sábado, 26 de abril de 2025

A Igreja Católica nunca mais será a mesma


Com o falecimento do Papa Francisco nesta semana, todos os principais holofotes do mundo passaram a ser direcionados para o Vaticano e para o Conclave que irá eleger seu sucessor. Isso não só por uma questão religiosa, mas, principalmente, por uma questão política. O Papa tem uma grande influência nas questões diplomáticas do mundo por ser um dos mais importantes líderes religiosos do planeta. Para citar alguns breves exemplos, a sua influência foi decisiva quando ele condenou o lawfare, o genocídio em Gaza, a discriminação contra imigrantes, os muros que geram exclusão e até a postura retrograda da Igreja diante dos homossexuais. Daí que muita gente se questiona como um Papa tão liberal quanto Francisco conseguiu ser escolhido pelo Vaticano como representante máximo de Cristo na Terra. A resposta é simples: sobrevivência.

A Igreja Católica sempre foi uma instituição ultra reacionária que para poder sobreviver apoiou coisas nefastas na nossa história como Cruzadas, Inquisição, escravidão e até o nazifascismo. Mas como o mundo neste século XXI tem se tornado cada vez mais liberal e tolerante no sentido dos costumes, para poder sobreviver e se adaptar às mudanças, fez-se necessário que um papado mais "progressista" fosse adotado pelo Vaticano. Isso também ocorreu porque a Igreja Católica tem perdido muitos fiéis para as igrejas protestantes, especialmente os mais jovens. Então nada melhor que um Papa mais humanista e revolucionário para cumprir esta missão. 

Claro que grandes mudanças nunca virão tão rápido no caso da Igreja, porque há muita resistência entre os próprios fiéis mais conservadores. Mas o que é notável é que há uma tendência a mudanças importantes no longo prazo que poderão incluir a aceitação de métodos contraceptivos, casamento homoafetivo e até mulheres exercendo o sacerdócio. Mas isso ainda vai levar tempo. O fato é que após Jorge Mario Bergoglio, a Igreja Católica nunca mais será a mesma.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Ninguém liga para vida fora da Terra


Se você não vive em outro planeta, com certeza ficou sabendo da recente descoberta de uma SUSPEITA de bioassinatura no planeta K2-18 b, que fica localizado a cerca de 124 anos-luz de distância da Terra, na constelação de Leão. O planeta é uma Super Terra (planeta rochoso maior que o nosso) que aparenta ter água em sua superfície. E havendo água em sua superfície dá a ele a chance de também ter vida. Só que toda essa informação é especulativa, porque não existe certeza de nada. E, vamos ser francos, mesmo que fosse provado por A+B que existem homenzinhos verdes cabeçudos andando naquele planeta, a maioria das pessoas iria simplesmente desdenhar a notícia. Isso porque para a maioria das pessoas isso é irrelevante, já que tal descoberta não muda em nada a vida delas. As pessoas ainda continuarão muito mais preocupadas com seus empregos enfadonhos, com suas vidas rotineiras, com suas contas atrasadas, com o dízimo para pagar, com nome sujo no SPC, com o maldito trânsito engarrafado, com a chuva alagando a rua, com medo de assalto e até em saber o próximo capítulo da novela. Eu sei que isso parece meio desanimador, mas a maioria das pessoas meio que já se acostumou com a possibilidade de haver vida lá fora – isso quando elas não têm cem por cento de certeza que os ETs já estão aqui. A cultura pop, os filmes e o folclore já se encarregaram de nos fazer acreditar que existir ETs é algo "normal".

É lógico que a vida fora da Terra, quando for descoberta de verdade, irá abalar os pilares da ciência por ser, possivelmente, a maior descoberta humana da história. Mas o povão mesmo não dá muita bola pra isso. Então que os alienígenas de K2-18 b me perdoem, mas os terráqueos estão cagando e andando para eles.

quinta-feira, 27 de março de 2025

E essa selecinha da CBF, hein?


Pode parecer coisa de velho ranzinza, mas, honestamente, não consigo achar normal que a seleção brasileira de futebol esteja passando por um momento tão deprimente quanto o atual. Isso porque sou de uma geração que cresceu vendo o Brasil chegar a três finais de Copa do Mundo seguidas e vencer duas delas. Sou de uma época em que eu via os adversários sentirem medo de enfrentar o Brasil e que tinham a nossa seleção como exemplo a ser seguido. Claro que nenhum reinado dura para sempre e que momentos bons e ruins fazem parte da vida. Só que a seleção brasileira não vive simplesmente um momento ruim. Não é coincidência que os resultados não venham quando temos uma má gestão da CBF, um elenco sem personalidade, um treinador medíocre e uma falta de amor pela camisa canarinha. É triste ver uma seleção que foi defendida por craques como Pelé, Leônidas, Zico, Rivelino, Romário, Ronaldinho e tantos outros ser humilhada pela Argentina e bater recordes seguidos de derrotas nas eliminatórias. 

Da mesma forma que a Associação de Futebol Argentino passou por uma reformulação depois de uma crise, a CBF também terá que passar por algo parecido. Do contrário, seremos uma seleção medíocre que nunca passará das quartas-de-final de uma Copa. Será que temos que esperar por coisa pior para que o futebol brasileiro se reinvente?

Bolsoréu


Ontem foi um dia histórico para a democracia brasileira. Os principais responsáveis pela tentativa de Golpe de Estado em 2022/2023 viraram réus após o STF aceitar a denúncia da PGR. As desculpas esfarrapadas das defesas para justificar o ataque às nossas instituições não procederam e agora a organização criminosa liderada por Bolsonaro e companhia será julgada pela nossa justiça por sua traição à pátria. Porque trair a Constituição é trair a pátria. Tanto a prisão preventiva do general Braga Neto quanto o julgamento dos réus é um marco para a democracia por sinalizarem que os próximos que tentarem um Golpe também terão que lidar com as consequências de tal ato. Espero que esse seja o primeiro passo para que nunca mais ditaduras assassinas, terrorismo de Estado, censura e desaparecidos façam parte da nossa história. Parafraseando Ulysses Guimarães, a única coisa que sinto pela ditadura é ódio e nojo. Viva a democracia.



domingo, 9 de março de 2025

Os reaças quebraram a cara (de novo)


É impressionante como tudo que os conservas da direita brasileira desejam, acaba acontecendo justamente o contrário. Foi assim com a previsão desastrada para o governo Lula que, para decepção deles, coitados, aumentou a renda da população, criou milhões de novos empregos e recolocou o Brasil como nação relevante no mapa geopolítico internacional. Não achando suficiente torcer contra o governo, os reaças torceram também contra o filme Ainda Estou Aqui que acabou ganhando o nosso primeiro Oscar em um enredo que mostrou como a ditadura tão adorada por eles foi nociva ao país. E, por fim, os reaças cristãos (muitos deles católicos, inclusive) torceram pela morte do Papa Francisco por ele ser "comunista". Mas daí que o Papa vem melhorando cada dia mais para a tristeza dessa cambada de apedeutas. Enquanto isso, vários dos ídolos da extrema-direita reverenciados pela ralé bolsonarista têm sido cassados ou ficaram inelegíveis, tais como Marçal, Zambelli e o próprio Bolsomonstro.

Espero que isso não seja só uma maré de azar para essa gente. Espero que seja o início de um tsunami que leve para longe essa loucura coletiva que essa direita delirante deu ao Brasil.