e z viu uma Copa sem a Squadra Azzurra. Uma Copa sem a Itália é, na minha opinião, uma Copa incompleta, mutilada. É claro que outras grandes seleções desclassificadas como a Holanda e o Chile também farão falta, mas a ausência de uma campeã é sempre uma lástima que empobrece o mundial.
O lado bom disso é que o futebol italiano certamente passará por uma renovação para tirar a seleção dessa má fase que vem desde 2010. Também é bom para o Brasil, porque somente a Alemanha poderá alcançar o Brasil em títulos mundiais. Mas no contexto geral, a ausência da Itália é, no mínimo, uma lástima.