quarta-feira, 20 de abril de 2016

A coisa mais idiota que já ouvi numa votação de impeachment


Wladimir Costa, deputado federal pelo Solidariedade do Pará, me fez passar a maior vergonha alheia da vida. Além de ser o deputado que mais faltou às sessões da câmara em 2015, fez o Pará e o resto do país passar vergonha com tanta cara de pau e falta de senso de ridículo. Olha só a pérola:


E a única reação possível:


terça-feira, 19 de abril de 2016

A plutocracia está ganhando o jogo contra o povo


Analisando friamente o que aconteceu na Câmara dos Deputados na vexatória votação do impeachment de Dilma Rousseff, chegamos à conclusão – um tanto óbvia – que aquilo que estava em jogo ali não eram as pedaladas fiscais. Os deputados estavam mais preocupados em dar um alô para a família em rede nacional do que em focar sobre o tema ao justificar os seus votos. Foi uma palhaçada que envergonhou o país no exterior. A desmoralização foi tão grande que até mesmo os canais da direita sentiram vergonha de tamanha blasfêmia contra o bom senso. A questão a ser julgada era técnico-jurídica, mas acabaram por transformar a votação num parlamentarismo de araque onde o fator político foi que determinou a decisão da maioria: fato que mostrou o despreparo da maioria dos deputados que mais pareciam crianças escolhendo o representante de classe. Lamentável o verdadeiro picadeiro em que se transformou a câmara, com direito à exaltação de torturadores, cusparadas e marido de deputada sendo preso pela PF no dia seguinte.
Mas o que realmente chamou atenção nessa história foram as traições de vários aliados governistas. Só o PDT expulsou seis integrantes que votaram a favor do Golpe. Ministros que deixaram seus cargos no Governo Federal só para votar no "sim" foram expulsos de seus ministérios por também traírem o governo. Isso sem falar nos muitos indecisos que mudaram de voto na última hora escolhendo o "sim". Será que eles mudaram de lado por uma inspiração divina que os iluminou sobre a verdade suprema do universo? Ou será que houve um acordo por baixo dos panos com premiações generosas para que eles mudassem de lado? Se tem uma coisa que eu não sou é idiota.
Para quem não sabe, em 1964, o congresso recebeu um "incentivo" financeiro de uma ONG ligada à CIA para abrir as portas para o Golpe. Por que eu pensaria que hoje seria diferente, levando em consideração que os plutocratas de 2016 são filhos dos de 1964? O Ministro da Justiça Eugênio Aragão também desconfiou dessa súbita mudança de lado de vários deputados "aliados" e pediu investigação a PF para saber se houve algum financiamento empresarial para comprar os votos dos indecisos. A suspeita disso, além das traições, está no fato de que alguns parlamentares viajaram em jatinhos particulares para Brasília, possivelmente, patrocinados por grandes empresários. É claro que a PF não pode fazer nada a respeito, porque isso mexeria com os mandantes do sistema. Mas o alerta foi dado de que algo de errado ocorreu. Outra coisa medonha que certamente deve ter ocorrido é que muitos dos deputados que votaram no "sim" possivelmente ganharam algum tipo de imunidade contra investigações junto com Eduardo Cunha. Faz todo sentido que, por medo de represálias dos colegas corruptos, alguns tenham optado por votar a favor do Golpe.

É o dinheiro que manda na política

O mais tragicômico é que a massa de manobra da mídia comemorou o resultado como se eles, os midiotas antipetistas, tivessem algo a ganhar com a vitória de Eduardo Cunha. Quem realmente vai ganhar com a ruptura da nossa jovem democracia é a elite empresarial brasileira, a burguesia industrial e os magnatas da mídia, que a esta altura devem estar confraternizando em suas mansões e restaurante luxuosos. A Fiesp, A Chevron, a grande mídia corporativa e os deputados que possivelmente ganharam migalhas para votar no "sim" são os únicos que ganham com esse resultado. A classe média precisa aprender de uma vez por todas que o que é bom para a plutocracia, não é bom para ela. Se Temer virar presidente, ele vai agraciar os seus patrocinadores plutocratas e governará para eles: e tão somente para eles. A classe média só vai perceber que não foi um bom negócio tirar um partido progressista do poder quando for tarde demais. Aí vão tentar tirar o Temer sem nenhum apoio da plutocracia para colocar outro servo da oligarquia econômica no seu lugar. Ou pior ainda: irão apoiar o parlamentarismo – o que seria um desastre ainda maior. De qualquer jeito, quem perde é o povo, que será indefinidamente escravo da própria ignorância. Ignorância essa que é financiada por uma mídia tendenciosa e por um sistema de ensino que nunca nos explicou para que serve um deputado. O grande capital não perdoa os que não entendem e nem se interessam por política. No jogo da vida, ganha quem possui mais conhecimento e mais poder. E a plutocracia tem os dois.

O plano é esse

PS: Se você acha que a queda ilegal do PT vai gerar um mar de prosperidade e de investidores, lamento informar: mas governos golpistas e com baixa popularidade (no caso do governo Temer-Cunha) não atraem investidores. O Brasil mostra ao mundo apenas imaturidade democrática, provando que ainda somos uma Republiqueta das Bananas. Esse Golpe só é bom para os muito ricos e para os que querem roubar as riquezas do Brasil. Que empresário em sã consciência vai investir alguma coisa num país instável onde mandatos presidenciais podem ser violados só porque o governo é "ruim". Acorda, Bela Adormecida!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Vai ter luta, sim!


Que fique bem claro: os empresários, a Fiesp, a Globo e os teocratas NÃO representam o povo brasileiro. Se representassem, não cederiam a pressões e chantagens empresariais. O fim do financiamento empresarial de campanha eleitoral fez com que a direita se desesperasse de vez e partisse sem o menor pudor para um Golpe e Estado. Junte a isso a pressa da Chevron para tomar o Pré-sal, a crise alimentada pela mídia, o medo do Brics, a vingança pessoal do mafioso presidente da câmara e essa bancada conservadora (Boi, Bala e Bíblia) que você terá a receita completa para a destruição da democracia.


Mas isso não vai ficar assim. Vai ter luta. De agora em diante, a luta será maior. Como já dizia Carlos Marighella: "A única luta que se perde é aquela que se abandona."

domingo, 17 de abril de 2016

Motivos para o Golpe: "Deus, Pátria e Família!"


O Golpismo é tão descarado nesta votação do impeachment, que os argumentos dos deputados a favor dele chegam a ser ridículos. O motivo dessa votação foram as pedaladas fiscais, mas os parlamentares – especialmente os da bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia) – só falam de Deus, pátria e família. Parece que os integralistas dos anos 1930 reencarnaram em massa na turma do "sim" ao Golpe. Saporra virou culto evangélico, ou pior ainda: um ensaio tosco para implantação do nazifascismo.


Tá louco, eu quero lá viver num país desse...

A sorte é que há pessoas que não têm medo de falar a verdade:

Parabéns, Jean, você me representa. Seu discurso ecoará na eternidade.

sábado, 16 de abril de 2016

O dia seguinte à votação do impeachment


Não é possível saber qual será o resultado da votação do impeachment antes dela ocorrer, apesar do clima de confiança dos dois lados. Quem vai decidir se haverá ou não o Golpe são os deputados indecisos. Existem três possibilidades: ou se vota a favor do impeachment, ou se vota contra o impeachment, ou não se vota. É possível que alguns deputados se abstenham com medo de ficar do lado perdedor. Ficar do lado perdedor será um atestado de fracasso que poderá influenciar suas reeleições. Então é possível que alguns não queiram se manifestar, abstendo-se do voto: fato este que acabará ajudando o governo, porque abstenções reduzem as chances de se obter a quantidade mínima de votos (342) para o afastamento da presidenta. O fato é que hoje está ocorrendo um verdadeiro balcão de negócios na câmara para ver quem pode oferecer mais cargos, tanto por parte da Dilma, quanto por parte do Temer. É uma pena que a democracia e a lei dependam de dinheiro e negociações de ministérios – mas é assim que a política de coalizão funciona no Brasil.

Mas o que me motivou mesmo a escrever esta postagem foi, na verdade, a preocupação com o amanhã: o dia seguinte à votação do impeachment. Não importa qual seja o resultado, o futuro será, no mínimo, tenebroso. Vamos analisar cada caso:

Se o governo do PT escapar do impeachment, continuaremos com a grande mídia e a oposição atacando o governo e fazendo de tudo para que a Dilma não governe, apostando no "quanto pior, melhor". A polarização vai continuar e é possível que a plutocracia brasileira não seja mais tão gentil. Isso significa que meios mais invasivos podem ser usados para arrancar o PT do poder. O silêncio dos EUA com relação ao que ocorre no Brasil é um forte indício de que eles estão tramando alguma coisa. O governo dos EUA não está se manifestando nem contra e nem a favor, apesar de boa parte da comunidade internacional já ter se posicionado. Isso pode indicar que, mais uma vez, as plutocracias brasileiras e americanas estejam unindo seus interesses políticos. Uma plutocracia predatória como é a brasileira não costuma deixar barato e ela pode recorrer à força para tirar a Dilma de lá. Se isso ocorrer, teremos que conviver com a iminente ameaça de uma segunda ditadura militar.

Mas se o governo do PT cair, haverá convulsão social imediata. A base social de apoio ao PT e à democracia é muito grande, diferentemente da base que sustentava Fernando Collor durante o impeachment de 1992. Não seria difícil imaginar greves gerais, invasões constantes do MST, estradas bloqueadas, depredação do patrimônio público e eventos similares. Com a ruptura da ordem democrática, qualquer coisa pode acontecer. É claro que Temer e seus comparsas vão ter que aprovar às pressas alguma PEC para complementar a Lei Antiterrorismo na tentativa de conter os manifestantes. Porém, pode ser que mesmo assim a polícia não seja suficiente para dar conta. Neste caso, as Forças Armadas possivelmente terão que dar as caras para tentar restabelecer a ordem e evitar um Estado de Sítio. Mas o mais provável mesmo é que haja uma grande instabilidade governamental, porque Temer não ficará muito tempo no poder por também ter feito as tais pedaladas fiscais. O impeachment de Temer, inclusive, já foi pedido. Aí vem, na sucessão, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, que não devem ficar muito tempo no poder por serem corruptos. E daí que o Ministro do STF Ricardo Lewandowski assumirá no fim das contas e terá que tentar apaziguar os ânimos até as eleições presidenciais ainda neste ano. Eleições essas que seriam vencidas ou por Marina Silva, ou por Lula (caso não o prendam), pelo que indicam as pesquisas do Datafalha Datafolha.
Outra possibilidade seria Temer dar um segundo golpe para se manter no poder indefinidamente, mas acho isso pouco provável, porque a maioria da população não quer ele no poder.


Independentemente do que ocorra, teremos tempos difíceis pela frente. A opção menos pior, na minha opinião, é o PT ficar, porque a normalidade democrática seria respeitada e haveria a possibilidade de Lula ajudar a superar a crise, criando novas alianças políticas com o legislativo e incentivando o diálogo. Assim, o Brasil poderia sair da crise sem ter que apelar para golpismos baratos e saídas neoliberais que iriam falir o país em menos de dois anos. Por mim, apesar dos problemas, acho que respeitar a democracia ainda é a melhor opção.