sexta-feira, 14 de junho de 2013

Irreligiosos (pessoas sem religião)


No mundo existem basicamente três grandes grupos de pessoas: os religiosos, os irreligiosos e os falsos religiosos. Os religiosos são aqueles que creem no deus das suas religiões e seguem os seus preceitos. Os irreligiosos são as pessoas que não possuem religião, mas podem ou não crer em algum deus. E, por fim, temos os falsos religiosos, ou religiosos fracos, que são aqueles que creem no deus da sua doutrina, mas não seguem a religião e nem praticam os seus rituais (ex: católicos não praticantes). O foco desta postagem serão os irreligiosos, pois este é o grupo ao qual eu pertenço e sei que tem crescido bastante no mundo principalmente com a chegada da internet.
O que acontece hoje em dia é que muitas pessoas irreligiosas têm dúvidas com relação ao que são, pois muitas delas abandonaram as religiões que seguiam e ficaram à deriva sem saber definir o que realmente são.
Abaixo eu colei um fluxograma contendo uma série de perguntas curtas que podem ajudar a dizer o que cada um pode ser:

Teste irreligioso (clique para ampliar)

Eu tentei desenvolver um questionário para que as pessoas pudessem determinar o que são. Porém, o problema do questionário é que ele é muito objetivo, e não tem como ser exato com relação às nossas posições ideológicas – ainda mais com relação a algo tão vago quanto a não-crença. É possível, por exemplo, alguém ser agnóstico, ignóstico, ateu e apateísta ao mesmo tempo. Por isso, eu resolvi deixar a seguir todas as definições que eu conheço e que são comumente atribuídas aos irreligiosos para que cada um encontre a sua própria definição.

Categoria 1 - Irreligiosos que creem em algum deus
Nesta categoria estão listadas as principais posições filosóficas das pessoas que não têm religião, mas que acreditam em algum tipo de divindade. Veja o que cada crença ou posicionamento ideológico tem a dizer sobre deus:

Deísmo pessoal
Deus é um ser consciente que projetou o universo. Porém, após ser criado, o universo passou funcionar sozinho a partir das suas próprias leis. A existência desse deus pode ser compreendida por intermédio da razão. Também não é necessária fé para cogitar a sua existência e nem é necessário adorá-lo.

Deísmo impessoal
Deus é uma entidade amorfa, atemporal e criadora do cosmo. Este deus não se revela aos homens e nem interfere na realidade objetiva. Deus é, portanto, um fenômeno incognoscível que está além da compreensão humana.

Panteísmo tradicional
Tudo que há no universo possui uma origem e uma essência em comum – e essa essência que está presente em todas as coisas é responsável por toda a criação do universo. Se existe algo que merece ser chamado de deus, esse algo é justamente essa energia criadora que está em todas as coisas. Neste contexto, o universo inteiro é o próprio deus, pois deus e a natureza são indistinguíveis.

Panteísmo romântico
Deus está na harmonia e na ordem da natureza, está nas leis da física, nas constantes cosmológicas e na perfeição da matemática. Deus é o equilíbrio que rege todo o universo.

Panenteísmo
O universo sozinho não explica a si mesmo e nem a sua própria origem. O universo está contido em deus, porque deus, em sua totalidade, está além do que podemos perceber. O universo é apenas uma parte visível de deus, pois deus é muito maior que o próprio universo. Se deus fosse um iceberg, por exemplo, o universo seria apenas a ponta dele.

Pandeísmo
Deus passou a integrar o próprio universo ao criá-lo. O universo (e tudo que há nele) é como se fosse um sonho que se passa na mente de deus. O sonho (universo) é criado por deus e ao mesmo tempo também faz parte dele.

Teísmo irreligioso

Deus é uma entidade dotada de vontade própria, capaz de interferir na realidade objetiva e que se preocupa com as ações das pessoas aqui na Terra. Geralmente este tipo de teísta acredita no deus de alguma religião, mas não participa de rituais.

Agnóstico teísta
Para este tipo de agnóstico, é mais fácil encontrar Deus fora dos templos religiosos do que dentro deles. Se há mesmo um deus, cada um deve encontrá-lo à sua maneira – e não de maneira imposta pelas religiões dogmáticas. Sem dúvida as religiões servem mais para afastar as pessoas de Deus do que para aproximá-las Dele.
Se realmente houver um Deus, Ele está muito além do que nós humanos, em nossa infinita falta de humildade, podemos imaginar.


Categoria 2 - Irreligiosos agnósticos
Nesta segunda categoria estão listadas as posições filosóficas das pessoas que não têm religião e que não necessariamente creem num deus. Essas pessoas podem se identificar com as seguintes linhas de pensamento:

Agnosticismo
O agnóstico é alguém que não acredita e nem desacredita em deus. De modo mais amplo, o agnóstico é uma pessoa que não sabe se deus existe.

Ignosticismo
Um ignóstico acredita que existem conceitos demais conflitantes entre si para definir o que é deus. Para o ignóstico, antes discutir se existe ou não um deus, é preciso primeiro chegar a um consenso para definir o que vem a ser deus.

Apateísmo
O apateísta é indiferente à existência de algum deus. Vive a sua vida sem se preocupar com qualquer tipo de intenção divina por trás da existência do universo. A existência ou não de um deus não muda em nada a vida de uma pessoa apateísta.

Ateísmo fraco agnóstico
Este tipo de ateu não acredita em divindades, mas também não exclui a possibilidade de existir algum tipo de deus: incluindo aí os deuses pessoais das religiões. Esta é a forma mais branda de ateísmo, que apesar de não crer em divindades por falta de evidências, geralmente também defende que essa mesma falta de evidências não é a prova da inexistência de deus.

Ateismo forte agnóstico
Este ateu tem plena convicção de que os deuses das religiões não existem, mas considera teoricamente possível que possa haver alguma intenção por trás do cosmo e da natureza.

Ateísmo gnóstico
Um ateu gnóstico é uma pessoa que tem certeza de que não há deuses de nenhum tipo. Para este tipo de pessoa, os deuses certamente não passam de uma criação humana para explicar o universo e trazer significado para a vida das pessoas.

Eis o risco de ser religioso

Concluindo
É possível que alguém seja irreligioso e não se encaixe em nenhum dos conceitos listados anteriormente. Por isso acho uma bobagem que alguém tente se definir. Não é necessário buscar um rótulo para se definir. Qualquer um que se denomine cético ou livre pensador já pode se considerar um irreligioso.

"Deus está dentro de você e ao seu redor, e não em castelos de pedra ou em mansões de madeira. Levante uma pedra e encontrará Deus. Quebre um pedaço de madeira e Ele estará ali. Quem souber o significado dessas palavras jamais conhecerá a morte"  
(Jesus de Nazaré)

8 comentários:

  1. "Qualquer um que se denomine cético ou livre pensador já pode se considerar um irreligioso."

    Que bom que o texto terminou assim e eu posso em considerar apenas irreligiosa, pois acha que não me encaixo em nenhum rótulo dos irreligiosos...

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    1. Eu não concordo muito com os rótulos, porque eles acabam estereotipando as pessoas. O ideal é que cada um crie um conceito próprio para se definir.

      Quando me questionam o que eu sou, minha resposta é sempre a mesma: eu não sei o que eu sou. Mas com certeza eu sei o que eu NÃO sou. E eu não sou religioso. Sou apenas uma incógnita em constante metamorfose.

      Obrigado pelo prestígio, Rê. Abraço.

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    2. Sou irreligioso e participo do movimento acho que conhecimento é poder abrir os olhos fazer o que é certo e pensar por si!

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    3. Muito bom, shinigami! Você está no caminho certo!
      Abraço.

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    4. Para que servem os rótulos, senão para dividir opiniões e conceitos.
      O cidadão irreligioso ele assim se declara, por ter usado sua capacidade cognitiva, pesquisando, estudando, e terminou por entender que as religiões são blefes, destinados a dominar o homem, através de mentiras causando-lhe o medo. o qual o torna um cordeirinho nas mãos de entidades religiosas, ligada a seus próprios interesses e dos governantes, que se aproveitam dessa "docilidade" para poder levar a mente do homem a aceitar, facilmente, o seu comando, enquanto essas entidades exploram o homem financeiramente e em retribuição o governo isenta as entidades religiosas de tributação pelo serviço prestado de imbecilizar o homem.

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  2. Posso ser convencido a acreditar em qualquer coisa que venham me mostrar alguns indícios de provas, mas jamais acreditarei em qualquer explicação dada pelos seguidores do deus do cristianismo. Esta crença é fantasiosa, não tem coerência e está profundamente enraizada na exploração financeira.

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  3. A mente dos religiosos, estão confinadas a um cercadinho, são convencidos a não ultrapassarem os limites sobre pena de severos castigos impostos por deus, sendo assim jamais um religioso ousará ´pesquisar qualquer coisa que não seja autorizada pelos dirigentes religiosos.

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    1. Olá, Paulo Luiz.

      É exatamente esse o problema da maioria dos religiosos: ficam fechados numa bolha e não conseguem enxergar o que está além dos seus dogmas. Ser irreligioso é ser, acima de tudo, livre.

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