sábado, 27 de dezembro de 2025

A importância de combater o analfabetismo político


Se o nosso saudoso Raulzito era uma metamorfose ambulante, eu, enjoado que sou, me tornei uma contradição ambulante. Prometi a mim mesmo evitar escrever majoritariamente sobre política neste blog por questões de saúde mental, mas é tanta diarreia mental que os analfabetos políticos publicam nas redes que eu simplesmente não consigo deixar passar batido. Há uns dias, por exemplo, assisti a um vídeo de um pobre senhor reclamando que o STF "legisla" em causa própria para controlar o país. Desnecessário dizer que isso não faz qualquer sentido dado que o STF faz parte do poder judiciário e que não há nenhuma "ditadura da toga" só porque os golpistas estão todos presos. Assim como não faz sentido gente reclamando que a coleta de lixo de sua cidade atrasa toda semana desde que o PT assumiu o Palácio do Planalto. As pessoas – embora possam estar corretas em suas indignações – não sabem nem de quem reclamar seus direitos. É por isso que eu sou a favor de educação política nas escolas. A função da educação política não é ensinar Gramsci ou Paulo Freire. A função do aprendizado político é evitar que pessoas confundam democracia com ditadura da maioria ou que exijam que o presidente da república mande garis para varrer as ruas da sua cidade. 

Daí que ao invés de ficarem indignados com propaganda de chinelo, os analfabetos políticos poderiam ficar indignados com pessoas em situação de insegurança alimentar, com pessoas dormindo ao relento por falta de moradia, com mulheres sendo brutalmente assassinadas por seus ex-companheiros, com hospitais caindo aos pedaços por falta de verbas... O problema não é você, caro(a) trabalhador(a), ser de direita ou de esquerda. O problema é você estar defendendo algo que nem sabe o que é. A única saída para um mundo melhor é através da política. E não é possível agir de forma politicamente consciente se a maioria da população não sabe bulhufas sobre o básico. Ao contrário do que muitos pensam, o maior problema do Brasil não é a corrupção. O maior problema do Brasil é a falta de noção de um povo despolitizado que cai constantemente no conto das soluções fáceis para problemas complexos, como se houvesse um salvador que levar-nos-á a um paraíso social. Não. É preciso luta, mobilização, politização, educação e ação. Do contrário, seremos eternos "cidadãos de bem" exigindo "garis federais" para limpar as vias públicas.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Feliz natal para todos que têm consciência de classe


Pois é, camaradas, acho desnecessário comentar sobre a "polêmica" tosca criada pela direita tresloucada envolvendo as sandálias "comunistas" Havaianas. Ao invés de dar chilique com problemas imaginários, esses bando de mocorongos tomadores de cloroquina tinham mais é que agradecer por um governo esquerdopata progressista ter aumentado o salário mínimo acima da inflação, ter tirado o país do mapa da fome, ter trazido uma condição de pleno emprego, ter zerado o imposto de renda para quem recebe até 5 mil pilas e mais um monte de outros benefícios para a classe trabalhadora. A única coisa que falta é criarmos vergonha na cara e aprendermos a votar direito para o legislativo. Não é possível continuar com esse congresso fisiológico e reacionário dominado pelo centrão e pelos bozistas. Quem vota no Lula para presidente precisa votar nos deputados e senadores do mesmo partido ou que, pelo menos, façam parte da base aliada de coalizão. Não adianta votar só em quem é bom, honesto e trabalhador. Tem que ter compromisso com a causa progressista e defender o direito dos trabalhadores que dão, diariamente, sangue, suor e lágrimas para construir e sustentar este país. Ou será que você quer continuar vendo coisas absurdas como PEC da bandidagem e PL da dosimetria colocando em risco nossa democracia e nossos direitos?

Vamos comemorar o Natal – mas sem esquecer a nossa consciência de classe, claro.

¡Viva la revolución havaiana!

domingo, 7 de dezembro de 2025

Os percalços de uma sociedade que odeia mulheres


Era escandalosamente óbvio que o discurso neoconservador de ódio contra o gênero feminino em algum momento acabaria causando alguma tragédia. O recente caso da agressão do coach masculinista Calvo do Campari contra sua companheira mostra que o controle masculino através da violência contra a mulher é o real objetivo por trás desses discursos de valorização/proteção do "homem raiz". No mundo distorcido das seitas redpill, os reaças acham que as ações machistas são justificáveis por vivermos numa sociedade "ginocêntrica" e "misândrica", quando, na verdade, é exatamente o contrário: tudo é falocêntrico e misógino. O que esses grupos querem mesmo é manter estruturas como o machismo e o patriarcado intactas. Estruturas essas que são as reais responsáveis por esse sentimento de frustração que tantos homens têm. O fato do homem não poder chorar, não poder falhar, não poder mostrar fragilidade, não poder se "afeminar" e não poder ganhar menos que a mulher NÃO é por culpa das mulheres, mas, sim, por culpa da própria sociedade sexista que insiste em manter esse modelo fracassado de padrão de sucesso masculino. Já os sofrimentos causados aos homens em relacionamentos amorosos são comuns a todos os seres humanos que se relacionam. Relacionamento afetivo é algo que exige de todos maturidade, renúncia, sacrifício e doação. Homens confusos, imaturos e inseguros não têm quem os oriente nesse sentido e acabam tendo então como referência esses gurus machistas da extrema-direita. E a estratégia da extrema-direita sempre foi de tirar a humanidade de grupos oprimidos para poder controlá-los e exterminá-los.

Portanto, caros homens, tenham muito cuidado com o tipo de influenciador que vocês têm como referência. Esses coachs que usam discurso da inversão da realidade, colocando a culpa na vítima – como se as mulheres fossem seres "maus e perigosos" – estão, na verdade, transformando VOCÊ em um ser mau e perigoso.