domingo, 15 de março de 2020

O silêncio que precede a tempestade


Olhe a nossa volta e veja como está a situação do Brasil diante da pandemia do novo coronavírus: jovens com desdém diante da letalidade da doença para a sua faixa etária; a saúde pública em estado de falência; um governo totalmente irresponsável; fake news desinformadoras sendo disseminadas pelo WhatsApp; uma população sem o conhecimento mínimo sobre programas de saúde... Isso soa como o silêncio que antecede a tempestade.

Apesar da pirâmide etária do Brasil ser predominantemente jovem e do clima dificultar um pouco a propagação do coronavírus, se medidas drásticas não forem tomadas imediatamente, muito em breve teremos um pesadelo surrealista digno de cenários apocalípticos do Plague Inc: Evolved. Isso seria uma tragédia levando em consideração a população numerosa do nosso país.

Para que a nossa realidade não vire um filme de terror, é preciso atrasar o crescimento da curva de contaminação através de medidas de contenção: escolas terão que ser fechadas, eventos com aglomerações terão que ser adiados e medidas preventivas terão que ser postas em prática para ontem. Do contrário, o sistema de saúde não vai conseguir atender aos casos mais graves e nossos entes queridos irão morrer dentro de casa por falta de leitos nas UTIs. Portanto, tenha consciência e faça a sua parte. O vídeo abaixo traz uma explicação mais completa:


PS: Se você acha que tudo não passa de "alarmismo" e "exagero", pergunte para as famílias dos mais de 5 mil mortos pela doença a falta que cada ente querido faz.

quinta-feira, 12 de março de 2020

E se fosse Jesus?


Muito já foi falado e debatido a respeito do caso da detenta transexual que recebeu um abraço do doutor Drauzio Varella, mas um coisa não para de me incomodar neste caso. Eu fico aqui imaginando o que teria acontecido se no lugar do doutor Drauzio estivesse um cara chamado Jesus Cristo diante daquela trans. Será que Jesus a hostilizaria e a condenaria? Ou será que esse cara chamado Jesus teria compaixão, amor e solidariedade diante de uma pessoa condenada que amarga uma profunda solidão e abandono há anos?

É incrível como temos cristãos hipócritas que desconhecem o próprio Cristo. Jesus andou com todo tipo de gente "desprezível" para a sua época: ladrões, marginais, pecadores, leprosos, prostitutas, cobradores de impostos... E ele estendeu a mão a todos eles. Enquanto isso, muitos "cristãos" de hoje – que deviam dar a outra face e perdoar setenta vezes sete – se mostram rancorosos, violentos e incapazes de tolerar um gesto de afeto. É uma ironia que um ateu como o Drauzio Varella tenha um gesto de grandeza maior que muitos "cristãos" que se consideram o bastião da moralidade da raça humana.

Eu não preciso me estender falando que a ética médica exige que os profissionais formados em medicina cuidem das pessoas independentemente do caráter delas, até porque o que ocorreu vai além disso por ter sido um gesto de solidariedade espontâneo. Também é desnecessário dizer que abomino crimes hediondos como o cometido pela detenta. Mas o que este evento mostrou é que o neofascismo não está em alta à toa no Brasil. Uma população "cristã" que apoia preconceito, vingança, ódio e linchamentos deveria sentir vergonha da própria existência.

sábado, 7 de março de 2020

Machistas não passarão


O machista é, antes de tudo, um fraco, um covarde, que para disfarçar sua masculinidade frágil, precisa rebaixar as mulheres. Porém, o machista vai ter que aprender na marra que com as mulheres não se brinca. Ele vai aprender que elas nunca irão se calar e que denunciarão incansavelmente toda violência, toda injustiça e toda tentativa de dominação. E não tem chororô: o machismo e a misoginia um dia terão que acabar. Então não haverá mais espaço para a opressão, pelo menos não enquanto houver luta.

Se você, caro humano do sexo masculino, quer realmente um mundo melhor para as mulheres, não se limite a ser gentil no dia das mulheres. Seja atroz contra o machismo. E não apenas por um dia, mas para sempre. Machismo não se discute, machismo se destrói.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Bolsonaro é só a ponta do iceberg


Jair Messias Bolsonaro teve apoio estratégico e econômico da burguesia para, após eleito, seguir adiante com as reformas neoliberais e favorecer os investimentos da casta rentista. Porém, mesmo tendo boa parte do congresso ao seu favor no início do mandato (especialmente das bancadas BBB, Boi, Bala e Bíblia), ele tem se mostrado incapaz até o momento de seguir os planos da burguesia na velocidade que se esperava. O último ataque ao congresso e ao STF só explicitou a inaptidão de Bolsonaro e de seus ministros para negociar com o parlamento e dar sequência às reformas burguesas. Isso, aliado à sua recorrente grosseria contra a imprensa e a suas falas pouco polidas, tem levado a um desgaste muito grande da aliança com a burguesia. O resultado disso é que a imprensa oligárquica, que é a voz da elite econômica, tem mandado recados duros ao presidente e o ameaçado caso ele continue insistindo nessa loucura que querer transformar o Brasil numa espécie de "Venezuela de direita". Não há mais unanimidade de opinião entre a burguesia com relação ao fascista tupiniquim que brinca de presidir o país. Se Bolsonaro não parar de fazer graça e entrar logo nos eixos, será descartado sem qualquer remorso. Caso o presidente das milícias saia, teremos que lidar com o seu vice, que é muito menos troglodita do que ele e certamente será mais competente para prosseguir com as reformas burguesas.

Já para nós, pessoas comuns, não há notícias animadoras. Sairemos perdendo independentemente do bronco fascista permanecer ou ser impedido. Estamos num momento muito difícil da história do capitalismo devido a uma crise que se arrasta desde 2008. E essa crise exige um ajuste político e econômico profundo para os países em desenvolvimento, o que inclui, obviamente, o Brasil. Enquanto essa crise não passar, não há qualquer possibilidade de haver governos progressistas ou de social democracia. Isso significa que a saída de Bolsonaro, apesar de necessária, não vai mudar muita coisa no curto/médio prazo. Com um Brasil idiotizado e um mundo fascistoide, só nos resta resistir ou se mudar de país. É o velho lema da ditadura: Brasil, ame-o ou deixe-o.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Não gosto de carnaval, mas...


Nunca gostei de carnaval. Sempre detestei multidões, barulho e aquele monte de gente bêbada cambaleando pelas ruas fedendo a mijo. Eu tenho respeito pelo carnaval como manifestação cultural, mas, pessoalmente, não curto nem um pouco. Sempre passei o carnaval ou em casas de veraneio afastadas da civilização ou, simplesmente, sossegado na minha própria casa, seja lendo, ouvindo música, fazendo maratona de NetFlix, de Steam ou aproveitando para descansar e fugir um pouco da dieta. Apesar disso, há uma coisa que admiro no carnaval, que é o fato dele escancarar o falso moralismo da nossa sociedade. Vivemos num país em que julgam as mulheres pelas suas roupas e que se condena até a amamentação em público por considerá-la "indecente". Enquanto isso, temos um desfile generalizado de corpos seminus nas ruas, nos desfiles e na televisão sem que ninguém dê um pio. Isso sem falar na hipocrisia dos que votaram num governo que adotou a abstinência sexual como política pública, mas que vai sair afogando o ganso adoidado durante o carnaval inteiro.