terça-feira, 5 de abril de 2016

Como seria uma sociedade femista?


Aproveitando um rápido pit stop sobre o tema política, resolvi publicar um post antigo sobre o femismo (que é algo bem diferente do feminismo, diga-se de passagem).
Pois é, os reaças têm o vício de afirmar que vivemos numa sociedade femista e que as mulheres têm mais direitos que os pobres homens. Mas você já imaginou como seria uma sociedade femista de verdade?
Os grupos masculinistas – que recentemente entraram em estado de choque ao descobrir que a trilogia Matrix foi dirigida, na verdade, pelas IRMÃS Wachowski – agora terão mais um motivo para entrar em desespero. Existe uma sociedade femista: e ela fica lá na China.

O texto abaixo em destaque foi copiado de uma notícia antiga tirada do site UOL Tabloide. Vale a pena ler e descobrir que o país (ou o mundo) em que vivemos está muito, mas muito longe mesmo de ser uma sociedade feminista:

Na cidade das mulheres, elas mandam, e eles obedecem.
Da Redação:

"As mulheres sempre têm razão e os homens nunca deveriam rejeitar seus pedidos". Esse é o slogan do letreiro de uma cidade que está sendo planejada na China. Paraíso para o sexo feminino – e pesadelo para o masculino – já está na maquete e começará a ser construído em três anos, segundo o portal "Chinanews".

A cidade feminina de Chongqing terá estilo arquitetônico antigo e um letreiro na sua entrada avisando do status matriarcal do lugar. E, por incrível que pareça, a idéia foi de um homem, Li Jigang, diretor do Escritório de Turismo do distrito de Shuangqiao. O motivo de Jigang foi nobre: ele teve a idéia da cidade das mulheres quando tentava conquistar sua esposa, à qual prometeu então obedecer durante toda a vida.

Agora o projeto, planejado durante meses, foi aprovado pelo Governo de Chongqing, que construirá a cidade das mulheres em uma área de 2,3 quilômetros quadrados ao redor do lago Longshui.

As regras de funcionamento da cidade são pesadas – se você não tem nervos de aço, é melhor para de ler por aqui. O Editor do UOL Tablóide avisa – e quem avisa, amigo é. Eis as leis da cidade: uma vez dentro da cidade, os homens terão que obedecer a suas mulheres, namoradas ou mães sem discutir, sob pena de serem multados pela administração local, obviamente dirigida por elas. As mulheres, e só elas, poderão andar em suas ruas para se divertir, enquanto os homens só poderão fazer isso se satisfizerem às vontades de suas companheiras ou mães. As mulheres poderão livremente "discriminar" e "castigar" os homens quando estes não respeitarem seus pedidos e desejos, antecipou Li.

O Editor do UOL Tablóide adverte: tem que ser muito macho para visitar a cidade das mulheres.

Será esse o nosso futuro?

Antes que algum mascuzinho desesperado compartilhe a notícia xingando as mulheres chinesas, é bom que se diga que essa notícia é falsa, porque a tal cidade de Chongqing não existe do jeito que foi retratada na notícia. Chongqing é uma cidade como outra qualquer na China: machista e onde os homens também mandam. A proposta do tal Li Jigang parece não ter ido muito longe.
Uma sociedade femista de verdade seria aquela onde as mulheres realmente tivessem mais direitos que os homens, onde elas fossem maioria na política, nas forças armadas, nas religiões, onde fossem donas da maior parte da propriedade privada do mundo, onde teriam mais liberdade sexual que os homens e onde xingariam um homem mandando ele esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque. Essa sociedade, evidentemente, não existe. O que existe, como sabemos, é o oposto dela. Mas existem sociedades matriarcais e igualitárias, onde homens e mulheres possuem um padrão de vida muito melhor que nas violentas sociedades patriarcais e machistas.

Pelo menos nisso eu concordo com ela

Será que depois dessa ainda há quem acredite que a nossa sociedade é feminista, ou pior ainda: femista?

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Quem vai pagar o pato da FIESP?


É impressionante a inocência da massa de manobra que recebe filé mignon da Fiesp achando que ela está preocupada com o povo. A Fiesp não está fazendo a campanha do "Não vou pagar o pato" pensando em você. Nem a Fiesp e nem a Ciesp estão querendo a redução de impostos pensando no bem do povo. A Fiesp está pensando nela mesma e nos donos dos meios de produção que ela representa. Mexer nos direitos trabalhistas para beneficiar os patrões e manter os seus privilégios é tudo que a Fiesp quer: exatamente como ela fez também em 1964 ao apoiar e financiar a ditadura militar. A Fiesp é o maior ícone brasileiro do capitalismo selvagem, antidemocrático e autoritário, que usa o poder do dinheiro para impor os seus interesses. Mas se você é cabeça dura e acha que a Fiesp está preocupada com o trabalhador, com o povo e com o país, lamento informar, mas os vídeos abaixo vão te decepcionar um pouco:




A FIESP E O IMPEACHMENT
Senhoras e Senhores, Diretamente dos porões da ditadura, a excelentíssima: Federação das Indústrias do Estado de São Paulo,FIESPAbram as cortinas!!
Publicado por Arrua Coletivo em Sábado, 26 de março de 2016



É claro que o PT errou várias vezes por ter conduzido a economia de maneira irresponsável e reacionária, chegando ao ponto de colocar Joaquim Levy como Ministro da Fazenda. Mas isso não justifica um impeachment sem crime de responsabilidade como solução. Tirar o PT do Palácio do Planalto dessa maneira não é a solução, porque agravaria ainda mais a crise. Ainda mais com 40 dos 65 deputados da comissão do impeachment envolvidos nas falcatruas da Lava Jato. Isso sem falar do tutu que a Fiesp deve estar investindo nesses parlamentares para motivá-los a caçar o mandato da Dilma.
Para quem ficou curioso com relação ao título deste post, quem vai pagar o pato da Fiesp não são eles: somos todos nós. O que o patronato quer é voltar a lucrar sacrificando o lado mais fraco da história: o trabalhador. A solução aqui é pressionar o Governo Federal para que ele foque na retomada do crescimento, evitando repetir os erros – e não aderindo a essa campanha golpista. Esse conto do vigário promovido pela Fiesp é um tiro no pé.
E para completar, duas notícias de última hora. A primeira é que o pato inflável da Fiesp é, na verdade, um plágio do pato de um artista holandês. E a segunda, a mais bombástica, é que o filho do presidente da Fiesp – que é futuro candidato do PMDB ao governo de São Paulo – está na polêmica lista da Panamá Papers. Muito espertinha essa Fiesp, não?


Não se engane: não caia nesse lero-lero de quem se finge de bom moço. Se essa oposição oportunista não passa de lobo em pele de cordeiro, a Fiesp também não passa de lobo em pele de pato. São eles que têm que pagar o pato, e não nós.


Acorda, meu povo!

domingo, 3 de abril de 2016

Machismo, mentiras e ignorância política

A fúria para o homem é uma virtude; já para a mulher, a fúria é um defeito

Se o problema do Brasil hoje fosse apenas a corrupção de um único partido, eu estaria calado. Mas além da corrupção ser um problema generalizado no país – e não apenas restrito aos políticos – temos ainda o machismo, o racismo, o elitismo, a homofobia, o macartismo, o fascismo, o separatismo, o fanatismo e a intolerância. A revista LixoÉ IstoÉ dessa semana, por exemplo, trouxe uma capa reacionária e machista onde debocha da presidenta Dilma, alegando que ela estava fora de si, descontrolada, histérica e louca (gaslighting puro) por medo de perder o mandato. E a reaçada da internet seguiu a tendência, chegando ao ponto de ter gente dizendo que "o Brasil nunca precisou de uma vagabunda comunista para presidente". Sei que seria ingênuo esperar que a primeira mulher Presidente da República fosse respeitada em um país onde a ditadura do machismo manda e desmanda. Porém, para o bem da argumentação dos próprios antipetistas, é preciso saber separar o joio do trigo nas críticas. Uma coisa é criticar a forma como a presidenta governa. Outra coisa é criticar a presidenta de forma vil por ela ser mulher. Isso é um absurdo total, porque aí o ataque não é ao PT: o ataque é contra as mulheres.

Outra coisa que tem me tirado do sério nas redes sociais é essa mania que os antipetistas têm de dizer que todo mundo que é contra o Golpe está recebendo dinheiro do governo. Eu nunca recebi um centavo sequer para saber interpretar o que está escrito na Lei de Responsabilidade Fiscal. Pedaladas fiscais não são motivo para impeachment – até porque se fosse, todos os governadores e prefeitos que as fizeram teriam que ser impichados também. Eu sei muito bem que o direito não é uma ciência exata: fato que abre margem para interpretações diferentes da Constituição. Mas um processo de impeachment aberto e conduzido ilegalmente por um corrupto comprovado como o Eduardo Cunha não merece legitimidade. Esse impeachment é uma vingança contra o PT imposta por um presidente da câmara que está louco para virar vice Presidente da República e fugir da cassação. O que querem, como disse Duvivier, é lavar o chão com bosta.

O terror continua, só mudou de cheiro e de uniforme...

Para terminar, eu desconfio muito desse pessoal que quer a queda do PT de todo jeito. Eu pergunto para essa gente: E depois que o PT cair, o que vai ser? O PMDB – que governou ao lado do PT por 13 anos, ganhando ministérios e outros cargos públicos – agora finge que é oposição só porque o titio Temer ficou de mal da titia Dilma. O PMDB também foi parceiro do PT no Petrolão e fingiu que não viu nada e não sabia de nada. Será que eles viraram santos de uma hora para a outra só porque estão contra o PT agora? Michel Temer abraçou o golpismo com força e ninguém mais tira de sua cabeça a ideia fixa de que ele "nasceu para ser presidente". Engraçado que há um ano atrás, o mesmo Temer achava o impeachment um absurdo. Hoje, que ele pode realizar o sonho de deixar de ser um vice decorativo, sua opinião mudou radicalmente e o impeachment passou a ser legal. O PMDB apenas traiu o PT em busca de algo maior sem ter que passar pelas eleições.

Mudou rápido de opinião, hein?

Acorda, meu povo!

sábado, 2 de abril de 2016

A intolerância reacionária é um transtorno psiquiátrico

Nós e "eles"

Que os tais coxinhas são agressivos, fanáticos e despolitizados, isso nunca foi novidade para qualquer pessoa normal. Mas o nível de intolerância e rancor deles quando lidam com alguém que pensa diferente é simplesmente assustador. Recentemente, o canal do YouTube Porta dos Fundos publicou um vídeo criticando a parcialidade da Operação Lava Jato e adivinhe o que aconteceu... A enxurrada de comentários insanos, agressivos, intolerantes, fascistas e macarthistas foi simplesmente aterradora neste vídeo. Pela quantidade de avaliações negativas que o vídeo recebeu percebe-se que a intolerância dos reaças é MUITO maior que a dos fundamentalistas religiosos. Fundamentalistas religiosos não são tão numerosos e nem tão odientos em seus comentários. Pelos menos os fundamentalistas cristãos acreditam que Deus é amor. Já os reaças só tem três coisas na cabeça: ódio, ódio e ódio. É ódio pelo PT, ódio pelo comunismo, ódio pela esquerda, ódio por quem veste vermelho, ódio por artistas, ódio por programas sociais, ódio por pobres...
Vou deixar o vídeo abaixo para que cada um tire a sua própria conclusão:


É impressionante como essas pessoas que negativaram o vídeo são manipuladas pela mídia a ponto deles não terem entendido a crítica do vídeo. Quem tem o mínimo de imparcialidade já notou há um bom tempo que há uma perseguição política, jurídica e midiática ao PT, enquanto que a investigação envolvendo o PSDB simplesmente "não vem ao caso". Moro e Janot parecem cegos diante da roubalheira dos tucanos. Isso, sim, deveria ser motivo de revolta. Mas se revoltar contra uma crítica a essa investigação parcial e partidária não é algo sapiente. São esses cidadãos cegos para corrupção do PSDB que querem dar uma de paladinos da justiça? São esses ensandecidos adeptos da indignação seletiva que estão querendo o melhor para o país?
Só me resta acreditar, como única justificativa plausível, que esses reacionários intolerantes sofrem de algum transtorno psiquiátrico. Não é possível que pessoas normais sejam tão insanas, burras e agressivas.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Nem todo impeachment é legal

Jornal do dia seguinte ao Golpe (1º de abril) de 1964: A mentira está sublinhada

A nova onda da mídia golpista é usar a velha falácia do espantalho para tentar refutar os que defendem a democracia. A falácia do homem de palha está sendo usada em pleno horário nobre da tevê aberta para tentar convencer a população que as intenções da mídia não são golpistas. A verdade é que há, sim, um Golpe de Estado travestido de um meio jurídico legal – o impeachment, no caso – que estão querendo usar para justificar a retirada ilegal de uma presidenta democraticamente eleita. Para os desavisados, nunca na história da humanidade um golpista deu um Golpe de Estado dizendo que ele se tratava de um golpe. Golpes recebem nomes diferentes, tais como: "revolução", "democracia", "justiça" e agora uma nova palavra entrou para esse repertório: "impeachment".
É gritantemente óbvio que o impeachment em si não é golpe. Sim, ele está previsto na constituição. Mas não é isso que estamos chamando de Golpe. Não é o impeachment que é o golpe. O que estamos chamando de Golpe é o uso do impeachment de forma ilegal para afastar um Presidente da República. Impeachment sem crime de responsabilidade dolosamente cometido é irrevogavelmente inconstitucional, portanto, trata-se, sim, de um golpe: um jogo sujo patrocinado por parlamentares corruptos, por juristas partidários e por uma plutocracia sem o mínimo de vergonha na cara.


A calhordice dos meios de comunicação em massa precisa ser desmascarada, porque eles estão manipulando as informações impunemente para que seus anseios abjetos sejam tolerados pela população incauta. E pode se preparar, porque a coisa vai ficar ainda pior. Ninguém ouse duvidar do que uma mídia rica, corrupta e golpista é capaz de fazer. A Globo e os demais algozes da democracia jamais aceitarão sair derrotados dessa guerra, porque ela está custando muito caro. Infelizmente, devido ao medo do prejuízo, essa loucura golpista virou um vale-tudo ético onde até as coisas mais inimagináveis podem ser colocadas em prática para surrupiar o país em nome da ganância e da pilantragem política. Podem se preparar, porque a coisa ainda vai piorar – e muito. Afinal, como já ouvi dizerem por aí: "a democracia é inimiga da plutocracia". O contrário é recíproco.


Para quem acha que a mídia está certa em usar o seu espantalho de que "impeachment não é golpe", deixo o vídeo abaixo para uma singela reflexão:

Afinal, impeachment é golpe?
Sem spoilers nos comentários, hein?(Juca Kfouri cedeu sua narração gratuitamente. Este vídeo não foi criado nem financiado por nenhum partido político, empresa offshore, federação de indústria ou organização vinculada.)
Publicado por Audiovisual pela Democracia_SP em Quinta, 31 de março de 2016