Nenhum animal merece sofrer. Muito menos aqueles que são incapazes de fazer qualquer mal contra alguém e que são leais e companheiros até a morte. Animais de estimação são anjos da guarda. Eles nos protegem, nos guiam, nos trazem companhia, nos ensinam a amar incondicionalmente, nos tratam como melhores amigos, nos dão carinho... Pessoas que não gostam de cães e gatos – excetuando-se por razões de traumas ou fobias – não têm ideia do quanto é linda e engrandecedora uma relação de carinho entre humanos e animais. Infelizmente, como todos já sabem, o cãozinho Orelha se despediu deste mundo de forma trágica, cruel e covarde. Mesmo que não sejam punidos, os jovens que o torturaram e tiraram a sua vida carregarão para sempre ou o remorso, ou o rótulo de covardes: de pessoas sem empatia que representam perigo para a sociedade. Não acredito na justiça humana e muito menos na "divina". Mas acho que toda ação gera uma reação e tudo que fazemos de bom ou de mau para os outros voltará para nós mesmos de alguma forma. Não estou desejando mal algum aos rapazes que cometeram tal crueldade, mas, gostando ou não, a vida costuma dar troco. Afinal, quem vai querer conviver com pessoas que espancaram brutalmente um ser indefeso? Eu poderia até apelar para o uso político do caso (como alguns colegas já fizeram na web), dizendo que Santa Catarina – estado com mais fascistas por metro quadrado do Brasil – fomenta a falta de empatia graças a extrema-direita que cresce por lá. Mas a coisa vai além. Violência contra animais é algo que ocorre diariamente em todo Brasil e não apenas em estados tomados pelo fascismo.
Na época que eu tinha redes sociais, eu me lembro que seguia uma página no Instagram que mostrava o trabalho de um grupo de voluntários que resgatava cães e gatos em situações de abandono e maus-tratos na minha cidade. E a quantidade animais que eles resgatavam vítimas de toda forma de violência era revoltante. É surreal a quantidade de animais domésticos que são torturados, espancados e assassinados de tudo quanto é jeito diariamente. Eu espero que o caso do cão Orelha sirva de símbolo na luta contra essa violência cotidiana contra os animais. É preciso ser mais duro com quem pratica essas atrocidades contra os bichos. Ainda que a maioria dessas violências seja feita por crianças e adolescentes, algo precisa ser feito. Isso porque eu nem mencionei a violência legalizada e sistematizada contra outros animais em abatedouros e frigoríficos. Aves, bovinos, suínos e peixes são mortos todos dias em condições que nem podemos imaginar. Fora outras bizarrices como brigas de galo, rinhas com cães, vaquejadas e até formas cruéis envolvendo veículos de tração animal que são casos descarados de violência que ocorrem em plena luz do dia.
Há muito o que ser feito. Espero que outros Orelhas não precisem passar por isso novamente até que algo seja feito em defesa de suas vidas.

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