quarta-feira, 30 de junho de 2021

Bolsonaro será impichado?


Na minha humilde opinião, não. Bolsonaro NÃO sofrerá processo de impeachment. E tem muitas razões para isso. Primeiro que as elites não estão se empenhando nessa empreitada. Isso porque Bolsonaro, por mais bronco e despreparado que seja, segue sem hesitar com o projeto neoliberal. Segundo que os militares, como classe, estão confortáveis neste governo e usam o presidente como bode expiatório para qualquer lambança que eles possam fazer. E, por fim, os presidentes da câmara e do senado estão comprados aliados do presidente. Não interessa se o governo é corrupto, se houve propina na compra de vacinas, se há gabinete paralelo, se há prevaricação, genocídio, CPI ou qualquer outro argumento: Bolsonaro não cairá tão fácil. O impedimento do atual presidente só se dará quando as elites estiverem muito insatisfeitas com ele ou se ocorrer uma insurreição popular que ameace as bases da república. Fora isso, Bolsomorte seguirá até 2022, onde haverá muito jogo sujo para que ele vença novamente as eleições.

Mas cá entre nós: é engraçado como simples pedaladas fiscais (que sequer crime de responsabilidade são) tiraram ligeirinho a Dilma, mas mesmo com dezenas de crimes de responsabilidade, o inominável segue firme na presidência.  A democracia burguesa é realmente muito previsível.

terça-feira, 29 de junho de 2021

Cyberpunk 2077: meu veredito


O game Cyberpunk 2077, lançado no final do ano passado pela CD Projekt Red, finalmente retornou para PSN. Isso pode ser visto com otimismo por algumas pessoas e causar a impressão de que agora o jogo está bom. Mas não é bem assim. Eu tentei rejogar o game recentemente e desisti (por raiva e tédio) antes da metade da história. Daí que decidi assistir o resto da campanha principal através de gameplays dos youtubers e pude tirar as minhas conclusões sobre este game.

Muito bem, já declarei em outras oportunidades que jogos em primeira pessoa só servem, para mim, se forem do tipo shooter, ou seja: mirar e atirar com alguma arma de fogo. Qualquer outro estilo que fuja do bom e velho First Person Shooter me causa uma quebra de imersão e me desinteressa. Foi assim, por exemplo, com os Resident Evil 7 e 8, que eu sequer tive saco para acompanhar outras pessoas jogando. Não gosto de games não-shooters em primeira pessoa porque essa visão dá a sensação de que somos uma câmera flutuante, ou um drone, sem visão periférica, sem visão estereoscópica, sem noção espacial e sem noção do tipo de movimento que o corpo do personagem está realizando. Só isso já me deixou desinteressado pelo CP2077, mas resolvi dar uma chance ao game mesmo assim graças aos trailers e ao hype. O problema é que o jogo é uma decepção atrás da outra, mesmo após vários hotfixes e patchs de correção.

O game continua bugado mesmo após várias atualizações.

Cyberpunk é curto, linear e com uma cidade meramente estética com quase nenhuma interação. A moda e seu modo de vestir – ao contrário do anunciado nos trailers – não influenciam em porcaria nenhuma. A visão em primeira pessoa que eu tanto detesto não permite ver o seu personagem e nem as roupas que ele usa. Os espelhos são bugados, não vemos nosso reflexo, a direção dos veículos é ruim, o comportamento dos NPCs na rua é estranho e robótico, a inteligência artificial dos inimigos é muito burra, a neurodança (braindance) é sacal e confusa. Nos bordeis não tem uma dancinha sequer, não dá para comprar casas, customizar carros, interagir com NPCs principais de maneira mais livre, não dá para mobiliar o apartamento ou chamar NPCs para ele, não tem mini games. Enfim, falta muito conteúdo.

O jogo e si é um shooter de mundo aberto com alguns elementos de RPG. O jogo não é um RPG. Você não sente a cidade viva como ocorre com Witcher 3, GTA V ou RDR 2. Fora que o jogo está todo bugado, mal otimizado, crashando e instável. Nem um mainframe da Nasa roda esse game em 4K a 60fps com tudo no máximo. Para mim, este game foi uma mentira, uma decepção, uma propaganda enganosa da CDPR. E ainda por cima é muito pequeno e rápido comparado com outros games do gênero.

Outra coisa que me tirou do sério em Cyberpunk foram os tais caminhos da vida. Ser Nomad, Street Kid ou Corpo só altera os 15 minutos iniciais do game e alguns diálogos sem relevância. O sistema de classes então, eita porcaria! Hacker e stealth só são elementos secundários, porque tudo no game se resolve no tiro, na bomba ou na porrada. A distribuição de atributos é desequilibrada, os menus são pouco intuitivos e a customização durante a campanha é praticamente inexistente. Os finais são bem decepcionantes e a história em si é bastante medíocre. As gangues que pareciam ter uma identidade e função muito interessante nos trailers só aparecem mesmo em algumas missões. Falando das corporações, praticamente só a Arasaka é explorada. Então, para mim, Cyberpunk não vale nem 20 pilas. Não recomendo esse jogo. 

O bug da T-pose é tão frequente que virou meme.

Este é um game sem fator replay. Você joga uma vez e nunca mais. Nem a dublagem BR se salva, porque apesar dela ser bem feita, achei exagerado e forçado o número de memes e palavrões nas falas. Enfim, falta MUUUUUUITO chão pro Cyberbug77 chegar aos pés do game antecessor da empresa, o glorioso Witcher 3. Nem a presença do astro Keanu Reeves salvou o game. Honestamente falando, a CDPR deveria enterrar esse jogo como fizeram com os cartuchos do ET do Atari e partir logo pro Witcher 4.

domingo, 27 de junho de 2021

Agora que a CPI pega fogo


Quando eu achava que nada poderia ser mais bombástico que o escândalo da Covaxin, aí que vem a ex-esposa do ex-ministro da saúde, o general Pazuello (Pazuzu para os íntimos) querendo lugar de fala na CPI. Agora que o cabaré pega fogo! Só para sentir o que vem pela frente, olha só o que pescaram na web sobre a ex-mulher do general:



Reação do ex-ministro com a notícia:


Minha reação:



quinta-feira, 24 de junho de 2021

Ser criança em 1995

Eu costumo dizer que havia duas décadas diferentes dentro da década de 90. Entre 1990 e 1994 foi a década da inflação galopante, da lambada e do rumo ao tetracampeonato. De 1995 até 1999 foi a década da estabilidade financeira, da chegada da internet, do pagode, da tecnologia digital e da ascensão dos animes no país graças à saudosa Rede Manchete. Olhando por essa perspectiva, acho que a década de 90 começou pra valer mesmo a partir de 1995, porque muito do que rolou até 1994 foi herança dos anos 80, bastava ver isso na moda, na economia e no tipo de música que tocava nas rádios. Então quando falamos de 1995, estamos falando de um marco histórico.
Seguindo a tradição desta série, vamos então conhecer como foi aquele ano por tópicos específicos.

Tem coisa mais 1995 do que Friends?

Escola
Abordando especificamente a minha vida naquela época, eu tinha 11 anos de idade e mudei de uma escola primária para uma ginásia. Saí da quarta série para entrar na quinta série. E naquela época, a mudança da quarta para a quinta era brutal. No primário (da primeira à quarta série) tínhamos uma única professora (que chamávamos carinhosamente de "tia") que lecionava quatro disciplinas: português, matemática, ciências e estudos sociais. Daí que quando chegávamos na quinta série, eram muitas matérias novas (geografia, história, inglês, ecologia, biologia) e cada disciplina tinha um professor diferente. Isso sem falar das mudanças do colégio, dos horários, dos colegas, da turma, do recreio e das brincadeiras. No colégio que eu frequentei da quinta até a oitava série, tinha um sistema de hierarquia informal entre os alunos de cada série. Os alunos da oitava série eram os maiorais, porque "mandavam" em todo mundo das demais séries anteriores por serem maiores, mais fortes e mais velhos. Depois, vinham os da sétima série que botavam moral nos da sexta e nos da quinta. Por fim, os da sexta se sentiam superiores aos da quinta e vivam tirando uma onda com a nossa cara. E os da quinta, coitados, não tinham moral algum. Na quinta série éramos uns pirralhos sem autoridade e vítimas frequentes de trotes, bullying, humilhações e até de agressões dos alunos mais velhos. Durante o horário do recreio, cada turma tinha o seu dia da semana tabelado para usar a quadra, fora isso eram sempre os meninos mais velhos que tomavam conta da quadra só para eles. E a diferença da gente para esses meninos mais velhos era muito grande, porque eles eram quase adultos para a gente, tinham barba, fumavam na saída do colégio, podiam ir para casa sem a companhia dos pais, conversavam sobre temas mais maduros, etc. Tinham também os alunos do segundo grau que eram ainda mais maiorais que os da oitava série, mas eles tinham um recreio só para eles e praticamente nunca encrencavam com a gente. Mas enfim, esse nem era o foco desta postagem. Apesar disso, como eu e meus colegas éramos praticamente crianças, ainda reinava muita brincadeira entre nós. E como queríamos nos reafirmar, as nossas brincadeiras também foram ficando mais violentas, incluindo corredor polonês, babau (quando alguém que falava besteira levava um monte de tapas na cabeça do resto da turma), luta (super catch), cuscuz (puxar vários palitinhos da terra e correr pra não apanhar caso puxasse o errado), futeporrada (tirobol) e coisas do tipo. De brincadeiras mais normais, tínhamos mesmo os Tazos, ioiôs da Coca Cola, álbum de figurinha de jogadores, bola de gude, jokenpô e até jogos de tabuleiro. Falando em jogos de tabuleiro, eu era um dos melhores alunos do colégio no Xadrez, mesmo com apenas 11 anos. Mas enfim, este é assunto para outro post.

Ioiôs da Coca-Cola: mania nos anos 90.

Neste ano de 1995 foi também o ano que eu comecei a fazer curso de inglês na Cultura Inglesa. Como na época praticamente ninguém tinha internet e ela era muito lenta, só havia cursos presenciais. O curso me ajudou bastante, mas abandonei o mesmo dois anos depois. E já que toquei no assunto internet, na época, para mim, pelo menos, ela parecia uma coisa mágica, do outro mundo. Conversar com pessoas do outro lado do mundo e compartilhar informações, dados e imagens através de um PC era algo que beirava o surreal. Pena que só fui utilizar a internet pela primeira vez em 1998 lá no laboratório de informática do colégio.

Era assim quando a internet discada chegou ao Brasil.
Música
De todos os anos que relatei nesta série Ser Criança Em foi o ano de 1995 que eu considerei o melhor e mais diversificado musicalmente. Teve muita, mas MUITA música boa sendo gravada e tocada neste ano. Apesar do pagode e do axé music terem ganhado mais visibilidade na época, o pop rock, o sertanejo e o brega também tiveram uma relevância bastante notável no mercado fonográfico. A exceção a esses estilos foram os Mamonas Assassinas, que atingiram o auge do sucesso neste ano. Aliás, se você viveu em 1995 no Brasil e não ouviu falar de Mamonas Assassinas, bicho, você só podia estar em estado vegetativo, porque a popularidade dos caras superava até a dos Beatles. Eu mesmo comecei a gostar para valer de música e de rock graças aos Mamonas. Eu nunca tive um CD dos caras, mas tinha uma fita K7 com todas as músicas e eu ouvia e cantava religiosamente todos os dias canções como Robocop Gay e Vira-Vira.

O "cometa alegria" tornou 1995 um ano inesquecível.

Para se ter uma noção de como 1995 foi representativo musicalmente, vou deixar a seguir algumas das canções mais tocadas nas rádios da época:

NACIONAIS
É Tarde Demais – Raça Negra
Maravilha - Raça Negra
Segure o Tchan – Gera Samba
Na Boquinha da Garrafa – Cia. Do Pagode
Mama África – Chico César
Legalize Já – Planet Hemp
Rap da Felicidade – Cidinho & Doca
Sereia – Lulu Santos
Marrom Bombom – Os Morenos
Preciso de Você – Netinho
Paparico – Molejo
Pacato Cidadão – Skank
Esmola – Skank
Te Ver – Skank
Xô, Satanás – Asa de Águia
Catedral – Zélia Duncan
Lá vem o Negão – Cravo e Canella
Malandrinha – Edson Gomes
Lua que Vem – Joanna
Emaconhada – Akundum
Encontrar Alguém – J.Quest
As Dores do Mundo – J.Quest
Vai Ter Que Rebolar – Sandy & Junior
Então é Natal – Simone

INTERNACIONAIS
Rhythm of the Night – Corona
Back for Good – Take That
Kiss From A Rose – Seal
Scatman (ski-ba-bop-ba-dop-bop) – Scatman John
Always – Bon Jovi
Boombastic – Shaggy (Scalobaloba!)
Take A Toke – C+C Music Factory
You Gotta Be – Des'ree

Neste ano, os CDs tinham caído no gosto popular e os discos de vinil e as fitas K7 foram se tornando cada vez mais obsoletos. Apesar dos arquivos digitais em extensão mp3 já existirem, eles ainda estavam muito longe de competirem com os CDs. Mas o mais bacana mesmo musicalmente falando neste ano foi o conteúdo das rádios brasileiras. Eu mesmo adorava ouvir a Jovem Pan e a Transamérica. Músicas engraçadinhas como Macacaralho e Pomba Rola e os humorísticos Pânico e Café com Bobagem foram marcantes na minha vida.

Uma curiosidade interessante é que no dia 20 de julho de 1995 a música "É Tarde Demais" do Raça Negra foi tocada mais de 600 vezes num único dia, se tornando a canção mais executada de todos os tempos segundo o GUINNESS BOOK. Por essas e outras que 1995 foi o ano mais mítico musicalmente falando da história.

A Rede Manchete tinha audiência garantida com os CDZ.

Televisão
1995 se resumia em basicamente três coisas para mim na tevê: Cavaleiros do Zodíaco, Cavaleiros do Zodíaco e mais Cavaleiros do Zodíaco. Eu virei um fã tão doente deste anime que eu comprava tudo que eu via sobre eles: revistas, posters, álbum de figurinhas, CDs, camisetas, chicletes... Só nunca comprei os bonecos porque eram muito caros e raros. O jeito que eu tinha de brincar era desenhando e recortando os personagens do anime em papel sulfite ou então brincando de "ser", onde eu e meus amigos brincávamos de interpretar os cavaleiros e seus golpes. Também nessa época eu criei minhas próprias imitações da lendária revista Héroi da editora Sampa, onde eu resumia os episódios dos Cavaleiros da tevê e narrava os meus próprios que criava nas minhas brincadeiras. Mas nem tudo se resumia a Cavaleiros na extinta Rede Manchete, o que não faltava eram aquelas propagandas toscas do Teleshop com seu número de telefone emblemático (011) 1406 (que inspirou uma das canções dos Mamonas Assassinas). Vendiam de tudo naquelas propagandas, de Facas Guinsu até produtos para tirar arranhões de carros. Além disso, tínhamos tokusatsus como Wispector, Patrine, Kamen Raider e Solbrain. Sem contar do bom e velho Clube da Criança apresentado pela Patrícia Kiss (Pat Beijo) com vários desenhos. Para quem curtia novelas, a novela de sucesso da Manchete naquele ano foi uma tal de Tocaia Grande que eu nunca cheguei a assistir.

TV Colosso: alegria da criançada na época.

Na Rede Globo, tínhamos a inesquecível cachorrada da TV Colosso pela manhã junto com uma porrada de desenhos bacanas como Perdido nas Estrelas (WishKid), X-Men, Animaniacs, Tiny Toon, Esquadrão Marte, Carmen Sandiego e a querida Família Dinossauros. Entre as atrações da TV Colosso tivemos nada menos que os Power Rangers, que tiveram sua estreia no Brasil neste ano. De tarde, além da boa e velha Sessão da Tarde, tinha a Sessão Aventura, S.O.S Malibu, Escolinha do Professor Raimundo e a estreia da novela mais velha em atividade da tevê brasileira, a Malhação. Das telenovelas globais, A Próxima Vítima foi a de maior destaque na época, chegando a ter uma audiência que supera muito as de hoje em dia. Nas noites de terça-feira, tínhamos o Casseta & Planeta Urgente que, naquela época, era bastante engraçado.

Com relação ao SBT, a manhã era toda das crianças com a Sessão de Desenhos da Vovó Mafalda, Bom Dia e Cia. e o Programa Sérgio Mallandro. Nos finais de semana era a vez do Sabadão Sertanejo, do Domingo Legal do Gugu e do Topa Tudo por Dinheiro do Silvio Santos. Já na TV Cultura eram muitos programas inesquecíveis para as crianças, como Glub-Glub, Castelo Rá-Tim-Bum, O Professor, Os Bichos, De Cabo a Rabo, O Mundo de Beakman, Doug, X-Tudo, Anos Incríveis e o meu desenho favorito da época: As Aventuras de Tintim. Essa foi, na minha opinião, a era de outro da tevê Cultura.

Melhor game de futebol dos anos 90.

Games
Apesar de em 1995 já termos videogames como Playstation, 3DO, Sega Saturno, Sega CD e Neo Geo CD, o que eu tinha acesso na época eram os bons e velhos Mega Drive e Super Nintendo. E esse acesso não era tão simples, porque minha mãe só me deixava jogar nos finais de semana e mesmo assim só depois de ter feito todo o dever de casa. Eu tinha um Mega Drive e jogava Super Nintendo nas locadoras e casas de parentes ou amigos. Mas o que me marcou mesmo naquele ano foi a descoberta de um fliperama chamado Neo Geo numa famosa pizzaria perto da minha casa. Naquela época, conheci clássicos da SNK como Samurai Shodown, Aero Fighters e Super Sidekicks. Apesar do glorioso The King of Fighters '95 ter sido lançado neste ano, eu só fui jogá-lo pela primeira vez no emulador em 2002. Meu primeiro KoF foi o 96 e tem um post dedicado a ele aqui no blog. 
 
Eu não poderia deixar de lembrar que este foi o ano de ouro do Super Nintendo com clássicos eternos como os lendários Donkey Kong Country 2, Final Fight 3, Mortal Kombat 3, Mega Man X2 e X3, International Super Star Soccer de Luxe e Yoshi's Island. Para outros consoles, tivemos o já citado KOF '95, Samurai Shodown 3, Tekken 2, Warcraft 2, Street Fighter Alpha e Tales of Phantasia.

Melhor filme daquele ano.

Filmes
Como essa postagem já está extensa demais para os padrões dessa série, eu vou deixar listado a seguir apenas os filmes que me marcaram positivamente lançados naquele ano. A maioria deles eu só fui assistir em anos posteriores, uma vez que eu raramente ia aos cinemas e tinha a grana curta para alugar fitas VHS. 

WaterWorld
Goldeneye 007
Os Doze Macacos
Jumanji
Batman Eternamente
Coração Valente
Toy Story
Pocahontas
Gasparzinho
Free Willy 2
Ace Ventura: Um Maluco na África
Mortal Kombat
Lembranças de outra Vida (Fluke)
O Juiz
Duro de Matar 3
Apollo 13

PS1: Antes que eu me esqueça, teve um filme de 1992 que assisti no SBT na época que me marcou por ser tosco, engraçado e com um dos títulos mais esdrúxulos existentes, um tal de Nut nasceu burro, não aprendeu nada, esqueceu a metade

PS2: Neste ano, além de todas as mudanças, novidades e desafios que vivi, ainda tive minha primeira feira de ciências, minha primeira dramatização de trabalho escolar, minha primeira paixão (por uma aluna da sétima série), a descoberta dos saudosos livros-jogos, a minha primeira eucaristia, a única vez que fui à inesquecível Noite do Terror do Playcenter e a minha primeira e única ida à Paixão de Cristo de Nova Jerusalém. Eita ano agitado!

Enfim, 1995 foi um ano tão cheio de histórias para contar que parece que foram vários anos em um só.

Para quem tiver curiosidade e não tiver lido ainda, seguem abaixo os links para outros capítulos dessa série Ser Criança Em:

Ser criança em 1986
Ser criança em 1988
Ser criança em 1990
Ser criança em 1991
Ser criança em 1994
Ser criança em 1996
Ser criança em 1997
Ser criança em 1998
Ser adolescente em 1999

sábado, 19 de junho de 2021

500 mil assassinatos


Apesar de estarmos de luto pelo meio milhão de brasileiros mortos pela Covid-19, neste momento a palavra LUTO tem que ser VERBO. 500 mil pessoas não morrem de uma doença por acaso, ou por "ser a ordem natural das coisas", ou por ser "inevitável". A maioria dessas mortes era evitável. Se não tivéssemos um governo negacionista e irresponsável, a tragédia teria sido muito menor. 

Enquanto o genocida não deixa o poder, temos que fazer a nossa parte tomando a vacina, usando máscaras, evitando sair de casa, combatendo aglomerações e deixando clara toda nossa insatisfação com um governo que fez de tudo para chegarmos a essa marca sangrenta. Não foram 500 mil mortos. Foram 500 mil assassinatos. A história irá cobrar a responsabilidade de todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para todas essas vidas perdidas.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Teto de gastos é a PQP!


A criação criminosa do Teto de Gastos após o Golpe de 2016 foi uma imposição antidemocrática da política de trickle down neoliberal para deixar os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. O que a canalhada neoliberal esconde por trás dos discursos mentirosos da imprensa burguesa é que o pobre não é problema, o pobre é, sim, parte da solução dos problemas econômicos do país. É o pobre que paga mais impostos, é o pobre que faz a economia girar, é o pobre que gera a riqueza do país através da sua mão de obra e é o pobre que segura o país em tempos de crise. Temos que investir nos pobres e não nos parasitas sentados em montanhas de dinheiros que só especulam e saqueiam o Estado. Ganha meu voto aquele candidato que se comprometer a revogar essa emenda constitucional criminosa.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Afrocídio burguês é política eugenista do capital


Todos os dias é a mesma coisa. Negros, pobres e favelados são assassinados covardemente pelas forças do Estado como se suas vidas não tivessem qualquer relevância. Num dia, um homem negro foi estrangulado por seguranças do Carrefour. Noutro dia, dezenas de jovens negros foram covardemente assassinados por policiais no Jacarezinho. Na semana passada, para variar, foi a vez de uma designer de interiores, grávida de 14 semanas, que perdeu a vida por estar "no lugar errado e na hora errada". Isso sem falar de crianças vítimas de balas "perdidas", de pais de família sendo fuzilados por militares fardados com dezenas de disparos na frente dos filhos, de "suspeitos" espancados até morte por terem sido "confundidos" com bandidos... Todos esses casos têm em comum o triste fato de que todas as vítimas tinham a pele escura. É preciso ser muito cego para não perceber que há algo muito errado no sistema capitalista que permite que as forças repressoras do Estado ajam de maneira tão brutal e genocida contra os afrobrasileiros. Mas o mais chocante disso é que este afrocídio é INTENCIONAL. Negros NÃO estão morrendo desse jeito por acaso. O extermínio eugenista faz parte de uma política de hierarquização social onde as classes dominantes formadas por brancos abastados precisa manter as classes dominadas com medo, controladas, humilhadas e reprimidas para manter seus privilégios. Sem compreender isso, jamais atacaremos a causa real do problema. A causa real desse racismo estrutural é esse sistema maldito que mantém desigualdade proposital, injustiça racial e a exclusão social. 

Essa merda tem que acabar.

terça-feira, 15 de junho de 2021

A Reinvenção do Amor: 20 anos correndo pelos campos (parte 2)


No post passado, eu falei sobre a criação e a história do primeiro álbum da banda fictícia Unno, intitulado de A Reinvenção do Amor, lançado em 2001. Nesta postagem aqui, vou abordar de forma mais específica sobre as músicas e o contexto em que cada uma foi criada.

Quem acha que as canções do primeiro disco foram criadas sem estratégia, se engana. Na história, foram feitas pesquisas para saber o tipo de música que as pessoas mais gostavam, se elas achavam importante falar sobre solidariedade, o que uma música precisava ter para ser boa, etc. A partir daí foram traçados os temas dentro da ideia central, que era a solidariedade, e só aí começou o processo de criação e produção das músicas. Vale salientar que todas as canções do primeiro disco foram inspiradas em histórias e casos reais. Várias questões filosóficas envolvendo os tipos e a linguagens do amor foram incluídas nas canções. É lógico que quem criou todas as canções da banda fui eu mesmo e fiz isso por uma questão de originalidade e também para não gastar dinheiro contratando músicos profissionais para compô-las para o desenho. A ideia inicial é que as canções aparecessem apenas no desenho animado da Sociedade do Rock em formato de videoclipe. Inicialmente, as músicas tinham um papel secundário. O papel principal estava no enredo. Mas, com o passar do tempo, o foco se inverteu e eu me vi cada vez mais envolvido com as músicas, porque elas meio que contam parte da história por si só.

A Unno em sua segunda formação em 2006.

Antes de falar sobre as canções do disco, vale a pena listar as músicas mais tocadas nas rádios da época (dentro da história) antes do primeiro disco da Unno ser lançado. Isso é para se ter uma ideia do tipo de conteúdo musical que as pessoas estavam consumindo e como a chega da Unno mudou isso.

Músicas fictícias mais tocadas nas rádios em 2001 no desenho:

Colosso da paixão - Edson Camarote (musica da novela)
Ô Lá em Casa - Estiqueriquebum
Vai um, vem dezoito - Banda Eucalipto
Segura esse bebê - Benedito e Átila
Ela tá querendo 2 - MC Dedão
Canta, canta, coração - Tiquinho e Sidão
Lágrimas e paixão - Renata Sinoya
Dança do joelho - Reis do Axé
Balança o popozão - MC Kaolho
Menino de rua - Rodrigo Magé

Pelos títulos acima dava para ver a miséria musical que reinava naquele período (e que não era muito diferente da vida real). Abrindo uma ou outra exceção, a maioria das músicas que "bombavam" nas rádios do desenho eram horríveis, toscas, apelativas, sem nexo e até preconceituosas. Isso era (e ainda é) uma crítica social às músicas que escutamos. Enfim, foi neste contexto que surgiu a Unno e essa tragédia musical foi parcialmente revertida, colocando músicas melhores nas rádios.

Klindo, Ellie, Pelegrinni e Panther em suas versões children.

Agora, sim, vamos às canções da Unno: canções essas que eram cantadas ou por Tom Pelgrinni, ou por Ellie. Vale salientar que nenhuma dessas canções foi divulgada oficialmente na vida real e a maioria delas está incompleta ou com títulos provisórios. Mas o que interessa aqui é o significado por trás de cada uma e como essas canções mudaram a história. Não vou deixar a letra e nem a melodia, vou apenas falar conceitualmente sobre como cada uma impactou na história. As canções seguem no disco na ordem abaixo:

CD 1 - A Reinvenção do Amor (2001)
1.  Todas as Cores do Amor (Gênesis)
2.  Infância Serena
3.  A Fantástica Fábrica de Sonhos
4.  Pequena Estrela
5.  Acorda, Estrelinha!
6.  Todo Amor
7.  Essa Chama Não Pode Apagar
8.  Um Novo Anjo no Céu (Lara)
9.  Adeus, Lírios da Primavera
10. Sob a Timidez
11. Reinventar o Amor
12. Uma Nova Razão Para Viver (Pela última uma vez)
13. Um Presente para Ludus
14. Além dos Campos Verdejantes
Extra: Faixa sem título


1.  Todas as Cores do Amor (Gênesis)
É uma faixa instrumental de introdução com algumas vocalizações. Ela possui uma energia positiva que serve para dar o tom das canções que virão depois.

2.  Infância Serena
É a primeira canção com letra do disco. Foi a primeira música da banda e também a primeira música que eu escrevi na minha vida lá em meados do ano 2000. A letra foi escrita primeiro em forma de poema e depois foi musicada. Isso fica perceptível pelo prolongamento das vogais para se encaixarem na métrica da melodia. Isso acabou criando um efeito musical bem particular e marcante. Falando sobre a música, ela começa com a famigerada frase "Vou correr pelos campos" que abre e fecha o disco de forma simbólica. A canção em si não possui nem rimas e nem refrão, mas transmite uma sensação de escapismo e liberdade sem igual, contando coisas que pessoas que anseiam por liberdade gostariam de sentir ou viver. A letra é polifônica, com vários personagens cantando em cada verso sobre a sua necessidade de se sentir livre, de receber uma doação ou de serem adotadas para ter uma vida livre e feliz.

3.  A Fantástica Fábrica de Sonhos
Mais uma canção cheia de escapismo, só que essa tem muita fantasia e é mais dançante e divertida que a anterior. Aqui há a primeira crítica da banda que é ao sistema de ensino duro e enfadonho que temos no Brasil. Na metade da música, a escola se transforma em um circo imaginário onde sonhos, devaneios e esperança se misturam.

4.  Pequena Estrela
Essa canção é icônica e foi uma das mais tocadas da Unno. Aqui há uma espécie de quebra da quarta parede onde o vocalista (Pelegrinni) fala diretamente para o ouvinte. Nos versos, a música afaga alguém que está atravessando uma grande dificuldade, doença ou sofrimento e, em seguida, dá uma pancada de ânimo e esperança incrível no refrão.

5.  Acorda, Estrelinha!
Uma das faixas mais tocadas do disco. Foi também a mais plagiada, imitada, regravada e homenageada por outros artistas, inclusive, internacionais. A versão dela em inglês tocada no piano e cantada por Johnny van Taylor ficou bem conhecida entre os gringos. Esta música fecha o ciclo com um final feliz daquela criança que cansou do hospital em Infância Serena, que achou que fosse morrer em Pequena Estrela e que inspirou um doador para salvá-la nesta música. Aqui é quando a personagem recebe a doação e fica curada de sua enfermidade. Imagine a felicidade de um ser humano que estava sentenciado para morrer, mas que, graças a uma doação, literalmente, consegue renascer e ganhar uma nova vida. Essa música foi feita em homenagem ao irmão caçula da Ellie que precisava da doação de medula óssea. A energia positiva dessa canção, as referências a vários super heróis e o vocal intenso e emocionado de Ellie são de encher os olhos de lágrimas e esperança.

6.  Todo Amor
Esta faixa trata de alguém que superou as dificuldades, os preconceitos e as barreiras sociais para realizar um grande ato de amor.

7.  Essa Chama Não Pode Apagar
Um dos críticos da Unno (um tal de Paulo Pedreira) disse que essa canção era uma mistura de Imagine (John Lennon) com a Arco-íris (Xuxa). E acho que essa foi a melhor definição (claro que com algum exagero) para ela. É uma música esperançosa que fala de vários tipos e linguagens do amor na busca da nossa "imortalidade". Afinal, o amor nos torna imortais nos corações que deixamos trás. Aqui é idealizado um mundo que tem suas mazelas curadas pela chama de um sentimento que é capaz de nos tornar imortais.

8.  Um Novo Anjo no Céu (Lara)
Se Acorda, Estrelinha foi o final feliz da história que começou em Infância Serena, Lara pode ser considerado o final triste. É uma das canções mais lindas e mais bem trabalhadas do disco, com direito ao uso de instrumentos de orquestra e coral ao fundo. A dor da perda de um filho foi muito bem interpretada por Pelgrinni nesta canção.

9.  Adeus, lírios da primavera

Mais uma canção icônica. A história do rapaz daltônico que enxergou em cores pela primeira vez extrapola o campo da metáfora para realidades que antes não conseguíamos enxergar por alguma limitação social, religiosa ou moral. Aqui é um mundo novo que se abre, uma "nova cor" que descobre-se onde antes era cinza.

10. Sob a Timidez
Com uma pegada de MPB, essa música aqui aborda as dificuldades amorosas e sociais vividas por pessoas tímidas.

11. Reinventar o Amor
É a canção mais madura do disco. Fala de como o amor monogâmico é, na verdade, uma prisão e que, por isso, ele precisa ser reinventado. É uma crítica aos nossos relacionamentos exclusivistas, possessivos e preguiçosos que nos privam de experimentar o verdadeiro amor.

12.
Uma Nova Razão Para Viver (Pela última uma vez)
Uma das letras mais tocantes do álbum. Conta o drama de idosos abandonados e de como é doloroso passar os últimos dias da vida sem o direito de poder ver e abraçar as pessoas que ama. O solo de guitarra lento e rasgado no final junto com a parte mais dramática da letra servem para amolecer os mais duros corações.

13. Um Presente para Ludus
Possivelmente, a canção mais engraçada e inesperada do disco. Ela fala do valor da amizade e como ela pode superar as barreiras entre as diferenças num ritmo parecido ao de uma valsa. O grande barato dessa música é que é preciso escutar ela duas vezes para que ela faça sentido. Você escuta a música inteira achando que se trata de uma coisa e aí vem a última palavra da última estrofe e muda completamente o sentido da história.

14.  Além dos Campos Verdejantes
Última canção com letra do disco. Ela trata sobre a despedida de alguém que se foi para sempre, mas que viverá para sempre em nossos corações. A última frase da última música do disco repete a primeira frase da primeira música: "eu vou correr pelos campos", dando a ideia de ciclo fechando e se repetindo.

Extra: Faixa sem título
É uma faixa instrumental secreta. Não aparece listada na contracapa e ela começa a tocar alguns segundos após o fim da canção anterior ainda na faixa 14. Ela tem um riff em pentatônica com um fundo nebuloso, denso e de ar transcendental com teclado e coral de apoio ao fundo. Esta faixa marca o nascimento simbólico da banda, dando aquele ar meio onírico típico das primeiras recordações das nossas vidas.

Trilha sonora ideal para correr pelos campos.

Note que a ordem das faixas do álbum obedece a um microciclo baseado nas quatro estações: primavera, verão, outono e inverno. Ou se preferir: infância, adolescência, maturidade e velhice. É como se a história da vida de alguém (ou de vários alguéns) estivesse sendo contada no álbum. O líder da Legião Urbana, Renato Russo, era um entusiasta dessa ideia, mas nunca conseguiu, de fato, aplicar este conceito nos seus discos. Na Reinvenção do Amor, a ideia de ciclo se renovando está no simbolismo de "correr pelos campos", que traz um misto de escapismo, liberdade, gratidão e conquista que permeia todo o disco. Este álbum traz, de certa forma, uma celebração pela vida.

Dois pontos cruciais sobre esta obra-prima é que há uma divisão entre a primeira e a segunda metade do disco. Até a música 8, temas envolvendo a infância são predominantes. Enquanto que a partir da faixa seguinte, as canções vão ficando mais maduras, envolvendo abordagens de outras faixas etárias. Outro ponto é que a gravadora Pop Records queria um disco com, no máximo, 12 faixas. Isso para reduzir os custos e o tempo de produção e para evitar "músicas fracas". Mas após muita negociação, o álbum saiu com 14 (15, na verdade). É um número grande de músicas para um álbum de estreia, mas cada canção conta uma história que não podia ser deixada de fora para que a ideia central do disco fosse totalmente consolidada. Além disso, houve uma preocupação detalhista com cada música para que todas as canções do disco fossem boas e inesquecíveis. Aliás, esse foi um dos diferenciais da Unno: criar um disco inteiro só com músicas incríveis.

Estrela: um símbolo do primeiro disco.

A Reinvenção do Amor não propõe necessariamente reinventar o amor em suas canções, mas sim em construirmos uma nova visão sobre ele. Será que o que chamamos de amor é realmente amor? O amor não suporta egocentrismo, orgulho, possessividade, mesmice, apego e imediatismo. A vida me ensinou que amar é sair da nossa zona de conforto para exercer entrega, doação, empatia, solidariedade, altruísmo, partilha, generosidade, gentileza e carinho. Amar é sacrificar-se pelos outros sem desejar nada em troca. Amar é uma forma de renúncia pessoal em nome de uma causa maior. Apesar de não ser fácil amar, é só o amor que nos imortaliza tanto como indivíduos quanto como espécie.

É claro que é possível que essas músicas sejam publicadas futuramente na vida real, sejam junto com o desenho ou sem estarem relacionadas a ele. Afinal, essas são canções que nos inspiram a dar o nosso melhor para fazer um mundo mais feliz. Doação, solidariedade, generosidade e altruísmo são temas atemporais e que, como diz o refrão de Essa Chama Não Pode Apagar, "nos torna imortais". Eu, particularmente, adoro essas músicas e elas estão entre as minhas favoritas da vida toda. Acho que a humanidade precisa e merece conhecer a magia de canções que, na pior das hipóteses, vai pelo menos nos fazer esquecer dos problemas ao correr pelos campos.

Namastê!

segunda-feira, 14 de junho de 2021

A Reinvenção do Amor: 20 anos correndo pelos campos (parte 1)

 

Em meados do ano 2000, eu criei uma história em quadrinhos chamada Sociedade do Rock. Naquele quadrinho que eu produzia à mão em formato de revista havia a história de várias bandas de rock fictícias brasileiras, tais como as famosas Highbreak (punk), Gardena (metal), Tequila 21 (pop rock), Wacas Malhadas (pop) e a Unno. Dessas bandas, a mais famosa e que protagonizava a história era justamente a Unno, que foi fundada na capital paulista inicialmente por quatro integrantes: Ellie (vocal), Tom Pelegrinni (vocal e guitarra), Panther (baixo) e Max (bateria). Posteriormente, a partir de 2003, o ex-vocalista da Wacas Malhadas e ex-jogador de futebol Klindo Kloid também entrou na banda. Como expliquei em outra postagem, a Unno foi uma banda fundada em 2000 que reunia os remanescentes das bandas DeterGente e Wacas Malhadas. Na história, a banda surgiu como um projeto ambicioso dos empresários e investidores Walter Mostarda, Christian Candelabro e Klindo Kloid. A ideia desses mecenas era de criar uma banda de pop rock com grande alcance e que trouxesse um bom retorno financeiro. Para isso, houve um investimento pesado em marketing, figurino, identidade visual e estratégia para se chegar ao sucesso a curto prazo. Mas algo inesperado aconteceu que acabou criando um diferencial histórico para a banda já no primeiro disco.

Integrantes da Unno: Panther, Pelegrinni, Klindo, Ellie e Max.

A história do primeiro disco
Durante o processo de criação das primeiras canções da Unno, o irmão caçula da vocalista e guitarrista da banda, a Ellie, precisou de uma doação de medula óssea para sobreviver devido a uma leucemia. E isso causou uma mudança importante nos rumos da história da banda, porque, num ato de solidariedade dos demais integrantes do conjunto, ficou decidido que boa parte das canções do primeiro disco passariam a se focar na ideia e no estímulo à doação. E não apenas na doação de medula óssea, mas na doação de sangue, de órgãos, de leite materno, de alimentos, de cabelo e de tudo mais que as pessoas pudessem doar. A liberdade, a solidariedade, a generosidade e o altruísmo foram os temas centrais – ou os "fios condutores" – do primeiro disco que recebeu o nome de A Reinvenção do Amor. E essa ideia central da solidariedade caiu como uma luva, porque ela conectou os fãs, outras bandas e até mesmo pessoas que nem curtiam o som da Unno em um grande gesto de solidariedade para que as pessoas se doassem. Havia uma razão maior e mais forte por trás canções que movia as pessoas. A música era apenas uma maneira de manter a causa viva. Esse acontecimento foi crucial para o sucesso posterior da Unno.

Capa do álbum de soltura da banda: correndo pelos campos.

O álbum A Reinvenção do Amor, lançado oficialmente em 15 março de 2001 pela gravadora Pop Records, tinha músicas que eram sequências cronológicas umas da outras e, em algumas faixas, eram cantadas pelos mesmos personagens de canções anteriores. As progressões harmônicas parecidas entre si eram uma espécie de 'DNA musical' entre as músicas que faziam parte de uma mesma família e de uma mesma história. O primeiro álbum - que inicia com a frase simbólica (expressa na capa do disco) "Eu vou correr pelos campos" da música Infância Serena - foi produzido com o intuito de despertar as emoções das pessoas. A ideia é que você se sentisse tocado por cada uma das músicas. Afinal, se as canções não fossem capazes de mudar a sua forma de pensar ou de mexer com seus sentimentos, então essas canções não possuíam diferencial algum: seriam só músicas que desperdiçaram tempo útil da sua vida. Músicas boas precisam te marcar, adicionar algo novo, de te tornar um pouco melhor do que você era antes de escutá-las. Para se ter uma ideia da proporção que o projeto musical ganhou, nos shows da Unno era comum ver gente que cantava chorando, que ficava em transe, que exprimia uma felicidade transcendental no olhar. Não foi à toa que chegou a existir um certo grau de messianismo com relação à banda. A Unno virou uma espécie de seita para alguns fãs. Ou como disse certa vez Panther, o baixista da banda, sobre este disco:

"As pessoas devem se identificar com as histórias das músicas, se sentir emocionadas com elas e querer ouvir as canções mais de uma vez. Dar um pouco de escapismo, de esperança, de prazer e conforto: é esse o ponto central do primeiro disco."

A atmosfera inocente, pueril e florida marcou o primeiro disco.

Quem escuta o disco do início ao fim sente que ele é uma mistura de sonho, escapismo e nostalgia inseridos numa espécie de ciclo que vai da infância à velhice. A ideia de correr pelos campos como hino à liberdade diante de uma realidade opressora virou um bordão. A simbologia com flores na arte do álbum, nos clipes e nas músicas é uma referência à primavera, à infância, à inocência, ao início de um grande ciclo. O nome do álbum inicialmente era para ser "Inocência", mas ficou mais poético e adequado com a ideia central nomeá-lo para "A reinvenção do amor". Várias artes conceituais foram traçadas na produção inicial do encarte com brainstormings que duravam vários dias, incluindo elementos cinestésicos que apareceriam no encarte, tais como perfume de rosas, texturas em alto-relevo, hologramas de camadas e até um óculos 3D para visualização de anáglifos. Mas como tudo isso encareceria demais o disco, acharam melhor usar apenas efeitos 3D básicos no encarte com estereogramas (estilo o livro Olho Mágico). Nos encartes foram incluídos, a pedidos do futuro integrante Klindo Kloid, cifras junto com as letras das músicas para ajudar quem tocava violão. Sobre as músicas, algumas citações dos personagens as descrevem bem:

"O que eu acho incrível em algumas músicas é que elas transmitem sensações diferentes dependendo da fase da vida em que você as ouve. Quando você escuta uma determinada música da banda durante a adolescência, você tem uma sensação x. Quando você escuta a mesma música já adulto, a sensação é y. E quando você é idoso, percebe a canção de maneira z. Canções feitas em 'camadas' normalmente causam essa sensação." (Tom Pelegrinni, vocalista e guitarrista)

"Queríamos escrever canções que marcassem positivamente a vida das pessoas. Que elas pudessem dizer 'essa é a música da minha vida.'" (Ellie, vocalista e guitarrista)

Esse disco era para ter saído com umas 20 músicas, mas no final saíram apenas 15 (com uma secreta). Várias foram cortadas por não se encaixarem na proposta do álbum ou simplesmente por serem canções mais "fracas". Isso porque o álbum tem canções que falam do abandono dos idosos, da dor dos pais que perderam seus filhos, da sensação de prisão das crianças que estão internadas em hospitais e de gente que está precisando de doação de órgãos. Canções sobre violência doméstica e luta por direitos de minorias, apesar de importantes, não estariam em consonância com o fio condutor da Reinvenção do Amor. Além disso, a gravadora queria um som mais pop, que atingisse o maior número possível de pessoas.

Claro que nem tudo foram flores. O primeiro disco foi criticado por muitas razões: por repetir a mesma progressão harmônica em várias músicas, por ter muito apelo emocional, por ter refrões "pegajosos", por ter um som muito "cru", por terem abandonado as causas políticas das bandas antecessoras, por terem plagiado outros artistas e até mesmo por terem se aproveitado para capitalizar em cima do sofrimento das pessoas exemplificadas nas canções. 

A solidariedade com as crianças tornou o disco imortal.

Muito além da música
O comprometimento com a causa solidária foi além das letras e acordes. Os integrantes da banda visitavam fãs, asilos, hospitais, orfanatos, escolas e faziam shows beneficentes. Eles criaram uma cena musical que começou em São Paulo e se estendeu por todo o Brasil. Várias bandas, cantores e artistas de outros estilos musicais abraçaram a causa da solidariedade e da doação. E unir as pessoas através da generosidade foi um gesto que trouxe bons frutos posteriormente. A quantidade de doadores e de vidas salvas graças às canções solidárias daquela cena musical preservou muitas vidas e mudou a história de muitos brasileiros. Diferentemente dos dias atuais, foi como se uma onda gigantesca de solidariedade tivesse varrido o país inteiro. Um fato marcante na história foi quando um fã abraçou Pelegrini anos após o lançamento do primeiro disco para agradecer por ter recebido uma doação de fígado e por está vivo graças às canções do primeiro disco que motivaram o seu doador.

Além da solidariedade e da doação, a banda também defendia outras bandeiras, como a defesa das minorias, dos trabalhadores e dos mais fragilizados – temas que foram explorados de maneira mais enfática nos discos seguintes.

É bom que se diga que a Unno não fez sucesso por acaso ou por ser uma banda tecnicamente boa, mas principalmente pelo trabalho de base que fez ao longo dos anos com os fãs. Eles trabalham duro com divulgação, com criação de um figurino próprio, com planejamento estratégico, com divisão de trabalho, com marketing, com a busca de um diferencial e com o envolvimento em torno de uma causa nobre que conquistou o coração das pessoas. Eles preparam bem o terreno antes de lançar o primeiro disco. Tudo girou inicialmente em torno daquela ideia central de se doar. Tom Pelegrini disse certa vez que seu trabalho era dar para as pessoas aquilo que elas queriam ouvir, era colocar sorrisos nos rostos das pessoas através de canções com as quais elas se identificassem e que falassem sobre suas vidas. Então a banda abraçou o seu público alvo e fez um projeto multiartistico para atender à demanda desse público sempre com foco no objetivo central que era a solidariedade.


Como hoje, 14 de junho, é o Dia Internacional do Doador de Sangue, achei importante falar sobre este disco fictício que é um hino em homenagem à doação e à liberdade. Tem mais coisas para falar sobre ele, mas para essa postagem não ficar longa demais, resolvi dividi-la em duas partes. Na próxima (link dela aqui), vou abordar melhor sobre as canções deste álbum inesquecível.

Namastê!

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Capitão Cloroquina ataca mais uma vez


 
Pois é, o protoditador genocida aprontou mais uma vez ao sugerir a desobrigação do uso de máscara por parte dos vacinados. Desnecessário dizer que isso é um absurdo total, uma vez que mesmo os vacinados servem de vetor do vírus da Covid-19. O motivo para isso, além do negacionismo científico explícito, é o lobby da cloroquina. Afinal, quanto mais contaminados com o Sars-CoV-2, mais cloroquina é vendida para o tratamento precoce. Não tenho dúvida que os defensores da cloroquina estão ganhando muito bem para ajudar a espalhar o vírus. Não acho que o ser vil que preside o país esteja ajudando a disseminar o vírus apenas por sadismo genocida ou por achar que a imunidade de rebanho é mais eficiente. O inominável certamente deve estar sendo muito bem financiado por gente que coloca o lucro acima da vida, acima da ciência e acima da razão.

domingo, 6 de junho de 2021

O charlatanismo se refuta sozinho


Uma coisa que eu vivo me questionando é como pode tanta gente ser ludibriada por aproveitadores que dizem falar em nome de Cristo, mas que cobram um valor mensal para que o fiel "financie" sua vaga no paraíso. Pior que isso são aqueles que vendem itens abençoados que "curam" as enfermidades. Ora, se aguinha mágica cura e só o dízimo salva, então para que ter fé? É por isso que a melhor coisa que fiz para minha vida foi ter me tornado ateu, porque pelo menos desse tipo de charlatanismo eu estou livre. Enquanto isso, tem crente doando auxílio emergencial para pastor, tem gente deixando de comprar remédio para pagar o dízimo e até crianças vendendo seus brinquedos para honra e glória do senhor Jesus. O que me ferra é que eu tenho uma empatia acima da média e isso me obriga a buscar escapismos da realidade para não passar raiva à toa.

Chocolate é melhor do que sexo


Se na época que eu tinha meus vinte anos de idade alguém falasse que chocolate é melhor do que sexo, eu certamente acharia um absurdo. Afinal, quando se tem mais hormônios que juízo na cabeça, a gente tem o direito de se equivocar nas nossas definições. Mas depois de certa idade, a gente vai percebendo que o bom e velho chocolate é a melhor coisa da vida.

Chocolate alivia os sintomas da TPM, melhora o humor, dá energia, dá prazer, dá mais sentido à vida. Não tem coisa melhor que sentir aquela barra de chocolate cremosa, docinha e cheirosa derreter na boca. Aí você compara com o sexo e entende porque chocolate é muito melhor. Sexo traz risco de gravidez indesejada, sexo traz risco de doenças, sexo cansa, dá trabalho para achar um parceiro de confiança, precisamos estar limpos, cheirosos e sem mau hálito, nem sempre o sexo é bom e sexo não repõe as energias perdidas daquele treino aeróbico intenso. Fora que chocolate não trai, não irrita, não finge te amar, te dá um prazer imediato e instantâneo e estará com você aonde você for.

Enfim, se você quer ser feliz de verdade, se case com uma barra de chocolate, ou com várias ao mesmo tempo, de preferência. 

Eita, trem bão!

sábado, 5 de junho de 2021

Rapidinhas da Semana: Pauzello, Eletrobrás e Mia Khalifa na CPI



Como esta semana tem sido um pouco apertada para mim, não tive tempo para comentar sobre alguns assuntos relevantes que eu não gostaria de deixar passar em branco. Portanto, vou tratar brevemente sobre alguns deles:

Pazuello e a desmoralização das FFAA
O general da ativa Eduardo Pazuello, como todos viram, desfilou em um comício bolsonarista associando a imagem das FFAA ao governo genocida, algo inadmissível por partidarizar o Exército como instituição do Estado. E o que o Exército fez? NADA. Isso abriu um precedente perigoso, porque além de incitar a anarquia militar, joga no colo das FFAA a responsabilidade pela morte de quase meio milhão de brasileiros pela Covid-19. Nunca imaginei que o governo Bolsonaro seria tão nocivo e destrutivo para os militares. E pensar que a maior parte dos militares era (e ainda é) antipetista, sendo que os governos petistas foram os que melhor equiparam e remuneraram as FFAA.

Crise energética e venda da Eletrobrás
Quem aplaudiu o fim do horário de verão decretado por Bolsonaro não pode reclamar das tarifas energéticas mais caras. Já era sabido que quando não se economiza, a conta chega mais alta. E a conta chegou. Mas o mais grave não é isso, é a venda quase de graça da Eletrobrás. Privatizar a Eletrobrás é mais um ato hediondo do entreguismo tupiniquim que só vai servir para aumentar as tarifas, os apagões e prejudicar o nosso desenvolvimento que terá a sua base energética nas mãos de empresas gananciosas. Enquanto que outros países estão reestatizando suas empresas de energia elétrica como forma de reverter os problemas, o Brasil segue na contramão do mundo.

Mia Khalifa na CPI
Citada mais de uma vez pelo senador Luís Carlos Heinze, a ex-atriz pornô Mia Khalifa virou um dos assuntos mais comentados da web. Obviamente, isso é apenas uma distração, até porque a citação do meme da Mia Khalifa médica era fake. Quem realmente tinha que ser emparedado na CPI é o bilionário Carlos Wizard que vazou do Brasil e que foi um dos maiores (se não o maior) patrocinador do lobby da cloroquina no país. Mas como plutocrata no Brasil está acima da lei, então teremos que nos contentar com impunidades e memes engraçadinhos com ex-atrizes pornográficas.

sexta-feira, 4 de junho de 2021

The Witcher 3 é um jogo imortal



Não é por acaso que o jogo de videogame que mais tem postagens neste bloguinho é o glorioso The Witcher 3: Wild Hunt. Lançado em maio de 2015, o terceiro game da saga de Geralt de Rivia foi o mais completo, imersivo e detalhado RPG já lançado na história. Para mim, ele foi o melhor jogo já produzido. 

Na semana passada, reiniciei mais uma campanha desta verdadeira obra-prima e me impressiona como as horas passam rápido enquanto se joga com o bruxeiro Geralt. É a quinta vez que estou iniciando o game do zero e ainda não fiz até hoje todas as opções de diálogo e nem todos os finais das expansões. E olhe que eu já tenho quase 900 horas de gameplay na Steam. Ontem mesmo, por exemplo, descobri que tinha uma dlc de uma armadura temeriana já no primeiro mapa do jogo, coisa que eu nunca tinha reparado. E na semana passada assisti um vídeo com easter eggs e segredos do jogo e fiquei surpreso de quantas coisas eu deixei de reparar e de aproveitar neste game. É incrível como TW3 é como um filme muito bom que a gente precisa assistir várias vezes para pegar todas as referências e entender cada detalhe e metáfora que há na história.

É uma pena que o game seguinte da CD Projekt Red, o Cyberpunk 2077, tenha saído tão problemático e quebrado a ponto de ter sido banido da PS Store. Espero que se a CDPR voltar a produzir jogos da série The Witcher, que seja para recuperar a confiança perdida e para nos presentear com um jogo ainda melhor que o TW3. E se você ainda não jogou este game, recomendo bastante que se dê a oportunidade de desfrutar dessa verdadeira obra de arte, ainda mais com as atualizações gráficas que ele receberá em breve para a nova geração. Withcer 3 é um jogo que irei me recordar para sempre com bastante nostalgia, porque ele é, merecidamente, imortal.