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quarta-feira, 25 de março de 2026

Por um mundo com menos ódio


Foi aprovado no Senado, nesta terça-feira (24), o Projeto de Lei que inclui a misoginia (crime de ódio contra as mulheres) na Lei do Racismo. Assim como já havia sido feito em 2019, quando o STF também incluiu a homofobia na mesma lei, a misoginia passará a ser punida como um crime de preconceito. A proposta segue para sanção do presidente Lula. Pois bem, sendo bem honesto, sabe o que eu achei? Uma vergonha. Isso mesmo: uma vergonha! Uma vergonha que tenham DEMORADO TANTO para incluir o ódio contra o gênero feminino como uma forma letal de preconceito. Se este PL tivesse sido criado antes, movimentos masculinistas (como o redpill) não teriam crescido tanto e a vida de centenas de mulheres podia ter sido poupada nesta verdadeira epidemia de feminicídios. Mas o que realmente me assusta nisso tudo é a reação (especialmente a masculina) na internet diante da aprovação deste PL.

Políticos bolsonaristas e da extrema-direita em geral, como bons reaças que são, reagiram com o intuito de tentar invalidar e derrubar o PL. Inclusive, tem um deputadozinho bem famoso aí (que me recuso a digitar o nome) que ganhou muita visibilidade quando chamou a aprovação deste PL de "aberração" e que vai trabalhar para derrubá-lo. Isso sem falar do esgoto a céu aberto na própria surface web que trouxe à tona milhares de homens compartilhando verborragia sexista, falácias reacionárias e muita misoginia que só reforçam a necessidade de combater a violência de gênero. Apesar de achar essa cambada de reaças um atraso civilizacional, numa coisa eu concordo com eles: é preciso ser bem específico na tipificação deste crime. Este projeto precisa ser bem claro e específico sobre o que é, do ponto de vista constitucional, a misoginia. Porque se for depender da boa vontade interpretativa de um poder judiciário formado majoritariamente por homens e que chegou ao cúmulo de aprovar como "união estável" o estupro de uma menina de 12 anos por um homem adulto, o nosso machismo estrutural vai fazer este PL parecer só mais uma "Lei para inglês ver". Sem mencionar que mesmo fora do esgoto a céu aberto das bolhas masculinistas estão aparecendo pessoas comuns (homens e mulheres) que estão sendo radicalmente contra esta mudança na lei com todo tipo de argumento, seja ele lógico ou não.


É preciso que fique claro que todo e qualquer avanço civilizacional a favor de minorias ou grupos de vulnerabilidade social precisa ser defendido para nos manter vivos como espécie neste planeta. Existem milhares de ogivas nucleares espalhadas pelo mundo prontas para serem disparadas a qualquer momento. E se os ódios e preconceitos não forem combatidos na raiz, a nossa probabilidade de sobrevivência ao longo das décadas despenca vertiginosamente, especialmente com essas crises sazonais do sistema capitalista global. É na inclusão social e na teia de proteção do Estado que essas minorias têm garantias mínimas para serem tratadas com dignidade. Fora que essa medida também ajuda a diminuir o tanto de ódio que há neste mundo. E, infelizmente, ainda existe MUITO ódio contra tudo que é feminino em pleno século 21 pelo fato deste ser um século de mudanças onde grupos oprimidos estão começando a desafiar o sistema e a conquistar seus espaços e seus direitos. Uma lei contra a misoginia tem que ser comemorada ao invés de ser combatida, porque ódio contra as mulheres é ódio contra toda a humanidade. Não há futuro em um mundo que tenta manter a violência e os privilégios de uma classe opressora através da impunidade e da falsa defesa da liberdade de expressão. 

Esta lei precisa ser sancionada e ainda assim ela não é garantia de nada. A lei contra o racismo e a homofobia está aí, mas mesmo assim, ainda há MUITO racismo e homofobia no Brasil ocorrendo impunemente. Temos que combater a violência e o preconceito não apenas na lei, mas nas nossas atitudes como cidadãos no nosso cotidiano. Temos que ensinar o respeito, o altruísmo, a empatia, a gentileza, a solidariedade, a generosidade e a inclusão aos nossos filhos. Porque é através dessas pequenas mudanças para o bem que teremos a chance de ter um mundo melhor. 

E antes que alguém diga asneiras, eu não estou apenas defendendo as mulheres. Eu estou NOS defendendo. Eu estou defendendo a mim, a você e a todos os seres humanos, porque se não fosse por uma mulher, nem eu e nem você teríamos sido gerados. E um mundo com menos ódio é um mundo com menos dor onde todos nós teremos mais chances de continuar existindo como espécie. Portanto, encerro este post parafraseando um autor desconhecido que li por aí: "Em tempos de ódio, amar é um ato revolucionário". Isso porque quem ama não perde tempo odiando ninguém. 

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Marina Silva é uma mulher GIGANTE

Ontem eu fiquei bastante indignado (mas nem um pouco surpreso) com aquela baixaria lamentável dos senadores da direita “feijão com arroz” contra a ministra do meio ambiente Marina Silva na Comissão de Infraestrutura do Senado. Com seus ataques machistas típicos do velho cornelismo brasileiro, os senadores Omar Aziz (PSD-AM), Plínio Valério (PSDB-AM) e o bolsominion presidente do colegiado Marcos Rogério (PL-RO) protagonizaram uma das cenas mais vergonhosas desde a redemocratização. Notavelmente, todo aquele circo nauseabundo teve como objetivo atacar ministros do governo e criar cortes para virar memes para a direita teratológica que infestou o país desde a candidatura do Bolsomonstro a presidência. Apesar da covardia de vários homens tentando calar e agredir a ministra, ela não se calou e não se colocou em seu “devido lugar”. Quem realmente saiu maior daquela baixaria toda foi a ministra Marina Silva, porque ela desafiou aquele bando de machos pré-históricos e seus discursos escatológicos contra o meio ambiente. Não sou lá muito fã da ministra, mas tenho que admitir que ela é uma mulher GIGANTE. 

Ah, e com relação ao tema que estavam discutindo, lembre-se que ao rasgar a legislação ambiental não é o capitalismo que vence, somos nós que perdemos. O tal “progresso” que uns querem para certas regiões do país significa efeitos colaterais no clima e em nossas vidas no médio e longo prazo. Mas quem disse que um bando de muquiranas que só pensam em dinheiro e em se perpetuar no poder pensam nisso? Eles só pensam no agora e neles mesmos. E a humanidade que se phoda.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Um mundo terrível para ser mulher


Não era nenhum exagero quando as feministas do século passado alegavam que as mulheres eram violentadas todos os dias por um estado burguês patriarcal que tratava as pessoas do sexo feminino como meros pedaços de carne a serviço dos homens. Estamos no século XXI e, em mais de meio século, praticamente nada mudou. Homens (brancos, em sua maioria) continuam no topo da cadeia alimentar e fazem de tudo para manter as mulheres longe do real poder e com o mínimo de direitos possíveis. Todas as elites (econômica, política, militar, religiosa e intelectual) são formadas majoritariamente por homens que continuam a legislar sobre as mulheres e a querer mantê-las sobre seu controle. Essas elites castram as mulheres, cerceiam as mulheres, culpam as mulheres, exploram as mulheres e as punem por crimes que o próprio Estado machista inventa. Esse PL 1904/04 idealizado por um macho opressor qualquer de um partido reaça qualquer é uma prova disso. 

Além de todo sistema de opressão que sempre existiu contra as mulheres desde a criação da propriedade privada, agora querem punir uma mulher que aborta como se ela fosse uma assassina. Isso é uma forma categórica de dizer que a vida de um feto vale mais que a vida de uma mulher. Afinal, se homem engravidasse, teríamos micaretas abortistas e até um dia nacional do aborto seguro. Mas como estamos falando de mulheres – e mulheres pobres e pretas em sua maioria – então há a necessidade de mostrar que os dogmas das antigas religiões patriarcais é que prevalecem sobre o que uma mulher pode ou não fazer com o próprio corpo. Enquanto isso, homem que não assume o filho (o que equivale ao "aborto" masculino), acaba saindo impune; homem que estupra uma mulher, se for branco e rico, também sai impune; homem que cria leis para controlar os corpos das mulheres, além de visto como herói, sai impune do mesmo jeito.

Essa desumanização do ser feminino é algo que precisa ser destruído. Até quando vamos viver em um mundo tão perverso e cruel contra as mulheres? É por isso que se existir um sexo forte, com certeza esse é o sexo feminino. Porque viver num mundo cão misógino como o nosso exige muita força, muita coragem e muita luta. Como já dizia um falecido companheiro de guerra: "A única luta que se perde é aquela que se abandona". E ainda bem que a maioria das nossas manas jamais irá recuar um milímetro sequer nessa batalha.

terça-feira, 26 de julho de 2022

A luta pela justiça social não pode parar

 

Ontem, dia 25 de julho, foi o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana. Foi, sem dúvida, uma data importante para conscientizar as pessoas de como a vida da mulher preta é sofrida nesta maldita sociedade capitalista e patriarcal em que vivemos. Mas se a vida da mulher negra já é marcada por injustiças, violência e dor, o que dizer então da vida da mulher negra trans... Ontem mesmo eu ouvi uma mulher trans dizer na fila do supermercado que o mercado de trabalho praticamente exclui as pessoas trans. Se for trans negra então, nem se fala. Só há vagas de trabalho para mulheres negras trans ligadas a salões de beleza e serviços sexuais (sempre com baixa remuneração). É por isso que precisamos sempre lutar pela equidade para todos. Não é possível haver justiça num mundo onde exista uma hierarquização social tão cruel quanto esta que coloca o homem branco cis hétero no topo e todo o resto abaixo, como se fossem menos humanos. Eu quero viver num planeta onde todos sejam vistos, de fato, como irmãos e com todo respeito que merecem.

sábado, 25 de junho de 2022

Um mundo terrível para ser mulher


Sim, nós vivemos em um mundo completamente desgraçado para se nascer mulher. É feminicídio, desigualdade salarial, imposição de um padrão de beleza cruel, violência sexual, violência institucional, violência psicológica, controle sobre os corpos das mulheres e muito, MUITO mais. Para ter uma ideia do grau de desumanidade contra as mulheres, até mesmo a distribuição gratuita de absorventes – que é uma questão de saúde pública – foi institucionalmente negada para alunas de escolas públicas e detentas. Só nessa semana, tivemos dois casos emblemáticos de violência contra as mulheres envolvendo a interrupção segura da gravidez. Primeiro, foi o aborto legal negado a uma menina de 11 anos que foi estuprada. E, depois, foi a decisão retrógrada da Suprema Corte  de maioria reacionária nos EUA que pode tornar o aborto ilegal em 22 Estados norte-americanos. É como se a vida de um feto valesse mais que a vida de uma mulher. Isso é surreal, ainda mais quando o pessoal "pró-vida" simplesmente caga e anda para o feto depois que ele nasce. E o pior é que essas leis de controle sobre os corpos das mulheres são criadas majoritariamente por homens. Ou seja: é o machismo visceral de uma sociedade misógina e patriarcal mostrando que neste mundo as mulheres não têm vez. Se eu, que sou homem, fico completamente revoltado com tanta covardia, imagina o que uma mulher que passa por toda essa situação constante de humilhação, barbárie e opressão não deve sentir...

E depois vem boçal dizer que mulheres são histéricas, que estão buscando "privilégios" e que o feminismo não é mais necessário. Vai me dizer que não dá vontade de socar essa gente...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Não dá para comparar misandria com misoginia


Quem conhece este bloguinho há mais tempo sabe que eu sou um pacifista incorrigível que abomina qualquer discurso de ódio. Algumas pessoas podem ter ficado confusas com o post passado onde eu conclui que a misandria não existe apesar das falas agressivas contra os homens vindas de algumas mulheres mais exaltadas. Só que, como bem deixei escrito naquela postagem, a misandria não existe como uma ameaça real. A misandria em um mundo machista é apenas uma maneira das pessoas oprimidas – mulheres, no caso – darem um grito de "basta!" quando o feminismo sozinho não é suficiente para que elas sejam ouvidas. Daí que é preciso radicalizar. É claro que há frases absurdas supostamente atribuídas a feministas, mas as pessoas precisam entender que isso fica da boca para fora, feito com a intenção de chocar mesmo, de provocar, de fazer com que as pessoas acordem para essa estrutura de opressão que massacra as mulheres dia e noite há milênios. E quando digo "mulheres", refiro-me ao que a figura feminina representa socialmente, porque tanto a homofobia quanto a transmisoginia também são formas indiretas de atacar as mulheres. No caso da homofobia, basta ver que os gays mais atacados são justamente os mais "afeminados", pois eles são mais parecidos com uma mulher.

Pense na misandria como algo na mesma categoria da "heterofobia" ou do "racismo reverso". Ou seja: não passam de lendas urbanas; não existem de fato. São apenas contravalores caricatos para balancear essa equação da desigualdade. Homens não têm motivos para odiar as mulheres, porque elas não criaram um sistema de opressão contra eles. Mas mesmo assim muitos homens as odeiam. Aliás, o sistema patriarcal inteiro odeia as mulheres, fazendo com que elas mesmas se odeiem. Enquanto que mesmo tendo motivos de sobra para odiar os homens, a grande maioria das mulheres amam os homens. E até essa misandria é algo muito mais brando que a misoginia, porque não ocorre na mesma proporção. Não há uma ameaça real na misandria. Há ameaça real na misoginia, na homofobia, no racismo. Ódio contra homens não é se nivelar por baixo, não é um discurso de ódio como a misoginia: é mais uma reação, um desabafo. A única misandria realmente perigosa é quando ela parte de homens contra si mesmos. Na história, inclusive, há vários casos de homens que matavam outros homens por considerá-los inferiores ou perigosos. Apesar deste tipo de caso ser chamado tecnicamente de androcídio, ele é que se encaixaria melhor no termo 'misandria'. Portanto, ao invés de se indignarem contra essa coisa sarcástica que é a misandria, os homens deveriam direcionar sua indignação contra a misoginia: misoginia esta que ocorre de todas as formas possíveis e imagináveis 24 horas por dia.


Enfim, eu preferiria que todos dessem as mãos e fossem felizes para sempre, mas o mundo que vivemos ainda não permite isso. Enquanto esse dia de igualdade entre os seres humanos não chega, temos que lutar por um mundo mais humano, mais tolerante e em que ninguém precise dizer que sente ódio para se defender da crueldade de um sistema.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Misandria não existe


Um dos motivos que me fez criticar o feminismo neste blog em postagens antigas foram as posições extremistas que algumas mulheres tinham dentro do movimento. Mas após refletir um pouco, cheguei à conclusão que não cabe a mim criticar nada. Quem sou eu para criticar um grupo social que é oprimido por séculos? Quem sou eu para dizer o que mulheres devem fazer, falar ou sentir? Se eu tivesse sentido na pele tudo que elas sofrem, talvez até pudesse dizer algo, mas por questão de bom senso e empatia, acho melhor ouvir mais e contestar menos. Descobri que mesmo as falas extremistas são, na verdade, um desabafo, um grito de "chega" por tudo que as mulheres passam e sentem em um mundo cruelmente machista. E no meio desse desabafo feminino surge uma tal de misandria, que ao pé da letra quer dizer ódio aos homens. Só que diferentemente da misoginia, que é o ódio contra as mulheres, a misandria, em termos práticos, não existe.

Isso não é misandria, é diversão.
 

Ora, que "ódio" é esse que as misândricas dizem sentir? Esse ódio não é ódio de verdade. Todas essas misândricas têm pais, filhos, maridos e querem o bem de todos eles. Você não vê misândrica nenhuma pegar armas de fogo e sair matando homens por aí. Você não vê misândrica nenhuma cometendo masculinicídio. Você não vê misândrica nenhuma criando toneladas de páginas de ódio na deep web, posts com apologia a estupro e assassinato no 4chan ou assediando homens na rua. Você não vê misândricas espancando homens por aí e nem há qualquer aceitação social para a misandria, nem mesmo entre as próprias mulheres. Então a conclusão que eu cheguei é que embora a capacidade de odiar homens exista, a misandria, como fenômeno social, não existe. O que existe é um grito preso na garganta de quem não aguenta mais sofrer, ser controlada, espancada, assassinada, humilhada, objetificada, perseguida e ainda assim dizer que ama seus algozes. Nessas horas há a necessidade de radicalizar mesmo para romper os grilhões, já que o feminismo bem comportado não dá resultado.

Te cuida, esquerdomacho, a misandrinha vem aí!

Homens, saibam que mulheres não nos odeiam por sermos portadores do cromossomo Y, por termos um pênis ou por sermos cissexuais. O ódio que há é contra o mal que representamos contra elas como classe social. O animal social homem educado e socializado como macho em uma sociedade patriarcal é mesmo um ser terrível digno de repulsa. Mas mesmo assim as mulheres não nos odeiam como indivíduos. Elas odeiam o que nós representamos, o que nós fazemos contra elas e o que reproduzimos a cada ato machista e misógino que tira delas o direito de terem os mesmos privilégios que nós. Portanto, quando ouvir sobre mulheres que odeiam homens, entendam que essa é uma forma de autodefesa. Lá no fundo, a misandria é uma forma dolorosa de dizer que temos muito o que aprender e melhorar para sermos dignos do amor que as mulheres ainda insistem em nos dar. Ou melhor: a misandria é uma forma simbólica de matar o homem machista que há em todos nós para que possamos renascer como um ser humano e não como um "macho".

PS: Há um adendo a este post neste outro onde reforço que não dá para comparar misandria com misoginia.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Mulheres não deviam se relacionar

 

Muita gente me detesta aqui na internet por me considerar um caga-regra, especialmente quando abordo questões femininas. Mas quando o assunto é relacionamentos afetivos, eu me sinto na obrigação de alertar as pessoas sobre seus malefícios graças às péssimas experiências que tive com eles ao longo da minha vida. No caso das mulheres, a coisa é ainda pior, porque além de vivermos numa sociedade machista, parece que há uma espécie da lavagem cerebral cultural que faz com as mulheres não percebam que elas é que são as maiores vítimas dos relacionamentos monogâmicos heterossexuais.

Ora, pare e pense um pouco. A maioria das vítimas de relacionamentos abusivos são mulheres. Não é à toa que o feminicídio é uma das causas mais comuns de mortes de mulheres. Uma mulher que escolhe a solitude está se prevenindo desses relacionamentos e tendo a oportunidade de curtir uma vida livre de solteira. Mas o problema não para por aí. Quando o relacionamento termina, quem leva  a culpa sempre é a mulher. A mulher é tratada quase como uma criminosa por trair. E quando é traída, é culpada por "não ter segurado seu homem". Aliás, homem quando trai, ao contrário da mulher, só falta ser tratado como herói mesmo com risco de contaminar a parceira com DSTs. E nem o lado sexual dos relacionamentos se salva, tendo em vista que a maioria das mulheres heterossexuais se declara insatisfeita no sexo. Para piorar, inclua aí o uso de pílulas anticoncepcionais exclusivamente femininas que causam efeitos colaterais cruéis nos corpos das mulheres. Tudo isso só porque o parceiro delas não gosta de usar preservativo ou boicota pesquisas para a pílula masculina.

Enfim, relacionamentos são uma merda, especialmente para as mulheres. Ninguém merece virar escrava doméstica e boneca inflável de macho ciumento e relaxado que regula seus horários, suas roupas, seu peso e sua liberdade. Nada mais gostoso que chegar em casa e tomar um bom vinho sem ter que dar satisfação para ninguém e nem dividir seu espaço e sua intimidade com um ogro peludo. Relacionamento desgasta, estressa, adoece e nos faz perder muita coisa boa na vida. Se quer companhia, recomendo que tenha amizades verdadeiras, um pet e um bom livro de cabeceira. Amor próprio também é uma forma de amor.

Acordar ao lado do amor da sua vida é uma utopia romântica que só faz sentindo enquanto durar a paixão. Muito mais lindo que isso é acordar sozinha, numa cama grande, abrir os olhos e se sentir livre.

Namastê!

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

O machismo precisa ser destruído


25 de novembro é uma data emblemática para uma das maiores bandas que jamais existiu, a Unno. Isso porque esta data refere-se tanto ao Dia do Doador, quanto ao Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres. Tanto a doação quanto o combate contra a violência, especialmente a violência contra a mulher, foram duas bandeiras muito fortes da banda fictícia Unno. O primeiro e mais popular álbum dessa banda, a Reinvenção do Amor, enfatizava em quase todas as faixas a importância da doação para salvar vidas. Já o segundo disco, o furioso Ideias Profanas, foi nitroglicerina pura, com muito protesto, rebeldia, power chords e revolta contra o status quo. Entre as canções históricas do segundo disco, eu destacaria O Sonho de Mary e Feminística. A primeira música, O Sonho de Mary, foi considerada um verdadeiro hino na luta contra a violência doméstica, especialmente sobre a violência contra as mulheres. Já o a segunda música, a Feminística, trata da violência contra a mulher de uma forma geral, atacando visceralmente o sistema patriarcal e o sexismo. Claro que há cantores e bandas no mundo real que também protestam a respeito da violência contra a mulher, mas são poucas canções e a maioria parece ser muito poética ou pouco contundente. Essas duas canções da Unno, como escrevi, são verdadeiros hinos: uma porrada muito forte no ouvido e na mente das pessoas. São canções difíceis de esquecer e feitas para incomodar e fazer estremecer as bases de algo que precisa ser destruído: o patriarcado. Mas enfim, o post não é sobre a Unno ou sobre música. Este post é um chamado para rebelião contra uma das forças opressoras mais antigas e arraigadas da humanidade: o machismo.


Quem é mulher sabe o inferno que é este mundo. É assustador ser mulher em um mundo machista. Só quem é mulher sabe como é viver com medo, sendo censurada, ameaçada, cerceada, controlada, violentada, diminuída, desrespeitada com todo tipo de violência todos os dias. É violência verbal, violência simbólica, violência sexual, violência doméstica, violência de classe, violência econômica, violência médica... E parece que isso não acaba nunca. Quem tenta negar ou justificar esta violência é cúmplice dela. Não existe justificativa para violência, muito menos contra grupos estigmatizados e de vulnerabilidade social. O sistema inteiro violenta as mulheres, seja através das leis (a criminalização do aborto é um bom exemplo), seja através da (in)justiça (veja o caso do "estupro culposo" praticado contra Mariana Ferrer, por exemplo), seja através das artes, seja através da cultura, seja através da linguagem, seja através dos sistemas de exclusão que afastam as mulheres do real poder (poderes econômico, militar, religioso e político). Não tem como ser um igualitarista e não se indignar contra esse sistema. Foi por isso que comecei este post me lembrando das canções da Unno, porque a arte é uma porta de comunicação entre os corações revolucionários. A música pode e deve ser usada para abalar os alicerces do sistema opressor. E não estou me referindo apenas ao capitalismo, porque não adianta derrubar o capitalismo e o machismo estrutural continuar dentro do socialismo. Não existe revolução possível sem o feminismo e sem as mulheres. 

Nunca devemos deixar de lutar. Porque essa merda toda tem que acabar.

sábado, 14 de julho de 2018

Sobre poligamia, instinto e relacionamentos


Eu costumo dizer por aí que eu amo pessoas e odeio relacionamentos. Relacionamentos me fazem detestar quem eu amo. Sim, eu sei bem que existem muitas mulheres fantásticas, maravilhosas, meigas, bem-humoradas, carinhosas e que adorariam conhecer um sujeito como eu, mas nem com elas eu aceitaria ter algum relacionamento. É sempre a mesma coisa: brigas, DR, ciúmes, conflitos, choque de interesses, estresse, cobranças, problemas familiares e um monte de outras coisas horríveis que prefiro nem lembrar que existem. E tem mais, acho que a maioria dos homens não deveria se relacionar, porque a natureza masculina é arredia e poligâmica por natureza. Esse negócio de ter uma parceira para a vida toda não está de acordo com os nossos instintos e nem com a seleção natural de centenas de milhares de anos onde a função reprodutiva do homem era de cobrir o maior número possível de fêmeas. Como os homens não ficam grávidos e produzem gametas constantemente, a tendência é buscarem mais quantidade que qualidade – e isso é uma fonte de desequilíbrios quando tentam se manter presos a uma só parceira. Daí que vemos cada vez mais mulheres reclamando que seus maridos veem muito pornô ou que nenhum homem resiste olhar quando passa um belo rabo de saia. É do instinto do homem mesmo essas coisas, não acredito que tenha como mudar. O homem só se "mantém na linha" se for muito reprimido religiosamente falando ou submisso à parceira. É uma programação evolutiva dos genes que faz toda bela mulher atrair os rapazes. O homem que nega isso sabe que está indo contra a sua natureza. Como já dizia um solteirão convicto lá do GP Guia: "Quer romance? Leia um livro. Quer fidelidade? Compre um cachorro. Quer conversar? Vá ao psicanalista". É por isso que eu acho que a maioria dos homens não deveria se casar, porque com certeza não será feliz e nem fará a sua esposa feliz.

Já as mulheres seguem por uma linha semelhante, porque a monogamia nunca fez parte do histórico evolutivo das mulheres. Na época do matriarcado, por exemplo, as mulheres tinham vários parceiros ao longo da vida. E essa imposição da monogamia veio com o patriarcado, limitando as mulheres a meras parideiras de seus maridos, como se fossem propriedade deles. Além disso, acho que mulheres se relacionam muito melhor com outras mulheres do que com homens. Afinal, ninguém melhor que outra mulher para compreender certas idiossincrasias femininas que são vistas como incognoscíveis para os homens. Fora que com outra mulher, as chances de contrair DSTs e sofrer um relacionamento abusivo são quase nulas (gravidez indesejada então, é impossível). Mas enfim, isso é tema para outro post. O fato é que a monogamia é um anátema para a maioria das pessoas porque nos aprisiona a um padrão de felicidade imposto culturalmente.

O que importa é que todo mundo esteja feliz

Acho essa imposição social de relacionamentos e da monogamia uma coisa horrível. Cada um é feliz dentro da sua própria realidade. Eu mesmo me senti imensamente mais feliz quando encontrei a felicidade na minha própria presença.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

A falta que as mulheres fazem na ciência


Há alguns anos, num debate acalorado lá no Yahoo Respostas, eu lembro de ter deixado um masculinista revoltado simplesmente por ter cogitado a possibilidade do primeiro prêmio Nobel brasileiro vir para uma mulher. A causa do alvoroço do mascuzão foi porque, na cabeça sexista dele, os homens, por terem mais neurônios, seriam "mais inteligentes" que as mulheres. Ele alegou que seria humilhante para os homens brasileiros que uma mulher ganhasse o primeiro Nobel tupiniquim. Essa reação exagerada do cidadão só serviu para exemplificar o quanto a nossa sociedade ainda está impregnada de misoginia e sexismo. Em nenhum país minimamente igualitário esse pensamento preconceituoso seria exteriorizado sem pelo menos um pingo que fosse de reflexão.

O nosso país ainda é terrivelmente machista e isso, ao contrário do que muitos reaças acreditam, é MUITO ruim para todos nós. Quando enfureci o homenzinho de mente pequena lá no YR, eu estava tratando sobre a necessidade de incluir mulheres na ciência e ele tentava sempre argumentar que "mulheres são menas (sic) inteligentes que os homens porque inventaram menas (sic) coisas". O que nunca se passou pela cabeça daquele machão de internet é que não é uma questão de ter mais ou "menas" inteligência, mas sim uma questão de termos mais igualdade de oportunidades e de direitos. A falta de mulheres na ciência se dá essencialmente pelo machismo da nossa sociedade que trata certas áreas do conhecimento como sendo tipicamente "masculinas" e outras como sendo mais "femininas". E o meio científico, especialmente na área de exatas, infelizmente, carrega o estigma de privilegiar e favorecer muito mais o sexo masculino. Esse é o problema central.

Precisamos de mais mulheres na ciência

Diante desses padrões de gênero socialmente impostos que afastam as mulheres dos laboratórios, eu me pergunto: quantas coisas maravilhosas ainda não foram descobertas porque as mulheres que as descobririam não tiveram o estímulo necessário para seguir a carreira científica? Quantas doenças atualmente sem cura poderiam ter sido curadas se as meninas não desistissem tão cedo de seus sonhos de serem pesquisadoras? Quantas mulheres com inteligência igual (ou até maior) que a de um Einstein tiveram que desistir da carreira por puro machismo dentro do meio acadêmico? Quantas mentes femininas brilhantes deixaram de criar teorias incríveis porque a sociedade sempre subestimou o que as mulheres disseram? Quantos prêmios Nobel deixamos de ter por causa do machismo, da misoginia e da estupidez? Já imaginou o desperdício de talentos, de descobertas e de felicidade que temos só por causa do preconceito? Como eu bem disse ao machista lá do YR e repito aqui: por tudo isso, o machismo pode ter matado a cura da aids – ou pelo menos a adiado por décadas. Pois com menos cientistas pesquisando a cura da aids, menores são as chances de encontrar sua cura.
O machismo não é ruim apenas para as mulheres, o machismo é ruim para toda a humanidade. É por isso que é importante apoiar iniciativas como a da Unesco e da Mulheres na Ciência para incentivar e mostrar a importância das mulheres no meio científico. É preciso incentivar as mulheres a não desistirem de seus sonhos na ciência. E isso começa por uma educação igualitária entre meninos e meninas dentro de casa.

O próximo Einstein pode estar morrendo de fome em um país pobre

Claro que o problema da desigualdade vai muito além das disparidades de gênero, pois há muitos potenciais cientistas que precisam neste momento lutar pela sobrevivência ao invés de estarem dedicando seus neurônios em descobertas em prol da humanidade. Como bem disse Neil deGrasse Tyson: "Talvez o próximo Einstein esteja morrendo de fome na Etiópia". É preciso, por isso, lutar contra todas as formas de desigualdade, porque elas não são naturais e nem benéfica para nós.

A ciência é unissex

PS: Antes que eu esqueça, essa história de que mais neurônios tornam os homens mais inteligentes é pura bobagem. Sim, os homens têm mais neurônios em média que as mulheres, mas isso não indica mais inteligência. Os elefantes, por exemplo, possuem três vezes mais neurônios que os homens, e seriam os elefantes mais inteligentes que nós? A inteligência é determinada por um conjunto muito complexo de fatores. Portanto, essa falácia dos neurônios não possui coerência lógica: é machismo tosco.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Quantos mais precisam morrer para que esta guerra acabe?


Ainda de luto devido à morte do astrofísico Stephen Hawking, hoje pela manhã fui surpreendido com a notícia de outra morte. A socióloga e vereadora pelo PSOL Marielle Franco foi assassinada por denunciar a violência policial contra os pobres e negros nas comunidades carentes do Rio de Janeiro. Foi uma execução brutal e covarde que mostra o simbolismo do ódio social que há contra mulheres negras que ousam ter voz e desafiar o poder. Marielle Franco foi um exemplo icônico de superação, de coragem e de luta que as mulheres guerreiras possuem no âmago de suas almas. A vereadora defendia minorias e denunciava as atrocidades dos órgãos de segurança do RJ que evidenciam cada vez mais a íntima relação que há entre o Estado e o crime organizado. Ela teve a audácia de se opor à ditadura fascista que é imposta contra os mais pobres – ditadura esta que a mídia burguesa não mostra, escondendo da classe média os horrores aos quais os mais pobres são submetidos diariamente.


Como disse Luis Felipe Miguel: "Quanto mais eles apelam para as tentativas de intimidação e para a violência, mais fica claro que eles têm medo: medo das vozes insubmissas, medo de quem não baixa a cabeça, medo da luta popular." O assassinato de Marielle foi um crime contra a democracia, contra a cidadania, contra os direitos humanos e contra o direito de sonharmos com um país menos injusto. Se os vermes que assassinaram Marielle acharam que iriam silenciar o seu grito de protesto, estão redondamente enganados. Agora somos todos milhões de Marielles denunciando o terror, a covardia e a brutalidade proveniente de um sistema corrupto e fascista.


quinta-feira, 8 de março de 2018

Essas maravilhosas mulheres revolucionárias


Várias centenas de mulheres se reuniram hoje, no Dia Internacional da Mulher, para ocupar e paralisar uma empresa do dono da Riachuelo e também a gráfica do jornal O Globo. Essas mulheres mostraram audácia e bravura ao bater de frente contra dois grandes apoiadores do Golpe de 2016: Flávio Rocha, dono da Riachuelo, e os Marinho, donos do Brasil Globo. Essas mulheres me lembraram de outras tantas mulheres que ao longo da história desafiaram o sistema e enfrentaram o sexismo, a opressão, o imperialismo e a injustiça com força e coragem.
A seguir, vou relembrar dos nomes de algumas mulheres que mudaram o rumo da história devido à luta pelos seus ideias. Foram essas maravilhosas mulheres revolucionárias que ajudaram a construir um mundo melhor não só para as mulheres, mas para todos os seres humanos.

Soldaderas mexicanas prontas para avançar!

Margarida Maria Alves - foi uma sindicalista e defensora dos direitos humanos e dos direitos trabalhistas no estado da Paraíba. Foi dela a célebre frase "é melhor morrer na luta do que morrer de fome". Ela virou mártir após ter sido covardemente assassinada por um matador de aluguel. Margarida se tornou um símbolo na luta pelos direitos dos trabalhadores rurais no Brasil.

Pagu - Patrícia Rehder Galvão, conhecida pelo pseudônimo de Pagu, foi uma escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante política brasileira. Foi presa política por ser uma militante de esquerda e por se assumir publicamente como comunista.

Olga Benário Prestes - militante comunista alemã de origem judaica e esposa de Luis Carlos Prestes, ela participou de uma insurreição armada (Intentona Comunista) contra o sistema oligárquico brasileiro. Após ser presa, ela acabou sendo enviada para a Alemanha Nazista, onde morreu num capo de extermínio. Olga foi um exemplo de guerreira que jamais se entregou e lutou até as últimas consequências pelo ideal que acreditava.

Simone de Beauvoir - foi uma escritora, intelectual, filósofa existencialista, ativista política, feminista e teórica social francesa. É considerada uma das maiores autoras feministas de todos os tempos. Foi dela a famosa frase: "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher" que, inclusive, caiu numa questão do Enem de 2015, causando um furor raivoso nos reacionários brasileiros.


Rosa Luxemburgo - foi uma filósofa e economista marxista polaco-alemã. Combateu a exploração capitalista e defendeu a justiça social através de suas ideias. Em sua obra "O Socialismo e as Igrejas" (1905), ela afirmou que os socialistas eram mais fiéis aos preceitos originais do cristianismo do que o clero conservador da época (coisa que acontece até hoje). Segundo Rosa, os primeiros cristãos seriam comunistas apaixonados e denunciavam a injustiça social. Rosa foi covardemente assassinada por grupos paramilitares alemães.

Frida Kahlo - essa famosa pintora mexicana foi intensa, transgressora, subversiva, revolucionária e muito à frente do seu tempo. Foi capaz de revolucionar através do seu exemplo de vida, da sua força, da sua pintura e da sua coragem, recusando-se a se manter acuada diante da opressão e da desigualdade.

Kathleen Cleaver Neal - foi uma das integrantes do Partido dos Panteras Negras e a primeira mulher do partido a fazer parte do corpo de “tomadores de decisões”. Ela serviu como porta-voz e secretária de imprensa, organizando também a campanha nacional para libertar o aprisionado ministro da Defesa dos Panteras, Huey Newton.

Angela Davis - Ativista política, acadêmica, autora, professora e filósofa socialista estadunidense, ela alcançou notoriedade mundial na década de 1970 como integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos e dos Panteras Negras. Ela também ficou famosa por sua militância pelos direitos das mulheres, pela luta contra a discriminação social e racial e por ter sido personagem de um dos mais polêmicos e famosos julgamentos criminais da história dos Estados Unidos.


Harriet Tubman - nasceu escrava, em 1820 nos EUA, mas fugiu de Maryland para o estado livre da Pensilvânia. Ao longo dos anos, ela foi em 19 missões para resgatar mais de 300 escravos. Durante a Guerra Civil, ela foi a primeira mulher a liderar uma expedição militar, liberando mais de 700 escravos.

Mary Wollstonecraft - foi uma escritora inglesa do século XVIII, assim como filósofa e defensora dos direitos das mulheres. O trabalho mais conhecido dela foi Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher (1792), no qual ela argumenta que as mulheres NÃO são, por natureza, inferiores aos homens. Foi dela a afirmação sem precedentes que os direitos das mulheres devem ser iguais aos dos homens.

Joana d’Arc - estimulada por sonhos em que os santos cristãos a incentivavam a lutar contra os ingleses, Joana d’Arc conduziu o famoso assalto que levantou o cerco inglês da cidade de Orleans em 1429, virando a maré em favor dos franceses. Acabou tendo uma morte trágica que a martirizou.

Hipátia - foi uma matemática, astrônoma, filósofa, escritora e diretora da biblioteca de Alexandria. Ela foi uma das mais importantes pensadoras da Antiguidade. Acusada de bruxaria, foi morta por uma turba desgovernada de fanáticos religiosos pelo "crime" de pregar a liberdade cultural e filosófica do pensamento.

Malala Yousafzai - foi a pessoa mais jovem a ser laureada com um prêmio Nobel (da Paz). Ficou conhecida principalmente pela defesa dos direitos humanos das mulheres e do acesso à educação no Paquistão, onde os talibãs locais impedem as jovens de frequentar a escola. Desde então, o ativismo de Malala tornou-se um movimento internacional. Em 2012, ela sobreviveu a um atentado de um terrorista Talibã que acertou um disparo em sua cabeça. Malala ficou famosa por seu discurso na ONU onde disse: "Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução".

Lyudmila Pavlichenko - foi uma franco-atiradora (sniper) soviética durante a Segunda Guerra Mundial. A ela foi creditada a morte de 309 soldados alemães (possivelmente foi maior que 500). Ela é até hoje considerada a franco-atiradora mais bem-sucedida na história. Esta valente ucraniana venceu o machismo e o nazismo com uma tacada só.


Roza Shanina - foi outra franco-atiradora soviética durante a Segunda Guerra Mundial, creditada com 54 mortes confirmadas. Ela recebeu diversas condecorações e foi bastante respeitada por sua bravura e determinação. Ficou conhecida na época como o "Terror Invisível" da Prússia Oriental, se tornando mais tarde a primeira mulher franco-atiradora a receber a extinta "Order of Glory" por ser a primeira mulher a servir na frente da Bielorrússia. Roza morreu de forma heroica dando sua vida para salvar um companheiro ferido durante um bombardeio.

Celia Sánchez - foi uma revolucionária cubana dedicada e corajosa, denominada por Fidel como “a flor mais autóctone da revolução”. Ela teve um papel fundamental durante a guerra revolucionária e na construção do socialismo. Juntamente com Frank País (um dos líderes do Movimento 26 de julho), Célia organizou o movimento na região oriental, criando uma rede de apoio à guerrilha liderada por Fidel em Sierra Maestra. Ela foi também a primeira guerrilheira da Sierra Maestra, tendo se incorporado ao exercito rebelde em maio de 1957.

Vilma Espín Lucila - foi outra grande revolucionária cubana. O espírito da revolução socialista de Cuba foi mais vividamente encarnado por sua “primeira-dama”, Vilma Espín Lucila. Depois de estudar engenharia química, Espín pegou em armas contra a ditadura de Batista em 1950 e desmascarou a noção da dócil mulher caribenha com seu uniforme militar e seu espírito revolucionário.

Nadezhda Krupskaya - foi uma revolucionária bolchevique e pedagoga russa, casada com o líder revolucionário Vladimir Lênin. Ela participou do governo soviético e teve um importante papel na luta contra o analfabetismo na Rússia. Suas concepções sobre educação teriam grande influência no estabelecimento de novos métodos e práticas de ensino na URSS.

Mulher, a revolução mora em você!

No dia em que todas as mulheres (que são maioria) se unirem e se levantarem juntas contra o sistema de opressão que foi construído contra elas, a humanidade irá passar pela maior de suas revoluções. E pode acreditar que esse dia está bem perto de chegar.

Fontes:
Brasil de Fato
Hypescience
PCB.org
Mega Curioso
Vermelho.org
Guia do Estudante

terça-feira, 6 de junho de 2017

Preconceito é estúpido até quando é contra os opressores


Fui surpreendido hoje no meu Face com a pérola acima dita por uma criatura que visivelmente não gosta muito de homens. A generalização usada frequentemente contra homens vem, via de regra, das fossas abissais do que ainda sobrou do feminismo radical do século XXI. As próprias RadFems já estão caindo na real que esse discurso protomisândrico não possui mais coerência lógica. E refutar essas coisa de que "homens são todos uns bostas" é a coisa mais fácil do mundo. Basta você incluir na conta desses homens os negros, judeus, homossexuais, transexuais e índios que você está se posicionando de forma absolutamente reacionária contra minorias que, apesar de terem algum privilégio, sofrem tanto ou mais que as mulheres numa sociedade dominada por preconceitos, violências e injustiças.

Chega desse discurso segregacionista e maniqueísta, por favor. Deixem isso para os reaças e para as crianças do pré-escolar. Temos que nos unir para melhorarmos como indivíduos e como sociedade. Os homens precisam ser ensinados desde cedo a respeitar as mulheres e as enxergarem como iguais. A única coisa que merece ir para a lata de lixo é o sexismo.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Violência contra a mulher e a educação do homem


O caso recente envolvendo o assédio sofrido por uma figurinista da Globo reavivou uma discussão que parecia meia subestimada pela grande mídia, que é a questão do machismo, do assédio e da violência contra a mulher.
Muito tem se falado sobre punir os homens "violentos" e como ensinar as mulheres a se protegerem do assédio – mas essas propostas são superficiais e ineficazes. Temos sempre que combater os problemas em sua raiz. O assédio, a violência contra a mulher e o feminicídio não irão acabar apenas punindo os culpados ou ensinando mulheres a se defender. Isso seria o mesmo que enxugar gelo. O problema – ou melhor, a RAIZ do problema – está na cultura, está na forma como os homens são educados. E foi justamente através da educação que países mais igualitários, como a Islândia e a Finlândia, reduziram os casos de violência contra as mulheres.


Sobre a educação do homem
Nós, homens, somos educados desde a mais tenra infância para sermos "machos" – e não para sermos humanos. O comportamento de macho alfa, agressivo, troglodita, dominante e que, principalmente, reprime os próprios sentimentos, é algo extremamente negativo para os homens e para toda a sociedade. Ao não saber lidar direito com os seus sentimentos e emoções, o homem tende a sair do controle quando discute, apelando justamente para aquilo que o fora ensinado desde a infância: a ser agressivo. A maioria dos homens age de maneira imatura emocionalmente porque não se desenvolveu bem nesse sentido ao longo da vida. E esse comportamento do homem não é baseado puramente na biologia, na testosterona, como alguns supõem. O comportamento agressivo e sexista dos homens têm um forte componente cultural.

Portanto, é preciso parar de fazer como certos grupos de feminismo radical andam fazendo por aí de ver o homem como um "inimigo", como um agente opressor imutável. O feminismo parte do pressuposto de que homens e mulheres podem viver respeitosamente uns com os outros de maneira igualitária numa mesma sociedade. O feminismo não significa separatismo entre homens e mulheres – mas justamente a crença de que os homens podem e devem mudar. Os homens precisam ser parte dessa mudança e precisam ser educados desde muito cedo para respeitarem as mulheres e as verem como iguais. Eu pretendo, inclusive, escrever futuramente uma série de postagens mostrando como e porque os homens precisam mudar. O machismo também prejudica os homens, porque o sexismo também desumaniza o gênero masculino.
Já os homens formados na escola do patriarcado precisam se desconstruir, se reinventar: revendo seus conceitos e suas atitudes para que possamos ter um mundo melhor e mais feliz para todos.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Homem nenhum pode mandar nas mulheres


No último post sobre o aborto, algumas pessoas não entenderam a essência do que foi abordado naquela discussão. Eu não estava dizendo se o aborto deve ser legalizado ou não. O que eu escrevi, basicamente, foi uma defesa do direito à autonomia que as mulheres precisam ter sobre seus próprios corpos. Homens não têm que mandar nos corpos ou nas vidas das mulheres. Só as mulheres devem decidir o que deve ser feito com relação às suas vidas, aos seus corpos e às suas gestações. Eu foquei na questão legislativa, mas o raciocínio é o mesmo para todas as outras áreas, especialmente no que envolve o "aborto do homem".


Um exemplo mais corriqueiro de como os homens controlam os corpos das mulheres está na maneira como uma gestante é comumente tratada por seu companheiro. Quando um homem machista descobre que sua parceira está grávida, ele normalmente tenta impor a vontade dele sobre a dela. Quando ele não quer assumir o filho, costuma pressionar ou forçar a mulher a abortar, do contrário, ameaça abandonar a companheira à própria sorte de mãe solteira. Se a mulher quiser ter o bebê, o homem tem a obrigação moral de respeitar essa decisão dela, porque a última palavra é sempre da mulher. Se o homem não queria filhos, por que então não usou a camisinha? Já o caso oposto também é válido: se o homem quiser que a mulher tenha o filho, mas ela não quiser levar adiante a gravidez, o homem tem que respeitar do mesmo jeito a decisão dela. Não é o homem que vai passar nove meses com um filho na barriga para decidir o destino da mulher que se encontra nessa situação. É a mulher que decide o que fazer com o seu próprio corpo e ser contra isso é machismo puro. Mulheres NÃO são propriedade masculina.


Porém, como disse no post anterior, para que as mulheres possam ter esse direito de escolha sobre o próprio corpo, primeiro o aborto deve ser um assunto legislado exclusivamente por elas. É um absurdo que um parlamento formado 90% por homens cague regra sobre os corpos das mulheres.
Mulheres precisam de liberdade e respeito. Sem isso, nunca poderemos nos autointitular de civilização. Só há igualdade com liberdade e fraternidade.

Enquanto isso, nas clínicas de aborto brasileiras...

sexta-feira, 17 de março de 2017

Aborto não é assunto pra homem se meter


Há pouco tempo me pediram para que eu desse mais uma vez a minha opinião sobre se o aborto deve ser legalizado ou não no Brasil. Cansei de dizer que o aborto no Brasil é um fato, uma realidade, e que a diferença entre mantê-lo ilegal e legalizá-lo está apenas no número de mortes e sequelas maternas que serão reduzidas drasticamente na segunda opção. Mas a minha opinião é irrelevante. Minha opinião deve ser desconsiderada porque eu sou homem. Isso mesmo: minha opinião não vale nada porque homem nenhum fica grávido ou sofre de dilemas femininos para decidir por elas o que elas devem fazer com os seus corpos. Vivemos em um país machista, com uma legislação machista e controlado por homens. Mulheres – que são maioria da população – têm suas vidas e seus corpos controladas por 90% de homens que estão no poder. Isso é absurdo: um absurdo total. Homens não podem mandar em mulheres. Homens têm a obrigação de respeitar as mulheres, seus corpos e suas decisões. ELAS é que devem determinar os seus próprios direitos. Não poderemos nos autointitular de "civilização" enquanto as mulheres não forem donas de si. Nós, homens, precisamos aprender a calar a boca e escutar o que elas têm a dizer. Nem Estado, nem Igreja, nem homens: só as mulheres têm o direito de decidir sobre a legalidade ou não do aborto. Ou você acharia justo que as mulheres legislassem sobre os corpos dos homens?


Chega de homens mandando em mulheres. Mulheres ao poder, já!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Feliz dia da mulher branca, de novo?


Recentemente, após um caso suspeito de fanfic divulgado nas redes sociais, tem surgido uma onda comentários de leigos na internet que, diga-se de passagem, nunca estudaram um segundo sequer de antropologia, abordando a tal "apropriação cultural". Eu não vou entrar nessa discussão se a apropriação cultural é algo certo ou errado: eu vou apenas pedir uma pequena reflexão. Pare e se pergunte: Por que uma mulher branca usando turbante é sempre bem vista pela sociedade por ser "inclusiva" e não sofre ataques por sua cor, por sua etnia ou pelos elementos (adereços) culturais que ela "tomou emprestado" da cultura afro? E por que uma mulher negra usando o mesmíssimo turbante quase sempre é hostilizada e sofre preconceito, seja por sua cor, pela sua aparência, pelo seu cabelo, pela sua religião e pelos adornos que representam a sua cultura raiz? Até quando as mulheres negras serão tratadas com desdém, com desrespeito e com inferioridade? Por que a mulher branca é sempre o centro das atenções, tratada como exemplo e quase sempre protagoniza espaços femininos? Isso não te parece estranho? Esse privilégio não é algo minimamente suspeito?


Essa história de que "branquinha não pode usar turbante", ao que me parece, é uma ideia distorcida criada por grupos reacionários para atacar o movimento negro e sobretudo as mulheres negras. O que as mulheres negras estão pedindo é respeito: respeito pela sua etnia, pela sua cor, pela sua cultura, pelas suas origens, pela sua liberdade e pelo direito de usar elementos de sua própria cultura sem sofrer preconceito. Enquanto as mulheres negras estão sendo as maiores vítimas de violência doméstica, de feminicídio, de estupro, de assédio e de preconceito, a sociedade hipócrita prefere aplaudir a branquinha de turbante que posa de "cult". Fala sério! É preciso incluir as mulheres negras em todos os espaços, seja na mídia, na política, na música, no poder econômico, na elite intelectual... Jamais teremos uma revolução social sem a participação e a inclusão de mulheres negras. Mulheres negras precisam ser ouvidas e ter as suas reivindicações atendidas se quisermos ter uma sociedade mais justa e igualitária.


Enfim, TODAS as mulheres precisam de respeito, sejam elas da cor ou da etnia que forem.

Se ficou difícil de entender, o vídeo abaixo desenha pra você.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Dona Marisa foi uma guerreira


O Hospital Sírio-Libanês divulgou, nesta quinta-feira, o boletim médico que confirmou a morte cerebral da Dona Marisa Letícia, esposa e companheira de luta do ex-presidente Lula. A família autorizou a doação de órgãos. Diante desta triste notícia, houve reações diversas. Houve pessoas solidárias que prontamente deixaram seu pesar em respeito à família. Porém, tivemos outros que aproveitaram a situação para destilar seu veneno, seja de forma covarde e dissimulada, ou através de sarcasmo e deboche.

Honestamente falando, eu não sei quem é pior: se são os apedeutas que estão comemorando a morte da Dona Marisa ou se são os inconsequentes que dizem que a morte dela "virou uma bandeira política dos petralhas contra a Lava Jato". O primeiro grupo é formado por psicopatas que fazem do ódio a sua bandeira. Já o segundo é de inocentes úteis que acham que a truculência e a perseguição da Lava Jato não tiveram nenhuma influência na vida da família Lula. Fora que, em sua pequenez de intelecto, nenhum desses dois grupos tem a mínima ideia da guerreira incansável que foi Marisa Letícia e da sua importância na luta sindical.


Lula, Dona Marisa, seus filhos e a sua família foram perseguidos e acusados pela grande mídia de supostos crimes que nunca foram comprovados que cometeram. E teve de tudo: foi sítio, triplex, pedalinhos, invasão domiciliar, condução coercitiva ilegal, powerpoint, semanas inteiras de ataques no JN, estádio de futebol e até piscina no Palácio da Alvorada... Mas nunca houve uma única prova sequer contra Lula e sua esposa – houve apenas "convicções". Uma senhora como a Dona Marisa, que já tinha fatores de risco para desenvolver problemas cerebrovasculares, acabou tendo a sua saúde ainda mais prejudicada por todo o inferno que vinha passando. A família de Lula foi acusada, odiada e perseguida implacavelmente. E mesmo após partir, a Dona Marisa não está sendo respeitada por essa gentalha que não tem a menor consideração pelo próximo.

A dor que Lula vive neste momento é imensa, insuportável. Por isso desejo todo conforto e paz à sua família.