segunda-feira, 16 de outubro de 2023
Chegamos cedo demais para a festa da vida no universo
domingo, 15 de outubro de 2023
O universo é mesmo encantador
Se você é um terráqueo bem informado, deve saber que tivemos ontem um
raro eclipse solar anular visto das Américas. Esse foi o terceiro
eclipse solar que presenciei na vida. Pena que não pude acompanhar ao
vivo, porque estive muito ocupado com meus afazeres domésticos. E mesmo
que quisesse ver, não teria como, porque eu moro num buraco cercado de
prédios por todos os lados. E o eclipse ainda ocorreu no finalzinho da
tarde que, no nordeste, já é quase noite. Enfim, o fato foi que ele
passou praticamente batido para mim. Mas isso não tira a beleza única de
um evento raro como um eclipse solar. Aliás, eu tenho uma
paixão por eclipses, porque além deles refutarem ideias birutas como
as da Terra plana, ainda nos mostram como é surpreendente o nosso lugar
no cosmo. Ora, vivemos em uma enorme bola rochosa que é orbitada por
outra bola menor (lua) que orbitam juntos uma enorme esfera de fusão
nuclear. E da dança cósmica desses três corpos saem fenômenos
deslumbrantes como os eclipses. Somos espectadores de um verdadeiro
teatro cósmico. E há muitas outras coisas incríveis lá fora, tais como
quasares, supernovas, nebulosas, buracos negros e fusão de galáxias em
um encantador balé cósmico. Apesar do universo por si só não fazer
sentido existencial, temos que admitir ele nos desperta encantamento e
curiosidade sem precedentes. Afinal, nós somos a parte viva e consciente
desse universo, porque somos feitos da mesma matéria das estrelas. Isso
é profundamente espiritual e filosófico. É por isso que eu amo tanto a
astronomia.
terça-feira, 15 de agosto de 2023
Iremos encontrar vida extraterrestre ainda neste século
Desde que os seres humanos descobriram o seu real lugar no espaço cósmico que a especulação a respeito da vida fora do nosso planeta passou a fazer parte do imaginário popular. Afinal, se há vida aqui, por que não poderia haver também em outros lugares, já que o universo é extremamente gigantesco? De todas as possibilidades de contato extraterrestre, o lendário Sinal Wow, captado pelo radiotelescópio Big Ear em 1977, é o melhor candidato a evidência de tecnoassinatura alienígena. Isso porque ele foi enviado na frequência de 1420 MHz, que é justamente a frequência da linha do hidrogênio. Essa frequência é exatamente a esperada a ser transmitida por ondas de rádio de uma civilização extraterrestre. De todas as explicações para o Sinal Wow, a de contato extraterrestre é a melhor segundo as evidências observadas. Isso, claro, não prova que foram ETs que enviaram o sinal, mas existe a possibilidade real dela ter realmente origem extraterrestre.
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| Imagens como essa um dia serão possíveis. |
O fato é que não podemos ficar dependendo da sorte para achar vida fora da Terra. Só poderemos ter certeza quando apontarmos nossos telescópios para a origem do Sinal Wow e ver o que tem lá. Apesar de já termos ao nosso alcance telescópios poderosos como o James Web que – diga-se de passagem, já é capaz de ver diretamente exoplanetas – precisaríamos de um telescópio muito mais potente para ver detalhes de exoplanetas rochosos semelhantes ao nosso. Já existe um projeto de usar o nosso Sol como lente gravitacional para observar até mesmo os continentes de exoplanetas, mas isso irá levar algumas décadas para ser colocado em prática. A expectativa é que ainda no século XXI tenhamos condições de enxergar diretamente a biosfera de planetas extraterrestres na nossa vizinhança cósmica. Já imaginou o privilégio que seria em fazer parte da primeira geração de seres humanos a descobrir a resposta para uma das perguntas mais inquietantes da nossa história?
Quem viver, verá.
terça-feira, 27 de junho de 2023
Será que o nada realmente existe?
Sempre achei a existência do nada um grande paradoxo. Honestamente falando, acredito que o "nada" não existe da forma como costumamos pensar. Não há como a 'não existência' existir do ponto de vista da evidência empírica. A ausência absoluta de qualquer coisa (de tempo, espaço e matéria) é uma contradição teórica, porque essa ausência é, de certa forma, alguma coisa também. É como tentar imaginar o que é um metro cúbico de nada. Se há espaço, conceitualmente, há algo, mesmo que este algo seja um vazio perfeito. Acho que o cosmo é apenas um dos infinitos estados transitórios que o universo ocupa a cada ciclo que atravessa durante a eternidade. O nada é algo meramente teórico, já que a existência dele anularia qualquer possibilidade de coisas existirem do ponto de vista da relação de causa e efeito. A menos, claro, que o nada seja imperfeito e possa gerar flutuações quânticas de vácuo capazes de produzir instabilidades existenciais espontâneas. Eis aí o paradoxo. Será que isso não teria sido a causa do que chamamos de Big Bang?
Claro que esse raciocínio pode parecer apenas uma variação panteísta do argumento cosmológico ou do princípio antrópico. Mas o fato é que o universo mostra através de suas leis e constantes que independentemente de existirem multiversos ou da nossa realidade ser uma simulação de uma super inteligência artificial futurista, há algo que sempre existiu e que coloca a hipótese do nada como algo paradoxal e talvez até mesmo impossível. Afinal, como o nada pode gerar outra coisa a não ser ele mesmo sem deixar de ser um nada?
domingo, 16 de abril de 2023
Achar vida lá fora não é tão fácil assim
Existe um otimismo exagerado nos seres humanos quando o assunto é vida fora da Terra. Sempre achamos que há uma infinidade de civilizações pacíficas querendo dividir o conhecimento conosco pelo cosmo. Esse otimismo vem da nossa própria natureza gregária e do desconforto que o silêncio e que a imensidão dos universo nos causa. O problema é que a realidade pode ser muito diferente daquilo que sonhamos em nossos devaneios saturados de wishful thinking.
Ultimamente, tenho visto notícias animadoras para quem está louco para encontrar algum extraterrestrezinho, como aquela de que existem até 6 bilhões de planetas semelhantes à Terra só na nossa galáxia. Só que essas notícias tem um porém: tudo não passa de um chute otimista dos pesquisadores, porque não há evidência alguma de qualquer forma de vida fora da Terra. Não basta apenas termos um planeta rochoso orbitando na zona habitável de sua estrela. Existem muitas e muitas variáveis aí, sendo que muitas delas são absolutamente desconhecidas para nós. Entre essas variáveis, podemos incluir a massa do planeta, seu período orbital, a presença de uma lua massiva na distância certa, a metalicidade do sistema solar, a zona habitável da galáxia, a presença na quantidade certa de água, o tipo de estrela e até a presença de planetas gigantes gasosos em órbitas específicas. Isso porque eu nem considerei outros pontos fundamentais, como extinções em massa e a probabilidade desconhecida da vida surgir espontaneamente. É possível, sim, que estejamos sós no universo, porque não sabemos quase nada sobre esse universo gigantesco que nos cerca. Se a chance da vida surgir for insanamente baixa a ponto de nem todos os planetas do universo serem suficientes para fazer valer a Lei dos Grandes Números, então é praticamente certo que a Terra é a maior exceção probabilística do universo.
Claro que existe o outro lado da questão: e se houver, de fato, vida em outros lugares além do nosso planeta? Neste caso, levando em consideração a escala do cosmos e as distâncias colossais entre as estrelas, é praticamente impossível para qualquer forma de vida do universo encontrar vida em outros planetas fora de seu sistema solar. Viajar pelo cosmo exige uma quantidade inimaginável de energia e tempo. Já entrar em contato com outras civilizações por ondas de rádio é uma tentativa praticamente inútil. Enxergar bioassinaturas em exoplanetas também é uma missão quase impossível devido às distâncias astronômicas. Então mesmo que não estejamos sós, provavelmente nunca saberemos a verdade. A menos, claro, que algum dia a ciência nos ofereça uma maneira de resolver esse questionamento através de métodos ainda não descobertos por nós.
domingo, 24 de julho de 2022
Entrar em contato com aliens pode ser suicídio
Já escrevi em outras postagens os porquês pelos quais as pessoas deveriam tomar mais cuidado ao criar uma conta "gratuita" nas redes sociais. Afinal de contas, nessas redes você expõe para quem quiser ver quem você é, sua vida, onde você mora, seu cotidiano, seus parentes, seus gostos, suas opiniões políticas, sua orientação sexual, seus medos, sua dieta, seu treino, lugares onde você foi e, não bastasse tudo isso, TODAS as suas informações são comercializadas entre empresas parceiras da rede social. Isso é MUITO perigoso, porque você não sabe quem pode estar te observando e nem as intenções dessas pessoas. Você pode estar sendo 'stalkeado' por pessoas perigosas sem nem desconfiar. É por isso que eu praticamente sumi das redes sociais. Mas há algo nessa linha que eu considero ser muito mais perigoso que as próprias redes sociais.
Talvez muita gente não saiba, mas, no longínquo ano de 1974, a humanidade embarcou numa arriscada exposição de dados através da famigerada Mensagem de Arecibo. Essa mensagem foi um sinal de rádio extremamente potente que os cientistas enviaram para o espaço sideral informando quem nós somos, onde vivemos, nossa aparência, nossa composição química, nosso DNA e até a nossa base numérica. Essa mensagem foi enviada com a intenção de mandar um "olá" para possíveis extraterrestres inteligentes no aglomerado globular de Hércules a cerca de 25 mil anos-luz, onde contém aproximadamente 300 mil estrelas. Claro que essa mensagem vai levar 25 mil anos para chegar até lá, mas isso coloca toda a humanidade em risco desde já, porque alguma espécie alienígena inteligente hostil pode interceptar este sinal antes e sabe-se lá o que eles podem fazer com nossas informações (e conosco). Para se ter uma noção do risco, se por acaso eles não entenderem o sinal (coisa que não é difícil de ocorrer), isso pode ser encarado até como uma ameaça pelos aliens. E daí que eu não quero nem pensar no que pode acontecer como retaliação. Já se eles entenderem a mensagem, quem garante que eles não usarão nossas informações contra nós mesmos por motivos que jamais conheceremos?
A grande loucura de enviar mensagens pelo espaço é que se houver vida lá fora, não temos a mínima ideia de como ela é e do que ela é capaz de fazer. Até a comparação com as redes sociais fica inocente demais neste caso, porque a coisa vai bem mais além. É semelhante a você enviar seus documentos, seu smartphone desbloqueado e as senhas do seu cartão para um estranho e achar que isso não será arriscado. O grande erro da humanidade é enxergar os aliens com se eles fossem parecidos conosco, usando nós mesmos como referência de inteligência. Se os ETs forem muito mais evoluídos e avançados tecnologicamente, eles serão mais poderosos que qualquer deus ou super herói imaginado pelo ser humano. Não seria exagero que eles nos vissem como seres tão relevantes quando baratas são para nós: baratas implorando para serem pisoteadas.
sábado, 2 de julho de 2022
O que existia antes do Big Bang?
Uma das coisas que eu sempre me questionei é por que o universo tem exatamente 13,7 bilhões de anos. Por que ele não tem 20 bilhões, 100 bilhões ou 100 trilhões, mas exatamente esses 13,7 bilhões? O que aconteceu antes do Big Bang para que ele ocorresse naquele momento exato? É a busca por respostas como essa que a ciência se desdobra e evolui. O que sabemos hoje sobre o que podia existir antes do universo se expandir está totalmente ligado a hipóteses puramente especulativas. Isso porque, talvez, a relação de causa e efeito não existisse antes do Big Bang e as leis da física fossem bem diferentes. Temos hipóteses que vão desde o choque de branas pandimensionais até o universo cíclico onde o cosmo passa por ciclos infinitos de expansão e contração. Há também a hipótese da simulação que diz que vivemos numa espécie de The Sims (ou Spore) do futuro e que o Big Bang teria sido apenas o Big Boot desse jogo/sistema.
Enfim, o fato é que não podemos enxergar a origem do universo de forma dogmática como alguns cientistas mais céticos parecem encarar os hipotéticos eventos pré Big Bang. Dizer que não havia coisa alguma antes do Big Bang e ponto é muito vago e simplista. Afinal de contas, nada vem do nada. Isso seria o mesmo que perguntar onde é que você estava antes de ter sido concebido no útero da sua mãe e ter como resposta "não estava em lugar nenhum". Verdade que você não existia como pessoa antes de nascer, mas seus átomos e moléculas já existiam, sua mãe existia e as leis da natureza que permitiram a sua existência também já estavam aqui. Você não veio do nada. No caso do universo, talvez algum estado quântico que não obedeça as relações de causa e efeito, tais como as flutuações quânticas de vácuo, poderiam estar presentes antes do Big Bang e suas oscilações aleatórias numa escala infinita de tempo podem ter gerado o universo espontaneamente. Aliás, até hoje observamos partículas no vácuo do espaço-tempo sendo criadas e destruídas aparentemente do nada.
A singularidade que "causou" o universo antes mesmo da Era de Planck possivelmente existia de forma a armazenar toda a energia potencial que seria liberada no Big Bang. E essa energia pode ter sido liberada por eventos totalmente fora do escopo da ciência. Como é impossível acessar a informação de antes do espaço-tempo surgir, temos que deduzir as respostas através do que temos ao nosso alcance pelos olhos da ciência. Nunca é demais dizer que estamos lidando com os limites do nosso conhecimento, o que nos faz utilizar a filosofia para se questionar se a resposta para o que havia antes do Big Bang não pertence a um âmbito incognoscível à nossa superestimada mente primata. Se assim for, então talvez a resposta para essa pergunta não faça qualquer sentido lógico para nós – o que admito que seria muito frustrante. Mas, como bem digo, é ingênuo acreditar que o universo existe para ser compreendido por nós, uma vez que somos seres finitos tentando compreender a essência de algo que pode ser infinito.
Para saber mais:
BBC - Como era o universo antes do Big Bang?
quinta-feira, 19 de maio de 2022
Podemos ser a primeira civilização da galáxia
A semana passada foi bem agitada astronomicamente falando. Só para ficar nos dois eventos de maior repercussão, tivemos um eclipse total lunar com lua de sangue e a fotografia histórica do buraco negro super massivo do centro da nossa galáxia. Mas houve um fato relativamente recente que achei importante dar o devido destaque nas páginas deste bloguinho que é a real possibilidade da humanidade ser, de fato, a primeira civilização da Via Láctea ou, quem sabe, até mesmo do cosmo inteiro.
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| Estamos todos sós? |
O principal motivo que leva muitos cientistas a acreditarem que podemos ser a primeira civilização da galáxia é um fenômeno chamado de metalicidade cósmica. Este fenômeno refere-se à quantidade de átomos mais pesados que o hélio e o hidrogênio presentes no universo. Quanto mais o tempo após o Big Bang se passa, maior é essa metalicidade, porque mais estrelas morrem jogando átomos pesados no cosmo. As nebulosas que formam novos planetas, estrelas, luas e outros corpos celestes tornam-se cada vez mais densas com o tempo e essa maior densidade bariônica favorece o surgimento da vida como conhecemos. Segundo diversos estudos e cálculos, a metalicidade do universo só atingiu um valor mínimo possível para que moléculas orgânicas se formassem há cerca de 7 a 8 bilhões de anos atrás. E foi justamente neste período que o nosso sistema solar começou a se formar. O nosso sistema solar completou sua formação há cerca de 4,5 bilhões de anos, mas ele já existia em forma de nebulosa protoestrelar há aproximadamente 7,5 bilhões de anos. Ou seja: a Terra se formou bem no início do período que o universo se tornou propício ao surgimento da vida baseada no carbono.
Mas a possibilidade de sermos os primeiros não se baseia apenas na questão da metalicidade do cosmo. Temos também outro fator decisivo que é a hipótese da Terra Rara. Essa hipótese que cada dia mais ganha mais força diz que planetas com biosfera semelhantes ao nosso são extremamente raros no universo. Isso porque um planeta ter a composição química certa, com a massa certa, orbitando a estrela certa na distância certa, com uma lua do tamanho certo no lugar certo e em uma região relativamente tranquila da galáxia são fatores incomuns no cosmo. A maior evidência disso é que nunca encontramos nenhum exoplaneta semelhante a Terra entre todos os que catalogamos até hoje.
Se essa hipótese de sermos os pioneiros estiver correta, isso explicaria o porquê de nunca termos detectado tecnoassinaturas ou feito contato com outras civilizações. Não houve tempo para nenhuma civilização avançada além da nossa surgir, já que o universo é muito jovem. E caso realmente sejamos os primeiros, temos uma enorme responsabilidade, porque seremos nós os alienígenas do futuro que iremos dar boas vindas às próximas formas de vida inteligente que surgirem no cosmo.
Para saber mais sobre este tema:
Canaltch - Levaremos 200 milhões de anos para encontrar alienígenas.
Meiobit - Uma decepcionante resposta para o Paradoxo de Fermi.
terça-feira, 11 de janeiro de 2022
Determinismo cósmico
Algumas pessoas dizem que temos muita sorte de termos nascido em um universo perfeitamente alinhado em suas forças fundamentais para que a vida surgisse (teoria da Sintonia Fina). Mas eu discordo dessa visão. Não acho que a existência de um universo "perfeito" seja mero acaso. Creio que o universo não podia ser de outro jeito, porque universos sem sintonia fina entre suas constantes fundamentais se desintegrariam antes mesmo de formarem. Somos possivelmente fruto de uma espécie de "seleção natural cósmica" em um multiverso. Os únicos universos que prosperam são justamente os que têm as leis da natureza dentro do alinhamento que conhecemos. É como a soma interna dos ângulos de um triângulo em uma superfície plana. A soma dos ângulos sempre irá dar 180 graus, porque não existem triângulos que não sigam essa proporção. O mesmo se aplica ao cosmo. Não somos mero acidente. Como parte consciente do cosmo, somos exatamente a única possibilidade que poderia haver. E a vida é apenas uma consequência da maneira peculiar como os átomos de hidrogênio se alinharam ao longo de bilhões de anos.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2021
Dilema terraplanista
Entra ano e sai ano e os defensores da Terra plana continuam caindo nas mesmas contradições de sempre. Ora, se a Terra é plana, então por que os terraplanistas usam GPS? Se a Terra é plana, então por que comemoram o ano novo? Se a Terra é plana, como os robôs estão andando em Marte se o planeta vermelho é esférico? Se a Terra é plana, como explicar a paralaxe estelar? E a gravitação universal? Tem explicação?
Enfim, para as pessoas normais, eu desejo que o próximo ano – apesar das evidências contrárias – seja um pouco melhor do que foi essa tragédia chamada 2021. E nunca se esqueça que o mundo é o que fazemos dele. Portanto, faça o seu melhor. O poder está em suas mãos. Namastê!
quinta-feira, 13 de maio de 2021
O universo não existe para ser compreendido por nós
Após pensar muito, cheguei à conclusão de que o cosmo não existe para ser plenamente compreendido por nós, humanos. Ora, nós somos seres finitos, perecíveis, limitados biologicamente a sentir e assimilar o que importa, de fato, para a nossa sobrevivência como animais sobre este planeta. O universo sempre será incognoscível tanto para nós quanto para qualquer outra forma de inteligência que surgir no universo pelo fato da vida ser moldada para lidar com uma realidade local e objetiva. Mas vamos focar no caso dos humanos.
Os seres humanos são uma espécie primata tribal que luta contra seus próprios instintos para não se autodestruir. Somos, por questões de evolução e seleção natural, limitados pelo que nosso cérebro é capaz de fazer e compreender. Cálculos não intuitivos envolvendo a Teoria do Caos e a desconexão na relação de causa e efeito fora do universo sequer fazem sentido na nossa mente. Possivelmente, existem coisas de um nível de complexidade tão perturbador para mente humana que não somos capazes sequer de imaginar que existam ou como funcionem. Não evoluímos para compreender o que havia antes do Big Bang ou sobre como predizer realidades que não estejam ocorrendo sob as leis da física. Nós evoluímos mesmo para escapar de predadores, caçar, coletar, encontrar parceiros e cuidar dos nossos descendentes.
Imagine uma matemática tão complexa que ela sequer faz sentido na nossa humilde mente primata. Há coisas que simplesmente não fomos "feitos" para compreender. Sempre precisamos limitar realidades complexas demais para poder compreendê-las. Nós humanos temos a impressão errada de que somos o auge da inteligência do planeta e do cosmos, e que tudo está ao alcance dos nossos conhecimentos. Esse complexo de superioridade especista é que nos torna escravos da nossa cegueira existencial. Não digo, com isso, que não devemos nos abstrair ou procurar entender o porquê das coisas. O que me parece óbvio é que sempre iremos esbarrar nos limites cognitivos que a natureza nos deu antes de entendermos eventos sem sentido para nós, como, por exemplo, os paradoxos da mecânica quântica. Porém, não devemos viver as nossas vidas frustrados por não sabermos de tudo. A dúvida é nossa aliada na busca pelo saber.
Apesar disso tudo, algumas conclusões sobre o universo me parecem simples e óbvias por estarem ao alcance da nossa razão. A primeira é que o nada – no sentido da ausência total de qualquer coisa – não pode existir objetivamente. Isso porque ele não gera outra coisa a não ser ele mesmo. Se o nada existisse, coisas não podiam existir. Neste caso, tudo seria nada. A segunda conclusão é que o universo não deve ser uma simulação em supercomputadores como muitos pensam. Simular o universo inteiro seria impossível, porque não há como algo menor que o universo a nível de informação gerar algo maior e mais complexo que si mesmo. Simulações só seriam possíveis em escalas cósmicas muito pequenas, como a de uma galáxia ou de um grupo local de galáxias, colocando o resto do universo apenas como pano de fundo inacessível.
Partindo dessas duas conclusões, eu deduziria que o nosso universo é parte
de algo infinitamente maior: o multiverso. E não apenas isso,
provavelmente, devem existir camadas infinitas de multiversos se
sobrepondo e gerando outros universos eternamente. E isso sempre
existiu e sempre existirá, porque como o nada não existe, tudo o que
pode existir é uma sucessão infinita de dimensões paralelas impossíveis
de se mensurar.
Portanto, a ideia de simulação cósmica e de Big Bang ocorrendo do nada são conclusões antropocêntricas que, a meu ver, contrariam a lógica. Mesmo após o fim da distante era dos buracos negros (daqui a trilhões e trilhões de anos), o universo não irá desaparecer, irá apenas se transformar em algo diferente e sua essência incognoscível irá permanecer intacta. Isso tudo mostra apenas o quanto somos pretensiosos quando tentamos moldar o cosmo às nossas expectativas existenciais.
segunda-feira, 10 de maio de 2021
O Paradoxo de Fermi não é um paradoxo
O Paradoxo de Fermi, para quem não sabe, é a aparente contradição entre a alta probabilidade de existência de vida extraterrestre e a falta de evidências ou contato com as mesmas. O problema desse suposto paradoxo é que ele não se baseia em evidências, mas, sim, em premissas fantasiosas. Hoje, conhecemos mais de 4200 exoplanetas e nenhum, repito: NENHUM deles tem a menor condição para abrigar sequer formas simples de vida. O que o universo parece gritar o tempo inteiro na nossa cara é que somos especiais, praticamente únicos na nossa galáxia. Apesar de existir uma espécie de sintonia fina no cosmo que favorece o surgimento da vida baseada no carbono, há também uma constante hostilidade do universo para com a vida. É como se a vida fosse um fenômeno incomum e ao mesmo tempo indesejado no universo. Afirmo isso porque o universo está o tempo inteiro tentando nos matar com asteroides, cometas, erupções de raios gama, explosões de supernova, catástrofes naturais, doenças, radiação cósmica e dezenas de outras tentativas de assassinato que todas as formas de vida recebem constantemente. E aí, neste contexto ameaçador e altamente desfavorável, querem que extraterrestres façam contato conosco... Ora, por favor, tenhamos um pouco de coerência.
Não há civilizações extraterrestres lá fora que possam fazer contato conosco. Ou elas nunca existiram, ou existiram por pouco tempo e foram extintas há milhões de anos. Claro que quando eu digo que não há vida inteligente lá fora, estou me referindo ao nosso grupo local de galáxias ou, pelo menos, à Via Láctea. Não posso afirmar o mesmo com relação ao resto do universo pelo fato de que nós nem sabemos ao certo o seu real tamanho. Mas o fato óbvio é que a vida inteligente é raríssima e fruto de uma sequência de eventos improváveis. Se não fosse pela queda do asteroide que matou os dinossauros e um breve período de estabilidade posterior, por exemplo, nós jamais teríamos existido.
Na minha humilde opinião, a hipótese da Terra Rara é a melhor explicação pela qual nunca fizemos e nunca faremos contato. Não acredito que possam existir dois planetas como a Terra tão próximos no universo. Somos fruto de uma grande loteria cósmica e temos muita sorte por existir.
domingo, 20 de setembro de 2020
Parece que não estamos sós no universo
Qualquer pessoa que não viva em outro planeta já está sabendo a essa altura que o planeta Vênus tornou-se um forte candidato a abrigar vida alienígena depois da descoberta da bioassinatura de fosfina em sua atmosfera superior. Apesar das temperaturas infernais e da pressão atmosférica brutal, o planeta Vênus pode, veja bem: PODE conter formas simples de vida que estejam produzindo a tal fosfina. Ainda não são conhecidas todas as formas possíveis de produção de fosfina que podem existir, podendo a sua fonte vir de um fenômeno não biológico que indicaria um alarme falso de vida no planeta conhecido como estrela D'alva.
Ok, essa parte da notícia já foi reverberada à exaustão por aí. Mas o ponto que eu gostaria de chamar atenção é que o nosso sistema solar possui dois planetas telúricos (rochosos) na sua zona habitável: Terra e Marte. Apesar de haver algumas discordâncias, conceitualmente, se considera que Vênus está fora da zona habitável por estar perto demais do Sol. Ora, se em um planeta FORA da zona habitável temos a possibilidade real de ter vida ainda que muito simples, o que poderíamos dizer então do resto do universo? Já foram descobertos vários planetas extrassolares na nossa vizinhança galáctica que estão na zona habitável. E em todo o universo há um número incalculável de planetas semelhantes ao nosso na zona habitável de seus sistemas solares. Se você saca um pouquinho só de probabilidade e sabe que há mais estrelas no céu do que grãos de areia na Terra, deve chegar na mesma conclusão que eu: certamente NÃO estamos sozinhos no universo. Ainda mais porque há sistemas solares bem mais antigos que o nosso orbitando estrelas que possuem um tempo de vida muito maior que o nosso Sol.
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| Zonas habitáveis dos planetas. Note que Vênus está fora. |
Só que essa coisa toda de vida fora da Terra não tem nada a ver com esses avistamentos de OVNIS e desenhos gabaritados nas plantações de trigo da Inglaterra. Vida complexa, inteligente e capaz de desenvolver tecnologia demora muito tempo para surgir e depende de muitos fatores aleatórios ocorrendo em momentos certos da evolução. Aqui na Terra, por exemplo, se o asteroide que matou os dinossauros não tivesse caído há exatamente 65 milhões de anos, muito provavelmente eu e você não existiríamos. A árvore da vida poderia ter seguido outra ramificação e os répteis ou as aves talvez tivessem dominado o mundo. Uma espécie com um cérebro que consome 20% da energia corporal, com um polegar opositor perfeitamente assimétrico e perfeitamente adaptada ao ambiente só existiu uma vez no nosso planeta em 4,5 bilhões de anos. E olha que já tivemos um número gigantescos de espécies na história do nosso planeta. A chance de nós, humanos, termos existido é extremamente baixa. Somos um verdadeiro milagre cósmico.
O que eu quero dizer com essa conversa toda é que é quase certo que há vida lá fora, mas vida capaz de desenvolver uma civilização tecnológica é quase impossível. Então o único jeito que temos de saber se estamos sós ou não no universo é indo para outros mundos para fazer contato imediato de terceiro grau com micróbios alienígenas.
quinta-feira, 13 de agosto de 2020
O que uma mensagem extraterrestre nos diria?
Ao tirar um cochilo na manhã de hoje, eu tive um sonho muito curioso. Eu havia sonhado que a humanidade, finalmente, havia captado uma evidência da existência da vida inteligente fora da Terra. Essa evidência veio da maneira mais óbvia e esperada possível: através de ondas de rádio com pulsos sequenciais que formavam um código binário. A mensagem foi recebida com cautela pelos cientistas, porque, ao montar a mensagem, ela parecia ser algo feito por um estudante do ensino médio. A mensagem alienígena consistia em algo como um plano cartesiano com uma curva parabólica com a concavidade para baixo onde ela terminava em vários círculos concêntricos, como se fosse uma espécie de explosão. No primeiro momento, os cientistas debateram se não seria algum "alfabeto alienígena" ou alguma mensagem enigmática com algum sentido oculto. Mas o que se concluiu é que esta mensagem estava fora de contexto, ou seja: foi apenas uma parte de alguma mensagem maior mandada por pedaços. Outras mensagens com saudações ou orientações possivelmente já tinham sido enviadas antes para nós, mas não tínhamos tecnologia para poder recebê-las quando chegaram aqui há 200 ou mais anos atrás. Foi aí então que eu acordei desse sonho.
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| Gráfico da mensagem recebida pelos radiotelescópios |
Depois de acordar, eu fiquei pensando a respeito da mensagem alienígena do sonho e notei uma coisa interessante nela: a sua semelhança com os gráficos sobre a expansão do universo. Logo abaixo segue um gráfico tirado da Wikipedia a respeito da taxa de expansão cósmica que se assemelha com o início do gráfico que vi no meu sonho.
A minha conclusão foi que a suposta civilização alienígena que entrou em contato com a humanidade no meu sonho estava nos enviando uma espécie de spoiler sobre o fim do universo. Neste gráfico enviado pelos extraterrestres estava a descrição de como a energia escura vai se comportar ao longo da existência do universo até o seu fim. O gráfico dizia que a expansão do cosmos vai parar de acelerar e depois regredir até tudo terminar num Big Crunch (universo fechado). Os ETs estariam nos dando uma resposta sobre o que a ciência avançada deles havia concluído sobre um dos maiores mistérios da cosmologia moderna.
Se a mensagem alienígena onírica fosse verdadeira, isso significaria basicamente duas coisas. A primeira é que aquele famoso vídeo do destino do universo (que causou crise existencial em muita gente) estaria errado, já que ele trata do fim do universo no caso da inflação cósmica continuar para sempre. A segunda coisa é que os alienígenas de verdade, se é que eles existem, ao invés de fazer desenhos engraçados em plantações, abduzir vacas e se esconder em moitas dizendo "busque conhecimento" iriam nos contactar de maneira séria para enviar mensagens importantes de interesse para todas as civilizações do cosmos.
Por fim, é claro que essa foi a minha interpretação da mensagem/gráfico que podia estar se referindo, claro, a outras coisas muito mais complexas sobre elementos do cosmos que ainda nem descobrimos. Ou podia ter sido, talvez, o alerta para uma supernova perigosa próxima ao nosso sistema solar. Ou, quem sabe ainda, instruções para construir algum equipamento ou até mesmo a localização do planeta dos nossos irmãos cósmicos na Via Láctea. Essas suposições todas só mostram como seria difícil manter contato com uma civilização extraterrestre e compreender as suas mensagens.
É por tudo isso que acho que jamais faremos contato com civilizações alienígenas, porque, se elas existirem, ou terão receio de se comunicar conosco, ou nos acharão inferiores demais para compreender sua linguagem e tecnologia. Sem falar nas distâncias colossais entre os mundos que praticamente inviabilizaria qualquer contato.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
Betelgeuse está agonizando
Nunca uma estrela causou tanto alvoroço em nossa história recente quanto a estrela Betelgeuse tem causado nas últimas semanas. Quase todos os portais de notícia estão falando sobre ela e muito tem se comentado sobre a mesma na internet inteira. Tudo isso por uma razão simples: a estrela está prestes a explodir a qualquer momento numa supernova. E não será uma supernova qualquer, será uma supernova relativamente próxima da Terra (cerca de 650 anos-luz de distância do Sol) que ocorrerá na estrela mais importante da constelação mais famosa (Constelação de Orion) vista da Terra. Isso sem falar que Betelgeuse é uma das vinte estrelas mais brilhantes do céu visível a olho nu. Isso dá uma ideia do porquê de tanto frisson a respeito deste astro.
Até hoje ocorreram pouquíssimas explosões de supernova observadas na nossa galáxia desde a invenção do telescópio e nenhuma delas ocorreu tão perto da Terra. Se a estrela supergigante vermelha Betelgeuse realmente explodir, em seu lugar no céu surgirá um brilho tão radiante quanto o da lua cheia, podendo ser visto até pela manhã.
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| Betelgeuse fica logo acima do cinturão de Órion (Três Marias) |
O que causou todo esse hype sobre essa estrela foi a oscilação em sua magnitude e a detecção de ondas gravitacionais típicas de supernovas próximas de onde fica a estrela – sinais esses dados normalmente por uma estrela pouco antes de sua morte. E isso está acontecendo justamente durante o período final de existência dessa estrela supermassiva que terminará seu ciclo de vida explodindo. O problema é que apesar da estrela estar próxima de explodir, essa explosão (que já pode até ter ocorrido) poderá levar até 100 mil anos para acontecer. Isso porque na escala do cosmos, 100 mil anos é um período de tempo muito curto e não há como ser exato sobre em que ponto específico do tempo a estrela vai morrer.
A minha torcida é que a supernova ocorra em, no máximo, algumas décadas, para que eu possa fazer parte da sortuda geração que vai presenciar a explosão de uma supernova na nossa própria galáxia. E isso seria um fato histórico quase tão relevante quanto o de encontrar vida fora da Terra.
sexta-feira, 19 de julho de 2019
Quando o dia virou noite e quando a noite virou dia
Hoje, o blog Ideias Embalsamadas está completando 8 anos. E para comemorar esta data, vou tocar num assunto que eu amo e que foi recorrente no início deste bloguinho: astronomia.
Neste mês de julho, tivemos a oportunidade de assistir a dois eclipses parciais: um solar, no dia 2, e um lunar, no dia 16. E estes dois eventos astronômicos me lembraram de uma situação curiosa que ocorreu algumas vezes no nosso planeta: a troca do dia pela noite e vice-versa. Sim, já aconteceu da manhã escurecer como a noite e da noite ficar quase tão clara quanto o dia.
O dia já virou noite várias vezes durante os eclipses totais do sol. Eu nunca assisti a um eclipse desse tipo, mas quem já viu disse que foi algo muito impressionante. Imagine que magnífico (e assustador) é ver o sol desaparecer totalmente em plena luz do dia bem diante dos nossos olhos. Durante alguns minutos, o dia literalmente vira noite. E isso foi responsável por diversas lendas, seitas, religiões e crendices ao longo da história humana, tamanha a grandiosidade e raridade deste fato.
O oposto, embora muito mais raro, também já aconteceu. A noite praticamente virou dia durante o inverno do ano de 1054, quando houve uma "estrela visitante" no céu na constelação de Touro. Naquele ano, chegou ao nosso planeta a luz da explosão da supernova do caranguejo (SN 1054) com um brilho tão intenso que só perdia para o brilho da Lua cheia. E a Lua cheia juntamente com essa "estrela" resultante da explosão da supernova chegaram a iluminar o céu noturno de tal maneira que a noite ficou clara como o dia. Este evento incomum durou algumas semanas até o brilho da supernova desaparecer. Outras supernovas desse tipo também foram registradas ao longo da história, como a SN 1006, que teve um brilho ainda mais intenso que o da SN 1054.
Portanto, se um dia a noite virar dia ou se o dia virar noite, não se assuste. Sinta-se privilegiado por presenciar um raro e incrível fenômeno deste maravilhoso cosmo do qual fazemos parte.
Namastê!
quinta-feira, 18 de abril de 2019
A imagem da década e o seu legado
Esta minha semana tem sido muito corrida (tanto sentido denotativo quanto no conotativo) nos últimos dias, fato este que me impossibilitou de postar uma série de assuntos interessantes. Entre eles, eu deixei de comentar sobre a fantástica foto do super buraco negro da galáxia M87, que causou um frisson enorme na comunidade científica.
A imagem real de um buraco negro tirada há poucos dias foi um dos cinco momentos mais espetaculares que eu pude vivenciar na astronomia desde que nasci. Primeiro foi o lançamento do telescópio Hubble em 1990; depois foi a descoberta dos primeiros exoplanetas orbitando uma estrela em 1995; em seguida veio a imagem mais precisa da radiação cósmica de fundo em micro-ondas pelo Wmap em 2003; posteriormente, foi a vez da detecção das ondas gravitacionais com grande precisão em 2017. E agora conseguimos uma imagem de um buraco negro que está a cerca de 54 milhões de anos-luz de distância do nosso planeta.
Apesar de algumas pessoas terem achado a imagem "tosca" ou que se gastou muito tempo e dinheiro para uma coisa tão "boba", é bom se dizer que nunca na história se conseguiu fotografar um buraco negro, ainda mais a essa distância impressionante. A imagem serviu, já de imediato, para comprovar na prática como alguns fenômenos, como o da lente gravitacional, por exemplo, se comporta no horizonte de eventos do buraco negro. Já a longo prazo, essa fotografia pode ter iniciado uma nova era de fotografias de objetos de longa distância e o inevitável crescimento tanto da tecnologia quanto da capacidade cooperação entre os cientistas. Este é um momento histórico que teremos orgulho de dizer aos nossos netos e bisnetos: "meninos, eu vi!" Eu, pelo menos, me sinto privilegiado de ter vivido para ver a imagem real de um buraco negro. Se acha exagero, se questione quantos e quantos cientistas morreram sem ter tido esse privilégio.
quarta-feira, 25 de julho de 2018
Água em Marte!
A mídia inteira e a internet estão no maior rebuliço devido a uma das maiores descobertas astronômicas de todos os tempos: a de que existe água no estado líquido no planeta vermelho! Foi em um lago subterrâneo com cerca de 20 km de extensão na calota polar sul de Marte que foi encontrada água no estado líquido. O que possibilitou essa descoberta foram as análises de informações coletadas pelo radar MARSIS, da Agência Espacial Europeia. O descobrimento deste fato ajudará a entender o clima, a habitabilidade, a possibilidade terraformação e até a existência de vida em Marte. Essa descoberta desprovincializou a existência de água na Terra, mostrando que é teoricamente possível que também exista água líquida no subsolo de outros corpos celestes telúricos, como por exemplo as luas de Júpiter e Saturno.
A seguir, deixo dois vloggers que entendem bastante do assunto explicarem melhor sobre a importância de uma das mais relevantes descobertas de história.
domingo, 15 de julho de 2018
Como a Lua influencia as nossas marés
Se tem uma coisa que eu nunca consegui explicar direito foi como a ação gravitacional da Lua (e do Sol) influencia na variação da altura das marés do nosso planeta. Foi aí que, por acaso, achei um vídeo no YouTube do Nexo Jornal que explicou de forma concisa e rápida como ocorre a Força de Maré. Vou compartilhar o vídeo abaixo porque ele é bastante didático sobre este tema.
segunda-feira, 25 de junho de 2018
E se realmente não houver vida lá fora?
Diante da possibilidade de estarmos sozinhos no universo, cheguei à uma conclusão que para mim parece óbvia: temos que preservar a todo custo a vida neste planeta. Se o planeta Terra for o único no universo a ter vida, isso nos traz uma grande responsabilidade, pois caso ele seja esterilizado por uma guerra nuclear ou por alguma catástrofe ambiental provocada por nossa espécie, estaremos eliminando o único lugar onde há vida em todo o universo. Talvez nunca mais haja um planeta como o nosso, com vida complexa abundante e autoconsciente. Daí que a responsabilidade que temos diante disso é gigantesca. A consciência de que somos tão raros e especiais no cosmo deve nos servir de motivação para respeitar cada pequena forma de vida neste nosso pálido ponto azul no sistema solar. Nós tivemos a honra de existir e de ter o potencial de semear a vida pelo cosmo. Portanto, ame mais, respeite mais, dialogue mais, reflita mais e faça deste pequeno planeta um lugar melhor para todos. A vida não pode parar.


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