sexta-feira, 4 de março de 2022

O racismo da mídia ocidental é revoltante

 

Tudo bem que uma guerra em solo europeu envolvendo pelo menos uma potência nuclear é algo para causar preocupação. A imprensa deve e precisa fazer a cobertura desse conflito. Mas o problema é que a imprensa do ocidente – incluindo aí a grande mídia brasileira – não dá qualquer notícia sobre outras guerras em outros países além da Ucrânia. Parece que é apenas o povo ucraniano que precisa de empatia, de ajuda, de mantimentos e de solidariedade. 

 

Nesta semana mesmo, Israel voltou a atacar a Palestina com bombas, matando e ferindo diversas pessoas, incluindo crianças. Mas por não serem brancas ou europeias, não ganharam qualquer notinha breve nos noticiários. Coisa parecida ocorre na República Saarauí, invadida pelo Marrocos com a ajuda dos EUA e quase ninguém sabe das centenas de assassinatos e crimes de guerra ocorrendo por lá. Mas a tragédia não para por aí. A Síria foi bombardeada por Israel num ataque aéreo que matou pelo menos seis pessoas. A Somália também foi atacada por drones de guerra norte-americanos, deixando um número desconhecido de mortos. E o Iêmen teve pelo menos duas mulheres mortas após o bombardeio da Arábia Saudita – aliada dos Estados Unidos. Onde está a imprensa branca ocidental pró imperialismo nessas horas? Só sabem atacar a Rússia e tratar o presidente covarde da Ucrânia como um herói. E isso não é tudo. Onde estão as sanções contra Israel, Arábia Saudita e Estados Unidos? Cadê a porcaria da ONU nessas horas? Ah, está promovendo junto com a imprensa imperialista russofobia até contra animais de estimação russos...


Quando digo que racismo e capitalismo são duas faces da mesma moeda, não é sem base que faço essa afirmação. Enquanto existirem fronteiras, países, acúmulo infinito de riqueza, exploração e ideologias racistas, jamais seremos uma só humanidade e jamais escaparemos do risco de autodestruição.

terça-feira, 1 de março de 2022

O capitalismo vai destruir o mundo

 

Eu sei que é clichê afirmar que a primeira vítima numa guerra é a verdade. Mas o pior é que isso é a mais pura verdade devido à guerra de informações. E nós percebemos isso quando vemos os argumentos tendenciosos e as meias-verdades que tanto a Rússia quanto o "ocidente" estão usando como pretexto para justificar o conflito na Ucrânia. O "ocidente" diz que Putin é um autocrata autoritário que quer expandir o império russo. Já a Rússia afirma que os neonazis ucranianos estão dizimando os separatistas pró Rússia na ex-república soviética. Neste aspecto, ambos estão certos – mas ambos estão escondendo a verdade por trás dos fatos. Se por um lado o governo russo reprime com veemência as manifestações contra a guerra, por outro lado, o "ocidente" censura os canais russos de notícia na televisão. Mas, afinal, qual é a verdadeira verdade que ambos estão a esconder?

A verdade é que a guerra não é entre Rússia e Ucrânia. A guerra é entre as plutocracias do ocidente (países do G7) e as oligarquias capitalistas russas. Quem ganha com essa guerra são os bilionários que tratam esse e outros conflitos como um jogo de apostas. Durante a guerra, a indústria bélica lucra com a venda de armas; depois da guerra, as empresas de construção e bancos privados lucram ainda mais com a reconstrução de países destruídos. Enquanto as pessoas comuns acham que a culpa é desse ou daquele país, na verdade, a culpa por tudo isso está no próprio sistema capitalista. Quem manda de verdade no mundo são umas poucas dezenas de bilionários que são forçados pelo próprio sistema capitalista a fazer guerras para manter o capitalismo funcionando. Portanto, Joe Biden, Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin são apenas fantoches das oligarquias de seus respectivos países. 

É a burguesia que quer a guerra para salvar o capitalismo.

Se a primeira vítima dessa guerra é a verdade, a segunda com certeza é o povo ucraniano. Aliás, o povo ucraniano não precisa de armas como esse ocidente hipócrita e belicista está fazendo. O povo ucraniano está precisando mesmo é de alimentos, de remédios, de agasalhos e de garantias que serão bem recebidos nos países em que forem acolhidos. É um verdadeiro apoio ao genocídio dar armas para civis despreparados lutarem contra o poderoso exército russo. E para piorar ainda mais as coisas, o presidente russo falou em colocar à disposição as armas nucleares. Olhe só a que ponto a loucura do capitalismo nos levou: ao risco de uma guerra nuclear. Já imaginou o tamanho do pesadelo que seria rever Hiroshima e Nagasaki acontecendo numa escala muito maior em vários lugares do mundo ao mesmo tempo? É nesse mundo que realmente queremos viver?

Sei que já estou ficando redundante com essa argumentação, mas se o mundo fosse todo socialista, guerras jamais existiriam. Os conflitos que Cuba e URSS se meteram no século passado foram em resposta às agressões de países capitalistas ou para apoiar revoluções. Afinal, que sentido há em um país socialista invadir e pilhar outros? Se não gosta do socialismo, então invente algum outro sistema melhor. Do contrário, a única e última guerra que a humanidade precisa enfrentar é a guerra de classes que deve servir para enterrar o capitalismo de uma vez por todas. Já chega de guerras no mundo. Os trabalhadores de todo o mundo precisam parar de matar uns aos outros em guerras sem sentido e se unirem para derrubar esse sistema opressor que ameaça toda a vida do planeta.

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Não seja contra a guerra, seja contra o capitalismo


Essa esquerda namastê tem momentos que me dá nos nervos. Eu já estou farto de ver gente nas redes sociais que se declara de esquerda tratando a Rússia como a causadora do conflito na Ucrânia e ainda por cima defendendo uma paz impossível num momento de tensão do capitalismo financeiro. Coloquem uma coisa na cabecinha de vocês: não existem mocinhos e nem bandidos num mundo capitalista, porque o capitalismo simplesmente obriga as nações dominantes a serem expansionistas e a causarem guerras. Se por um lado a Rússia do "homofóbico, misógino e autoritário" Vladimir Putin deseja restabelecer suas áreas de influência perdidas com o fim da URSS, os EUA, por outro lado, querem ampliar o número de países europeus integrantes da Otan. O grande problema nessa história e que justifica a invasão militar na Ucrânia é que a soberania russa foi ameaçada quando a Ucrânia manifestou desejo de entrar para a Otan e de possuir armas nucleares. Isso fere o antigo acordo firmado entre Rússia e EUA no final da Guerra Fria onde ficou decidido que a Otan não seria expandida para o leste europeu. Sem falar do próprio protocolo de Minsk que foi desrespeitado inúmeras vezes pela Ucrânia e seus neonazis que perseguiam e matavam minorias russas no leste ucraniano.

Para quem não se lembra de situação similar, em outubro de 1962, a URSS colocou seus misseis nucleares em Cuba e isso quase gerou uma terceira Guerra Mundial por ameaçar a soberania dos Estados Unidos. E agora a Ucrânia fez parecido, ameaçando a soberania russa. Portanto, a Rússia apenas está se defendendo de agressões. 

A guerra é um jogo de apostas dos plutocratas.


É claro que a guerra é uma situação onde só quem sai perdendo é a população civil, porque é essa população que se torna vítima das bombas, da fome e da crueldade. Só quem ganha com a guerra são as oligarquias, os bancos e megacorporações que sancionam países rivais e financiam a construção de regiões destruídas pela guerra. É por isso que ao invés de ficar feito idiotas pedindo por uma paz utópica, temos que lutar contra a real causa de todas essas guerras: o capitalismo. Se não tivermos uma visão pragmática do mundo, iremos sempre cair nessas armadilhas ideológicas que a esquerda namastê vive caindo. Podemos e devemos nos solidarizar com o povo ucraniano – mas devemos também enxergar além do senso comum simplista. O mundo ideal é aquele onde não há países, não há dinheiro, não há exploração, não há desigualdades, onde todos se enxerguem como irmãos e onde todos respeitem a mãe Terra. Onde foi mesmo que já ouvi falar disso?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Quem vai conter o neonazismo ucraniano?


Já era de se esperar. A imprensa burguesa pró-ocidente tem feito malabarismos de todo jeito para distorcer os reais motivos dos ataques russos contra as bases militares ucranianas. Entre as narrativas rocambolescas vistas por Globo News, Jovem Klan e afins que contribuem para um senso comum midiotizado, fica no ar a ideia de que Vladimir Putin é um expansionista sanguinário que quer guerra a troco de nada e acabar com a paz do mundo. Obviamente, isso é uma mentira deslavada. Ninguém ataca outro país sem que haja uma razão muito forte para isso, ainda mais a Rússia que é conhecida por sua paciência e estratégia. Como já deixei claro em outras postagens, a Rússia está evitando que misseis nucleares da Otan sejam colocados debaixo de suas barbas na fronteira com a Ucrânia. Portanto, essa movimentação militar russa não é o começo de uma guerra, mas sim uma tentativa de evitar outra guerra mundial. Mas isso não é tudo.

Neonazistas ucranianos tomaram o poder em Kiev.

Apesar da Rússia ser um país capitalista com um conservador de direita no poder – conservador este que atende aos interesses da oligarquia nacional – é imperativo deixar claro que o que está ocorrendo na Ucrânia não é somente uma forma de defender a soberania russa, mas também de desinfetar os neonazistas que tomaram o poder naquele país. Há anos que paramilitares ucranianos neonazistas fazem constantes provocações, atacando russos residentes no país e ameaçando outras minorias. E, claro, é bom que se diga que o próprio governo ucraniano é neonazista e chegou ao poder com apoio dos Estados Unidos naquele golpe de Estado desferido em 2014. Portanto, se há um vilão nessa história, todo mundo já devia saber quem ele é.

Se você acha que o problema é a Rússia, está na hora de rever os seus conceitos. Pare de ouvir e ler essas análises distorcidas da imprensa hegemônica e preste atenção no que dizem os historiadores e cientistas políticos sérios. Fenômenos geopolíticos complexos não são tão fáceis assim de se entender.

Onde está a coerência do Tio Sam?


Uma coisa que eu acho curiosa é a hipocrisia das pessoas que condenam os ataques russos contra a Ucrânia, mas que, por outro lado, ou ficam indiferentes, ou então aplaudem quando os EUA fazem a mesma coisa em outros países. Os Estados Unidos invadem, pilham, dão golpes de Estado, promovem guerra híbrida, bombardeiam, jogam bombas nucleares e matam impunemente há mais de um século e quem é vista como vilã nessa história é a Rússia que está defendendo a sua soberania das ameaças militares da Otan. É óbvio que eu, como pacifista, condeno qualquer guerra. O problema é que esse conflito na Ucrânia está ocorrendo graças a mais uma expansão bélica norte-americana na Europa. Colocar mísseis nucleares de longo alcance na Ucrânia é a meta dos EUA desde o Golpe de Estado financiado por eles mesmos naquele país em 2014. E o resultado tinha que ser este. Será que a Casa Branca iria tolerar, por exemplo, misseis nucleares russos no México ou no Canadá? Lógico que não. A Rússia é caluniada, atacada, sancionada, proibida de disputar olimpíadas e tem seu território ameaçada sem o direito de se defender. Enquanto que os EUA como plutocracia promovem o caos pelo globo sem sofrer qualquer sanção ou medida restritiva contra si. Cadê a coerência de quem critica a Rússia nessas horas?