sábado, 30 de outubro de 2021

Só existe justiça nas redes sociais


Tivemos, nesta rocambolesca semana, um pandemônio de notícias cabulosas para ninguém botar defeito. Primeiro, foi aquele áudio imoral vazado do banqueiro André Esteves onde ele mostrou – de maneira bastante didática – que quem manda no Brasil, de fato, é o poder econômico. No áudio ficou claro que o Brasil e suas instituições são verdadeiras prostitutas dos plutocratas. A única "punição" que o banqueiro recebeu por corromper o Estado com seu lobby foram as críticas que recebeu até mesmo de alguns liberais nas redes sociais. A justiça formal, como já era de se esperar, nada fez e nada faz porque ela é totalmente vassala ao poder financeiro. Se vivêssemos em um mundo minimamente justo, um homem jamais teria o poder de, praticamente sozinho, controlar todos os poderes instituídos como se fossem seus brinquedos. É simplesmente revoltante, mas é assim que funciona a plutocracia capitalista.

Depois disso, tivemos aquela live absurda onde o inominável fez uma associação mentirosa e terrorista entre a vacina contra a Covid e a AIDS. As redes sociais imediatamente baniram a live do Coiso, enquanto que a justiça brasileira nada fez e nada fará a respeito. Aliás, falando em não fazer nada, a chapa Bolsonaro/Mourão teve as ações que pediam sua cassação arquivadas pelo TSE apesar das toneladas de evidências contra si. Bolsonaro está totalmente blindado porque ele está servindo de maneira bastante obediente aos interesses do real poder, que é esse poder econômico representado por homens como o já citado André Esteves.

E para terminar, o jogador de vôlei Maurício Souza teve o contrato rescindido pelo Minas após uma postagem homofóbica sobre o Superman bissexual. Essa rescisão de contrato só ocorreu, é bom que se diga, por pressão popular vinda das redes sociais, porque se fosse depender da justiça... Aí seria querer demais. Ainda que seja um pouco exagerado punir alguém por uma opinião pública sobre um desenho, a cada post homofóbico que publicamos na web estamos contribuindo para um mundo ainda mais preconceituoso.

Enfim, a moral da história é que a justiça brasileira é cega, surda, muda e inerte. Por conta disso, as redes sociais estão tomando o lugar da nossa justiça, já que ela não funciona corretamente. Eu não me espantaria se, um dia, a nossa justiça formal fosse abolida para que os julgamentos ocorressem apenas por tribunais populares na web. Afinal, de que adianta uma justiça inútil, cara, antiquada e injusta? Enquanto isso, aquela mulher que roubou Coca-Cola e Miojo (caso explícito de furto famélico) teve o habeas corpus negado... Aí pergunto: justiça para quê e para quem?

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