segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Bandido bom é bandido ressocializado


As redes sociais no Brasil têm se tornado um meio de catarse onde as pessoas podem falar impunemente o que jamais falariam na frente de outras pessoas. É assim com relação a ideias elitistas, fascistas, racistas, eugenistas, misóginas e homofóbicas. E a frase que mais tem bombado nas redes desde o assassinato de dezenas de presidiários no norte do país é a famigerada "bandido bom é bandido morto". Mas será que essa frase tem coerência lógica?

Nós vivemos numa sociedade onde as pessoas vivem com medo, onde podem ser assaltadas, estupradas e assassinadas em quase qualquer lugar. Além disso, há muita impunidade e parcialidade por parte da justiça. Não é à toa que os dois grupos mais abominados são os dos bandidos e os dos políticos. A nossa cultura de violência misturada com o jeitinho brasileiro e com as injustiças sociais nos levam a ter uma sociedade altamente inflamável. Com a segurança pública deficiente, com uma educação pública de má qualidade e com altos indicies de desigualdade social, o que ocorre é a explosão da violência. O pensamento de que "bandido bom é bandido morto" acaba servindo de catarse, de válvula de escape, para todo esse clima de insegurança e violência. O que as pessoas querem, na verdade, é mudar esta realidade, mas o caminho que sugerem é o mais desastroso e impulsivo possível.

Essa história de matar bandidos é uma ideia extremamente perigosa. Ninguém tem direito de tirar a vida de outras pessoas: nem o bandido, nem você e nem o Estado. O direito à vida é universal. Querer a pena de morte é uma solução rasa e de curto prazo que não resolve e nem mesmo ameniza os nossos problemas. Além disso, pena de morte não funciona a longo prazo, porque a criminalidade não diminui com essa medida. Fora os muitos inocentes que morreriam assassinados pelo Estado com uma pena capital.


O mais engraçado e contraditório é que essas pessoas que defendem a pena de morte costumam abominar todos os assassinatos cometidos nos regimes de extrema-esquerda e de extrema-direita. Mas quem defende que bandido bom é bandido morto não difere em nada de um Hitler, de um Stalin, de um Mao, de um Pinochet ou de um Pol Pot. Até porque esses ditadores também eram maniqueístas e queriam limpar a sociedade das pessoas que eles não gostavam através de medidas "constitucionais". Esse duplipensar normalmente atrelado ao pensamento fascistoide da classe média só mostra que as pessoas estão pensando em vingança, e não em justiça. Não podemos pensar da mesma forma que os tiranos do século XX pensavam, porque a ideia de genocídios contra grupos específicos sempre foi destrutiva para todas as sociedades.


Aí ontem li num dos comentários do Face que as forças armadas deveriam bombardear os presídios para matar todos os bandidos e, assim, acabar com os problemas do país. Eu não consigo pensar que uma opinião dessa poderia ser sóbria. Eu entendo essas opiniões radicais como sendo um mero desabafo. O que precisamos de fato é de um sistema carcerário que recupere os detentos, que os humanize e que os integre socialmente para que eles possam voltar viver em sociedade (pelos menos os detentos que tenham recuperação). Bandido bom é bandido ressocializado, porque só assim teremos uma sociedade mais humana e justa. Há vários e vários casos de ressocialização que deram certo, então porque não seguir por este caminho? É preciso dar dignidade às pessoas tenham elas cometido crimes ou não. Bandidos devem responder por seus crimes, mas jamais devem ser tratados como uma escória cuja pena de morte é o castigo ideal. Vamos deixar os discursos de ódio para os grandes tiranos do século XX.


Sobre exemplos de ressocialização:
Agência Minas
Governo do Maranhão
Capital Teresina
Revista PEGN

Um comentário:

  1. Ninguém tem o direito de tira a vida de Ninguém mas vc e a favor do aborto vish

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