sábado, 10 de março de 2018
Armar a população não é a solução
Para variar, hoje estou sem tempo e ao mesmo tempo não quero deixar o blog parado com tantos temas importantes para serem abordados. Então o que tem para hoje é uma rápida reflexão sobre as soluções mágicas, violentas e imediatistas que a direita costuma propor para resolver o problema da violência no Brasil. Entre as "soluções" apresentadas pela direita estão leis mais severas, pena de morte, redução da maioridade penal e armar todo mundo. Vendo essas propostas toscas, eu costumo sentir um orgulho ainda maior de ser um "esquerdopata". Isso porque a esquerda propões mudanças estruturais para resolver o problema da violência. Essas mudanças estruturais estão principalmente na redução das desigualdades, na implementação de uma educação realmente libertadora, numa polícia mais bem preparada e no desmantelo do tráfico através da legalização de algumas drogas e no real combate aos grandes traficantes.
Sobre a liberação das armas letais tão defendida pela direita, o que mais me admira é que a maioria desses defensores do armamento são cristãos. E é curioso ver como muitos cristãos sofrem de um duplipensar bizarro, porque seguem uma Bíblia que diz para amar até os inimigos e querem armas para matá-los sob o discurso fascistoide de que "bandido bom é bandido morto". Nessas horas, como Rosa Luxemburgo denunciou há mais de um século, os comunistas são mais cristãos que os próprios cristãos. E durma com um paradoxo desse!
sexta-feira, 9 de março de 2018
Nem Lula, nem Bolsonaro
Embora Lula e Bolsonaro estejam salvando a democracia, é bastante improvável que tenhamos os dois disputando as eleições presidenciais deste ano. Isso porque Lula certamente será descartado pela burguesia, seja através da sua prisão ou de uma determinação proibitiva qualquer da justiça. Já Bolsonaro não deve disputar porque ele não ganha de ninguém no segundo turno e sua candidatura é muito fraca devido ao partido pequeno e às suas alianças inexpressivas. Bolsonaro não vai trocar o certo pelo duvidoso, pois deixar de se reeleger deputado para correr o risco de perder na disputa presidencial não é uma atitude inteligente para quem faz carreira política.
O resultado disso é que teremos mais uma vez PT versus PSDB no segundo turno de 2018. Do lado tucano, a candidatura de Geraldo Alckmin parece começar a ganhar solidez, apesar de nomes como Dória e Huck não estarem totalmente descartados. Já do lado do PT, nomes como Haddad, Jaques Wagner e Lindemberg estão sendo cogitados. Porém, pela atual conjuntura e pelo antipetismo virulento que ainda domina parte da população e da imprensa oligárquica, é possível que o PT faça algo inédito em sua história: apoie um candidato de outro partido. Candidatos como Guilherme Boulos, Manuela d'Ávila e até Ciro Gomes podem receber apoio do PT. Diante do quadro atual, creio que Ciro Gomes deva ser o plano B do lado progressista. Apesar de não contar com o apoio da grande massa, de ser mal visto por uma parte da esquerda e de ser abominado pelos coxinhas, Ciro me parece a opção menos pior numa eleição sem Lula.![]() |
| Será que o futuro do Brasil estará nas mãos de um desses dois? |
Se o candidato apoiado pelo PT conseguir relevância eleitoral, é possível que Bolsonaro apoie o PSDB mais uma vez ou até mesmo tente concorrer como vice na chapa tucana. Uma chapa Alckmin/Bolsonaro e outra com Ciro/Marina ou Ciro/Manuela seria o grande duelo entre progressistas e neoliberais. É por isso que cada vez mais estou achando que a grande disputa de 2018 será entre Ciro e Alckmin. E numa situação dessa, Ciro teria mais chances que Alckmin por representar a mudança e por ter aderido a um centrismo ambíguo que o deixa teoricamente fora da briga entre esquerda e direita. Os tucanos, queira ou não, estão na base aliada do governo Temer, estão envolvidos em vários escândalos de corrupção e estão sem moral depois de apoiar um
quinta-feira, 8 de março de 2018
Essas maravilhosas mulheres revolucionárias
Várias centenas de mulheres se reuniram hoje, no Dia Internacional da Mulher, para ocupar e paralisar uma empresa do dono da Riachuelo e também a gráfica do jornal O Globo. Essas mulheres mostraram audácia e bravura ao bater de frente contra dois grandes apoiadores do Golpe de 2016: Flávio Rocha, dono da Riachuelo, e os Marinho, donos do
A seguir, vou relembrar dos nomes de algumas mulheres que mudaram o rumo da história devido à luta pelos seus ideias. Foram essas maravilhosas mulheres revolucionárias que ajudaram a construir um mundo melhor não só para as mulheres, mas para todos os seres humanos.
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| Soldaderas mexicanas prontas para avançar! |
Margarida Maria Alves - foi uma sindicalista e defensora dos direitos humanos e dos direitos trabalhistas no estado da Paraíba. Foi dela a célebre frase "é melhor morrer na luta do que morrer de fome". Ela virou mártir após ter sido covardemente assassinada por um matador de aluguel. Margarida se tornou um símbolo na luta pelos direitos dos trabalhadores rurais no Brasil.
Pagu - Patrícia Rehder Galvão, conhecida pelo pseudônimo de Pagu, foi uma escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista, cartunista, jornalista e militante política brasileira. Foi presa política por ser uma militante de esquerda e por se assumir publicamente como comunista.
Olga Benário Prestes - militante comunista alemã de origem judaica e esposa de Luis Carlos Prestes, ela participou de uma insurreição armada (Intentona Comunista) contra o sistema oligárquico brasileiro. Após ser presa, ela acabou sendo enviada para a Alemanha Nazista, onde morreu num capo de extermínio. Olga foi um exemplo de guerreira que jamais se entregou e lutou até as últimas consequências pelo ideal que acreditava.
Simone de Beauvoir - foi uma escritora, intelectual, filósofa existencialista, ativista política, feminista e teórica social francesa. É considerada uma das maiores autoras feministas de todos os tempos. Foi dela a famosa frase: "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher" que, inclusive, caiu numa questão do Enem de 2015, causando um furor raivoso nos reacionários brasileiros.
Rosa Luxemburgo - foi uma filósofa e economista marxista polaco-alemã. Combateu a exploração capitalista e defendeu a justiça social através de suas ideias. Em sua obra "O Socialismo e as Igrejas" (1905), ela afirmou que os socialistas eram mais fiéis aos preceitos originais do cristianismo do que o clero conservador da época (coisa que acontece até hoje). Segundo Rosa, os primeiros cristãos seriam comunistas apaixonados e denunciavam a injustiça social. Rosa foi covardemente assassinada por grupos paramilitares alemães.
Frida Kahlo - essa famosa pintora mexicana foi intensa, transgressora, subversiva, revolucionária e muito à frente do seu tempo. Foi capaz de revolucionar através do seu exemplo de vida, da sua força, da sua pintura e da sua coragem, recusando-se a se manter acuada diante da opressão e da desigualdade.
Kathleen Cleaver Neal - foi uma das integrantes do Partido dos Panteras Negras e a primeira mulher do partido a fazer parte do corpo de “tomadores de decisões”. Ela serviu como porta-voz e secretária de imprensa, organizando também a campanha nacional para libertar o aprisionado ministro da Defesa dos Panteras, Huey Newton.
Angela Davis - Ativista política, acadêmica, autora, professora e filósofa socialista estadunidense, ela alcançou notoriedade mundial na década de 1970 como integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos e dos Panteras Negras. Ela também ficou famosa por sua militância pelos direitos das mulheres, pela luta contra a discriminação social e racial e por ter sido personagem de um dos mais polêmicos e famosos julgamentos criminais da história dos Estados Unidos.
Harriet Tubman - nasceu escrava, em 1820 nos EUA, mas fugiu de Maryland para o estado livre da Pensilvânia. Ao longo dos anos, ela foi em 19 missões para resgatar mais de 300 escravos. Durante a Guerra Civil, ela foi a primeira mulher a liderar uma expedição militar, liberando mais de 700 escravos.
Mary Wollstonecraft - foi uma escritora inglesa do século XVIII, assim como filósofa e defensora dos direitos das mulheres. O trabalho mais conhecido dela foi Uma Reivindicação pelos Direitos da Mulher (1792), no qual ela argumenta que as mulheres NÃO são, por natureza, inferiores aos homens. Foi dela a afirmação sem precedentes que os direitos das mulheres devem ser iguais aos dos homens.
Joana d’Arc - estimulada por sonhos em que os santos cristãos a incentivavam a lutar contra os ingleses, Joana d’Arc conduziu o famoso assalto que levantou o cerco inglês da cidade de Orleans em 1429, virando a maré em favor dos franceses. Acabou tendo uma morte trágica que a martirizou.
Hipátia - foi uma matemática, astrônoma, filósofa, escritora e diretora da biblioteca de Alexandria. Ela foi uma das mais importantes pensadoras da Antiguidade. Acusada de bruxaria, foi morta por uma turba desgovernada de fanáticos religiosos pelo "crime" de pregar a liberdade cultural e filosófica do pensamento.
Malala Yousafzai - foi a pessoa mais jovem a ser laureada com um prêmio Nobel (da Paz). Ficou conhecida principalmente pela defesa dos direitos humanos das mulheres e do acesso à educação no Paquistão, onde os talibãs locais impedem as jovens de frequentar a escola. Desde então, o ativismo de Malala tornou-se um movimento internacional. Em 2012, ela sobreviveu a um atentado de um terrorista Talibã que acertou um disparo em sua cabeça. Malala ficou famosa por seu discurso na ONU onde disse: "Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução".
Lyudmila Pavlichenko - foi uma franco-atiradora (sniper) soviética durante a Segunda Guerra Mundial. A ela foi creditada a morte de 309 soldados alemães (possivelmente foi maior que 500). Ela é até hoje considerada a franco-atiradora mais bem-sucedida na história. Esta valente ucraniana venceu o machismo e o nazismo com uma tacada só.
Roza Shanina - foi outra franco-atiradora soviética durante a Segunda Guerra Mundial, creditada com 54 mortes confirmadas. Ela recebeu diversas condecorações e foi bastante respeitada por sua bravura e determinação. Ficou conhecida na época como o "Terror Invisível" da Prússia Oriental, se tornando mais tarde a primeira mulher franco-atiradora a receber a extinta "Order of Glory" por ser a primeira mulher a servir na frente da Bielorrússia. Roza morreu de forma heroica dando sua vida para salvar um companheiro ferido durante um bombardeio.
Celia Sánchez - foi uma revolucionária cubana dedicada e corajosa, denominada por Fidel como “a flor mais autóctone da revolução”. Ela teve um papel fundamental durante a guerra revolucionária e na construção do socialismo. Juntamente com Frank País (um dos líderes do Movimento 26 de julho), Célia organizou o movimento na região oriental, criando uma rede de apoio à guerrilha liderada por Fidel em Sierra Maestra. Ela foi também a primeira guerrilheira da Sierra Maestra, tendo se incorporado ao exercito rebelde em maio de 1957.
Vilma Espín Lucila - foi outra grande revolucionária cubana. O espírito da revolução socialista de Cuba foi mais vividamente encarnado por sua “primeira-dama”, Vilma Espín Lucila. Depois de estudar engenharia química, Espín pegou em armas contra a ditadura de Batista em 1950 e desmascarou a noção da dócil mulher caribenha com seu uniforme militar e seu espírito revolucionário.
Nadezhda Krupskaya - foi uma revolucionária bolchevique e pedagoga russa, casada com o líder revolucionário Vladimir Lênin. Ela participou do governo soviético e teve um importante papel na luta contra o analfabetismo na Rússia. Suas concepções sobre educação teriam grande influência no estabelecimento de novos métodos e práticas de ensino na URSS.
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| Mulher, a revolução mora em você! |
No dia em que todas as mulheres (que são maioria) se unirem e se levantarem juntas contra o sistema de opressão que foi construído contra elas, a humanidade irá passar pela maior de suas revoluções. E pode acreditar que esse dia está bem perto de chegar.
Fontes:
Brasil de Fato
Hypescience
PCB.org
Mega Curioso
Vermelho.org
Guia do Estudante
quarta-feira, 7 de março de 2018
O desafio de escrever em um blog num país de analfabetos
Desde de julho de 2011 que eu escrevo neste blog. E desde janeiro de 2016 que eu escrevo diariamente, publicando um post por dia. Confesso que isso tem sido uma experiência muito gratificante, porque o aprendizado envolvido neste processo todo de escrever, pesquisar, desabafar, ler comentários, interagir com os leitores e de ter voz ativa na internet sem censuras é algo que eu não teria como obter de outra maneira. Porém, atualmente tem se tornado complicado para mim manter o ritmo de um post por dia, porque estou com o tempo bastante reduzido de uns dias para cá. Ultimamente, tenho gasto mais tempo com leituras, voltei a praticar atividade física regular, voltei a estudar e tenho um monte de jogos na Steam que comprei e ainda nem joguei. Portanto, é possível que ocorra de eu não conseguir publicar postagens com a mesma frequência pela falta de tempo. Vou me esforçar para manter o ritmo de um post por dia, mas devido a essa minha escassez de tempo, não garanto mais que vou ter condições de comparecer aqui sete dias por semana.
O desafio de escrever em um blog
Sei muito bem que os blogs hoje possuem pouca relevância se comparados há uma década atrás. Na década passada era quase uma moda ter um blog. Mas com o crescimento da internet de banda larga, os blogs estão perdendo cada vez mais espaço para os vídeoblogs, ou simplesmente vlogs. Os vídeos do YouTube, por exemplo, dão muito mais visibilidade por serem mais dinâmicos e por terem a possibilidade de serem escutados como num podcast (mídia de áudio). Além disso, ninguém precisa saber ler e escrever para entender o conteúdo de um vídeo. E falando em ler e escrever, como a maioria da população brasileira não tem o hábito de leitura e ainda por cima sofre de algum grau de analfabetismo funcional, ter um blog não traz nenhuma audiência significativa. É por isso que escrever em um blog é um desafio, ainda mais quando não se recebe nenhum centavo para mantê-lo. Quando se escreve num blog, ou é por paixão, ou por uma causa maior.
Enfim, se você pretende ter um blog, vá em frente, pois será uma experiência muito bacana para a sua vida. Mas não ache que com ele você terá muitas visualizações (especialmente no início) ou que ganhará muito dinheiro com adsense (publicidade). Blogs hoje em dia se transformaram numa coisa quase retrô: numa coisa de hipster pós-moderno. Isso tanto é verdade que os aplicativos para blogs em smartphones e tablets são bem horríveis de se usar, forçando o escritor a publicar suas postagens quase sempre a partir de PCs ou notebooks. Fora que a maioria das pessoas hoje em dia prefere escrever nas redes sociais por questões de praticidade e facilidade de compartilhamento. Mas enfim, se você ama escrever e gostaria de ter um cantinho na web só seu, blogs ainda são a melhor opção.
Sobre criar um canal no YouTube, isso seria totalmente inviável para mim. Se eu não tenho tempo para escrever, imagine para gravar, editar e subir vídeos... Além disso, eu me comunico muito melhor escrevendo do que falando. E falando em falar, eu sou um PÉSSIMO orador, diga-se de passagem. Fora toda a exposição pública que os vídeos trazem. Num blog é possível manter a própria identidade em sigilo, evitando uma exposição excessiva que pode até ser perigosa levando em consideração os haters e até uma possível futura ditadura no país. Se eu me arrepender da experiência no futuro, os meu vídeos ficarão para sempre aí na plataforma. Então por questões de praticidade, privacidade e segurança, eu prefiro os blogs.
Enfim, grande abraço a todos.
Namastê!
terça-feira, 6 de março de 2018
O primeiro amor a gente nunca esquece
Há alguns meses atrás, eu estava num supermercado e quase esbarrei numa garota sorridente, alegre, simpática, linda, baixinha e com um corpo escultural. Por coincidência, ficamos no mesmo caixa e ela era só sorrisos e simpatia enquanto conversava com uma amiga que a acompanhava. A guria era tão simpática, que a sua alegria de viver transbordava, contagiando todo mundo ao seu redor. Na hora eu até pensei que se eu não fosse um balzaquiano e ela não aparentasse ter menos de dezoito anos, dava até para tentar uma aproximação despretensiosa. Mas enfim, ela foi-se e eu me recordei que, há algum tempo atrás, havia conhecido também outra mulher bastante deslumbrante. Ela era uma amiga de minha prima que fazia medicina e era, sem exageros, uma das mais fantásticas mulheres que já conheci. A graduanda em medicina, além de ser linda de morrer, era simpática, alegre, charmosa, solidária, amante da natureza e, quem diria, bastante politizada. Essa futura médica está noiva já há algum tempo e não deve demorar para se casar. Diante desses dois exemplos mais recentes, parece que o meu celibato voluntário e a minha imunidade à paixão tiveram um leve abalo diante dessas duas beldades, mas logo eu consegui me recompor. Porém, antes de pegar ojeriza por relacionamentos e antes de me tornar uma espécie de monge herege, lembrei-me dos tempos em que eu era feliz e não sabia. Lembrei-me do primeiro amor que vivi quando ainda era criança.
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| Foi assim, como ver o mar... |
Para muitas crianças, o primeiro amor está em algum objeto inanimado, como um brinquedo ou algum jogo. Há também aquelas crianças que encontram seu primeiro amor em algum bichinho de estimação, como foi o caso do porquinho-da-índia de Manuel Bandeira. Outras se apaixonam por pessoas: seja pela professora, seja pela atriz da novela ou até por personagens de desenhos. Mas o meu primeiro amor não foi nem um brinquedo, nem um bicho de estimação e nem mulheres inacessíveis. O meu primeiro amor foi uma menina que conheci numa casa de veraneio no litoral norte pernambucano quando devia ter entre 6 e 8 anos. E relembrando de tudo aquilo que vivi na época, cheguei a uma conclusão interessante.
Eu conheci essa menina na praia, enquanto construia um castelo de areia sob o sol morno de uma manhã ensolarada qualquer de carnaval. Ela estava passando, parou para olhar a minha escultura, achou bacana e resolveu construir um castelo também do lado do meu. A garota disse o nome dela, que eu não lembro mais qual era, a idade (era um ou dois anos mais velha que eu), onde morava e, para minha surpresa, descobri que ela era a nossa vizinha na casa de veraneio. Assim como eu, ela estava passado o carnaval numa casa alugada junto com a família e isso acabou, de certa forma, nos aproximando. Lembro que a mãe dela a levava para a praia todas as manhãs e a gente ficava lá, conversando, fazendo castelos, jogando bola, mergulhando no mar. Eu lembro que a achava muito simpática e divertida, e quase sem perceber, comecei a sentir uma coisa meia estranha por ela, uma afinidade esquisita que parecia ser mais forte que a amizade. A gente chegou a andar de mãos dadas, a dar uns beijinhos no rosto (tudo com os pais da gente por perto) e a trocar segredos. Tudo de maneira bem inocente, bem pueril, bem natural. Quando a semana de carnaval acabou, chegou a hora de deixar a praia e voltarmos para casa. Era a hora da despedida. Mas, sei lá o que deu em mim, tive um ataque de timidez muito grande e não consegui ir na casa dela me despedir na frente da família dela inteira. O meu tio até me incentivou com uma frase que lembro até hoje: "Vai lá se despedir da tua namorada, rapaz." Enfim, a gente só deu um tchauzinho de longe um para o outro e nunca mais nos vimos novamente.Depois da despedida, fiquei com uma pulga atrás da orelha, porque eu nunca me dei conta de que estávamos tendo algo além da amizade. Era tudo tão novo, tão diferente, tão agradável. Eu me perguntei várias vezes se realmente estávamos "namorando" ou se éramos apenas "bons amigos". Na época, eu nem sabia direito o que era namorar e nem sabia exatamente o que tinha ocorrido. Só sei que eu senti uma saudade gigantesca daquela menina depois que voltei para casa. Pensava nela, nas nossas brincadeiras, nos beijinhos na bochecha... Até perguntei para minha mãe se ela tinha o telefone da menina e a resposta foi: "Não. Por que não pediu o telefone a ela?" Foi aí que eu percebi que eu realmente gostava daquela menina. O que vivi, apesar de ter sido puro, fugaz e inocente, foi algo mágico e inesquecível. Alguns anos depois, sabendo mais ou menos do que se tratava, cheguei à conclusão de que aquela guria que tinha sido uma espécie de "amiga colorida". E assim acreditei ter sido durante boa parte de minha vida.
Hoje, olhando para trás e recordando de tudo que vi e vivi, cheguei à conclusão que aquela menina que nem lembro mais o nome foi mais que uma amiga, foi mais que uma ficante: ela foi o meu primeiro amor. Ela foi a minha primeira namoradinha. O cuidado, o carinho e o apego que tínhamos um pelo outro foi algo que me marcou para a vida toda. Sempre que eu me recordo disso, fico com um sorriso bobo, feliz e satisfeito por lembrar do tempo que descobri o amor sem perceber.
Atualmente, eu já não vejo mais graça em relacionamentos, porque sinto que já vi e vivi tudo que tinha para se viver neste sentido. Não há mais nada de novo, não há mais nada de intenso: não há mais nada para se aproveitar ou se descobrir em um namoro ou relacionamento. Nem mesmo a paixão faz mais sentido para mim, porque é um sentimento passageiro que acaba se tornando autodestrutivo. Sinto que tudo seria totalmente falso, repetitivo e forçado se eu tentasse me relacionar atualmente. Hoje, eu aprecio a solidão. Encontrei a paz interior e a capacidade de ser plenamente feliz sem a companhia de ninguém. Mas as memórias boas das antigas descobertas sempre acompanhar-me-ão, porque naquela época, sim, elas valeram a pena serem vividas. Pois como dizia o poeta Drummond em seu poema enloucrescer: "Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido."
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| Enloucresça! |
Namastê!
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