segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Não há amanhã


Vivemos como se nunca fôssemos morrer. Todos os dias acordamos, saímos para estudar, trabalhar, pagar os nossos impostos e fazemos disso um ciclo vicioso. Acreditamos, inconscientemente, que todos aqueles que nós amamos estarão sempre lá, à espera de, quem sabe, um final de semana ensolarado para receber o nosso abraço. E assim seguimos a dança da vida, presos a um cotidiano que nos coage a sempre adiar as coisas mais simples e mais bonitas da vida.
Mas daí que num dia como qualquer outro, talvez numa quinta-feira depois do almoço, um acidente de percurso nos roube alguém por quem esperamos a semana inteira para dar um simples abraço. Assim, aprendemos do modo mais difícil que o tempo não sabe esperar e que o dia de amanhã não existe.
O dia de amanhã existe apenas numa esfera irreal de tempo chamada imaginação. Não há amanhã, assim como também não há ontem. O único tempo real que de fato existe é o agora. Ninguém pode garantir que haverá amanhã ou que esse amanhã será exatamente como esperamos que ele seja.

Tudo na vida um dia há de terminar

Somos tentados a pensar que a vida gira em torno de nós, mas, na verdade, somos nós que giramos em torno da vida. Somos apenas figurantes numa peça de teatro, improvisando cada um à sua maneira e alimentando a doce ilusão de que estaremos ali no palco para sempre. A lição que a vida nos dá é que estar vivo é um privilégio e que saber viver, na verdade, é saber aprender a morrer. Mais temível que pensar no fim, é pensar que nós não nos preparamos para enfrentá-lo. Acredito que somos privilegiados por sabermos antecipadamente sobre o nosso próprio fim, sobre o fim das demais pessoas e até sobre fim da nossa espécie. Sabendo do trágico desfecho que é reservado a todos nós, podemos, nem que seja por um instante, sorrir para a vida e se maravilhar com esse breve momento da eternidade em que nos permitimos sentir encantamento pela existência.

Não espere até amanhã para abraçar quem você ama

Se você brigou com alguém que gosta, aprenda a pedir perdão. Se você ama muito alguém, não espere até o domingo que vem para dizer o quanto você ama esse alguém. Se você está com saudades de uma pessoa, lembre-se que não há tarifa telefônica no mundo que custe mais caro que a dor de nunca mais poder dar um alô. A única coisa que não temos tempo nessa vida é para se arrepender de algo que poderíamos ter feito, mas não fizemos por acreditar na ilusão do amanhã. 


"Viver nos corações que deixamos para trás, é nunca morrer".  
(Thomas Campbell, poeta escocês)

2 comentários:

  1. Atemporal esse seu texto levando em consideração a tragédia ocorrida no Rio no dia 25 passado!
    A vida é efêmera, nada sabemos... Ela escapa por entre os dedos...
    Por isso é imprescindível sim dizer ao outro o quanto ele é importante em nossas vidas!
    Parabéns pelo texto! Gostei muito!
    Um abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!

      Gostei da sua reflexão sobre a efemeridade da vida, pois foi exatamente essa a essência transmitida pelo texto. Se o dia de amanhã é uma incógnita, temos que nos garantir naquilo que é certeza: o momento presente!

      Obrigado pela participação!

      Abraços.

      Excluir