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quarta-feira, 25 de março de 2026

Por um mundo com menos ódio


Foi aprovado no Senado, nesta terça-feira (24), o Projeto de Lei que inclui a misoginia (crime de ódio contra as mulheres) na Lei do Racismo. Assim como já havia sido feito em 2019, quando o STF também incluiu a homofobia na mesma lei, a misoginia passará a ser punida como um crime de preconceito. A proposta segue para sanção do presidente Lula. Pois bem, sendo bem honesto, sabe o que eu achei? Uma vergonha. Isso mesmo: uma vergonha! Uma vergonha que tenham DEMORADO TANTO para incluir o ódio contra o gênero feminino como uma forma letal de preconceito. Se este PL tivesse sido criado antes, movimentos masculinistas (como o redpill) não teriam crescido tanto e a vida de centenas de mulheres podia ter sido poupada nesta verdadeira epidemia de feminicídios. Mas o que realmente me assusta nisso tudo é a reação (especialmente a masculina) na internet diante da aprovação deste PL.

Políticos bolsonaristas e da extrema-direita em geral, como bons reaças que são, reagiram com o intuito de tentar invalidar e derrubar o PL. Inclusive, tem um deputadozinho bem famoso aí (que me recuso a digitar o nome) que ganhou muita visibilidade quando chamou a aprovação deste PL de "aberração" e que vai trabalhar para derrubá-lo. Isso sem falar do esgoto a céu aberto na própria surface web que trouxe à tona milhares de homens compartilhando verborragia sexista, falácias reacionárias e muita misoginia que só reforçam a necessidade de combater a violência de gênero. Apesar de achar essa cambada de reaças um atraso civilizacional, numa coisa eu concordo com eles: é preciso ser bem específico na tipificação deste crime. Este projeto precisa ser bem claro e específico sobre o que é, do ponto de vista constitucional, a misoginia. Porque se for depender da boa vontade interpretativa de um poder judiciário formado majoritariamente por homens e que chegou ao cúmulo de aprovar como "união estável" o estupro de uma menina de 12 anos por um homem adulto, o nosso machismo estrutural vai fazer este PL parecer só mais uma "Lei para inglês ver". Sem mencionar que mesmo fora do esgoto a céu aberto das bolhas masculinistas estão aparecendo pessoas comuns (homens e mulheres) que estão sendo radicalmente contra esta mudança na lei com todo tipo de argumento, seja ele lógico ou não.


É preciso que fique claro que todo e qualquer avanço civilizacional a favor de minorias ou grupos de vulnerabilidade social precisa ser defendido para nos manter vivos como espécie neste planeta. Existem milhares de ogivas nucleares espalhadas pelo mundo prontas para serem disparadas a qualquer momento. E se os ódios e preconceitos não forem combatidos na raiz, a nossa probabilidade de sobrevivência ao longo das décadas despenca vertiginosamente, especialmente com essas crises sazonais do sistema capitalista global. É na inclusão social e na teia de proteção do Estado que essas minorias têm garantias mínimas para serem tratadas com dignidade. Fora que essa medida também ajuda a diminuir o tanto de ódio que há neste mundo. E, infelizmente, ainda existe MUITO ódio contra tudo que é feminino em pleno século 21 pelo fato deste ser um século de mudanças onde grupos oprimidos estão começando a desafiar o sistema e a conquistar seus espaços e seus direitos. Uma lei contra a misoginia tem que ser comemorada ao invés de ser combatida, porque ódio contra as mulheres é ódio contra toda a humanidade. Não há futuro em um mundo que tenta manter a violência e os privilégios de uma classe opressora através da impunidade e da falsa defesa da liberdade de expressão. 

Esta lei precisa ser sancionada e ainda assim ela não é garantia de nada. A lei contra o racismo e a homofobia está aí, mas mesmo assim, ainda há MUITO racismo e homofobia no Brasil ocorrendo impunemente. Temos que combater a violência e o preconceito não apenas na lei, mas nas nossas atitudes como cidadãos no nosso cotidiano. Temos que ensinar o respeito, o altruísmo, a empatia, a gentileza, a solidariedade, a generosidade e a inclusão aos nossos filhos. Porque é através dessas pequenas mudanças para o bem que teremos a chance de ter um mundo melhor. 

E antes que alguém diga asneiras, eu não estou apenas defendendo as mulheres. Eu estou NOS defendendo. Eu estou defendendo a mim, a você e a todos os seres humanos, porque se não fosse por uma mulher, nem eu e nem você teríamos sido gerados. E um mundo com menos ódio é um mundo com menos dor onde todos nós teremos mais chances de continuar existindo como espécie. Portanto, encerro este post parafraseando um autor desconhecido que li por aí: "Em tempos de ódio, amar é um ato revolucionário". Isso porque quem ama não perde tempo odiando ninguém. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A violência contra os animais precisa ser combatida


Nenhum animal merece sofrer. Muito menos aqueles que são incapazes de fazer qualquer mal contra alguém e que são leais e companheiros até a morte. Animais de estimação são anjos da guarda. Eles nos protegem, nos guiam, nos trazem companhia, nos ensinam a amar incondicionalmente, nos tratam como melhores amigos, nos dão carinho... Pessoas que não gostam de cães e gatos – excetuando-se por razões de traumas ou fobias – não têm ideia do quanto é linda e engrandecedora uma relação de carinho entre humanos e animais. Infelizmente, como todos já sabem, o cãozinho Orelha se despediu deste mundo de forma trágica, cruel e covarde. Mesmo que não sejam punidos, os jovens que o torturaram e tiraram a sua vida carregarão para sempre ou o remorso, ou o rótulo de covardes: de pessoas sem empatia que representam perigo para a sociedade. Não acredito na justiça humana e muito menos na "divina". Mas acho que toda ação gera uma reação e tudo que fazemos de bom ou de mau para os outros voltará para nós mesmos de alguma forma. Não estou desejando mal algum aos rapazes que cometeram tal crueldade, mas, gostando ou não, a vida costuma dar troco. Afinal, quem vai querer conviver com pessoas que espancaram brutalmente um ser indefeso? Eu poderia até apelar para o uso político do caso (como alguns colegas já fizeram na web), dizendo que Santa Catarina – estado com mais fascistas por metro quadrado do Brasil – fomenta a falta de empatia graças a extrema-direita que cresce por lá. Mas a coisa vai além. Violência contra animais é algo que ocorre diariamente em todo Brasil e não apenas em estados tomados pelo fascismo.

Na época que eu tinha redes sociais, eu me lembro que seguia uma página no Instagram que mostrava o trabalho de um grupo de voluntários que resgatava cães e gatos em situações de abandono e maus-tratos na minha cidade. E a quantidade animais que eles resgatavam vítimas de toda forma de violência era revoltante. É surreal a quantidade de animais domésticos que são torturados, espancados e assassinados de tudo quanto é jeito diariamente. Eu espero que o caso do cão Orelha sirva de símbolo na luta contra essa violência cotidiana contra os animais. É preciso ser mais duro com quem pratica essas atrocidades contra os bichos. Ainda que a maioria dessas violências seja feita por crianças e adolescentes, algo precisa ser feito. Isso porque eu nem mencionei a violência legalizada e sistematizada contra outros animais em abatedouros e frigoríficos. Aves, bovinos, suínos e peixes são mortos todos dias em condições que nem podemos imaginar. Fora outras bizarrices como brigas de galo, rinhas com cães, vaquejadas e até formas cruéis envolvendo veículos de tração animal que são casos descarados de violência que ocorrem em plena luz do dia.

Há muito o que ser feito. Espero que outros Orelhas não precisem passar por isso novamente até que algo seja feito em defesa de suas vidas.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Os percalços de uma sociedade que odeia mulheres


Era escandalosamente óbvio que o discurso neoconservador de ódio contra o gênero feminino em algum momento acabaria causando alguma tragédia. O recente caso da agressão do coach masculinista Calvo do Campari contra sua companheira mostra que o controle masculino através da violência contra a mulher é o real objetivo por trás desses discursos de valorização/proteção do "homem raiz". No mundo distorcido das seitas redpill, os reaças acham que as ações machistas são justificáveis por vivermos numa sociedade "ginocêntrica" e "misândrica", quando, na verdade, é exatamente o contrário: tudo é falocêntrico e misógino. O que esses grupos querem mesmo é manter estruturas como o machismo e o patriarcado intactas. Estruturas essas que são as reais responsáveis por esse sentimento de frustração que tantos homens têm. O fato do homem não poder chorar, não poder falhar, não poder mostrar fragilidade, não poder se "afeminar" e não poder ganhar menos que a mulher NÃO é por culpa das mulheres, mas, sim, por culpa da própria sociedade sexista que insiste em manter esse modelo fracassado de padrão de sucesso masculino. Já os sofrimentos causados aos homens em relacionamentos amorosos são comuns a todos os seres humanos que se relacionam. Relacionamento afetivo é algo que exige de todos maturidade, renúncia, sacrifício e doação. Homens confusos, imaturos e inseguros não têm quem os oriente nesse sentido e acabam tendo então como referência esses gurus machistas da extrema-direita. E a estratégia da extrema-direita sempre foi de tirar a humanidade de grupos oprimidos para poder controlá-los e exterminá-los.

Portanto, caros homens, tenham muito cuidado com o tipo de influenciador que vocês têm como referência. Esses coachs que usam discurso da inversão da realidade, colocando a culpa na vítima – como se as mulheres fossem seres "maus e perigosos" – estão, na verdade, transformando VOCÊ em um ser mau e perigoso.

domingo, 16 de novembro de 2025

A revolução das bonecas


É impressionante a quantidade de problemas que os casais heterossexuais “normais” costumam enfrentar. Para não sucumbirem ao divórcio ou coisas piores, precisam gastar tempo e dinheiro com terapeutas, psicólogos, sexólogos e coachs que nem sempre resolvem as divergências. Problemas como falta de atenção, falta de carinho, falta de sexo, falta de desejo, falta de tempo de qualidade com o outro (fora brigas, rotina e desilusões) deterioram quase todos os relacionamentos afetivos no médio ou longo prazo. Eu diria que esses problemas são inevitáveis para 99% dos casos pelo simples fato dos seres humanos serem imperfeitos. É por isso que eu tenho certeza que os casais “não convencionais” são muito mais felizes. E quem são esses casais não convencionais? São aqueles formados entre humanos e "não humanos". Entre esses "não humanos" eu incluo chatbots, androides, ginoides e bonecas do amor. Isso porque em um relacionamento com não-humanos, você passa a ter um parceiro perfeito que vai viver em função das suas necessidades e não vai exigir nada em troca. Todo mundo sabe que relacionamentos entre humanos exige um combo masoquista de sacrifício, renúncia, desapego, fidelidade e uma série de sentimentos ruins que causam estresse e sofrimento desnecessário. Mas se você elimina essas coisas ruins da equação, você passa a ter uma vida realmente feliz. É por isso que eu acredito que, num futuro não muito distante, casar com companheiros virtuais, robóticos ou hiper realistas será algo não só comum como até mesmo bem aceito socialmente. Ninguém nasceu para sofrer. E se você pode ser feliz em um relacionamento com um companheiro ideal, então por que não vivenciar um? Romantizar o sofrimento não é uma atitude inteligente. Temos que buscar o que realmente nos torna felizes.

Elas vieram para revolucionar os nossos relacionamentos.


Veja o caso atual das bonecas sexuais hiper realistas. Muita gente ignorante diz que elas são coisa de "tarado", de "problemático", de "doente", mas pergunta para os caras que têm essas bonecas se eles precisam de terapia de casal ou se estão infelizes com suas amadas de silicone. Nenhum dono de boneca sofre por falta de companhia, de afeto ou de sexo. Eles sempre terão quem abraçar numa noite fria e solitária. Eles sempre terão uma esposa carinhosa esperando por eles quando chegarem do trabalho. Eles sempre realizarão suas fantasias sexuais secretas sem medo de julgamento ou ansiedade de performance. Eles não precisarão fazer nenhuma conquista arriscada ou ritual preliminar (vulgo dança do acasalamento social) para conseguir transar. Eles nunca acordarão mal humorados porque a esposa deles os rejeita sexualmente há semanas. Eles nunca irão deixar de fazer o que gostam por ciúmes de suas parceiras. Eles nunca irão ser preconceituosos com ninguém porque são felizes com suas bonecas – e quem é feliz não perde tempo enchendo o saco de ninguém. Entende o que quero dizer? Fora que homens feios, pobretões e sem habilidades sociais terão uma companheira que eles nunca teriam condições de conseguir, seja pela aparência muito acima da média ou seja pela entrega total e genuína por eles. No caso dos homossexuais, a coisa é ainda mais interessante, porque poderão amar seus bonecos lindos e fiéis sem sofrer nenhum risco. Mulheres hétero também têm muito a ganhar se livrando de homens machistas, doentes, egoístas, fedorentos, relaxados e violentos que, por sua vez, estarão felizes com suas bonecas. Fora que não precisarão se preocupar com contraceptivos que agridem seus corpos ou ISTs. Todo mundo sai ganhando nessa história. 

Tem bonecos para todos os gostos.


Mulheres homossexuais também podem ter essas bonecas hiper realistas não só por questões sexuais, mas para ter uma companheira para cuidar, dormir abraçada, assistir a um filme juntinhas, desabafar e compartilhar bons momentos. E se tiver uma IA embutida, é possível passar horas conversando, desabafando, jogando e fazendo roleplay como mães de bebês reborn fazem. Aliás, certa vez li um comentário de uma gringa que adquiriu uma boneca dessa e ela relatou que passava horas vestindo, penteando, perfumando, maquiando, fotografando e testando acessórios na boneca como se fosse uma Barbie gigante. É por isso que essas bonecas do amor estão iniciando uma revolução que não será mais possível parar. Com o aumento exponencial da tecnologia e a queda dos preços, em algumas décadas, elas estarão sendo vendidas não apenas em sex shops e sites especializados, mas em qualquer varejo tecnológico. Por mais que os conservas, os pseudo progressistas e os religiosos mente fechada esperneiem, o mundo será um lugar muito melhor onde todos e todas possam ter relacionamentos dos sonhos sem causar sofrimento para ninguém.

Ou será que eu estou errado?

sábado, 4 de outubro de 2025

A antipornografia é mais perigosa que a pornografia


Já faz um tempo que vejo ser divulgado de forma exaustiva na internet (e fora dela também) a defesa do que eu chamo carinhosamente de 'kit panaceia', que é a solução rápida e fácil de todos os problemas da sua vida baseada em basicamente quatro passos mágicos: - Fazer jejum de dopamina, - Botar o shape, - Fazer terapia e - Parar de consumir pornografia. Se você entrar nas redes sociais, os coachs de plantão defendem esses passos mágicos como solução para praticamente tudo: dor, depressão, estresse, ansiedade, desemprego, baixa autoestima, distúrbios sexuais, TOC, TDC, vício, fobias e até coisas que nem são problema como ser solteiro, por exemplo. Esse 'kit panaceia' pode até ser útil para algumas pessoas com problemas mais simples. O problema é que além de não possuir nenhuma base científica, esse combo de soluções fáceis tem alguns problemas.

Desnecessário dizer que o tal jejum de dopamina, por exemplo, precisa ser feito com a indicação e o acompanhamento profissional para não bagunçar o sistema de recompensa cerebral e provocar irregularidades hormonais. O mesmo se aplica ao treino de musculação que também precisa de supervisão profissional para evitar lesões e frustrações. Terapia é sempre bom, mas não é solução para tudo. Já parar de ver pornografia só é problema quando isso se torna, de fato, um problema. Acusar a pornografia por si só de ser prejudicial é um modus operandi típico das religiões que sempre tiveram essa mania criminosa de controlar a sexualidade humana para atender a seus fins. Todos os quatro itens do 'kit panaceia' são dignos de críticas mais profundas, mas é sobre a pornografia, especificamente, que eu gostaria de fazer uma breve explanação.

Secsu é bom e todo mundo gosta (ou não sim).

Desmistificando a pornografia
Este tema não é novidade aqui neste bloguinho. Há várias postagens mais antigas com críticas a essa cultura exagerada da "despornificação". Para começo de conversa, eu diria que consumir pornografia não é crime, não é errado e não é "vício". Pode até ser "imoral" ou "pecaminoso", mas não estou aqui para discutir sobre valores espirituais ou pessoais. Quero discutir fatos. Pornografia só é prejudicial quando o uso dela passa a controlar a sua vida ou traz consequências ruins para os que estão a sua volta. Fora isso, é moralismo disfarçado de pseudociência. Subgrupos masculinistas, feministas, nofapistas e religiosos, por mais heterogêneos que sejam entre si, têm o péssimo hábito de unirem seus argumentos falaciosos contra todo tipo de arte erótica alegando exploração, violência, objetificação, hiper sexualização, vergonha, vício, culpa e crime. Apesar desses problemas afetarem em maior ou menor grau a indústria pornográfica, eles estão presentes também em quase todas as outras indústrias existentes (desde a alimentícia até a da moda) – só que esse detalhe ninguém comenta devido ao moralismo seletivo. E quase todas essas alegações moralistas caem em contradição quando contestadas a sério, já que há muita generalização, exageros, mentiras e interesses financeiros em "despornificar" as pessoas.

Quando dizem para as pessoas pararem de assistir pornô, ocorre uma generalização ao se partir do pressuposto que todo uso de pornografia é ruim. E a gente sabe que não é bem assim. Querendo ou não, a pornografia é uma expressão natural da sexualidade humana. Pornografia é a arte voyeur e traz muitos benefícios. Pornografia serve para alimentar fantasias, fazer a pessoa conhecer a própria sexualidade, dar escapismo sexual em contextos de repressão, trazer alívio da ansiedade, alívio da frustração, ajudar em exames (espermograma) e é uma ótima forma de se sentir saciado sem trair, sem precisar de um parceiro ou riscos de transmitir ISTs. Fora que há casais (e trisais) que além de assistirem pornô juntos, ainda fazem uma rendinha extra divulgando seus conteúdos adultos em plataformas pagas. É verdade que a pornografia mainstream é muito sexista, limitada, performática, distorcida e repetitiva, mas condená-la não é uma atitude sábia: é, sim, uma forma dissimulada de censura. A gente sabe que a pornografia ensina errado, mas a proposta da pornografia nunca foi educativa, porque o seu ramo não é educação, mas, sim, entretenimento adulto. A educação sexual é algo que devia ser aprendido na escola, mas o mesmo moralismo que combate a pornografia sempre trabalhou contra essa educação. Mas eu vou dar um passo além, porque a hipocrisia não para por aqui.

Não é fácil ser garoto na puberdade!

Entendendo a sexualidade masculina
Qualquer homem que tenha passado pela puberdade sabe que aquela idade que vai dos 13 aos 20 anos de idade corresponde ao pico de produção do hormônio sexual masculino. Não por acaso, é justamente nesta fase que os adolescentes fazem todo tipo de loucura por sexo, porque além de imaturos, estão subindo pelas paredes de desejo e sentindo a euforia da descoberta. E isso é normal, pois a natureza nos programou assim por questões de sobrevivência evolutiva. Eu sou de uma época que não existia internet acessível e a pornografia era bem escassa por ser de difícil acesso. O mais perto que chegávamos de um pornô tradicional eram as revistas masculinas e os filmes eróticos softcore que passavam nas madrugadas da Band. E mesmo com essa escassez de material sexual da época, o furor sexual dos adolescentes era algo que beirava a loucura: era menino "transando" até com buraco da parede, era garoto de 11 anos sendo levado pelo pai para transar com prostitutas, era maluco fazendo coleção de baralho erótico, era trombadinha roubando revista de sacanagem da banca de revistas, eram os caras se gabando por terem se masturbado mais de 20 vezes num dia, era "contrabando" dos quadrinhos do Carlos Zéfiro, era fanfic erótica dos "Zé Chinelão" da vida contada para impressionar a "gangue", era garoto praticando zoofilia até com bicho de pelúcia, era incesto e todo tipo de fornicação e tara possível. A diferença para hoje em dia é que a internet e o celular fazem o foco dessa hiper sexualidade adolescente se fixar mais na pornografia e é isso que torna ela tão compulsivamente consumida nesta fase. Então o foco nunca deveria ser esse combate burro e fracassado contra o entretenimento adulto, mas no tesão descontrolado da idade que, diga-se de passagem, também é inútil combater, porque é normal e natural.

Para quem não sabe, tentaram proibir e punir a sexualidade dos meninos nas épocas dos internatos e adivinhe só: também deu errado. Então essa porralouquice de combater a pornografia sem entender a natureza humana acaba é trazendo o efeito contrário, afinal, o que é proibido é muito mais gostoso e tentador de fazer. O que faz a rapaziada acessar pornô direto é a ebulição hormonal – e é muito melhor isso que aquela bagunça sexual do passado onde rolava mais abusos, zoofilia, atentado ao pudor, gravidez indesejada, disseminação de IST, etc. Fora que mesmo que um jovem rapaz não se masturbe vendo pornô, ele vai se tocar pensando em quê? Nas nuvens? Nas Cataratas do Iguaçu? Na voz sexy do ET Bilu? No formato curvilíneo dos anéis de Saturno? É óbvio que o cara vai descabelar o palhaço pensando em coisas tão sujas e pervertidas quanto a pornografia, dando na mesma no fim das contas. Um ponto interessante é que por possuir mais neurônios no córtex visual, os homens acabam se excitando mais fácil com a pornografia mainstream que com literatura erótica ou a ASMR com sons 3D. Alie isso ao pico hormonal de testosterona e o sucesso da pornografia está explicado.

Por essas e outras que a maioria do público consumidor de pornografia é mais jovem. Adultos, por terem seus hormônios mais amenos e vida sexual ativa, não costumam se apegar tanto à pornografia, já que ela é muito menos satisfatória que uma relação sexual saudável e completa. Arrisco dizer que a adicção real em pornografia é algo raro em adultos. Portanto, alegar que todo mundo que consome pornografia é "viciado" é tão absurdo quanto alegar que todo mundo que consome bebidas alcoólicas é um alcoólatra.

Faça amor, não faça guerra!

A maldade está nos olhos de quem vê
Outra coisa que me deixou chocado é que há também um movimento contra o subgênero literário dark romance, que alguns seres arcaicos gostam de enquadrar como sendo "pornografia para mulheres". A gente já vive num país onde as pessoas leem pouco e onde a sexualidade feminina sempre foi reprimida para vir saudosistas da Era Vitoriana com esse papo de "vício" para romances e contos. Isso só mostra que toda essa discussão antiponografia tem uma base moralista que não acha nada de errado numa pessoa ter compulsão sexual ou relacionamentos monogâmicos castradores, mas, em contrapartida, consumir material erótico seria quase como fazer um pacto com o capiroto. Daí que – só para emporcalhar e discussão com mais pseudociência – sempre citam no fim das contas que o pornô faz mal porque "afeta o cérebro da mesma forma que drogas". Sinceramente, acho que quem alega isso nunca se apaixonou na vida.

Quando a gente se apaixona de verdade, o nosso objeto de paixão causa no nosso cérebro o mesmo efeito que drogas pesadas também causam. Nós ficamos literalmente "viciados" na pessoa pela qual estamos apaixonados. Mas isso ninguém quer combater, porque se apaixonar é "lindo" para a cultura ocidental cristã, mesmo quando sofremos por amores platônicos e temos sintomas claros de adicção, como perda de apetite, perda de sono, perda de foco, etc. Se você disser que é feliz assistindo pornografia todos os dias, vai ouvir aquela ladainha moralista da liga das senhoras católicas. Mas se falar que está sofrendo por uma paixão platônica, aí a discussão gira 180 graus e tudo vira um mar de rosas. Esse "dois pesos e duas medidas" não faz sentido, já que tanto a paixonite quanto a pornografia causam o mesmo "estrago" no nosso cérebro.

Sobre relacionamentos serem "destruídos" pela pornografia, como alguns recalcados alegam, esta é mais uma desculpa esfarrapada para esconder as reais causas de um divórcio. Se um dos cônjuges sente ciúmes de um FILME ou FOTO, bem, isso só mostra o grau de imaturidade afetiva da pessoa em questão. A fidelidade idealizada e a possessividade é que são perigosas em um relacionamento. Já o marido que deixa de procurar a esposa para ver sacanagem não faz isso pela pornografia, mas porque ou o casamento já não estava bom, ou porque não sente desejo de transar com a mesma mulher todo dia. Escapismo mental, queira ou não, faz parte da manutenção do desejo. Sem mencionar que nem todo mundo é demissexual para só sentir tesão por uma única pessoa. E muito do ciúme da pornografia mostra, na realidade, uma insegurança e baixa autoestima que precisam de terapia. Se duvida que existe gente assim, leia os comentários desta publicação do Fabricio Carpinejar e veja que os paladinos da moral e dos bons costumes não vieram ao mundo para brincadeira. Além disso, problemas conjugais se resolvem com diálogo e estabelecimento de limites. Aliás, é bom que se diga que relacionamentos são uma fonte abundante de sofrimento, ciúmes, brigas, perda de liberdade, traições, violência, chantagens e até assassinatos. Mas para os moralistas, a pornografia é pior – coisa que não faz o menor sentido na minha mente racional. Por isso acho que faria muito mais lógica defender a solteirice que atacar a pornografia. Relacionamentos são o problema, não um filme que mostra gente namorando sem roupa.

Liberdade sexual empodera!


Enfim, essa cultura antiponografia causa mais transtornos que a própria pornografia, porque ela coloca problemas onde eles não existem para, em seguida, vender soluções caras. Além de deixar todo mundo paranoico, culpado, castrado e burro. O que causa problemas na nossa sexualidade é fanatismo religioso, falso moralismo e tabus morais da idade média. O resto, pode relaxar que Freud explica. 

Para quem duvidar, neste link externo há uma publicação de um estudo que prova que a culpa por ver pornografia é pior que qualquer mal causado por ela.

Não gostou? Então...

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Nem todo pedófilo é um abusador sexual


Recentemente, eu li um post num subreddit onde as pessoas estavam atacando um usuário do Youtube que tinha publicado o seguinte comentário:


A primeira vista, eu achei o comentário bizarro e revoltante, tipo: como assim o cara acha que todo mundo é pedófilo? Só que após parar para pensar um pouco, eu cheguei a uma conclusão que considero mais humanista e menos irracional.

Existe uma diferença importante entre alguém que sente atração por crianças e um outro que é realmente pedófilo. O cara que sente atração por crianças não é criminoso só por sentir isso dentro de si. Afinal, o desejo ou transtorno é algo que não é intencional. Assim como ninguém escolhe sua orientação sexual ou ter parafilia por animais, por exemplo, acho que ninguém escolheria sentir desejo por crianças pré-púberes num mundo onde a pedofilia é crime. Isso pode ser uma doença, uma parafilia ou algum desajuste na mente do sujeito que sente isso, mas não é crime em si. Esse sujeito pode nunca ter encostado numa criança na vida ou visto ou compartilhado material criminoso envolvendo menores e isso não faz dele um bandido. Uma pessoa nessas condições merece tratamento, ajuda psiquiátrica e acompanhamento, porque ele pode se sentir culpado pelo que sente e até pensar em suicídio por isso. Fora que muitos pedófilos sofreram abusos na infância e isso pode ter ajudado a desencadear esse tipo de transtorno. O ponto que quero deixar claro é que nem todo "pedófilo" é um abusador. Ter potencial para fazer isso não torna alguém automaticamente um abusador.

Já o bandido de verdade é o cara que abusa de crianças e que produz ou compartilha pornografia infantil. Esse, sim, é o criminoso. É esse que tem que ser preso. Por isso a gente precisa agir racionalmente antes de dar paulada num sujeito que talvez seja o do primeiro caso citado. Apesar da visão do comentário do Youtube ser absurda e doentia, na cabeça de alguém que tem esse problema, isso parece ser o natural por ele viver fechado numa bolha de pessoas que pensam como ele nas redes sociais. Eu sei que toda essa história envolvendo a adultização revolta muito a gente, mas é preciso ter cabeça fria para não atirar pedras mortais como fizeram contra o PC Siqueira e que custou a vida dele. Precisamos ter um pouco de juízo antes de linchar pessoas assim como os reaças fazem, já que "bandido" bom, para eles, é bandido morto.

Outro aspecto a se relevar é que para muita gente, a palavra "novinha" pode se referir a adolescentes de 15 a 21 anos, o que se enquadra em efebofilia e não mais em pedofilia. Não é crime relacionamentos entre adultos e adolescentes, apesar de, na minha humilde opinião, isso ser algo muito perigoso para o adolescente na maioria dos casos. Mas no caso do comentário citado, não me parece ter sido isso, já que "novinha" é uma expressão ambígua e foi usada com associação a pedofilia.

domingo, 17 de agosto de 2025

Relativizar a exploração infantil é repugnante


 

Desde que o vídeo do Youtuber Felca denunciando a adultização de crianças e adolescentes viralizou que surgiu um bando de gente sem noção (para dizer o mínimo) na internet para relativizar o ocorrido. Eu li vários argumentos de usuários nas redes sociais dizendo que não havia "nada demais" em CRIANÇAS serem exploradas por adultos em situações de exposição com apelo sexual. Frases do tipo: "Ah, mas meu bisavô tinha 35 anos quando casou com minha bisavó de 13 anos e não tinha nada demais." ou "Mas as crianças não estavam fazendo nada demais, só dançando." ou ainda "Mas eu trabalho desde os 6 anos de idade e isso não me fez mal" foram alguns dos que mais apareceram. Eu não sei se é por burrice ou má fé, mas argumentos estúpidos como esses só servem para legitimar situações e abuso contra menores. Minha gente, crianças e adolescentes ainda não atingiram seu total desenvolvimento físico, mental e cognitivo para entender o que está acontecendo com elas nessas situações ou lidar com as consequências de uma exposição que só serve para alimentar redes de pedofilia. Mesmo adolescentes com o corpo já desenvolvido (caracteres sexuais secundários completos) ainda são imaturos para perceber situações de abuso e exploração. Se entre adultos já há relacionamentos tóxicos e abusivos, imagina com menores...

É dever de todos os adultos proteger as crianças. Se omitir ou relativizar não ajuda em nada.

sábado, 17 de maio de 2025

As reborns vieram para ficar


Um fato interessante observado nas últimas décadas é que a taxa de natalidade tem caído vertiginosamente em vários países, especialmente nos mais desenvolvidos. Isso, possivelmente, vai se tornar um problema econômico no futuro que pesará nas receitas dos governos e causar impactos na previdência social. Mas talvez o maior problema da menor taxa de natalidade seja social, isso porque os seres humanos possuem uma necessidade quase instintiva de cuidar, de dar carinho e de proteger. Essa necessidade materna/paterna de cuidar vem desde os primórdios, porque os bebês humanos levam vários anos até conseguirem se tornar minimamente independentes dos pais. Então a seleção natural se encarregou de recompensar com bem-estar hormonal e psicológico aqueles que cuidavam de suas crias a ponto do cuidado com pessoas próximas se tornar uma das necessidades da Pirâmide de Maslow. Mas a pergunta que fica é: como as pessoas poderão ter esse bem-estar do cuidado com os filhos se elas estão optando por não terem mais filhos? É exatamente isso que explica o sucesso quase repentino dos bebês hiper realistas mais conhecidos como reborns entre adultos, principalmente entre as mulheres.

As bonecas reborn, por serem muito parecidas com bebês de verdade, acabam causando apego em muitas pessoas pelo simples apelo visual e afetivo. Semelhante às bonecas sexuais hiper realistas vendidas para homens em sex shops, esses bebês possuem articulações e pele que simulam o corpo humano de maneira bastante convincente. Como muitas mulheres não querem ou não podem ser mães, então esses bonecos servem para preencher a lacuna da necessidade de proteção e cuidado materno que elas precisam. Apesar de todas as críticas que são feitas às mulheres que adquirem esses rebons, não há nada de errado em ter e cuidar de um bebê de mentira, especialmente as mulheres que tiveram gravidez psicológica ou perderam seus bebês prematuramente. O problema é quando a pessoa perde a noção da realidade e começa a achar que o reborn é um bebê de verdade, exigindo que os outros o tratem como se fosse um ser humano real. Hospital e creche de reborn é algo que já me parece passar dos limites de uma brincadeira saudável de simulação de mãe filho para virar um comportamento quase patológico. Mas fora isso, ter um reborn é tão normal quanto ter uma sex doll ou fazer uma coleção de brinquedos. O bom desses bonecos é que as mães deles podem brincar de ser mãe quando quiserem, já que não é filho de verdade para exigir atenção 24 horas por dia e cuidados reais. O reborn vira uma espécie de tamagotchi que você pode interagir na hora que quiser para seu passatempo. 


Acredito que num futuro próximo, quando androides e ginoides controlados por IAs se tornem mais comuns, será natural formar família com robôs e bonecos hiper realistas. É preciso levar em consideração que nem todo mundo tem condições físicas ou emocionais para ter um parceiro amoroso ou filho de verdade. É melhor que pessoas inaptas para o convívio social tenham seus próprios bonecos do que causar traumas a humanos de verdade em relacionamentos tóxicos.

sábado, 26 de abril de 2025

A Igreja Católica nunca mais será a mesma


Com o falecimento do Papa Francisco nesta semana, todos os principais holofotes do mundo passaram a ser direcionados para o Vaticano e para o Conclave que irá eleger seu sucessor. Isso não só por uma questão religiosa, mas, principalmente, por uma questão política. O Papa tem uma grande influência nas questões diplomáticas do mundo por ser um dos mais importantes líderes religiosos do planeta. Para citar alguns breves exemplos, a sua influência foi decisiva quando ele condenou o lawfare, o genocídio em Gaza, a discriminação contra imigrantes, os muros que geram exclusão e até a postura retrograda da Igreja diante dos homossexuais. Daí que muita gente se questiona como um Papa tão liberal quanto Francisco conseguiu ser escolhido pelo Vaticano como representante máximo de Cristo na Terra. A resposta é simples: sobrevivência.

A Igreja Católica sempre foi uma instituição ultra reacionária que para poder sobreviver apoiou coisas nefastas na nossa história como Cruzadas, Inquisição, escravidão e até o nazifascismo. Mas como o mundo neste século XXI tem se tornado cada vez mais liberal e tolerante no sentido dos costumes, para poder sobreviver e se adaptar às mudanças, fez-se necessário que um papado mais "progressista" fosse adotado pelo Vaticano. Isso também ocorreu porque a Igreja Católica tem perdido muitos fiéis para as igrejas protestantes, especialmente os mais jovens. Então nada melhor que um Papa mais humanista e revolucionário para cumprir esta missão. 

Claro que grandes mudanças nunca virão tão rápido no caso da Igreja, porque há muita resistência entre os próprios fiéis mais conservadores. Mas o que é notável é que há uma tendência a mudanças importantes no longo prazo que poderão incluir a aceitação de métodos contraceptivos, casamento homoafetivo e até mulheres exercendo o sacerdócio. Mas isso ainda vai levar tempo. O fato é que após Jorge Mario Bergoglio, a Igreja Católica nunca mais será a mesma.

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Estamos vivendo a era dos vícios


Desde 1960 para cá que cada década correspondeu a um período triunfal de algum entretenimento da cultura humana. A década de 1960, por exemplo, foi a década de ouro do rádio. Os anos 1970 foram os anos de ouro da música. Já os anos 1980 corresponderam à década de ouro do cinema. 1990 foi a década de ouro da televisão. A década de 2000, por sua vez, foi a década de ouro dos games. E a década de 2010 foi a década de ouro da internet. Quanto à década atual, de 2020, pelo andar da carruagem, está sendo a década de ouro das apostas online. Ou sendo mais específico: a década de ouro dos jogos de azar via smartphones. Só que diferentemente das outras formas de entretenimento, as apostas são um tipo de entretenimento que é quase um golpe, porque elas não entregam de fato o que prometem, porque tudo depende de uma sorte que estatisticamente está voltada contra você. É preciso deixar claro que essas empresas de apostas (as tais bets), como qualquer grande porcaria do capitalismo, não existem para fazer seus clientes felizes. Elas existem simplesmente para lucrar na base do vício que esse tipo de jogo gera. Para piorar, as pessoas mais afetadas são justamente as que têm menor renda. Pessoas essas que chegam ao ponto de se endividarem só para manter o vício. E como se isso não fosse o suficiente, ainda temos outros vícios "legais" que têm afetado especialmente os mais jovens que vão desde as redes sociais até o perigoso cigarro eletrônico.

Estamos vivendo a década dos vícios porque usamos esses vícios como escapismo para nossas angústias, dores e frustrações com nossas vidas. Mas a solução para nossas inquietações existenciais não está nos vícios, nem na música, nem nos games, nem nos filmes e em nenhuma forma de entretenimento. A solução para isso, individualmente falando, está em buscar uma vida saudável, em parar de se comparar com os outros, em parar de procurar soluções fáceis para problemas complexos. Se estamos com angústia, depressão ou sofrimento, precisamos buscar ajuda profissional. Seja psicológica ou psiquiátrica. Os profissionais dessas áreas são os anjos da guarda que nos darão as ferramentas necessárias para vencer as nossas crises existenciais sem recorrer a mentiras ou prazeres momentâneos que não nos darão nada além de mais sofrimento. Já a solução a nível político está na regulamentação. Não podemos deixar que da década de 2020 para frente tenhamos décadas e mais décadas de vícios disfarçados de entretenimento.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Um mundo terrível para ser mulher


Não era nenhum exagero quando as feministas do século passado alegavam que as mulheres eram violentadas todos os dias por um estado burguês patriarcal que tratava as pessoas do sexo feminino como meros pedaços de carne a serviço dos homens. Estamos no século XXI e, em mais de meio século, praticamente nada mudou. Homens (brancos, em sua maioria) continuam no topo da cadeia alimentar e fazem de tudo para manter as mulheres longe do real poder e com o mínimo de direitos possíveis. Todas as elites (econômica, política, militar, religiosa e intelectual) são formadas majoritariamente por homens que continuam a legislar sobre as mulheres e a querer mantê-las sobre seu controle. Essas elites castram as mulheres, cerceiam as mulheres, culpam as mulheres, exploram as mulheres e as punem por crimes que o próprio Estado machista inventa. Esse PL 1904/04 idealizado por um macho opressor qualquer de um partido reaça qualquer é uma prova disso. 

Além de todo sistema de opressão que sempre existiu contra as mulheres desde a criação da propriedade privada, agora querem punir uma mulher que aborta como se ela fosse uma assassina. Isso é uma forma categórica de dizer que a vida de um feto vale mais que a vida de uma mulher. Afinal, se homem engravidasse, teríamos micaretas abortistas e até um dia nacional do aborto seguro. Mas como estamos falando de mulheres – e mulheres pobres e pretas em sua maioria – então há a necessidade de mostrar que os dogmas das antigas religiões patriarcais é que prevalecem sobre o que uma mulher pode ou não fazer com o próprio corpo. Enquanto isso, homem que não assume o filho (o que equivale ao "aborto" masculino), acaba saindo impune; homem que estupra uma mulher, se for branco e rico, também sai impune; homem que cria leis para controlar os corpos das mulheres, além de visto como herói, sai impune do mesmo jeito.

Essa desumanização do ser feminino é algo que precisa ser destruído. Até quando vamos viver em um mundo tão perverso e cruel contra as mulheres? É por isso que se existir um sexo forte, com certeza esse é o sexo feminino. Porque viver num mundo cão misógino como o nosso exige muita força, muita coragem e muita luta. Como já dizia um falecido companheiro de guerra: "A única luta que se perde é aquela que se abandona". E ainda bem que a maioria das nossas manas jamais irá recuar um milímetro sequer nessa batalha.

quarta-feira, 17 de abril de 2024

O grande problema do aumento da longevidade


Nós estamos vivendo um momento inédito da história humana. Pela primeira vez – graças, em especial, à internet – estamos tendo acesso gratuito a conhecimentos que não eram acessíveis para a maioria de nós no passado. Antes da internet, por exemplo, as pessoas só procuravam os profissionais da área da saúde quando estavam doentes. A medicina era, basicamente, curativa. Com a informação trazida por cientistas e médicos sobre saúde na web, hoje a medicina está se tornando cada vez mais preventiva. 

De cerca de uma década para cá, as pessoas não estão procurando o médico apenas quando ficam doentes ou para fazer exames de rotina, mas estão se preocupando também em ter qualidade de vida para não adoecerem e conseguirem viver mais e melhor. O YouTube e demais redes sociais estão cada vez mais repletos de profissionais de saúde nos ensinando como dormir melhor, como se alimentar melhor, como prevenir o estresse, como gostar de fazer atividade física e como ter uma vida mental mais saudável. Isso tudo tem feito com que as pessoas se cuidem mais desde jovens, porque a mentalidade com relação à saúde está mudando. Alie a isso os avanços da ciência e da tecnologia em produzir novos remédios, novas vacinas, novos tratamentos e cura para doenças antes incuráveis que a expectativa média de vida irá dar um salto significativo nas próximas décadas. 

A vida é uma festa para quem sabe viver.


As pessoas com menos de 50 anos de idade serão as mais beneficiadas por isso, porque ainda são jovens e, no geral, possuem a mente mais aberta a mudanças mais radicais nos seus hábitos de vida que os mais idosos. Afinal, é muito mais fácil você convencer um jovem de 30 primaveras a mudar seus hábitos de vida do que um velho ranzinza de 70 invernos. Além disso, o velho de 70 anos passou mais de meio século judiando da própria saúde com hábitos de vida errados que irão encurtar sua vida. O cigarro é um exemplo disso. É mais fácil convencer um jovem a não fumar do que fazer um velho viciado parar de usar a nicotina que ele consome desde a adolescência.

O que quero dizer com essa conversa toda é que essas gerações que nasceram de 1975 para frente terão um aumento brusco na expectativa média de vida. Atualmente, essa expectativa média de vida é de 76 anos (no Brasil), mas em algumas poucas décadas irá passar facilmente para os 80 ou até 85 anos. O grande problema disso será o impacto na previdência social, que exigirá que as pessoas trabalhem cada vez mais para se aposentar ganhando cada vez menos. Isso sem falar que o número de nascimentos tem caído ano a ano: o que contribui para o envelhecimento geral da população. 

Então a dica que eu dou para aqueles que estão cuidando da saúde física e mental é que cuidem também da sua saúde financeira. Não dá para se garantir apenas na previdência social. Então é preciso ir guardando um dinheirinho todo mês para que ele possa ser útil no futuro. O meu medo é que esses governos neoliberais queiram cortar as aposentadorias e deixem milhares de idosos desamparados como ocorreu lá no Chile. Portanto, o meu conselho de amigo é que a gente se prepare desde cedo para um futuro sombrio e incerto, porque não é todo mundo que vai aguentar trabalhar com mais de 85 anos de idade. 

sábado, 30 de março de 2024

Superar o capitalismo não basta


É um erro pueril de alguns companheiros achar que chagas sociais como racismo, sexismo e LGBTfobia irão desaparecer magicamente com o fim do sistema capitalista. É verdade que esses males são agravados pelo sistema de hierarquização social naturalizado pelo capitalismo, mas o preconceito foi algo que sempre existiu desde que os primeiros seres humanos andaram sobre este planeta. Se o foco da luta das esquerdas for apenas combater o capitalismo, cairemos na mesma armadilha que Cuba e União Soviética caíram. Na antiga URSS, a homofobia e o machismo ajudaram a enfraquecer o regime. Já em Cuba, a transfobia até hoje é uma das maiores cicatrizes sociais do passado. Como classe trabalhadora, temos, sim, que incluir as tais pautas identitárias na luta contra o sistema vigente. Afinal de contas, de que adianta viver em um mundo livre da exploração que, em contrapartida, nega direitos e liberdades a grande parte da população? Isso não é um papinho chato de grupos "pós-modernxs". Isso é um alerta de que a luta pela justiça social não acaba com o início de um novo modo de produção. Um mundo sem respeito às diferenças é um mundo muito perigoso e infeliz para se viver. Além disso, se abandonarmos essas causas, estaremos deixando que a ideologia liberal da direita se aproprie delas. A luta de classes não vai triunfar caso não se torne inclusiva. 

Superar o capitalismo não basta. Temos que superar tudo aquilo que nos coloca em guerra contra nós mesmos.

domingo, 4 de fevereiro de 2024

A maioria dos homens não deveria se relacionar


Não é novidade para ninguém que a maioria dos homens heterossexuais é muito ignorante e egoísta se tratando de sexo. Mesmo sabendo que homens e mulheres percorrem caminhos diferentes para chegarem no mesmo lugar, o que prevalece na imensa maioria dos casais é o roteiro 1, 2, 3 e 4 vistos majoritariamente na pornografia mainstream que seriam: 1-"preliminar" apressada e mal feita, 2-penetração rápida, 3-orgasmo masculino e 4-fim do sexo. E aí eu pergunto: onde fica o prazer e o orgasmo femininos nessa aventura? A verdade é que a maioria dos caras só querem dar uma aliviada antes de dormir ou antes de tomar banho para ir ao trabalho. Eles têm preguiça ou má vontade de fazer o prazer ser mais democrático. É triste que tantos homens usem a própria mulher como uma boneca inflável e não se esforcem minimamente nem para fazer o básico sobre como excitar e seduzir a parceira.

Enquanto os homens não entenderem que o prazer da mulher é mais amplo, mais cinestésico, e a importância do protagonismo do clitóris na expressão da sexualidade humana, vamos ter casais infelizes, traições e a ideia equivocada de que mulher não gosta de sexo.

Isso sem falar de outros aspectos não sexuais que fazem homens e mulheres não se entenderem. Enquanto a mulher quer ir ao salão de beleza, fazer compras no shopping e ir ao chá de bebê da melhor amiga, os caras querem assistir jogo no estádio, ir a feira de automóveis, jogar uma pelada com os amigos e depois jogar conversa fora no bar. Homens héteros preferem estar com outros homens a maior parte do tempo fazendo "coisas de homem". A maioria não acha tão divertido acompanhar suas parceiras em programas tipicamente femininos. Isso é compreensível, mas relacionamento envolve sacrifícios e fazer coisas chatas em momentos que não estamos a fim. Se não for assim, a relação vai se desgastando com o tempo.

A sugestão que eu dou para os homens que são namorados ou maridos medíocres é que eles fiquem solteiros mesmo. Busque sexo pago ou casual e divirta-se com seus amigos de bar. Se quiser uma companheira, junte uma grana e compre uma Love Doll, porque ela vai dar tudo que você quer e precisa sem desejar nada em troca. Se você não está disposto a se doar, a se sacrificar e a dar o seu melhor, faça um favor a si mesmo e a todas as mulheres: fique sozinho.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Liberdade é o bem mais precioso


É claro que a inveja é um sentimento detestável. Tão detestável que quase ninguém assume que a sente. Apesar disso, eu admito que sinto inveja, sim, de algumas pessoas. Não é inveja dos mais ricos, dos mais saudáveis, dos mais belos, dos mais poderosos ou dos mais afortunados. A minha inveja é daqueles que são verdadeiramente livres. Se acha exagero, pare e pense um pouco a respeito da liberdade. Provavelmente, você, assim como eu, não é livre. Aliás, 99% da humanidade não é livre. Para ser livre, de fato, você precisa de ser livre em 3 aspectos:

1 - LIVRE MENTALMENTE
Você precisa ser livre de conceitos e preconceitos da sociedade, de regras, de tabus, de crenças limitantes e de amarras culturais, emocionais, espirituais e psicológicas.


2 - LIVRE DA ESCRAVIDÃO MONETÁRIA
Você precisa ser livre para ter autonomia e independência para não depender financeiramente de ninguém. Não ser explorado por ninguém por dinheiro e não ser escravo de um salário que te prende a uma rotina que rouba os melhores momentos da sua vida.


3 - LIVRE DE AMARRAS E GRILHÕES
Você tem que ser livre também de doenças incapacitantes, de vícios, de dependência dos outros e não ter o direito de ir e vir tolhido por medo, violência, opressão estatal ou falta de dinheiro.


Então reflita: será que você é realmente uma pessoa livre?

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

A inquisição contemporânea precisa acabar


Este fim de ano de 2023 tem sido realmente muito triste. Primeiro, tivemos o suicídio de uma jovem chamada Jéssica Vitória após ter seu nome envolvido numa fake news da Choquei. O tribunal da internet condenou a menina por, literalmente, crime nenhum e ela não resistiu e acabou tirando a própria vida. Depois, mais recentemente, foi a vez do youtuber PC Siqueira tirar a própria vida após também ser julgado e condenado pelo tribunal da internet injustamente por um comentário supostamente "pedófilo" em um áudio antigo. Devido a problemas de depressão e também pelo abandono dos amigos, o linchamento virtual do PC o induziu a nos deixar precocemente. 

Essa verdadeira Inquisição contemporânea precisa urgentemente ser revista pelas nossas leis, porque não é de hoje que pessoas se matam por causa de um júri popular totalmente fanático e desqualificado. E o mais bizarro é que a maioria desses linchamentos pela internet se baseiam em boatos. É inaceitável que pessoas tenham sua honra e sua dignidade abaladas a ponto de acharem que estarem vivas é algo insuportável. Quem espalha fake news precisa ser responsabilizado e quem atira pedras contra os supostos pecadores também. Afinal, como disse certa vez um sujeito que ninguém lembra mais quem é: "quem de vós não tiver pecado, atire a primeira pedra".

sábado, 9 de dezembro de 2023

Qual a idade mais difícil entre os 18 e os 40 anos?


Estive aqui a pensar em qual é a idade em que enfrentamos mais dificuldades e desafios na fase adulta de nossas vidas. O período que vai dos 18 aos 40 anos – época que abrange a "juventude" da fase adulta – é o que eu pretendo focar por já ter vivido todos eles e poder falar por experiência própria. Parei para refletir um pouco e tirei algumas conclusões sobre as idades mais impactantes dessa primeira etapa da "fase adulta" de nossas vidas.

Tudo é possível antes dos 20 anos.


Aos 18 anos de idade, a gente tem o primeiro choque com a realidade. Isso porque a gente vai dormir adolescente com 17 aninhos e, no dia seguinte, já acordamos "adultos", podendo, inclusive, ser presos em presídios comuns. Essa mudança para a maioridade é muito brusca e a sociedade já nos trata como se tivéssemos virado adultos do nada. E não é bem assim. A maturidade é um processo lento. A gente só se torna, de fato, adulto (mentalmente falando) lá para os 21 ou 24 anos. Um jovem de 18 anos, no geral, ainda é alguém que está descobrindo a vida, que ainda não tem grandes compromissos, que joga videogame direto, que ainda está mais na fase do "ficar", que vai o clube com os amigos e que torra a mesada com cinema, futebol e diversão. Quando eu completei 18 anos, lembro que foi uma enxurrada de documentos para tirar, decisões para tomar, responsabilidades para assumir, aprender a dirigir, ter que me informar sobre política, mercado de trabalho e carreira e eu não me sentia preparado para tudo isso. Fora que, nessa idade, tudo é mais aflorado, porque os hormônios estão à flor da pele e nossos sentimentos vêm num turbilhão de emoções muito intenso. É nessa fase que temos as paixões mais intensas e as memórias mais marcantes.

20 anos é o auge da nossa juventude.



A idade seguinte que impacta são os 20 anos. Porque, nessa idade, já começamos a nos sentir "velhos", afinal de contas, se a expectativa média de vida é de uns 76 anos no Brasil, com 20 primaveras já são mais 25% da vida percorrida. Além disso, aqui já estamos "velhos demais" para iniciar uma carreira nos esportes, uma vez que os atletas profissionais começam a treinar, no máximo, até os 18 anos. Mas, apesar disso, temos que concordar que com 20 anos estamos praticamente no nosso auge físico. Aos 20 anos, sentimos que podemos mudar o mundo e que lutar pelos nossos sonhos vale muito a pena. Nesta idade é que a fase adolescente chega ao fim e que as responsabilidades começam a se tornar maiores.

Aos 20 e poucos anos é que começamos a mudar o mundo.



A barreira seguinte é a dos 25 anos. Com esta idade, estamos na metade dos "anos 20" e se a gente for pensar em tempo percorrido em relação à expectativa média de vida, um terço da vida já se passou. Com 25 anos, apesar de ainda termos muita energia e muita vitalidade, a gente já começa a sentir que é preciso um pouco mais de cautela para não morrermos cedo demais. As loucuras da adolescência já começam a fazer menos sentido aqui. Quando olhamos ao redor, notamos que alguns dos nossos amigos de infância já estão casando, tendo filhos, virando tios ou tias. Também é por volta dessa fase que começamos a nos formar nos cursos de graduação e a iniciar uma carreira profissional, deixando a casa dos pais para vivermos nossas vidas. É nessa idade que a gente realmente começa a se sentir adulto e a perceber que estamos começando a ficar velhos aos pouquinhos. Tanto é que já a partir dessa idade que os homens começam a ter as primeiras "falhas" na hora H, a sentir a libido levar uma leve rasteira e a perceber que a calvície está ficando inevitável.

A vida adulta começa pra valer mesmo depois dos 25.



Bom, aí passados os 26 anos, entre os 27 e os 29 entramos num estágio de definição na vida. Aqui, no geral, já temos uma carreira definida, ou então já estamos formados, ou fazendo uma pós-graduação, ou começando a construir uma família. No caso de concursos públicos, até os 29 anos é que podemos ser aprovados para atuar na área militar ou sermos convocados imediatamente para uma guerra, por exemplo. É uma idade que começamos a nos sentir realmente velhos, porque os primeiros fios de cabelos brancos surgem e estamos à beira de nos tornarmos balzaquianos. Lembro que com 29 anos, eu me sentia praticamente um ancião no corpo de um jovem. Mas essa definição faz muito sentido, porque até aqui já vimos muita coisa na vida e a sensação que dá é que não há muito mais para se ver ou aprender. Só lembrando que durante a maior parte da existência dos seres humanos sobre a face da Terra, a expectativa média de vida era justamente por volta dos 29 anos.

As coisas ficam mais previsíveis após os 30 anos.



Daí que chega o dia em que trintamos. Dos 30 aos 35 é praticamente o último suspiro da nossa juventude, porque depois disso, já começamos a entrar na categoria sênior ou master em vários esportes. A partir dos 36 já há quedas de hormônios, mais propensão a lesões e demora maior na recuperação de atividades físicas mais intensas. Estamos balzaquianos, mas também mais experientes, mais sábios e chegamos num ponto de equilíbrio entre saúde, juventude e experiência que não é possível em nenhuma outra fase da vida. O problema aqui é a tal crise dos 30, porque muita gente chega nessa idade sem ter feito metade do que havia planejado lá trás. Nem todos estão empregados, seguindo a carreira que gostariam ou tendo conseguido formar uma família. No caso das mulheres, aqui é praticamente o limite para ser mãe. Uma coisa interessante é que mais ou menos na faixa dos 30 anos temos a nítida sensação que o tempo está passando muito mais rápido que antes e que 10 anos, que antes demoravam uma vida para passar, agora passa relativamente rápido.

A vida começa aos 40, ou não sim!


Até que mais cedo que imaginamos, chegamos aos 40. É o início da meia-idade onde metade ou mais da vida já voou no pau. Aqui é onde os primeiros sinais da terceira idade começam a alfinetar, apesar de que com o avanço da ciência e da tecnologia, dizem que os 40 são os novos 30. Porque se a pessoa cuida bem da saúde física e mental, é possível chegar a essa idade sentindo-se tão jovem quanto aos 25. Como dizem, aos 40 anos você é velho demais para ser jovem e jovem demais para ser velho. O maior problema dessa idade é o etarismo mesmo, porque já somos tratados como "coroas" ou "tiozões". Por isso, sempre que puder, esconda a idade e tente parecer mais jovem. O bacana dessa fase da vida é que muitos já conseguiram realizar muitos objetivos e sonhos de quando eram mais jovens e há uma tendência a uma maior estabilidade geral, seja emocionalmente falando quanto financeiramente. Não é à toa que muitas mulheres mais jovens preferem os homens dessa faixa etária. O que não podemos aqui é ficar acomodados na nossa zona de conforto, porque ainda há muita história para construirmos ao longo da vida.

Enfim, depois dos 40, eu ainda preciso viver para saber como é o que vem depois. Mas de todas as idades que já vivi, creio que a idade mais difícil mesmo sejam realmente os 18 anos. Passamos por uma verdadeira metamorfose aos 18 e muitas mudanças são impostas pela sociedade, diferentemente das outras fases que a gente vai se adaptando mais gradualmente. 

Daqui a uns 10 anos, eu volto aqui e conto como é a vida após os 50. Enquanto isso, vambora viver a vida, moçada!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Sou contra tudo que for hereditário


Recebi hoje no meu feed a notícia de que os bilionários formados no último ano acumularam mais riqueza por meio de herança do que por empreendedorismo. Isso ocorreu pela primeira vez desde que o UBS (banco suíço) começou a rastrear as fortunas dos mais ricos do mundo, há quase uma década. Ou seja: os super ricos estão ficando ainda mais ricos através, simplesmente, de herança. Isso destrói de uma vez aquela narrativa capciosa do capitalismo financeiro de que os ricos são ricos "puramente por mérito". E o pior de tudo é que apenas 1.000 bilionários passaram cerca de US$ 5,2 trilhões (R$ 25,63 trilhões) para seus filhos. Para se ter uma ideia do absurdo, isso é mais que o triplo do PIB do Brasil.

Enquanto esses bilionários ostentam essas fortunas adquiridas sem qualquer esforço, metade da população mundial sofre de insegurança alimentar e com falta de remédios e de moradia mesmo quase morrendo de tanto trabalhar. A pobreza também é hereditária, porque a meritocracia não existe no capitalismo. É por isso que além de ser contra o capitalismo, sou também contra tudo que for hereditário.

domingo, 3 de dezembro de 2023

Pênis pequeno não é micropênis

 

Na postagem passada, eu apresentei alguns motivos pelos quais ter um pênis pequeno não é algo tão ruim assim como a nossa cultura falocêntrica tenta impor. Inclusive, esqueci de citar uma vantagem extra que é a de que o pênis menor, normalmente, possui uma ereção melhor por precisar de menos sangue para encher totalmente os corpos cavernosos. Contudo, eu precisei escrever este adendo para lembrar que, naquele post, eu estava me referindo a órgãos sexuais pequenos, porém, normais. Esqueci de mencionar os casos extremos envolvendo micropênis que são os genitais com menos de 7 centímetros em ereção. O micropênis é uma doença que deve ser tratada por um urologista, porque além de problemas sexuais, pode causar problemas de higiene, de fimose, de infecções reincidentes e de dificuldade até para a micção. Tem também casos de pênis embutido, de má formação congênita, de hermafroditismo, de síndromes causadas por anomalias no cariotipo e outros que podem ser confundidos com micropênis e exigem cuidados médicos e psicológicos. 

A minha intenção com a postagem passada foi para que os homens com o comprimento do membro abaixo da média não ficassem com complexo de inferioridade por conta de algo que é natural. Afinal, pênis pequeno é uma coisa, micropênis é outra. O pênis acima de 7 cm é funcional e possui o tamanho mínimo para realizar a penetração. Mas falando de tratamento, o micropênis é detectado já na primeira infância. O ideal é que o pediatra mesmo já identifique isso no menino ainda pequeno para que ele possa tratar caso tenha realmente um micropênis, porque depois de adulto, o tratamento é mais difícil por não haver uma resposta hormonal relevante para resolver o problema. Infelizmente, muitos adultos têm micropênis porque, às vezes, durante a infância, os pais não tinham conhecimento sobre o assunto, ou então porque moravam em lugares onde não havia assistência médica adequada, ou ainda porque a família era muito religiosa e encarava isso como tabu ou sem importância.

Desnecessário lembrar que é capacitismo discriminar um homem por ele possuir um micropênis. Ninguém escolhe nascer assim e isso é terrível para qualquer homem adulto. Imagine você, que se acha bem dotado, tivesse um órgão genital de 1 cm. Acho que você não se sentiria bem caso sofresse bullying por isso.

A seguir, vou deixar um vídeo didático sobre este assunto.

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

É bom demais ter pinto pequeno

 

Não há uma discussão sequer na internet envolvendo o comprimento ou espessura do membro viril em que não apareça pelo menos uma dezena de homens inconformados por estarem "abaixo da média". É preocupante a quantidade de homens que sofrem injustamente por terem cometido o "crime" de terem nascido com o pênis pequeno. Isso é muito triste, porque cansei de ler relatos de rapazes que sofreram bullying por isso, que têm vergonha de ir à praia, que não namoram, que passaram dos 30 anos de idade e são virgens, que têm a autoestima muito baixa e alguns até que chegam a falar de depressão e suicídio por esse motivo. 

Essa cultura do falocentrismo é extremamente danosa para os homens por colocar, erroneamente, o poder, a masculinidade e a autoestima masculina no tamanho do pênis. E isso é agravado pela indústria pornográfica que reforça de uma maneira totalmente equivocada a ideia de quanto maior o membro, mais prazer ele proporciona, padronizando um tamanho que está exageradamente acima da média. Porém, a verdade é que essa cultura sexista e falocêntrica do falo avantajado como o centro do poder não possui nenhuma coerência. Na antiguidade clássica, por exemplo, era exatamente o contrário, pois os homens com menor pênis mostravam mais sabedoria, intelecto e possuíam seus instintos sob controle. Claro que essa visão antiga também era equivocada, porque o tamanho do órgão genital não tem nada a ver também com capacidade cognitiva. Mas a verdade é que apesar da ideia do falo gigante ser associada a maior masculinidade, ter o dito-cujo pequeno tem, sim, as suas vantagens.

Ser pequeno possui uma grande vantagem.

Cansei de ver em sites de acompanhantes algumas profissionais deixando claro que só faziam o programa se o cliente tivesse o pênis pequeno. Elas recusavam o atendimento com homens com mais de 12 cm por terem o útero baixo e sentirem muito desconforto na penetração. E por ser pequeno, isso abria possibilidade para variações sexuais, como sexo oral e anal, sem restrições e sem "frescura". Mas a vantagem não para por aí. 

Os pequenos fazem a alegria da mulherada.
 

Certa vez, aprendi com um velho conhecido que o segredo para "pegar mulher" era fingir ou dar a entender que você, homem, possui um pênis pequeno. Diga sem medo para a mulherada antes de levá-las para a cama que a sua "ferramenta" de trabalho é bem pequena. Isso porque homens que se gabam do tamanhão do próprio p@u, no geral, são ruins de cama. Eles só têm o tamanho para impressionar e ficam falando isso para tentar causar uma boa impressão, já que a cultura falocêntrica endeusa esse tipo de homem. Mas como já diz o velho ditado, é melhor um pequeno brincalhão que um grande bobalhão. O cara que tem pinto pequeno sente que precisa compensar isso com outras "habilidades" e costumam mandar muito melhor no jogo da sedução, nas preliminares e no sexo em geral com a mulherada. São esses caras com piru pequeno que costumam dar aquele banho de língua inesquecível nas gurias, que dão aquele beijo de deixar as pernas bambas, que têm pegada, que exploram com carinho os pontos erógenos femininos e que conhecem técnicas infalíveis para fazer a parceira ver todas as estrelinhas do universo e um pouco mais. E as mulheres percebem isso quase que instintivamente, camarada. Daí eu te pergunto: que mulher vai trocar um homem confiante, sedutor, carinhoso, companheiro, fiel, divertido e bom de cama por outro ignorante que só tem um pinto gigantesco para oferecer? Aliás, pintos grandes costumam causar mais dor, enquanto que os menores cabem em qualquer lugar sem desconforto. Além do que, na hora H existem posições e técnicas (pompoarismo) que fazem o pequeno brincalhão render muito mais. E antes que tentem me refutar, lembre-se que se essa teoria estivesse errada, não existiriam lésbicas no mundo.

Os humilhados serão exaltados.


Então, caro amigo, se você tem um equipamento mais "humilde", se orgulhe dele. Ele pode ser justamente o grande diferencial que separa os caras ruins de cama dos caras inesquecíveis.