segunda-feira, 8 de julho de 2013

Ele vê pornografia. E daí?


Se tem uma coisa que eu nunca entendi direito foi o sentimento de posse e insegurança que muitas pessoas têm em seus relacionamentos amorosos. Num dia desses, vi num site qualquer da internet o depoimento de uma guria que estava furiosa pelo fato do namorado/marido dela ver pornografia. A minha primeira reação diante desse acontecimento foi a de surpresa, porque eu não consigo entender o que tem demais em alguém, casado ou não, assistir pornografia. A minha segunda reação foi a de indignação, porque me lembrei que boa parte desse sentimento de "propriedade" que alguns têm sobre o outro é apenas mais um fruto amargo da monogamia. E quem me conhece sabe o quanto eu detesto essa tal monogamia (vou falar mais sobre ela adiante). Para se ter uma ideia do tamanho da minha repulsa a esse tipo de união, eu prefiro ficar cego do que passar o resto da vida preso a uma só pessoa.

“É pena que você pense
Que eu sou seu escravo
Dizendo que eu sou seu marido
E não posso partir

Como as pedras imóveis na praia
Eu fico ao seu lado sem saber
Dos amores que a vida me trouxe
E eu não pude viver”

(Medo da Chuva, Raul Seixas)

Pois bem, vamos refletir sobre o tema central deste post...

O que a rapaziada adora assistir

Os desencontros de cada casal
Não cabe a mim julgar a atitude de ninguém dentro de um relacionamento. Cada casal tem as suas próprias regras e deve dialogar quando surgem conflitos. Acho que cada par se entende à sua própria maneira. Se uma mulher ou um homem implica com o(a) parceiro(a) por ele/ela ver pornografia, isso aí é problema de cada casal. Digo isso porque existem pessoas que ficam magoadas por certas atitudes aparentemente inofensivas de seus companheiros, e quanto a isso eu sou compreensivo. Não acho que ninguém esteja errado com relação aos seus próprios sentimentos, afinal, o que cada um sente só diz respeito a si mesmo. Acontece que eu, particularmente, discordo de boa parte dos argumentos que muitas mulheres usam para reprovar ou hostilizar o fato de seus parceiros utilizarem qualquer material erótico. E o principal argumento que eu discordo dessas pessoas é o da traição. Eu não consigo ver traição em alguém ver, ler ou ouvir coisas eróticas ou pornográficas.

Limites da traição
Um dos grandes problemas dessa história é que é muito difícil determinar os limites que separam o ato inofensivo de curtir um filminho sacana e se masturbar, de uma traição. Para muitas pessoas, o simples ato de olhar para terceiros é traição; já para outras, ter um amigo íntimo é considerado uma traição; para outras pessoas, desejar em pensamento é traição; e no caso da pornografia não é diferente, pois alguns acham que o simples ato de ver gente pelada ou transando na tela de uma tevê é uma traição. Esse limite do que é ou não é traição deveria ser algo resolvido através de um consenso entre cada casal. Esse "limite divisório" do que separa a traição da não-traição teria que ser estabelecido justamente para não ter esse tipo de problema de um fazer algo que não considera ser traição, mas o outro considera e daí começarem as brigas. Porém a tal da traição só existe essencialmente por causa de um probleminha: a tal da monogamia.

Ah, a monogamia...
No meu mundo perfeito, ninguém pertence a ninguém e ninguém deve controlar a pessoa que ama. Eu sou totalmente a favor da liberdade de todo mundo amar quem quiser. Neste contexto, a tal da monogamia entra como uma vilã, porque o exclusivismo dela só gera pessoas relaxadas, ciumentas, possessivas e frustradas. O que ainda mantém a monogamia firme e forte na nossa cultura são basicamente três coisas: os valores religiosos, os filhos e os riscos de contrair DST's. Se houvesse um planejamento familiar adequado, se as pessoas se protegessem em todas as suas relações e se os valores religiosos fossem mais flexíveis, todos os problemas da monogamia desapareceriam junto com ela. Ou será que você acredita mesmo que é possível amar a mesma pessoa por toda a vida sem nunca ter qualquer interesse por mais ninguém? Se a monogamia desse lugar à liberdade de cada um amar e ter prazer livremente, creio que ninguém estaria discutindo esse assunto. Então, para mim, a monogamia deveria ficar restrita ao mundo BDSM ou a pessoas que curtem esta verdadeira perversão sexual. Sim, a monogamia é um tipo de perversão sexual, bastante masoquista, por sinal.

Argumentos que não colam
As principais queixas que eu escuto de mulheres quando descobre-se que o parceiro curte ver uma safadeza escondido são: "Será que eu não sou suficiente?", "Será que ele não me ama mais?", "Pra que assistir essas coisas se eu estou sempre disponível para ele?" ou "Me sinto um lixo por isso". Esses argumentos têm uma coisa em comum: a insegurança. O único motivo para uma mulher se preocupar com isso é se o cara trocar definitivamente o sexo a dois pelo pornozão. O ato de ver sacanagem não deve ser um substituto, mas sim um complemento, afinal, todos têm as suas fantasias íntimas e inconfessáveis. Assim como também há homens que têm ciúmes quando descobrem que as suas parceiras se masturbam, há mulheres que sentem o mesmo quando descobrem que seus parceiros se divertem sozinhos.
E eu não sei que bobagem é essa que vivem dizendo por aí de que "mulher não curte pornô". Tem muita mulher por aí que assiste pornografia mais até do que muitos homens. A maior prova disso são os incalculáveis fóruns evangélicos pela internet que mostram depoimentos de mulheres que não conseguem largar o vício da pornografia. E nem vem com essa história de "todo pornô é machista", porque tem pornô para todos os gostos, basta saber procurar o que te agrada. Então não há motivo algum para ter ciúmes do parceiro ver pornografia. Que tal essas mulheres pararem de bobagem e começarem a assistir também uma boa safadeza? E esse negócio de ficar com ciúmes é uma bobeira, porque a mulher da tela ou da revista não vai saltar de lá para agarrar o seu marido. Desencana, mulher! Além disso, mesmo aqueles que não veem pornografia fantasiam em suas mentes para dar combustível para o prazer solitário. Afinal, no que você pensa quando se masturba? Será que é em cachoeiras, nuvens ou barras de chocolate? Não, né? E tem mais: filmes de sacanagem podem servir para ensinar muitas coisinhas interessantes que podem ajudar a inovar na cama. Então largue a mão de ser besta e vai assistir uma pornochanchada para sair desse papai-e-mamãe de sempre!

Ah, safadinha!

Prazer solitário
Tem dias que a gente não está nem um pouco a fim de transar. Essa história de "sempre estar disponível" não existe. Ninguém é uma máquina de fazer sexo, nem homens e nem mulheres. É muito melhor uma pessoa se satisfazer sozinha, do que transar com o outro sem que o mesmo esteja a fim. Também tem o outro lado da questão, porque tem dias que a gente não está nem um pouco disposto a dar prazer. Quantas e quantas vezes só queremos dar uma "aliviada" ou apenas curtir sozinhos o nosso próprio corpo? É cansativo sempre ter que se perfumar, se arrumar, ir a um motel, comprar a camisinha, seduzir o outro e etc. toda vez que quisermos ter um orgasmo. Sexo, para mim, só deveria ser feito quando o prazer fosse recíproco. Então não vejo sentido em ficar censurando o parceiro ou a parceira por ele/ela se satisfazer sozinho(a). Não acho nada agradável uma mulher virar uma boneca inflável só para o homem se aliviar. É melhor que o cara fantasie e se resolva sozinho, do que transar com uma mulher de forma egoísta só para ter um prazer frívolo.

Enfim, acho que esse tipo de ciúme não leva a lugar nenhum. Confie no seu taco, mulher!

Ah, não gostou?
Então...
...vai assistir um pornozinho que passa! Rarará!

8 comentários:

  1. Sinceramente, não entendo esse negócio de criar problemas com o fato do cara gostar de pornografia... escrevi sobre isso a alguns dias:
    http://dozeeum.blogspot.com.br/2013/06/fique-so.html

    E nem preciso dizer que sou contra essa monogamia - pelo menos do jeito hipócrita com o qual ela é tratada socialmente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Rê.
      Eu queria ter abordado esse assunto antes, mas a falta de tempo me obrigou a deixá-lo em standy by. Foi justamente a postagem do seu blog que me inspirou a retomar o tema.

      Apesar de entender as mulheres que reclamam dos caras que assistem pornografia, eu acho essa uma grande bobagem. Acho que ninguém tem o direito de controlar a vida de ninguém – ainda mais um momento de intimidade solitária. Mas enfim, isso aí é problema de cada casal. Já a monogamia só retrata a hipocrisia da nossa sociedade e da nossa cultura.

      Excluir
    2. wellington por favor me ajuda eu descobri que meu pai ver videos de ANIMAIS acasalando por favor oque eu faço ?

      Excluir
    3. Então eu e seu pai somos dois, kkkk! Olha que coisa mais linda:
      https://www.youtube.com/watch?v=_kjkLRXJaf4

      Desculpa, mas eu não sei o que fazer. Que tal vc começar a assistir também?

      Excluir
  2. Respostas
    1. Se é normal, eu não sei. Mas pelo menos é divertido.

      Excluir