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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Dicas para começar arrebentando em Cyberpunk 2077


A indústria dos games às vezes nos surpreende de forma muito positiva. Quem diria que o jogo com o lançamento mais catastrófico da história dos games – o redimido Cyberpunk 2077 – ultrapassaria as 40 milhões de cópias vendidas, ficando entre os 20 títulos mais vendidos de todos os tempos? Pois é, isso porque Cyberpunk 2077 só teve uma única expansão e sofreu boicotes de muitos jogadores devido às mentiras ditas pela CD Projekt Red sobre o estado do jogo antes seu lançamento lá em 2020. Apesar disso, a tendência do game é de continuar em alta devido às atualizações que sofre periodicamente e a uma ativa comunidade de modders que criam conteúdo novo diariamente para o jogo. E para melhorar, depois que a CDPR anunciou a terceira DLC de Witcher 3, onze anos após o lançamento do game, também é bem provável que CP 2077 tenha pelo menos mais uma expansão no futuro, o que certamente irá trazer novos jogadores para a franquia. Sem contar que as vendas do jogo devem aumentar ainda mais graças à segunda temporada do anime da NetFlix Cyberpunk Edrunners. Então, para ajudar os novos jogadores que irão começar a jogar esta obra-prima, resolvi fazer este pequeno guia com diversas instruções que o jogo não dá e dicas para quem está começando. Quem já joga há mais tempo e não percebeu certas coisas básicas também pode aprender algumas novidades já que a lista de dicas a seguir é longa. Eu tenho moral para dar dicas de Cyberpunk 2077 porque ele é um dos jogos pelos quais mais me apeguei devido a sua imersão e fator replay, contabilizando até o momento na minha Steam mais 2.200 horas jogadas e todas as conquistas alcançadas. Muito bem, vamos deixar de conversa mole e vamos ao que interessa. Vamos às principais dicas de gameplay para este game:

Olha a cara do senhor Welles com o que vem por aí.


Comida e bebida não regeneram vida - diferentemente da maioria dos jogos, em CP2077 as comidas e bebidas só aumentam a regeneração de vida e vigor quando usadas fora de combate. Ou seja, você deve usá-los antes de entrar numa luta e não durante o tiroteio. O que regenera vida durante o combate são habilidades específicas, revitalizadores e cibernéticas como a bomba de sangue.

Granadas e ampliador de vida infinitos - isso mesmo, tanto as granadas quanto os revitalizadores podem ser usados infinitamente, contudo, eles possuem um tempo de recarga para serem reutilizados. 

Durma, tome café e banho - dormir, tomar banho e tomar café no seu apê aumentam o ganho de xp, a regeneração de vida e a regeneração de vigor por uma 1 hora. Isso pode ser bem útil assim como também era na expansão Blood and Wine do Witcher 3. Porém, por algum motivo que desconheço, se você dormir por último, acaba por perder o buff do banho. Então, durma primeiro e depois tome banho e café.

Desmonte as tralhas num clique - quando comecei a jogar, eu desmontava os itens na categoria tralha um por um. Mas há um botão na tela de tralhas que desmonta tudo de uma só vez, economizando tempo. Mas atenção, só faça isso quando não houver tralhas valiosas de $500. Essas tralhas valiosas devem ser vendidas primeiro e depois é que o botão de desmonte deve ser usado para desmanchar o resto.

Contratos com fixers melhoram a reputação dos mercenários.


Missões de canais - diferentemente do Witcher 3 onde as missões secundárias são encontradas nos quadros de avisos, em Cyberpunk 2077, as missões dos canais (e missões secundárias) aparecem apenas no mapa do menu do jogo marcadas numa exclamação verde. Você deve marcá-las no mapa e ir até lá para o canal (fixer) telefonar para você e passar as instruções. Isso me incomodou muito no começo do jogo, porque fiz pouquíssimas missões secundárias e não tinha ideia de como fazê-las, já que o jogo não explica como achá-las.

Desmonte as roupas - Todas as roupas que você adquirir no game que não dão status ou bônus específico devem ser desmontadas para dar mais componentes de criação. Não vale a pena vendê-las porque são muito baratas e guardá-las no inventário do apartamento também é inútil, já que mesmo desmontadas, elas permanecem salvas no seu guarda-roupa. Roupas que dão vantagens como mais armadura, menor tempo de recarga e outros bônus devem ser equipadas no inventário do menu e elas NÃO irão aparecer vestidas no seu personagem graças ao efeito transmog. Esse efeito faz com que o seu visual seja montado no guarda-roupa e o status das roupas seja colocado no inventário ativo à parte sem interferir no visual do personagem. 

Uma boa mercenária torna suas armas sempre mais mortais.


Armas icônicas podem receber upgrades - enquanto armas comuns (com fundo preto no menu) não aceitam upgrades, as versões icônicas (com fundo dourado) podem subir de nível no menu melhorias com os componentes de criação. Armas comuns recebem apenas acessórios como miras e silenciadores que não podem ser desacoplados.

Aprenda a voar - sim, é possível dar uma voadinha rápida em CP2077. Para isso, você precisa ter o implante de pernas tendões reforçados e a habilidade de avanço (dash) aéreo. Você só precisa dar o primeiro avanço ainda no solo e pular durante o embalo dele duas vezes com o salto duplo e dar outro avanço no ar. Você pode fazer como citei dando o dash, pulo, pulo, dash ou então dar o dash, pulo, dash, pulo. É preciso ser rápido e treinar um pouco para ficar perfeito. Quando bem executado, esse truque é tão rápido quanto um carro. É simplesmente viciante de usar.

Cuidado com inimigos com lâminas de louva-a-deus - inimigos que nos atacam corpo a corpo, especialmente com as mantis blades e katanas, nos derrotam com no máximo três golpes do início do game. A gangue da Maelstrom, por exemplo, pode nos perseguir no início caso tenhamos os atacado na missão para pegar o robô cabeça chata e sempre tem pelo menos um deles nos atacando com lâminas em super velocidade. Isso é uma covardia com os iniciantes, então o jeito que tem é tentar parar esses inimigos com hacks rápidos de controle, granadas de luz ou então os atropelando com carros e parando o carro em cima deles. Simplesmente não dá para lutar de igual para igual com esses adversários no início. Eu recomendo fugir e se abrigar num lugar mais alto para que os inimigos não te alcancem.

Evite os ciberpsicopatas no início - as missões contra os psicocibernéticos dados pela Regina Jones devem ser evitadas antes da missão O Roubo, porque eles são fortes demais no início e podem derrotar nosso personagem com um único hit.

Um bom mercenário só entra em combate com estratégia.


Estratégia de combate - a dificuldade do game é maior no começo, porque somos fracos e temos poucas cibernéticas. A minha dica é começar matando os inimigos furtivamente com takedowns, facas e armas silenciosas enquanto usa hacks rápidos. Isso vai diminuir o número total de inimigos que você terá que enfrentar de uma vez quando for achado por eles. Só saia no tiroteio e na porrada quando for detectado e entrar no modo combate. Ir para o confronto aberto no "modo Rambo" no início do jogo é quase sentença de morte nas dificuldades mais altas. Uma coisa que demorei para descobrir é que é possível arrastar um inimigo imobilizado por um mata-leão para abatê-lo longe da vista dos outros. Hacks de distração também são muito úteis para pegar os inimigos no stealth.

Matando na queda - cair em cima dos inimigos de um lugar mais alto e fora de combate os abate instantaneamente e silenciosamente sem precisar apertar nenhum botão. Isso pode ser útil em abordagens furtivas.

Não inicie uma abordagem furtiva durante uma ligação - se você tentar dar um mata-leão num inimigo durante uma ligação telefônica, essa opção de abate simplesmente não estará disponível mesmo que o inimigo não te escute conversando. Isso já arruinou alguns dos meus ataques furtivos.

Use a coronhada quando não der tempo de recarregar - é muito comum, especialmente no início, ficarmos sem munição enquanto os inimigos que atacam corpo a corpo vem para cima da gente. Se não der tempo de recarregar a arma, não hesite em dar coronhadas para atordoá-los. Isso ajuda bastante a evitar mortes bestas.

Compre um carro barato - antes da missão O Roubo, procure comprar um carro barato para não ficar a pé depois, já que no início do ato 2 nós ficamos sem carro. A menos que você não se importe em usar o sistema Ncart de transporte público ou saia roubando carros como se fosse um GTA. 

Habilidade Técnica e Força abrem atalhos - no menu de habilidades do personagem é interessante investir em Força e Habilidade Técnica, porque elas abrem portas e caminhos que não podem ser acessados de outra forma.

Você acha mesmo que esse maluco compra armas em lojas?


Não compre armas em lojas - armas vendidas em lojas são caras demais e a gente consegue centenas de armas gratuitamente fazendo as missões da polícia e secundárias. 

Perseguições de carro são injustas com o jogador - se você jogar nas dificuldades mais altas, a missão da fuga do Kompeki Plaza pode ser bem complicada quando estamos no carro sendo perseguidos por drones. Então o melhor jeito de não passar perrengue nesta parte é deixar para trocar o ciberdeque por outro sistema operacional apenas após a missão O Roubo, porque é muito difícil abater os drones antes de tomar um autokill se você não tiver hacks rápidos nessa parte. Semelhante a isso é o início do modo de vida Nômade em que é bem difícil não morrer durante a perseguição de carro após cruzar a fronteira. Neste caso, eu recomendo diminuir a dificuldade do jogo (somente até esta parte) para a mais fácil e evitar o estresse de morrer várias e várias vezes seguidas.

Use a câmera para espiar os inimigos - sempre que quiser ver onde um inimigo está escondido ou ir para um lugar que não puder ver na primeira pessoa, basta entrar no modo fotografia e usar a câmera como drone. É meio que uma trapaça, mas ajuda em casos específicos.

Motos são imunes a dano de queda - sempre que quiser pular de alturas extremas sem morrer, basta subir na sua moto e dar um salto. Não importa a altura que você caia, você e a moto não tomam qualquer dano. Isso ajuda a poupar tempo com decidas e a surpreender inimigos desavisados.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

The Witcher 3 está de volta!


Em tempos em que quase tudo é monetizado pela indústria dos games com remasters, ramakes, microtransações e venda de dlcs, aparece do nada a CD Projekt Red e anuncia que o clássico The Witcher 3 terá um remaster gratuito para todas as plataformas da nova geração. Esse remaster terá melhorias na gameplay, atualização gráfica, renovação da árvore de habilidades e várias outras novidades, aumentando ainda mais a longevidade do jogo. E para melhorar o que já estava bom, a empresa também anunciou a terceira expansão para o game 12 anos depois do seu lançamento. Songs of the Past deverá chegar em 2027 trazendo uma nova história e novas habilidades para o bruxeiro Geralt of Rivia. Apesar de ter decepcionado a comunidade gamer com aquele lançamento catastrófico do Cyberpunk 2077, a CD Projekt deu a volta por cima e agora vai fazer o melhor jogo da história voltar a ser jogado por milhões de fãs. 

O Lobo Branco está de volta!


Witcher 3 foi (e ainda é) uma obra-prima, sendo um dos títulos mais premiados de todos os tempos. Quem não teve tempo ou oportunidade para conhecer a saga do bruxeiro, recomendo que aproveite este remaster para vivenciar momentos épicos e inesquecíveis na frente da TV. Apesar de no momento eu estar com pouco tempo para jogar e estar jogando mais o divertido Cyberpunk 2077, vou voltar a mergulhar de cabeça nas aventuras de Geralt e companhia assim que a dlc for lançada. Até porque assim como filmes, livros e músicas marcam as nossas vidas, bons jogos de videogame também ocupam um espaço carinhoso nos nossos corações. Enfim, chegou a hora de desaposentar o velho Lobo Branco e sua espada de prata!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O futuro do capitalismo é totalmente cyberpunk


Quem conhece o universo distópico criado por Mike Pondsmith já entendeu que a franquia Cyberpunk trata de uma sociedade à beira do colapso devido a um capitalismo sem controle. Violência, criminalidade, drogas, vício, desigualdade, poluição, destruição da natureza, colonialismo corporativo e desesperança fazem parte de um futuro onde a tecnologia de implantes cibernéticos roubou o que restou de humanidade das pessoas. Um ultra capitalismo tecnológico com Estado mínimo onde as megacorporações fazem guerra armada entre si só mostra a monstruosidade de um mundo onde o lucro está acima de tudo. O anime Cyberpunk Edgerunners e o game Cyberpunk 2077 mostram a corrupção, a brutalidade e o fetiche pelo cromo como protagonistas da cidade de Night City. Ninguém naquela cidade é verdadeiramente livre ou feliz, porque as corporações roubaram os sonhos e as esperanças das pessoas, jogando-as num pesadelo que pode terminar a qualquer momento seja em um apocalipse tecnológico causado por IAs maléficas que estão além da Barreira Negra, ou em uma guerra nuclear entre as megacorporações armamentistas. Não há bom presságio em Night City.

Não há esperança em um mundo sem futuro.


O mais interessante é que essas semelhanças com o mundo real não são mera coincidência. Pondsmith, como gênio literário, nos apresenta uma visão do futuro de um mundo capitalista. E não há qualquer possibilidade do futuro do capitalismo ser bom, mesmo numa perspectiva otimista. Se não abrirmos os nossos olhos e lutarmos contra esse sistema, mais em breve do que imaginamos iremos entrar numa realidade igual ou pior. O que a distopia grita o tempo todo é um óbvio "não há futuro no capitalismo". Isso porque o capitalismo torna as pessoas racistas, egoístas e corruptas. O senso de coletividade neste sistema é destruído e as pessoas passam a buscar poder, status, materialismo e sucesso individual a qualquer custo. Os nossos semelhantes tornam-se degraus para serem pisados e peões para serem explorados. Somos desumanizados e vistos como meros objetos utilitários para os que almejam o poder. Só no capitalismo a ideia de que "quem não rouba é otário" pode fazer algum sentido. 

Quem não for capaz de compreender isso será como um gado feliz indo direto para o abatedouro. E quando for tarde demais lembre-se: Cyberpunk avisou...


O futuro do capitalismo é o fim de todos nós.


terça-feira, 23 de setembro de 2025

Ser gamer no Brasil é um ato heróico


Ter um videogame sempre foi um privilégio no Brasil. Desde os anos 1980, época onde os Famiclones já custavam um preço bastante salgado, que o sonho de ter um aparelho que rodava games em casa era onipresente para crianças e adolescentes. E nem era por uma questão de status, era por uma questão de diversão mesmo. Videogame com gráficos inteligíveis era uma novidade tecnológica e juntar os amigos para jogar em casa rendia horas e horas de diversão. O meu primeiro videogame foi um Mega Drive que ganhei em 1992 e lembro que a minha família teve que se endividar para poder comprá-lo. Mais de 30 anos se passaram e os videogames continuam caros. Os três videogames da atual geração (PS5 pro, XBOX series x e Nintendo Switch 2) estão saindo por mais de R$ 4 mil cada em um país onde a média salarial nem chega perto disso. E como praticamente não há mais locadoras ou fliperamas, o que resta para os amantes de games da década de 2020 é jogar games free to play para smartphones, emuladores para PCs de entrada ou apelar para a boa e velha pirataria.

Vamos ser francos: ser gamer no Brasil não é coisa para amador. Os guerreiros que conseguem montar um PC gamer mais acessível não raramente fazem gambiarras com kits-upgrade de Xeons de dez anos atrás no AliExpress ou usam o cloud gaming que além de caro é ruim porque a internet brasileira é bastante instável. E para piorar o que já não estava nada bom, dizem os especialistas que o GTA 6 vem aí custando nada menos que 100 dólares (o que para nós deve sair por mais de 600 pilas). Se esse for mesmo o novo preço dos AAA da indústria dos games, a maioria de nós só vai zerar jogos nível blockbuster assistindo os outros jogarem pelo YouTube. E o pior é que mesmo que o GTA 6 viesse de graça, teríamos microtransações e outras coisas obscuras como o pay-to-win. Afinal, nenhuma empresa vive sem lucro num mundo capitalista.

É por tudo isso que ser gamer no Brasil é um ato de resistência. Eu sigo fazendo gambiarras no meu PCzinho da idade da pedra e ele tem dado conta do recado até o momento. Mas para a futura geração de games, o que resta é a resistência e a criatividade.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Qual o melhor: Witcher 3 ou Cyberpunk 2077?


Indo direto ao ponto, eu diria que The Witcher 3 The Wild Hunt é, no geral, um game melhor que o Cyberpunk 2077. Mas antes que algum cyberpsicopata fã da distopia de Mike Pondsmith comece a preparar um ataque com suas mantis blades contra mim, quero deixar bem claro que eu simplesmente AMO o universo cyberpunk tanto quanto o universo do Witcher. Eu estou trazendo esse questionamento nesta postagem porque ele está presente em vários debates sobre qual é o melhor game de mundo aberto da CD Projekt Red. Cyberpunk 2077 e Witcher 3 são as duas maiores obras-primas da empresa e sempre há discussões sobre qual é a melhor. Como eu tenho mais de 1000 horas jogadas de cada um desses RPGs, então tenho alguma autoridade para dizer o que acho de ambos. Portanto, vamos aos pontos fortes de cada um desses games:


Vantagens do The Witcher 3:

História mais longa: Witcher 3 tem um enredo mais cheio de peripécias e com mais histórias para contar que o Cyberpunk. Para terminar o básico da jornada do Geraldão de Rivia, você vai levar umas 60 horas, enquanto a história de V termina em menos de 50 horas. Fora que a série Witcher está no seu terceiro game, o que ajudou a consolidar sua jogabilidade e construção de mundo aberto e também traz a possibilidade de importar os seus saves do Witcher 2.

Mapa maior: Wild Hunt tem três grandes mapas (Velen, Skellige e Toussaint) e cada um deles é maior que toda a Night City, fora mapas menores como Kaer Morhen e Pomar Branco. Apesar do mapa do Cyberpunk ser mais complexo, ele é único e não tem uma verticalidade tão acessível.

Terceira pessoa: Eu gosto tanto de games em primeira quanto em terceira pessoa, mas a terceira pessoa tem algo que é insubstituível: a sensação de propriocepção. Em games em primeira pessoa, como Cyberpunk, você não sabe exatamente a posição de seus braços e pernas ou qual sua postura, dando a sensação que você é uma câmera voadora. E isso atrapalha especialmente na hora de fazer parkours (Mirror Edge que o diga) ou dar ataques a curta distância.

Cutscenes: Além de ajudar na jogabilidade, games em terceira pessoa ainda trazem cutscenes cinematográficas, onde parece que a gente está assistindo a um filme, podendo ver até cenas onde nosso personagem não está presente. Em Cyberpunk 2077 não há cutscenes, ao invés disso, a câmera em primeira pessoa trava sozinha em ângulos específicos nos momentos que deviam ser de uma cutscene.

Músicas: A trilha sonora do Witcher 3 é tão boa quanto a do Cyberpunk, o que desempata é que no primeiro game existem músicas ambientes que tocam em cada mapa ou em momentos específicos do game, aumentando a sensação de imersão devido a sinestesia que isso causa. Em Cyberpunk 2077, a maioria das músicas só toca na rádio ou em missões específicas. Não há, por exemplo, um tema musical das Badlands como há o tema musical de Kaer Morhen ou Ard Skellige.

DLCs: A expansão Phantom Liberty do CP 2077 é maravilhosa em todos os sentidos, mas só tem ela. O Witcher 3 tem duas: Hearts of Stone e Blood and Wine, sendo que a última traz um mapa totalmente novo e gigante.

Gwent: A cereja do bolo do Witcher 3 é o mini game do Gwent. Eu nunca vi um jogo de cartas tão viciante quanto aquele. No CP2077 não há nenhum mini game neste nível, mesmo os joguinhos dos fliperamas disponível dentro do jogo não conseguem divertir tanto quanto o Gwent.



Vantagens do Cyberpunk 2077:

Fator replay: Diferentemente do Witcher onde você só joga com o Geralt, em Cyberpunk 2077, o seu personagem é construído do zero. Você escolhe o background histórico (nômade, marginal ou corporativo) e customiza toda sua aparência, gênero e pontos de habilidade. Cada vez que você joga é como se fosse um protagonista totalmente novo, aumentando bastante o fator replay.

Variedade de builds: Enquanto no Witcher 3 você tem poucas builds envolvendo basicamente armaduras e habilidades de espada, sinais e alquimia, no CP 2077, você tem a árvore de habilidades e as cibernéticas que se combinam de formas muito variadas. Jogando como V, você pode ser espadachim, arremessador de facas, netrunner, tank, berserker, furtivo, sniper, pistoleiro ou se mover em super velocidade com o sandevistan. Fora que é possível terminar o game sem matar ninguém, coisa que não é possível no Witcher.

Modo foto: O modo fotografia do Cyberpunk é praticamente um game à parte. As possibilidades de iluminação, poses e interação de personagens é algo incrível e que tem sido aperfeiçoado a cada atualização. Embora o Witcher também tenha um modo foto, o do CP2077 é bem melhor.

Final secreto: Cyberpunk 2077 tem um final secreto que é absolutamente incrível e desafiador. Eu fiz esse final duas vezes na dificuldade very hard e confesso que foi uma das coisas mais satisfatórias e emocionantes que já fiz num jogo de videogame.

Então, por todos esses motivos eu considero que Witcher 3 é um game 10/10 enquanto que Cyberpunk 2077 é um 9,7/10. Nunca é demais dizer que os problemas no lançamento e os bugs que o CP2077 enfrentou atrapalharam o desenvolvimento do game e cortaram parte do seu conteúdo, mas mesmo assim, o jogo é incrível hoje e consegue ficar praticamente no mesmo nível do Witcher 3.

terça-feira, 29 de abril de 2025

Cyberwoman 2077


Estou completando hoje um ano que comecei a jogar pra valer o redimido Cyberpunk 2077 e passei da marca das 1100 horas de jogo, sendo ele meu segundo game com mais horas de gameplay da Steam, ficando atrás apenas do bom e velho Counter-Strike que tenho mais de 3000 horas jogadas. E nas minhas dezenas de campanhas no CP 2077, percebi uma coisa interessante: que a maioria das minhas playthrough runs foram com a protagonista V feminina. O mais interessante é que dando uma olhada nas comunidades do game no Reddit, eu percebi a mesma coisa, porque a maioria dos jogadores também prefere jogar com a V mulher ao invés do V homem. Depois de pensar nos motivos, cheguei a sete razões pelas quais jogar sendo a V fêmea é mais interessante que jogar com o V macho.

Esse sorriso psicopata ganhou meu coração.


Relacionamentos
Um dos maiores motivos para jogar com a V mulher é a possibilidade única de romancear a Judy (que é lésbica). Das quatro opções de relacionamento que o jogo oferece, essa técnica em neurodança das Mox é a melhor (na minha opinião, claro). 

Dublagem
Tanto a dublagem do V homem quanto da V mulher são excelentes. Mas a voz da V feminina me parece mais agradável e mais natural. A voz do V homem (tanto na dublagem inglês quanto na brasileira) me soa muito clássica, tipo a de um galã – enquanto que a da V mulher parece que é uma pessoa comum falando, tornando a experiência mais natural e imersiva. Enquanto o V masculino faz a gente se sentir num filme, a V feminina faz a gente se sentir na vida real.

Estética
Talvez seja preconceito meu, mas as possibilidades de criar uma V feminina são mais variadas que as do V masculino. Enquanto que na V feminina você escolhe unhas, cor do esmalte, cor do batom, tamanho dos seios e fica bem com todos os penteados, no V masculino essas opções ficam bem esquisitas, especialmente se seu V for heterossexual. Sem falar que ver homem pelado sempre que a gente entra no guarda-roupas e customizar a genitália masculina não é algo que eu descreveria com agradável (já que sou homem hétero).

Vestimenta
Da mesma forma que customizar a V feminina é mais divertido e variado, vesti-la e comprar roupas para ela também é. Todas as roupas caem bem na V mulher e combiná-las com cortes de cabelo e maquiagem faz a gente gastar algumas horas a mais para caprichar naquela foto bacana no photo mode, transformando o game numa espécie de Cyberbarbie 2077. 

Lag
Não sei se isso acontece com todo mundo ou se é um defeito da minha placa de vídeo, mas as roupas do V masculino demoram um pouco mais para serem renderizadas, dando um lag de um ou dois segundos. Isso ocorre tanto no inventário quanto durante o game, o que torna a jogabilidade com a V  feminina mais fluida, já que não há esse problema com ela. 

Interpretação
Jogar como a V feminina desperta em mim um estranho instinto de proteção com ela, como se ela fosse uma espécie de filha virtual. Além de que é interessante estar na pele de uma pessoa de outro gênero diferente da gente, ainda mais com o jogo sendo em primeira pessoa, o que aumenta a sensação de imersão.

Silverhand
A última razão pela qual é interessante jogar com a V é que Johnny Silverhand é um sujeito machista, anticorporativo e odeia a Arasaka. Se a nossa V tiver um passado corporativo, então ele acordará justamente na cabeça de uma mulher corpe e ainda por cima da Arasaka. É uma antítese interessante que cria uma dinâmica de interação curiosa, porque ele odeia a V, mas ao mesmo tempo vira praticamente um amigo dela. Fora que a interação dele com a V feminina me parece mais engraçada e fluida.


V: A exterminadora do futuro.

É por tudo isso que o meu cânone pessoal no game é com a V feminina, corporativa, de preferência. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Cyberpunk 2077 não é cyberpunk o suficiente


O único game que eu tenho jogado nos últimos meses é o redimido Cyberpunk 2077. Um jogo que prometeu demais, foi lançado quebrado e deu a volta por cima no final. Cyberpunk 2077 hoje é um game maravilhoso que não lembra em nada o desastre do seu lançamento. Minhas mais de 800 horas de gameplay provaram que esta obra-prima da CD Projekt Red é um dos melhores jogos de mundo aberto da história e o segundo melhor RPG de todos os tempos logo atrás do Witcher 3. Pretendo abordar melhor as qualidades deste game em outro post. Neste aqui, contudo, eu vou apontar algumas das falhas que imagino que serão consertadas em futuras dlcs ou que serão corrigidas no próximo game da série e que deixaram Cyberpunk 2077 menos distópico que eu imaginava.


Falando de questões estruturais, o próximo Cyberpunk (projeto Orion) precisará ser ainda mais cyberpunk que o CP2077. Digo isso por questões de melhor imersão no rico universo criado por Mike Pondsmith. É preciso que a gente sinta que está de fato em uma distopia decadente e apocalíptica. Os implantes precisam ser mais agressivos, a violência mais presente, a atmosfera do game mais sombria, as roupas mais agressivas e a profanação do corpo algo mais perturbador. Esse primeiro Cyberpunk mais parece um GTA futurista que um mundo realmente cyberpunk. Eu não vejo tantos finais ruins nas missões secundárias como havia em Witcher 3, por exemplo, onde a gente tinha que escolher o "mal menor". Cyberpunk é sobre sobrevivência, revolta, luta, medo, fuga da realidade e niilismo em um futuro sem esperança. Nossas vidas no game não podem ser melhores que as nossas vidas reais. Inclusive, acho que atmosfera egoísta e brutal de Night City é um ambiente perfeito para desenvolver laços profundos com os raros personagens que se conectam conosco emocionalmente – já que sentimentos de amor e altruísmo contrastam e ganham força com o comportamento frio e indiferente da maioria dos moradores da cidade. Os romances do jogo são quase superficiais e pouco desenvolvidos. Personagens que salvam nossas vidas (ou que salvamos as deles) e que realmente criam laços importantes – como Takemura e Songbird – são solenemente negligenciados como opções de relacionamento.


Honestamente falando, acho que Cyberpunk 2077, apesar de ser um dos melhores games que joguei na vida, ainda pode ser muito melhor. Por isso, pontuei a seguir uma lista de itens que podem ser melhorados no game como um todo:

  • Não poder pular diálogos inteiros.
  • Neurodanças são chatas e repetitivas.
  • Personagens não reagem às nossas roupas.
  • Falta uma lanterna.
  • Bebidas alcoólicas não servem para nada.
  • Faltam mais tipos de roupas, de corpos para V e de cortes de cabelo.
  • Falta de customização de veículos (incluindo neon e nitro).
  • A história é relativamente curta e apressada.
  • Novigrad do Witcher 3 tinha mais brodéis que em toda Nightcity.
  • Morte por cronometagem invisível (autokill) em sequências de perseguições com tiroteio no carro.

PS: Sim, Cyberpunk 2077 ainda possui bugs raros que podem prejudicar a gameplay, mas a grande maioria deles desaparece ao reiniciar o game no último save.


Apesar de todos os problemas listados e da falta de mais conteúdo (o game teve uma expansão cortada), o game é absolutamente divertido e viciante. Além da boa história, as builds de combate e as formas diferentes de resolver as missões é algo que nunca vi igual na história dos games, tornando o fator replay bastante atrativo.

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Cyberpunk 2077 renasceu das cinzas


Pois é... As postagens deste bloguinho têm sido publicadas quase com a mesma frequência das visitas do Cometa Halley. Essa minha baixa frequência de postagens nos últimos meses se deve a um conjunto de fatores. Além das minhas atividades rotineiras que já me tomam bastante tempo, tenho dedicado tempo extra também para estudar, treinar, fazer plano de negócios e, adivinhe só: jogar Cyberpunk 2077. Já escrevi várias postagens falando mal das condições que o jogo estava, mas após voltar a jogá-lo neste mês, fiquei positivamente surpreso. 

Estou com mais de 85 horas jogadas e posso afirmar que as atuais análises positivas que o game tem recebido na Steam foram justíssimas. Cyberpunk 2077 é, em 2024, praticamente outro jogo. O game está muito mais completo, otimizado e com pouquíssimos bugs. Mesmo o meu PCzinho da Xuxa aqui o roda tranquilamente em configurações intermediárias e na minha primeira gameplay só tive dois bugs, nenhum deles atrapalhou a jogatina. 

Sejamos justos, Cyberpunk 2077 é um jogaço. A história é boa, a ambientação é maravilhosa, a jogabilidade é fácil, os gráficos são lindos, o cuidado com os detalhes é espantoso e a gameplay te prende do início ao fim. Se o jogo tivesse saído assim no lançamento, seria GOTY com toda certeza. Tenho que parabenizar a CD Projekt Red pelo trabalho de ter concertado o game, porém, espero que não lancem mais games quebrados daqui pra frente. Enfim, gostei tanto do game que já estou pensando em comprar a expansão Phantom Liberty. Minha primeira gameplay foi com o V masculino nômade dando ênfase em ataques corpo a corpo. Já minha gameplay atual é com a V feminina corporativa netrunner num nível mais difícil e há inúmeras diferenças na gameplay. O fator replay do jogo é fantástico, porque existem muitas possibilidades de escolhas e formas de se completar os "trampos", sem falar dos múltiplos finais.

Que os haters do game me perdoem, mas Cyberpunk 2077 deu a volta por cima.

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Jogos da minha vida #11: Banjo-Kazooie


Apesar de muita gente considerar que o Super Mario 64 foi o melhor jogo de plataforma 3D criado nos anos 1990, eu abro divergência com essas pessoas para citar um game que, na minha opinião, superou com folga o jogo do bigodudo. Sim, o Banjo Kazooie, lançado em 1998 pela Rare para o Nintendo 64, foi o mais incrível jogo de plataforma/aventura que joguei na vida. Diferentemente dos outros games desta série "Jogos da Minha Vida", eu não me lembro quando foi a primeira vez que joguei este clássico. O que eu me lembro foi que este jogo me encantou do início ao fim. Apesar de ser fã do Mario 64 e de ter completado 100% dele, eu tinha alguns problemas com o game, especialmente com relação à camera. Aquela câmera do Mario 64 controlada pelo Lakitu era muito irritante, porque movia-se sozinha o tempo inteiro, bugava, não enquadrava bem e às vezes ficava travada em alguns locais. No Banjo Kazzoie, os problemas com a câmera eram praticamente inexistentes. E só isso já trouxe uma melhora incrível na experiência com o game. Fora as fases do Banjo Kazooie que juntamente com as músicas deram um show à parte. A parceria do Urso Banjo com a pássara Kazooie era divertida e trazia a possibilidade de usar truques e power ups que eu nunca tinha visto até então. Este jogo foi, sem dúvidas, um dos maiores acertos da Rare.

Voar nessa fase era pura diversão.


Cansei de ouvir das mais variadas línguas, desde os anos 90, que o Banjo Kazooie não passava de uma cópia mal feita do Mario 64, mas eu sempre discordei totalmente disso. Na verdade, Banjo era a evolução natural do Mario 64, uma espécie de sucesso espiritual. É verdade que a fórmula era a mesma, mas a dinâmica, o visual e a interação tinham uma personalidade própria. Era muito divertido procurar os jiggies (peças de quebra-cabeça) naquelas fases de temas variados (praia, neve, deserto, pântano, halloween) e usá-los para abrir as fases e acessar pontos novos do Castelo da Gruntilda através das notas musicais. Quando comecei a jogar o game, eu já devia ter uns 15 anos de idade e mesmo não sendo mais criança, o jogo fez eu me sentir criança de novo, porque era muito divertido, musical, colorido e bem produzido. O game, como citei, tinha uma personalidade própria. Tinham os jinjos coloridos para encontrar, tinham as transformações hilárias do Mumbo Jumbo, os desafios engraçados dos mini games, as habilidades lúdicas aprendidas com o Bottles, os personagens que falavam pelas orelhas e as trapaças através das páginas do Cheato. A sensação de imersão era maravilhosa, até porque o game reunia alguns elementos de RPG e fazia a gente se sentir parte do jogo, envolvido na história.

Não tinha como não amar essa dupla.
 

Banjo Kazooie era uma obra de arte em formato de jogo de videogame. Apesar do enredo ser meio bobinho com aquela coisa meia nada a ver da Bruxa Gruntilda querer roubar a beleza da irmã do Banjo, o desafio que o game trazia era bacana. Fora que o game era longo e conseguia nos manter entretidos por bastante tempo. O grande destaque do game foi a última fase do jogo, a inesquecível Click Clock Wood, que era um bosque ao redor de uma árvore gigante onde se passavam as quatro estações. Cada estação tinha a sua entrada própria e o que você fazia em uma, alternava o futuro na estação seguinte. E você meio que podia voltar no tempo para resolver alguns puzzles no futuro. Achei maravilhosa a ideia.

O único ponto negativo do Banjo Kazooie era que a dificuldade da boss final, a Bruxa Gruntilda, era muito alta, fora que também era uma batalha demorada e cheia de etapas. Eu nunca consegui zerar o game no console por isso (só nos emuladores). Aquele mini game de perguntas e respostas no final, apesar de divertido, me deu muito trabalho também, porque meu inglês era (e ainda é) horroroso.

Essa fase era realmente incrível.

O game teve uma continuação, que foi o Banjo Tooie que, diga-se de passagem, era muito mais longo, difícil, desafiador e complexo. Não achei o Banjo Tooie tão divertido quanto o primeiro, mas o jogo também era muito bom, especialmente por trazer inovações como ovos de múltiplos efeito, fases interligadas, mais truques e habilidades, a possibilidade de montar os quebra-cabeças num palácio e um enredo melhorzinho. O fato é que em matéria de jogos de plataforma 3D, Banjo Kazooie continua imbatível para mim até hoje.

PS: Algum fã resolveu fazer o projeto de um remake completo do game e divulgou o resultado no YouTube. O trabalho ficou bastante impressionante. Vou deixar o vídeo abaixo para quem ainda não conferiu.


sexta-feira, 1 de setembro de 2023

É ridículo adulto jogar video game?


Tem uma galerinha aí que, por não ter nada de construtivo para fazer, insiste em julgar a vida alheia e lança polêmicas sem sentido por total falta de assunto. Uma delas é a de que é "ridículo e infantil" um adulto com mais de 30 anos jogar vídeo games, porque adulto (segundo essa galerinha) tem que trabalhar para pagar as contas e cuidar dos filhos. É desnecessário dizer que essa "polêmica" sequer existe no mundo real, ainda mais no século XXI. Você joga vídeo game com qualquer idade e ponto, ninguém tem nada a ver com isso. Até porque cada pessoa tem a sua própria dinâmica de vida. Inclusive, há muitos jogos com classificação etária +18 justamente porque são produzidos especificamente para adultos. E quando digo adultos, estou falando de gente com bem mais de 30 anos de idade.

Videogame é para todas as gerações.

Para se ter uma ideia, na clínica de fisioterapia que minha mãe frequentava, por exemplo, eles usavam jogos do Nintendo Wii para reabilitação de adultos, incluindo idosos. No meu caso, o melhor game que joguei na minha vida foi o Witcher 3 e eu tinha mais de 30 anos quando o zerei pela primeira vez. Aliás, hoje tenho 40 anos de idade e, ocasionalmente, jogo alguma partidinha de game casual no celular, também alguns jogos na Steam e mato a saudade dos retrogames nos emuladores do notebook quando estou sem nada para fazer. Claro que eu sou suspeito para falar, porque sou de uma geração que nasceu e se criou jogando videogame. Eu jogo vídeo game desde os meus 6 anos de idade e nunca parei. Chego a passar algumas semanas sem jogar por falta de tempo ou de vontade, mas aqui e acolá estou jogando alguma coisa.

Retrogames são verdadeiras máquinas do tempo.

Engraçado que vídeo game ganhou há tempos o status de obra de arte e muita gente adulta coleciona jogos em diversas mídias como se fossem pinturas, livros, discos ou armas. Aquela visão oitentista de que "videogame" é coisa de piá já caiu por terra há décadas. Isso acontecia porque, como os vídeo games dos anos 80 eram basicamente arcades (voltados para o público infantojuvenil) e o resto eram adaptações domésticas dos mesmos, criou-se, na época, a visão de que jogos eletrônicos eram "coisa de criança". Afinal, ninguém via um vovozinho jogando um After Burner da vida nos fliperamas. Mas isso já mudou faz tempo. 

Eu, pessoalmente, considero o videogame uma espécie de remédio ansiolítico para todas as idades, porque a gente relaxa e se esquece das merdas da vida ao se envolver com a história, ao se apegar aos personagens, ao se desafiar em dificuldades maiores e ao ficar encantado com as trilhas sonoras. Aliás, tem muito jogo de vídeo game com trilha sonora melhor que muito filme blockbuster hollywoodiano. E falando de filmes, é engraçado que eu não tenho mais vontade nenhuma de assistir filmes. Mas, por outro lado, apesar de não ser mais tão apaixonado por games como na infância e adolescência, eu não abro mão de um bom joguinho eletrônico. Isso vale especialmente para retrogames, porque além da diversão, tem a questão da nostalgia dos bons momentos que vivi na era de ouro da minha vida enquanto jogava. É um verdadeiro turbilhão de emoções nostálgicas quando sento no chão para jogar Super Nintendo numa tevê de tubo enquanto lancho aquele potão de sorvete de chocolate. Ah, vai me dizer que não isso não é uma delícia?

domingo, 11 de junho de 2023

Jogos da minha vida #10: International Superstar Soccer


Era perto do fim do ano 1995. Foi naquela época que conheci o jogo de videogame que mais joguei na história da minha vida. Eu tinha ido fazer um trabalho do colégio em grupo na casa de um colega de classe e após terminarmos o trabalho, resolvemos jogar Super Nintendo. O jogo escolhido era um tal de Campeonato Brasileiro. Quando o jogo começou a rodar, fiquei impressionado. Diferentemente de todos os jogos de futebol que joguei antes, aquele era bonito, dinâmico, rápido e divertido. Além de ter os times brasileiros com os nomes reais dos jogadores, a narração era bem engraçada. Enfim, joguei junto com meus colegas e fiquei entusiasmado com aquele joguinho. Joguei este game outras vezes na casa de parentes e em locadoras até descobrir que ele era uma hack do original International Superstar Soccer. No ano seguinte, descobri a continuação melhorada dele, o International Superstar Soccer de Luxe que contava com mais times, melhor jogabilidade, mais recursos e uma narração lendária, especialmente nas hacks em portunhol com os times brasileiros. 

 

Eu joguei tanto, tanto, mas TANTO o ISSS e suas variações que fiz absolutamente tudo que era possível: completei todos os desafios, modos de jogo, dificuldades, alterei cores, criei times, fiz campeonatos, transformei o juiz em cachorro, ganhei de virada por 120 gols de diferença, descobri glitchs e passei mais de seis horas seguidas jogando sem parar. Para ter noção do quanto amo esse jogo, eu jogo ele até hoje no emulador do celular. Quando estou na fila para algum exame ou consulta médica, lá estou eu jogando o ISSS de Luxe. Eu não tenho paciência para jogar games de futebol atuais, mas o ISSS me traz uma mistura de diversão e nostalgia por ser um game muito doido e dinâmico.

O craque Allejo foi inspirado no Bebeto.

O que eu acho mais incrível neste game é a capacidade que só ele tem de nunca enjoar. Apesar das mentiras, da física sem nexo e dos pequenos bugs, não tem como não se divertir demais, especialmente com relação à narração em portunhol bizarro do narrador fanho. Frases épicas como "Forte gomba!", "grrrrande jogada!", "me dá estrume" e o famigerado "mocwwuwnmboo" (quando acabava a partida) eram absolutamente hilários. Os modos de jogo, as estratégias, o posicionamento, a marcação, a formação, as cores, as habilidades: tudo era customizável. Eu adorava, por exemplo, criar times bem ruins com jogadores cansados e goleiro manual só para ver quanto tempo eu segurava sem tomar gols ou qual era a menor goleada possível de tomar com aquele time horroroso. Também expulsava todos os jogadores de um time e deixava só o goleiro para ver a zoeira. Enfim, o game traz possibilidades quase infinitas. É por isso que ele é tão longevo na minha vida.

Um placar plausível no game.

Cheguei a jogar depois o International Super Star Soccer 64 no Nintendo 64, mas a versão do Super Nintendo era imbatível. Seja sozinho ou com os amigos, não existe nenhum game que me divirta tanto.

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Michael Jackson participou, sim, das canções do Sonic 3


Finalmente, um grande mistério do mundo dos games foi revelado. O produtor Yuji Naka – um dos principais criadores do Sonic – confirmou, via Twitter, que as canções do jogo Sonic 3 relançadas para o Sonic Origins foram alteradas por questões de direitos autorais envolvendo Michael Jackson. Ou seja, um rumor que durou quase 30 anos finalmente foi confirmado: Michael Jackson participou, sim, das composições do Sonic The Hedgehog 3 do Mega Drive! Segundo um funcionário da Sega, os créditos não foram dados ao astro do pop porque, na época, ele esteve envolvido em acusações de pedofilia. Portanto, não há mais o que ser escondido. A melhor trilha sonora do Mega Drive não foi a melhor à toa, tinha que ter um gênio por trás daquelas músicas. As canções originais alteradas foram da Carnival Night Zone, da Icecap Zone, da Lauch Base Zone e dos créditos finais. A mensagem reveladora solta no Twitter segue printada abaixo:


terça-feira, 17 de maio de 2022

Qual o limite do realismo nos jogos?

 

Desde que fiquei impressionado com o realismo gráfico do game Crysis lá no ano de 2007 que passei a me questionar qual seria o limite de fotorrealismo que um jogo de videogame poderia alcançar. Quinze anos depois, acho que obtive a minha resposta quando passei a ver os projetos criados por designers e programadores em algumas animações produzidas através do motor gráfico da Unreal Engine 5, desenvolvido pela Epic Games em 2020. O nível de fotorrealismo desta engine é tão absurdo que, sem exageros, torna suas criações indistinguíveis da realidade. E eu diria até mais: que os games produzidos na Unreal Engine 5 chegarão a ser mais reais que a própria realidade quando atingirem o seu ápice. Isso porque a tecnologia que inclui realismo de partículas, texturas, iluminação global e ray tracing chegou num ponto tal que cria uma ilusão que estamos diante de uma cenário real.

Cena de Matrix Awakens produzida pela Unreal Engine 5.


Andei olhando algumas demos atuais e só acreditei que não são filmagens de celular porque os produtores garantiram que se tratava de computação gráfica. Eu fico imaginando quando essas tecnologias estiverem disponíveis para óculos VR como a coisa vai ficar perturbadora. Mas como em computação gráfica não há nada tão realista que não possa ficar ainda mais real, eu fico desgraçado da minha cabeça pensando como seria um metaverso futurista daqui a uns 50 anos usando uma Unreal Engine 11. Acho que a coisa estará tão indistinguível da realidade que até mesmo moléculas serão simuladas. Ou quem sabe até mesmo o próprio universo seja simulado e a gente passe a viver numa espécie de Matrix onde faremos backup das nossas mentes para os supercomputadores do futuro... Enfim, acho que viajei demais dessa vez. Mas dá uma olhada nas demos abaixo e me diga se essa tecnologia não está ficando cada vez mais assustadora:





sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Cyberbug 2077 continua a mesma desgraceira de sempre


Todo mundo já teve um – ou vários – momentos de loucura na vida. E eu não sou exceção. Afirmo isso porque hoje fui inventar de baixar novamente o polêmico Cyberpunk 2077 após um ano para ver se dessa vez ele está jogável. E para minha surpresa, o jogo está, sim, jogável e com algumas melhorias, tais como mais estabilidade nos fps e menos travamentos. Contudo, bugs continuam ocorrendo livremente e a gameplay continua estranha com dirigibilidade ruim, inteligência artificial burra, layout confuso, comportamento sem sentido da polícia e uma sensação de vazio em certas partes da cidade. A produtora do game, a CD Projekt Red, prometeu que o jogo irá continuar recebendo melhorias e correções. Até aí tudo bem. O problema é que o game em si não me empolga de jeito nenhum.

E assim segue Cyberpunk 2077...

Falta muita coisa neste game. Faltam mini games, barbearias, estúdios de tatuagem, lugar para tunar os veículos, sistema de metrô, braindances, possibilidade de mobiliar o apê, mais influencia do nosso background histórico e um monte de outras coisas mais. Falta mais interação com o mundo e coisas que te prendam por mais tempo dentro do game, aumentando a sensação de imersão. Fora que a campanha principal é muito curta e não dá para a gente se envolver direito com os personagens, diferentemente com o que ocorre com os gloriosos Witcher 3 e Life is Strange, por exemplo. Enfim, é um jogo chato, bugado e incompleto. Desinstalei o jogo e prometi a mim mesmo que só vou rejogar essa joça quando saírem todas as dlcs, expansões, correções e depois de instalar mais uns 20 mods para deixar o jogo mais interessante. Enfim, chega de falar de jogo ruim.

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Sonic 2 será melhor que Matrix 4


Se por um lado Matrix 4 foi uma bela porcaria, em 2022 teremos o lançamento de um filme um pouco melhor para compensar, que é o aguardado Sonic 2. Provavelmente, não o assistirei, assim como também não assisti ao Matrix Resurrections e nem a filme nenhum nos últimos anos. Mas diferentemente de outros filmes, Sonic 2 trará Tails e Knuckles: dois personagens que marcaram a minha infância lá nos tempos do Mega Drive. Pena que este filme está saindo mais de 25 anos depois do meu auge de fanboy pelo ouriço azul. E sim, Sonic é um ouriço, ou um ouriço-cacheiro (hedgehog, em inglês), e não um porco-espinho como se acreditava ser nos anos 90. Já a cor azul dele veio quando ele rompeu a barreira do som e aquele pulo em que ele vira uma bolinha foi inspirado no próprio movimento de defesa do ouriço-cacheiro. 

Apesar de parecer original, o ouriço criado por Yuji Naka roubou muitos conceitos de outras obras preexistentes. O Ovo da Morte, por exemplo, foi uma cópia descarada da Estrela da Morte do Star Wars. O Super Sonic foi plagiado do super saiyajin do Dragon Ball Z e as sete esmeralda do caos foram tiradas das sete esferas do dragão do mesmo anime. A própria ideia inicial do Sonic ter uma banda com canções inspiradas no Guns n' Roses mostra que originalidade não era o forte da Sonic Team na época. Isso sem falar da polêmica envolvendo aquele crossover com o Michael Jackson no Sonic 3.

Enfim, só queria dar duas palavrinhas sobre o filme e acabei escrevendo este post enorme. Em todo caso,a única certeza que fica é que Sonic 2 será melhor que o catastrófico Matrix 4. Não que o filme seja tudo isso, mas é que qualquer live action de super herói coloca o último filme da Lana Wachowski no chinelo.


quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Sonic foi o herói da minha vida


Confesso sem pudor: sempre fui um escapista. Durante toda a minha existência, eu sempre criei realidades paralelas na minha mente para onde eu podia fugir e me regenerar das intempéries da vida. Durante a minha infância, o meu refúgio mágico era nas ilhas onde o Sonic morava e vivia suas aventuras. Sonic era o meu herói de infância e, por isso, ele acabou virando também uma espécie de amigo imaginário meu com quem eu podia brincar e me divertir numa época onde quase não tinha amigos e me sentia muito sozinho. Até aí tudo bem, porque é normal que crianças tenham companheiros dos folguedos criados em suas férteis imaginações.

Nem Bolsonaro, nem Lula: Sonic é o meu herói!

O problema é que hoje não sou mais uma criança, mas voltei a sentir necessidade de escapismo diante dessa nossa realidade adversa. É inflação, desemprego, violência, solidão, medo, incerteza, apatia, desesperança... Num dia desses, ao invés de adotar escapismos de adultos e cair em vícios como cigarro, bebida ou drogas, preferi recordar dos bons momentos que vivenciei na minha imaginação quando era criança. Deu até um pouco de alívio e nostalgia. Às vezes, penso que sonhar é melhor que viver, afinal de contas, no sonho tudo é perfeito e nada sai do controle. Acontece que meus sonhos hoje não são mais tão infantis e egocêntricos quanto eram nos tempos de criança. Hoje, eu sonho com sistemas melhores, com estruturas sociais melhores, com pessoas sendo mais felizes, com contatos com civilizações alienígenas que nos ajudem a ser melhores... E é nisso que me apego: na capacidade de tentar transformar meus sonhos em realidade, mesmo que a passos de formiguinha. Mas eu jamais teria essa capacidade se não tivesse aprendido a sonhar antes ao lado do bom e velho porco-espinho azul que entretinha meus finais de semana no Mega Drive. E pensando melhor, essa coisa de devanear foi que me manteve longe da necessidade de recorrer a vícios como forma de fugir dessa realidade opressora que sempre me importunou ao longo da vida. E eu não seria justo se não reconhecesse que isso ocorreu, de certa forma, graças ao Sonic.

Então, meu muito obrigado, Sonic! Valeu, camarada!

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

O melhor mod de Witcher 3


A produtora do lendário game The Witcher 3, a CD Projekt Red, prometeu que em breve o game receberá atualizações e novas dlcs para todas as plataformas. Mas para os usuários de PC que não quiserem esperar, já contamos com diversas modificações para o jogo disponíveis no Nexus Mods. Apesar de não curtir muito usar mods, no caso de games como Witcher 3 eles se fazem necessários por aumentarem a longevidade do jogo. Existem muitos bons mods para TW3, como os mods de aprimoramento gráfico e o Enhanced Edition, sendo que este último modifica bastante a gameplay. Mas o meu mod favorito para o jogo é o Multi Companion Mod. Este mod é uma espécie de debug mode que permite a inserção (spawning) de vários personagens simultaneamente que acompanham o bruxeiro Geralt em suas aventuras pelos mapas. Você pode incluir desde aliados, inimigos e até monstros para ajudar na exploração do game. Mas o mais bacana deste mod é que ele coloca velhos aliados do bruxeiro como moradores permanentes de sua propriedade em Corvo Bianco. Quem assistiu aquele vídeo comemorativo dos 10 anos da série vai adorar ver a casa cheia de npcs circulando por lá. E o melhor é que eles podem seguir Geralt aonde ele for enquanto ficam repetindo falas aleatórias. Inclusive, é possível trocar beijos, abraços e otras cositas mais com as personagens mais íntimas do bruxão. Dá para dizer, com certo exagero, que este mod meio que transforma o game num The Sims medieval.

Uma cena possível somente através de mods.

É possível também usar este mod em conjunto com o debug mode original (console mode) que é habilitado sem mods apenas mexendo em alguns arquivos de inicialização do game no PC. Neste caso, dá para transformar o game numa espécie de Ultimate Epic Battle Simulator, onde podemos fazer duelos insanos de 50 carnicais contra 50 afogadores, ou entre 15 Eredins contra 10 Dettlaffs, ou ainda 20 aliados aleatórios contra todos os chefes do game ao mesmo tempo. 

Como nem tudo são flores, este mod buga com frequência com npcs desaparecendo, ficando invisíveis ou em T-pose. Em caso de inserir npcs demais, o jogo pode travar e fechar sozinho. Outro ponto negativo é que a conquista de troféus fica desabilitada, já que usar mods é uma espécie de trapaça. Mas de um modo geral, o mod é muito divertido, ainda mais quando podemos trocar o Geralt pela Ciri e usar os poderes dela em combate através do modo console. E não foi por acaso que graças a este mod eu passei das 1.000 horas jogadas dessa obra-prima dos games. 

Corvo Bianco fica bem melhor assim.

Então se você já zerou o game várias vezes (incluindo as expansões), se já conseguiu todas as conquistas e quer se divertir mais com ele, eu recomendo este mod. Se não gostar, é só desinstalar.